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novembro 27, 2003

Idiotas chapados

Um amigo escreveu-me recentemente, como aviso para ter cuidado no novo projecto em que me vou meter: «lançaste o livro e algumas pessoas entenderam-no como uma forma de "aproveitamento comercial" dos blogues.».

Fiquei estupefacto. Não com o meu bom amigo, mas com a possibilidade -- pelos vistos, mais que uma possibilidade... -- de alguem achar tal coisa. A vida é irónica: eu criei o weblog.com.pt para conhecer na prática o mecanismo-blog e instalei cinco ou seis CMS até me fixar no Movable Type, enquanto o Luís ia blogando e desenterrando outros materiais; a plataforma foi criada para SERVIR o livro. Não foi o livro escrito para se servir da plataforma.

Abri o projecto ao público sem pensar sequer no que me estava a meter e se soubesse vos juro que o não tinha aberto naqueles moldes, os pequenos almoços de borla de uns são a ruína de outros, mas nisso não pensam as inacreditáveis cabecinhas capazes de entender o livro como um aproveitamento comercial dos blogs.

Como se um modesto livro como aquele pudesse ser um aproveitamento comercial do que quer que fosse. Farão tais idiotas uma ideia de quanto significa, traduzido em euros, esse "aproveitamento comercial"? Não, claro que não: são idiotas chapados.

Posted by pTd at 03:45 PM | Comments (26)

novembro 26, 2003

Taça América (act.)

O José Mário Silva brincou com a entrega da America's Cup a Valência, em detrimento de Cascais. Desculpa pá mas eu lamento. Em primeiro lugar lamento perder a oportunidade de rever uma das mais entusiasmantes competições do Mundo. Assisti ao vivo em San Diego, 1992, ao renhido duelo que marca a entrada da prova no actual figurino (tipo de barcos próprio, sistema de pré-desafio). O America3 (ler América cube) derrotou o Il Moro de Venezia.

Lamento em segundo lugar porque acredito, com a força de quem já viu de muito perto a máquina organizativa e a sua capacidade de mexer dinheiro, infraestruturas e prestígio numa escala planetária, o acontecimento traria mais benefícios que prejuízos a Portugal e à economia portuguesa. Estou consciente dos prejuízos e sobretudo dos riscos. Mas penso que Portugal ficou a perder com a decisão. A vela portuguesa ficou a perder (muito...) com a decisão. Para praticantes e adeptos da vela, é uma tremenda desilusão. Consolo: Valência é aqui ao lado e temos uma boa oportunidade de, em vez de chorar amargas lágrimas por sucumbir à candidatura espanhola, assumirmos um iberismo até aqui envergonhado. Dar as mãos aos espanhóis. E ir largar uns euros a Valência.

Posted by pTd at 05:39 PM | Comments (8)

A causa deles

Ao jantar falaram imenso de blogs. Aposto em como um deles, ou mais, disse que devia ser giro passarem a tertúlia da mesa do restaurante para dentro de um blog. O fascínio dos blogs, onde se pode escrever com uma liberdade não consentida nos jornais e nos gabinetes, é realmente poderoso. Apresentam-se como um blog. Querem «ser uma referência na esfera bloguística». Serão mesmo um blog?

É realmente um dream team: Ana Gomes, Eduardo Prado Coelho, Jorge Wemans, Luís Nazaré, Luís Osório, Maria Manuel Leitão Marques, Vicente Jorge Silva, Vital Moreira (acentos meus, não do blog deles). Tem quatro referências (para mim). Um intelectual em ascensão. Duas incógnitas à escrita e um benfiquista-socialista que fez o que pode (pouco) para termos a presente e marasmática situação de monopólio de facto, que não de juri, no acesso aos... blogs :)

À excepção da ferramenta e de umas arrobas, não vi lá nada que justificasse o alarido da equipa sobre isso da "esfera bloguística", o que me deixa intrigado: acharão que há lugar para outro Abrupto? Bem: ainda têm muito osso para roer até chegarem aos calcanhares dele -- e falo apenas dos pequenos detalhes que nos tornam membros aceites numa comunidade, não estou a referir-me à qualidade de conteúdos.

A qualidade de conteúdos NÃO define um blog. O que distingue um blog de um website é uma linha de água ínfima e transparente, que dá a esse blog uma identidade única e o refencia na comunidade-blog. Nisso, a equipa-maravilha arranca a zero.

Eu vou chamar-lhe website. Intitula-se causa nossa e chega-se lá por aqui. Não fico particularmente atento, embora vá por lá passar eventualmente para ler Vital Moreira sobretudo. Aqui ficam as minhas calorosas boas vindas.

Posted by pTd at 03:34 PM | Comments (5)

foi ontem. parece.

Ao ler a entrada do André Belo sobre a memória dele do 25 de Novembro reflecti sobre a minha própria memória desse dia. Uma década mais velho que ele, um autêntico analfabeto político com 14 anos vividos sob um autoritário xiu! mal as conversas lá no restaurante ameaçavam versar o proibido tema da orientação do país, tenho como ele do outro 25 uma lembrança de clareza, de luz e cor, de alegria, de euforia. De calor. E tenho deste 25 uma imagem de perigo, de alerta, de lá-vamos-nós-outra-vez, de sombras fugidias na noite. De frio.

Suspeito que isto me torna num "gajo de esquerda". De nada adiantará explicar que, na tentativa de me "instruir politicamente" o mais rapidamente possível, recolhi nos meses seguintes, nas improvisadas sedes da sortida paleta de opções que os dois vinte-cincos nos trouxeram, os programas fotocopiados de cada partido. Recordo que gostei mais da apresentação do MDP/CDE, embora o símbolo deles me fosse estranho, quase alienígena. (Suspeito que isso seja mais um prego no esquerdino caixão onde os "de direita" me preparam o enterro há pelo menos dois períodos). Recordo que apesar das cores vivas e do meu bom colega Vladimiro (e sim, embora fosse uma jóia de moço sofreu por ter aquele nome ANTES de 1974, recordo-me bem) já por lá andar nas uequices, embirrei solenemente com o tal de PCP (suspeito que isto vai fazer corar de vergonha os "de esquerda", que até aqui me liam com um benévolo sorriso). Recordo vagamente um PDC (Partido Democrata-Cristão, seria?) que descartei porque a sede estava vazia e bafienta e eu até já tinha rompido com a Igreja Católica aos 11 anos. O PSP (Partido Socialista Português) e o PPD (Partido Popular Democrata, cujo programa li com sentimentos de cautelosa concordância e aqui os corações "de direita" derretem-se e tiram os pregos, entreabrindo o caixão) surgiam aos meus deslumbrados e juvenis olhos como os oportunistas da terra-de-ninguém que a política então era. Mais tarde isso viria a chamar-se o centro democrático cujo burguês coração, oscilando como um pêndulo ora para a direita ora para a esquerda, decide para onde vai o país nos quatro anos seguintes. Mas nessa altura eram apenas partidos a acotovelarem-se no meio do lumpen proletariado. Ah, o CDS (Centro Democrático Social) eram os fascistas disfarçados. Aí ao menos nada mudou. Valha-lhes a verticalidade -- como de resto ao dr. Barreirinhas Cunhal (suspeito que esta me torna num excomungado da extrema-esquerda).

A minha instrução político-partidária terminou no dia seguinte às primeiras eleições em que pude participar, orgulhoso do meu cartão de eleitor fresquinho: a (para mim) moderada e inteligente UDP -- que tinha um gajo impecável chamado Afonso Dias que tocava e cantava Brel de forma a nos levar às lágrimas -- , em cujo quadrado botei a minha esperançosa cruzinha, teve o espantoso score de 26 votos em Faro. Não sei se foi na semana seguinte se no mês anterior, comprei um crachá com o A envolto num círculo. Infelizmente já não o tenho -- mas continuo a comprar livros ao Júlio Carrapato. Perdi o cartão de eleitor duas eleições depois. Nessa altura não passavam muitos meses entre cada eleição. E não voltei a votar UDP, de onde o Afonso saiu depressa para se ficar pela viola, para bem dos amigos. Nem renovei o cartão de eleitor.

Ao ler o André Belo, até parece que foi ontem. Nostalgia? Sim -- dos meus 15-18 anos. Antes vivê-los em pleno PREC (e suspeito que este é o momento em que os "de direita" atiram um punhado de terra em cima do meu caixão "de esquerda" e os "de esquerda" voltam a aplaudir com gáudio, digerido o "Barreirinhas" do há dois parágrafos atrás) do que tê-los vivido um lustro antes ou uma década depois. As opções eram então muito mais vastas. E um chavalo gosta de ter horizontes à frente. Depois cresce no meio do embuste político e do fracasso do Poder e torna-se empedernido. Valem-lhe gatilhos como o do André Belo que o disparam para a recordação de um tempo de magníficas ilusões e filmes novos e músicas novas e gajas de saias novas e drogas novas e livros novos e bebidas novas, como a Coca Cola.

Posted by pTd at 05:23 AM | Comments (1)

Programador ou serial killer?

Um quiz adequado à actual dicotomia cultos vs. nerds. Eu acertei 9 em 10!

http://www.malevole.com/mv/misc/killerquiz/

Posted by pTd at 04:27 AM

iTunes? É digital? É copiável. Tau!

Jon Johansen, famoso pelo DeCSS (descodificar e copiar DVD), volta a atacar: xantou o formato proprietário iTunes, da Apple. «Processem-me!», diz ele.

http://www.nanocrew.net/blog/

Posted by pTd at 03:59 AM

Não perdem nada

Perante a intensidade do argumento que faltava a Pedro Lomba, e Pedro Mexia lhe deu, para não entrar (itálico no original) no sítio de Manuel Maria Carrilho, decidi ir visitá-lo imediatamente, coisa que nem sequer tencionava fazer. Pronto, pás, passo a informar: não perdem nada.

Posted by pTd at 02:36 AM

novembro 25, 2003

o campeão olímpico

Eis uma olimpica indiferenca a toda e qualquer eventual audiencia. O que seria de mim (nós todos, a blogosfera inteira!) se ThomazCunhal se importasse realmente com quem o lê??

Posted by pTd at 07:17 PM | Comments (4)

Metas (ou lá tou eu a levar porrada outra vez...)

Quase como se estivesse na televisão (e tão bem como o faz lá), Francisco José Viegas tem pivoteado o tema "O que falta à blogosfera", que pelos vistos se tornou (na minha perspectiva, da pior forma possível) um tema transversal. Um meta-tema. De repente desatou por aí uma meta-gritaria sobre o metabloguismo.

Vamos lá por partes.

Primeiro: o meu texto O que falta à blogosfera não era um exercício meta-bloguístico mas uma reflexão sobre efeitos perversos de alguns aspectos técnicos e sociais dos blogs. Referi-me nomeadamente à (comprovada) cristalização advinda da auto-referenciação e à inexistência, nos websites dos principais media portugueses, de outputs em formatos modernos que facilitam a leitura, a hiperligação e a análise de interesse despertado tanto pelos referidos websites como -- e principalmente -- pelos seus conteúdos. Ninguém seguiu qualquer das óbvias e fundamentais pistas. A ninguém parece incomodar o facto de o blog onde eu exprimo os meus devaneios pessoais ser mais visível (e importante), dentro da esfera de opiniões que é a blogosphere mundial do que o semanário Expresso ou o Dicionário do Diabo superar o diário Público. [Nota: não comparei esses jornais com nenhum dos cinco blogs portugueses mais referenciados...]

Segundo, e curiosamente, todos os textos que se seguiram ao meu, fossem de crítica directa ou de aprofundamento, deram importância a aspectos laterais do texto -- e laterais só para mim, pelos vistos -- como os conteúdos de cada blog, ou a importância (alguns leram "ditadura") dos bloggers de referência.

Terceiro, todos sem excepção empolaram o "autorismo" nos blogs (a importância da opinião livre, e da livre agenda, de cada blogger sobrepõem-se à sua própria mensagem?), um aspecto sobre o qual nem me pronunciei nesse texto.

O metabloguismo, posto assim, com o "ismo" de um palavrão que não se deve pronunciar no átrio da igreja não vá incomodar os ouvidos das velhinhas, até parece um pecado -- o que não deixa de constituir um interessante choque de opinião pois quem assim o põe são os mais hipertensos paladinos da liberdade de agenda nos blogs :)

A verdade, meus amigos!, (ler com o estimável sotaque do professor Hermano Saraiva) é que os metablogues são característicos das blogosferas de segunda geração, por assim dizer. Além de nos fornecerem material de reflexão séria (nunca é escusado mencionar a importância do Metablogue) proporcionam uma alternativa credível e válida ao actual sistema de follow the white rabbit com que funciona a blogosfera lusa.

Deixem de ver no metabloguismo apenas o fulanismo (sim, fiz evoluir o conceito de umbigo...). Eu vejo no metabloguismo a oportunidade de ler blogs que outros acharam fundamentais, interessantes, dignos de registo.

Metablogar não é (apenas) falar sobre blogs, é relevar os melhores conteúdos dos melhores blogs. Pelo menos é essa a meta :->

Entre os blogs mais populares do mundo estão diversos metablogues por definição (Metafilter) ou por vocação (bOING bOING). E entre os bloggers mais respeitados e lidos a prática do metabloguismo é corrente.

Posted by pTd at 05:21 PM | Comments (1)

Eles (ainda) andam aí

hacker2.jpg As notícias sobre hackers diminuiram nos jornais. Mas eles continuam activos - e mais refinados. Durante a era dot-com não havia semana sem que a Imprensa fizesse manchete com os "terríveis" ataques dos malfeitores da Internet, os hackers. Ultimamente, porém, o número de histórias relativas a ataques diminuiu e passou a ocupar páginas secundárias, desaparecendo das headlines. Estaremos a assistir ao desaparecimento de uma classe? Nem por sombras, como se conclui de uma investigação levada a cabo para o jornal Expresso. É caso para recordar a história de Pedro e o Lobo: tantas vezes se gritou «hacker! perante falsos alarmes que o grande público já deixou de prestar atenção - precisamente quando o crime e o terrorismo via Internet ascendem a níveis preocupantes para as polícias. E para os governos.

Na semana passada o secretário geral da Justiça dos Estados Unidos, John Ashcroft, lançou uma nova versão das "Guidelines for FBI National Security Investigations and Foreign Intelligence Collection", documento que norteia a conduta do FBI. As novas orientações surgem na sequência dos ataques do 11 de Setembro e alargam poderes. Nomeadamente, em recolher «informação proactiva sobre ameaças à segurança nacional» contornando uma anterior directiva que obrigava o Bureau a apresentar um propósito de investigação específico antes de poder recolher dados. Mas o que nos interessa no caso é que o documento passou a ter nova redacção sobre ameaças: terrorismo, espionagem, sabotagem, assassínio político e intrusão informática estrangeira.

Esta última é inédita. Merece até definição clara: «o uso ou tentativa de qualquer actividade cibernética ou outros meios por, para ou ao serviço de uma potência estrangeira, detectar, experimentar ou obter acesso não-autorizado a um ou mais computadores localizados nos EUA». A linguagem é mais aberta que uma regra meramente indicativa, introduzida em 1995 na National Security List do FBI pela então secretária Janet Reno, que listava o «alvo da infraestrutura nacional de informação» enquanto perigo de espionagem ou sabotagem por potências estrangeiras. Até agora não há caso algum confirmado de hacking a computadores americanos patrocinado por estados. Contudo, uma investigação (citada pelo The Register) a uma série de «sofisticados ciber-ataques ao Departamento de Defesa e redes universitárias», em curso desde 1998, conduziu os investigadores até um beco sem saída situado na Academia Russa das Ciências em Moscovo - levando à suspeita de que tais intrusões tinham o patrocínio do governo russo.

A preocupação é legítima mas o principal inimigo continua a ser interno. O caso de hacking do ano é o de Adrian Lemo, conhecido por Homeless Hacker, que se entregou às autoridades e aguarda julgamento confinado à casa dos pais e com acesso limitado na Internet ao correio e a ofertas de emprego, por decisão de uma juíza. O FBI continua a recolher provas para o caso e quer exigir acesso aos registos de jornalistas que tenham contactado Lemo. Este invadiu o sistema do New York Times - o que lhe valeu tanta publicidade e uma pena provável de até 15 anos. Embora novo, Lemo é ainda da velha guarda: limitou-se a usar identidades falsas obtidas das bases de dados violadas.

A nova escola de foras-da-lei cibernéticos não perde tempo com defacements ou intrusões para sacar meia dúzia de milhares de dólares que vai gastar na Amazon e pornografia online. Agem cada vez mais em grupos organizados internacionalmente e têm por alvos os jogos, entre outras lucrativas indústrias. O código-fonte de um dos mais aguardados jogos do ano, o Half Life 2, foi roubado e é vendido na Internet por indivíduos ainda não indentificados. Este o outros casos vieram provar que os ataques são agora em regra feitos de fora, quando há alguns anos a maioria tinha origem em funcionários ou ex-funcionários de empresas e instituições.

Apesar da popularidade actual, Lamo está longe da fama. O Google dá conta de 341 páginas com o seu nome, contra as 46.300 de Kevin Mitnick - que apesar de retirado há uma década, de já ter cumprido a sua pena e de agora dar conferências, continua a deter o título de hacker mais famoso do mundo. Mitnick que, de resto, estará em Lisboa este mês para um seminário no Centro Cultural de Belém (programa em www.vantagem.com/Kevin). A despeito da indiferença com que hoje é olhado pela comunidade tecnológica, continua a ter uma mensagem útil: a sua especialidade, a engenharia social, continua no topo das técnicas mais usadas para obter acesso não-autorizado a sistemas.

(Texto publicado originalmente no Expresso, revista Única, em 2003-11-15)

Posted by pTd at 12:20 PM | Comments (3)

novembro 23, 2003

Telegrama para o dr. José Vitorino

Caro presidente da Camara Municipal de Faro STOP Inaugurar um templo de futebol sem um honroso jogo do dito eh como inagurar uma igreja sem uma missa, uma sala de exposicoes sem telas, uma sala de concertos sem musica, um parlamento sem deputados STOP Uma biblioteca sem livros EXCLAMACAO STOP Aguardo que lhe facam o mais brevemente possivel um STOP ah sua presidencia STOP STOP

PS: sugiro que envie copia a Joseh Luis Arnaut STOP

Posted by pTd at 10:18 PM | Comments (9)

Estou melhor, obrigado. O mundo é que não

48 horas depois de cair à cama, já me levanto e ligo o botão que me liga ao mundo. Agradeço as muitas manifestações contra a minha gripe -- que é mais surda a manifs do que o dr. Durão Barroso -- e, assim rápido que ainda estou fraquinho, disparo algumas sobre a semana. Não querendo, claro, rivalizar com os comentaristas pátrios cujas homilias dominicais tiveram há minutos lugar nos púlpitos mediáticos.

Começo aliás por discordar de um deles. Ao contrário de Pacheco Pereira, dou desculpa ao dr. Rui Teixeira. O homem está sob pressão há um ano. Deu a sua primeira, sublinho, primeira entrevista (pequenas declarações a dizer que não fala não contam como entrevistas). Nela não fala, nem sequer indirectamente pelo pouco que li, do caso que tem em mãos. Uma entrevista num ano -- não, não posso concordar que seja falta de discrição. Tirando este detalhe, no resto concordo com JPP, o que não é novidade para quem me leu sobre a Justiça ou este caso em particular. Discrição é um bem fundamental para a Justiça poder actuar. O barulho e a confusão, quantas vezes provocada pelas forças em confronto no caso Casa Pia são cortinas de fumo sobre o apuramento dos factos.

JPP e Marcelo Rebelo de Sousa -- mais veemente o primeiro, apressado o segundo -- atacaram o caso nacional da semana: os Destruidores, perdão, a selecção nacional de Sub 21. Eu, que de nacionalista tenho apenas o mínimo indispensável para gostar dos sotaques regionais e do bacalhau com grão (o cozido à portuguesa não me fala ao coração da mesma maneira), tive uma pátria vergonha ao ver as imagens. Mas sobretudo o discurso oficial que se lhe seguiu, desde o dirigente federativo ao ministro da tutela. Desculpar os rapazes é a pior coisa que podemos fazer. Não há desculpa: devia haver responsabilização e punição. Falo em especial dos não-eleitos por sufrágio universal, que estes, como é do domínio público, em Portugal estão sempre desculpados do que quer que ocorra -- antes, durante e depois das ocorrências. Falo dos jogadores, do federativos e do seleccionador: a pouco mais de seis meses de recebermos o Europeu, o vandalismo foi um tiro no pé e, repetindo a ideia de JPP na SIC, mais um sublinhado dessa autêntica marca nacional que distingue o futebol português dos outros. Sei qual é o ambiente numa cabina vitoriosa (como numa derrotada). Sei que atenua alguns comportamentos com excesso de testosterona. Não foi um desses comportamentos que testemunhámos. O excesso de testosterona não é em si indigno. Este foi. Havia ressabiamento, desejo de vingança, cabeças perdidas. Isto em pessoas que são pagas para veicularem a imagem nacional. Isto em "embaixadores" da nação. Uma nação que vai receber a Europa da bola. Francamente: deixar passar em claro, sem uma exemplar punição aos jovens, é convidar os próximos jovens a continuarem a fazer merda. Não apenas nada lhes acontece: são protegidos (e, até, aplaudidos em surdina). Fraca pátria, a que permite tais comportamentos aos seus filhos.


E a propósito de futebol, vandalismo, políticos e euro2004, fiquei sem palavras ao ver o presidente da Câmara Municipal de Faro (chuif... ao que chegou a minha cidade natal...) dizer que «somos um país pobre, não podemos gastar dinheiro à toa» para justificar a horrivelmente má organização da inauguração do Estádio Algarve. Caro dr. Vitorino: a sua (sem aspas porque é mesmo dele, segundo ecos que me chegam lá de baixo) Câmara não é propriamente um albergue para os refugiados da falida associação de empresários do Algarve. Merecia mais. Os farenses provavelmente não tinham melhor opção (não me recordo das últimas Autárquicas) e votaram em si, esperançados. Coitados: se tivessem memória pois é claro que não votariam. [Pronto, ok: o desespero sobrepõem-se à memória. É a mesma coisa em termos de resultado final: um líder autárquico que não dá uma dentro.]

Inaugurar um templo de futebol sem um honroso jogo do dito é como inagurar uma igreja sem uma missa, uma sala de exposições sem telas, uma sala de concertos sem música, um parlamento sem deputados. Uma biblioteca sem livros! Mais valia não terem inaugurado. Para que foi a inauguração? Não percebo. A menos que seja alguma estratégia concertada por si para queimar (ainda mais) o futebol no Algarve.

Estar de cama com gripe dá nisto: uma pessoa farta-se de ver televisão e assiste a coisas indecorosas. Temos pena...

Mas o mundo está mais engripado do que eu. A SIC lançou a ideia muito bem, na minha modesta opinião. Está em curso a terceira guerra mundial. O problema do terrorismo não se confina aos Estados Unidos nem germina apenas nos conflitos regionais. O ataque na Turquia forneceu indicações mais precisas. Agora acredito que o Islão extremista tem um plano mais vasto e egoísta: combater a liberdade e a democracia, atacando os seus símbolos e, agora, os seus eixos políticos (a entrada da Turquia para a União Europeia é o maior e mais significativo avanço da democracia nos últimos, quê, 50 anos ou mais).

Até aqui via no terrorismo islamita os aspectos económicos da questão global: pobres oprimidos contra ricos opressores, em síntese. Adicionei ao puzzle o choque de civilizações e culturas mas sobretudo uma outra peça que nunca tinha mencionado publicamente: o atraso mental do(s) líder(es) da Al Qaeda. Eles são mais estúpidos do que eu imaginava. Eles são totalmente estúpidos. Ora, o século XX deixou-nos diversos exemplos do que resta depois da acção de líderes com evidentes deficiências mentais. O poder é de facto a pior coisa que se pode dar (e tirar) ao homem.

(Não me caiam em cima a dizer que um gajo deficiente mental não tem a capacidade de organizar e liderar. Olhem primeiro à volta!, pensem duas vezes!).

Temo que se aproximem tempos terríveis para a Humanidade.

Posted by pTd at 09:51 PM | Comments (1)

novembro 21, 2003

gripe

Chegou-se-me. Vou (finalmente ser obrigado a) descansar para o sofá. Malditos vírus.

Posted by pTd at 08:42 PM | Comments (13)

EUA e nazismo: é só mau gosto?

Quando Joi Ito critica uma política e é enxovalhado por conservadores E democratas, a comparação vem-me, inevitavel, à mente. Tenho de mudar de assunto para não fazer um julgamento intoxicado. Lá está, outro sinal. Bolas.

http://joi.ito.com/archives/2003/11/19/my_position_on_the_us.html

Posted by pTd at 11:05 AM

talento

Luís, só me dás razão :) Já lá vão 412. Se isso não é uma prova de que o talento, quando é distribuído, não o é de forma igual para todos (e tu ficaste com uma apreciável metade de meio quilo enquanto a mim me couberam as raspas da embalagem do vizinho da frente na fila), então eu não me chamo pTd. Ou Paulo Querido, que é a mesma coisa mas ao contrário, como diria a minha (talentosa) irmã.

Por outras palavras e respondendo-te: nem na Farinha Amparo me saiu carta para o metafórico automóvel...

Posted by pTd at 10:53 AM | Comments (3)

novembro 20, 2003

Olha!

Gosto desta foto! Descubram quem é quem :)

Posted by pTd at 08:22 PM | Comments (14)

A ficção científica, o Luís e eu

Compañero, peço imensa desculpa de ter esquecido a tal coisa nos 30 segundos que se seguiram à tua proposta. Não sei porquê. Terá passado por perto um daqueles pares de pernas que me costumavam provocar súbitos e irreparáveis desarranjos intelectuais? Se foi isso, também me esqueci.

Mas sempre adianto: embora amante de fc, NUNCA me passou pela cabeça escrever para o género. Em grande medida tal deve-se à (falta de) qualidade da fc portuguesa nessa altura (fui fiel nas décadas de 70 e 80, passei a "dormir com outros géneros" nos 90 e este milénio leio menos e quando calha, quase exclusivamente o Record, a Maxmen e obras esdrúxulas de autores ignorados pelas massas, como Rheingold e Sterling ou, noutra perspectiva ainda mais intragável e redutora, O Supremo Larry Wall).

Mas também se deve à minha falta de talento, Luís. Não me julgues pelos meus três livros publicados (um manual técnico, um misto de crónicas de jornal com originais dentro do mesmo estilo e o Blogs, a meias contigo): qualquer deles exige um mínimo de disciplina no Português (checked), um pouco de habilidade a amontoar palavras umas a seguir às outras parecendo uma frase legível (checked) e treino de bater rapidamente com os dedos em teclas (checked, oh yeah). Isso não é talento literário.

Se alguma vez retomar (duvido muito) a ideia de publicar algo a que EU possa chamar literatura (como aqueles caderninhos poéticos edição de autor que tu tens meus... do tempo em que eu sonhava que um dia ia ser escritor), farei um teste do género de participar num concurso, como tu fizeste (e ganhaste!).

Admito que, quando tiver 70 anos e já não me entusiasmar com a) gajas b) cerveja+conversa e c) tentar aprender código de programação, me venha com o ócio uma vontade irreprimível de testar o meu putativo e hiperbólico talento literário. Isto se viver até lá. Mesmo nesse caso altamente improvável, será praticamente impossível que escolha o género fc para tentar a letra: depois de Heinlein, Dick e Asimov não é possível fazer melhor. É como o Miller. Como sabes, tenho uma (confortável) teoria de que a literatura acabou com ele, não sendo possível ser melhor escritor que ele. Felizmente sou o único a pensar assim :)

PS: gostei do conto. Ao contrário de mim, tu TENS talento (ou mais honestamente: está provado que tens uma quantidade suficiente dele que te permita continuar a escrever e publicar, enquanto no meu caso se alguma coisa está provada é que não tenho outros talentos além dos de bater coros a credores, obter imperiais geladas de empregados de cervejaria mal humorados e [censurado-depois-de-uma-noite-feliz]). Um abraço.

PS pessoal: Estás terminantemente proibido de divulgar a minha poesia-de-acne! Invoco o direito constitucional à privacidade individual! Destruirias uma carreira de 25 anos a dar ao dedo em jornais! Pensa na minha dignidade perante a mulher que amo e perante a minha filha!

Posted by pTd at 01:05 PM | Comments (38)

novembro 17, 2003

Vamos eleger os blogs portugueses do ano? (act.)

A ideia: seleccionar um grupo de weblogs mantidos por portugueses, para depois proceder a uma votação e eleger -- através de mecanismos electrónicos que ofereçam as melhores garantias anti-fraude -- os mais consensuais em cada categoria. Não é de descartar a hipótese de arranjar alguns prémios para os vencedores, que poderão ser géneros (livrarias, alô?) ou quiçá dinheiro (patrocinadores interessados, contactem!) ou outros (be my guests!)

Proposta de procedimento: nesta primeira fase aceitam-se, na zona de opiniões desta entrada, sugestões de blogs que devam ser colocados a escrutínio, bem como sugestões de categorias (mais abaixo as minhas primeiras sugestões). Numa segunda fase serão agrupados e colocados à votação. Se for caso (se houver uma grande quantidade de blogs), essa votação terá carácter preliminar e serão apurados cinco candidatos (à falta de número melhor) por categoria, para um tira-teimas final.

Proposta de timing: primeira fase até dia 15 de Dezembro, segunda fase entre 15 e 31 de Dezembro, hipotética terceira fase entre 2 e 10 de Janeiro de 2004.

Sugestão de categorias: muitas é dispersão a evitar. Sugiro um máximo de sete e sugiro cinco delas: mais interessante conteúdo; melhor grafismo; melhor interactividade; melhor uso criativo da ferramenta; prémio "desaparecido em combate".

To-do list: escolher um sistema de votação que dê garantias (disponho de servidor, se for necessário); fabricar logotipos da eleição em 3 tamanhos pelo menos, 1 para a página centralizadora e 2 para colocação nos blogs que adiram à publicitação do evento (nada de "vote em mim", esse tipo de votações já existe e não se pretende concorrer com eles).

Nota: este blog, bem como o portal weblog.com.pt que mantenho, NÃO serão sujeitos à votação, sendo automaticamente eliminados das putativas propostas.

Nota técnica: esta sugestão parte de mim e disponibilizo o meu blog e o meu tempo para centralizar o projecto, se ele avançar, por puras razões de facilidade técnica, pois não há muitos bloggers que possuam o seu próprio servidor. No entanto, se alguem tiver melhores possibilidades técnicas para a sua execução, que levante o braço e passaremos a página (ou um blog próprio) relativa ao projecto para os seus ombros (eu, aliviado, agradecia...).

Comentário final de autor: é apenas uma sugestão e só me apetece avançar com ela se receber o apoio suficiente -- entenda-se por isso uma adesão generalizada, tranversal, dos bloggers portugueses. Trocado em miúdos: não avançarei se o projecto se tornar num mero concurso entre amigos, não é essa a ideia.

Adenda: esta proposta será repetida numa entrada no weblog.com.pt e são os bloggers livres de a incluir nas suas páginas, se for esse o seu desejo.

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Actualização:

22 horas depois, 33 comentários e 4 trackbacks "dizem" que a ideia tem pelo menos receptividade.

Eis então mais ideias em germinação.

"cadernos eleitorais" públicos. É necessário inscrição para se poder votar. Elimina a fraude quase por completo. Quase porque, apesar de mecanismos a implementar de verificação, há sempre a possibilidade de uma pessoa se inscrever mais que uma vez. (sempre é melhor que outros sistemas: uma vez votei 34 vezes para as eleições da Associação de estudantes e tive um colega que votou 68 vezes: ganhou a lista A, dos anarcas. Fizeram bom trabalho, btw, mas não é isso que interessa: como amigos dos eleitos, podemos verificar depois os votos. conclusão: não éramos os únicos chico-espertos, houve abusos em todas as candidaturas e descontados os votos fraudulentos a votação final teria sido a mesma. curioso... Mas esta história não se repetirá com cadernos eleitorais).

Da inscrição constará obrigatoriamente: e-mail e password. facultativamente: nick, nome, titulo e endereço de blog. TODOS os dados da inscrição nos cadernos eleitorais são considerados à partida confidenciais, i.e., não serão tornados públicos em circunstância alguma excepto quando o inscrito concorde em tornar alguns dados públicos, a saber: será encorajada a publicitação, nos cadernos eleitorais, de nick, titulo e endereço de blog (para quem o tenha). Quem não deve não teme. E o voto continua a ser secreto.

Os "cadernos eleitorais" são de consulta pública. Neles constará obrigatoriamente um número público correspondente a cada inscrito e facultativamente cada um dos seus nome, nick e blog devidamente linkado. Ou seja: o "eleitor" pode anunciar galhardamente que o é ou manter-se anónimo, escolha dele.

No final da(s) votação(ões) estes "cadernos" mostrarão quantos votaram de facto - o que permite corroborar (ou não) os números da(s) contagem(ns) final(ais).

Como é o voto? Mantenho dúvidas sobre se deve existir uma pré-ronda para apurar xis blogs por categoria, ou eleição primária directa. Esta é eventualmente mais democrática by the book, mas pode pulverizar excessivamente os resultados, com centenas de blogs pouco votados. A pré-ronda prolonga o processo (desmotivador, desmobilizador) mas apura os resultados qualitativamente. Aguardam-se comentários fundamentados...

No acto da inscrição o "eleitor" fornece uma password e recebe por e-mail em troca um número único e secreto, com um link para confirmar a inscrição. Esta combinação permite eliminar fraudes técnicas nas inscrições, como bots a registarem endereços de eleitor. E o número único associado à password e ao e-mail permitirá depois assegurar que cada "eleitor" vote apenas uma vez.


Grupo organizador: pessoas que colaborem directamente com a iniciativa, fazendo os logos ou - pede-se! - programando os formulários para boletins de inscrição e de voto.

Grupo consultor: pessoas a quem pediremos ajuda em matérias sensíveis, como a segurança do sistema de voto.

Grupo fiscalizador: composto por voluntários a quem serão abertas as bases de dados e todo o código utilizado no processo, de forma a garantirem a sua idoneidade e isenção, garantindo a transparência do acto. Outra missão: confirmarem a existência dos blogs sujeitos a escrutínio.

(aceitam-se voluntários!)


Blogs a votação: tudo ainda um bocado verde. Deixemos correr o marfim até ser consensual a melhor forma. As duas principais correntes:

Votação livre em qualquer blog (complicado, muito complicado, gerará imensos falsos devido a más digitações de nomes e endereços, além de tornar impossível a criação de boletins de voto) ou sugestão inicial de blogs, para uma pré-selecção (torna o acto eleitoral muito mais fácil e error-proof, mas gera mais ruído e disputas na fase de pré-selecção)?

Categorias: Penso que estão praticamente apuradas, é ler os comentários abaixo e escolher as mais citadas.

Prémios: então ainda ninguém falou disso? :) à excepção do Pai da Inês, bem entendido, que abriu a hipótese de a Inês pintar um quadro para a ocasião. Mecenas eram bem vindos nesta altura do campeonato.

Posted by pTd at 08:09 PM | Comments (92)

O estádio que não existe

O assunto anda por aí na esfera mediática (media e blogs). Comento-o a posteriori para não me sairem dos dedos palavras exaltadas que provocariam flames parvas.

Domingo, hora de jantar, família. No ecran o truque de Luís de Matos que não aquece ninguém, num espectáculo que era suposto ser o maior que a cidade do Porto já viu, mas que na minha opinião foi um fracasso (talvez se não tivessem colocado a fasquia do país tão alta...).

Comenta uma sobrinha (que de bola tem uma visão distante e pop): «Coitados! Não vão poder passear ao intervalo a sua mascote, como fazem com a águia na Luz e o leão em Alvalade».

Para mim, esta é uma frase final. Diz tudo. Chamar Estádio do Dragão às novas Antas é: romper com o glorioso passado de um palco (as Antas); uma solução de compromisso que só agradará às claques; sublinhar, traidoramente, o que de pior tem o actual Futebol Clube do Porto, que é a mi(s)tificação do seu poder através de uma figura mitológica.

Aceitava que lhe chamassem Estádio José Maria Pedroto, Estádio Fernando Gomes, ou até -- sim -- Estádio Pinto da Costa. Seriam nomes merecidos e à altura da glória do clube. Teriam um pouco de má língua, sobretudo o último, mas a má língua é efémera enquanto a honra persiste. E qualquer dessas figuras fez pelo clube o suficiente para perdurar, com honra, na placa com o nome do estádio.

Pinto da Costa -- figura que, de resto, não me excita particularmente, pelo contrário, tenho contra ele memórias negativas da década de 80 -- ligou indissociavelmente o seu nome ao melhor período do clube. Bateu-se (contra um país...) pelo estádio. Não acredito que não tenha sido levantada a hipótese de baptizarem o estádio com o seu nome. Acredito que ele tenha pronunciado um rotundo não. Se foi o caso, lastimo que o tenha feito. O nome de um estádio é uma coisa séria, não é uma brincadeira de gato-e-rato com a opinião pública e publicada, das que ele tanto gosta.

E para a história o FC Porto fica com um estádio com fraco nome.

Também não partilho do entusiasmo pelos encantos do novo estádio. Assim pelas imagens que me chegaram via RTP (um péssimo serviço prestado pela televisão pública, subscrevo e não vou repetir o que toda a gente já escreveu), pareceu-me um estádio friorento, demasiado aberto junto das costas das bancadas, para um clima em geral, e uma zona da cidade em particular, agreste, ventoso, chuvoso. Espero que possa ser corrigido, para bem do público.

Por tudo isto, pelas razões que se prendem com a despropositada vassalagem de uma estação pública, e pelos ridículos da baixa política associados ao evento (Os Humilhados Contentes, a crónica do meu ex-camarada cabineiro Luciano Alvarez no Público é definitiva, como a observação da minha sobrinha), foi um domingo de vergonha para o futebol português. Não havia necessidade e ninguém a merecia, nem público, nem RTP, nem sócios e simpatizantes do FCP, nem a AR, nem o PR, nem P. da C. Felizmente, os epidódios esquecem-se. Infelizmente, o ridículo nome do estádio ficará por muitos anos. Tenho pena.

Posted by pTd at 05:58 PM | Comments (7)

Memória

Com algum atraso (JPP publicou no dia 11) é certo, mas quero ainda assim citar palavras que me parecem certeiras. O português é um povo desmemoriado. Haverá decerto razões profundas para tal. Mas ignorar o passado, atirar os maus pensamentos para debaixo da carpete da História, é comprometer o futuro. E explica muito sobre este nosso presente de povo à deriva.

«EARLY MORNING BLOGS 77

Hoje é feriado belga e todos os noticiários desta parte da Europa abrem com as comemorações do Armistício que terminou com a guerra de 1914-18. Compreende-se porquê: com o seu cortejo de milhões de mortos, a guerra cavou fundo na memória em França, na Alemanha, na Bélgica. Os campos de mortos estão sempre à distância de poucos quilómetros.

Nos noticiários portugueses, nada, embora Portugal tenha participado na guerra e também tenha cá mortos. Se o esquecimento fosse só com a guerra de 1914-18, vá que não vá. Agora, o que mais me intriga é a nossa capacidade de amnésia colectiva em relação a quase tudo. Dos últimos duzentos anos nada sobra, a não ser um 5 de Outubro, penosamente recordado à força, e um 25 de Abril que, como tem vivas as suas gerações, ainda é lembrado.

Bom dia , memória!»

(in Abrupto)

Posted by pTd at 05:36 PM | Comments (3)

Pode até tirar-me da equipa!

Cheguei lá seguindo uma pista estranha: Dicionário do Diabo (espero ansiosamente pelo Clint!) -> JPCoutinho.COM (atrasadamente aproveito para saudar) -> Quem Mexeu no Meu Pipi.

Faz jus à cópia: é uma merda, como costumam ser as cópias e os treinadores de bancada. Ó rapazola, eu nem no banco, tire-me da equipa, Madame Charlotte é muito melhor centro-campista que eu!

PS: nunca o nome desta secção me soou tão bem.

Posted by pTd at 03:26 AM

novembro 15, 2003

O que falta à blogosfera

Ao contrário do que se pensou e escreveu (eu também escrevi), a entrada do Abrupto e do Aviz para a blogosfera não trouxe afinal a emancipação dessa mesma blogosfera. É inegável que a veio enriquecer do ponto de vista qualitativo (trata-se de dois autores de bom nível), é inegável que mediatizou os blogs (o que também tem efeitos perversos, como agora se nota), aparentemente chamaram mais autores -- e digo aparentemente porque hoje tenho dúvidas sobre o que teria acontecido SEM eles.

Tais blogs "de referência" têm tido até sobretudo um efeito pernicioso sobre a blogsfera, sobre a rede, contribuindo para a "adormecer" e cristalizar (falo disso mais adiante). Sem qualquer tipo de desprimor para os respectivos autores, que prezo e admiro; o assunto não passa directamente por eles.

Ao contrário do que temos por adquirido, a sua vinda não foi o rastilho para a blogsfera se assumir como uma rede alternativa de informação e opinião. Na verdade, a blogsfera não existe: o que existe são pequenos, muito pequenos círculos de blogs que se referenciam uns aos outros horizontalmente, havendo muito poucos blogs de um círculo que sejam referenciados noutro, verticalmente. As excepções verticais contam-se pelos dedos: além do Abrupto, é o Pedro, o João e... hum? não me ocorre agora mais nenhum.

As razões disto são complexas e não se ficam pelos blogs. Há dois factores externos que MUITO contribuem para a não-existência de uma rede de informação/opinião em Português. Em duas palavras, são eles a absoluta e absurda ignorância dos media portugueses face às novas tecnologias de interligação digital e a ausência de um portal nacional de referenciação, como o Blogdex ou o Technorati.

[Os meus esforços no weblog.com.pt são claramente insuficientes: nem se faz por hobby, nem se faz sem recurso a programadores competentes (eu não sou programador, quanto mais competente), nem se faz sem uma estratégia pensada por uma equipa (recordo que o weblog.com.pt técnica e estrategicamente é... eu, uma só pessoa, manifestamente pouco para a ambição de um tal projecto, estou condenado a colocar as dúvidas ao espelho e a obter respostas de algum dos meus heterónimos... um processo fastidioso e frustrante).]

Um exemplo actual: os acontecimentos com os jornalistas portugueses em funções no Iraque. Se quisermos mergulhar no assunto temos de andar a vasculhar tanto os sites informativos como os blogs, um por um. Uma perda de tempo incompatível com os actuais ritmos de assimilação da realidade. Não há um centro nevrálgico onde me possa dirigir para ver logo o peso relativo do assunto -- que é imenso nestes dias, penso aliás que será o tema dominante na arena mediática global (Imprensa e blogs) desde sexta-feira passada até provavelmente domingo.

Mas como posso eu provar (ou desmentir) esta minha teoria? Não tenho ferramentas. Não há rede. Existem apenas pontos suspensos no espaço digital. Demasiados pontos para poderem, em tempo útil, ser verificados um por um. Não temos forma de avaliar que temas dominam essa mesma arena (excepto, naturalmente, a vasculhação manual, a consulta de centenas de páginas para apurar os links e depois redigir uma página sobre o tema; impensável). E nisso a blogosfera está atrasada. É por isso que digo que não há uma blogosfera: há um conjunto alargado de blogs mas não estão em rede.

Bastava que a TSF, o Público, a SIC e o DN (para citar apenas quatro) tivessem índices RSS/XML/RDF e que os blogueiros tivessem crescido um pouco tecnicamente (era a isso que me referia quando falava de amadurecimento no outro texto) para que, calmamente, com um único clique eu poder ter uma ideia muito clara do peso relativo do tema na actualidade informativa/opinativa de Portugal.

Voltando aos blogs "de referência" e aos seus efeitos perniciosos. Por um lado, cristalizaram o who's who. A par do Gato Fedorento, do Pipi e dos Marretas, dominam a lista dos inbound links. Um fenómeno já estudado, aliás. Neste momento há pessoas (a começar pelo autor do Technorati e passando por outros membros proeminentes da blogosphere) a pensar o assunto e em formas de quebrar o cristal permitindo o acesso de novos blogs aos tops.

Por outro, na ausência de contrapontos (como o sistema de avaliação em contínuo dos temas predominantes que já falei acima) a tendência dos leitores é para considerarem os "de referência" como autoridades opinativas em toda e qualquer matéria. A realidade é aquilo de que eles decidirem falar. O efeito disto nas massas -- e digo massas porque há evidentemente gente que não lê blogs da mesma forma que consome jornais e televisão, mas a maioria tem dos blogs essa visão estreita PRECISAMENTE POR CAUSA DO MEDIATISMO DOS BLOGS DE REFERÊNCIA -- é absolutamente contrário ao esperado (desejável?) de um meio dito democrático.

A democraticidade de acesso que os blogs nos trouxeram permite efectivamente a emissão de MAIS correntes de opinião do que as disponíveis na esfera mediática tout court (sem blogs, só Imprensa), onde não passam de três ou quatro em perfeita união com o espectro político-partidário e a este subordinadas. Na blogosfera há dezenas de correntes disponíveis.

Porém, e paradoxalmente, isto não veio impedir que continuemos por enquanto a viver uma ditadura opinativa reflexa na blogsfera. A ausência de circuitos que liguem os nós da rede obriga os leitores a dirigirem-se directamente aos nós -- e tendencialmente os nós proeminentes obtém mais visibilidade.

Próximos capítulos: a tentativa de construção de rede dos "de direita" e porque falhou quase rotundamente; o caso espanhol; os blogs de escritores.

PS: este texto (e as sequelas que hão-de vir) surge inspirado / encorajado pelos comentários suscitados pelo meu desabafo aqui. Outro texto recomendado para a compreensão do assunto é Blogs: o poder ao indivíduo, publicado inicialmente no Expresso.

Posted by pTd at 04:47 PM | Comments (22)

Presidenciais americanas com websites apavorantes

Acessibilidade my ass, lentidão: sites dos candidatos, blergh!

http://www.optimizationweek.com/reviews/president/

Posted by pTd at 12:28 AM

novembro 14, 2003

Falta qualquer coisa à blogosfera

Dou uma volta pelos blogs que visito menos: a chamada blogosfera, que eu gosto de chamar umbigosfera. A voltinha pelas vacas sagradas, Mexia, Lomba, Pereira, Viegas, Barnabé, Esquerda etc, estão a ver?

Há semanas que não fazia a voltinha saloia. O pouco tempo que me sobra, tenho-o investido na blogosphere.

Conclusão da voltinha: o Mexia está, felizmente, cada vez mais na mesma (a dele, que é boa), o Lomba e o Barnabé picaram-se mutuamente,eu gosto sempre de uma boa polémica e esta é... boa, embora já tenha visto melhor de ambos [o picanço visto de fora], os outros está tudo cada vez mais na mesma. Quem leia o pelotão da frente fica um bocado naquela de que não existe pelotão de trás.

A blogosfera está cristalizada. O tempo parece ter parado em torno dos umbigos do costume. Quem leia, parece que não se passa mais nada, que não há blogues novos, entusiasmantes, ideias frescas, gente engraçada.

Já a blogosphere não. Mexe activamente. Nos EUA blogar é um bocado mais do que escrever. É manter um blog. É cuidar dele como quem cuida do vestuário. É estar a par. É fazer parte. É não perder a onda.

Acho que está a faltar à blogosfera gente mais interessada na ferramenta e mais disponível para colaborar na rede. Os blogs fazem (mais) sentido quando são uma rede. Só uma rede é uma coisa viva. Um conjunto de páginas, por muito bem escritas quer estejam, não constituem uma rede. Sem se interligarem estão mortas.

Mas isto sou eu que acho.

Posted by pTd at 11:34 PM | Comments (15)

BlogTalk 2.0, conferência em Viena, 5-6/07/04

BlogTalk 2, a segunda conferência sobre blogs, vai decorrer em Viena, na Áustria, nos dias 5 e 6 de Julho do próximo ano. Eu vou lá!

http://blogtalk.net/

Posted by pTd at 04:15 PM | Comments (1)

Blogs: o poder ao indivíduo

Serviços noticiosos personalizados levantam a questão: os jornalistas estão a perder algum poder de decisão sobre o que é notícia.

No primeiro encontro nacional de blogs, realizado em meados de Setembro na Universidade de Braga, jornalistas, estudantes e professores de cursos de comunicação acordaram que face à ausência de práticas jornalísticas nos blogs estes não são uma ameaça à Imprensa.

No encontro informal que decorreu em Lisboa em Outubro, no qual intervieram nada menos de cinco jornalistas, reafirmou-se a ideia. Sob o lema Blogues: moda efémera ou meio de comunicação do futuro jornalistas-bloggers como Pedro Lomba (Diário de Notícias e Flor de Obsessão) e Pedro Mexia (DN e Dicionário do Diabo), realçaram a importância dos espaços pessoais enquanto «exercícios de prática escrita» e «hobbies» praticáveis de uma forma «completamente livre». Nenhum quer do seu blogue um jornal.

Apesar de ser consensual que os blogues não podem afrontar a capacidade noticiosa só ao alcance de um corpo redactorial e uma máquina comercial que o sustente, as novas ferramentas comunicacionais estão já a modificar a informação. Não falamos apenas de hábitos de consumo: está em causa um dos poderes básicos dos jornalistas, o de decidir o que é notícia, que notícia é servida em primeiro lugar (manchete, primeira página) e que peças são secundárias. A recente difusão de serviços de indexação de notícias está a subverter a lógica passando esse poder para o indivíduo - seja mero leitor, seja um agente transformador do real noticioso (os bloggers com alguma influência que comentam uns assuntos e desprezam outros).

Num ensaio publicado na edição de Novembro da revista Discover, aludindo à crucial capacidade de escolher a localização de um peça decidindo assim da sua importância, Steven Johnson escreve: «o poder de declarar que notícia é mais importante está a ser erodido pela Internet. Dezenas de serviços online permitem que o leitor personalize a sua página de notícias, com os títulos organizados segundo os seus interesses . o que alguns chamam o Daily Me». Menciona de seguida as técnicas emergentes que detectam os interesses de milhares de leitores e reconstroem "primeiras páginas" que descartam a lógica que presidiu à hierarquização dos temas nas fontes originais. «Chamem-lhe o Daily Us».

O investigador refere pormenorizadamente o serviço Technorati - um agregador de blogs que permite aferir a popularidade de um blog, bem como de uma página de um jornal online, medindo a quantidade de links que o apontam. A partir daí o autor do Technorati, David Sifry, extrai o Breaking News, um jornal de jornais apresentado pela ordem de popularidade de cada matéria.

Diferente da aproximação do serviço noticioso automático do Google, onde a ordem dos títulos respeita a escolha dos editores originais, o Breaking News acaba por reflectir a posição dominante das notícias de maior impacto mundial, que surgem no topo da hierarquia tanto nos jornais como no Google como no Technorati. Mas no resto da actualidade não. Estes novos meta-serviços noticiosos distinguem-se pela capacidade, até aqui inédita, de revelarem os gostos da audiência mundial, apontando em tempo quase real que artigos de fundo e de opinião (os que mais depressa suscitam a vontade de opinar por parte dos bloggers) estão a mexer com o público.

Johnson também faz notar que apesar de popular o Technorati é quase imune aos pseudo-eventos das celebridades que dominam o jornalismo televisivo. O Blogdex é ainda mais impermeável aos mexericos que passam por notícias nas televisões. Elaborado desde há dois anos por investigadores do MIT, avalia a disseminação da informação através da Internet, um «média por contágio» onde as ideias se espalham da mesma forma que uma doença.

Infelizmente, nenhum media português é rastreado pelos novos meta-serviços noticiosos. O atraso tecnológico é evidente e desconcertante: centenas de blogs portugueses editados gratuitamente por pessoas sem aptidões técnicas constam desses serviços, mas não títulos como o Público, o Diário de Notícias, o Expresso, a TSF ou a RTP, cujas edições online são famosas e populares.

(Texto publicado originalmente no Expresso, revista Única, em 2003-11-08)

Posted by pTd at 05:29 AM | Comments (7)

novembro 13, 2003

LuLu, Deus e eu

«No outro dia, kdo tava a sair do restaurante chines ke ha perto da minha casa, tive uma epifania.
Assim, de repente, apareceu me a perfeita definicao de deus.
Deus e um atomo!!!
». (LuLu)

A LuLu começou há poucos dias o seu blog Blacksheep, Comentários frustrados e frustrantes e a julgar pela imprecisão da linguagem ainda deve andar às aranhas com a porcaria do Blogger e mais a lentidão do PC lá de casa, tadinho. Mas a LuLu entrou bem, a matar, logo com textos existenciais. Como esse da religião (já lá vamos, LuLu) e um outro, o meu favorito, em que ela confessa: «Hoje uma amiga vira se pra mim e diz me, na maior das calmes ke eu tenho vocacao para assassina.».

Cara LuLu, permite-me discordar em absoluto dessa tua amiga, o sadismo NÃO chega como credencial para seres aceite na profissão ;) Sobretudo se for, como o teu, um sadismo intelectual (herdado naturalmente de... tu sabes quem).

Mas vamos ao que (não) interessa (nem ao menino Jesus): a religião.

Não preciso de te dizer grandes coisas. Limito-me a sublinhar-te as frases. Olha esta: «Como e ke esperam ke eu ame alguem ke me impoe um ultimato?». Q.E.D. Eu tinha 11 anos e pensava, como tu agora, que éramos todos uns graxistas. Como não havia blogs espetei as minhas dúvidas na cara do padre Patrício (pergunta à tua avó por ele; era um senhor recto e digno que fez alguma coisa -- refiro-me a apoio material que não espiritual -- pelo rebanho lá da nossa freguesia, mas obtuso no que toca à... religião). Sabes o que acontece aos grumos... Para abreviar, digamos que as respostas apressadas e desviantes dele, e as indirectas ao jeito de ultimato, deram início ao meu feliz caminho para a dúvida, primeiro, e para as Tranquilas Certezas do Ateísmo mais tarde.

«Somos intresseiros, e como casar por dinheiro.». É pior, LuLu, é pior: o casamento por dinheiro -- comum prática histórica que entrou em declínio lento no século XX -- é feito de comum acordo; é um contrato em que se troca um bem (amor, falso ou verdadeiro, carinho, cuidados, atenção) por outro (cacau, pilim, ferros, narta). Na religião estamos a tentar comprar um lugar divino mentindo descaradamente, enganando o parceiro de negócio com a falsidade das nossas palavras que não bate certo com as nossas práticas.

[Mas cuidado: eu conheci pessoas boas que amavam genuinamente Deus. Deixa lugar para isso nas tuas teorias. E no teu coração.]

Quanto aos crentes não praticantes, percebo-te mas não é tanto assim. Deixa-me contar-te uma história.

O primeiro punk que existiu em Faro, isto no tempo dos punks, era o C. (penso que a tua mãe se lembrará dele, do alfinete na orelha e das t-shirts pintadas por ele próprio). Eu não era punk, era mais freak. "Naqueles tempos" (não foi de propósito, juro!) só havia duas tribos urbanas, os betos (adivinha de que tribo era a tua querida mamã :->) e os freaks. Os punks vieram mexer um bocado com muitas coisas, até essa.

Eu e o C., hoje um respeitável director gráfico, tornámo-nos amigos (estou a abreviar). Há pouco tempo, uns dez anos, estávamos de conversa e ele diz, para meu TREMENDO espanto, que é católico. Eu achara a vida toda que ele, como eu, era ateu ou pelo menos agnóstico. Nunca tínhamos falado sobre religião -- o que é sempre agradável entre amigos. E já o tinha ouvido insultar «a padralhada». (No big deal, indeed: os portugueses têm uma tradição anticlerical há séculos.)

Depois ele explicou-me que sim, era católico temente a Deus mas não praticante no sentido de ir à igreja porque lá por acreditar em Deus isso não fazia necessariamente dele um parvo. Explicou-me o que dizia aos vendedores de religião (testemunhas de Jeová e demais parasitas) que lhe batiam à porta: «não preciso de intermediários, tenho linha directa com Ele».

[Pedi-lhe a frase emprestada: ó LuLu, devias ver a cara das senhoras quando lhes deixo cair essa! É impagável! Eu empresto-te também a frase, se quiseres experimentar.]

O meu amigo C. reza, lá faz as suas preces e etc -- eu cá não sei porque nunca pergunto detalhes da intimidade das pessoas, acho que elas contam se e quando querem, e não há nada mais íntimo do que a nossa relação com os nossos... Falta-me a palavra... Deuses? Fantasmas? Grilos Falantes? Medos? Gosto dessa: seja medos.

Escusado será dizer que a nossa amizade se reforçou, a minha admiração pela pessoa que C. é aumentou e nenhum de nós faz o mínimo esforço para CONVENCER o outro da sua razão -- isto na religião, bem entendido, porque as nossas discussões sobre Arquitectura, por exemplo, eram épicas!

Moral da história: há crentes não-praticantes. Há católicos que nutrem (compreensível) antipatia pela Igreja Católica. O que nos leva ao teu ponto 3), e cito: «Ou seja, esta tdo do avesso!!! e ha mais coisas, mas ja chega.... ». :)

PS: ainda não te disse? gostei do teu blog pá!
PS2: O filme chama-se Bound e está ali à direita, com a prometida foto dos manos Wachowski.

Posted by pTd at 01:13 PM | Comments (1)

novembro 12, 2003

Retrato do país enquanto anedota

Onde é que tu estavas?, pergunta a mãe à menininha.
No quarto, a brincar aos médicos com o Joãozinho. Ele era o médico e eu a doente.
A mãe dá um grito e um salto da cadeira.
Aos médicos!?!
Médicos da Caixa, mãe... Ele nem sequer me atendeu!

(kudus para M&M)

Posted by pTd at 07:05 PM

A guerra do Iraque foi pior do que gostamos de pensar (e os yankies fazem crer)

http://www.medact.org/tbx/docs/Coll%20Dam%202.pdf

Posted by pTd at 10:50 AM | Comments (1)

novembro 11, 2003

Google e Microsoft

Tenho querido escrever sobre o assunto que vai dominar 2004, mas ainda não tive tempo. Limitei-me a dar pistas como esta. Mas seguindo a máxima que, por vezes, é verdade, esta imagem antecipa as mil palavras que ainda hei-de escrever.

Posted by pTd at 04:03 PM

Como o spam está a envergonhar a net

É a vergonha dos legisladores, o pesadelo dos ISP e já não se fica pelo e-mail: o spam está a embaraçar os internautas.

Em Junho as estimativas globais de spam . mensagens não solicitadas que nos chegam por e-mail - apontavam para 55 por cento do total do correio electrónico, e estamos a falar apenas de spam propriamente dito excluindo, o junk-mail. Três meses depois, desprezando todos os alertas tardios, fazendo gato-sapato das legislações estado-unidense e europeia, e apesar do combate entretanto praticado por algumas empresas que exploram este novo nicho de serviços Internet, o spam tinha aumentado cinco por cento. Há apenas um ano a taxa de correio não solicitado era pouco maior que duas mensagens em cada dezena... E a tendência é para um agravamento nos próximos meses, não se vislumbrando nenhuma hipótese de derrotar os spammers, seja pela via da lei, seja pela via de uma tecnologia de correio electrónico alternativa . que é falada há muito, mas esbarra na lassidão geral dos grandes operadores de tráfego.

E isso nem são as más notícias... O pior mesmo é que o spam começou a estender-se a outras partes da Internet, tendo feito a sua estreia nos weblogs e respectivos sistemas de comentários e está a minar a confiança dos utilizadores das tecnologias de informação, provocando mudanças de hábitos que vão ter impacto na economia do sector.

Segundo os resultados de um extensa sondagem publicados recentemente num relatório pela Pew Internet and American Life Project, uma organização não-governamental baseada em Washington, EUA, um quarto dos utilizadores estão a desistir de usar o correio electrónico. E metade . sim, 50 por cento . respondeu que confia cada vez menos na Internet. Dois terços dos inquiridos não tiveram dúvidas em afirmar que estar online se tornou desagradável ou aborrecido por causa do spam.

«As pessoas adoram o e-mail e realmente entristece-as que o spam esteja a arruinar algo tão bom», afirmou Deborah Fallows, investigadora do Pew Project e autora do relatório que acompanha a sondagem, intitulado Spam: How It Is Hurting E-Mail and Degrading Life on the Internet (Spam: como está a ferir o e-mail e a degradar a vida na Internet). O maior estresse provocado pelo spam vem dos conteúdos pornográficos; a grande maioria de familiares, sobretudo mães, estão transtornadas pelo facto de imagens de sexo explícito aparecerem nas caixas de correio e de nada poderem fazer quanto a isso. «Os resultados gerais são reveladores, mas quando aprofundamos os dados torna-se evidente a grande perturbação das mulheres e as suas reacções ao spam pornográfico», frisou Deborah Fallows, citada pela BBC. Concluindo de seguida: «os pornógrafos merecem um lugar especial no Inferno, no que às mulheres e familiares diz respeito».

Brasil é paraíso para spammers

Nos últimos meses assistiu-se a um aumento generalizado de ferramentas capazes de filtrar e despistar algum spam, sobretudo nos mass mailers como a Microsoft, o Yahoo e a AOL, nos EUA. Em Portugal a generalidade dos ISP já possui despistagem antivírus, em grande medida devido aos prejuízos que a circulação de vírus por correio causa nas suas apertadas contas financeiras, mas os filtros de conteúdos ainda não estão generalizados. Os spammers aproveitam as infraestruturas de países de grande crescimento tecnológico recente como o Brasil (obrigando pontualmente ao bloqueio puro e duro de redes inteiras pertencentes ao domínio .br como única forma de suster as spam-bombs), caso que afecta directamente Portugal.

Porém, a atitude de combate adoptada recentemente pelos maiores operadores de correio pode ter vindo tarde, a julgar pelas reacções dos consumidores. «O inexorável avanço do fluxo de spam está a causar o afastamento das pessoas do e-mail enquanto forma de comunicação», diz John Breynault, investigador de outro grupo não-governamental, o Telecommunications Research and Action Center, que colaborou no relatório da Pew. Breynault recolheu num website cerca de 4.000 anedotas sobre o assunto, enviadas por utilizadores frustrados. «Muitos dos indivíduos que contactámos encaram a possibilidade de se desligarem da Internet».

Não incluídos no estudo, mas vistos pelo EXPRESSO foram sites criativos em torno do tema, como o de bandas de garagem estado-unidenses que têm gravações, disponíveis para venda na Internet em colectâneas em que o tema é o spam. Numa dessas colectâneas os títulos de todas as faixas correspondem aos assuntos mais populares das mensagens de spam, a começar pelo ultrafamoso enlarge your penis.

Os cibernautas começam a sentir-se aprisionados no seu próprio mundo. Um grande número tornou-se dependente do e-mail na sua vida profissional e pessoal, desistindo progressivamente de outras formas de comunicação como o telefone. Agora, estão a ponderar regressar às chamadas de voz. Desconfiam da ferramenta. Espalham-se os temores: mudar de endereço é uma forma de evitar o spam, começando do nada . mas implica ter de refazer todos os contactos, enviando o novo endereço para os conhecidos; por outro lado os vários filtros de spam não inspiram confiança, pelo contrário, as pessoas acham que uma parte das suas mensagens não chega ao destino e vice-versa.

Mas o spam parece ter vindo para ficar, pelo menos até ser encontrado um novo protocolo de correio electrónico com maior robustez no que concerne à privacidade dos utentes. É que apesar de todas as queixas, os números demonstram que o spam é eficaz. Mais: tem níveis de eficácia muito acima dos tradicionais métodos promocionais intrusivos, como o telemarketing e o correio tradicional. Entre os mais de 1.300 inquiridos no estudo, aproximadamente um terço respondeu já ter .clicado. num link de uma mensagem comercial e sete por cento admitiu ter adquirido algum produto ou serviço anunciado através de spam!

Entretanto os spammers . indivíduos e empresas sem rosto que aproveitam as fragilidades legais e o poderio tecnológico num desprezo absoluto pelas mais elementares regras comerciais e cívicas . seguem muito à frente dos seus perseguidores. Pelo sim pelo não procuram já novos alvos. Embora ainda de forma incipiente, começaram a atacar as zonas interactivas dos weblogs. As tradicionais caixas de comments assentam em tecnologias abertas e ainda pouco estruturadas, tornando difícil moroso para o autor do blog proceder às filtragens sem prejudicar a actividade opinativa dos leitores dos blogs.

Só que neste caso há uma diferença: a comunidade blogger é por natureza atenta e começou desde o primeiro minuto a estudar métodos de combate à publicidade comercial . sem esperar pela demorada mão da Justiça, que ainda por cima deu provas de ser totalmente ineficaz no primeiro round contra o spam. Métodos como as blacklists (listas de palavras proibidas a que cada comentário é sujeito informaticamente antes de ser publicado) estão já a ser desenvolvidos, prenunciando que o combate será neste caso muito mais difícil para os spammers.


(Texto publicado originalmente no Expresso, revista Única, em 2003-11-01)

Posted by pTd at 02:34 AM | Comments (13)

Bruce Sterling já bloga. Enjoy!

http://wiredblogs.tripod.com/sterling/

Posted by pTd at 02:20 AM

novembro 08, 2003

Delicioso

Al-Porrinha

http://al-porrinha.weblog.com.pt

Posted by pTd at 03:24 AM

novembro 07, 2003

Cool! A nova deskbar do Google RESPONDE às intenções de compra da Microsoft

A avaliar por este produto, vão ser uns meses entusiasmantes, até à IPO do Google. De um lado a Microsoft, do outro o Google. Façam as vossas apostas.

http://toolbar.google.com/deskbar/index.html

Posted by pTd at 04:53 PM | Comments (1)

Sobre Fernando Lima e o DN

A nomeação de Fernando Lima para director do Diário de Notícias (não ponho link porque não gosto de levar leitores a websites que, de mal construídos, lhes vão faltar ao respeito) levantou burburinho por aí. Percebo e defendo as posições do Conselho de Redacção e do Plenário dos jornalistas daquele diário. Não as subscrevo porque me cairia mal: não faço parte do quadro nem sou colaborador. Se fosse, subscrevia sem hesitar. Fazem sentido. E sobretudo são legítimas: vêm de quem vai ter de levar com o homem...

Apesar disto -- e de perceber lindamente os perigos que a nomeação de um ex-assessor de ministro em exercício e ex-assessor de antigos ministros e Primeiros apresenta para o capital de (des)confiança de jornalistas, funcionários e leitores do DN -- quero recordar algumas coisas que legitimam a nomeação.

O cargo de director de jornal é o único para o qual -- e isto é apenas teoria legalóide oca, certo, mas ainda assim é o que temos -- não é necessário ser jornalista habilitado, i.e., possuidor de carteira profissional.

Daqui se deve depreender que o cargo está reservado a pessoa da inteira confiança da Administração.

Fernando Lima pode legalmente ser director do DN.

Não tenho razão alguma para colocar em causa a opção da Administração.

Não é claro para mim que a proximidade de Fernando Lima ao partido que lidera a coligação governamental presente seja um ónus: outros directores de jornais estão tão ou mais perto do PSD e/ou suas figuras sem que deles se fale publicamente.

Não gosto de julgar ninguém antecipadamente: quanto mais não seja por ser um ex-jornalista e andar no meio há décadas, Fernando Lima tem aptidões para o exercício do cargo (que alguns outros directores nem sequer têm) e merece da minha parte o benefício da dúvida. Só por isso e apenas por isso, pois não o conheço, lidei com ele uma única vez profissionalmente (ao tempo de Cavaco Silva em São Bento), nem estou perto dele, nem por sombras, em matéria ideológica.

Indo um pouco mais longe, lembro o caso do director do Expresso, José António Saraiva: as suas ligações políticas são tão conhecidas como a sua impermeabilidade a pressões. Sem discutir outros méritos ou deméritos da sua actuação de muitos anos na liderança do Expresso, faço notar que é um caso exemplar de isenção.

Será Fernando Lima capaz de manter as distâncias, como se espera do director de um jornal com o capital de influência do DN? Ou terão razão os críticos que falam em governamentalização do jornal?

A essas perguntas só o tempo pode responder.

Quanto a outros aspectos do tema, e refiro-me ao que escreveu Pedro Mexia a 29 de Outubro último no Dicionário do Diabo sobre a participação do Estado na Comunicação Social, subscrevo -lhe a frase: «Julgo que o Estado não devia ter qualquer participação na Comunicação Social, seja por via directa, indirecta ou parcial. O papel sensato do Estado é o de regulação, com um organismo com poderes efectivos, e não com esta patetice da Alta Autoridade. Que o Estado possa, de alguma maneira, condicionar os conteúdos e a linha editorial de um jornal parece-me a todos os títulos reprovável.».

A questão é que ninguém controla ou fiscaliza o que o Estado faz ao abrigo da Lei. A quota do Estado no grupo que controla o DN é ínfima e insuficiente para dirigir o grupo. Mas a protecção legal é claramente insuficiente para um caso destes. A teia de amizades e de interesses é demasiado complexa para se confinar às regras do jogo.

Mesmo com uma legislação mais restritiva, mesmo que o Estado não detivesse participação alguma nos grupos que controlam os títulos da Imprensa (o que seria difícil -- e não percebo porque razão, num sistema capitalista, não pode o Estado agir como qualquer outro agente e investir dinheiro em bons negócios... mas isso são contas de outro rosário), a influência da Administração Central na economia é tal que haverá sempre, por parte de empresas e empresários, um empenhamento (que pode descambar facilmente em sabujice) ao Poder político.

Não me lixem: nenhum empresário escapa a isso. O que há é alguns com poder suficiente para equilibrar um pouco a relação... Isto é, alguns são capazes de mandar umas bocas em público para pôr o Governo na linha. Mas são poucos e fazem-no muito poucas vezes.

Voltando à vaca morna: PT e Governo (este e os anteriores) dormem nos mesmos lençóis há anos. Pelo que não me espanta nem me ofende a nomeação de Lima. Não é só o sistema: é o país. É a pequenez do país. Queixas para a posta restante celestial, ao cuidado de D. Afonso Henriques.

Posted by pTd at 04:29 PM | Comments (3)

novembro 06, 2003

O máximo: blogar o parto com um portátil e Wifi!

O máximo... ou a paranóia elevada ao máximo? Bem. É indubitavelmente melhor que ficar a fumar cigarros na sala de espera. Mas eu não faria isso ao meu filho e à mãe dele.

http://www.matthewsturges.com/journal/journal.php?jtpl=ENTRY_COMMENT&jid=166

Posted by pTd at 01:10 AM

Escândalo!

É um escândalo! Estou indignado! Não percebo, juro! Os comentadores de bola passam a vida a queixar-se dos jogos sem golos e sem espectáculo, pois quando aparece um senhor jogão de futebol com golos à brava (11!!!!!! recorde na Champions League!), a grande maioria deles de grande estampa (só três nascem de erros defensivos evidentes), com futebol bem jogado, avançados inspirados de um lado e do outro, emoção, espectáculo - pois é precisamente quando classificam tal jogo de escândalo!

Francamente! Escândalo é termos comentadores desta qualidade!

Os dois comentadeiros da SportTV ao jogo Mónaco-Deportivo passaram a segunda parte a falar de escândalo e humilhação e afadigavam-se em descobrir nas estatísticas resultados similares! Só faltou falar dos 9-0 entre Portugal e Espanha de antes da II Guerra Mundial! Decerto se esqueceram!

Depois dele, também o pivot de serviço ao resumo da jornada europeia falou em escândalo! Isto é um escândalo! Então quando temos futebol maravilhoso é um escândalo?! Ó Quim, manda-me essa gente para o banho! Ou então enfia-os num curso de Português!

Que mau uso das palavras! Humilhação é uma equipa de futebol levar um banho de bola sem tugir nem mugir! Escândalo é uma equipa de futebol não reagir, não jogar, não levantar os braços e pernas ao trabalho! Eu não vi nada disso! Vi um Deportivo a mamar dois golos colossais e a reagir mal, é certo, enfiando outros dois de erros clamorosos, mas depois disso reagiu e recuperou de uma desvantagem de 4-0! Isso é ser humilhado?! Estar a levar 5-1 na pá ao intervalo e acabar o jogo a 8-3 -- desculpem, mas não é humilhação! Nem é escândalo! O Deportivo esteve uns furos abaixo do seu nível, que é estupendo, mas mesmo assim teve jogadores, como Diego Tristan, em bom nível! Mas não foi isso que realçaram os escandalosos comentadeiros!

Escândalo é duas equipas entreterem-se a brincar! Eu cá vi duas equipas a lutar por cada centímetro de relvado durante 90 minutos inteiros! Vi duas equipas a dar o litro! Vi um Mónaco endiabrado que, apesar de estar a vencer com uma margem super-confortável, nunca baixou o ritmo infernal de jogo! Isso patra mim, senhores, é ESPECTÁCULO! Nunca Escândalo! Para os comentadeiros da SportTV, porventura habituados ao faz-que-joga-mas-só-atrapalha das equipas tugas do meio da tabela para baixo, estes factos constituem escândalo!

Humilhação é, talvez, com muito boa vontade, o Benfica levar 1-2 no jogo inaugural do novo Estádio da Luz! E mesmo assim eu acho que não, pois a vitória foi conquistada e merecida pelo Beira Mar, pelo que não há lugar a descolorir o trabalho dos benfiquistas, que não estiveram no seu melhor mas dignificaram a camisola!

Escândalo é termos comentadeiros de bola com um baixo nível de cultura geral, incapazes de ajudar a viver intensamente um jogo atípico, decerto, mas nunca merecedor de tais epítetos! Humilhação é estar a ver o inacreditável, deliciado, e ter de gramar duas araras bacocas incapazes de soletar um adjectivo decente, que dignifique o trabalho dos 25 homens no relvado e o futebol em geral, humilhando com a sua escandalosa incapacidade o emblema da antena que lhes paga!

Estou escandalizado! O Mónaco espetou 8 a 3 ao Deportivo da Corunha, só o líder do campeonato espanhol até há dias atrás e actual segundo com menos um ponto, num belo jogo de futebol ao qual tive imenso gozo em assistir (lamentavelmente não o vi todo) e no fim dizem-me que estes 90 minutos de hino ao futebol foram... um escândalo???!!!!!

Recado: ó Quim, põe mas é o Carlos Barroca a comentar futebol! Ao menos esse quando abusa de adjectivos é para glorificar o espectáculo da NBA! Ou então ele que dê uns cursos de comentarismo a essas abéculas!

PS: para quem não é leitor do género, a pontuação deste texto é uma homenagem aos jornais desportivos, escritos e falados :)

Posted by pTd at 12:28 AM | Comments (12)

novembro 05, 2003

bye bye adipex

Chegou o MTBlacklist 1.6 e está de facto muito melhor. Tanto que a entrada abaixo desta perdeu parte da validade: já eliminei os comentários do spammer adipex. Toda a comunidade weblog.com.pt passou a dispor desta ferramenta. Espero que a possamos melhorar nos próximos dias.

Posted by pTd at 07:29 PM | Comments (4)

MTV vai combater iTunes com serviço de download de músicas

http://news.bbc.co.uk/1/hi/entertainment/3240971.stm

Posted by pTd at 05:56 PM

Fixem isto: Bluejacking - ou como chatear o próximo através de Bluetooth :)

É espantoso, o que eles se lembram! Andar pelo centro comercial de telemóvel em punho, com o Bluetooth a descobrir aparelhos abertos e... pimba, enviar-lhes uma mensagem! "Entrei no seu telemóvel e vou destruir-lhes os dados, ahahah! I OwN!" Ou mais amigavelmente, "Gosto desse corte de cabelo...".

http://www.bluejackq.com

Posted by pTd at 05:53 PM | Comments (2)

Mãe, sou importante!

Hoje é um dia histórico! Este blog foi pela primeira vez spamado, isto é, alvo de um ataque de spam. Corrijo o tempo verbal: não é "foi", é "está a ser", num padrão de cerca de dois comentários de meia em meia hora, sempre do mesmo IP. Vejam o efeito em http://pauloquerido.net/arquivo/000033.php, uma entrada de... 26 de Maio. Mas vejam depressa: aguardo ansiosamente que o Jay Allen ponha cá fora a versão 1.6 do MTBlacklist, prevista para hoje. Nessa altura testo-o como deve ser :) Não me apetece apagar à mão... e aproveito para verificar o plugin, pois a versão 1.5, que está cá instalada, é buggy.

Três provas de que o spam nos blogs ainda está experimental: os comentários do spammer são ilegíveis, o endereço IP é sempre o mesmo e o bot escolheu uma entrada antiga. É aproveitar agora para fazer já as ferramentas de prevenção e combate. Se esperamos que os políticos, advogados, deputados, legisladores actuem... acontece o mesmo que no e-mail, onde o combate está já perdido. Os spammers cagam positivamente nas carecas dos doutos parlamentares, europeus e estado-unidenses, cujos parecem gostar... Lá terão a$ $ua$ razõe$... O e-mail, o actual e-mail, está condenado a prazo. Aproveito para agrader o facto: obrigado a todos, legisladores, empresas de tecnologia e operadores de Internet.

Da minha parte, vou fazer o que puder para não deixar os blogs nas vossas inúteis mãozinhas.

Posted by pTd at 04:40 PM | Comments (6)

novembro 04, 2003

Ensaio sobre o Technorati (e o futuro)

Este é um ensaio a não perder por quem se interesse pelo futuro da informação, e sua relação com a blogosfera.

http://www.discover.com/issues/nov-03/departments/tech/

Posted by pTd at 03:22 PM

Adianta fechar os chats da MSN?

A Microsoft fechou salas de conversa do MSN. A medida é contestada porque não vem resolver nenhum problema.

A Microsoft anunciou o fecho das salas de conversa (chat-rooms) em 28 países, a maioria dos quais na Europa e nenhum nos Estados Unidos da América. A medida entrou em vigor no dia 14 de Outubro e deve-se a esta «verdade insofismável: os chats gratuitos e não-moderados não são seguros», disse o director-geral da MSN para a Europa, Geoff Sutton. Os foruns e chats tornaram-se um paraíso para os predadores sexuais e para o junk-mail, adianta a empresa. Ao mesmo tempo que anunciava estas boas intenções, a Microsoft explicava que nos EUA, Canadá e Japão vai introduzir o chat sem moderação apenas para os subscritores da MSN (o seu próprio fornecedor de acesso à Internet, que continua a dar prejuízo), entendendo que por deter registos dos subscritores estes serão mais cuidadosos.

msnchat.jpg

As medidas foram objecto de uma larga discussão com duas frentes definidas: a decisão da Microsoft em exclusivo e o debate geral sobre a segurança das salas de conversa. Quanto à primeira frente, apesar das intenções da Microsoft serem politicamente correctas e representarem um louvável esforço da companhia em distanciar-se da crescente má publicidade em torno dos chats trazida pela vaga de notícias sobre pedofilia com raízes na Internet, há quem cite a segunda medida para indicar, mais prosaicamente, que o verdadeiro objectivo é tirar lucro da apetência dos clientes pela conversa em tempo real.

Mas mesmo assim a medida não pode ser encarada apenas à luz do negócio. Efectivamente, as salas de conversação tornaram-se um cancro da Internet e um pesadelo para os pais e educadores em todo o Mundo e qualquer iniciativa que vise regular a actividade, mesmo que tenha segundas intenções, deve ser bem recebida. «O ritmo a que tem acontecido más situações a crianças por causa da Internet aumentou nos últimos 12 meses. Não podemos simplesmente ignorar o facto», referiu John Carr, consultor da National Children's Homes, organização de caridade infantil baseada no Reino Unido. «Espero que todos os outros operadores de chats do país reflictam sobre se devem continuar a sustentar esses serviços, ou como», adiantou à Imprensa.

Porém, para já a medida da Microsoft é curta e sobretudo simbólica, podendo render-lhe boa publicidade mas não resolvendo o problema de fundo. As suas salas de chat e o seu Instant Messaging são apenas duas gotas de água no mar imenso da comunicação em tempo real . e nem sequer são as gotas de água suja: muito, mas mesmo muito pior tanto no que toca à questão dos abusos sexuais como no problema das mensagens comerciais não solicitadas, são as diversa redes de IRC existentes em todo o globo, mantidas por empresas, operadores de acesso e universidades. Com mais de 25 milhões de utilizadores diários (mais que a soma das salas da MSN, AOL e Yahoo! para só mencionar os três maiores), o IRC é um mundo quase marginal, com as suas próprias regras, rapidamente apreendidas por um adolescente e dificilmente compreendidas por um pai.

Activistas da liberdade de expressão e até defensores dos direitos das crianças questionam se a medida não terá um efeito pernicioso, levando as crianças a procurar alternativas bem piores, a começar pelo IRC que - ao contrário da MSN, que até dispõe de algumas ferramentas de controlo de conteúdos mesmo nas salas sem moderação - é impossível de fiscalizar. «Os chats funcionam como os clubes juvenis dos anos 60», lembra Terry Dowty, consultora da Children's Rights Alliance for England. «Naturalmente as crianças querem interagir umas com as outras, procuram suporte, querem conversar. A história prova que fechar pontos de encontro apenas faz com que essas actividades passem a ser feitas noutra parte . o que é muito mais perigoso».

O governo de Sua Majestade tem um website informativo (www.thinkuknow.co.uk) com um guia para um uso seguro dos chats, medida bem mais eficaz e descomprometida que a atitude da Microsoft. Em Portugal não existe informação do género . o que deixa de lado milhares de crianças e educadores sem acesso à língua inglesa. Embora haja diversas redes de chat, a esmagadora maioria dos adolescentes e pré-adolescentes portugueses continua a usar o MSN e as salas brasileiras, englobadas na medida da Microsoft. Ou seja: do ponto de vista dos portugueses, as preocupações sobre o uso do messaging vão aumentar e não diminuir.

(Texto publicado originalmente no Expresso, revista Única, em 2003-10-04)

Posted by pTd at 03:09 PM | Comments (9)

Novidades por aqui

Hoje foi dia de retoques na pintura aqui do blogue. Uma nova categoria foi adicionada, que funciona quase como um blog dentro do blog: as Curtas, ali à direita. É uma simples categoria do blog mas não surge como tal, não aparecendo no Arquivo Temático. Cada título tem o link construído logo para a fonte externa e não para a entrada propriamente dita (que é porém acessível através da palavra arquivo. Enfim, truques do Movable Type :) com alguns hacks à mistura e um bocado de martelanço meu.

Também fiz umas alterações ao CSS, para exibir as hiperligações com mais ênfase -- mas apenas as hiperligações directas para fora, diferenciando-se agora das hiperligações ditas internas presentes nas colunas laterais. Enfim, navegabilidades e tal.

Para breve: colocar nas Curtas um indicador de comentários, quando os haja; e meter um blogroll decente, que estou a ficar farto da secção Eles Andem que não é nada fácil de editar. E tenho uma extensa lista para lá pôr, oh yes.

Posted by pTd at 04:25 AM

França declara Internet de utilidade pública!

Não, os franceses não se drogam! Querem é recuperar o atraso!

http://www.internet.gouv.fr/article.php3?id_article=1222

Posted by pTd at 04:09 AM

Blogs na sala de aula: sim!

http://www.purdueexponent.org/interface/bebop/showstory.php?date=2003/10/28§ion=features&storyid=Weblogstory

Posted by pTd at 04:02 AM

Sapo entra hoje nos blogs

O título e o lead foram todos para os blogs do Sapo (btw, só ficaram a funcionar já bem pertinho da meia noite, se não foi mesmo na terça-feira, o dia seguinte), mas o texto é todinho sobre o Encontro Informal de Blogs. Tem mais citações minhas do que... aquando da apresentação do Blogs.

http://jornal.publico.pt/2003/11/03/Computadores/TI01.html

Posted by pTd at 02:42 AM | Comments (1)