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setembro 30, 2003
BLOGS

Está no prelo, chama-se Blogs e é um livro sobre blogs, eu sou um dos autores o outro é o Luis Ene, custou a parir mas já está no prelo, editado pelo Centro Atlântico e nas estantes em Outubro, ah, claro, tem lançamento no dia 15 no Mercado da Ribeira e além dos autores deverão estar presentes vários dos bloggers entrevistados ou citados no livro, o Ricardo Gato Araújo Fedorento Pereira e o Zé Gato Diogo Fedorento Quintela devem ir, o João Fumaças Carvalho Fernandes e o João L. Socio[B]logue Nogueira é provável - e mais, iremos dizendo nos próximos dias, eu gostava que aparecessem todos! Uff.
Posted by pTd at 11:37 PM | Comments (7)
no hard feelings
Com alguma incredulidade, confesso, li a entrada de Pedro Mexia em que faz «esclarecimentos a blogs que o interpelaram de forma concreta sobre assuntos concretos» (tem-dias-permalink)
Incredulidade porque num meio que ficará conhecido pela volatilidade, o Dicionário do Diabo presenteia-nos com a memória. Nunca pensei que um assunto com meses (décadas no relógio biológico da blogosfera) ainda merecesse atenção.
Assinalo a coragem com que Pedro Mexia dá o peito às balas da Montanha Mágica e defende e explica a sua coerência.
Em resumo, cito: «não vale a pena esconder que o tom desse texto não era um esclarecimento mas um ataque, e sobretudo um ataque ao «Expresso». Estou em condições de o dizer, porque foi concebido com esse propósito. O que eu disse agora foi que me parecia interessante que Paulo Querido não tenha ficado ressentido com esse texto, quando outros bloggers ficam ressentidos até com silêncios, quanto mais com ataques. Tratava-se, nesse post, de um elogio pessoal a P.Q., e não tinha nada a ver com o tal texto, que escreveria outra vez.».
Ora aqui está alguem com convicções e que assume o que faz. Gosto disso. No hard feelings, Pedro, e obrigado pelo (para mim desnecessário) elogio. Foi-me fácil logo na altura perceber que era o Expresso o visado do comunicado. Não falei disso na altura por pudor e pelo respeito que me merece a Redacção para a qual contribuo. Da mesma forma que as cadeias de poder existem nas redacções para proteger os indivíduos-jornalistas, também estes têm o dever de dar a cara pelos seus jornais. Ou pelo menos eu assim considero.
Fica para a história o esclarecimento mútuo. E um grande tele-abraço, pois não nos conhemos pessoalmente. btw, o lançamento do livro "Blogs", do qual sou co-autor com o Luis, que vai decorrer dia 15 de Outubro no Mercado da Ribeira, Lisboa, é uma oportunidade de materializar o abraço. Apareça!
Posted by pTd at 12:55 PM | Comments (2)
setembro 28, 2003
ai ai ai
se eu fosse dado a teorias da conspiração tinha hoje pano para mangas...
Ontem, quando ao fim de uma semana absolutamente terrível (livro, mudança de escritório, problema dos file descriptors, clientes que não pagam) tinha o servidor num brinco, editei uma entrada a dar conta disso no weblog.com.pt e fui-me deitar. Eram umas 5 da manhã.
Escrevi «tudo está resolvido»...
Imagino a cara dos utilizadores quando hoje durante a manhã o sistema não respondia... E quando passou a responder, dava um erro estúpido nas novas entradas. E acumulava-as na lista, embora elas não ficassem publicadas... Um erro estúpido e irritante.
Já resolvi o problema, que não é nem da minha responsabilidade, nem de configurações do servidor, nem de nada que possa sem humanamente imputável - a menos que descubram a quem chagar a cabeça pela falha de energia que faralhou o MySQL todo ;)
Mas já viram a minha cara, ó, a dizer que está tudo bem e por detrás a EDP a arranjar-me este lindo 31?
Posted by pTd at 03:48 PM | Comments (6)
setembro 27, 2003
Welcome!
Depois do João Carvalho Fernandes ter cá chegado para começar de novo, eis que outro João, o L. Nogueira, nos traz a versão 2.0.
A ambos, boas vindas e que tudo vos corra bem (e cá estou eu para apoio, basta escrever).
Posted by pTd at 05:07 AM
setembro 24, 2003
Descanso
Nos últimos seis dias sairam-me dos dedos mais de 200.000 caracteres... sem contar o código, o e-mail e o IRC. Esta noite vou descansar, uff. Uma prenda para mim mesmo.
Posted by pTd at 08:38 PM
setembro 23, 2003
1...2..3... teste ao Trackback
Isto é um teste para mostrar a funcionalidade do Trackback. Estou a citar a entrada Em Defesa de Uma Opinião Pública Activa, de O Gin Tónico que, já agora, merece leitura.
Posted by pTd at 02:42 AM | Comments (6)
setembro 21, 2003
Quantos somos?
No texto 2000... not! dava conta da minha inquietude face às estimativas que apontam a existência de 2.000+ blogs escritos por portugueses.
Esse número resulta assim vagamente da soma de:
Ainda ninguém fez um levantamento sério que possa (um dia...) responder à questão "Quantos somos?"
Deixando de lado as considerações sobre a (in)utilidade de tal resposta, dei umas voltas e descobri que o número deve andar pelos 4.000-. Os meus cálculos baseiam-se em estimativas que levam em conta, além dos 1.000+ listados,
Segundo o blogcensus (estava em baixo, não vale a pena linkar agora) o Português é a terceira língua da blogosfera mundial, com quase 60.000 blogs. Não acredito que os brasileiros e os emigrantes sejam responsáveis por mais de 95% desse número...
Estou demasiado ocupado agora com outro projecto (o livro sobre blogs que estou a escrever a dois teclados com o Luis Ene, damned!, era top secret até o JN dar a cacha!), pelo que este texto é, decididamente, um work in progress -- e espero que os leitores levem isso em consideração quando comentarem os nada consensuais números e a falta de metodologia. Quando terminarmos o livro, e se houver feedback útil, vou pensar num método mais científico do que as bolas de cristal...
Ah, e de caminho encontrar também uma medida de filtragem dos activos e inactivos. Tal como se passa com os humanos responsáveis por eles, também nos blogs o passar do tempo conduz à inevitabilidade: um dia serão mais os inactivos que os activos.
Até lá, inspirem-se com o manancial de perguntas a partir daqui (obrigado ao Mário pelo link).
Posted by pTd at 01:06 AM | Comments (10)
setembro 20, 2003
informar ou comunicar sabedoria ou inteligência [...]
Obrigado ao Jóia da Coroa pela clareza da sua análise, bem mais profunda que a minha e a do Abrupto (sem links nem comentários, é apenas um agradecimento).
Posted by pTd at 10:05 PM
2000... not!
Uma rápida sobre o Encontro de Weblogs que ontem terminou em Braga.
É conservadora a estimativa que aponta a existência de 2.000 blogs escritos por portugueses. Com base na análise que consigo hoje fazer, estimo que sejam cerca do dobro. Isto não significa que estejam todos activos, ou seja, que tenham sido actualizados no último mês, pelo menos. A médio prazo tentarei ser mais explícito e publicar a análise e a metodologia.
A maioria das listas e apontadores dá demasiada atenção aos blogs do blogger (a fina flor do entulho alojou-se nesse condomínio de info-pobres, o que explica tão desproporcionada atenção) e esquece alojadores históricos, alojadores universitários e alojadores pessoais.
No blog do encontro vão sendo publicadas as intervenções de alguns oradores e sugiro a sua leitura. Aguardo que o Sócio[B]blogue acabe as suas info-férias (ele esteve no encontro) e publique a sua :)
Posted by pTd at 07:27 PM | Comments (8)
O tolentino, coitado!...
... acha que eu sou de direita. Mais uma prova de que a leitura apressada conduz à tresleitura (Luis!). Se Tolentino tivesse realmente lido a minha entrada, em vez de tresler, não escreveria isto: «A preocupação percebe-se: sendo ele de direita, se o mito fosse verdadeiro então ele seria estúpido».
Não tinha lido ainda o Tolentino e não vou voltar a ler (fi-lo porque costumo seguir os referrers novos e bateu-me um dele na trave). A inveja é um sentimento desprezível. Aquela diarreia mental e a raiva contra os blogs mais conhecidos demonstram uma ânsia de protagonismo que não se coaduna com a minha prática dos blogs. Temos pena, Tolentino. Já pensou comprar um cérebro? Case closed.
Posted by pTd at 05:01 PM | Comments (6)
Technorati - a lista (act.)
Conforme prometido no Encontro Nacional de Blogs ontem em Braga, aqui fica a lista elaborada diariamente a partir dos dados da Technorati.
A lista está agora com um endereço fixo e é actualizada geralmente uma vez por dia. Consulte-a em http://weblog.com.pt/portal/estatisticas/technorati
Posted by pTd at 03:45 PM | Comments (3)
setembro 18, 2003
Não podia estar mais de acordo
«A ARMA DA DESINFORMAÇÃO» publicada a 18.9 (hoje) no Abrupto é uma boa síntese. Devolvendo em título a gentileza de Pacheco Pereira, aqui lhe repito as frases mais relevantes -- nada é de mais no combate à parvoeira. Para o contexto nada como irem à fonte.
«Ao irem ao Muito Mentiroso (MM) procurar “informação”, as pessoas caem num logro. O MM não tem informação, tem desinformação, o que é uma coisa completamente diferente. »
«O MM vem do interior do processo ou das suas adjacências e é uma actividade interessada [...] Não há um átomo de inocência em tal actividade, que joga com instintos populistas e voyeuristas e a ingenuidade de muitos, para obter resultados. Quer pôr-se a milhas dos jogos sujos do processo de pedofilia? Não vá lá, não há nenhuma informação para si, só manipulação.»
«As pessoas tornam-se colaboradoras do autor (ou autores) do Muito Mentiroso porque inevitavelmente vão acabar por interiorizar o que lá está e lhes parece verdadeiro, ou porque o suspeitassem, ou porque lhes parece plausível. E vão acabar por repeti-lo, infectando mais gente com boatos e calúnias, realizando o único objectivo do autor do MM que não é “informar” os portugueses de algo que lhes escondem, mas manipular a sua opinião».
A escolha é sua, caro leitor.
Deste lado tem um jornalista e um deputado europeu conservador que enquanto jovem militou nas áreas da extrema-esquerda: exceptuando os profissionais militares do ramo (e Nuno Rogeiro, pois claro), acha que há pessoas mais indicadas para lhe falarem de contra-informação?
Do outro lado tem gente que é parte interessada no processo e pretende condicionar a sua opinião e usá-lo como veículo transmissor para infectar com a baixa suspeita as opiniões dos seus amigos.
A decisão é sua e acho que deve pensar bem nela, isto não é um assunto-Caras-rica!, é um assunto que tem a ver com o futuro profundo dos portugueses.
Ao contrário de Rui Tavares, que no Barnabé não propõe «nenhum princípio em relação a linkar ou não linkar» e acha que «os nossos leitores podem muito bem aguentar com o Muito Mentiroso», eu acho que os meus leitores podem muito bem passar sem o MM e proponho princípios. Como por exemplo um cordão sanitário em torno do MM, que o Pi Nóquio começou com o Mais ou Menos Mentiroso.
(Eu e JPP não temos piada, muito menos em temas pesados como este, que causam a indignação e a repulsa; felizmente para os leitores há bloggers como o Pi Nóquio, que no MMM desmonta a desinformação do MM com leveza e humor. Não percam)
Posted by pTd at 03:49 PM | Comments (5)
setembro 17, 2003
os istas
O andrebelo escreveu com propriedade no Barnabé um texto intitulado Jornalistas vs bloguistas.
A discussão sobre blogs e jornais é quase tão antiga como os blogs. É um tema recorrente. Cíclico. Como jornalista profissional e blogger profissional (sim, já me considero como tal devido ao projecto weblog.com.pt, no qual já fiz um investimento considerável) posso adiantar umas notas para o tema. Aqui ficam os meus two cents. Bem, pelo tamanho da prosa na continuação, são mais twenty cents :)
andrebelo é sucinto e prático: «os blogues, sobretudo os que comentam a actualidade, não existem sem os jornais. Jornalistas e bloguistas banham nas mesmas águas. Lêem as mesmas coisas, lêem-se uns aos outros, influenciam-se mutuamente, passam sem transição de um meio para outro.»
É correcta a afirmação -- dado que ele fez a ressalva do "sobretudo os que comentam a actualidade". Não a tivesse feito e já não seria correcta. Existem centenas de blogs que passam ao lado da "actualidade", pelo menos da "actualidade oficial", que é a actualidade publicada.
Com efeito existem outras actualidades que escapam às manchetes. E há blogs extremamente bons, ao nível da reflexão e informação sobre áreas específicas, da ciência (a formiga de langton e parentes) à música, da História (vejam o História e Ciência) aos undergrounds culturais de minorias que os media nem cheiram (não fazem títulos, são incomodativos para os grupos económicos, não têm expressão pública e é melhor que nem tenham, nalguns casos).
Para tais actualidades, que sem interessar às massas (os media tradicionais são na verdade mass-media, recordemos) importam a grupos e a minorias de várias tiragens, os blogs são uma benção: permitem o acesso, ou inter-acesso, a informação, e o cruzamento de opiniões numa rede pública e de baixo custo.
Podemos afirmar que esses bloggers se tornam jornalistas a partir do momento em que pesquisam, filtram e publicam informação?
É claro que não. Um jornalista possui (e se não possui é um mau jornalista) um passado de experiência feito e uma formação específica na arte de mediar a informação, a notícia e a análise. O jornalista desenvolve um faro pelo que é importante e sabe (aprende) a destrinçar o fumo do fogo.
O jornalista TEM de fazer isso por razões históricas da profissão. Esta tem mudado e é por isso que está hoje sujeita a um escrutínio popular sem precedentes -- como é notório na actual discussão citada por Barnabé e que teve origem no post(eles escrevem posts, eu escrevo entradas) do Glória Fácil intitulado O ódio aos jornalistas.
Ao jornalista, a quem se paga, exige-se profissionalismo -- ia escrever perfeição, mas contive-me. Exige-se rigor. Exige-se que não falhe, ou falhe o menos possível. Exige-se a Verdade (ou o mais perto dela que ele for capaz).
A um blogger, a quem não se paga, não se exige pôrra nenhuma -- a não ser que nos divirta, nos faça pensar, nos faça discutir com os seus textos.
Cabe na cabeça de alguem pedir rigor a um blog? Pedir A Verdade?
Não. Nem sequer aos blogs "sérios" se pede rigor. Pode-se é esperar maior rigor de uns (como a formiga ou o Sócio[B]logue) do que de outros (olha, O Meu Pipi por exemplo, ou até mesmo o Blog de Esquerda)
Repare-se: nem sequer se pede aos jornalistas-bloggers que sejam rigorosos nos seus blogues -- ops! :) -- como o são nos seus jornais, rádios ou televisões! Nenhum leitor demanda o meu blog em busca de notícias: sabe que vem cá encontrar muita opinião e eventualmente alguma informação excedentária que não publiquei no Expresso. Vem cá ler o que eu penso, e não o que eu publico nos jornais.
Não vamos ler o blogdo Pedro Mexia-jornalista, vamos ler o blog do Pedro Mexia-blogger, ou ensaísta, ou cronista, ou amigo, ou inimigo.
Há portanto uma diferença crucial entre blogger e jornalista -- que não se esbate sequer quando estamos perante um jornalista-blogger.
Voltando ao expedito e certeiro Barnabé: «O Público, o DN e o Expresso, pelo menos estes, constituem, talvez mais do que as televisões, leitura partilhada de todos, leitura que está implícita no que escrevem. Mesmo quando não são jornalistas com carteira, os bloguistas, pelo menos alguns deles, passearam-se, passeiam-se ou vão passear-se pelas redacções dos jornais. E os jornalistas são os primeiros leitores dos blogues.»
Bem... estamos de acordo -- excepto num ponto. Serão os jornalistas os primeiros leitores dos blogs? Parece-me pacífico (e salutar, já agora) que cada vez mais jornalistas procuram ler blogs. Talvez andrebelo se refira a uma leitura qualitativa. Mas numericamente os leitores de blogs são pessoas comuns. Que na generalidade também consomem jornais, televisões e rádios.
«O facto de jornalistas criarem blogues é o resultado natural desta proximidade: de meros leitores passaram a escritores.»
ZIM! O blog, ferramenta de edição pessoal por excelência, é o sonho profundo de qualquer jornalista, convém dizer aos não-jornalistas. Quantos de nós, jornalistas, não temos na gaveta um, vários projectos para o jornal dos nossos sonhos, o nosso jornal/revista, com a nossa Redacção -- com burros gráficos e até business-plans prontinhos? Os blogs deram-nos a possibilidade de tornamos o sonho em realidade -- mesmo que parcialmente.
O que um jornalista quer é exercer a sua profissão: informar os leitores. O meio para chegar aos leitores é secundário. Por razões históricas, os media são concentrados. A Internet, com a facilidade editorial e os meios de produção audiovisual gratuitos ou de preço irrisório, trouxe a pulverização a possibilidade teórica de o jornalista dispensar o patrão (responsável pelo investimento nos pesados meios de produção).
Isto não significa o fim dos impérios (de várias dimensões) mediáticos. Recordo que a Internet é apenas mais um meio -- e se bem que de massas, ainda está (e continuará a estar mais uns bons anos) muito longe de proporcionar, dirigir e promover conteúdos para o grande público.
Por outro lado, a concentração em Redacções (aglomerados de muitos jornalistas) traz benefícios à investigação, confirmação e embalagem dos conteúdos noticiosos e sinergias importantes, quando nãp fundamentais, aos jornalistas. Ora, apesar dos mecanismos que permitem editar a várias mãos, os blogs são na essência uma ferramenta pessoal, individual, que inibe as vantagens da concentração.
Por último, a Internet ainda não desenvolveu mecanismos de retribuição honesta (estou a falar em salários, dinheiro, cacau, ferro, pilim, aquilo com que se paga o leite das crianças) para a produção intelectual. O que deita por terra parte do sonho do jornalista ter o seu próprio jornal: pro muito profissional que fosse o seu blog, está (por ora) condenado a mantê-lo como um hobby e a ter um meio de subsistência.
A pergunta inevitável: então e um blogger não pode aspirar ao mesmo, a tornar-se um jornalista?
Pode. Muitos fá-lo-ão no futuro. Nada impede que uma pessoa pratique, estude, se aperfeiçoe na tarefa de mediar informação/notícia.
Mas não basta dizer "olá, estou aqui, tenho um blog, sou o maior". É necessário prestar provas, resistir à erosão, ter interesse, dar a notícia certa -- muitas vezes, uma não basta -- antes dos outros. Em suma, conquistar o respeito dos leitores (e atenção, o leitor mudou também ele, hoje é receptor-emissor pois tem a possibilidade de comentar, em pé de igualdade, a notícia ou texto -- mas deixemos esta importante mudança de fora agora, pois dá pano para mangas).
Ora, ora, chegámos ao busílis desta história! Voltando ao Barnabé: «Isso é bom: trata-se de uma atitude anti-corporativa da parte dos jornalistas. Dos blogues espera-se que, pelo seu lado, não reajam a ela corporativamente.». Agora passemos ao Glória Fácil: «Paira por aí, na blogosfera, um certo ódio aos "jornalistas". Que são manipuladores, arrogantes, autistas, sobranceiros, umas divas insuportáveis que vieram conspurcar este gentil meio e dar-lhe cabo da sua pureza original - que residia no facto de qualquer cidadão médio poder fazer, com escassos conhecimentos técnicos e quase de borla, o seu próprio "media".»
O ódio provém sobretudo das décadas de one-way information, décadas seguidas em que o jornalista era um ditador, em que o leitor comia e só podia discutir na mesa do café lá do bairro (e fazia-o). Agora, que pode discutir na praça pública, dá azo à sua liberdade. É uma reacção natural, equivalente à alegria do povão nas ruas no 25 de Abril. Temos de nos aguentar à brocha com isso, camaradas jornalistas!
O texto de JPH no Glória Fácil é importante. Cito ainda: «Se calhar o problema é de influência. As elites vêem com bastante preocupação a sua influência pública ser diminuída por via da influência conquistada por uma "classe" (ou "corporação") que acham ser, genericamente, inculta, desbragada, alcoolizada, muito gregária (ou seja, aparentemente unida), inconsciente da sua responsabilidade social, desrespeitadora das hierarquias institucionais e sociais pré-estabelecidas e (mais grave que tudo), cujo poder não é assente em nenhuma legitimidade clássica (académica, eleitoral, económica ou, enfim, de puro e simples "pedigree", por via de direitos históricos adquiridos).»
Sim. A influência é o primeiro dos motivos de ódio aos jornalistas -- seja das classes sem acesso ao poder, seja das classes do poder. Uns como outros invejam o poder (até há um termo pejorativo, o Quarto Poder) que emana dos meus dedos sobre o teclado ao escrever para o Expresso, o poder da voz do Carlos Vaz Marques aos microfones da TSF, o poder da face do José Alberto Carvalho ao abrir o Telejornal.
Não fora o respeito que cada um de nós, jornalistas, conquistou (em doses desiguais, evidentemente) pela força da qualidade do seu trabalho e a inveja da nossa influência cegaria os leitores atirando-nos definitivamente para o limbo.
Ao sair do conforto privado da Redacção e entrar no mesmo nível público dos leitores (a blogosfera, a Internet) o jornalista expôs-se como nunca antes na história. Aqui, reino dos bits, não há a protecção da hierarquia da Redacção, não há o escudo do grupo económico. Aqui lidamos de perto com os ódio e outros recalcamentos de uma classe gigantesca: a dos leitores/ouvintes/telespectadores.
Curiosamente, acho que os jornalistas têm estado à altura da blogosfera. Vi-os entrar com entusiasmo e humildade (até para-jornalistas, como José Pacheco Pereira, pessoa que -- tanto pelo seu carácter como pelo seu estatuto -- ninguém imaginaria agarrada a um teclado a trocar opiniões com outros, situando-se no mesmo nível que eles). Penso mesmo que para muitos estar perto dos seus leitores é uma benesse. Ter feedback é fundamental. As Redacções proporcionam feedback material, sobretudo, mas pouco calor humano. Ora, disso não falta na exaltada blogosfera :)
Assistimos a um período conturbado, como o são todos os períodos revolucionários e pós-revolucionários, de agitação popular. Por isso -- e só por isso -- são perdoáveis os excessos dos hatemail, hatepost e hatecomment. Aos poucos também os leitores se habituarão à presença dos jornalistas no espaço digital comum e popular.
Apesar de preconfigurar esse aspecto, a reacção não é tanto de carácter corporativo, como adiantou andrebelo, mas espontânea e individual, ainda que em coro.
Há dois universos que se estão a fundir. O processo implica alguma dor -- mas ambos os universos têm a ganhar no futuro. A proximidade entre leitores e emissores traz mais vantagens (a crítica e rectificação de uma notícia por parte de uns, a investigação de determinado tema seguindo o hipertexto dos blogs, pela parte dos outros, a rapidez de acesso a fontes-pessoas e fontes-bases de dados) do que desvantagens (a cadência dos posts implica uma pulverização do tempo que prejudica a assimilação do impacto real de um acontecimento na sociedade, o ruído gerado pelo próprio meio que se torns muitas vezes a mensagem [McLuhan...], a impossibilidade prática de aprofundar em rigor certos temas devido à imediata exaltação da opinião pública [caso Casa Pia é exemplar]).
...
Ena, acho que já ninguém me está a ler... É o mal dos blogs: ou se diz tudo no primeiro parágrafo, ou a malta desistiu. Bem... já era o mal dos jornais, portanto encolho os ombros. Um abraço e obrigado, leitor, por não adormecer até aqui.
Posted by pTd at 04:31 PM | Comments (6)
mamã, de que sexo são as pessoas cultas?
Num texto notável a propósito dos onze meses de vida e morte da histórica Coluna Infame, Pedro Mexia faz uma avaliação da político-blogosfera nacional que merece todo o respeito.
Pela parte que me toca, é inspirador ler o ponto 6. Que reproduzo parcialmente:
«6. Resumindo: o caminho aberto pela Coluna Infame foi produtivo, e agora há dezenas de blogs portugueses conservadores, liberais e afins, que podem contribuir (e têm contribuído) para contrariar a ideia, que tem décadas, de que as pessoas inteligentes e cultas são todas . necessariamente . de esquerda.»
Indo além das linhas, que valem por si, centremo-nos nesta ideia velha de que as pessoas inteligentes e cultas são todas - necessariamente - de esquerda. É treta. Mas, como é norma nas Grandes Tretas Nacionais, à força de ser repetida torna-se efectiva.
Faz-me lembrar o parolismo portuense. Os portuenses de uma forma geral fartam-se de falar que os lisboetas pensam que são os maiores e que só na capital é que há tudo (cultura, futebol, política, espectáculos, livros, etc - qualquer coisa nomeável serve para lançar o tema).
Eu, que nasci e fui criado bem longe do eixo da EN1/A1 (Lisboa-Porto e vice-versa), nutro um profundo desprezo por tal dicotomia. Adoro a diversidade portuguesa, a começar pelos sotaques. Amo os sotaques. Todos. Prefiro viver em Lisboa por razões objectivas (trabalho, família). Não gosto do Porto-cidade por razões subjectivas (cheiro, ar, cor). As pessoas são pessoas e aprecio-as ou não sem ligar à sua cidade. Ponto.
Sempre achei que essa atitude dos portuenses era uma parolice.
Parolice é dizer que é preciso ser de esquerda para ser inteligente. Culto. Inteligente e culto.
Sim, é verdade que na década que se seguiu ao 25 de Abril de 1974 era a esquerda que se movimentava nos meandros da cultura e agitava a cultura. Foram pessoas "de esquerda" que dinamizaram culturalmente o país. As pessoas "de direita" ficavam em casa, a assistir e a resmungar: tsc tsc.
Sim, é verdade que há um maior empreendedorismo nas pessoas "de esquerda", por contraponto com o conservadorismo das pessoas "de direita" (mais falácias... eu, por exemplo, que sou acrata e inqualificável em termos de espectro partidário, também sou conservador em montes de coisas -- e isso NÃO faz de mim uma pessoa de direita...).
E sim, é verdade que na terceira década de democracia em Portugal as pessoas de direita estão a perder a vergonha de se assumirem (ai ai, os armários) e começam a "praticar cultura".
Sim, é verdade que o facilitismo que a ferramenta-blog nos trouxe encaixa com perfeição no natural imobilismo das pessoas "de direita", trazendo-as e às suas ideias para a ribalta da expressão cultural (para já, quase só na escrita).
Sim, a Coluna Infame -- e os seus activistas, perdoe-se-me uma expressão tão conotada com a esquerda ;) -- pode orgulhar-se de ter aberto caminho. Tal como O Independente se pode orgulhar de ter aberto caminho à saída do armário de tantos fazedores-de-opinião situados (situáveis é melhor) à direita. Por exemplo.
Não consigo entender o ódio visceral que certas pessoas "de direita" nutrem por figuras marcantes da música, e cito a música por causa dos recentes escritos sobre Sérgio Godinho a propósito do Barnabé, por escritores do vulto de um José Cardoso Pires (imho o melhor escritor português do século XX).
É como os gajos do Puerto odiarem os gajos de Lisboa... só porque são de Lisboa.
A cultura tem sexo?
Resumindo: penso que os blogs -- e isto há-de ser estudado no futuro -- vieram trazer um maior equilíbrio e saúde democrática (olha, eu a escrever "saúde democrática"!) à cultura portuguesa. Esse pensamento faz-me feliz por dentro. E, a partir do momento em que carregar no botão "gravar", far-me-á feliz também por fora.
Posted by pTd at 01:21 AM | Comments (3)
setembro 16, 2003
Classe C (actualizado)
«Papéis velhos e gente viva, não há melhor combinação» (in Abrupto).
Fartei-me de rir com o post de hoje (eu faço entradas, eles fazem posts) de JPP. Aquela da metade dos neurónios a funcionar.
Quando um porta-voz de um partido político supostamente idóneo (tão idóneo que integra a coligação governamental) reage pública e oficialmente ao que foi escrito num blog pessoal, é uma "vitória" para a blogosfera, claro, e um atestado da sua pujança e importância.
Mas não foi isso que me fez rir. Foi a descontracção e o humor com que JPP tratou a situação. Felizmente há políticos (não esqueçamos que JPP é deputado europeu e membro proeminente do seu partido, mais proeminente noutras alturas porque na política há marés altas e marés baixas) que resistem à paranóia geral que atacou a respectiva classe.
E acaba com a citada frase que inicia esta entrada (eles escrevem posts, eu escrevo entradas). Que vale mais, incomensuravelmente mais!, enquanto frase e enquanto princípio, que o disparate dos neurónios e da metade deles.
Actualização: o maizumpomonte escreveu sobre o tema em tom semelhante ao meu, pelo que aqui fica o Trackback (a ver se passamos a tirar mais partido desta ferramenta, que favorece a leitura de um tema transversalmente à blogosfera). Maizum usou uma palavra que crossed my mind mas não passou ao teclado: amenidade. Boa!
Posted by pTd at 06:47 PM | Comments (2)
o ruído
As manobras de contra-informação, propaganda e despistagem no caso Casa Pia estão ao rubro e encontraram um meio espectacular para se propagarem: a Internet e, agora, os blogs.
Idem para as teorias da conspiração (alvo de um programa de humor na SIC Radical, btw).
«Acredite se ler num blog» -- parece ser o lema do momento, seguido indiscriminadamente pelos tontos em geral (no surprise), jornalistas ansiosos (idem) e fazedores-de-opinião avulsos (surprise!).
O blog Muito Mentiroso (não contribuo com o link) continua a sua campanha e começa a ter uma legião de leitores, ávidos de tricas, confusões e teorias. Pior: surgem páginas do género, aumentando ainda mais o ruído. Páginas, blogs, sites, canais de IRC, mailing-lists. Uma torrente de lixo só comparável ao spam e aos programas de entretenimento prime-time dos canais generalistas. Tanto bit mal gasto, jasus!
Sei que, discretamente, há quem ande à procura do(s) autor(es). Não sei se alguem anda "oficial" ou oficiosamente... nem isso me interessa.
Encolho os ombros. Nada posso fazer (excepto não fornecer links) perante a avidez humana pelo conspiratório.
Mas há coisas irritantes que se podem desmontar. Hoje um amigo telefonou-me, assim como quem não quer a coisa, a perguntar se eu sabia algo sobre esse blog. Algo que pudesse conduzir ao(s) seu(s) autor(es). Isso e uma queixa (terá sido mesmo?) à Procuradoria Geral da República levaram-me a discorrer um pouco sobre o pouco que sei de redes. E a dar-vos um exemplo real do poder do código...
Ele: sabes alguma coisa daquele blog?
Eu, direito ao assunto: Nopes. Já o li e acho aquilo um disparate. Porquê? Aí o teu boss também lá anda citado: sobrou para ti? (risos.)
Ele, pose-não-confirmo-nem-desminto: Sei que é difícil, mas estava aqui, em privado, a tentar ver se havia forma de descobrir quem é o autor daquilo.
Eu: É difícil -- mas faz-se. Quanto tens para gastar e até que ponto estás disposto a fazer o trabalho da PJ e ao mesmo tempo incorreres em várias cenas ilegais capazes de dar uma cana jeitosinha?
Ele: Calma, não quero fazer o trabalho deles... Nem isto é assim tão importante.
Eu: Bem, se alguem pode fazê-lo és tu, pá. Tás num dos sítios onde isso se pode fazer. Um man-in-the-middle aí numas máquinas... já vi ratos cairem em ratoeiras piores.
Ele: Sim, claro, mas é pouco provável que os gajos se liguem por aqui. Isso dava era numa Marconi... e mesmo aí não tinhamos a garantia. há mais uns links para fora sem ser pela Marconi.
Eu: Correcto. Descobrir o gajo é algo só ao alcance da judite, com mandatos e o caraças, ou então tudo discretamente com a conivência dos ISP. E mesmo assim sem garantias.
Ele: Claro, car****! Só telefonei para cruzar informação, podias saber dalguma coisa interessante.
Mudámos o tópico para cervejas e gajas, que era mais útil.
Se querem saber, sim, apanha-se o gajo. E mais: eventualmente nem era preciso envolver tantas forças, um pequeno truque (ainda por cima legal, atenção!) e alguns dias podiam conduzir à sua identidade. Ou não. Mas era caso a explorar, antes ou em paralelo com uma investigação de pompa, circunstância e tambores a rufar.
Mas devo dizer-vos mais, porque há por aí equívocos. Como o do "anónimo" que no dia 14, domingo, terá enviado uma queixa à PGR (e aos jornais e têvês que, a confirmar-se que enviou, espero que tenham tido o bom senso de ignorar). Segundo publicou o meu antigo camarada Jorge Van Krieken no seu Reporter X, o anónimo queixa-se que a PJ ficou com o controlo do blog dele, o que, na opinião dele, é, cito, «uma violação clara da minha liberdade e garantias e mais parece actos de um regime ditatorial com censura. Se houvesse Internet antes de Abril de 1974 isto era claramente uma acção da PIDE-DGS. É de máxima importância para todos nós que se investigue e não volte acontecer.»
Bem... experimentem ir ao blogger.com e pedir a password do utilizador mentira_chapada, que eu acabei de lá criar. Como verão, a nova password será enviada para, cito do Blogger: Password request sent to inspector_martelada@pj.net.
Quem terá sido o fdp que me roubou o user???!?
É fácil, facílimo enganar incautos com estes pequenos truques. Parecem verdadeiros -- mas não são.
É muito fácil tecer teorias conspirativas e forjar "provas", como a desse "anónimo" queixoso. Já é menos fácil apanhar os autores de tais truques sujos. Mas consegue-se. Como me dizia há pouco um amigo, é uma questão de brute force.
Tudo isto para dizer e provar que ruído há muito. Demasiado. E vestido com a capa técnica dos "iluminados", o que lhe confere a pose de informação verdadeira, em contraponto com o que os jornais não dizem... Mas cada um de nós acredita no que quer -- pode é estar a acreditar na balela errada.
Já agora mais um truque e -- este sim, além de maldoso é destrutivo -- para mostrar como se pode usar código muito simples para impressionar os incautos. Veja o link que vou dar, mas ATENÇÃO: vão por vossa conta e risco! Se tiver o Internet Explorer como browser (90% dos meus leitores têm, portanto é altamente provável que VOCÊ o tenha) as possibilidades de ter de desligar o seu computador são elevadas. Não se aflija: nada vai ser destruído ou apagado do seu disco. Apenas ficará sem recursos até reiniciar a máquina.
O exemplo é fraco, na verdade. Consiste apenas numa linha de código malicioso. Aqui fica como um exemplo de que é fácil, muito fácil, enganar alguem com "magia" (imagine o efeito de uma lâmpada eléctrica numa tribo primitiva...). Está avisado. Mas imagine que em vez de avisar eu tinha escrito algo como "Fulano criou um vírus poderoso que apagou o meu computador, quando cliquei nesta imagem, o que é um acto ilegal e vou ali queixar-me ao procurador-geral, é um escândalo, quero uma investigação!"... Estúpido não?
Então, devidamente avisado para esse facto da vida que diz nem tudo o que está na Internet é verdade, clique aqui e veja lá o que acontece. Se ainda conseguir ler-me depois, está com sorte. Se não, reinicie o computador e volte cá a contar o sucedido. Não aceitamos reclamações nesta entrada.
Posted by pTd at 01:58 AM | Comments (18)
setembro 15, 2003
Vitor Damas (1947-2003)

Foi um senhor do futebol português. Eu era muito novo, um puto, e as brilhantes exibições de Vitor Damas nas quartas-feiras europeias fizeram de mim lagarto -- mais isso, com efeito, que a tradição familiar.
Posted by pTd at 12:12 AM | Comments (2)
setembro 14, 2003
Se Borges fosse vivo...
... tinha um weblog. Verdade, Luís?
Posted by pTd at 07:12 PM | Comments (2)
Toma lá 10 dólares, mas não gastes tudo em freiras!
Rui: um grande obrigado pela lembrança.
Só que fiquei com uma dúvida (já nem durmo esta noite!): ele recomendou ao jardineiro "freiras" ou "putas"?Não é que faça grande diferença no contexto do filme e obra, é um preciosismo meu chamar a atenção para isso. A minha memória... eu juraria que era "putas". E é "putas" que citas no Covil.
Posted by pTd at 05:51 AM
A seca do nine-eleven
Francamente.
A 11 de Setembro de 2001 em Nova Iorque morreram milhares (desconfio que mais alguns do que os números oficiais) de pessoas inocentes num acto de guerra (guerra pós-moderna) que deixou os Estados Unidos da América de luto e o mundo pesaroso.
A 11 de Setembro de 1973 deu-se um golpe de armas no Chile que depôs um regime democrático e o substituiu por uma ditadura sangrenta, às mãos da qual morreram milhares de pessoas.
Hoje, sentados nos nossos confortáveis cadeirões com vista para o teclado, vemos a Esquerda e a Direita lançarem farpas porque uns estão a sub-valorizar um dos acontecimentos e os outros fazem o mesmo.
Foram dois momentos maus para a Humanidade. Não foram particularmente maus, se comparados com as grandes dizimações do século XX -- da responsabilidade de regimes de Esquerda e de regimes de Direita --, mas quando toca a pessoas mortas eu tenho dificuldade em hierarquizar as tragédias através do número de vítimas. Isso é escamotear o principal: houve VÍTIMAS e isso diminui-me como pessoa, diminui o meu semelhante.
Muitas coisas distinguem os dois 11 de Setembro. A começar pelo contexto histórico-político, passando pelo contexto geográfico e a acabar no contexto militar.
Mas reduzir ambos a uma luta moderna sobre "os meus mataram menos que os teus" parece-me infantil demais -- e francamente só me resta desprezar os contendores de tão baixa disputa. É uma seca. É uma aridez de opinião que -- aqui só para nós que ninguém nos lê -- não abona em favor de uma umbigosfera que, bem, já teve melhores momentos de debate e análises mais lúcidas.
Numa perspectiva redutora (as macro-decisões vão muitas vezes contra as micro-decisões) os volte-faces da política internacional estado-unidense estão na primeira linha de culpados de ambos os acontecimentos -- só que num os EUA foram vítimas, estando por isso à partida isentos de comparecer no banco dos réus da História. O que não lhes retira a responsabilidade, atenção, apenas os isenta de comparecer...
A hipocrisia da política mundial e da "Justiça" tem destas coisas: faz com que sejam julgados os executores físicos dos crimes contra a Humanidade e branqueia -- quando não condecora -- os mandantes.
A história recente de Pinochet é uma tristeza para a elevação moral da sociedade Humana.
O fracasso dos EUA em levar os mandantes do crime das Twin Towers ao tribunal soma-se na extensa galeria de derrotas desse Grande País Líder Da Moral E Da Elevação Democrática E Dos Valores Humanos ao falso argumento justificativo da intervenção militar no Iraque (o improvado arsenal de armas de destruição maciça).
(Agora até pedem ajuda aos Europeus para ajudar a limpar a merda que lá fizeram.)
Nada disto tem a ver com as vítimas dos dois nine-eleven, não me fodam. Tudo isto tem a ver com o sórdido jogo da política -- tão mais sórdido quanto "elevadas" são as suas "esferas".
A exemplo do que se passa na criminalidade económica, na criminalidade da droga e na criminalidade da pedofilia, na criminalidade política só os mixurucos acabam -- quando não prepararam a rectaguarda, como Fátima Felgueiras -- no tribunal.
E nós aqui ficamos, a discutir se o meu mau matou menos que o teu mau. Disgusting.
Posted by pTd at 04:31 AM | Comments (2)
ao RAP
Parabéns! Pela Rita, que isso do stinky cat dar talk-show para mim é tinto.
Posted by pTd at 01:08 AM
ao Pedro Mexia
Leio hoje no Dicionário do Diabo que Pedro Mexia pensou em acabar com o blog mas, caraças pá, já tinha terminado ingloriamente com a Coluna Infame e aprendeu uma coisa com a lição: reagir a quente às flames é uma tontaria.
Fico feliz pela decisão dele: a blogosfera fica a ganhar com menos respostas inúteis às picadelas inúteis de outros tantos inúteis. E por uma outra, expressa em simultaneo: dedicar-se menos à política.
Compreendam-me: interesso-me pouco pelos «assuntos domésticos» (cito Mexia), interesso-me um pouco mais pelos bons textos dele acerca de outras matérias -- e interesso-me muito por alguns textos realmente bons de Pedro Mexia, como o que publicou na Grande Reportagem deste mês. Parabéns.
Posted by pTd at 12:54 AM | Comments (3)
setembro 10, 2003
é impressão minha...
... ou o weblog.com.pt está a crescer a uma velocidade estonteante à medida que entramos por Setembro adentro e se regressa das férias?
Hoje ia dando em doido com tanto blogue (vou aderindo à palavra...). E as estatísticas começam dar nas vistas: em nove dias o Apache cá da casa serviu 145.357 páginas a 30.013 visitas -- um total de 335.450 hits.
As médias são curiosas:
Ontem, dia 9, foram batidos os recordes de visitas (3.895) e de origens diferentes (2.892) e a imagem do gráfico da última semana mostra claramente a curva ascendente - quebrada logicamente no fim de semana.
Mas o pior (do ponto de vista do meu bolso...) são os 4 Gigabytes de tráfego para fora, com mais 1,2 de tráfego para dentro (os pedidos, as entradas e comentários e tráfego residual, que não contam nesta guerra mas que o meu alojador contabiliza), em apenas nove dias. Em Agosto foram mais de 10 Gigas... Setembro vai multiplicar esse número por 2 :(
Deixa pá, alguma solução se há-de arranjar. (De preferência uma que dê para contratar alguem para ajudar, que fazer isto tudo nos intervalos, bem!, começo a ter mais "intervalos" que trabalho e família...)
Posted by pTd at 04:52 AM | Comments (2)
setembro 09, 2003
hoje estou preguiçoso...
...não me apetece escrever.
Posted by pTd at 11:58 PM
setembro 08, 2003
Vivam as surpresas!
Hoje tive um dia chato (a palavra-F descreve melhor...). Mas que acabou (acabou?) de uma maneira curiosa, feliz mesmo. Fui a um ciber-sítio onde não ia há muito, julgava-o semi-abandonado, e não é que em dez minutos entraram dois compinchas dos velhos tempos?
.tell para aqui, .bc para acolá, passo a saber que o meu amigo A. já está definitivamente em Portugal e espero que o deixem fazer alguma coisa decente pela investigação científica.
E mais: então não é que ele é um dos bloggers que nos andam a dar alegrias n'A aba de Heisenberg e na Klepsýdra?
Li na oblíquia e parei numa entrada que me surprendeu porque não o imaginava incomodado com estas coisas. O Rui teve coragem e frontalidade para fazer uma belíssima defesa de Carlos Fino quando este levou porrada na blogsfera. Uma defesa mais certeira do que as breves palavras que escrevi aqui numa nota de discordância relativa ao Abrupto.
A referência cruzada aqui fica para a história dessa discussão, que é uma discussão sobre objectividade jornalística enriquecida, graças ao Rui, com um remoque à nossa curta memória.
Posted by pTd at 12:10 AM
setembro 06, 2003
guerra é guerra pá
os gajos do Covil bebem zurrapas! Cerveja é outra coisa, ó meus!
Posted by pTd at 04:21 AM | Comments (1)
setembro 05, 2003
Europe's West Coast
Ao contrário do turismo português, o Von Freud é uma pérola por descobrir. Tomara a muito má gente tida por graúda aí na umbigosfera ter reflexões tão pertinentes e a atenção às notícias de Fred -- e expressá-las com aquela humildade e facilidade.
Graças a ele pude ler um artigo de Imprensa que me teria passado despercebido (é raro comprar o Público à sexta-feira e não o leio online). Cheguei ao artigo de opinião [link temporário: culpe o Público] do vice-presidente da BBDO Portugal, Pedro Bidarra, graças a esta pergunta de Von Freud. Respondi-lhe à pergunta nos comentários dele. Ah: Pedro Bidarra tem boas ideias. E consegue algo raro, raríssimo, num português: depois de apontar o que, em sua opinião, está errado, propõe caminhos válidos.
Posted by pTd at 03:19 PM
setembro 04, 2003
Mamã, como se constrói um monopólio?
A discussão pública que vou alegremente mantendo com jcd levou a um novo desenvolvimento: o "monopólio" da Microsoft. Entre aspas, claro. jcd afirma que «O 'monopólio' da Microsoft, não foi imposto por Bill Gates. Foi imposto pelos consumidores, em particular pelo seu principal sub-grupo: as empresas.». Eu digo que não.
Em primeiro lugar, as aspas. A Microsoft não tem na verdade qualquer monopólio. E há uma razão - e apenas uma - para isso, que aqui recordo aos desmemoriados: no longo processo judicial contra práticas monopolistas movido pelo DoJ estado-unidense (não escrevam "norte-americano", por favor, que é incorrecto e incomoda os vizinhos canadianos: é o equivalente a referirem-se a Portugal como a Ibéria...) aqui há anos, a Microsoft acabou por recuar. Não fora a coragem (então era considerado corajoso enfrentar o gigante de Redmond) dos prosecutores, e hoje jcd (e eu) não usaríamos as aspas...
Depois vem o monopólio. Não existe tal coisa: há outros sistemas operativos, há outros webservers, há outras folhas de cálculo, há outros browsers, há outros processadores de texto...
Porque se fala então em 'monopólio' (com aspas)? Porque estamos perante uma situação de monopólio de facto, que não de Direito.
Porque os consumidores -- milhões e milhões de consumidores por esse mundo fora -- se tornaram dependentes dos produtos da Microsoft. A tal ponto que, em situações como esta, dizem e escrevem, entreolhando-se: «não há alternativas».
Como se chegou aqui?
É uma história demasiado longa e repleta de historietas pouco ou nada edificantes, que começam no dia em que Bill Gates -- um olho para o negócio como há poucos, um programador como há muitos -- usou um expediente de inside information e comprou barato aquilo que não tinha e a IBM precisava: um sistema operativo.
Vai uma alegoria?
T. é um passador de droga. Estamos em tempos de vacas gordas e T. distribui o produto em noitadas e festas. Passam umas semanas e a rapaziada, que gostou, vai lá. E começa a pagar. Até ao dia em que está agarrada.
Bichanam-me aqui ao lado que estou a ser demasiado violento. Ok, isto é uma prática comercial. Chama-se "criar mercado", onde depois se "injecta o produto" começando finalmente a facturar recuperando o investimento inicial.
Se preferem a versão "light", de acordo.
Eu sou do tempo (e suspeito que jcd também) em que 95% do sistema operativo instalado nos computadores (nas empresas como nos particulares) era pirata. O sistema operativo era o MS-DOS. Quando a base instalada já era de tal forma que o MS-DOS se tornou no padrão de facto, a Microsoft começou, naturalmente, a recuperar o investimento primeiro com louváveis práticas anti-pirataria.
Hoje, no Norte rico, a taxa de pirataria dos sistemas operativos baixou para números de um dígito. Hoje, graças à pressão da Microsoft, é praticamente impossível entrar numa loja de computadores e pedir um PC SEM SISTEMA OPERATIVO ou com uma das dezenas de sistemas operativos gratuitos, do qual o Linux é o mais conhecido. Por muito boa vontade que o lojista até possa ter, ele -- ao contrário do vendedor de carros, do vendedor de sabonetes, do vendedor de pensos higiénicos, do farmacêutico, do empregado de café, que nos oferecem um sortido de alternativas -- está atado de pés e mãos. Não consegue comprar, para revenda, máquinas "limpas".
Acho que já provei o meu ponto: o 'monopólio' foi imposto e é mantido pela Microsoft, não pelos pobres consumidores.
Mais! «Com a generalização do correio electrónico, trocam-se diariamente milhões de ficheiros saídos de processadores de texto e folhas de cálculo, não só intra-empresa, mas também entre empresas. Estas trocas têm que ter plataformas comuns».
Meu caro jcd: está a falar de coisas completamente diferentes. Uma plataforma comum é um acordo: as empresas A, B e C definem e negociam um "standard" para trocarem ficheiros entre elas -- podendo continuar a parí-los nos seus sistemas. Um "standard" é, por exemplo, o HTML, como é o protocolo de correio electrónico. Você manda-me um email escrito no Word e eu abro-o com o Pine em Linux, para ler, e depois recebo-o no Eudora no escritório, rabisco um rascunho de resposta que envio para outra caixa de correio à qual acedo em casa por webmail, de onde finalmente lhe respondo -- e tivémos três sistemas operativos, pelo menos, envolvidos na dupla transacção de duas mensagens de texto, e quatro programas de correio usados para as manipular e nada dos respectivos conteúdos se perdeu!
Isto sim -- é uma plataforma comum, um "standard", um padrão. Mandar ficheiros .doc não é usar uma plataforma, é usar um denominador comum. Há cinco anos era complicado -- mas hoje um .doc é aberto por Word e Wordpad (Windows) mas também pelo StarOffice, pelo OpenOffice, pelo AbiWord e a lista deve ser mais extensa mas estes são os que eu sei usar.
(Idem para .xls e tudo o que você se lembrar -- excepto um formato do Microsoft Office, que ainda não é manipulado satisfatoriamente por outros programas: o formato Powerpoint.)
Bem. Este texto já está demasiado comprido. Agora era altura de falar das crescentemente draconianas licenças da Microsoft. Abreviando, o "seu" Office não é seu: é da Microsoft, você pagou apenas uma licença para o usar durante um período de tempo. Findo esse tempo tem de renovar a licença. Se me vender o seu computador, a licença NÃO passa para mim -- fica consigo, que já não tem AQUELE Word e eu, que passei a ter AQUELE Word, torno-me num fora-da-lei.
Mas podemos deixar para outro dia.
Tal como a discussão sobre dinheiro. Faz ideia do que se poupava na Administração Pública se fosse utilizado software open-source -- e falo de o usar apenas em máquinas básicas, como o são as "máquinas de escrever" de mais de 95% do funcionalismo público, computadores pessoais de 1.000 euros com licenças de 50 euros anuais (estimativa minha para grandes quantidades) que servem para... bater texto e meter números???
Desculpe, chegou a hora do meu portátil virar leitor de DVD, estão ali a chamar-me. Um dia destes bebemos um café?
Posted by pTd at 11:52 PM | Comments (13)
setembro 03, 2003
Blogs Anónimos
Cito do Blog-Notas: «É certo que o autor empresta, aos textos que assina, o mérito ou o demérito da sua própria pessoa . mas não é menos verdadeiro que é na qualidade da obra que assenta o reconhecimento de quem a escreve.
É aliás nesse contexto que, ao percorrer a blogosfera, leio, reflicto, comento, cito, transcrevo e indico os textos que mais interesse me despertam, não por qualquer atitude reverencial relativamente aos autores mas apenas pelo grau de relevância que atribuo ao que em cada blog se publica.»
A leitura integral do texto original devia ser recomendada nas escolas a partir do segundo ciclo. Isto se efectivamente queremos preparar as gerações para a Sociedade da Informação. Obrigado, blog-notas, pela clareza com que enriqueceu um dos mais discutidos temas da dit cuja sociedade: o do anonimato.
Posted by pTd at 03:32 AM | Comments (1)
vírus e terrorismo: que maldade!
Gosto de petiscar os Jaquinzinhos -- e não é por jcd ser, como eu, algarvio, sportinguista (suave no meu caso) e liberal (centro-direita no caso dele, selvagem no meu).
Gosto de ler prosa adulta, acho que é por isso.
Mas quando discordamos, discordamos. E discordo violentamente da posição do meu caro conterrâneo acerca de Virus, Anti-Virus, Terroristas e Anti-Terroristas (se a hiperligação falhar queixem-se ao Blogger e procurem a entrada com esse título; não me responsabilizo por URL mal feitos).
Lá porque discordo frontalmente, não lhe vou chamar maniqueísta nem redutor, como ele pede - o que seria de mau gosto. Apenas o considero mal informado.
Cito dos Janquizinhos: «Chamem-me maniqueísta, redutor, acusem-me de ver o mundo a preto e branco. Só que, tal como no caso do terrorismo, não consigo por em pé de igualdade o vírus e o anti-vírus.»
Caro jcd: o mundo é efectivamente colorido. No assunto em questão tem mesmo uma cor de bom grado dispensável: a do sangue.
Considero altamente inapropriado misturar o terrorismo das armas que matam (quando não fazem pior) com o terrorismo informático. Usando o sistema métrico alegórico das cores: nenhuma vida humana (preto) é comparável ao incómodo de actualizar um anti-vírus, perder umas horas a limpar a caixa de correio ou mesmo à destruição dos dados num disco rígido (branco).
Há uma escala de cinzentos que gradua a criminalidade, bem como o respectivo castigo e o putativo perdão.
«Não vejo outra maneira de combater os programadores que não seja a perseguição e punição.»
Enquanto "maneira" transitória, de acordo. Mas olhe: eu não vejo outra maneira de combater eficazmente os programadores (de vírus, depreende-se) que não seja ser mais esperto que eles e evitar ao máximo (que nunca totalmente) o código esburacado de que eles tiram partido.
Acho mesmo que devemos pedir essa responsabilidade às empresa multimilionárias que produzem os (esburacadíssimos) programas que usamos no dia a dia. Eles têm o dever moral e contratual de fornecerem código em bastantes melhores condições do que é hoje norma no mercado. Porque nunca leio ninguém a protestar contra eles, mas sempre e só contra os "maléficos" que exploram os imperdoáveis erros deles?
Há uma diferença entre um puto de 17 anos que, movido pela curiosidade e em franca desigualdade de meios, gera um pedaço de código (a maior parte das vezes mal feito, com instrumentos de terceira ordem) que vai expôr (cruelmente, concordo) a monstruosa falha de segurança resultante do desleixo e da infindável ambição dos Golias do software.
Pode V. não a ver. Pode a maioria dos seus leitores não a ver. Mas eu vejo essa diferença. Por estar um pouco mais perto do código, já sou capaz de ver essa diferença. E daí sou capaz de dizer que é altura de os consumidores se tornarem mais exigentes relativamente aos produtores do software.
Armamos uma peixeirada na Repartição por a funcionária perder uns segundos a desabafar com a colega, no meio de um chatérrimo dia de trabalho; protestamos nos jornais e queixamo-nos aos orgãos próprios quando o nosso carro tem um defeito no porta-luva -- ou uma antena fácil de gamar; mas no momento em que o nosso computador falha, por manifesto defeito de fabrico do sistema operativo ou de um executável, não nos lembramos que há uma ou várias empresas responsáveis pela falha. Não: é mais fino atirar as culpas para cima do autor de um vírus.
Indo um pouco mais longe no mesmo caminho, devíamos culpar também todos aqueles que não usam anti-vírus: são cúmplices! É pelos seus computadores que o vírus se espalha!
«Não vejo outra maneira de combater os efeitos dos vírus que não a protecção e o cuidado de não deixar entrar. Mesmo que a troco de alguma liberdade, até a liberdade que gostaria de ter de receber anexos a mensagens que amigos me enviam e que eu recuso sempre que o formato me parece perigoso.».
Abra os olhos. Eu vejo. Eu não tenho uma virose nos meus três computadores há anos. E sem perda de liberdade. Se recusar um único mail de amigo. E... acredite: não tenho um anti-vírus nem no desktop nem no portátil!
Serei algum Deus da informática? Negativo, negativo. Pelo contrário, sou acusado de lerdo -- alguem que não percebe patavina de informática.
Simples, dirão alguns. Esse gajo não recebe mail! Negativo, negativo. Recebo entre 150 a 200 mensagens diariamente. Na última semana, cerca de uma dúzia continham vírus.
Nenhum afectou o meu sistema. Na verdade, eu divirto-me com os vírus. Recebi um que já não via há uma carrada de meses: o velho, incipiente, Branca de Neve. Ainda circula isto???!? - surpreendi-me eu um dia destes. E sorri.
Nenhum deles passou da minha máquina para outra. Os (poucos) que chegam, morrem ali.
Qual é então o segredo?
As alternativas ao mau software. Existem, meu caro jcd. Existem. Eu uso-as. Não tirei nenhum curso, não aprendi a proteger-me com os sábios da informática. Limitei-me a levantar o cú da cadeira e procurar alternativas.
E não vou aqui arengar com a história do Linux e ptá-ptá. Uso Linux também, mas uso Windows ainda -- e não tenho problemas nem num nem noutro.
Sabe, o Outlook não é o único programa de correio...
Por último: «E sim, vale a pena instalar muros no nosso computador. Quando mais nada funciona, pode ser a solução. A não ser que tenham alguma ideia melhor. Têm?»
De acordo. Cada um é livre de gastar o seu dinheiro como quiser. Quem sou eu para lhe apontar o caminho de alguma poupança? Não sou corrector nem bancário.
Para mim só há uma razão válida para comprar um muro quando tenho uma alternativa. Chama-se tempo. Tempo é dinheiro. Diga-me portanto que não tem tempo para procurar outro programa de correio (são cinco minutos entre o Google e o botão final da instalação). Diga-me que prefere gastar dinheiro em antivírus e tempo na sua actualização periódica. Diga-me isso -- e eu compreenderei.
Mas não me diga que mais nada funciona: os meus três computadores funcionam, dois deles praticamente 24 sobre 24 horas, ligados à Internet, esse vespeiro de vírus, coito de malfeitores variados e demais terroristas. Funcionam sem vírus e sem servirem de veículo para eles.
Tenho uma ideia melhor. Aliás, duas. Primeira: pressione o fabricante dos seus programas, peça-lhe justificações, leia os contratos, incluindo as letrinhas pequeninas. Segunda: procure alternativas. Parece que sim, eu sei, mas é mentira: a verdade é que não há só um fabricante de software.
Voltando ao terrorismo: o meu caro jcd, bem como alguns dos comentaristas do seu artigo inicial, fazem infelizes comparações com a tristeza que se vai passando no Médio Oriente. Choca-me profundamente que alguem possa comparar o suposto deleite de um programador de vírus ao orgulho menos suposto de um bombista a matar em causa própria.
Choca-me que se ponha no mesmo barco -- mesmo que em mera cavaqueira de café, ou de blogosfera -- um autocarro cheio de gente a ir pelos ares e um vírus que chateia os infelizes utilizadores nabóides de programas e sistemas operativos feitos por programadores avulsos de baixo salário, controlados por engenheiros mais interessados nas acções da companhia que na qualidade dos produtos que assinam, e vendidos por nababos.
Posted by pTd at 01:54 AM | Comments (12)
setembro 02, 2003
humilde homenagem 6
«Um Mega Ferreira é um milhão de Ferreiras?»
«A carne é fraca, mas o molho é uma maravilha!»
(in Pão com Manteiga - como um leitor já descobriu)
Não descobri uma hiperligação decente para esse maravilhoso programa de rádio, revista e livros que marcou a geração que despontou nos 80, mas fica uma ligadela a um dos seus seis (que me lembre) autores.
Seguem-se umas palavritas sobre o affair Casa Pia.
Não confundamos as coisas: a humilde homenagem que aqui presto, através destas seis citações, a Carlos Cruz, enquanto co-autor de um dos dois programas de rádio que mais me marcaram ao longo da vida (algumas dessas frases são mesmo faróis da minha existência - o que explica muita coisa...) é apenas isso: a homenagem possível de um antigo ouvinte e ainda leitor dos dois livros que foram publicados com os textos do programa.
Faço-o agora, no momento em que o caso Casa Pia vai (ia...) a tribunal, porque Carlos Cruz ainda é presumido inocente. É uma boa altura para lhe mandar este pequeno cumprimento, culpado ou inocente ele precisa de forças para aguentar o pesadelo que ainda tem pela frente, e eu acho que devemos recordar as pessoas também pelo que de bom nos trouxeram - e esse homem trouxe-nos muito, enquanto povo e enquanto nação.
Uma homenagem não é um tributo de vassalagem. É apenas um "tirar o chapéu", uma vénia em reconhecimento das suas qualidades profissionais. Nem permite que eu seja associado ao seu nome. Nunca trabalhei, directa ou indirectamente, com ele, nalguma das suas empresas e acho que nem sequer passei pelos orgãos de informação onde ele andou (não tenho a certeza sobre o Diário Popular). Não somos sequer das mesma geração.
Nunca foi das minhas relações pessoais. Mas conheci pessoalmente Carlos Cruz. Antes de rebentar o escândalo, ao tempo em que ele fazia o programa "Noites Marcianas" na SIC - o último programa que vi com alguma regularidade, depois de mais de uma década sem seguir nenhum programa...
Devo confessar (e é mesmo uma confissão, nunca pensei tornar isto público pois trata-se de um sentimento pessoal) que fiquei mal impressionado com a sua figura: baixo, apagado, trémulo, sem auto-confiança -- enfim, precisamente o contrário daquilo a que me habituou quando o ouvia e/ou via. Poucos minutos antes tinha-o visto a apresentar, com a sua confiança e proverbial boa disposição, o CEO da Microsoft, Steve Balmer. Brilhou no palco. O contraste entre um e outro momento não podia ser maior.
Apertei-lhe a mão, balbuciei um louvor pelo "excelente programa" e segui à minha vida: estou habituado a conhecer figuras televisivas cuja presença pessoal não corresponde (raramente corrresponde, aliás) à presença mediática. Isto inclui chefes de Estado e ministros avulsos, para só citar o topo da cadeia alimentar do poder.
Podia citar mais meia dúzia de serviços públicos que Carlos Cruz prestou a Portugal, o último dos quais o Euro2004, apenas para remar contra a corrente dos que o condenam antes da Justiça. Mas a lista é extensa. Basta que cada leitor faça, se lhe aprouver, um pequeno exercício de memória sobre as últimas duas décadas de televisão e rádio em Portugal: ele está em quase todos os bons momentos.
Não embarco em oportunismos mediáticos, aguardo com paciência que a Justiça deslinde o caso. Se ele for culpado, é culpado e cumprirá a sua pena. Há diversas penas conforme a gravidade dos crimes praticados. Além das penas judiciais há a pena pública: inocente ou culpado, nunca mais Carlos Cruz terá a sua vida de volta e viverá para sempre com um estigma -- a mais dura das penas.
Esta é a primeira vez que me pronuncio -- ainda assim indirectamente -- sobre o caso Casa Pia.
Há a homenagem, pois claro. Mas não teria escrito tanto se não tivesse despontado outro assunto: a perturbação da blogsfera às mãos do sinistro autor (sinistros autores) do blog Muito mentiroso.
Já outros manifestaram a sua indignação pelo surgimento desse blog, pelo que me dispenso de o fazer.
Adianto apenas isto. Tendo por certo que o caso Casa Pia é mais complexo do que aparenta e está interligado numa teia de outros crimes, como sempre sucede quando se investigam pessoas que se movem no ou perto dos poderes, é admissível que nem tudo o que vem à luz dos telejornais e manchetes corresponda à verdade.
Infelizmente, as manobras de informação e contra-informação inquinam os media e pressionam os investigadores judiciais (não lhes queria estar na pele, mas confio no seu treino deste tipo de situações).
Parece-me claro, neste cenário, que surjam mais manobristas a tentar manobrar a opinião pública -- e é à luz desse contexto que li o Muito mentiroso. Afigura-se-me como uma simples manobra, mais uma, de intoxicação. Segue o caminho típico: nomes graúdos e relações (não ponho as mãos no fogo sobre o seu tipo) entre eles dão a pitada de verdade imprescindível a fazer-nos tragar o conjunto de asneiras, disparates e mentiras cozinhadas em conjunto.
É preciso uma ponta de verdade para uma mentira soar a verdade.
Como é hábito, os apressados e os proibicionistas do costume logo condenaram o meio (os blogs, a Internet) por proporcionar a um filha-da-mãe qualquer a hipótese de difamar outrém. César também mandava matar os mensageiros sem que isso impedisse que as más notícias fossem, bem, notícia.
É em momentos de crise que se avalia o grau de civilidade de um povo. E uma pessoa (ou mais, desconfio que o citado blog tem mais de um autor) não representa um conjunto.
A Internet veio democratizar em parte o acesso a um meio de comunicação de um-para-muitos e isso é uma benesse. Como TODAS as benesses da Humanidade, é um pau de dois bicos que serve indistintamente para praticar acções nobres e acções vis.
Acho que chega.
PS: cheguei a colaborar num jornal intitulado "O Crime", que muitos ainda recordarão. Sob pseudónimo publiquei lá umas três peças, que me lembre: uma sobre a marginalidade crescente na então conhecida como Rua do Crime, em Faro, duas sobre a fuga de Pinheiro da Cruz do bando dos irmãos Cavaco, que segui de perto na altura, tendo sido mesmo o primeiro a vasculhar o dossiê do mais perigoso dos Cavacos, no Tribunal de Loulé -- razão única pela qual "O Crime" requisitou os meus serviços. Não sei precisar exactamente porquê, mas ao ler o citado blog de pretensas denúncias, lembrei-me de "O Crime". Talvez alguma semelhança entre o "estilo" jornalístico das peças aviadas por encomenda da PJ no citado jornal e o da escrita do blog. Mas pode ser coincidência: a escrita de boatos segue um padrão mais ou menos regular.
Posted by pTd at 04:27 PM | Comments (6)
À séria
Gostaria de chamar publicamente a vossa atenção, txaraaaamm!, para o Arco-íris. É minha filha, bem sei, e sinto orgulho, mas não é por isso que quero chamar a atenção. É porque acho que merece a visita. Para verem como uma miúda de onze anos é capaz de blogar à séria.
Posted by pTd at 03:44 PM | Comments (1)
setembro 01, 2003
{ para ti }
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«Oh, it's such a perfect day
I'm glad I spend it with you
Oh, such a perfect day
You just keep me hanging on
You just keep me hanging on»
(Perfect Day, by Lou Reed)
Posted by pTd at 02:42 AM