outubro 02, 2005

O fim DESTE blogue

Queridos leitores: este blogue chega neste momento ao fim. Depois de 30 meses, 1.172 entradas, 4.874 comentários, 447 trackbacks e 644.000 unique visitors. Chega ao fim por esgotamento da fórmula inicial. Hoje disponho de outras ferramentas para manter em linha, acessíveis só aos meus olhos, aos olhos de quem quero ou aos olhos em geral (dependendo dos graus de acesso), as memórias, os links, os documentos e serviços de que preciso pessoalmente ou necessito partilhar. Por isso vou descontinuar este blogue.

Mas certamente que sim começou por ser (o vento lá fora)*. Mudou de nome (acontecimento RARO na blogosfera) e evoluiu o desígnio, amolecendo-se o empedernido até ficar derretido. Mudança e evolução deveram-se à alteração do meu estado afectivo, que passou de cinzento a cintilante na noite de 26 de Novembro de 2004. Do ponto de vista tecnológico foi-se esvaziando de propósito. Manteve-se actualizado (irregularmente) enquanto foi dando. Ultimamente, a pressão da labuta diária intensificou-se e o tempo para este blogue rareia. Já antes quis fechá-lo, mas nunca se proporcionou.

Agora proporcionou-se. Uma nova plataforma (Movable Type 3.2) no weblog.com.pt, um novo rumo que se prepara para esse projecto, a procura de novos inputs financeiros. E também um forte desejo de mudança, porque as fórmulas gastas devem ceder lugar a novas experimentações.

No mesmo endereço, que é um endereço pessoal e intransmissível, surgirá um dia destes um novo blogue. Do velho (este) manterá quatro coisas: o endereço, mas certamente que o nome, a fotografia de um papagaio azul (que tem uma história involuntária que um dia talvez seja contada) e a autoria.

Tudo o mais será diferente. O objectivo, o propósito, o grafismo, as secções, o estilo, o ritmo de publicação, a língua.

A quantos me leram, comentaram e acarinharam com palavras de entusiasmo e também de crítica construtiva (o que exclui naturalmente JM e outros "liberais", e um tal de RAF para citar apenas o último caso de desonestidade intelectual rastreado, ver comentários deste post), aqui fica o meu agradecimento com uma ponta de emoção. Os arquivos manterão on line por mais anos (muitos, espero) as nossas "conversas" neste local.

Os comentários e trackbacks foram desligados por um motivo óbvio: não dar lugar às costumeiras mensagens de volta, regressa, etc com que os amabilíssimos leitores têm o hábito de nos dizer quanto gostam de nós. Não vale a pena. Este derradeiro post diz tudo o que há a dizer.

Este blogue acaba aqui.

setembro 30, 2005

sssSaudades

«Eu não existo longe de você
E a solidão é o meu pior castigo
Eu conto as horas pra poder te ver
Mas o relógio tá de mal comigo Porque?
Pooooooorque?

Neném sem chupeta, Romeu sem Julieta
Sou eu assim sem você
Carro sem estrada, queijo sem goiabada
Sou eu assim sem você
»

(Adriana Calcanhoto, excerto da lírica de Fico Assim Sem Você)

setembro 29, 2005

O Poder (local) saiu à rua na Web

Os números são encorajadores: 77 municípios já aderiram à Sociedade da Informação. O pior é que muitos deles se ficam na Web por um postal ilustrado.

De Abrantes a Vouzela, são 77 as câmaras municipais portuguesas com presença assinalada na Internet. Dos 305 municípios do território, que neste domingo vão a eleições, 25 por cento detêm um endereço na World Wide Web. Isto segundo a lista fornecida pela Associação Nacional de Municípios Portugueses, que também não deixou de aderir à Sociedade da Informação. Nas páginas do «site» da ANMP podemos consultar informação sobre todas as câmaras e juntas de freguesias - sendo a base de dados ordenada por distritos e possuindo a informação essencial sobre cada um. Mas outras associações de autarquias também constam na Web, além de várias páginas não oficiais mantidas por entusiastas.

Os números não serão famosos se comparados com os registados em países com maior taxa de conexão, mas não deixam de surpreender pela positiva. Quando um quarto das câmaras decidiu incluir os cibernautas na sua lista de prioridades, elaborando páginas de consulta com «guichets» virtuais para contactos personalizados, já se pode dizer que o poder está mais perto da rua, do cidadão.

Curiosamente, ou talvez não, a distribuição geográfica destes «sites» não tem correspondência com a regra número um do desenvolvimento económico português -- que concentra a riqueza nas faixas litorais e deixa o interior e as ilhas longínquas e dependentes. Se é verdade que Beja, no Alentejo, não possui nenhuma câmara na Web, também nenhum dos 13 concelhos de Setúbal aderiu ainda. E distritos como Portalegre (quatro câmaras com endereço em 15 no total distrital) batem-se com Lisboa, por exemplo (cinco em 15).

 O mais conectado distrito do país é de longe o Porto. Onze das suas 17 câmaras municipais possuem um endereço. Mas Aveiro, que tem 19 concelhos, só vê seis deles ligados à rede. O Algarve é equilibrado, com sete das 16 câmaras ligadas.

Como facilmente se conclui desta ronda, o mapa da conectividade não se sobrepõe ao da expansão económica. Aprofundando a questão, não é por terem mais riqueza, maior área ou representatividade no conjunto nacional que as autarquias se ligam à Internet. Capitais de distrito como Braga não estão ligadas, enquanto câmaras mais modestas como Santa Cruz da Graciosa (Açores) ostentam, orgulhosas, as páginas sobre a sua região. Aliás, note-se que Braga não é caso único em termos de cidades capitais de distrito: outras seis das dezoito capitais do continente fazem-lhe companhia no vagão das info-excluídas.

A responsabilidade deste estado de coisas estará provavelmente no uso dos fundos da Comunidade Europeia, como o Fundo de Equilíbrio Financeiro. Gondomar forneceu um dos melhores exemplos das várias páginas investigadas pelo EXPRESSO. Além das habituais secções, como «Cultura» ou «Economia», no «site» de Gondomar podemos saber a composição do executivo camarário (um item básico, mas em geral muito esquecido), incluindo a distribuição de pelouros e fotografias (nada exageradas) dos titulares. Ou ler o «Boletim Informativo». Dispõe também de uma secção de «Sugestões», em que «desejamos sugerir» qualquer coisa aos nossos representantes. Mas a interactividade fica-se por aqui. Aliás, em termos de interactividade o poder local mostra-se pouco aberto. Não vimos nenhum fórum em que os munícipes pudessem trocar críticas ou elogios públicos, e, uma boa parte dos «sites», nem a tradicional «caixa de sugestões» exibe. Em rigor, não basta possuir um endereço - e, portanto, estar listado na página dos «Municípios com servidor na Internet» da ANMP - para se poder considerar conectada uma câmara municipal. Nos casos piores, os servidores que o EXPRESSO tentou visitar não deram resposta (como o de Faro) ou responderam com uma página vazia (Seia). Há outras câmaras detêm meros bilhetes postais na Web: uma página de rosto com uma foto aérea, dois ou três ligações a páginas de história e turismo, algumas descrições do património ou das obras - e pouco mais.

( Texto publicado no Expresso, no então suplemento XXI, em 12 de Dezembro de 1997 )

Caro RAF: vá dar sangue (act: e leve JM consigo)

Alguém chamado Rodrigo Adão da Fonseca que, segundo consegui perceber, apresenta como melhor carta de recomendação ser um ilustre desconhecido que escreve num blogue colectivo, esteve de piquete nesse blogue de referência da blogosfera portuguesa e quiçá mesmo lisboeta chamado Blasfémias e chamou-me trauliteiro e rasteiro por, acha ele, eu ter «decidido» «pôr em causa a credibilidade» do tal blogue insuspeito.

Da prosa dele não percebi nada excepto que ficaram piúrsos com dois posts meus. Esse tal de RAF, que aparentemente está no blogue para servir cafés a João Miranda, consegue dizer completamente fora de tópico que «todos os blasfemos têm elevada credibilidade profissional nos meios onde actuam», embora para aquilo de que eu falava (escreverem num blogue) pareçam só ter «uma forte preparação». Ora, eu não coloquei credibilidades profissionais em causa: limitei-me  bater palmas ao Rui (Klepsýdra) por desmascarar as insuficiências e a afirmar, repetindo-o agora, que considero que o blogue está a baixar na fasquia da credibilidade, dando o flanco repetidamente em vários assuntos. Assim mesmo, vago, porque - ao contrário do que pensaram aí os jarrões de enfeitar caixas de comentários - me limitei a emitir um pensamento sem teorizar por ai além sobre ele. Ao contrário do Blasfémias, este é um blogue despretencioso. Nem todos são (ou querem ser) mirandas - sejam joões ou carmens. Se se picaram, azar - temos pena.

RAF adianta ainda que o blogue deles é um blog de inspiração liberal, com um posicionamento único para o debate porque tem caixa com comentários e links. Sim. O Pipi também, e daí?

PS: descobri depois que afinal também João Miranda já antes acusara o toque: afirma que eu não tenho autoridade para avaliar a credibilidade dos outros. Claro. Só os liberais e sabujos dos leitores dele são competentes para isso.

JM: o meu currículo é público há vários anos (embora desactualizado), mas o seu não o encontrei em lado nenhum on line. O Google aparentemente não sabe quem você é. Quando o apresentar, começamos a luta de currículos. Veremos qual de nós tem mais preparação para avaliar os mecanismos de construção da credibilidade on line.

( Sergei: desculpa o mau jeito. )

testes vários ao MT 3.2

Por exemplo, aos posts para data futura. Este post só deve surgir às 02:55:40.

E também aos comentários wysiwyg. 

setembro 27, 2005

Já temos edição em WYSIWYG!

Uma das grandes aspirações dos bloggers do weblog.com.pt e também das mais antigas: um editor WYSIWYG -- ou seja, what you see is what you get, ou ainda, um modo gráfico de editar, como se fosse um processador de texto. Uma das muitas novidades do Outono, que reforçarão o weblog.com.pt como o melhor local para ter um blogue.

 Ver imagem abaixo  imagem do modo wysiwyg

Já temos podcasters e um portal deles

Andava eu em recolhas por causa do artigo para o próximo Expresso e a pensar caramba, está na altura de fazer um agregador dos podcasters portugueses e já magicava como o iria fazer quando acabasse o artigo quando encontrei um. O Lusocast. Do Karlus. Depois de o ter conhecido através de uma polémica (em que me chamou coisas desagradáveis), fui ganhando respeito. É um empreeendedor. Um daqueles empreendedores da inovação que se lixam num país tão pequeno como Portugal.

Culto da personalidade

«Na primeira metade do século XX, os nativos da Polinésia viam os europeus a construir pistas de aviação. Notaram que após a construção da pista chegavam aviões carregados de bens de consumo. Concluiram, muito inteligentemente, que a construção de pistas de aviação causava o aparecimento de aviões carregados de bens de consumo. Resolveram por isso construir as suas próprias pistas e esperar pela carga.» (João Miranda)

Cem anos depois um grupo de amigos percebeu que os talentosos escrevem blogues e conquistam a admiração dos outros. Concluiu, muito inteligentemente, que os blogues foram a causa do talento e da admiração e resolveram por isso fazer um blogue.

Blasfémias: que credibilidade?

O meu amigo Aur ops, Rui Curado da Silva tem feito um magnífico trabalho a desmascarar as insuficiências (e as mentiras) do pretenso liberalismo que é a raison d'être do Blsfémias. Este blogue assume uma linha de crítica que lhe valeu no passado um toque de credibilidade. Esta tem vindo a ser crescentemente colocada em xeque, sobretudo depois dos revezes da administração Bush. Mas não só: as atoardas que, repetidamente, alguns dos blasfemos têm dirigido a torto e a direito pela blogosfera, com bengaladas prometidas que depois nunca aparecem para dar (e levar), demonstram a sua falta de seriedade.

Os media em geral já o sabiam e quem trabalha neles (ou os estuda) idem. Como muitos bloggers agora vão aprendendo, não é credível quem quer: é credível quem o consegue.

[ A credibilidade on line é um dos pontos da comunicação que apresentarei no segundo encontro de weblogs (ver imagem e link na coluna da direita, ao topo), intitulada Para onde vai a liberdade?. Graças a pessoas como o Rui, não vai para o lixo. ]

setembro 26, 2005

32.400.000 x 2

Sessenta e quatro milhões e oitocentas mil vezes bateram os nossos dois corações somados desde que estamos juntos. «We live we die & death not ends it» (Jim Morrison).