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dezembro 31, 2003

RSS com CSS: a traição da estética

Richard teve uma brilhante ideia: apaneleirar os feeds de XML com os CSS do HTML. O resultado é um feed mais bonito, sem dúvida. Mas as críticas são muitas. Desde logo porque... o sindication é precisamente o contrário, apresentar apenas os conteúdos e deixar ao cliente a possibilidade de o formatar ao seu gosto. Mais uma flame mundial em perspectiva.

http://www.crystalflame.net/2003/12/rss_with_css.html

Posted by pTd at 07:56 PM

Retro

O fim do ano é uma boa altura para mudanças. Vai daí perdi aqui duas noititas a esgalhar no CSS para dar ao blog este ar retro. Não se espantem as almas pois não é defeito: é feitio mesmo.

Boas Entradas.

Posted by pTd at 04:39 AM | Comments (12)

Um dia será maior que o pensamento...

Em preparação para um dia de Janeiro de 2004... Num blog perto de si.

Maior que o pensamento

Posted by pTd at 02:56 AM | Comments (1)

dezembro 22, 2003

O instrumentista não deveria ser emocional quando toca. Não há instrumento que aguente um dono inseguro.

Tudo aquilo que um músico disser à mesa, sem o ter mostrado por música, é muito provável que seja mentira. Há mais frases lindas. Há mais uma data de coisas boas no site do Júlio Pereira.

http://www.juliopereira.pt/

Posted by pTd at 12:21 AM

dezembro 21, 2003

Estarei a virar à direita ou JPP está a virar à esquerda?

Hoje calhou jantar mais cedo. Às 20:00 em ponto, entre uma perna de frango e as batatas fritas de pacote, pico os três telejornais. Dispenso-vos aos comentários lúcidos da Catarina sobre as razões de todos abrirem com notícias más. Fixei-me na SIC e na opinião semanal de José Pacheco Pereira, euro-deputado do PSD mais conhecido por aqui por ter um blog. Vou concordando com a cabeça e chego ao fim boquiaberto. Das duas, uma: ou eu estou a ficar um gajo de Direita, ou ele está a regressar à Esquerda.

JPP sobre o aborto: invoca como grande eufrásia uma de Júlio Machado Vaz que diz sinteticamente que os políticos que nos últimos 20 anos nada fizeram em prol da educação sexual nas escolas são mais responsáveis que todos nós, sociedade civil, pelos tristes números do aborto clandestino no País. Afirma que JMV tem TODA a razão. Mesmo falando contra ele próprio: recordemos que JPP foi deputado à AR e teve papel prepronderante nos dois governos do seu partido chefiados pelo meu conterrâneo Aníbal Cavaco Silva.

Reconheçamos portanto que JPP possui uma humildade, enquanto servidor da causa pública, rara de encontrar entre a sua classe. Mais que reconhecer é confirmar, aliás. Ele tem dado bastos sinais disso.

Concordei com ele.

JPP sobre a exploração de Marte: o futuro da Humanidade passa pela exploração dos outros planetas e Marte é o que mais se aproxima do ambiente da Terra (síntese de cabeça, ele disse isso com outras palavras). Já o sabia um "marciano" desde Agosto último, mas a sua noção da realidade da nossa espécie e dos desafios que tem pela frente espantou-me.

Estou em absoluto acordo com ele.

JPP a propósito da Justiça, tendo em conta o caso Casa Pia: as televisões prestam um mau serviço dando como notícia imagens sem qualquer conteúdo informativo.

Na mouche. O exemplo dado, uma perseguição de câmaras à celular que levava Jorge Ritto a boa velocidade pelas ruas de Lisboa, é a prova provada. Conteúdo informativo das imagens: zero absoluto. Efeito das imagens sobre a psique colectiva do povo: altamente tóxico, dada a carga emotiva que colocaram sobre uma não-notícia.

Concordo com JPP: os media em geral, mas a televisão por larga margem, têm uma responsabilidade tremenda pelo desdém que o povo nutre pela Justiça. O problema é que tal desdém nem se deve à Justiça ela própria (o processo Casa Pia segue os seus trâmites) mas ao relato exacerbado sobre cada vírgula, cada ponto, cada ausência, cada fase do processo, pela parte dos media.

JPP sobre a deontologia jornalística, a propósito da manchete do Expresso sobre o avanço de Cavaco às presidenciais: notícias destas, em que as fontes referidas são "um colaborador de longa data" e outras figuras de estilo semelhantes, são tentativas de criação de factos políticos (concordo) e não têm fundamento deontológico (discordo).

Se alguém quis mandar um recado, meu caro JPP, isso em política é notícia. Ao contrário de outros sectores onde a objectividade é enquadrável, na política não é: tudo depende da sensibilidade do jornalista, do seu envolvimento com as fontes, do poder argumentativo das fontes, da conjuntura, etc. Poderia discordar da síntaxe da notícia, eventualmente eu escreveria doutra forma, mas não discordo. O título é honesto. Se eu fosse director do Expresso, não hesitaria em torná-la manchete esta semana.

Como exemplarmente demonstrou ao longo de décadas Marcelo Rebelo de Sousa, em política o que parece notícia é notícia. A política vive dos factos políticos, muito mais que dos objectivos (conseguidos ou falhados) das políticas.

Pronto. Três concordâncias totais, uma semi-concordância com um dos políticos à Direita que eu respeito em Portugal (e são poucos). Dei por mim a pensar: será que estou a tornar-me de Direita?? Ou é JPP que está (pontualmente ou não) a aproximar-se do Centro-Esquerda ou até mesmo da Esquerda? Falar assim do aborto, da Justiça e dos media não é propriamente um hábito das gentes da Direita...

Posted by pTd at 09:04 PM | Comments (32)

dezembro 20, 2003

Caro NunoP

Tudo começou com uma resposta a uma opinião do leitor NunoP sobre o meu primeiro teste de conteúdo pago por micro-pagamento (aqui). Depois cresceu. Veio o exemplo da música/pirataria. Os novos mercados. O capitalismo. A força dos consumidores. Onde entram nisto os blogues. O puBlog (tá pago!) e o weblog.com.pt (o prejuízo vai em mais de 500 contos...). O Abrupto. A sindicância do Abrupto feita por mim (não tem nada que agradecer...). O Gildot, que pesa mais que o Público. O DN. Maus exemplos. Os media portugueses não têm futuro online. O grupo PT também tem um (só??) grave problema. E pronto, ficou um texto absolutamente surpreendente para mim. Um ensaio pessoal mais de perguntas e tendências do que de respostas ou de rigor.

Caro NunoP: talvez o tenha interpretado mal. Sorry. Aqui fica a minha resposta.

(Nota apócrifa: o texto cresceu imenso e tornou-se num ensaio pessoal onde remato à trave do teclado os devaneios da mente. Por isso o tirei da caixa de comentários e o publiquei no blog, para melhor voltar a ele).

As coisas estão a mudar. A lógica da borla, que tem presidido à Internet, não pode continuar mais tempo. Não estou com isto a defender os conteúdos e serviços pagos. Estou é atento :)

De um lado os consumidores passaram a ter um maior poder sobre o mercado. Inflingiram danos graves nalgumas indústrias (música sobretudo) e estão a remodelar inexoravelmente outras (media, entretenimento). Já provaram o seu ponto: estão melhor informados e pretendem novos modelos de consumo que não os sobrecarreguem com preços estupidamente altos que engordam meia dúzia de empresas e nem vão beneficiar os produtores de bens e serviços, nem se espelham em melhorias qualitativas desses mesmos bens e serviços.

Os consumidores querem um preço mais justo, mais perto do preço de produção. Sabem que a digitalização veio reduzir MUITO os custos e querem uma fatia da diferença: pagar menos, pagar com justeza.

Um exemplo: não há comparação entre o custo de produção de um album, hoje, com o mesmo custo há dez anos -- e no entanto os albuns não desceram de preço no consumidor. Os lucros aumentaram brutalmente. Mas nem sequer foram reinvestidos: a qualidade geral do sector é idêntica, talvez até inferior, ao que se passava há dez e há 20 anos. A indústria musical tornou-se numa teta incomensurável. Chegou a vez dos consumidores, que foram o leite e o sangue da teta, terem um papel mais activo no desenho da indústria. Para quê comprar um CD por 15 euros se só se aproveitam uma ou duas faixas? Porque não as posso puxar da Internet e gravar o CD com as músicas que eu QUERO?

Na ausência de respostas a estas perguntas -- que são as perguntas de QUEM CONSOME a música -- os fenómenos Kazaa e outras redes P2P floresceram. Ocuparam o terreno vazio. Ajudaram o consumidor a definir o que pretende. A pirataria é um facto -- mas a pirataria só tem a expressão que tem porque a indústria musical não soube ver a mudança no mercado, estampada à sua frente, não quis aceitar que era a vez dos consumidores, não soube ir ao encontro deles. Azar. Temos pena. Os senhores que se seguen, por favor -- é o que lhes diz o mercado. É o que eu lhes diria: a mim não me fidelizaram, não me acarinharam, não me seguiram, não me deram o que eu queria como eu queria quando eu queria. (Tudo coisas que os Kazaa-kazaa-likes souberam fazer e atrás deles vêm agora a Apple e, mais recentemente, a Wall Mart -- que vão empurrar a indústria musical para a frente MAS vão exigir a sua fatia, claro está).

Iso da música é apenas um exemplo, talvez o mais avançado nalguns capítulos. Os mercados estão a evoluir. Para onde? Não sou a pessoa mais indicada para detectar tais tendências porque me faltam bases de análise do capitalismo. Mas sei uma coisa sobre o capitalismo: tem uma incrível capacidade de adaptação aos novos desafios, pelo que imagino que será capaz de tragar o novo desafio do consumo, as novas lógicas dos mercados.

Eu sou micro. Acho que o modelo dos micro-pagamentos é adequado aos micro-publishers como eu. E uma boa dúzia de bloggers, já agora: de facto, pagava cêntimos para ler os meus favoritos. Não é só uma questão de não me importar de pagar: acho que é uma questão de justiça pagar. Eu QUERO continuar a poder lê-los. Quero que eles continuem com liberdade e motivação para escreverem e eu me deliciar com os seus textos. Pessoalmente, entre um modelo sustentado com publicidade intrusiva e agressiva colocada nas páginas dos meus autores favoritos, e um modelo directo em que eu lhes pago e dispenso o desperdício de banda que são os banners no meu caso, prefiro este último. Admito que haja mais gente como eu, mesmo que não seja a maioria (não é de certeza!). Mas decidi fazer a experiência. Que vai durar o tempo que tiver de durar.

Falava do valor da venda e do valor do custo dos meus textos. Pois bem: o primeiro dossier aproveita conteúdos já publicados, mas formata-os e reenquadra-os num dossier temático; custo directo? seis horas de trabalho a pensar, testar, investigar e reformatar. Os oitenta e qualquer coisa cêntimos não vão pagar essas horas -- nem o objectivo nesta altura é esse. Para chegar a um modelo em que isso esteja aperfeiçoado, é necessário primeiro fazer testes quer com os preços, quer com os produtos. Não vale a pena fazer amarelo se o público preferir azul. Portanto, não sei quando ou sequer SE produzirei conteúdos directamente para este canal de vendas... E em simultaneo testo outras formas de recompensa que não chocam com os meus princípios éticos, como será em breve o caso dos textads.

A propósito dos textads: o puBlog, serviço gratuito a que a comunidade está a aderir com entusiasmo, é um laboratório experimental para um eventual futuro sistema de publicidade comercial não-intrusiva no meu blog. Portanto, que fique claro que não sou propriamente um mecenas a oferecer bens à comunidade... Eles usam o sistema e tiram dele proveito, eu tiro dele proveito pois testo a eficácia técnica, emendo os defeitos (o primeiro: a rotina aleatória não é a mais conveniente, neste momento privilegia seis blogs... não digo quais, o meu não é um deles), vejo os padrões de utilização... E pronto, ficamos quites, eu e os bloggers que aderiram.

O mesmo não posso infelizmente dizer do weblog.com.pt. Aí espetei-me a 200 à hora... Tive imensos (imensos à minha pequena escala) prejuízos. Não sei se alguma vez os recuperarei. Do ponto de vista de aprendizagem, claro que tirei um curso! Mas não é suficiente para pagar os quase 500 contos que o weblog.com.pt já me custou SÓ EM BANDA... Por isso se compreende, espero, que eu tenha fechado o serviço a novos blogs. E que dê hoje ao projecto menos do meu tempo diário.

Voltando à vaca fria: neste momento a discussão é entre modelos. Provavelmente vão ambos co-existir, a publicidade (que está a deixar a televisão migrando para a Internet) e as subscrições, produtos on demand, micro-pagamentos. É aliás desejável, do ponto de vista capitalista, que coexistam: ao contrário do que pensa e não diz a nossa Direita de chinelo, os monopólios são nefastos para o capitalismo. Atrasam-no.

É também ponto mais ou menos assente que os media têm de reconverter os seus conteúdos/serviços para o novo meio. Que lhes faculta uma miríade de novas formas de facturar. O exemplo das Palavras Cruzadas do New York Times (se não estou em erro e não me apetece agora ir abrir um browser para confirmar) é paradigmático.

Os media portugueses estão absolutamente fora da carroça. Todos eles. Como são grandes e possuem grandes meios, é provável que consigam recuperar atrasos. Mas eu lastimo que estejam cegos nesta altura... Jornais como o Público e o Expresso NÃO APROVEITAM o espectacular apoio que têm na blogsfera, por exemplo. A edição online do Público é lida, linkada (para o boneco... às urtigas com os arquivos! um modelo absolutamente estúpido) e comentada com entusiasmo. Em vez de acarinhar esse entusiasmo já e aos poucos estudar como o fazer reverter em proveito próprio (não necessariamente dinheiro: pode ser fidelização, pode ser conteúdos adaptados e dirigidos, pode ser tanta coisa...), o que faz o Público? Nada. E por isso tem menos de metade da influência do Abrupto sobre a blogsfera (nacional e mundial). Mas não se julgue que considero o Abrupto um exemplo: não considero. Confesso que raramente o leio -- e quando o faço é por razões profissionais. E porquê? Por uma razão muito simples: o Abrupto não tem sindicância! E hoje 99% dos blogs que leio é através da sindicância.

Bem sei que a maioria ainda não usa ferramentas como o FeedDemon e outros leitores de sindicâncias. Mas é uma questão de tempo: a tendência da blogsfera é clara, no sentido de uma grande preponderância da sindicância. A tendência chegará a Portugal.

[Na realidade fui um pouco mais longe -- e isto sim, considero contributo meritório em prol da comunidade :) Está a rodar a sindicância do Abrupto no Jornal colectivo, que é feita por mim e não pelo owner do blog. Para já é apenas títulos, mas já permite irmos seguindo à distância o Abrupto, sem ter de lá ir. Um passo em frente. E tenciono, na medida do meu tempo, fazer outras sindicâncias forçadas. Já agora, é um serviço que presto comercialmente a quem necessitar, passe a publicidade :) ]

A sindicância é absolutamente indispensável para vingar no futuro quadro do espaço mediático, de lazer e informativo. Basta verificar em qualquer dos novos apontadores a disparidade entre o peso de um serviço informativo de nicho, como é o caso do Gildot , e o peso do Público. Ou da TSF. Ou do Expresso. Potencialmente, o blog da minha filha tem mais futuro que a edição online do jornal que me paga :( Claro que há mais factores além dos técnicos, e é por isso que este exemplo é um exagero. Mas vejam-no como uma caricatura, que acentua o calcanhar (de Aquiles) do... hum, do Diário de Notícias. E parto para outro pensamento: é inacreditável que o grupo que domina o futuro tecnológico, financeiro e de distribuição dos media portugueses seja incapaz de oferecer ao mercado esquemas inovadores de consumo de meios como o DN (cuja homepage é uma pesada bosta, imutável há anos, de acesso difícil e nada apetecível), a TSF ou a SIC...

Olhando para o novo mercado consumista com os olhos entaipados pela antiga lógica de distribuição de conteúdos e pela lógica do lucro no acesso (o core-business da PT É o mesmo de sempre, as linhas telefónicas e de cabo), o grupo é um rochedo imutável que arrasta consigo, para o fundo lamacento do futuro dos media, os títulos de que dispõe.

Qual é o problema da Portugal Telecom?

É ser vítima de si própria. Soube resguardar o seu império -- construído ao abrigo do Estado -- das tempestades da privatização. Soube manter na prática o seu monopólio. Estão de parabéns por isso os seus dirigentes e mentores. Mas sem concorrência não há estímulo e sem estímulo não há avanço. Sem modernização, não há presença no futuro. A PT está numa encruzilhada difícil. Não sei se eles têm noção disso ou não. O mamute não fala com as moscas. Esse é um problema mais do mamute que das moscas. Confortavelmente instalados na sua máquina de notas, dificilmente vêem o mercado na perspectiva dos seus clientes. A curto prazo podem encolher os ombros. A médio prazo... podem recuperar: têm uma capacidade técnica colossal e as âncoras de conteúdo. A longo prazo não lhes auguro nada de bom. Fora dos mercados digitais emergentes, surdos ao avanço inexorável do VoIP -- a que falta apenas a massa crítica para arrombar o castelo das telecomunicações mundiais!,e a massa crítica é apenas e só uma questão de tempo --, auto-afastada do mercado de banda internacional a preços módicos, a PT é vítima do seu gigantismo. Temos pena. Nenhuma.

Posted by pTd at 12:29 AM | Comments (13)

dezembro 19, 2003

férias?!?

Estou de férias? Não estou de férias? Bem: estou a menos de meio gás. E o tempinho online é mais para ler outros do que para escrever. Portanto (o vento lá fora) pouco terá de novo durante estes dias. Em Janeiro haverá surpresas. E mais prosa.

Posted by pTd at 10:51 PM

dezembro 17, 2003

Dona de casa texana enfrenta justiça por... ter vendido vibradores a chuis disfarçados!

Juro que é verdade! Pelo menos, o San Francisco Gate dá a notícia!

http://www.sfgate.com/cgi-bin/article.cgi?file=/c/a/2003/12/16/MNGEA3O52I1.DTL

Posted by pTd at 03:51 PM | Comments (1)

Cadê o blogspot?

Como vem sendo triste costume, não consigo aceder a NENHUM blog alojado pelo Blogger. Calculo que, se tivesse as inscrições abertas para o weblog.com.pt, hoje ia ser mais um daqueles dias... :) Bem, o blogs.sapo.pt hoje deve bater os recordes!

Posted by pTd at 03:44 PM | Comments (9)

Novos serviços de textads

Já está funcional, depois de duas semanas de testes, um novo serviço. É o puBlog. É independente da plataforma, funcionando em qualquer blog/página. No weblog.com.pt, no blogs.sapo.pt, no Typepad e até na ultrapassada plataforma do Blogger.

É um serviço gratuito de troca de pequenos anúncios entre os bloggers aderentes. É fácil de usar: basta inscrever uma nova campanha em puBlog, copiar o código mais adequado (há três modelos à escolha) e passá-lo para o nosso blog/página. E pronto, o nosso anúncio fica a rodar entre os blogs aderentes, e no nosso rodam os anúncios dos outros. Tenho um a rodar aqui no (o vento lá fora).

Decidi fazer isto quando o BlogSnob se foi abaixo. É o primeiro sistema de troca de textads português -- que eu saiba. É grátis. É simples. Espero que seja do agrado da comunidade.

O puBlog será sempre grátis e dirigido a anúncios pessoais. Está previsto um sistema-irmão, ainda em estudo, para pequenos textads comerciais, ou classificados, à semelhança do sistema que o Google já possui -- mas infelizmente não aceita páginas em Português. Mas será totalmente independente do puBlog, i.e., os textads classificados não entrarão na rede gratuita.

Posted by pTd at 01:01 AM | Comments (6)

dezembro 15, 2003

Dossier: a música online

2003 marca definitivamente a indústria musical. Os acontecimentos dão o tom para o futuro a médio prazo. A distribuição online passou de um fantasma temido, por causa da pirataria, a um must have. Há novos players em acção (Magnatune, novo Napster e sobretudo a Apple) cujos projectos vão condicionar as estratégias das majors da música. Já em Dezembro, o Canadá tornou-se no primeiro país com legislação aberta: o download de músicas de redes peer-to-peer (P2P) passou a ser legal no país.

Os cinco artigos reunidos neste dossier, publicados ao longo do ano no semanário Expresso, cobrem o essencial dos acontecimentos e ajudam-nos a entender o que aconteceu e o que aí vem. O último deles é publicado em primeira mão, antecipando a sua publicação em papel.

Kazaa: o segundo erro da indústria musical
Acabar com as redes P2P de pirataria é impossível. Provavelmente é também um monumental erro.

A segunda vida do Napster
O "avô" da pirataria musical está a banhos mas promete voltar no final do ano. Desta vez legalizado.

A alternativa à pirataria musical
Chama-se Magnatune, usa as "tecnologias do mal" mas dá 50 por cento aos autores. A indústria musical está mesmo a mudar.

iTunes, o sucesso
A loja online da Apple abriu as portas aos computadores Windows. A enchente não pára.

Canadá legaliza download de música
Puxar músicas do Kazaa passou a ser legal no Canadá. Um avanço sensato, embora não definitivo para resolver os problemas da indústria musical.

Nota: este é o primeiro conteúdo Premium. Os conteúdos Premium não são tornados públicos estando o acesso condicionado a micropagamentos (quantias pequenas). Neste caso trata-se de um dossier em formato .pdf que o comprador poderá baixar para o seu PC para leitura e impressão por apenas 82 cêntimos. Outros conteúdos serão acessíveis mediante assinatura.

Os conteúdos Premium não estão abrangidos pela minha licença Creative Commons, mas sim pela legislação de copyright em vigor, NÃO PODENDO SER DISTRIBUÍDOS EM FORMATO ALGUM.

(preço: 1 USD ou 0,82 EUR)

Posted by pTd at 11:17 PM | Comments (8)

O Meu Pipi das Gajas: fundamental!

Descoberta tardia -- mas já recuperei o tempo perdido lendo o blog por inteiro -- e rindo alarvemente o tempo todo. A entrada sobre o Economode é um clássico. Pipi: diz à tua editora que está aqui outro best-seller em potência!

http://www.tasqueira.blogspot.com/

Posted by pTd at 12:19 AM | Comments (6)

dezembro 14, 2003

O homem é mais parvo do que eu pensava

Deixou-se capturar vivo. Qualquer ditador que se preze morre pelas suas convicções. Conquista o seu lugar na História. Morre em nome daquilo em que acreditou e se bateu em vida. Morre em nome do seu povo. É a última coisa que faz por ele -- e portanto fá-lo.

Deixou-se capturar vivo. Com isso provou que era um fantoche. Que não era um líder de um povo. Deitou por terra os ânimos de todos quantos, pelo mundo fora, defenderam o seu regime sanguinário fosse por convicção, por puro mercenarismo (vários Estados, entre os quais o português, cabem ou couberam nesta classificação), por dar jeito na luta mundial contra o belicismo arrogante e politicamente correcto dos EUA de Bush filho.

Saddam Hussein é afinal apenas mais um troglodita poderoso, agora ex-poderoso. Não esteve à altura do que propalou décadas a fio. No derradeiro momento foi um cobarde. Provavelmente foi um cobarde o tempo todo. Agora, a triunfante coligação em particular e a hipocrisia da opinião pública mundial em geral vão proporcionar-lhe um julgamento. Tem direito a defesa, como qualquer pessoa -- é o argumento.

Balelas. Um tiro nos cornos era mais digno. Era um ponto final na História de Saddan Hussein, um ponto final à sua altura. O dito cujo julgamento será apenas mais um exercício fútil demonstrativo da supremacia da nossa civilização. A civilização que criou Saddam, armou Saddam e manipulou Saddam enquanto pode. Que com Saddam ganhou enquanto o criou, ganhou enquanto o armou, ganhou enquanto o manipulou no tabuleiro de xadrez do Médio Oriente e ganha agora com o espectáculo do seu "julgamento". Só faltam os vendedores de t-shirts e canecas que, estou certo, não demorarão muito a entrar em campo, à porta do tribunal.

Eu chamo a isto uma indecência. Mas eu sou apenas uma voz não-autorizada. Ou, como dizíamos ontem no Marginália eu, o Jorge e a Paula, um blogger sem importância (os importantes são os da umbigosfera). Mas lá por isso não deixo de ter a minha opinião e de a publicar.

Posted by pTd at 10:44 PM | Comments (16)

Talvez elejamos o blog português do ano...

As reacções públicas à sugestão de escolher, por votação, os blogs portugueses de 2003 -- o ano que marca a diáspora da blogosfera -- foram maioritamente no sentido do vamos (ler aqui a sugestão e as opiniões dos leitores, com 92 entradas e 6 trackbacks, um recorde absoluto neste blog).

Fiquei com vontade de o fazer. Talvez o melhor timing fosse o sugerido (completar o processo até 31 de Dezembro). Porém, confesso a minha indisponibilidade para meter dedos a um projecto dessa dimensão nas últimas e nas próximas semanas :(

Pela minha parte, congelo o projecto até Janeiro. Mas isto não impede outras pessoas/organizações de, querendo, avançar mais cedo. Terão o meu caloroso apoio. Ao contrário do que dizem por aí almas excessivamente caridosas para com a minha pessoa, não sou o dono da blogosfera, não mando na blogsfera, não mando a blogsfera para lado nenhum e não possuo qualquer instinto comandatório, nem por herança terrena ou divina, nem adquirido. Tenho um humilde blog onde exponho as minhas ideias, a maior parte delas estapafúrdias concerteza. São apenas minhas. Mas obrigado na mesma a essas almas caridosas. Ainda que duvidoso e resultado de maus instintos, inveja e dôr de corno, um elogio é um elogio e tomo nota deles ;)

Adianto o seguinte. Já depois de lançada e discutida a ideia, nas minhas voltas pela blogosphere tomei nota de diversos projectos semelhantes. Um pouco por todo o mundo fazem-se escolhas e votações dos melhores/piores blogs, com diversos modelos. Isso reforçou a minha convicção de que uma escolha dentro dos blogs escritos por portugueses era uma forma de cimentar a blogosfera e as relações entre os seus membros, contribuindo para o seu crescimento, maturidade e quiçá respeitabilidade.

Voltamos ao assunto em Janeiro, caríssimos leitores?

Posted by pTd at 03:59 AM | Comments (6)

Temos de viver com a Justiça que temos

Por achar pertinente, puxo para o corpo do blog os comentários aqui colocados a propósito da entrada Questão de confiança.

Aproveito para uma adenda a esse texto, com uma oferta de alojamento a Ana Domingues Alves Ferreira, que segundo diz foi forçada a mudar o alojamento para os EUA. Oferta essa sujeita apenas a uma conversa prévia com ela e o seu advogado, para me inteirar melhor do processo. Nem todos os alojadores tremem de medo com ameaças. De advogados ou de empresas da dimensão mundial, como é o caso da Mercedes Benz. E já agora diga-nos quem foi o alojador que se baldou. Dá jeito sabermos em quem podemos confiar.

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«As coisas só poderão mudar quando o mercado obrigar as empresas e serviços (incluindo os do Estado) a recolher e a publicar o índice de satisfação do cliente.
Alguma já o fazem (mas não o publicam) e, o que é pior, têm só a intenção de "ver" melhor o mercado para efeitos de marketing.
»
Afixado por Nilson em dezembro 12, 2003 11:35 AM

«Para a proxima, a gaja so' tem e' que comprar um carro de jeito. Mercedes, e ainda por cima descapotavel... pfff!»
Afixado por Nuno em dezembro 13, 2003 09:09 PM

«pois... mas eu trabalho numa financeira, que ainda por cima tem relações com a C. Santos... e a informação que me chegou é que lhe moveram uma acção por difamação... o que é chato...
Eu acho que a senhora foi uma "berdadeira mulher do Norte Carago"... e gostei... fartamo-nos de rir lá no banco...
é nestas alturas que eu pergunto? onde andam os velhinhos UMM de fabrico portuga???

Afixado por D Quixote em dezembro 14, 2003 01:40 AM

Caro D Quixote: se a história que a senhora conta é verdadeira -- e eu acredito que é -- essa acção é apenas um próforma da empresa para salvar a cara. Perdem-na de certeza, o asssunto é esquecido, não vai mais longe, assusta a senhora, dá trabalho a toda a gente -- enfim, é para isso que as grandes empresas pagam fortunas a advogados, para enrolarem as queixas até toda a gente ficar farta do parlapié jurídico e dos anos que os processos levam e esquecerem.

É um truque sujo e que pessoas como eu não perdoam. Mas é um truque legal.

O material exposto no site não chega para nenhum juiz, mesmo um juiz "amigo", inventar uma difamação. Ou a acção terá outros fundamentos que não o site (eu não conheço nem a senhora, nem nenhum outro pormenor do assunto).

Mas ao mencionar o caso o meu ponto não era esse: era a atitude de denunciar publicamente a situação. Se há um poder que a Internet nos dá, como é o caso de elogiar ou denunciar o comportamento de empresas (dentro dos limites da civilidade de preferência, como até foi o caso), devemos usá-lo para o bem colectivo. Por considerar o caso um bom exemplo, decidi dar-lhe um empurrão também no meu blog, com um link.

Se o exemplo pegasse tenho a certeza que a relação entre empresas e seus clientes melhorava com o tempo.

Quanto as aspectos legais do caso, ele foi exposto à Deco (segundo a queixosa, eu não confirmei por achar desnecessário) e pese embora as minha reticências a vários aspectos relacionados com o funcionamento da Deco considero-a idónea na matéria.

Pessoalmente, do que li no site, fiquei convencido que a) eles andaram a gozar com a senhora, b) ninguém gosta de assumir um erro, um defeito, c) deviam ter-lhe dado uma viatura nova e assunto encerrado, só ganhavam com isso. A boa imagem demora a construir e constrói-se assim, assumindo os contratos e resolvendo os problemas dos clientes. Mas a boa imagem destrói-se num ápice.

Cada um julgará como entender. Eu lhe garanto: se/quando quiser comprar um automóvel, naquele revendedor garanto que não será. Não gostei do que li.

Caro Nilson: dou-lhe toda a razão. Mas acho que antes terem em atenção as queixas para pelo menos melhorarem o marketing (é outro truque, mas não é tão grave) do que as enfiarem no caixote do lixo - que é o que a esmagadora maioria faz.

Caro Nuno: o Mercedes é um carro de jeito. Não os aprecio particularmente, mas isso é uma questão de gosto pessoal, estético. Agora que são bons, são. A grande maioria dos seus modelos segue padrões de gosto burguês longes dos meus, incluindo o descapotável que fala (e um familiar meu tem um). Mas há uma série recente (agora escapa-me o modelo) que já tem um ar menos de construtor civil, mais familiar, decente. Quase bonito, mesmo. Se alguma vez na vida tivesse dinheiro para uma viatura destas gamas, a minha escolha NUNCA seria Mercedes, é um facto. Mas que são bons carros, são.
Afixado por Paulo em dezembro 14, 2003 03:30 AM

Ainda o truque de arrastar as coisas nos tribunais. O caso Casa Pia segue o mesmo modelo. Até ao Verão acreditei que íamos finalmente ter uma revolução no status quo português, neste nosso sistema de castas um pouco diferente do indiano, mas não tão diferente quanto parece (basicamente é uma questão de semântica). Mas veio Setembro e... para abreviar, tenho hoje sérias dúvidas que alguma vez se faça Justiça. Oxalá me engane.
Afixado por Paulo em dezembro 14, 2003 03:35 AM

Posted by pTd at 03:42 AM | Comments (1)

A piada da vida

«A piada da vida tá em vocês levarem sempre porrada»

(P. no Marginália, na pós-apresentação do livro Blogs. A conversa era sobre homens-mulheres. P. é uma mulher)

Posted by pTd at 01:18 AM | Comments (5)

dezembro 12, 2003

Tokyo mac fever

Espero tornar-me no feliz proprietário de um Mac no início de 2004 e tremo de nervoso miudinho com a expectativa, confesso. Mas garanto que, embora impressionado com o geekism japonês, não me apanham numa maluquice como foi a abertura da primeira Loja Apple no Japão. Vejam o filme até ao final.
(via vonfreud e joi ito)

Posted by pTd at 03:25 PM | Comments (4)

dezembro 11, 2003

Questão de confiança

«Se nem numa marca como a Mercedes-Benz podemos confiar, em quem é que nós podemos confiar?». Eu não sei, cara Ana Alves. Certamente que não nas empresas -- e quanto maiores são, mais longínquas estão dos seus clientes. Ou como diria um nosso ex-ministro, estão-se a cagar.

Dizem que há por aí um sistema judicial. Fez bem em expôr o caso à Deco. Fez melhor ainda em divulgar a ocorrência (recomendo aos leitores que leiam o caso), recorrendo à web. Isto é uma teia. Que também tem os seus defeitos, como reparou no forum da Autohoje. Mas ficámos mais esclarecidos sobre os serviços de pós-venda de stands como o mencionado.

Posted by pTd at 04:14 PM | Comments (8)

Star Wars Episódio 3: os fans andam a passar-se

Teorias e especulação. Star Wars Episódio III: a vingança do Sith (título dado como provável). Tudo, mas mesmo tudo o que é rumor, confirmado ou não, está neste impressionante artigo.

http://phatooine.net/forums/viewtopic.php?t=1685

Posted by pTd at 12:57 PM

Mulheres bonitas levam homem a agir irracionamente, prova estudo canadiano. Era mesmo preciso?

Investigadores no Canadá provaram o que há muito se suspeitava: mostrando fotos eróticas a gajos e gajas, os gajos mostraram-se junkies em fase terminal à espera da overdose final, enquanto prás gajas a cena era tinto. Mas não sabíamos já todos disto? Ou é só porque o empirismo precisa de ser científicamente comprovado?

http://www.newscientist.com/news/news.jsp?id=ns99994469

Posted by pTd at 12:40 PM

dezembro 10, 2003

Mais Blogs, agora em Portimão

Dia 13, próximo Sábado, a partir das 18:30, será feito o lançamento algarvio do Blogs, livro escrito por mim e pelo Luis Ene (ou vice-versa). ESTÃO TODOS CONVIDADOS para a sessão no bar Marginália, Rua Arco Maravilhas (lindo nome!), n.º 35 (no centro da cidade). Copos, livros e cavaqueira entre gente interessada nos blogues -- que mais pode uma pessoa desejar para um final de tarde de sábado?

Posted by pTd at 06:04 PM | Comments (4)

dezembro 09, 2003

Da Rússia, com desencanto

Lá está a minha preguiça (desleixo?) em acção. Tudo o que eu poderia, se me desse ao trabalho, opinar sobre as eleições na Rússia está resumido numa entrada demolidora de Daniel Oliveira no Barnabé. Ei-la: «O partido mais votado, usa o Estado para manipular a democracia. Os dois seguintes, por sua vontade, acabavam já hoje com a democracia.». Raramente tão poucas palavras dizem tanto.

Posted by pTd at 04:59 PM | Comments (6)

Colunas

«colunista económico. Desde que L. Ferraz de Carvalho morreu que não há nenhum de jeito.» (in Guerra e Pas -- com sorte o hiperlink funciona).

Ia refutar a teoria de imediato, pois lembro-me vagamente de um colunista decente que passou de O Jornal para a Visão, quando me confrontei com isto: será que ele ainda lá escreve? Será que ainda escreve? Se eu não me lembro do nome, terá de facto importância? (Sei que ainda há Visão porque a em anúncios no Kazaa).

Seja como for: Leonardo Ferraz de Carvalho valia a pena e tenho saudades das suas crónicas.

(Ainda sobre colunistas: ontem calhou ver, nos meus cada vez menos frequentes zappings televisivos, a série O sexo e a cidade. Descobri que as crónicas de Margarida Rebelo Pinto na Maxmen não são dela, ou se são pior ainda: não passam de cópias requentadas e adaptadas ao Português dos argumentos da série. Retiro portanto as minhas poucas palavras elogiosas para com MRP, que tinham exclusivamente a ver com essa crónica. E vou começar a passar as respectivas páginas.)

Posted by pTd at 04:14 PM | Comments (1)

dezembro 05, 2003

um maravilhoso e único parágrafo

tão decidido estava, que puxou do brio, do engenho e toda a sua determinação, e escreveu um enorme romance com mais de quinhentas páginas, mais exactamente quinhentas e cinquenta, e um maravilhoso e único parágrafo. (Obrigado Luís)

http://1000euma.blogspot.com/2003_12_01_1000euma_archive.html#107057314783249617

Posted by pTd at 11:56 AM

O céu (act.)

As carrinhas cinzentas da Gulbenkian. Quem se lembra? Quantas gerações poderão partilhar as memórias destas três pessoas, evocadas a propósito de livros e leituras nos tempos que correm?

citro-gulb.jpg

A transcrição que se segue é de um chat entre três pessoas de três idades bem distintas, uma noite destas. Optei por transcrever praticamente as is, sem corrigir o Português para manter a pureza (?) da instantaneidade do meio, omitindo apenas referências pessoais e nicks: é uma conversa anónima, é uma conversa qualquer, que quaisquer outras três pessoas poderiam ter tido. Ou não. Eu comovi-me.

p diz: V, isso é a maioria. mas a maioria sempre foi assim. antigamente nem sabia ler!
p diz: A, tás a ser derrotista - o que me provoca o contrário, querer pôr o optimismo na conversa
V diz: E agora têm a tv 24 h/dia, mais os jogos de computador, mais o chat... não sobra tempo para ler!
V diz: Kais optimismo?...
p diz: hum... os índices de consumo de TV tão a diminuir bués no mundo ocidental. a maltosa 14/26 prefere a net.
V diz: Onde é ká disso?
p diz: V: vai à FNAC!
V diz: Pudera, tirando os filmes e noticiários o resto é uma seca!
p diz: vê os adolescentes nos bancos a ler!
A diz: a cultura é + do que dizem os livros. Eu sou capaz de fingir que li um livro e ninguém percebe k eu não li
p diz: uma parte tá agarrada a coisas básicas, mas alguns tão agarrados a coisas boas!
A diz: nem sei do k estou a falar. alimento uma conversa
V diz: Mesmo na Fnac, não sei - folhear é uma coisa, comprar é outra, e ler são outros quinhentos!
p diz: sim, marcas ponto. mas há dez anos nem havia FNAC...
p diz: as livrarias eram poucas e uns monos.
V diz: Eu fiz isso do fingir num exame de Literatura francesa - e passei!
A diz: mas AQUI não há fnac de livros
p diz: hoje vendem-se mais livros. proporcionalmente, aumentou o lixo, CLARO. mas tb aumentou a venda dos clássicos.
V diz: O Silva era um mono?....
p diz: eu sei, A... é um dos grandes desgostos da C, não ter Fnac-livros aí em baixo...
p diz: o Silva era um mono! gaita!
A diz: Compram-se nos hipers, como a manteiga. Só há pingo doce. k remédio
V diz: É preciso encher a estante da sala - para mostrar às visitas, como as luzinhas de Natal!
p diz: eu até tinha medo de lá entrar!
V diz: O Silva, na época, era o melhor - o que tinha mais livros!
p diz: V: um puto tem estantes sem nada. qdo nao tem nada que fazer, coitado... o vizinho dele, o pai decorou a estante; qdo não tem nada que fazer, pode ser que pegue num livro!
A diz: eu ia à biblioteca da Gulbenkian. Era o céu
p diz: eheh, pois era.
p diz: ainda me lembro da carrinha a estacionar no jardim
p diz: a carrinha cinzenta.
A diz: TU!
V diz: Ganda itinerante!
p diz: máximo 5 livros por semana
A diz: ainda?
p diz: eu era especial: levava sempre seis.
p diz: ainda
V diz: Foi o meu Eldorado!
A diz: tb meu
p diz: tinha os meus... hum... 12, 14 qdo abriu finalmente a biblioteca. que coisa aquilo era!
V diz: A mim, só me deixavam cinco! Ao domingo à noite tava tudo papado!
A diz: tinha k esconder da Mãe
p diz: eheheh! exacto, passavamos metade da semana à espera da carrinha!
p diz: sim... a Mãe não percebia porque raio haviamos de ler livros que não eram de escola...
V diz: Levei muita coça por causa do Senhor Gulbenkian!
A diz: pois era. A Gulbenkian era o máximo
V diz: Abençoado seja!
V diz: Sabiam que pelo menos no concelho do Seixal há 2 anos ainda havia carrinhas?
A diz: e eu? escondia os livros dentro da gaveta da mesa de cabeceira, e lia na gaveta
p diz: Sim. fez merda da grossa em vivo, redimiu-se depois de morto.
p diz: eu enfiava-me debaixo dos cobertores com uma lanterna!
V diz: ... e debaixo das mantas... e na casa de banho, sentada na sanita até gelar o cagueiro?
p diz: V, acho que ainda há munto sitio deste pais onde vai a carrinha.
p diz: era fixe, fotografar uma
A diz: ainda há creio, em mto sítio. E deve haver miudos como eu e vocês, ansiosos. É de todos os tempos
p diz: exacto! é de todos os tempos!
V diz: É capaz! abençoados cinco por cento!

citro-gulb.jpg

(UPDATE: consegui googlar esta imagem e o website de onde ela veio. Uma raridade. Se alguem tiver mais dados, como uma foto de uma carrinha Gulbenkian, pliiiize reporte!)

Posted by pTd at 01:20 AM | Comments (19)

dezembro 04, 2003

escatologia

No início até parece que tinham piada. Bastava a evocação dos velhos marretas lá de cima do balcão a mandar bocas para nos despertar simpatia pelos moços. Mas a evocação só por si não é capaz de nos fazer voltar a um blog. Quando hoje lá voltei confirmei as piores suspeitas. A marretada é foleira, gratuita e arrogante. Incita e insulta e depois diz que a culpa é do insultado. «Esta merda é um blogue», dizem eles. Não podia estar mais de acordo: aquele blog é uma merda.

Posted by pTd at 08:54 PM | Comments (6)

Pérolas a porcos

Durante o orgasmo, chegamos quase a ter (não vale a pena negar) sentimentos. Pela gaja ou pela mão, não interessa. - São pérolas como esta que me fazem voltar ciclicamente a O Meu Pipi.

http://omeupipi.blogspot.com/

Posted by pTd at 04:46 PM

Humilhadas/os (act)

Tudo o que eu penso que há a dizer sobre o aborto está expresso por Vanda Duarte em comentário ao texto só indignação, de Daniel Oliveira, no Barnabé. O resto é pura demagogia. Ou futilidade.

Actualização: outra acha para a fogueira vem do intro.vertido.

Posted by pTd at 04:31 PM | Comments (2)

11 famosos minutos

Delírio: E depois meus amigos: 11 minutos nada tem a ver com o tempo médio de uma relação sexual. 11 minutos é o tempo que, por caridade ou desfastio, conseguimos dedicar a um livro de Paulo Coelho. Pedro Lomba dixit, vão ler que é de arrebimbómalho.

http://florobsessao.blogspot.com/2003_12_01_florobsessao_archive.html#107038909904272276

Posted by pTd at 02:55 PM | Comments (1)

Portugal ficava a ganhar

Eis as notícias do dia. O Governo não foi capaz de gastar 600 milhões de euros de fundos comunitários dos últimos três anos na formação dos trabalhadores portugueses. Sector mais afectado: a função pública.

Apesar de a lei proibir terminantemente excepções do género este ano, pois todos temos de apertar o cinto, Alberto João Jardim foi autorizado a gastar mais 35 milhões de euros pela minha vizinha ministra, prosseguindo a sua política de sacar ao continente os fundos previstos, e mesmo os imprevistos, para melhorar a qualidade de vida na Madeira.

Eis as conclusões do dia. Os doutores Jardim e Barroso trocavam de lugar durante dois anos. A notória incapacidade do segundo para gastar o dinheiro dos outros em proveito próprio aliviaria durante esse período o continente de décadas de pedinchiche da Madeira. As confirmadas -- por muitos anos e governos multicor -- competências do primeiro em gastar o dinheiro dos outros dariam aos portugueses dois anos para aprenderem a ser melhores naquilo que fazem, com os evidentes benefícios para o País. Portugal ficava a ganhar com a troca. Sugiro apenas que seja temporária sem apelo nem agravo.

Os trabalhadores portugueses são os que menos horas de formação têm por ano. Os seus patrões e dirigentes políticos dizem mal deles mas hoje percebeu-se que é só fachada: na realidade acham-nos tão competentes tão competentes que se estão cagando (a expressão não é minha) nos subsídios europeus destinados à formação. Não há fundos estruturais para a formação de dirigentes. Se houvesse, tínhamos mais Ferraris nas estradas nacionais. Quem telefona para Bruxelas?

Posted by pTd at 02:38 PM | Comments (1)

dezembro 03, 2003

Mamã, sou um nerd!

Chamem-me ás digital, please! Acabo de pontuar 182 neste teste de inteligência digital. Sou um nerd! Um geek! Já tenho diploma e tudo! :P (via Impressões digitais, http://mvitorino.blogspot.com)

http://www.msnbc.com/news/987180.asp#survey

Posted by pTd at 05:58 PM | Comments (2)

Microsoft: the blogosphere domination just began!

Caladinhos que nem ratos, acabam de lançar o seu serviço de blogs, TheSpoke. Para já, disfarçado de comunidade de programadores juniores e tal. Mas não tenham ilusões: é um canhão para a Grande Guerra de 2004 entre Google e Microsoft. Está em causa o domínio do mundo - acham eles, coitados. E o prémio Mongolóide de Ouro vai ex-aequo para!...

http://www.techworld.com/news/index.cfm?fuseaction=displaynews&NewsID=725

Posted by pTd at 05:48 PM

Como blogar no escritório e não ser despedido

Ensinamentos da rapaziada do Blogger. Thanks, folks!

http://help.blogger.com/bin/answer.py?answer=661&topic=-1

Posted by pTd at 05:26 PM | Comments (1)

Polígamo americano quer legalizar bigamia com base na decisão do Supremo Tribunal sobre sexo gay

O advogado de um homem do Utah que tem cinco esposas invocou a decisão do Supremo Tribunal dos EUA que descriminaliza o sexo entre homossexuais para desarmar as acusações sobre o seu cliente. Vai ser giro este processo...

http://worldnetdaily.com/news/article.asp?ARTICLE_ID=35929

Posted by pTd at 05:16 PM

PC "normal" descobre maior número primo de sempre

Tem mais de 6,3 milhões de dígitos. O maior número número primo que o Homem até hoje descobriu saiu de um Dell com Pentium a 2 GHz, integrado num projecto de computação distribuída, o GIMPS.

http://zdnet.com.com/2100-1103_2-5112827.html

Posted by pTd at 05:01 PM

dezembro 02, 2003

Blogshares encerrou :(

O fantasioso jogo de bolsa dos weblogs encerrou. É provavelmente a maior perda de sempre para a blogosphere. Espero que não seja a primeira de muitas. Mas fica o aviso cada vez mais premente: acabaram os pequenos almoços de borla na Internet. Não há cu que aguente.

http://www.blogshares.com

Posted by pTd at 08:20 PM

Histórias edificantes

1. Era uma vez uma pessoa que tinha ouvido falar em blogs e quis fazer um. Leu num jornal que havia um livro sobre blogs e achou que podia comprá-lo. Era capaz de ajudar. Entrou numa livraria e pediu humildemente: «olhe, desculpe, eu soube que há um livro sobre blogs e queria saber se o tem». O funcionário respondeu triunfalmente: «Claro que sim!».

Com a pessoa pela trela, dirigiu os passos largos para um mostruário de onde retirou, de uma pilha, um livro de capa amarela intitulado O Meu Pipi. «É este!». A pessoa abriu, folheou, pousou o livro e voltou ao balcão para onde o empregado se retirara de imediato: «olhe, desculpe mas não é aquele. Aquele é um livro de um blog. O que eu li foi sobre um livro sobre blogs...».

O empregado, furioso pela sua autoridade ser colocada em causa por um insecto, trovejou: «Aquele é o único livro sobre blogs que existe! É um best-seller! Toda a gente o leva! Você está a querer embirrar comigo? Por quem se toma? Por mais esperto que os outros, não?!?»

A pessoa saiu da livraria, visivelmente mal disposta. Apanhou o Metro e foi para outra livraria, mais pequena, onde -- calculou -- seriam menos arrogantes.

A cena repetiu-se, com a nuance de ter sido melhor tratado. Mas o cerne da questão manteve-se: sem que ele soubesse, estava a pedir o Blogs e a ser-lhe impingido O Meu Pipi. Não que seja uma questão de gato por lebre, longe disso. Os dois livros têm algo em comum: a blogosfera. Um resulta dela, o outro fala sobre ela. Os autores até se conhecem e respeitam mutuamente e se há coisa que ambos desejam é o sucesso um do outro (parabéns, Pipi, pela terceira edição! As comissões de 15.000 exemplares, pá, isso é munta camisa de vénus! Um décimo das vendas, uáu! Parafraseando o nosso cineasta português favorito, «vê lá, não o gastes todo em putas!»). É uma questão de... ora, nem eu sei. Mas gostava.

2. Com dois livros relacionados com o mesmo tema, era de esperar que os livreiros tivessem alguma sensibilidade de os colocar lado a lado, já não se pede nas montras (oh, isso das montras das livrarias... isso é tema para um livro!), mas pelo menos nalguma zona, mínimo dos mínimos para quem, como eu, perde horas a deleitar-se pelas estantes. Certo? Errado. Não me perguntem qual é a lógica dos livreiros. Escapa-se-me há longos anos. Desde que vi o meu Homo Conexus em três livrarias diferentes em secções que iam dos "Autores Portugueses" à "Secção Infantil", percebi que seja qual for a lógica, ela não é acessível ao comum dos mortais.

3. Soube por portas travessas que alguns livreiros, confrontados com o assunto, dizem que o Blogs é um livro técnico enquanto O Meu Pipi... enfim, versa outras técnicas. Não os juntam, ponto final parágrafo. Já ouvi desculpas menos esfarrapadas.

4. Já fui muita coisa na vida e em praticamente todas as profissões que tive havia uma regra: se se pudesse vender mais um produto a reboque de outro, desde que não colidissem na origem ou no destino, pimba, não havia que hesitar. Nunca fui livreiro. Os livreiros não são comerciantes como os outros. Devem ter algum tipo de deontologia, sei lá, que os proíbe de tentar vender mais livros.

5. Leio as doutas opiniões sobre o panorama editorial em blogs como... ops desculpem, hoje o Blogger não consegue servir UM ÚNICO blog desde as 9 da manhã, mas referia-me a um dos Pedros, não consigo agora precisar se o Lomba se o Mexia, bem como a alguns que lhes responderam com não menos avalizadas opiniões de quem está por dentro do mercado editorial e percebo: caro Luís, estamos sem dúvida entre os pobres coitados que não sabem escrever e nem sequer mereciam ser dados à estampa, o Blogs é papel mal gasto. Estás completamente enganado, tu e o reles jornal onde leste isso, quando re-afirmas que a culpa é dos livreiros. A culpa é evidentemente dos autores, essas reles criaturas que não sabem alinhavar duas frases seguidas! Sobretudo os novos autores portugueses -- coisa que nenhum dos citados bloggers é, evidentemente porque sabem alinhavar duas frases seguidas. É nossa, Luís, a culpa da ileteracia portuguesa. Como te atreveste a dizer mal desses heróis, os únicos que, contra ventos e marés, combatem com políticas comerciais espantosas o atraso do povo menos leitor da Europa, os honrados e comendativos livreiros?

Posted by pTd at 03:36 PM | Comments (23)

Atrasada, como é costume...

Os infelizes proprietários de telefones com Windows podem finalmente blogar com eles... Viva a Microsoft, que anda sempre na crista da onda... Desta vez chegaram só um ano atrasados. Estão a melhorar, rapazes!

http://www.microsoft.com/windowsmobile/resources/communities/default.mspx

Posted by pTd at 02:38 AM

A Internet da Rainha Vitória

Se houvesse Internet há século e meio, seria assim :)

http://www.b3ta.com/challenge/victorian

Posted by pTd at 02:33 AM

dezembro 01, 2003

sobre o catolicismo

Caro Ivan: obrigado pela hiperligação para um autor realmente interessante, o que é um achado nos tempos que correm, falemos de catolicismo ou de políticas à Direita (não confundir com bons articulistas de Direita, que os há em bom número, um número sem rival na História que eu me lembre). Manuel é um contrasenso: um católico que coloca questões. Olhe, se obtiver respostas às suas pergfuntas simples, quase infantis, faça o favor de as partilhar: ando há 30 anos à espera delas. Um abraço.

Posted by pTd at 10:22 PM

Top 10 dos perigos de viver na blogosfera

Pensa que toda a gente se importa com as suas opiniões? Esqueça! Importam-se com as MINHAS (via Ponto Media)

http://www.blogherald.com/archives/000370.php

Posted by pTd at 08:39 PM | Comments (2)

Jornais de Esquerda

Em O meu tablóide imaginário os dez dedos do Barnabé que pertencem a Pedro Oliveira deram-nos um texto delirante. Atenção, delirante nos vários sentidos da palavra, sobretudo como em "curtição delirante", mas também como em "febre delirante".

Ele acaba a perguntar: «Estarei a delirar? Gostava de ouvir opiniões.» Dos 17 comentários que lá estavam quando li, só um, o de Jorge, respondeu à questão: «Tás a delirar. Mas é um delírio giro...». Partilho, Jorge.

Respigo e comento outras opiniões que ilustram na perfeição o que é isso de um "jornal de esquerda", ou o que dele esperam as pessoas.

«Seria talvez um motor de algum confronto e alguma provocação.» (velutha). O que seria excelente, não acha?

«Suspeito que seria severamente criticado pela maior parte dos outros jornais, em geral, dirigidos por elementos de direita» (_achtung_ ). Importa-se de repetir? Pelo que tenho lido, a Direita acusa a Imprensa exactamente do contrário, de ter demasiados directores (e jornalistas) de Esquerda... Entendam-se lá, cacete!

«E quem é que compra um jornal desses? Você?» (João Tilly). Sim. Ele e mais uns poucos milhares de portugueses. A esquerda que sabe ler e que QUER ler. Numericamente, poucos. Qualitativamente, suficientes. Donde... Não é um projecto financeiramente viável. Como o próprio João Tilly conclui mais adiante: « em Portugal, teria que o dar de borla e mesmo assim...».

«Esse jornal, o teu jornal, só sobreviveria financeiramente enquanto a direita estivesse no poder. Quando para lá fosse o PS o que é que faziam? Iam investigar os funcionários do PSD e do PP e as trapalhadas que tinham feito enquanto tinham estado no poder? Ou iam fazer a um Governo de esquerda aquilo que tinham feito ao de direita?» (Fernando Martins). Não. Tornava-se no Independende pós-Cavaco: sobravam alguns comentaristas legíveis no meio de notícias requentadas desesperadamente à procura de manchete.

«Esse jornal já existiu. Foi o Tal & Qual de há dez ou quinze anos.» (dave). Bem, quase verdade. O Tal & Qual fazia bom jornalismo e cuidada investigação, mas o rótulo de Esquerda é manifestamente mal aplicado: distribuiam bordoada por todo o espectro e não poupavam fosse quem fosse. E acabou por cair no lugar-comum. Eu gostava era que o Tal & Qual da altura se repetisse hoje (impossível, desde já pela idade dos seus obreiros de então e pela ausência de continuadores com a idade adequada).

«Ó explica lá o que é a "esquerda" de que falas? [...] aH! deves estar-te a referir à " esquerda-caviar", acertei?» (Zecatelhado). Eis alguém que não vive neste planeta nesta altura. Vive num passado zombie. A Esquerda reúne as várias esquerdas. Incluindo a esquerda-caviar, que de resto é a esquerda do bom gosto. Como a Direita inclui as várias direitas. Suspeito que há menos tendências, ou maior uniformização, à Direita que à Esquerda, mas com o passar do tempo a Direita tem vindo também ela a fragmentar-se ideologicamente, o que é salutar.

«Um jornal que contasse o que se passa na realidade ? Não durava muito tempo.» (Mário). Eis a síntese perfeita e a conclusão óbvia. Mário: na mouche.

Mas Pedro Oliveira já tinha escrito tudo o que há a escrever sobre o tema: «A esquerda bem-pensante dificilmente trocará o Público por um jornal que se pretenda sério, mas com uma orientação política bem definida. A experiência já foi feita (com o Diário de Lisboa, dirigido pelo Mário Mesquita, e, de certa forma, com o Já do Miguel Portas) e não resultou».

Conheci bem a Redacção do DL. Tinha profissionais fantásticos e uma mescla de Esquerda-Direita muito boa, perto da perfeição. Teve o seu tempo. Aliás, o tempo é o principal inimigo do jornal com que delira Pedro Oliveira (e mais gente, eu incluído -- tenho saudades de um bom jornal à Esquerda, que não existe em Portugal desde o Já).

Conheci (e conhecer não significa exclusivamente trabalhar em, mas sim frequentar) ao longo de 25 anos de profissão mais Redacções maioritariamente de Esquerda (Diário Popular antes da privatização, o saudoso Pasquim, Diário de Lisboa) do que de Direita (Diabo, Expresso -- embora este seja aqui referenciado com assinaláveis dúvidas, pois é a Redacção mais eclética que conheci e não é nada fácil, nem simpático, classificá-la no espectro). Aprendi os códigos da profissão e bebi a sua matriz deontológica sobretudo de jornalistas que sem dúvida seriam hoje catalogados de Esquerda, embora muitos deles fossem na altura considerados de Direita e alguns quase excomungados nas Redacções de Esquerda... Dos três jornalistas que mais me ensinaram, ou com quem mais aprendi, um (Viriato Mourão) nunca soube quais os seus amores políticos embora soubesse os seus gostos musicais (ópera) e conhecesse a sua intransigência profissional. Um senhor. Outro (Daniel Reis) passou por essa Redacção do DL, hoje está no Expresso onde na prática fundou o actual jornalismo parlamentar. Esquerda moderada, profissional íntegro. O terceiro (José Manuel Teixeira) era um monstro de trabalho, uma capacidade única, um activista do jornalismo -- trabalhei de perto com ele quando era director do Crime -- um jornal ligado ao Diabo, e fiz com ele O Rebelde, um semanário para público adolescente que durou pouco tempo, também ligado ao "grupo" de Vera Lagoa. Esteve na origem do Expresso, mas saiu antes do número 1. Está portanto conectado com a Direita, mas nunca lhe perguntei pelos amores políticos.

Se eu quisesse fazer um jornal de Esquerda para o Pedro Oliveira ia buscar certamente esses três profissionais para o dirigir. Mas também ia buscar o Humberto Vasconcelos ao DN, o António Tadeia, o Miguel Nunes, o Ricardo Costa, o Reinaldo Serrano... E muitos mais, cito apenas os nomes dos mais próximos, cujas idades vão dos vinte-e-muitos aos sessenta-e-alguns.

Mas eu não quero fazer um jornal de Esquerda. Nem o Pedro Oliveira quer. Não havendo nem montante (investimento) nem jusante (leitores), não teríamos um rio informativo mas um charco opinativo. Tendo a felicidade de saber ler Inglês e Francês e, em menor escala, outras línguas europeias, faço como toda a gente: leio sempre que posso Le Monde, Guardian, El País e acima de tudo The Economist (esta em papel).

Mas que delirei com a entrada do Pedro Oliveira, claro que delirei. Deliciado :)

Posted by pTd at 08:27 PM | Comments (5)

Obrigado, amigos

Hoje ao abrir o carteiro tinha uma mensagem de um amigo recente, destas andanças blogueiras, uma mensagem de alguma preocupação pelo facto de eu não publicar há alguns dias. Respondi-lhe no privado do e-mail. Porém, como não foi o único a enviar correio do mesmo teor, achei que era boa ideia tornar pública a resposta. Além de leitores na blogosfera temos amigos. Este texto é para eles.


Eheh, obrigado pela lembrança. E pelo abraço amigo.

Não estou desmotivado, embora pese sobre os meus dedos um certo cansaço. Muito do esforço do weblog.com.pt começa a fazer-se notar. Depois da fase de entusiasmo, de ver as pessoas a blogar, de participar activamente, de ajudar a fazer uma comunidade, com o entusiasmo a esmorecer os dedos começam a pesar sobre o teclado.

Não é nada de grave. Eu já sei como é, passei por isto (projectos, entusiasmo, quebra) já as vezes suficientes para conhecer o ritmo destas coisas. Há agora uma fase de menor actividade da minha parte, de menor empenho até. No entanto quero fazer notar que é apenas uma fase, coincidente com transformações que o projecto vai sofrer a breve prazo. Em Dezembro/Janeiro haverá grandes novidades, sobretudo a nível do portal. As zonas de posts recentes, listas de blogs, o Blogómetro (que nunca mais evoluiu desde a sua criação) e as listas Technorati vão sofrer gradualmente novos impulsos e melhorias em consequência da prevista (e ainda em duras negociações) mudança de plataforma tecnológica. Vou/vamos ter uma equipa de programadores capaz de produzir competentemente o código que eu apenas consigo esboçar por alto!

No passado tive outros projectos que não alcançaram o sucesso deste, pelo que acabaram por definhar; também tive alguns que se aguentaram nas canetas, passaram a fase de cansaço e continuaram. Não é a vida toda feita destes altos e baixos, destas vitórias e derrotas?

Há outra razão ainda: tive de redireccionar o meu tempo para os trabalhos que rendem dinheiro, o que não é de todo difícil de perceber e aceitar... Um desses trabalhos já levava um mês de atraso :( Felizmente é um cliente compreensivo e que, indirectamente, irá beneficiar do meu empenho nos blogs e sua tecnologia - caso contrário acho que o tinha perdido. Como sabes, o weblog.com.pt tem sido sustentado financeiramente por mim -- e por pouco mais de uma dúzia de bloggers que, aderindo gentilmente aos pacotes pagos, suavizaram as facturas de tráfego até Setembro. De Outubro para cá tem sido o descalabro... 80 Gb de tráfego é muito tráfego.

Quanto ao meu próprio blog: o Idiotas chapados foi um texto escrito de forma reflexiva, reagindo a quente a um mail que um amigo me enviou. Não quis ofender ninguém a quem aquele carapuço não assentasse, e SIM, quis ofender todos os que o enfiaram. Que, pelas reacções e comentários, eram afinal muito menos do que à partida me pareceram. Por outra: nos pareciam, a mim e a esse meu amigo. A solidariedade que recebi -- e sobretudo a maturidade das opiniões expressas pela maioria dos leitores, que mostraram a) saber como funciona o mercado editorial português e b) aceitar que o tempo dos pequenos almoços gratuitos já acabou -- tocou-me. E até o meu amigo se espantou, ao ponto de ter reformulado a sua análise da situação :)

(o vento lá fora) continua, descansa. Não é a primeira vez que estou três ou quatro dias sem publicar. Ao contrário da maioria dos bloggers, não possuo ânimo para publicar todos os dias. Há dias que publico quatro e cinco e seis textos. Mas não tenho temas para escrever diariamente. Às vezes tenho temas e não tenho tempo.

A gripe foi forte, é um facto. 48 horas sem ir ao teclado!, holly shit!, nunca tal me sucedera nos últimos seis anos (férias à parte). Mas além de um tossezita e um físico ainda abalado, não deixou marcas graves.

Um abraço!

Posted by pTd at 06:11 PM | Comments (1)