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outubro 31, 2003

Pausas

Foi uma semana violenta. Baixei necessariamente o fluxo de caracteres, aqui como ali. Em contrapartida aumentei o número de vocalizações, para mal dos ouvidos dos presentes no Encontro de ontem na Sociedade de Geografia :) Vou agora fazer outra pausa, esta familiar, conto poder relatar sobre o Encontro no domingo à noite.

Posted by pTd at 01:03 PM | Comments (5)

A mim também não

Os amantes do politicamente correcto que me desculpem (e isto é um eufemismo para a expressão "mandá-los pó car" pois ando a tentar evitar os palavrões por aqui), estou em completa sintonia com Zé Diogo Quintela. Eu também não tenho nada a ver com aquela cegada. O mais perto que estive de alguma coisa que tenha a ver com aquela cegada foi ter sido vizinho paredes meias do consultório de um dos pediatras dos miúdos. (Passar de carro nas ruas do Parque Eduardo VII não conta. Acho eu.)

[Continuo a preferir as mães às filhas]

Posted by pTd at 12:56 PM | Comments (3)

outubro 30, 2003

Um serviço de publicidade genial

Acabo de descobrir uma cena genial. Chama-se BlogSnob. É um serviço de publicidade a blogs. Gratuito. Efectivo. Simples. Recomendável. Tanto, aliás, que aderi de imediato (vejam-no em funcionamento no topo da coluna da direita da entrada deste blog).

A blogosfera fervilha de ideias. Boas ideias. (Sim, isto é um recado para aqueles que acham que é apenas uma moda passageira.)

Posted by pTd at 02:53 AM | Comments (11)

irresistível

a MadTV rula!

Posted by pTd at 12:41 AM | Comments (3)

outubro 27, 2003

A alternativa à pirataria musical

Chama-se Magnatune, usa as «tecnologias do mal» mas dá 50 por cento aos autores. A indústria musical está mesmo a mudar.

É verdade que os tempos de ouro da Internet parecem ter desaparecido para todo o sempre e o número de websites continua a diminuir. Paradoxalmente, ou talvez não, continua a crescer impetuosamente o número de internautas. Estudos recentes apontam para um aumento inusitado de internautas na faixa etária dos 14-20 anos, especialmente nos países da União Europeia.

magnatune.jpg
Onde há pessoas há consumidores. E onde há jovens há potenciais grandes consumidores de, entre outras coisas, música. Aos milhões diariamente, esses jovens e menos jovens usam a tecnologia peer-to-peer (P2P) em redes como o Kazaa para trocarem entre si centenas de milhar de ficheiros musicais e cinematográficos. É ilegal e a indústria musical tem perseguido e processado a eito. Nem sempre com bons resultados: a escolha errada de alvos como uma criança de 12 anos, Briana Lahara de Nova Iorque, e sexagenários inocentes, trouxe má publicidade e até a ira de um senador republicano, Norm Coleman.

As respostas da indústria continuam a não ser adequadas e abriram espaço à inovação. No activo desde Maio último está a editora Magnatune . É a primeira editora do século XXI: o seu circuito de distribuição e vendas assenta exclusivamente na Internet, o seu modelo de negócio é revolucionário e privilegia o autor, e mesmo sem ter ainda chegado à "grande" Imprensa já está a facturar 15 a 20.000 dólares mensais. Só em Setembro, mercê de dois textos publicados na Slashdot e na Fark.com, o website da Magnatune ultrapassou os mil visitantes diários. Agora tem picos de 25.000.

A Magnatune é pioneira por várias razões. A primeira, claro, é o facto de usar as .tecnologias do mal. e os seus conceitos. O fundador, presidente e até Setembro único funcionário da empresa, John Buckman, definiu o conceito de open music inspirado no open source software e toda a música do seu catálogo está coberta por uma licença comercial da Creative Commom que basicamente consiste nisto: o utilizador pode ouvir, teledescarregar, partilhar e até misturar as faixas, desde que o faça para uso pessoal; só os usos comerciais obrigam ao pagamento de royalties.

A segunda, por devolver aos autores o que estes perderam com a indústria musical: os direitos autorais e uma percentagem maior dos respectivos lucros. Os grupos do topo do seu catálogo estão a facturar 3.000 a 4.000 euros anuais, estimativas feitas com base nas vendas de Setembro, mas ainda assim mais do que ganha a maior parte das bandas que assinam pelas grandes editoras... Os serviços de download de músicas já existentes assentam nos parâmetros da indústria tradicional: do montante que o cliente paga para ouvir as faixas, 90 por cento ou mais fica na cadeia intermediária e os respectivos autores ganham cêntimos. Muitas vezes não tem sequer direito a um euro proveniente das vendas online.

Como frisou à Wired online Bruce Haring, autor do livro "Beyond the Charts: MP3 and the Digital Music Revolution", «a história da actual indústria discográfica é uma história onde toda a gente excepto o autor fica rica, desde os executivos aos advogados aos contabilistas. O autor é o último da fila na cadeia alimentar». À excepção da meia dúzia de casos de autores da craveira de um Sting ou de um Bowie, a grande maioria dos músicos assina contratos que lhes dão dez por cento ou menos sobre os lucros (descontadas as despesas promocionais...) e passam todos os direitos de reprodução para a editora. John Buckman decidiu lançar a empresa depois de assistir ao lançamento de um CD pela sua esposa (porque criei a Magnatune), que rendeu... 45 dólares.

Apesar de o momento ser certo, existindo já uma cibercultura que assimilou o conceito e deseja uma alternativa ao preço excessivo de um CD (15 euros, contra os 5 que pode custar na Magnatune), a nova editora é para já comparada às editoras independentes, que não competem com as majors. Mas abre caminho a um novo conceito de distribuição musical que por um lado é eficaz no combate a pirataria, por outro recompensa os autores e finalmente traz uma resposta ao autismo da indústria.

(Texto publicado no Expresso, revista Única, em 2003-10-18)

Posted by pTd at 01:13 PM | Comments (4)

Pipi: mistério finalmente resolvido

O meu bom camarada Pedro Rolo Duarte que me desculpe, mas não descobriu toda a verdade sobre a identidade do autor de O Meu Pipi.

A propósito, não resisto a citar RAP no Gato Fedorento: «Não há nada de ofensivo em ser apontado como autor do Pipi, antes pelo contrário. A minha mulher, por exemplo, está encantada com a perspectiva. Se o Pedro Rolo Duarte quisesse ofender-me teria inventado que eu era o autor de .Sozinho em Casa..».

Aproveito para dizer que o mistério da identidade foi finalmente resolvido. Demos graças ao verdadeiro Pipi, que é afinal O Comprometido Espectador. Depois do meu convite para aquilo que ele chamou de combate de wrestling, essa coisa abichanada, ele descobriu-me a careca: uma pessoa chamada Querido NUNCA podia ser o Pipi. Descansem em paz as pobres almas que temiam a quebra do meu compromisso com a deontologia, que é bem mais forte do que parece (e é meu, pessoal e intransmissível). O Pipi é ele e não eu. Tenho dito e mais não volto a dizer.

Posted by pTd at 12:56 PM

Obrigado, prof Marcelo

Eu tenho o bom hábito de ver as rábulas de Marcelo Rebelo de Sousa, ou Professor Marcelo. Gosto de lhe ouvir a opinião sensata, delicia-me a sua lucidez e embora por vezes me irrite a pacatez de algum socialmente correcto, percebo-lhe a posição. Acho mesmo que é a melhor coisa que aquele canal generalista tem. As rosas nascem em cada sítio... E é, definitivamente, o único momento em que eu carrego no botão 4 do meu telecomando.

Ontem à hora da liturgia eu por acaso estava, erm... ocupado em afazeres muito mais interessantes ;) pelo que não ouvi. Mas o telefone tocou pouco depois. E hoje, ao abrir o correio-e, tinha vários mails a referir o assunto. «O professor Marcelo mencionou o vosso Blogs».

O co-autor Luís Ene fez logo ontem uma menção ao assunto. Dos comentários respigo o do Bicho Escala Estantes, que remete para uma sua entrada já antiga onde fala do real impacto da apresentação de livros feita por Marcelo Rebelo de Sousa na televisão. O sacerdote Marcelo é o título desse post (eles fazem posts eu continuo a só fazer entradas) cuja leitura recomendo.

Ao telefone o Luís dizia-me para eu ligar ao nosso editor, que ele ia certamente ficar contente. Claro que vou: ele vai mesmo ficar contente e darmos contentamento pontual às pessoas é sempre bom. Quanto a mim, claro que também fico contente: MRS pode não ter lido o livro atentamente, mas pelo menos folheou-o e concedeu-lhe cinco segundos de directo televisivo. Embora eu já tenha estado em directo (outras guerras, outras guerras... como se lembrará decerto Manuel Maria Carrilho) nunca um livro com o meu nome fora mencionado na televisão.

Sobre o impacto da citação televisiva aviso já: sou um céptico. Blogs não tem lombada para encher estantes nem é um fait-divers mundano assinado por um(a) autor(a) da moda. Como disse ao Luís: «bem, talvez se vendam mais 10 a 20 exemplares...».

Mas não só de $$ vive um homem. Aliás, no que toca a livros contam-se pelos dedos de uma mão os escritores portugueses que fazem vida dos livros (curiosamente... são muito menos que as editoras!). Um homem vive também de reconhecimento. Daí o meu obrigado público a Marcelo Rebelo de Sousa. É também para isto que servem os blogs.

Posted by pTd at 12:25 PM | Comments (4)

outubro 26, 2003

A anos-Luz

Assisti parcialmente pela televisão ao jogo inaugural do bonito Estádio da Luz. Uma obra de que a nação benfiquista se pode orgulhar - ao contrário da "minha" nação, à qual calhou, na rifa dos estádios comprados por catálogo à pressa antes que o Governo mudasse de ideias, um mictório gigante desenhado por... um lampião.

Gosto do Estádio, é bonito. Gostei que fosse o Nuno Gomes a marcar o primeiro golo, por sinal bonito, e ainda o segundo. Nuno Gomes-SLB, uma relação à antiga, nada das roger-modernices dos tempos correntes...

Mas futebol é outra coisa. A anos-Luz da Luz, onde vimos um jogo sem outra história que não a inauguração, e do espectáculo (?) de uma aflitiva pobreza que foi ontem o P.Ferreira, 0- Sp. Braga, 1, estiveram os dois jogos do campeonato espanhol que catrapisquei este sábado.

Aquele golo do Zidane! Aquele golo do Zidane vale mais que oito jornadas do campeonato português (ops... agora chamam-lhe Liga... pois, é mesmo uma coisa de faca-na-liga...), -- e sim, estou a contar os do FC Porto com Deco a recuperar o nível.

[intervalo para publicidade: o FC Porto é a única equipa portuguesa que actualmente dá algum gosto ver jogar. Fim do intervalo]

E se o golo vale oito jornadas, o jogo de ontem no Santiago Bernabéu (estádio que não visitei ainda, curiosamente, na capital espanhola só vi jogos do Atlético) entre Real Madrid e Racing Santander quantas vale? Talvez meia volta -- o que inclui um Sporting-Benfica e um Benfica-Porto, que pelo menos costumam ser emocionantes.

O segundo golo é outro tratado: meio-campo-Zidane-Figo-Raul-redes tudo ao primeiro toque, olhos a estudar cientificamente a movimentação, classe pura, coreografia digna do Bolshoi.

No outro jogo, que vi aos soluços para fugir aos discursos na Luz e à publicidade da TVI (mas aquela gente acredita que alguem vê os anúncios no meio de um jogo de futebol? Ou só finge?), Deportivo e Valência brindaram-nos com um bonito show de bola. O Deportivo é de facto parecido com o FC Porto.

Acompanho o declínio do futebol português há 25 anos. Nesses 25 anos o fosso não parou de aumentar. Há um quarto de século atrás pelo menos duas equipas portuguesas praticavam a arte a níveis que rivalizavam, ainda que a espaços, com os melhores artistas europeus. Hoje nenhum equipa -- nem mesmo o FC Porto, que de resto, e parabéns, é a única que ainda tenta -- consegue rivalizar sequer com as "segundas figuras" espanholas.

Como dizia o meu primo há pouco nos comentários ao jogo inaugural do Estádio da Luz versão 2.0, pode ser que os novos estádios sirvam para fazer regressar o público arredio. Pode ser... Mas sem equipas que joguem futebol decente, só mesmo os agarrados da bola pá veia é que compram bilhete. É verdade que agora as cadeiras são mais confortáveis. Mas isso não chega.

Para ver o chuto sublime de Zinedine Zidane e o golo desenhado a três por Zidane-Figo-Raul, eu pagava e sentava-me em cadeira de pau. Para ver o jogo do glorioso em sofá aveludado ainda tinham de me pagar.

Posted by pTd at 12:57 AM | Comments (5)

outubro 24, 2003

Dah

Deste lado da arena, LA:

E deste lado eu:

Falta um árbitro.

Posted by pTd at 10:07 PM | Comments (5)

outubro 23, 2003

Eu é que sou o Pipi: a Prova

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Como parece que ainda há gente a não acreditar, eis a prova fotográfica de que eu é que sou o Pipi. Como toda a gente que ontem esteve no lançamento ficou a saber. Não acreditam? Perguntem ao Fumaças!

Posted by pTd at 09:43 AM | Comments (12)

Eu é que sou o Pipi

E pronto. Fica revelado o grande segredo da blogosfera: eu é que sou o Pipi. Até tenho um badge a dizê-lo. E dei um autógrafo (só um e foi à traição: autógrafos são coisa de roto). Unas, estiveste bem a ler-me pá. Mas para a próxima leva as unhetes...

Posted by pTd at 12:20 AM | Comments (16)

outubro 22, 2003

It's pipi time!

Mucho trabajo, não tenho conseguido escrever nada. Nem me tem apetecido, sinceramente. Descompressão, sem dúvida. Vou jantar e preparar-me para a Grande Noite de Gala de O Meu Pipi: o livro dele é lançado daqui a bocado com uma festa no Royal Maxime, das 21 às 24 (depois é a hora do engate). Té lá.

Posted by pTd at 08:22 PM | Comments (2)

outubro 20, 2003

Agradecimentos, erros e imprecisões

Caro Pedro:

Em primeiro lugar quero felicitar-te pelo teu artigo no Suplemento Computadores do Público, edição nº 4960 de 20 de Outubro de 2003 (link, sem garantias que seja permanente). Está na essência correcto e demonstra exemplarmente o teu profissionalismo -- a que, de resto, eu e milhares de leitores estamos habituados a ler na última década.

De seguida quero agradecer-te pessoalmente. Ter um artigo sobre o nosso modesto livro num jornal como o Público é uma honra pessoal. E, claro, é importante para a divulgação da obra; não sendo nem eu nem o Luís figuras mediáticas do calibre de um Pacheco Pereira ou de um Pipi, qualquer empurrão ajuda e dignifica.

Sabendo eu que não o fizeste pelo facto de sermos camaradas de profissão e até amigos - uso a palavra porque é assim que te sinto, mesmo não sendo uma amizade profunda, claro, mas já bebemos as nossas cervejas juntos e já tivemos boas conversas -, ainda mais tocado fiquei quando esta manhã, ao abrir o Computadores, cheguei à página 11.

Fui ao Público edição online em demanda de uma zona de interactividade onde pudesse tornar público este agradecimento, mas não há e portanto uso o meu próprio blog.

Feitos os agradecimentos, gostava apenas de acrescentar os meus two cents sobre a peça, que, repito, é uma peça jornalística meritória. Mesmo o que a seguir vou escrever é apenas um contributo, em tom crítico mas ainda assim um mero contibuto cuja finalidade é realçar o valor da tua peça e levar mais longe a informação dada no livro - que, como se explica logo a abrir, é obviamente um livro incompleto até pela mudança constante e apaixonante do seu objecto.

Permite-me discordar do teu uso da expressão "poderá defraudar os interessados mais antigos". Tanto na apresentação do nosso humilde livrito como nos nossos blogs, como nas (poucas) entrevistas, como no próprio livro se diz que ele é uma obra de entrada. Se, como "interessado mais antigo", se sentiste defraudado, talvez tenha sido porque tu próprio tinhas uma expectativa elevada... Mas nem o editor, nem eu nem o Luís fomos responsáveis por tamanha expectativa.

"Fraude" é quando se vende gato por lebre. Não foi manifestamente o nosso caso. o Blogs não é, nunca tencionou ser, nem se apresentou como uma obra de referência sobre a blogosfera: é apenas, e assim foi lançado e promovido, o primeiro livro português sobre blogs e essencialmente uma obra de entrada neste universo.

Um pouco adiante dizes ser "controverso" nós escrevermos que "o antepassado em linha directa do weblog é o forum" (embora não adiantes porque é tal coisa controversa) e que "tanto estes como as listas de discussão foram exterminadas pela revolução Blogger. Desculpar-me-ás, mas misturaste duas partes distintas do nosso discurso, descontextualizando-as. No primeiro caso fazia-se uma rectrospectiva histórica dos weblogs, no segundo já se falava das diversas ferramentas e da complexidade de utilização - sendo que o que foi "exterminado" foi a necessidade de as dominar todas e uma por uma, pois o Blogger (e outros CMS) faz tudo isso por nós, basta manipular botões. Não foi propriamente uma situação dos Rambo-blogs com uma metralhadora em cada mão e uma bazuca na outra mão a devastarem os foruns e os Yahoo-groups e quejandos ;)

Na segunda parte do livro, a menção ao weblog.com.pt, do qual sou o orgulhoso primeiro impulsionador - e "primeiro" exclusivamente no sentido de que fui eu quem criou o serviço e o mantém tecnicamente viável, já que os "primeiros" impulsionadores são os 500 membros activos que ali escrevem uma média de 250 posts diários, é para eles que deve ir o louvor -, foi metida por sugestão do editor. No primeiro draft do original não era feita menção alguma ao serviço, um tanto estupidamente, reconheço, mas é a minha costela de jornalista: acho sempre que há um conflito de interesses. Mas um livro é um livro, não é uma notícia de jornal - e acabei por aceitar a sugestão do editor, até porque o weblog.com.pt entretanto ganhou uma dinâmica tal que era muito mais grave não fazer qualquer menção.

Não achei necessário o disclaimer porque a menção num pequeno parágrafo de seis linhas e meia não me pareceu suficientemente importante para ter de explicar que um dos co-autores do livro fora o seu criador. Tivesse o weblog.com.pt merecido [como merecia, acho eu agora, e se houver uma segunda edição será inevitável aumentar o espaço dedicado a esse serviço dada a sua importância] mais espaço e eu teria, naturalmente, feito o aviso.

Finalmente, a caixa "Erros e imprecisões". Não tenho a pretensão de saber tudo e tudo dominar no que toca aos blogs e de resto tu conheces a blogosfera hás mais tempo do que eu - pelo menos em termos de lidar de perto com ela. Mas fiquei um tanto desorientado... Vamos aos erros factuais que citas?

Cito a negrito a primeira no seu contexto original: «Enquanto os brasileiros entraram no vagão da frente do blogging no ano seguinte, Portugal teve de esperar por 2003 para se ouvir falar pela primeira vez na blogosfera.
Acontecimentos de larga repercussão mediática vieram dar impulsos diversos à blogosfera, tanto à escala mundial como às escalas nacionais.
».

É factualmente verdade que em 2002 já tinha havido menções (de resto eu próprio fui autor de pelo menos uma delas) aos blogs na Imprensa portuguesa. Podíamos (devíamos...) ter sido mais explícitos e escrever antes, no mínimo, algo como «apesar de menções esparsas no ano anterior, a Imprensa portuguesa só dedicou espaço nobre e sistemático»... Pois...

Infelizmente, entendemos que se percebia a mensagem: genericamente, o grande público só ouviu falar pela primeira vez em blogs e blogsfera em 2003. Não fomos suficientemente rigorosos. Mea culpa. :(

Quanto à história do Diário Digital, cuja «comunidade de mais de 500 blogs» (expressão tua) não mereceu qualquer referência no livro: desde a génese do livro que eu, o Luís e o editor tencionávamos falar dela. Ao longo das semanas de recolha de material para o livro, porém, tornou-se claro que o projecto estava moribundo -- e este é um termo piedoso. Foi por pudor que não mencionámos o Diário Digital. E para não defraudar (aqui sim, faz sentido o termo) os nossos leitores: aquela plataforma está completamente ultrapassada e não parece ter cuidados técnicos há muito, muito tempo).

Terá sido sem dúvida inépcia nossa: em centenas de páginas e milhares de referências não descortinámos uma única menção ou hiperlink para um blog alojado pelo Diário Digital. Estou certo que o farás (tu ou outro leitor) aqui na minha caixa de comentários). Com a promessa de que, se houver segunda edição do Blogs, será feita a rectificação. E isto é a minha palavra de honra, pois na verdade não tenho a mesma obrigação, enquanto autor de livros, que me compromete com os leitores do Expresso, onde já mencionei, por dever profissional, o serviço de alojamento do Diário Digital.

[Já agora, Pedro, o Público dedicou em 29 de Julho de 2002 espaço ao sistema de blogs do Diário Digital, mas o weblog.com.pt, que tem quase 700 blogs criados, 400 activos e cerca de 50 com impacto mensurável na blogosfera, além de serviços que não se confinam aos utilizadores da plataforma e se estendem ao universo COMPLETO dos blogs escritos em Português, em qualquer parte do Mundo, ainda não teve a mesma honra. Espero que seja devido aos laços que existem entre eu e duas ou três pessoas do Público, pois a deontologia está acima de tudo! Ops... sussuram-me aqui ao lado que o Diário Digital também é um media... bem, adiante].

Fiquei na dúvida: é um "erro" ou uma "imprecisão" a generalização que diz que há, à escala mundial, um Antes de Raed e um Depois de Raed? Admito que possa ser uma generalização «excessiva», como correm o risco de ser todas as generalizações, mas fiquei com essa dúvida. Uma generalização excessiva cai na categoria "erro" ou na categoria "imprecisão"?

Escreveste que «não existe qualquer base séria para para se referir que, em Portugal, o número de leitores quintuplicou ou que triplicou a quantidade de criadores de blogues após o surgimento do Abrupto, da autoria de Pacheco Pereira, em Maio deste ano.».

Não apresentaste nenhuma base séria para pôr a estimativa em causa.

Permite-me afirmar aqui que não existe qualquer base séria para desmentir a nossa estimativa.

Deixa-me esclarecer que uma das fontes consultadas para extrapolar os números (um exercício lastimável que os jornalistas são muitas vezes obrigados a fazer, extrapolar) foi o blog por ti louvavelmente mantido durante imenso tempo, onde se rastreavam os blogs escritos em Português.

Por último, é uma questão de interpretação, a história do Muito Mentiroso. Foi o primeiro caso importante em que os jornais e televisões andaram a reboque dos blogs? Ou foi caso de Junho, passado como o subsecretário da Defesa estado-unidense (e não norte-americano, Pedro, que eu saiba o senhor Paul Wolfowitz não integra o governo do Canadá e ou não visto a TVI ultimamente, ou o Canadá ainda é um país independente e reconhecido pela ONU)? A importância mediática para os portugueses dos dois assuntos não é igual. Não fiz uma medição exustiva do número de linhas, importância na hierarquia das páginas, e número de horas de emissão televisiva e radiofónica sobre os dois acontecimentos, é verdade, e por isso resta-me aceitar que o jornalista-crítico da obra de que sou co-autor classifique tal falha como um "erro ou imprecisão". É a vida.

Termino reiterando os meus agradecimentos pelo destaque importante (para os autores e editor, pelo reconhecimento do trabalho, e para o editor também, naturalmente, pela vertente comercial). E por uma crítica que, apesar aqui das minhas contra-críticas, vem enriquecer a obra e os seus autores.

Um abraço, Pedro!

Posted by pTd at 08:32 PM | Comments (12)

outubro 18, 2003

Os blogs vistos :P de fora

Com a devida vénia ao Metablogue, que se estreou finalmente, respigo duas ou três passagens de um texto publicado no Expresso da autoria de António Guerreiro, num caderno (Actual) diferente do meu (Única).

António Guerreiro vê os blogs de fora. É engraçado (e merece a reflexão dos bloggers mais preocupados com o meio) verificar como as opiniões de fora são tão ínfimas, tão redutoras, tão -- e que me desculpe o termo o meu colega de jornal pois não lhe é particularmente dirigido -- analfabetas.

A minha primeira reacção é infantil: deitar a língua de fora :P

Mas vamos lá usar esta «jubilosa catástrofe» chamada blog para comentar A.G. ... É um texto baita comprido. Daqueles que não cabem num jornal :-)

Citação: «O facto curioso, em Portugal, é que o interesse pelos blogs não foi suscitado, em primeiro lugar, por terem acedido à livre publicação indivíduos e grupos que dela estavam excluídos, mas por terem entrado na «blogosfera» (numa posição de domínio, pois aqui também se criaram hierarquias) nomes que, regularmente ou de maneira esporádica, escrevem nos jornais ou são convidados pelas televisões. Este é um sinal eloquente de que há hoje uma corrida ao espaço público mediático (sintoma de uma perda da efectualidade da cultura e das instituições do saber) e de que este não é capaz de se estruturar de outra maneira que não seja segundo o regime do mandarinato».

Reflexão: Começo pelo fim para concordar, acenando obedientemente com a cabeça para cima e para baixo, com a história do regime de mandarinato. Este (ainda) está inculcado na cultura dos portugueses de todas as idades, credos e blogs. Suspeito que os blogs possam acelerar o processo de reconversão cultural e afastar os portugueses, ou pelo menos uma jubilosa fatia deles, do regime mediático do mandarinato (podem usar a expressão ditatorial que não me importo de todo.) Além de suspeitar, suspiro -- e no suspiro sei que não estou sozinho: há mais gente que deseja um poovo mais emancipado, mais liberto, mais longe daz vozes e cores predominantes na área pública, sendo que a área pública, para A.G. como para a maioria, é exclusivamente a área que os media portugueses publicam.

[O sublinhado é um aparte: esquece A.G., porque não vive a blogosfera, que há outras realidades mediáticas além da portuguesa. Seria fastidioso enumerar aqui os media que, em especial nos EUA mas não só, já aproveitam o canal-blog, o formato-blog e sobretudo a ferramenta-blog como complementos directos dos seus títulos, como forma de democratizar o acesso à informação interna do seu próprio Poder, como extensão não espartilhável das suas Redacções e como alimento da pesquisa jornalística.]

Indo mais acima na citação, A.G. cai no erro fatal. Fala do interesse suscitado não pelos excluídos mas pelos nomes já conhecidos. É uma visão míope (antiga?, ultrapassada?) da realidade. Esse não é o interesse popular, é o interesse dos media, atraiçoados pelas suas regras. Borbulhasse, como borbulha, a blogosfera SEM Pacheco Pereira e os blogs não tinham chegado aos jornais porque... não havia notícia!

[Na mais pura lógica tablóide, notícia é aquilo onde está uma figura conhecida. Seria o escândalo Casa Pia um escândalo se envolvidos fossem cidadãos anónimos em vez de cavalheiros habitantes das colunas e do prime-time?]

Tivéssemos um país com uma cultura menos de «mandarinato» e a prosa de A.G. seria um pouco menos que lixo. Mas como não temos, vai haver muito leitor do "meu" jornal a concordar com ele... Sem contraponto de factos e opiniões (A.G. emite opiniões e não fornece um único facto), ficar-se-á o vulgar leitor de jornais mais uma vez encurralado no canto, debatendo-se e temendo a (mais uma?) «catástrofe».

A corrida ao espaço público mediático tem perigos, e seria injusto não reconhecer a A.G. razão nesse ponto. O que ele esquece (omite) é que a Internet, devido à sua espantosa velocidade, tem mecanismos de auto-defesa e auto-correcção capazes de alterar o rumo à locomotiva em movimento que é a blogsfera. Até um pessimista por natureza e vocação, como eu, é capaz de dar o benefício da dúvida a um recém-nascido cheio de potencial, como é a blogsfera.

[Curiosamente mecanismos esses ausentes do espaço mediático não-totalmente-público, dominado por elites económicas, baronatos políticos e sabores editoriais que são os jornais, TV e rádio. Desde a liberalização selvática, deixada ao sabor do "mercado" nos anos 80, que a liberdade de Imprensa em Portugal se tornou um mito, cuidadosamente alimentado e pouco analisado pelos media]

Citação: «Bastante representativo é um dos blogs mais citados e considerado geralmente como um modelo: o «Abrupto» (www.abrupto.blogspot.com), de José Pacheco Pereira. As posições críticas de J.P.P. em relação aos jornais são bem conhecidas. No entanto, ele esbarra geralmente no facto de o seu estatuto e prestígio se alimentarem exactamente do sistema mediático que critica - um sistema que vive da lógica do vedetismo, da omnipresença e da usurpação. Aquilo que Pacheco Pereira representa no território dominante dos clérigos da opinião é uma criação específica do nosso espaço público, não poderia existir senão em Portugal. À primeira vista, o seu blog parece uma tentativa de «desjornalizar» a sua escrita e de entrar no campo mais afável do discurso cultural e do apontamento pessoal. Mas há algo de mais jornalístico, nos nossos dias, do que estas deambulações sócio-político-culturais, em formato magazinesco, servidas por um político? Não há.».

Reflexão: A.G., como praticamente toda a Imprensa, ainda não percebeu. A blogosfera gosta (ou não) de Pacheco Pereira por várias razões, e sim senhor, uma delas -- a que faz defendê-lo -- é o reconhecimento de que foi por ele que os blogs adquiriram maior visibilidade e impacto na sociedade portuguesa. Toda a gente gosta de ver o seu trabalho (má palavra; mas agora falta-me outra; obra também é excessivo) levado além fronteiras.

Mas não é só por isso, evidentemente, que JPP é citado. Eu, por exemplo, tenho-o na minha lista porque admiro a humildade e a forma escorreita como Pacheco Pereira bloga e gosto da sua prosa escorrida sobre lugares, hábitos e exercícios democráticos (ele dá voz aos leitores). JPP não usa o seu Abrupto como um instrumento político, embora por vezes o faça (está no seu amplo direito!). JPP bloga como toda a gente: fala de si, das suas leituras, dos seus gostos musicais, das suas viagens. Em suma: partilha. A partilha de conhecimento, mais que a de informação, é o coração dos blogs. O resto é presunção.

Reduzir os blogs a um exercício de fait-divers é escarninho.

[como se os jornais -- e o próprio Expresso é disso exemplo tendo vindo a aligeirar-se e a amagazinar-se na última década! -- não fossem nesta altura fundos repositórios de assuntos requentados, de lana caprina, de informação inútil sobre gente inútil com vestimentas inúteis e cabeças inúteis. A razão de o vestuto Expresso se aligeirar é de resto a prova do efeito perverso da tabloidização do espaço mediático: Portugal não é o Mundo, o Português não é língua para aguentar, com as vendas, o rigor jornalístico de uma The Economist. A jogada é inteligente pois é de sobrevivência que se trata.]

Com a última frase A.G. (e com ele todo o castelo da Imprensa que, por desconhecimento de causa, treme de medo dos blogs -- catástrofe!!) atira o tapete. Se não há nada de mais jornalístico do que um político a deambular pelos seus temas pessoais em jeito de crónica, então os media estão mesmo fritos...

Ao contrário de A.G. e de muitos camaradas (termo em desuso: consulte a enciclopédia) de profissão não vivo fascinado pelos blogs como o mosquito pela lâmpada. [Quando muito, aceito que vivo de alguma forma fascinado nos blogs, o que faz muita diferença.]

Os blogs são na essência a forma de publicação pessoal. Detém um poder colossal que lhes provém das tecnologias várias que os corporizam, transmitem, interligam. É natural [é desejável!] que interfiram na esfera mediática -- mas essa interferência é um curto episódio na régua temporal com que temos de analisar a evolução da comunicação. Um episódio naturalmente mediático ;-) que faz correr mais tinta ;-) que bits.

Repito, os blogs são na essência a forma de publicação pessoal. Ligam as pessoas. A elas próprias (o meu blog é a minha memória, cada vez mais a minha agenda e até o meu ponto de encontro com amigos, conhecidos e leitores). Umas às outras (unimo-mos em círculos de interesses, lemo-nos avidamente, curiosos pela partilha de emoções, de livros, de poemas, de ideias, de imagens, de descobertas). Ao mundo (graças ao hipertexto viajamos pela novidade à velocidade da luz).

Centremo-nos neste último ponto. A ligação ao mundo, antigamente feita quase em exclusivo através de mediadores (os media....) cuja profissão consistia em descobrir as novidades para no-las servirem. Aí sim, há alguma libertação das massas relativamente aos grupos editoriais. Confesso que a vejo com alegria, à libertação... Hoje não preciso esperar por sábado para saber o que aconteceu -- saber, meditar, contextualizar, interligar -- nesta e naquela área científica, política, social.

Que digo eu? Hoje não preciso esperar pelo telejornal das 22 para saber que Paulo Pedroso foi libertado, mais os pormenores e as implicações da libertação! Aliás, actualmente quando assisto ao telejornal dou comigo a pensar, mas isto são as notícias de ontem? A única novidade consiste no alinhamento do telejornal [hoje por hoje, quase o único valor acrescentado da informação televisiva é a hierarquização dos temas numa escala de valores intrinsecamente jornalística]. E não falo só de notícias: falo dos comentaristas de serviço que vão expor as correntes de opinião mais transversais à sociedade, falo do contexto (well... sobretudo da falta dele) com que se vestem os factos para a sua degustação mental.

Por último, temos o imediatismo do meio. Nos blogs tudo É à velocidade da luz. Certo? Errado. Hoje TUDO na sociedade é à velocidade da luz e pobre do desgraçado do secretário de Estado, ministro, investigador, empresário que tenha o azar de querer mostrar obra (mesmo que da autêntica!) numa quarta-feira europeia: no dia seguinte já não é notícia! Essa lógica não é da blogosfera, é dos jornais. Esse hábito de consumo do real em cápsulas diárias é nefasto, certo, mas não culpem os blogs por ele: já cá andava...

Pelo contrário, os blogs têm memória. Enquanto o papel de jornal vai forrar caixotes, servir de cama aos sem-abrigo e embrulhar vidros antes de ser reciclado, na blogosfera as palavras ficam registadas. Há arquivo. Há memória. Há a cola do hipertexto a lembrar-nos disto e daquilo.

Se a cultura e o saber são o produto da informação digerida em doses correctas e mastigada num bolo onde a memória corrói o imediato e separa o acessório, então a blogsfera será forçosamente mais útil ao conhecimento que os media.

Onde estes passam os blogs ficam. Infinitamente mais acessíveis a quem deles precisa do que os arquivos dos jornais, fechados à sociedade e de consulta paga.

Os blogs estão mais perto dos livros que dos jornais. Essa é que é essa! [E o meu amigo Luís vai gostar de me ler ao menos uma vez na vida.] Portanto, quanto a contributo para o enriquecimento e a sabedoria, caro A.G., estamos conversados. Quanto ao resto, deixemos passar as borbulhas: são próprias da juventude.

Citação última (ele está a atirar-se ao Abrupto): «Esquecida fica a responsabilidade de interromper a conversa. Esta lei da submissão ao ruído público - e da dependência visceral que ele cria - não é senão a lógica dos «grandes redutores», dos que não conseguem pensar fora da lógica do jornalismo e da agitação política e cultural.».

Eis uma tirada falaciosa. O Abrupto é, em sim mesmo, uma «interrupção da conversa» constituindo (pelo menos eu leio-o assim) o corte de JPP com o discurso que costuma ostentar nos media (e ai!, que ele dá ao dedo e à gaganta em boa meia dúzia deles!). É no Abrupto que ele se liberta do ruído público [originando, é certo, ruídos privados: ao contrário da televisão os blogs não são intrusivos, não há obrigatoriedade nem atenção presa por mecanismos fraudulentos de alinhamento e de jogos de cores...]. Nesse sentido o Abrupto é representativo dos blogs, sem dúvida. Representa um espaço de reflexão [um tanto inflamada muitas vezes, sem dúvida, olha as borbulhas!] que não encaixa na esfera do pequeno e médio agit-prop lisboeta ou bairro-altino, nem se subordina à lógica do jornalismo desta paróquia. Faz pontaria mais além.

Convém avisar, a fechar a prosa, que não quero fazer nem a apologia dos blogs, nem a defesa do Abrupto, nem o ataque a António Guerreiro; parto do texto dele para -- desmontando algumas imprecisões próprias do desconhecimento de causa e da apressada reflexão intelectualizada, automatizada, teorizada que é apanágio dos críticos com hora de fecho e uma página vazia [e sei do que falo, também me toca...] -- dar um contributo diria profissional sobre a realidade dos blogs, essa espantosa ferramenta de edição pessoal que corre riscos de intoxicação.

Um diário é um diário, ponto final. Há diários que vale a pena ler, outros nem tanto. Onde está a novidade? Na liberdade de manter um diário multiusos, praticamente gratuito e acessível quase de borla a quem o quiser ler. No gozo de exercitar os dedos e desenferrujar os neurónios pesquisando a novidade, desenterrando o esquecido, expondo o ridículo, discorrendo sobre o acessório, aprofundando o fundamental, tudo isso em partilha com o outro, os outros, que não são sombras fugazes na pantalha nem manchas coloridas em papel de jogar fora, são pessoas que comentam, criticam, acrescentam ou subtraem. E desse gozo que se alimentam os bloggers. Um alimento antes reservado a muito, mas mesmo muito poucos.

Posted by pTd at 02:54 AM | Comments (10)

outubro 17, 2003

É oficial: adeus Internet Explorer

Andava há algum tempo para o fazer, mas as mudanças de escritório, computadores, tralha, e o trabalho do livro e do weblog.com.pt não me deixavam tempo nem pachorra para ir buscar as alternativas.

Esta semana, por sugestão da minha sobrinha Inês, instalei um plus para o MSN Messenger. Trouxe mais uma data daquelas coisas chatas que se instalam sozinhas no Internet Explorer e depois não saem. Nem mesmo o Adware, que limpa muito bem o lixo, conseguiu apagar estas... E isso levou-me à decisão final.

Pronto, é oficial: erradiquei o Internet Explorer dos meus dois computadores de trabalho. Acabaram dezenas de dores de cabeça diárias.

O Netscape foi descontinuado, mas ainda mantenho a última versão. E instalei o browser que RECOMENDO a toda a gente: o Mozilla Firebird (actualmente versão 0.7). Faz tudo o que é preciso. Tem bom rendering. É leve. Para quê ter chatisses e andar sempre à bulha com a porcaria das configurações inacreditáveis do IE?

PS: Vários leitores/bloggers comentaram a opção. Obrigado. Entretanto, investiguei a história das compatibilidades com o Movable Type. Havia um problema, de resto extensivo a TODOS os browsers excepto o IE, que era o sistema não colocar os botões de formatação básica de texto (B, i, u e URL). Como vêem, já fiz este hack ao sistema e estou a reeditar esta entrada com os botões todos no sítio, através do Mozilla Firebird. Funciona igualmente bem em Linux. Vai uma imagem?

Posted by pTd at 02:34 PM | Comments (14)

Dois terços dos blogs morrem no parto

4,12 milhões de blogs? Sim, mas o meu e os 600+ do weblog.com.pt não estão lá. Nem interessa pró caso: dois terços dos blogs são abandonados à nascença. E não há uma Segurança Social que cuide deles?

http://www.perseus.com/blogsurvey

Posted by pTd at 03:23 AM

Teclado de madeira

Eis um teclado de madeira com letras garrafais para quem tem problemas de visão. Tendo em conta os meus typos, vou ficar atento ao preço...

http://nkcp.zive.net/kokoro/archives/002095.html

Posted by pTd at 03:14 AM

outubro 16, 2003

Inveja

Tanta excitação doméstica com a tecnologia e os blogs e o Paulo Querido... Vocês querem saber o que um gajo como eu realmente inveja? Simples: um domínio de duas letras. Como este: kk.org. São raros. (thanks à Cafeteira pelo link e por me fazer regressar a alguem que julgava perdido).

Posted by pTd at 04:52 AM | Comments (4)

Objectos invisíveis

Obrigado, querida teacher, pela recordação de um objecto invisível dos nossos dias mas que já teve as suas 15 décadas de fama.

Posted by pTd at 03:58 AM | Comments (1)

Absolutamente ridículo

Rir do ridículo. É a única coisa que me ocorre perante isto: na recente discussão sobre uma proposta do Bloco de Esquerda (obviamente chumbada, com o PS a dar uma no cravo e outra na ferradura...) sobre o software livre na Administração Pública, este deputado do PSD conseguiu a espantosa proeza de dizer o seguinte (consta que lhe não cairam os dentes; espero que lhe tenha crescido o nariz): «o Software Livre prejudica empresas e investigação».

A festa logo começou no Gildot, com o pagode a gozar a estupidez alheia. Ai, este horrível defeito que a raça humana tem, de gozar o próximo, e que... prejudica deputados e governação :->.

Alguem descobre que o site do PSD corre em Linux/Apache! Bruááá, as gargalhadas quase atiram o tecto abaixo! Aplausos!

Passadas algumas horas sobre a bem humorada "denúncia" no comentário do Gildot, o site do PSD já está a correr em Windows 2000/Microsoft-IIS/5.0!!! A casa vem abaixo com o estrondo do riso, há gente a rebolar no chão e leitores absolutamente incrédulos sem saber se rir, se chorar!!! Aplausos e pateada!

Dispenso-me de comentar este espectacular volte-face, que o ISP responsável virá dizer apologeticamente, um dia destes, ter sido por coincidência e devido a um upgrade qualquer do sistema... Ou outra desculpa qualquer que inventem melhor que esta. A thread do Gildot já lá tem tudo, pros and cons e os links que provam a história. A absolutamente ridícula história.

Trocado em miúdos e explicado aos graúdos: a desejável migração, ainda que lenta (a proposta do BE era um tanto radical...), de parte substancial e não-crítica (para já e para contentar alguns...) da informática da Administração Pública do jugo leonino da Microsoft para o código livre (e mais económico), é em Portugal uma verdadeira anedota. E pela amostra junta, a actual legislatura não vai mexer uma palha para por fim à piada. Pelo contrário: queimará macaco após macaco na fogueira da opinião pública para proteger os superiores interesses.

Interesses de quem? Da Microsoft. Exclusivamente da Microsoft.

Porquê? Também faço essa pergunta. Em sentido figurado já a fiz a (omitido por pudor). Ainda estou à espera de resposta. Até ela vir, vou batendo na barriga a rir.

PS: Tratando-se do Estado, deviamos saber tudo sobre concursos e adjudicações. Mas nem isso: não há informação, além dos escassos, esparsos, incoerentes, truncados e pouco actualizados dados dos censos do INE. Se fosse num sector de actividade como, sei lá!, os fornecedores de automóveis ou de mobílias para os Ministérios, sabia-se (quase) tudo ao pormenor. Mas o sector do software e do hardware é um sector rigorosamente fechado. É um segredo de Estado entre o Estado e um ou dois fornecedores. Acham bem? Eu não.

Posted by pTd at 01:24 AM | Comments (7)

Foi ontem - mas continua prá semana!

Foi bonita a nossa festa , fiquei contente (e com uma dor na mão).

Eu gostava de mencionar aqui, um por um, todos os bloggers e pessoas que estiveram no Mercado da Ribeira contribuindo para a minha emoção. Mas tenho má memória, foi tudo muito rápido e mencionar uns e omitir outros seria um desastre.

Mas é impressionante por exemplo:

  • Metade (a de baixo...) do Gato Fedorento foi lá dar-me um abraço a caminho de uma reunião onde já devia estar.
  • Descobrir que o autor do Ensaio é um rijo senhor de 73 (!) anos, com uma jovialidade incrível. Caro amigo, você é um exemplo a seguir!
  • Receber dois pães de quilo e um livro sobre a Estrutura Agrária do Campo de Ourique Nos Séculos XVII, XVIII e XIX, O Livro Da Câmara De Panóias, das mãos do autor, que veio de propósito lá de trás do Sol posto, pertinho do meu Algarve.
  • Saber que outros dois bloggers e professores -- lá está... não registei os nomes/endereços :( -- vieram de Portalegre também de propósito.
  • Constatar que há uma onda de calor humano em torno de nós, os dois autores, que nunca me tinha passado pela cabeça...
  • Ver lá o zn (ganda maluko!) e o BipBip (i read your e-mail), amigos de outras batalhas.

    Emoções à parte, dados. Estiveram lá cerca de 70 pessoas, a minha filha tirou algumas fotos que eu ainda nem vi, mas mais logo vou tentar pôr aqui, gostei muito da capa do meu camarada de trabalho Paulo Buchinho, com muita pena não pude jantar com o Luís e a troupe algarvia, o editor ficou relativamente contente (os editores nunca ficam completamente contentes).

    Quando cheguei a casa percebi que embora a apresentação (obrigado Dona Vi!) do livro tenha sido hoje, a movida dos blogues continua fora da Internet durante as próximas semanas.

    Vejam isto: tinha no snail-mail o convite para a apresentação de O Meu Pipi Diário, o livro dele, que é na próxima quarta-feira, dia 22 de Outubro, no Royal Maxime (where else?); uma semana depois, na quinta-feira 30, temos o Encontro Informal na Sociedade de Geografia.

    Portanto, meu caro Pipi, aquilo de ontem pode não ter rendido mulas, mas valeu a pena. Sim - o Pipi esteve lá. Concedeu-nos esse privilégio. Claro que tive de assobiar para o ar quanto à sua identidade. Compromissos são compromissos.

    Foi assim (asteriscos meus):

    Pipi: então, meu roto do cara***, ainda tens esse corte de cabelo de mer**?

    Eu: Ganda Pipi! Obrigado por teres vindo, pá!

    Pipi: Vim mas não me venho, por isso vou-me já embora. Que panel***** é esta? Eu a julgar que a apresentação do vosso livro era um acontecimento saca-mulas em grande estilo e tu só tens isto (gesto largo a abranger a plateia, ainda com pouca gente) para me mostrar?

    Eu: Ó Pipi, não me deixaste divulgar antes que eras capaz de cá aparecer... A minha carantonha e a do Luís quando muito só as afastam.

    Pipi (com um ar ausente): Bem, vou investir nas co*** sopeiras que costumam descer do Bairro para apanhar o comboio. Adeus ó roto!

    Eu: Obrigado por te teres dado ao incómodo, pá

    Pipi (interrompendo-me bruscamante): não digas essa palavra, car****! A do chá das cinco foi com pito gorducho à Benfica, ainda me enteso só de me lembrar! Xau!

    ... e saíu em passo estugado e olhar faminto.

    Vemo-nos quarta-feira e sempre quero ver se tens tomates para dar a cara, passe a expressão.

    E rever-nos-emos muitos de nós nessa épica ocasião e também na semana seguinte.

    hoje foi um prazer.

    Um abraço...

    Posted by pTd at 12:38 AM | Comments (9)

    outubro 15, 2003

    É hoje.

    Pronto. Acabou a contagem. É hoje. Mais logo. Às 19:00. Mercado da Ribeira. Apareçam. Eu ainda não sei... tenho um dia terrível entre bancos, reuniões com clientes, levar a miúda à escola, ir a uma reunião de pais da escola, clientes, ir buscar a miúda à escola, tomar banho, será que chego a tempo? (just kidding, ehehehhe)

    Quem ainda não sabe, informe-se aí abaixo. E apareça!

    blogs-capa.jpg

    Posted by pTd at 04:24 AM | Comments (11)

    outubro 14, 2003

    E já só falta 1 dia!

    É amanhã, finalmente. Espero lá por você, caro leitor.

    Posted by pTd at 02:56 AM | Comments (4)

    outubro 13, 2003

    O futuro passa inevitavelmente por aqui

    (Este é um texto histórico. Para ler agora e para guardar. Já vão perceber porquê.)

    Tenho escrito em diversas ocasiões (lista no final do texto) sobre a falência do actual modelo legal de direitos de autor (copyright), que ficará na História como os Não-Direitos de Autor, tal a forma como espolia os ditos cujos tanto dos direitos de propriedade intelectual (SIM, é verdade!, um autor nem sequer esse direito tem) sobre as suas obras como os rouba descaradamente, deixando-lhe$ nada mai$ que re$to$ do banquete.

    Não estou a atacar o meu editor: eu aceitei as regras do jogo quando assinei os contratos para ele me publicar os meus segundo (de boa memória...), terceiro(colectânea) e quarto livros.

    Eu gosto de ser editado pelo Centro Atlântico. É verdade que nem tudo me agrada no contrato, mas assino-o. Agrada-me por exemplo ele dar-me mais (12%) do que é norma no mercado livreiro. Sei que quando houver uma alternativa ao actual modelo o Libório será dos primeiros a abraçá-la. Já foi pioneiro nos e-books, tendo sido o primeiro a comercializá-los em Portugal. Quem não gosta de ajudar a destruir árvores pode comprar os meus livros nesse formato.

    A actividade editorial livreira em Portugal é um mundo à parte, onde não se sente tanto o peso da injustiça da legislação e, sobretudo, dos contratos de escravidão que são estendidos aos autores para assinarem.

    E o grande alvo não são sequer as editoras de papel impresso. As baterias estão apontadas ao eixo do Mal da indústria do copyright: as grandes editoras discográficas, o negócio das centenas de milhares de milhões de dólares.

    Malhar na pirataria é a mesma coisa que tapar o sol com uma peneira. As redes P2P não se podem simplesmente destruir. Era melhor usá-las em proveito próprio. Coisa que Hollywood já está a fazer (revista Wired-papel, número de Outubro, leiam BigChampagne is Watching You que é obrigatório, vejam o que andam eles a fazer com os seus ficheiros na Kazaa...).

    Mas o grande shift porque todos ansiamos já se deu. Descobri na semana passada graças ao meu amigo Miguel Vitorino e ao meu amigo Fred.

    O futuro vai passar por aqui. Inevitavelmente. O homem iniciou aquilo que para mim é o caminho natural na cibercultura: o conceito de open music, as in open source. A licença é semelhante à minha aqui no blog, da Creative Commons.

    Leiam a explicação do fundador da Magnatune, John Buckman. Ele diz tudo.

    Outro texto meu sobre o tema:

  • A geração cheat code

    Posted by pTd at 07:14 PM | Comments (1)

    Uff, faltam 2 dias...

    ... para o maior acontecimento físico da blogosfera portuguesa - antes do encontro da Sociedade de Geografia, que também promete ser notável. Mas esse não tem livros e autógrafos dos autores (este e aquele).

    NOVIDADE: já temos aperitivo, quer dizer, um excerto em PDF para abrir o apetite à leitura.

    Posted by pTd at 12:49 PM | Comments (2)

    outubro 12, 2003

    Faltam 3 dias!

    Segunda, Terça e... Quarta!

    Posted by pTd at 10:18 PM | Comments (5)

    outubro 11, 2003

    A noite dos guarda redes

    O Miguel acaba de entrar e na primeira vez que tocou na bola fez golo, o seu primeiro golo ao serviço da Selecção A. Portugal ganha por 5-3, depois de ter ido fumar o cigarrito do intervalo a perder por 1-2.

    O jogo é aqui ao lado, no mais bonito (imho) estádio do país, o do Restelo (bem... ainda não conheço os novos). Talvez tenha sido por isso, não sei, que decidi inaugurar hoje uma nova secção: bola.

    Bem, há mais razões. Olha, o Quim está a substituir o Ricardo. Fixe. Já lá vamos, aos guarda-redes. Na verdade já há uns bons meses que andava com vontade de escrever sobre futebol. Corrijo: voltar a escrever sobre futebol. Foi pelos jornais desportivos que comecei a minha carreira no jornalismo e pelo desporto andei 12 bonitos anos. Desde 91 ou 92 que não escrevo uma linha sobre futebol. Só leio. Leio o Record principalmente. Ainda hoje li uma brilhante prosa do meu amigo António Tadeia - atrevo-me a dizer que ele é o mais brilhante jornalista de futebol que anda por cá. Lê-lo aumentou a minha vontade.

    Bem: Portugal vence por 5-3 aos 79:56 minutos de jogo e eu acho que já não haverá mudanças no resultado. Portugal fez um péssimo jogo na noite dos guarda-redes, em oito golos metade são frangos (e eu a jantar duas belas pernocas grelhadas, durante a segunda parte...). Aliás, Portugal tem feito péssimos jogos. Exercendo o meu inalienável direito a comentar as opções do seleccionador nacional, como cidadão de Portugal, país com 10 milhões de treinadoresde bancada, digo: Rui Costa e Fernando Coutoout Hugo Viana e Ricardo Carvalho in definitivamente. Miguel e Rui Jorge titulares. Beto É titular de caras. Do resto logo falamos.

    Posted by pTd at 11:15 PM | Comments (4)

    Faltam 4 dias...

    O tempa passa, pôxa! já só faltam quatro dias... Caro leitor, está convidado para a festa de lançamento! AINDA não sabe do que falo? Disto!

    Posted by pTd at 08:41 PM

    outubro 10, 2003

    Faltam cinco dias!

    já só faltam cinco dias! Na próxima quarta feira, no Mercado da Ribeira (metro: Cais Sodré) eu vou estar com o Luis e outros bloggers a beber um copo e a conversar. Não!, não é um encontro da blogosfera (há um marcado para este mês, na Sociedade de Geografia, mas não tenho aqui o link à mão, desculpem). Você não sabe?? Vai sair o o primeiro livro português sobre blogs. Está convidado a aparecer também. Além do copito e da conversa, que são de borla, pode aproveitar (não é obrigatório) e comprar o livro com desconto, dedicatória e autógrafo dos autores. Eu e o Luís.

    Posted by pTd at 01:57 PM | Comments (1)

    outubro 09, 2003

    Faltam seis dias!

    O quê?? Você não sabe? Faltam seis dias para comparecer no Mercado da Ribeira (metro: Cais Sodré) para beber um copo, conversar com outros bloggers e levar para casa, com desconto, dedicatória e autógrafo dos autores, o primeiro livro português sobre blogs.

    Está convidado!

    Posted by pTd at 03:55 PM | Comments (9)

    Parabéns a você

    Esta é dedicada à Mariza Marlene, a sobrinha mais velha «que é filha da minha irmã Idalete (que é a segunda mais velha)» e ainda ao Alípio «que é o filho mais novo do Hipólito - o meu terceiro irmão mais velho», segundo Dona Vitriolica . Que família ela tem!

    Posted by pTd at 01:27 AM | Comments (1)

    "Ufa, safei-me!" (v 2.0)

    Paulo Pedroso e o Partido Socialista salvaram hoje o Primeiro Ministro. Quando os teclados nas redacções e na blogsfera se preparavam para reflectir sobre os cinco dias deprimentes que deixaram o governo desasado, indo escarafunchar obviamente na culpa do líder que cometeu o erro de tentar safar o ministro amigo demitindo o ministro menos amigo e acabando por perder os dois, eis que a Relação lança uma bomba sobre as Redacções libertando Pedroso.

    As headlines já não vêem mais nada à frente. Há gajos com sorte. Até do outro lado do Atlântico veio uma ajuda para fazer evaporar o assunto. Com as manchetes ocupadas com Paulo Pedroso e os segundos títulos a destacar Schwarzenneger, com as prima-donas da opinião publicada ocupadas com o volte-face no caso Casa Pia e as figuras secundárias dessa mesma opinião estarrecidas com o Caso do Exterminador Implacável Que Foi a Governador da Sétima Potência Mundial, Durão Barroso pode respirar de alívio...

    Posted by pTd at 12:37 AM | Comments (6)

    A geração cheat code

    O Fred teve a melhor frase sobre a descoberta do ano: a forma facílima de pular sobre o «salto fantástico nos esforços da indústria musical para prevenir a pirataria de CD» (cito de cor de um press-release da Arista, grupo BMG e autora do cadeado "infalível"). Escreveu ele: «faz-me lembrar os cheat codes».

    Também o jazzy já ontem tinha mencionado a cena. Basta premir a tecla SHIFT quando metemos o CD e pronto, era uma vez uma protecção de milhares de dólares e toca a copiar, parir MP3 e injectar na KaZaA.

    É por estas e por outras que eu acho que a indústria musical tem o que merece. Precisa-se urgentemente de clínicas psiquiátricas para internar os chefes das cinco majors mundiais e de um novo conceito sobre os direitos de autor. Por mim, que até sou um comissionista com sorte (recebi 12% do meu último livro, o mesmo vou receber do próximo - sobre o qual já não tenho direito algum, portanto ficam desde já avisados que as reclamações são com a editora), podem mandar toda a legislação às malvas. Quem quer arte paga ao Mozart. E que o faça à entrada, em vez de à saída. Deu certo durante séculos. Que eu saiba, os ministréis levaram a vida sem comissões de direitos de autor...

    Já ouço o coro de protestos. Encolho os ombros. Falamos daqui por 20 anos, ok? Deixemos crescer a geração do cheat code, a ver no que isto dá....

    PS para quem não sabe: cheat codes são códigos, geralmente combinações de teclas mas por vezes pequenos programitas que se correm antes de lançar um jogo (e muito outro software... praticamente TODO o software...), que vão alterar as regras do jogo em favor do jogador. Permitem mais "vidas", prolongar o tempo de jogo, diminuir a quantidade de inimigos e/ou obstáculos, e por aí fora. Se não sabe, pergunte ao seu filho/a: ele/a tem certamente uma dúzia de cheat codes na manga...

    Posted by pTd at 12:23 AM | Comments (1)

    outubro 08, 2003

    O caso dos ministros demitidos por causa da cunha que um meteu ao outro para a filha dele entrar para a universidade mais a Sic-Esperança, revisto e comentado algumas entradas depois...

    A propósito de um comentário meu a uma das suas melhores prosas, Recebi de D. vitriolica uma missiva electrónica que partilho com gosto. A qualidade da prosa dela sempre abrilhanta aqui o meu lugarejo [Luis: blogarejo?]. Segue, com resposta depois:

    «Senhor Blog
    Não tenho vontade nenhuma de ser ministra, mas não me importava nada que a minha Cèlinha fosse filha de Ministro/a.
    Até já estou a vê-la pedir tranferência por uns tempos para um liceu de Badajoz ou Ayamonte - e eu a ir lá comprar caramelos de piñones! O Arnaldo teria que se conformar - o Senhor é dos meus poucos leitores que sabem que ele também já serviu o País lá fora, agora seria a minha vez de servir o País cá dentro.
    Cá pra mim um
    post é lá para os ingleses e os amaricanos; eu só aprendi a fazer redacções; também pode ser texto, que é palavra Portuguesa-nossa!
    O senhor não percebeu aquela da Sic porque não viu o noticiário da dita ontem e o Doutor Balsemão anunciou uma coisa que se chama Sic-Esperança e que vai começar por pôr o hospital dos meninos da Estefânia mais alegre e pintado e com cores para os meninos doentinhos e o senhor tem uma menina que eu sei e se ela tivesse que ir para aquele hospital também ia gostar se ele fosse mais colorido e animado e eles têm pouco dinheiro e o Doutor Balsemão vai dar uns trocados e dizer que foi a Sic que mandou.
    É claro que estas coisas é sempre um bocadinho demagogia e tudo, mas há demagogias que não dão nada a ninguém senão publicidade a quem as faz e esta sempre tem um bocadinho de utilidade para quem precisa - neste caso as criancinhas e o hospital porque a gente já sabe que a Dona Leite é mais forreta que o Salazar e só dá dinheiro para trocar Mercedes de 2 em 2 anos e não de 6 em 6 meses como os outros e também não deve dar dinheiro para tintas que deve custar quase tanto como uma roda de Mercedes - veja só o despesão que não era se os hospitais da crianças quisessem todos o luxo dumas paredinhas pintadas, não queriam mais nada!...
    E já sabe que quando me puxam pela língua levam logo o troco porque quando ela está arrumadinha dentro da boca parece uma coisa (pequenina) e quando puxam por ela vai-se a ver e só faltam cinco centímetros para ser do tamanho da Légua da Póvoa, por isso bem-feita!
    É toma lá que já almoçaste!
    »

    Concordo consigo, demagogia por demagogia ao menos que ela sirva para mais do que para inchar a imagem do demagogo, saiba a D. que tendo eu sido funcionário do Dr. Balsemão sei que ele gosta de inchar, pois claro, quem não gosta?, mas também gosta de se sentir útil, agora já não sou funcionário, vendo serviços à semana para um dos jornais do império dele mas continuo a simpatizar com ele, não sabia disso da Sic-Esperança (não li em nenhum blog, até ver no seu -- e, para mim, acredito se ler num blog), que televisões vejo pouco, via o Doutor Pinto Coelho que fazia os livros acontecerem uma vez por dia, à noitinha, quando ainda era junto gostava de ver a Chuva de Estrelas enroscado no sofá e na Aldegundes e hoje pois vou vendo o Disney e o Panda quando a minha Quitérinha está cá em casa, por vezes ainda espreito o canal do Senhor Oliveira -- mas cada vez menos confesso-lhe porque o meu Sporting joga cada vez pior à bola, aquilo não é uma equipa, é um grupo de jogadores sem chama, nem o engenheiro electrotécnico que eles chamaram para substituir os fusíveis os consegue ligar à corrente, eu já me contentava com 110 volts mas nem isso, em resumo dizia eu que sim senhora D. Vi tem razão nisso e também lha dou sobre a minha vizinha, mas olhe que a Dona Leite é uma senhora bem posta e muito bem educada, ainda no outro dia a pisei sem querer ali na mercearia e ela em vez de me ameaçar com os impostos limitou-se a sorrir, claro que lhe pedi desculpas e só depois de as pedir é que olhei melhor e percebi quem era, veja lá ó D. Vi a minha cara!, eu do Salazar soube pouco, só o que me contaram e havia uma fotografia dele pendurada na parede da oficina, eu tinha a idade da minha Quitérinha quando a cadeira se foi abaixo e veio o Professor Marcelo, não, não é o que aparece na televisão daquele casal muito sorridente, a fazer concorrência ao nosso amigo Abrupto aos domingos, este foi morrer prós brasis e julgo que levou com ele os Mercedes o que foi um trauma tão grande que ainda hoje, passados tantos anos, os ministros é um ver-se-te-avias a comprar carrões e olhe, já dei mais à lingua esta noite do que no fim de semana inteiro pois eu lá porque ando na Internet não deixo de ser um doméstico, como a compreendo excepto a parte de passajar as meias pois odeio passar a ferro mas passei o Santo Domingo a lavar o chão das minhas três assoalhadas e depois estive a dar cera, só fiz um intervalo para ir beber um café ali à bomba ao pé das Torres do Restelo (aqui os cafés estão fechados ao Domingo, espero que não seja por causa da Doutora Leite) e agora, D. Vi, vou cear qualquer coisa para me ir deitar pois a minha Quitérinha já dorme há horas e amanhã tenho de lhe fazer o pequeno-almoço antes dela ir para a escola, a escola dela tem umas cadeiras um pouco menos coçadas que as da sua Cèlinha, quer que pergunte se a podem mudar?

    Cumprimentos para si, beijo à Cèlinha, um abraço ao seu Arnaldo e um cócoró para o seu galo.

    Posted by pTd at 04:35 AM | Comments (6)

    Modo VGA

    Testei: este blog é legível em resolução VGA (640*480) sem ter de andar com scroll lateral. Fica com uma coluna central estreita, mas dá para ler. Deve ser o único, ou dos mui raros ;) Quem foi que me chamou picuinhas?

    Posted by pTd at 03:54 AM | Comments (5)

    Até corei...

    Já toda a gente assinalou a espectacular e inesperada explosão da Formiga de Langton, que iluminou os céus da blogosfera (acertada a escolha da derradeira imagem) tão intensamente quanto brilhante fora a sua carreira. Pelo que me coibi de o fazer -- embora me tivesse apetecido, pois arrepiei-me com aquela sequência final e ainda hoje, já lá vão uns dias, ando com a música do Bowie na cabeça. Lindo. Que escolha!

    Há minutos um amigo surpreendeu-me em pvt informando que eu fora objecto de um dos derradeiros suspiros, perdão, posts, perdão, prémios da formiga. Lá fui, aflito, ver o que se passava. Quando li, até corei... com o Prémio "Melhor trabalho pela comunidade blogger Portuguesa".. Obrigado. Vindo de quem vem, foi sentido como um verdadeiro prémio.

    Possa o Major Tom voltar a ground e contar-nos mais aventuras da sua odisseia espacial (eram viagens fabulosas, os posts da colónia).


    «this is major tom to ground control
    i'm stepping through the door
    and I'm floating in a most peculiar way
    and the stars look very different today
    »

    Posted by pTd at 12:28 AM | Comments (2)

    outubro 07, 2003

    Tenho menos spam, YES!

    Ontem reparei, hoje confirmei. Os níveis de spam baixaram consideravelmente na minha mailbox durante os últimos dias. Explicações detalhadas sobre como obter uma pequena vitória como esta, reservo para o meu trabalho de consultoria. Mas deixo uma dica: nunca, mas NUNCA clique num daqueles endereços para auto-remoção.

    Os spammers são os piores vigaristas que a Internet já produziu. Muito, mas muito mais vígaros que hackers e autores de vírus juntos, tanto em prejuízos directos e contabilizáveis, como em prejuízos indirectos (explico os números mas a pagar: não sou menos que esses fdp). Deviam ser presos por burlarem não apenas as empresas e os cidadãos, mas também os Estados e a União Europeia. Pedincharam legislação, prometendo cumprir a regras. Obtiveram legislação altamente favorável da parte de políticos que lhes deram o benefício da dúvida. Depois rasgaram-na e usaram as regras de defesa da privacidade e direitos individuais em favor próprio, num desprezo ABSOLUTO e IMPUNE. Agora, os políticos não são responsabilizáveis, não há polícia que apanhe esses burlões nem forma de os julgar. São invisíveis (não são nada: mas também reservo essa). Espero que ao menos essa geração de políticos tenha aprendido a lição. É a única coisa que lhes resta. O que não nos serve para nada...

    Não clique NUNCA num endereço para auto-remoção. Com isso você só conseguirá uma coisa: confirmar o seu endereço nas bases de dados dos spammers, que NUNCA MAIS O LARGARÃO. Essa informação vale ouro para eles, de muitas maneiras. Não a dê.

    Posted by pTd at 11:47 AM | Comments (8)

    outubro 06, 2003

    Technorati, Trutas e Truques

    Baralha-o essa coisa dos Inbound Links, Inbound Blogs e tal? Já leu sobre o Top 25 dos blogs portugueses no Technorati e até já o viu, mas não percebe nada? Disseram-lhe que é possível viciar os números e até um blog fez isso?

    Se responde sim a alguma dessas perguntas - ou simplesmente ficou curioso - esta hiperligação é para si. Lá se descodifica o assunto e se publica o diálogo mantido com a Truta que subiu para o Top 25 com um truque. Ah, claro, também se diz que truque é...

    (comentários fechados aqui; se quiser opinar, faça-o no artigo em questão)

    Posted by pTd at 09:00 PM

    Remodelação gráfica

    Eheh! Finalmente tive uma tarde livre para fazer o que já perseguia há uns largos dias: remodelar o aspecto de (O VENTO LÁ FORA)*. Depois de sete meses de cor densa pretendi aliviar o tom. E ao mesmo tempo dar um pouco mais de arrumação às colunas laterais. Vão seguir-se algumas modificações no código, de forma a conseguir ter mais sugestões de leitura no mesmo espaço sem prejudicar nem a arrumação, nem a leitura, nem a navegabilidade. Um objectivo e tanto...

    Posted by pTd at 06:35 PM | Comments (5)

    outubro 04, 2003

    O Google da ordinarice

    «Tenham paciência, porque ninguém escreve dezenas de sketches de um dia para o outro. Normalmente, demora dois dias.» Impecável. O que mais arrepia na frase é que é verdadeira. RAP e ZDQ (os dois gatos que eu conheço), TD e MG são autênticas máquinas de produzir humor do melhor que temos em Portugal.

    Ainda não vi a gataria PÚBLICada, vejo às vezes os gajos na SIC e ainda hoje, no supermercado, estive com o livro do Zé Taxista na mão. Telefonei ao RAP e perguntei-lhe, pá, como é que arranjas tempo prá tua filhota? (resposta omitida) Espero que arranje. Mas eles estão na boa idade para produzir ao quilo. Eu aos 27 anos tinha três empregos - mas ainda não tinha uma filha.

    No meio disto tudo têm uma capacidade corrosiva (um dos melhores instrumentos do humor, que o torna um serviço público) intacta. Olhem o post de quinta, dia 2 (é escusado dar os permalinks do Blogspot, nunca se sabe quando funcionam), em que o ZDQ arrasa por completo a intrujice que é o Big Brother. Cito: «A Teresa Guilherme é o verdadeiro .google. da ordinarice.»

    Sim: a Teresa Guilherme é o Pipi. Só que o blog ao menos é honesto. A gente sabe ao que vai.

    Posted by pTd at 11:45 PM | Comments (2)

    Lynce: o meu primeiro texto político

    Não gosto de comentar (argh!) política doméstica. Mas por uma vez (sem exemplo,hein?!) estou do lado de um ministro.

    Demitir-se por causa disto é um atentado à política. Fazer-se um escarcéu todo o tamanho por causa do acto administrativo que permitiu a uma boa aluna continuar os estudos é algo que aos meus olhos diminui (bastante) a oposição. E o governo. Durão devia ter feito jus ao nome e aguentar Lynce. E olhem que eu nem gosto do Lynce! Mas um ministro tem o direito de ser julgado pelos seus actos - e não por mesquinhezes destas.

    Posted by pTd at 10:50 PM | Comments (10)

    outubro 03, 2003

    Eu também quero ir...

    Fonix! O que eu dava para ir !

    Estou sem passaporte :( estou sem dinheiro :( estou sem TEMPO :( e descobri o BloggerCon tarde demais para substituir os sems por coms :(

    Posted by pTd at 03:29 PM | Comments (2)

    outubro 02, 2003

    25 watts

    É irresistível a citação: «E há tantos escritores que escrevem livros que eu gostava que a minha Cèlinha lesse, mas ela gosta é das revistas das estrelas mas as estrelas portuguesas muitas são lâmpadas de 25 watts e menos, e é preciso é ter pilim e ter conhecimentos (antigamente chamava-se padrinhos, mas depois veio o Dom Corleone e já não se chama padrinhos que parece mal).»

    (in A Internet para as domésticas - JÁ)

    Posted by pTd at 04:49 PM | Comments (3)

    Open Office 1.1 já cá anda

    A versão 1.1 do OpenOffice já está disponível, segundo a InfoWorld: OpenOffice releases final version of 1.1


    Posted by pTd at 01:31 AM | Comments (1)

    Dez tecnologias que merecem morrer

    Vale a pena ler Bruce Sterling on Ten Technologies That Deserve to Die


    Posted by pTd at 01:25 AM | Comments (1)

    outubro 01, 2003

    bahahahahahahah!!!!

    Enchi a barriga a rir com um dos últimos blogs da nossa paróquia! D. Vitriólica C. O. Rosiva vai dar que falar com o A Internet para as domésticas - JÁ.

    Leiam o primeiro post dela e, como eu, aguardem pelos próximos. Ansiosamente!

    Posted by pTd at 11:44 PM