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junho 30, 2004
Uff!
É histórico. Agora, queridos amigos leitores, vou "dar uma volta", vemo-nos no domingo, tá?
Posted by pTd at 09:52 PM | Comments (2)
Começou o jogo, uff
Vamos lá. Que seja um bom jogo. Que ganhe o melhor. E que o melhor seja Portugal.
Posted by pTd at 07:49 PM | Comments (1)
junho 28, 2004
Metamorfose
A coisa extremou. A esquerda "bloco" já canta vitória e a direita blogueira revela um pavor tremendo que de putativas eleições antecipadas só possa sair, inevitável comó destino, um governo PS/BE. O dado adquirido não é a melhor maneira de avaliar tendências do eleitorado... Eu tenho muitas, muitas dúvidas que tal acontecesse. Não por causa do BE, cujo crescimento me parece saudável e inequívoco. Mas pelo "bloco central" eleitoral. Os que deram o cartão amarelo a Barroso (e ele, sabiamente, transformou em vermelho safando-se dos problemas da equipa) teriam o que quiseram: a metamorfose do Governo, com deslocação ao centro das preocupações sociais, desprezadas pelo defunto. Tudo bem: seria uma metamorfose legítima.
Posted by pTd at 04:26 PM | Comments (3)
A Terceira Solução
Solução "Sampaio cede à chantagem": Nomeia PM Pedro Santana Lopes. A oposição em peso (à excepção do seu "líder", que aplaude) protesta, o governo de PSL dificilmente terá condições de fazer o que quer que seja excepto se populizar a governação (no campo impostos há MUITO por onde bajular o pessoal), o público eleitor põe mais umas boas achas (uns toros, memo) na fogueira "o que os políticos querem é tacho, são todos a mesma cambada".
Solução "Sampaio convoca eleições": a direita eleitoral agradece, o PS só a muito custo as vencerá e para formar governo terá se se aliar (BE ou PSD ou CDS, memo, que naquela casa há pra todos os gostos), a "grande maioria de esquerda" das europeias esfuma-se, o PPD/PSD toca a reunir e avança um líder forte de última hora capaz de recuperar, mesmo que parcialmente apenas, o score das últimas europeias e condicionar o governo, quiçá até voltar a governar, desta vez garantidamente sem o PP, aproveitando para dar o tão desejado -- em l a a a a r g o s sectores das bases às cúpulas -- tiro político em Paulo Portas.
Mas há uma Terceira Solução. Jorge Sampaio pode nomear um governo de transição nas calmas, absolutamente constitucional e politicamente negociável na AR, para aguentar o barco mais ano e meio. Ministros bloco-centralistas e para PM só tem de escolher uma figura que tanto PS como PSD sejam obrigados a engolir. Quem? Olha: António Vitorino. Mas não é o único. Cavaco. Marcelo.
Posted by pTd at 05:31 AM | Comments (8)
Crise Política em Curso
Está aberto o blogue agregador que ontem prometi para a Crise Política em Curso (CPeC). Assim será mais fácil seguirmos a corrente de opinião na blogosfera sobre os acontecimentos passados e presentes do actual momento político nacional.
Posted by pTd at 05:05 AM | Comments (1)
Não é por falta de políticos que se deixa de fazer política
«POBRE PAÍS o nosso. Sem oposição.» (in Abrupto, 27/06, 09:18).
Well... acho que JPP se refere ao PS. Com isso está a ignorar não apenas as outras duas forças políticas com representantes na Assembleia da República como, e sobretudo, a oposição popular. Nas ruas e aqui, na blogosfera. Se a vitória de há duas semanas nas Europeias transformou o PS num partido de dirigentes autistas ou simplesmente calados a ver no que dá a peixeirada, problema do PS e suas bases (tão seguidistas, caramba. Prefiro as molhadas laranjinhas!)
Agora o País discute. Acha mal isto e aquilo e manda recados e soluções. Lê a Constituição. Lê a Imprensa estrangeira (é sempre bom ver como os outros nos vêem a nós). Em suma, exerce democracia no seu melhor estilo. Faz oposição. Ao sistema que aparenta fortes tiques de imobilismo e paranóia total. Não é por falta de políticos que se deixa de fazer política. Estou a gostar deste país, parece que o golo de Ricardo nos mudou a sorte. Sofríamos pela vitória moral, passámos a acreditar na possibilidade de vitória real.
(Como dizia hoje a minha boa amiga Janine, a vida muda-se num instante; numa decisão.)
Posted by pTd at 02:36 AM | Comments (3)
junho 26, 2004
Uma petição a Belém
Duvido que Jorge Sampaio (e assessores) leia blogues. É provável que não tenha a noção da importância da opinião publicada nos blogues, que está grau abaixo (mais perto da verdadeira opinião pública, portanto) da opinião publicada nos media. Por isso acho premente a realização de uma petição online que leve a Belém um texto representativo da opinião publicada nos blogues, que é maioritariamente (e ao contrário da publicada nos media) a favor de novas eleições e condenatória do cozinhado sem ingredientes constitucionais que o Primeiro Ministro está a preparar para sair airosamente (ele) da crise (em que mergulhará o país deixando em funções um governo impopular e sem condições de governar o país).
Não percebo patavina de petições. E tenho um jantar de aniversário (alô sobrinha!) que vai acabar na Ovelha Negra :) Portanto, alguém faz o favor de pegar na ideia?
Eu farei o que sei. Mesmo com a (previsível) ressaca amanhã monto para a crise política em curso (CPEC) um sistema similar ao que fizémos para a evocação blogal do 25 de Abril e também para as eleições europeias de forma a reunir numa única página o maior número de textos dispersos pela teia de blogues.
Sampaio deve escutar o povo. A imprensa, rádio e televisão não falam pelo povo, muito menos com o Europeu de futebol a correr. Temos o dever de o informar. Nós somos o povo. Mesmo eu, que não voto e sou acrata, sou povo. E não gosto de assistir à kimilsonguização em curso nesta democracia.
Posted by pTd at 08:55 PM | Comments (8)
Pelo menos a blogosfera é contra
Uma curta volta pelos blogues, à direita, à esquerda e aos não-alinhados, permite concluir facilmente que é opinião consensual que a malta não está disposta a aceitar assim sem vaselina o traiçoeiro supositório que Durão Barroso nos quer enfiar pelo cú acima.
Respigo parte de um texto excelente, pela síntese, do Rui no Adufe: «Atendendo às circunstâncias, à ausência de matéria definitiva e perante o frenesim informativo e a ansiedade que também vai passando aqui pelos blogues, cabia a Jorge Sampaio recordar quem é o "Presidente da Junta". [...] Não me choca mesmo nada se se confirmar a queda do governo que a malta vá passear até Belém amanhã por volta das 19 horas se entretanto não houver mais notícias de Belém. Não "contra Santana Lopes" ou contra "o governo de treta", apenas para mostrar a Sampaio que estamos com ele. Esperemos que ele esteja connosco e que nos leve a eleições. Há boas razões para uma saudável convergência nesse anseio relativamente transversal aos eleitores de várias cores políticas.»
E de outro bom texto, que julgo revelar o pensamento da direita e é particularmente certeiro, saído dos dedos de Pedro Caeiro no Mar Salgado: «Não se deve subestimar a importância do cargo e a honra que ele representa para o designado. Mas também não se deve confundir o procedimento de escolha do Presidente da Comissão Europeia com os processos de canonização.
Noutro plano, sem querer alinhar já com os profetas da desgraça, parece-me claro que a aceitação do cargo por Durão, se tiver como consequência a indigitação de Santana Lopes para PM, sem realização de eleições, deixará vários arguidos para o tribunal da História: o próprio Durão e Jorge Sampaio, como coautores. E, cúmplices, os partidos da oposição que não se opuserem, por miserendos cálculos de conveniência eleitoral.»
Nem mais.
Posted by pTd at 07:33 PM
Caso contrário vai ser bué da giro!
Manifesta a minha posição (dissolução do parlamento e eleições), não posso deixar de olhar para o mais provável cenário: Pedro Santana Lopes Primeiro ministro.
Meus, pensem lá um bocadinho: vai ser bués da giro! A malta vai divertir-se pra caramba! Com PSL no Governo a política nacional vai deixar de ser cinzenta e passar a ser a cores! Antecipem o gozo das trocas de galhardetes entre PSL e Louçã, o ar comprometido de Paulo Portas, os ministros sem saberem muito bem o que fazer, o monte de assessores de imagem que vão mudar os outdoors de todo o país!
Depois pensem nisto: PSL é um populista, logo vai manietar a Ministra das Finanças e obrigá-la a desapertar os colchetes da camisa de forças em que nos enfiou (ou ela sai, o mais provável). Traduzindo em miúdos: vai haver guito, meus! Guito! Os madeirenses então podem exultar de alegria! Com um amigo no Governo, Alberto João Jardim vai sacar ainda mais!
Um autêntico filme cómico! Comprem quilos de pipocas e litros de coca cola que isto vai prometer ser de arromba! E cerveja e uísque em barda, que as festas vão-se suceder! (Não esqueçam o Guronsan.)
Deixem lá isso do futuro do país pós-PSL... O último a sair apaga as luzes e deixa as chaves debaixo do tapete do então Presidente Cavaco.
Posted by pTd at 07:15 PM
Isto (ainda) não é a Coreia do Norte
Lido nos comentários de um blog de direita: «Deixem-se de MERDAS e buracos retóricos. O que se passou foi uma VERGONHA e não vale a pena arranjar desculpas. A esquerda tem TODA a razão. ELEIÇÕES, JÁ!» (in Jaquinzinhos)
E a minha irmã vinha-me dizendo Rua de Santo António acima que o Presidente da República AINDA NÃO DECIDIU e fez até questão de o sublinhar num discurso algures hoje.
A grande questão que agora se coloca é: como fazer com que Sampaio ouça o clamoroso grito de revolta da população contra a escandaleira em curso na política, a coberto do futebol?
É que por um lado o prime-time televisivo só dá bola e, nos curtos intervalos para as mundanices extra-futeboleiras, o que passa a correr são declarações de circunstância e tricas internas entre figuras do partido eleito para governar ou da coligação que ele escolheu. Ou do perdido líder do PS, que não tem tomates para assumir a vitória eleitoral de há quinze dias e em vez de reclamar o seu de direito está a dar cobertura ao maior golpe de traição da democracia portuguesa em 30 anos.
Por outro os líderes de opinião, com o director do "meu" Expresso, José António Saraiva, à cabeça, já tomaram a decisão ANTES de Jorge Sampaio: aplaudem a kimilsongiana nomeação do futuro Primeiro Ministro.
Até observadores descomprometidos acatam sem hesitações a ideia da sucessão. Em nome de quê?
Por princípio claro que estou de acordo que o país não deva desperdiçar comicieiro tempo e dinheiro em eleições de dois em dois anos e um governo deve cumprir a legislatura até ao fim e ir a votos para que o povo aplauda ou chumbe o exercício desse mandato. Sou pela estabilidade governativa.
Ora, o problema é precisamente esse. Que estabilidade governativa poderá haver quando:
a) há 15 dias, duas semanas apenas!, o eleitorado derrotou copiosamente a direita indiciando com clareza que pretende uma inflexão no rumo nacional (e deixem-se de balelas: nestas europeias NINGUEM falou na Europa, começando pelo seu futuro Comissário Barroso);
b) em vez de remodelar o executivo o Primeiro Ministro troca o cargo por outro (decisão respeitável, eu admito, Portugal não pode perder por ter um seu político no cargo de Comissário Europeu) e provoca uma reviravolta total no Governo, nomeando directamente o seu sucessor ignorando por completo as regras democráticas, os outros ministros, o seu partido, o outro partido da coligação, o parlamento e o eleitorado;
c) não há condições na sociedade civil para aceitar o cozinhado que as mais altas instâncias do PPD/PSD (não as suas bases nem sequer o seu aparelho, note-se) lhe querem impôr à força.
Este é um momento inédito, excepcional, da vida democrática portuguesa. Nunca ocorreu uma crise destas. Só vejo uma maneira de sair dela. Caro Presidente: ignore o facto de o PS se ter suicidado depois de sair vitorioso das europeias (que, recordo, foram há duas semanas...) e não reclamar o seu de direito; ignore a opinião publicada e respectivo veneno impositório; ignore as ambições pessoais das proeminências dos cinco partidos com representação parlamentar; ouça o que diz o povo e releia a Constituição; dissolva o parlamento e marque legislativas, esse é o seu poder.
Da mesma forma que Durão Barroso não pode virar as costas ao Destino, o Senhor Presidente também não pode. Cumpre-lhe presidir a uma república democrática e não a um regime ditatorial.
Posted by pTd at 05:09 PM | Comments (2)
Irresponsabilidade total
Sempre temi que Durão Barroso fosse o António Guterres do PSD. Mas com o seu espantoso talento ele superou, que digo, pulverizou as minhas piores expectativas. Enquanto, uma vez falhada a missão, Guterres saiu pela esquerda baixa deixando democraticamente o país mudar de rumo, falhada a sua missão Barroso sai pela direita superior e entrega o governo ao barão que se segue sem sequer olhar para trás. Género noiva a atirar o raminho: quem o apanhar é a próxima a casar. O Portugal votante -- em particular a base eleitoral do PPD/PSD -- está para ser traído pela segunda vez em dois anos, com a cumplicidade dos media e "em nome" da "estabilidade governativa", como se tal coisa fosse mais importante que a confiança do povo no seu Governo. Primeiro, quiseram Durão à frente de um governo PPD/PSD e levaram com Paulo Portas a reboque. É o que na gíria se chama engolir um sapo. Agora, sabe-se lá o que pode sair daquelas cabeças. Cabeças? Lá estou eu...
Barroso deixa o cargo para que foi eleito. Santana Lopes deixaria o cargo para que foi eleito e passaria a ocupar um cargo onde não há a mínima certeza de que os eleitores -- incluindo os seus -- o queiram. Francamente: andam a gozar com isto e a deixar ainda mais na merda as esperanças do povo no sistema democrático. Estas são as atitudes da classe política que desiludem os cidadãos. Portanto, se querem saber: da próxima vez que houver abstenção elevada vão queixar-se pró caralho. A culpa é vossa. Toda, inteirinha, exclusivamente vossa e não da praia, do sol ou do futebol. Assumam-se.
Resta-nos esperar que o Presidente da República não cometa a irresponsabilidade total de apadrinhar esta autêntica golpada dos barões. Numa altura destas, com o Governo em ressaca de dois anos e eleitoral (europeias), compete ao povo escolher o futuro Primeiro Ministro. Mesmo que seja do mesmo partido. Não cabe a esse partido remodelar o Primeiro Ministro. Os Primeiros Ministros não se remodelam: eles é que remodelam.
Não sou homem para pôr bandeirinhas, portanto também não vou pôr esta. Mas estou com Ivan Nunes e Rui Tavares. Certas coisas não se toleram. Nas nossas costas não.
Não vou entrar em discussões políticas nem desatar a citar ou rebater argumentos de esquerda e de direita. Não vale a pena. Se Sampaio não cumprir o seu papel legal (já nem falo da sua responsabilidade enquanto PR de escolher o melhor para Portugal) a palhaçada será completa. Quando um seleccionador falha despede-se e contrata-se outro. Não fica com o cargo ao adepto que saltar mais depressa da bancada.
PS: Leiam esta de Vital Moreira no Causa Nossa. Ele explica tudo. Como Barroso e Santana saem a ganhar e entalam Sampaio. Só não explica o que poderíamos fazer para evitar a saloiada.
Posted by pTd at 03:52 PM | Comments (5)
Prazeres & dores
Comecemos pelas dores: percebi hoje que nunca a tocarei. Não é físico, por aí está tudo bem. Não há conversa. That's all.
Quanto aos prazeres: se nunca limparam, esfregaram, varreram o bar que amam, desculpai: não conheceis um do melhores prazeres da vida.
(Janine, Patrícia, Cristina: I love you)
Posted by pTd at 06:52 AM | Comments (3)
junho 25, 2004
Coisas Realmente Importantes...
...aconteceram quatro hoje. Cronologicamente:
1: Futebol, o país sofreu como é costume. A diferença: ao contrário das outras vezes todas, no final a vitória não foi só moral. Ganhámos também no resultado. Pensem outra vez sobre isto. Há uma diferença. Portugal ficou diferente. E não foi o Governo nem o poder económico (dah) nem o poder mediático. Foi o apoio do povo e a retribuição da selecção e do destino. Povo: já merecias, com o triste fado dirigente (indigente?) que tens tido no último século.
2: O Rui não teve um ataque cardíaco a ver o jogo. Fixe, pudemos brindar com uma Superbock novinha por cada um da metade dos jogadores da selecção de Portugal em campo, uma com direito a shot no caso do Ricardo (o Rui não aguentava mais, a outra metade ficou para as meias finais).
3: A S. chegou à Ovelha Negra mal. A Sorridente S. Sempre Em Cima hoje (logo hoje???) estava down. Fiquei sem palavras. Nem modo. E com ampliado carinho. Nem quero saber porquê. É lá com ela, conta-me quando e se quiser contar e ninguém tem nada a ver com isso (não é, ripri?)
4: Ia a tirar o Kainever da paleta e a pôrra do comprimido pela primeira vez na puta da vida partiu-se sozinho em duas metades. No way. Destino, vai lá brincar com a pilinha doutrém. Enfiei as duas metades e até daqui a oito horas, julgais quisto é o kê hein?!? Tive um dia demasiado comprido para te aturar agora, pá!
Posted by pTd at 05:42 AM | Comments (4)
junho 24, 2004
Dear english people: don't blame Beckham
You and the world have over-mediatized him. But he's just a football player. A very good one, as a matter of fact, but he's no God. A man. A good man. Don't blame him. We won the lottery. Fair. Otherwise it would be fair too.
Posted by pTd at 10:45 PM
Ricardo, obrigado
Aquela parte do país que desconfiou de ti que agora te preste a justa homenagem. Deve-ta.
Posted by pTd at 10:33 PM | Comments (5)
Ricardo x 2!!!!!!!
Posted by pTd at 10:32 PM | Comments (2)
Postiga: sem palavras
Posted by pTd at 10:31 PM
É mesmo moeda ao ar, isto
Posted by pTd at 10:29 PM
Maniche, nem vou olhar
Posted by pTd at 10:28 PM
Ronaldo? hu?
GOLO!
Posted by pTd at 10:26 PM
Rui, falhaste
Posted by pTd at 10:26 PM
Rui não falhes
Posted by pTd at 10:25 PM | Comments (1)
Perdi a fé
perdi tudo. Só tenho fome. Dá-lhe Simão.... GOLO
Posted by pTd at 10:24 PM
Deco frio e cerebral
É assim mesmo.
Posted by pTd at 10:23 PM
Não acredito que este caramelo falhou! YES!
Posted by pTd at 10:22 PM
Este foi o melhor jogo do Europeu so far
Antes que o spice boy comece com os penalties: este foi o melhor jogo do Europeu.
Posted by pTd at 10:21 PM
Agora vamos ao totobola das grandes penalidades
Lá terá de ser. Mas é justo.
Posted by pTd at 10:15 PM | Comments (1)
Scolari melhor que Eriksson
Scolari foi melhor no banco que Eriksson. A diferença foi feita aí e fora das quatro linhas. NUNCA, em vinte e tal anos a ver bola de alto nível, vira um apoio e carinho tão tremendos por parte do povo. E enquanto escrevia isto os ingleses empataram. Bute lá aos penalties que eu quero ir jantar.
Posted by pTd at 10:08 PM
GOLOOOOOOOOOOOOO!!!!!!!!!
RUI COSTA!!!!!!!!!!!!!!!!
Posted by pTd at 10:04 PM
mais 15'
Quero lá saber. Isto vai a penalties. Tem sido um jogo emocionante. Grandes equipas. Merda, não podem passar as duas... Então que haja um golo português. Mas que já tenho a barriguinha cheia, tenho :D
Posted by pTd at 09:58 PM
Emocionante!
Ufa! (brb)
Posted by pTd at 09:52 PM
junho 23, 2004
Pmail
Não percam este User friendlyde JD Frazer (link na imagem). Só mesmo ele. Anda tudo passado para ter uma conta de mail no Gmail. Estes gajos do Google são mesmo espertos. Basta dizer que uma coisa é só por convite e pimba, multidões aguardam, ansiosas, que um amigo os convide e os mais descarados fazem-se ao convite. Passados escassos meses não ficou um único cibernauta de fora do "clube restrito". É como as "edições limitadas" de chávenas de porcelana, soldadinhos de chumbo e o mais que a pródiga imaginação vomita para as nossas caixas de correio (as de átomos). Ya. Limitadas ao número de peças que conseguirem vender...
Proponho mesmo a mudança de nome. Em vez de Gmail deviam chamar-lhe Pmail. P de Paranóia.
E sim, a insistência das várias famílias que me enviaram resmas e mais resmas -- ainda ponderei pôr "convites Gmail" no meu filtro de spam -- criei uma conta no Gmail. Nunca lá consegui entrar. Quando coseguir, talvez faça uma peça sobre aquilo para o Expresso. Tenho essa esperança.
Pergunta do dia: nem sequer sendo uma cena élite, para que quer uma conta de correio com 1Gb num servidor longíquo e susupeito um geek que tem contas quantas quiser na sua própria máquina com muitos Gb ou nos servidores do patrão? Talvez o pfig ou o Fred queiram investigar e responder-me :)
Posted by pTd at 03:46 PM | Comments (5)
Sobre a democracia europeia
O post e o tema são antigos, relíquias em tempo-blogue, mas eu cá sou mesmo assim. Nas tintas. Gosto de relíquias. E esta merece citação e comentário.
«O processo europeu é hoje essencialmente vanguardista, elitista e burocrático, e tornou-se falsamente consensual. [...] Em política, só o que divide é vivo, e, salvo circunstâncias de emergência nacional e internacional, o falso consenso normalmente esconde alguma coisa que interessa esconder e afasta o cidadão comum. Depois não se espere que ele se sinta comprometido e vote.» (JPP no Abrupto)
A este texto respondeu Vital Moreira e JPP diz discordar dele, mas afixou uma passagem. Dela respigo: «Sou, talvez, o eleitor médio, com esperança que a média não seja muito ignorante. E devo dizer que, ao contrário das motivações do voto em eleições nacionais (legislativas, regionais, e presidenciais, por ordem de interesse) não me sinto confiante para decidir quanto às eleições europeias. Acabarei, estou certo, por votar no meu "clube", no meu lado, com o sentido do voto útil. [...] Eu sei que me poderia informar, mas a sensação que fica, para este eleitor médio, é a de indiferença, ou impotência. E isso não contribui para uma adesão à "Europa".»
Ei, um momento. JPP discorda de quê? Do ataque de VM ao Primeiro Ministro? Eu acho que as duas posições se complementam. As elites europeias dão primazia à burocracia. Não sei até que ponto isso não faz sentido: andar a mudar tudo de quatro em quatro anos e/ou ao sabor dos barómetros das audiências (como o Governo português pós-Europeias), como se muda nas políticas nacionais, não é decerto a melhor forma de conduzir uma Europa a posições política e económica cimeiras à escala planetária, fazendo alguma frente à americanização em curso... A mão política da construção europeia terá de ter uma margem de manobra mais ampla ou temos a burra nas couves.
Mas independentemente desta reflexão sobre os motivos, uma coisa é certa, como observou JPP: há um falso consenso e uma sensação de que querem fazer tudo nas nossas costas. Sublinhado eloquentemente pela resposta de VM que transmite a posição do eleitor médio: desinteresse, indiferença. Impotência.
O problema é este. Quando a democracia incomoda as eleitas elites dirigentes, é tempo de ser repensada. Se só o que divide é vivo, os eleitores europeus precisam de ser divididos à escala europeia. Que não se mede pela mesma medida das escalas nacionais. Uma saída era as eleições europeias serem disputadas por partidos europeus ao invés de nacionais... Bastava isso: as siglas, as bandeiras, até os dirigentes serem uniformes, europeus. Talvez o ruído fosse grande da primeira vez. Mas tinha uma virtude: os eleitores eram obrigados a sair para fora dos seus quintais. E a legitimidade dos eleitos ao PE sairia altamente reforçada (o actual modelo gera o sentimento de impotência).
Não me parece difícil de pôr em prática. O pior é que hoje na política TUDO é difícil de por em prática. Temos elites políticas cada vez mais fracas (em todos os sentidos a começar pelo efectivo poder que detém e que é cada vez menor...) e eleitores cada vez mais distantes. Quem realmente governa hoje as maiores democracias do mundo é o poder económico usando como utensílio o poder (de entorpecimento) mediático que detém -- efectiva e totalmente.
O sistema político democrático está em decomposição.
Neste quadro só podemos esperar melhoras de dois lados. Ou, seguindo o exemplo histórico do capitalismo, a democracia renasce de dentro usando como charneiras (focos de divisão que permitam a vida, como diz JPP) os novos ideários fornecidos pelos jovens e atléticos partidos modernos (em Portugal temos um único exemplo à esquerda, o BE, pois à direita ainda não arrancou o novo ideário, os velhos travestidos ainda dominam esse lado). Ou a solução virá da participação directa do cidadão através dos mecanismos de decisão-foguete que a Internet hoje providencia a uma minoria e amanhã fornecerá a cada lar (como a luz eléctrica ou a água potável).
Do ponto de vista do sistema é melhor a primeira solução. Para o meu "clube" era preferível a segunda via. E estou bem ciente dos seus perigos. Mas uma vez empedernido, empedernido para sempre :)
Posted by pTd at 03:01 AM | Comments (9)
A dignidade não se enfia num caixote
Querem saber a verdade? Senti-me realmente honrado com o Prémio à carreira bloguística com que o colectivo do Causa Nossa me surpreeendeu. Lá fui ao Lux (onde não entrava há quatro anos mas fui prontamente saudado pelos amigos do outro lado do balcão) buscá-lo. Lá tive de debitar umas palavras com pouco nexo e ofuscado pela luz, em meu nome e, na medida dos possíveis, dos outros dois distinguidos.
Não descortinei proximidades pessoais que levassem os bloggers do Causa Nossa a distinguir-me. De todos eles só conhecia pessoalmente Luis Nazaré, não do Benfica nem do PS mas por ter sido presidente do ICP (hoje Anacom). E mesmo assim pouco mais que de raspão.
Isso aumentou o prazer de ser distinguido.
Querem saber outra verdade? Por um momento (fugaz, mas ainda assim perceptível) tive um assomo de vaidade. 15 anos são 15 anos (tomei a liberdade de alargar unilateralmente a razão da distinção à minha presença na net que não apenas nesta parte dela que é a blogosfera. Assim sempre faz algum sentido na minha cabeça).
Sempre que ganhei um prémio foi porque concorri a ele. Excepto desta vez. Se da outra forma sabe bem, desta sabe bem melhor.
Mais uma: antes de perceber que não era propriamente um ex aequo referi que a haver um único premiado devia ser António Granado (que não esteve no Lux por se encontrar fora do País, como aliás Pacheco Pereira também se encontra). É um blogger antigo de alta regularidade, empenho e entusiasmo. Eu nem por isso. Pacheco Pereira também não tanto (é mais recente). Mas Vital Moreira fez o favor de me explicar o porquê das três distinções e não uma. E eu só pude concordar com a interpretação dele.
Por último, o prémio. Um mousepad dos bons, com silicone -- sim, podeis imaginar as bocas dos Barnabés presentes (e ganhadores) e demais assistência :) Gozem, que gozar faz sempre bem. Este tem utilidade. O último ficou a ganhar pó na estante da minha mãe, o anterior desfez-se nas várias mudanças de casa e há umas medalhas nuns caixotes na garagem da minha irmã.
Outros distinguidos: Barnabé (Prémio à esquerda), Mar Salgado (Prémio à direita), Pedro Mexia (Prémio ao melhor blogger), Diogo Vaz Guedes (Prémio Força Portugal), Pedro Santana Lopes (Prémio José Mourinho), Luís Delgado (Prémio Armas de Destruição Massiva ou Maciça), José António Saraiva (Prémio 5ª Dimensão).
Posted by pTd at 01:59 AM | Comments (5)
junho 22, 2004
Olha eu, nomeado!
Como tenho andado absorvido por bloguices técnicas reduzi a leitura de blogs ao mínimo. Daí o meu espanto esta tarde quando uma jornalista de A Capital me ligou por causa dos Prémios Da Blogosfera. Fiquei surpreso. Mais ainda quando soube que estava entre os nomeados!
Há minutos, depois de aprontar a loja online para nova inspecção, lá fui à procura dos prémios. Pronto: nomeado ao lado de António Granado e José Pacheco Pereira na categoria "Prémio à carreira bloguística", estou fadado ao terceiro lugar. Que muito me honra!
Obrigado aos estimados bloggers do Causa Nossa pela distinção. Todos os pretextos são bons para ir beber um copo com amigos, conhecidos e futuros conhecidos e amigos da blogosfera. Pelo que estarei mais logo, pelas 22:00, no Lux, para aplaudir a iniciativa e os vencedores e beber um pela prata e outro pelo bronze com os respectivos :)
Posted by pTd at 03:14 AM | Comments (10)
junho 21, 2004
A melhor do dia
«Estou com tanta auto-estima que não sei se aguento.» [Rui Tavares in Barnabé]
Posted by pTd at 04:40 PM | Comments (2)
Coitado, não desiste
O senhor José da Silva Maurício com o e-mail mauricio_102@sapo.pt é um verdadeiro parasita das caixas de comentários.
O senhor José da Silva Maurício com o e-mail mauricio_102@sapo.pt acha que alguem lhe liga alguma, ao distribuir os seus panfletos ilegíveis por tudo quanto é blogue.
O senhor José da Silva Maurício com o e-mail mauricio_102@sapo.pt não tem nada a dizer de útil a ninguém, pelo que tenho visto: limita-se a inundar zonas interactivas com lixo.
O senhor José da Silva Maurício com o e-mail mauricio_102@sapo.pt deve achar-se alguém. E deve achar que a blogosfera é obrigada a lê-lo. E eventualmente fá-lo.
Caro senhor José da Silva Maurício com o e-mail mauricio_102@sapo.pt: desista. Compre um cérebro.
Posted by pTd at 04:27 PM | Comments (8)
junho 20, 2004
O espírito de Scolari
Conferência de imprensa. Scolari brilhante. Irrepreensível. A oferecer a vitória e a qualificação aos adeptos, devolvendo o carinho que tem tido. A dizer que foi o espírito português que se viu em campo e fez a diferença para Espanha. A dizer a verdade.
Alguem lhe pergunta pelos erros da equipa hoje e se ia ver a cassete do jogo. Resposta sublime. «Meu Deus, não», não vê a família há semanas e quer chegar em casa e dar um abraço na mulher e fazer o que não tem podido...
A simplicidade cativante do brasileiro mais português da actualidade é moralizadora. Ganhe ou perca a partir daqui até à final do Europeu (três jogos), espero que dêem a Luis Filipe Scolari o passaporte português. Além de refazer uma equipa das cinzas da geração de Queiroz, este homem reforçou o espírito de povo dos portugueses. Sem caganças.
Posted by pTd at 10:38 PM | Comments (9)
Solidariedade com España
Caros amigos peninsulares: hoje ganhámos nós, perderam vocês. Merecemos porque jogámos melhor e a sorte protege ao audazes. A equipa de Espanha não merecia ser afastada porque é uma grande equipa em todos os sentidos, do individual ao colectivo. Mas o futebol é isto mesmo. E eu solidarizo-me com a vossa tristeza, hoje. Um abraço forte. Daqueles que unem mais os amigos.
Posted by pTd at 10:04 PM | Comments (2)
Ganhámos uma equipa
Portugal, 1 - Espanha, 0. Passámos aos quartos-de-final. Apesar da importância do resultado, que não descuro, bem pelo contrário, gostei muito de ver a equipa portuguesa (notem o sublinhado). Parece reencontrada, depois de ter jogado os dois primeiros desafios absolutamente desgarrada. E isso sim, aumenta a minha confiança na equipa portuguesa e relança o meu prazer por assistir a este Europeu.
Scolari fez pouco -- não havia muito a fazer... -- durante o período de preparação. Pouco mas importante. Ao contrário do que teve de enfrentar quando construiu o Brasil campeão do mundo, com uma qualificação extremamente trabalhosa, desta vez teve nas mãos uma equipa apurada. É muito mais difícil, acreditem. Os automatismos, encontrar a rotina das diversas soluções para cada situação de jogo, tudo isso se faz em competição. Nos treinos e nos jogos -- mas em competição. Em passeio, como foi o da selecção nacional nos últimos dois anos, é impossível fazer isso.
E o que fez Scolari nesses dois anos? Três fundamentais trabalhos psicológicos -- patentes até à exaustão no jogo de hoje.
Primeiro ganhou Deco, conseguindo enxertar um brasileiro numa selecção portuguesa pouco disposta a aceitá-lo. Fez com que Figo e Deco se tornassem não apenas compatíveis como amigos e pilares fundamentais do jogo português, quer em manobra activa (são dois talentos) quer sobretudo em controlo dinâmico do jogo (retenção de bola, faltas, gastar tempo, enervar o asdversário, impôr respeito e a velocidade adequada às nossas cores em qualquer situação). Demorou a dar a titularidade a Deco (que soube esperar, louvem-no por isso) em troca com Rui Costa e no "coração" de Figo e dos adeptos. Ficou com um suplente de luxo, Rui Costa é capaz de entrar para resolver um jogo num quarto de hora.
Segundo, à custa de Baía manteve uma aposta firme em Ricardo, o que foi um risco mas Ricardo soube estar à altura. Em três jogos esteve impecável e se havia alguma fantasma do Vítor na defensiva, foi exorcizado para sempre no jogo de hoje.
Terceiro, Maniche. Vejam a importância do jogador no seu clube e na selecção. A inesgotável capacidade de resistência. O brilhantismo tático. O repentismo técnico. A concentração absoluta em qualçquer situação de jogo, do relaxe às tensõws defensiva ou ofensiva. Maniche é um jogador completo que nenhum treinador do mundo pode descurar. Fasltava-lhe porém qualquer coisinha para se tornar numa figura de dimensão europeia (teve uma carreira difícil com um compasso de dois anos encostado no Benfica, algo que condiciona o nível de confiança de quaçquer jogador).
Scolari foi um verdadeiro malabarista da psique. Ao fingir meses aquela guerra com o jogador chamando-o depois para a convocatória final para surpresa de Portugal em peso (menos eu e um punhado de atentos...) e sobretudo do próprio Maniche, deu-lhe uma tremenda dose de estímulo. Maniche é o seu maior aliado e uma peça preciosa, fundamental para o sucesso da equipa.
Tiro portanto o meu chapéu ao homem. Foi muito arriscado, chegar à fase final ainda sem ninguém saber o que deve fazer em campo. Mas em dois jogos lá conseguiu o milagre. A equipa portuguesa foi hoje uma equipa. Como adepto de futebol e da selecção, hoje ganhei confiança -- e lá está, não tanto pelo resultado, que não passa de um reflexo da melhor competitividade da equipa hoje, mas pelo simples facto de finalmente ter visto a equipa portuguesa a jogar bem.
Posted by pTd at 09:40 PM | Comments (8)
É só um jogo
Escrevo propositadamente ao intervalo do Portugal, 0 - Espanha, 0. Não tenciono voltar ao tema. De repente o PAÍS ficou possuído por esta coisa do futebol. A responsabilidade pertence, inteirinha, aos comentaristas, onde pontifica o astuto Marcelo Rebelo de Sousa, que subtilmente têm vindo a desviar as atenções das coisas realmente importantes -- a extraordinária dificuldade do governo em governar, as questões europeias, a ruptura do sistema político democrático face ao predomínio crecente dos senhores do capital e da guerra -- para trivialidades que o povo dispensava. Mesmo que mascaradas de importância, com a alusão à putativa e improvada "baixa auto-estima do povo português" e aproveitando o futebol devolvendo-lhe o estatuto de ópio do povo que a profissionalização das duas últimas décadas quase tinha erradicado.
A blogosfera, excitadérrima, tem andado na babuja de MRS e dos nossos governantes e políticos e tornado ainda mais surreal esta vã esperança numa vida melhor pela via do Europeu e das chuteiras douradas do puto Ronaldo. O ópio.
Luis Filipe Scolari, um extraordinário mercenário do futebol, lançou dois fundamentais avisos. Primeiro o da bandeira. Esta semana, o "isto
é uma guerra". E é. Mas DENTRO DAS QUATRO LINHAS. Apenas. Esquecer isso é ultrapassar a fronteira da realidade.
Desculpa José Mário, mas um jogo é só mesmo um jogo. Por muito importante que seja enquanto jogo, não passa de um jogo de futebol. Nisto, o que verdadeiramente importa está SOMENTE dentro das quatro linhas.
«É fundamental ter presente a noção de que não será essa vitória que irá fazer de Portugal um país mais avançado, mais evoluído ou mais moderno; os seus efeitos imediatos serão "passageiros" (ou até mesmo efémeros» [Leonel Vicente em Memória Virtual]
De acordo que o futebol é hoje um fenómeno de grande impacto sociológico (e económico), mas continua fiel à sua essência lúdica: estamos perante um desporto, um jogo. «De cavalheiros», como referiste.
Mas podias ter acrescentado (e faço-o eu): não será uma derrota nos próximos 45 minutos que tornará Portugal um país pior e os portugueses um povo sem auto-estima. Já aqui escrevi que um melhor salário, reconhecimento social e profissional, instituições que se interessem pelo bem estar colectivo e individual -- isso sim, são os instrumentos com que se manipula a auto-estima. O ópio dá momentos de prazer falso e grandezas ilusórias.
Chega-me o facto de a minha equipa estar hoje a realizar uma bela partida. Estão a dar o litro. Algo que as outras elites deste país fazem muito pouco... Estão a dar um exemplo. Mas não serão eles a salvar o país, raios.
Vou voltar para o sofá. I REALLY love this game. Não como um exercício de comparações entre tribos mas pelos momentos de beleza que me proporciona. E hoje já tivémos alguns.
Posted by pTd at 08:39 PM | Comments (1)
Morrir d'aimer (para o RI)
«Primeiro morreu ele de morte súbita, transportado para o banco a reanimação foi impossível. Avisada ela na sala de espera, disse que ia telefonar para o filho e que depois falariam comigo.
Decorrida quase uma hora chega o filho.
Abraçada ao filho, exclama: "O teu pai morreu!"
Foram as suas últimas palavras. Cai fulminada no chão.
Numa hora o filho perde o pai e assiste à morte da mãe.
Ela não resistiu à emoção da morte dele.»
[in Médico Explica Medicina A Intelectuais]
É assim que se (pode) morre(r) de amor e não com facadas da mesma faca com que o outro morreu. Mas o que nos distingue dos outros animais é a capacidade de projectar ideiais. Como o romantismo (e a invenção do Guronsan, claro!) ;)
Posted by pTd at 06:32 PM
junho 19, 2004
Já moro em MT3 :D
Uma bela tarde de sábado, sim senhor... Estou esgotado e vou tomar um ganda banho, barbear-me e sair para jantar e mais além. Como se pode ver, o meu blog passou a ser editado pelo Movable Type 3.0D. Aproveitei para o arejar graficamente usando os novos estilos e templates do MT3.
As futuras instalações MT3 do weblog.com.pt deverão começar na próxima semana. Devido ao meu acordo com Loïc Le Meur continuará a haver blogs gratuitos MESMO com o MT3, mas com obrigatoriedade de apresentar três links (weblog.com.pt, Movable Type e NFSI) e um pequeno textad, idêntico ao que encima a coluna da direita. E haverá um fee de instalação.
A plataforma MT 2.6 ficará reservada para quem quiser blogs grátis e sem a obrigatoriedade do textad, dando continuidade à promessa feita há um ano de que o weblog.com.pt teria SEMPRE blogs grátis e sem obrigações. Espero abri-los de novo na próxima semana, nos moldes do costume: envio de e-mail com o pedido.
Já os blogs grátis com o MT3 dispensarão o envio de e-mail podendo ser criados pelo utilizador em três minutos, através de um mecanismo totalmente automático e do pagamento do fee ainda em estudo, via cartão de crédito ou MBNet.
Mas logo explico isso tudo melhor. Por agora: HURRA, já migrei (o vento lá fora)* para MT3. Falta limar aqui umas arestazitas e tá a andar!
Posted by pTd at 08:37 PM | Comments (6)
MEC
Há pouco aconteceu-me uma gira. Como há *séculos* que não visitava o site do MEC e tropecei num link para lá, cliquei -- naquela. Estoirou-me o Mozilla em grande estilo! Eheh! Miguel, tchau. Ninguém, nem tu, me faz mudar de browser, ficarás mais uns séculos sem a visita deste teu fã, casa com o Bill, tou-me a cagar. Temos pena. Compra um cérebro que esse mirrou. [Não há links para ninguém: um site que estoira browsers não merece link.]
Posted by pTd at 06:40 AM | Comments (3)
Nem eu sei
Mentira. Sei lindamente. Era até vir o comunismo, já casei por menos e etc. Mas *ela* não sabe. Nem suspeita. Nem a outra. E assim é que está bem. Grande confusão? Nah. Amanhã (logo) vou jantar sozinho (ihih) a ver sevilhanas e depois o Pedro ficou de (finalmente) aparecer para conhecer a Ovelha Negra. Vai ser uma noite épica, acreditem ;) Há um barril de Superbock por minha conta! Fred: rói-te de inveja!
[E alguem diga ao xon que ele anda por maus caminhos, nem o surf nem as gajas boas o desculpam... Talvez o encontre na Zambujeira, a confirmarem-se os rumores que hoje ouvi de que os Kraftwerk voltam cá, perdi-os vergonhosamente da última vez e agora farei questão, e digo-lhe das boas. Tá-se a baldar, tá mal.]
Posted by pTd at 06:31 AM | Comments (1)
junho 18, 2004
Compro barco à vela
Classe Laser ou Laser 2. Em bom estado. Barato. Preferencialmente na zona do Algarve. Preencha o seguinte formulário indicando um e-mail válido e/ou um número de telefone de contacto. Favor indicar preço pretendido, classe e estado geral da embarcação.
Posted by pTd at 05:40 PM
Ela não sabe
Depois de 11 horas de enfiada a acabar os finalmentes do AdClass e da loja electrónica lá fui tomar banho para sair e comer quelque chose. O "grupo" (expressão da minha camarada de Expresso Conceição Branco) não estava na tasca: acabei, todo lavadinho de fresco, a comer uma bifana e a ler o Record com duas imperiais n'O Seu Café ao lado de indivíduos indescritíveis. Seja. A verdade é que valeu a pena o resto da noite: dancei que nem um perdido encharcando a t-shirt como há muito não acontecia.
Parecia eu há um quarto de século no Rock Rendez-Vous a dançar perdidamente a cena pós-punk, o período neo-romântico. Baril. Bestial. Comentei com a Carlota que o bar -- a Ovelha Negra, é preciso repetir? -- tem belíssimos djs (e aqui fica a homenagem, nunca antes prestada). Dancei perdidamente, adoravelmente, loucamente, suadamente. Adorei. Ela também dançou. Mas não sabe nem sonha que ainda fiquei pior: mexe-se tusicamente,descobri hoje ao vê-la dançar, piorando tudo. Seja. Felizmente ela não lê o blog nem sequer anda pelas Internetes ;)
[O pior foi que tinha uma carta para meter no correio. O trânsito de Faro foi alterado de uma forma absolutamente anti-natural, uma pessoa passa-se, é impossível descortinar o porquê das opções para chegar ou sair da Baixa. São todas piores do que em qualquer outro período -- e deveis acreditar em mim que nasci aqui e conheço estas ruas como a palma das minhas mãos. Esqueçam quantas voltas dei até descortinar como chegar aos CTT... Tenho falado com diversos farenses de todos os quadrantes políticos -- sim, incluindo os que votaram nele. É unânime: José Vitorino é de longe o pior autarca que a cidade já conheceu e atrevo-me a dizer que é mesmo o pior do País, baseado no que tenho por aqui ouvido. Alguem me explique: como é que elegeram semelhante disfuncional? O PS fez assim tanta merda antes e o seu candidato era assim tão fraco? Jasus! Depois de ter sido sucessivamente corrido de secretário de Estado, de deputado à AR e de deputado ao PE pelos seus pares de partido, depois de deixar na ruína a associação empresarial do Algarve, este "homem" está a destruir Faro! Vão ver: Faro, capital da Cultura em 2005 vai ser o pior fiasco de sempre. Pelos agentes culturais? Não. Porque o homem é uma nulidade e nem sequer se sabe rodear de gente capaz (como outros políticos-nulidades conseguem apesar de tudo, disfarçando a sua incompetência). Tem medo. É ele e só ele. Temos pena. Sinceramente. Por Faro.]
Posted by pTd at 05:21 AM | Comments (7)
junho 17, 2004
Está no ar o AdClass
Bem. Está no ar o AdClass. Um sistema de anúncios classificados que segue uma estrutura de rede semelhante ao puBlog. Mas não o mesmo objectivo. Enquanto o puBlog é gratuito e reservado à promoção inter-blogues, o AdClass é uma rede comercial de anúncios classificados.
O conceito é simples. Há anunciantes de um lado e parceiros do outro. (Sim, um anunciante pode também ser parceiro e vice-versa, nada o impede).
Os anunciantes compram espaço na rede de parceiros aderentes, na qual os seus anúncios rodarão automaticamente. Não há limite para o número de visualizações de cada anúncio: o anunciante paga apenas cada contacto efectuado e não, como nos sistemas tradicionais, ao milhar de vizualizações (sobre as quais não tem controlo). Aqui é limpinho: só paga quando alguém clicou no anúncio e foi lá ver o que ele está a vender, trocar, promover, whatever.
E mais: paga barato. Entre 8 e 15 cêntimos por clique são os preços de arranque, com um pacote mínimo de 33 cliques (4,95 euros).
Pelo seu lado os parceiros recebem uma comissão. 30 por cento sobre cada clique feito nas respectivas páginas. Bem bom! (E pode aumentar no futuro, dependendo do sucesso do AdClass).
O AdClass entrou em funcionamento há meia hora atrás. Está ainda em fase de experimentação. Na próxima semana estará, espero eu, totalmente automatizado do lado dos anunciantes, que poderão pagar onlineatravés de cartões de crédito ou débito (MBNet). Só aguardo que os técnicos da Unicre verifiquem se está tudo nos conformes para arrancar com o sistema de pagamentos online da pauloquerido.com. Que vai também ser aplicado, diga-se já agora, ao weblog.com.pt e ao moblog.com.pt, bem como aos meus futuros serviços online.
Enquanto o sistema online não ficar operacional podem os anunciantes obter as suas campanhas por e-mail, na página do AdClass. E também aguardo por parceiros.
Posted by pTd at 10:22 PM | Comments (2)
S.
Fiz a minha escolha. Tu é que não percebeste. No problemo. Há mais marés que marinheiros.
E por hoje é tudo.
Posted by pTd at 06:43 AM | Comments (3)
junho 16, 2004
Trapalhadas, 2 - Rússia, 0
Foi uma selecção portuguesa repleta de equívocos táticos, a que evoluiu no magnífico tapete (esta até parece dos comentaristas da bola...) do estádio da Luz. Uma verdadeira trapalhada, aquele meio campo onde ninguém sabia lá muito bem o que fazer, onde e como. Mas isso não importa nada, pois ganhámos e estamos a a fazer a festa (tou a aviar o post à pressa porque esperam por mim ali na tasca da Sé).
O Maniche parecia um ponta de lança dos autênticos. E abençoados pés doirados de Cristiano Ronaldo, o autor do segundo golo -- deixem-se de merdas, o Rui Costa limitou-se a servir de tabela. Com Ronaldo Portugal ganha beleza, profundidade, velocidade, talento, arte, espectacularidade -- e rendimento. Senhor Scolari, percebo que prefira pôr o puto só na segunda parte, prontes, não vou discutir; mas ponha-o mais cedo, só 15 minutos é POUCO. O miúdo deve entrar entre os 60 e os 70 minutos de jogo. E aquele sim, é o melhor quarteto defensivo português. Parabéns pela escolha. E pelas trapalhadas táticas do segundo tempo, que certamente confundiram também os russos...
Posted by pTd at 11:46 PM | Comments (4)
Susana (ou a nova madrugada)
São 6:46. Pela primeira vez em uma década ir deitar-me com o dia já nascido não constitui um pesadelo para a minha cabeça, uma insuportável dor de alma. E isto foi uma verdadeira surpresa para mim, nem queria acreditar quando estacionei o Corsa à porta de casa e o dia nascido nem me beliscou a alma.
O seu a seu dono: merci Loïc (vous avez sauvé mon jour), "Jamir", Pedro, Carla (Ovelha Negra) e above all Susana. Voltei a não temer deitar-me com o sol erguido. Como quando tinha 16 anos. I love you, thanx. Vemo-nos mais logo às 19:45 no jardim Manuel Bívar para assistir juntos (malheureusement pas toi, Loïc) ao Portugal-Rússia. Susana: espero que percamos a aposta. Mas foi bem feita, né? Percamos ou ganhemos as rodadas estão garantidas!
Posted by pTd at 06:47 AM | Comments (3)
junho 15, 2004
BOAS NOTÍCIAS!!!
Acabo de obter a confirmação da parceria com a Six Apart. Boas notícias para a comunidade weblog.com.pt! O upgrade para o Movable Type 3.0 vai ser feito mal realize os testes necessários.
Loïc Le Meur, Mena e Ben Trott demoraram um bocado (é compreensível, têm trabalho que nunca mais acaba) mas chegámos a um belíssimo acordo para a blogosfera de língua portuguesa. Um acordo que superou as minhas expectativas.
Nos próximos dias serão de novo abertos os blogs gratuitos no weblog.com.pt, embora em moldes ligeiramente diferentes. A passagem dos blogs existentes no MT 2.6 para o MT 3.0 obedecerá também a regras ainda não completamente acertadas. Mas posso adiantar que o upgrade será possível a qualquer blog, mesmo aos gratuitos, embora neste caso com limitações.
IUPI! Loïc, you save my day! :D
Posted by pTd at 07:48 PM | Comments (9)
What have we found? The same old fears
Anusha, blue skies from pain (Wish You Were Here), cocaína, Luísa, Faro (regresso a), Paula memory, xanax, azul degradee, Susana, Guronsan, LSD-25: adivinhem com qual destes temas da noite me vou deitar em paz?
peeemp, wrong!
Azul degradee. Quem não viu o azul a corporizar-se lenta, inexoravelmente no céu de Faro por alturas da alvorada não sabe o que é o belo. O mais belo espectáculo da Terra. Nada existe de mais belo (e que me desculpes Susana, que és bonita sem margem para dúvidas, já me casei por menos que os teus olhos e dedos lindos de viver).
(«So, so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail? A smile from a veil?
Do you think you can tell?
[...]
year after year,
running over the same old ground. What have we found?
The same old fears,
wish you were here.»)
Posted by pTd at 05:49 AM | Comments (2)
junho 14, 2004
Durão Barroso lê o Barnabé
O primeiro ministro diz ter compreendido o recado dos portugueses. E depois de ler o conselho do Barnabé veio de novo às televisões dizer que não fará remodelações.
Posted by pTd at 11:06 PM
Para Matilde Sousa Franco
Cara Senhora: não a conheço pessoalmente mas tenho pena. Admiro a sua coragem. Vê-la de rosto enxuto a enfrentar o dia de ontem e mais as respectivas câmaras foi uma lição de humanidade para todos nós. O melhor tributo à memória do seu falecido esposo. Um momento de elevada dignidade. Recordá-la-ei.
Posted by pTd at 08:31 PM | Comments (3)
Para o PCP, não perder já é uma vitória
Escreveu em comentário no Barnabé Luís Lavoura: «Para o PCP, não perder já é uma vitória. Sobretudo depois da crise que assolou o Partido. Cumprimentemos o PCP, que venceu mais esta eleição.».
É correcto. A CDU teve o seu papel na vitória da esquerda.
Também verdade, e esta custa mais a engolir à democracia mediática que temos, outra opinião no mesmo local, esta de cachucho: «o que é certo é que a comunicação social mais uma vez ignorou o PCP. Não se vê comunistas em debates de tv.NADA. Mesmo assim conseguiram um bom resultado para as suas expectativas. Parabéns para eles.»
O autor do texto escreveu por seu turno que o PCP «não vence nem perde». Percebo o que queres dizer mas, Daniel, para o PCP não perder já é uma vitória, isto é inquestionável do ponto de vista do partido e seus apoiantes.
Posted by pTd at 08:26 PM
O Bloco (notas)
Já aqui o escrevi. A grande vencedora das europeias foi a nova extrema esquerda civilizada, reconhecível nas faces de Miguel Portas, Francisco Louçã, Ana Drago (o charme televisivo dela vale quase tanto com a inteligência fina, não vale a pena fingir que não se nota), e Garcia Pereira.
Não me parece que as análises apressadas dos comentaristas e políticos da velha guarda expliquem o fenómeno. Não se pode tratar apenas do voto descontente, do voto "contra" numas eleições "a feijões" (passe o termo...). Trata-se antes de mais das mudanças do próprio país. Da sua demografia. E também (e MUITO) dos novos discursos frescos, objectivos, jovens dessa nova esquerda bem falante.
A esquerda sempre teve intelectuais misturados com camponeses e metalúrgicos. Mas estavam confinados às fortes directrizes partidárias. O seu contributo real pouco passava dos belíssimos murais, do design da Festa do Avante e de intervenções culturais e cívicas. Os intelectuais não podiam mandar bitaites políticos.
Vital Moreira foi, talvez devido à sua estatura intocável como constitucionalista e observador político de primeira água, o primeiro a romper esse cerco. Seguiu-se outro intelectual brilhante, José Magalhães, que estava nitidamente a mais no PCP e era necessário ao país noutros sítios. Mas foi o grande cisma de Zita Seabra e José Luis Judas que cavou os alicerces desta nova esquerda, mais ou menos radical. Rompendo o status quo deixaram em aberto um espaço político que estava destinado a crescer: o das minorias educadas, esclarecidas a quem o conservadorismo da direita e da esquerda de fato e gravata nada dizia.
Havia espaço, faltavam líderes. Não sei de quem partiu a ideia de fundar o Bloco de Esquerda juntando os intelectuais marginalizados da extrema esquerda, mas foi uma boa ideia. Ficou ontem provado sem maregem para dúvidas. Louçá primeiro, mas também Garcia Pereira começaram a dar o tom. Um novo discurso virado para os novos temas. Um discurso moderno, mediático - mas de recurso com conta, peso e medida ao sound-byte que hoje caracteriza a política. Sendo verdade que Paulo Portas esgrime como poucos na arte de iludir os media, não o é menos que a nova geração da esquerda -- incluindo o seu irmão -- também sabe usar com perícia as armas da arena mediática.
A rotatividade de caras nas cúpulas do BE, bem como no Parlamento, permitiu poupar tempo no tempo que leva a construir uma reputação política. Hoje Miguel Portas, Louçã, Fernando Rosas, Drago, Luis Fazenda são reconhecidos não apenas nos círculos lisboetas mas em todo o território nacional. Como se constata nos resultados eleitorais.
Escreveu o Daniel Oliveira, modestamente, sobre o alargamento territorial e etário do BE: «o Bloco cresceu mais nas zonas rurais do que nas urbanas, mais fora de Lisboa e Setúbal do que aqui, mais nas mesas dos eleitores mais velhos do que na juventude. Mais importante que tudo, para o Bloco, é o facto de já não estar acantonado nas elites urbanas e ter conseguido alargar a sua base de apoio. Sem perder as elites.»
Uma opinião a esse texto merece particular atenção: «Houve eleitorado PSD descontente que, em vez de votar PS, votou BE. Acho que isso se deveu à figura de Miguel Portas em contraste com Louçã, por exemplo. E ao próprio PS, é claro» (Real). Suponho que isto é rigorosamente verdade. Só as próximas legislativas o confirmarão ou não. Mas o deslocamento directo de parte do eleitorado flutuante do centro rumo ao BE em vez de, como era tradicional, ao partido mais próximo (PS) tem a ver com o eleitorado jovem, melhor formado, que se não reconhece nas gravatas dos "jovens" carecas ou de cabelos brancos saídos das Juventudes dos partidos do centro.
A vitória do Bloco merece atenta reflexão. Há uma nova força política com peso em Portugal. E ao contrário do PRD (surgido há anos para captar o centro que se não reconhece nos dois partidos centristas) esta tem gente para aguentar a pedalada e crescer. Ah, também tem o que faltou ao outro: ideário, irreverência, juventude e colorido.
Posted by pTd at 07:52 PM | Comments (6)
Mais uma prova de que tudo mudou
Já depois de escrita a análise abaixo [A vitória da (extrema) esquerda para efeito de arquivo] tinha outro comentário à minha primeira reflexão sobre as eleições. Luis Humberto Teixeira, ele próprio candidato, transcreveu parte do que já escrevera no seu blog (Só uma ligeira correcção de rumo) e opinou: «na prática, pouquíssimo mudou. O PS tinha 12 deputados e continua com eles. O CDS-PP e a CDU tinham dois e eles lá vão continuar. Só houve a troca de um deputado do PSD por um do BE. O outro "laranjinha" (eram 9 passaram a 7) perdeu-se devido às novas ponderações resultantes do alargamento.
Por muito que também esteja saturado deste governo, estes resultados não representam um cartão vermelho.»
Pois. O povo é mais esperto do que o julgam os analistas da televisão e os políticos dos partidos. Qual malabarista da esferográfica, usou a sua única arma -- o voto -- para sem mexer muito no que estava em causa -- a representação de Portugal no Parlamento Europeu -- deixar subentendida uma mensagem bem clara. Podemos agora discutir a cor do cartão. É como no futebol, aliás. É um daqueles lances difíceis de analisar em que o árbitro tanto pode mostrar o vermelho como o amarelo.
Portanto, e sem brincar com as palavras: nada mudou no essencial das europeias, tudo mudou na base de sustentação popular das actuais políticas de governo, base essa que diminuiu drasticamente.
Humberto Teixeira apresenta um dado altamente significativo que me tinha escapado: o recorde mínimo de votos desperdiçados. Devido ao sistema eleitoral, todos os votos na coligação PSD/CDS-PP foram aproveitados. Enquanto nos três partidos à esquerda do PS houve grosso modo 140.000 votos desaproveitados. Mais um "estádio da Luz", só que desta vez não decidiu nada...
Posted by pTd at 07:10 PM
A vitória da (extrema) esquerda
Hoje já podemos analisar melhor os resultados do eleitoral dia de Santo António, das noivas e de Zidane.
Primeira conclusão verdadeira: a coligação Força Portugal sofreu o seu pior score de sempre em simultâneo com o espectro que representa, a direita.
Primeira ilação a tirar: 1+1 != 2. Uma fatia significativa do eleitorado do centro que vota PPD/PSD não vota PPD/PSD + CDS/PP.
Segunda conclusão verdadeira: a grande vencedora destas Europeias foi a extrema direita civilizada que hoje temos. Bloco de Esquerda e PCTP/MRPP aumentaram as respectivas percentagens e no caso dos bloquistas isso teve uma importância extrema. Afirmaram no terreno do eleitorado o espaço que já tinham conquistado no terreno da opinião publicada. São hoje uma força política a levar em conta e a sério. Vejam os números deles sobretudo no Norte, região tradicionalmente de tendência direitista. Há distritos em que foram a terceira força política e, dizem os números que não eu, seriam a segunda caso o CDS/PP se apresentasse fora da coligação...
Segunda ilação a tirar: o Bloco e Garcia Pereira não roubaram votos à esquerda de gravata e risco ao meio: o PS subiu muito e os comunistas & cia estancaram a sangria. Ou seja, como explicarão os politólogos: houve uma deslocação maciça do eleitorado da direita para a esquerda.
Terceira conclusão verdadeira: a extrema direita civilizada foi também copiosamente derrotada. Manuel Monteiro sobreviveu por um triz e boa vontade.
Posto isto, vamos a fait divers. A propósito da inesperada copiosa derrota (e o inesperado está na dimensão GRITANTE do "copiosa" pois já se sabia que as forças afectas ao governo levariam no toutiço) escrevi ontem a quente que pedia JÁ ao Presidente da República a cabeça do Primeiro e eleições antecipadas. Não foi um cartão amarelo: foi vermelho vivo. Hoje li que Garcia Pereira também disse isto mesmo. Já somos dois.
Os meus leitores responderam. «pedir até pode. mas para quê? E, principalmente, porquê? Houve algum facto suficientemente grave para o PR decidir da dissolução da AR e marcar eleições antecipadas?» (Kevin Concreto).
Na minha opinião houve, caro Kevin Concreto. A crueza dos números. Bem sei que são eleições diferentes, mas não são tão diferentes como dizem. Você votou nos programas para a Europa do respectivo partido? Ou votou em defesa desse mesmo partido e das pessoas que o compõem? Alguem votou nos ideários europeus dos partidos (admito a a excepção provável mas não provada do BE, única força em campanha a manifestar posições que tinham a ver com as eleições em causa)?
Há dois anos o eleitorado do centro decidiu castigar o PS e promover o PSD. Por força das circunstâncias (formar um governo menos frágil) Durão Barroso aliou-se posteriormente ao PP. Dois anos bastaram para se perceber a) que a coligação do ponto de vista eleitoral é um erro, embora o não seja do ponto de vista funcional da democracia; b) o governo afinal ficou frágil na mesma, não dando resposta às necessidades da maioria da população (e por conseguinte da maioria que elegeu os governantes).
A minha única dúvida -- e daí apresentar a ideia da dissolução da AR em termos pouco mais que nominais, numa linguagem suave -- reside na capacidade actual de uma hipotética coligação de esquerda. Os resultados de legislativas antecipadas seriam claros. Não tão clara seria a capacidade de governar por parte de uma putativa coligação PS-BE (ou, mais difícil no plano formal mas mais fácil para arranjar um naipe decente de ministros, PS-PCP-BE). O Bloco não tem, ainda, lastro suficiente para apresentar figuras ministeriais. E o PS tem internal affairs por resolver... E poucas figuras ministeriais (que eu admire como tal, pelo menos).
Logo, faço minhas as suas dúvidas: «temos agora tempo, disponibilidade e mobilização para perder mais seis meses?». Acho que não temos. Mas quando se questriona «melhorava o país entretanto? Havia mais competência, mais seriedade, mais empenho, menos funcionalismo público, menos chico-espertice, corrupção ou amiguismo?» a minha resposta, depois de muito ponderar, só pode ser uma: abstenho-me na "competência", digo que sim a todas as outras.
Um anónimo escreveu: «Ao contrario do Paulo, o líder da oposição tem miolos e sabe que estas eleições são Europeias. Não tem nada a ver!». Não me restam dúvidas sobre as propriedades mioleiras do Dr. Ferro Rodrigues. É em parte por ela que é ele o líder da oposição e não eu ;)
Já jcd estranhou uma afirmação: «"a abstenção favorece sempre quem está no poder". Posso perguntar-te qual a fonte de uma afirmacão tão estranha? Quem está motivado, vota. E quem está mais motivado para votar é quem quer mudar o status quo.».
Caro jcd: a afirmação não é minha, é dos compêndios da política e da respectiva praxis.
Quanto ao resto: não. Em eleições pouco apelativas para o eleitorado, quem vota são os núcleos duros dos partidos (os únicos "motivados" ou no mínimo empenhados). Quem fez maior e mais lacinante apelo à não-abstenção? Exceptuo Jorge Sampaio, que cumpriu o seu papel. Os políticos da oposição é que se desgastaram, mais os respectivos aparelhos eleitorais, nesse apelo. Os políticos das forças do governo fizeram como Sampaio, o discurso que lhes competia... há uma diferença entre um apelo formal e um apelo do coração, da vontade, do entusiasmo.
Agora, o que conta é a interpretação dos sinais. E ao valorizarem a abstenção enquanto "valor" eleitoral estão a prestar o pior tributo à democracia, retirando o mérito do voto, diminuindo quem trocou a praia pela assembleia de voto.
Finalmente: Se você (e demais leitores) acha que o universo de 40% da população não é representativa da população inteira, só lhe posso recomendar que estude um bocado de estatística. Só uma análise comparativa muito profunda, distrito a distrito, quase voto a voto, permitiria concluir se houve ou não algum desvio de resultados em função da abstenção. Não a posso nem sei fazer, mas deixe-me basear-me na experiência de quem viveu com atenção todos os processos eleitorais realizados em Portugal nos últimos 25 anos para mandar um palpite: tivesse a afluência às urnas batido o recorde de participação, com uma taxa de abstenção mínima e irrisória, e os scores percentuais seriam exactamente os mesmos até ao primeiro dígito depois da vírgula. Faço-me entender?
Uma nota final. O voto electrónico, tema ao qual tenciono voltar em breve, assim haja tempo. Escrevi uma peça sobre isso no Expresso imediatamente anterior às eleições. Um conhecido que a leu felicitou-me. E deu-me uma perspectiva que eu não tinha e me deixou a pensar. Os estudantes, à proa da legião de massas deslocadas que há neste país. Dos 20, 25 mil universitários do
Algarve a maioria vem das terras de acima do Tejo. Quantos deles foram a casa votar? Quantos deles se deram ao trabalho de mudar a respectiva mesa de voto para Faro, só para poderem votar durante os anos de universidade? Quantos votaram?!? Estes argumentos apresentados pelo meu amigo deixaram-me à nora. Sim, o voto electrónico TEM d ser uma realidade o mais rapidamente possível.
A UMIC está a fazer o que pode (e foi muito para estas eleições) para tornar o voto electrónico possível. Oxalá haja uma decisão favorável para as próximas legislativas.
A decisão é eminentemente política e nada tem a ver com a tecnologia. Agora... haverá interesse dos partidos do sistema (PPD/PSD e PS) em avançar com o voto electrónico? Não se conhece -- e teme-se... -- o impacto do voto electrónico no actual status quo partidário. Talvez os estudantes votem mais nas franjas radicais... E os cidadãos com necessidades especiais, em quem votariam? Mas por outro lado outros deslocados de idade mais avançada terão eventual tendência a favorecer os conservadores... O voto pela Internet está infelizmente postos de parte: teme-se o efeito do voto familiar, isto é, da perda de liberdade que é garantida nas assembleias de voto.
Hum... um amigo meu de há longa data (três décadas...) desfez-me o argumento do voto familiar com o exemplo da sua própria família. Ele já não, claro, mas um dos parente vota, contrariado, no partido em quem o parente que "veste calças" manda votar... O voto familiar é uma realidade. Mas tendo em conta a defesa do princípio da liberdade de voto, que é um baluarte do sistema democrático, percebo que a classe política dominante tenha dúvidas em formalizar o voto electrónico pela Internet. Agora nas assembleias de voto, permitindo a votação em qualquer círculo eleitoral que não forçosamente o do recenseamento, já não se vislumbram mais desculpas para o impedir.
Posted by pTd at 06:45 PM | Comments (7)
A massa de que são feitos os heróis
Como o futebol é engraçado. O homem que nos últimos três meses arrastou nos relvados o seu próprio fantasma, incluindo ontem no estádio da Luz, marca um golo absolutamente fabuloso (para figurar nos manuais de estilo do futebol) e converte com frieza uma grande penalidade, tudo isto nos três minutos de descontos virando o resultado. Os heróis são feitos da mesma massa que Zinedine Zidane.
Posted by pTd at 05:49 PM | Comments (2)
junho 13, 2004
Da-se!
A direita portuguesa foi derrotada copiosamente. Que grande tareia! E se levarmos em conta que a abstenção favorece sempre quem está no poder... Só não percebo uma coisa. Se eu fosse líder do maior partido da oposição pedia JÁ a cabeça do primeiro ministro e eleições antecipadas. É que não se tratou de um cartão amarelo. Acho que foi vermelho directo. Expulsão e um jogo de castigo. O cavalheirismo tem limites.
[Parabéns Miguel e bloquistas. Já mereciam.]
Posted by pTd at 10:32 PM | Comments (10)
junho 12, 2004
Uma coisa é certa: adeus geração de ouro
O José Mário Silva fez um bonito "relato escrito" do Portugal-Grécia mas o melhor rescaldo no BdE veio da Segunda questão óbvia do Luis Rainha: «Portugal já não faz um jogo de jeito há anos e nem sequer estaríamos no Europeu se não tivéssemos comprado a nossa entrada com alguns milhões de contos em estádios».
É triste. Mas é a incontornável verdade. Há pouco a deliciar-me com a primeira parte do Espanha-Rússia pensava isso mesmo. A geração de Ouro do futebol português está morta e enterrada. Ganhou o que pode: dois mundiais de juniores. Depois brilhou e enriqueceu nos clubes. Mas a verdade é esta: juntos não jogam um caralho. O último jogo decente que fizeram foi há quatro anos, o dos 3-2 à Inglaterra no Euro 2000. Depois têm sido uma equipa sem imaginação, sem soluções, sem criatividade, sem espontaneidade. O profissionalimo de Figo e Couto, o esforço de Pauleta? Ok, respeito. Mas temos pena: ser profissional não chega. O futebol não é um 9 to 5 job.
[PS: Aliás, nem outra coisa senão a desilusão era de esperar de uma equipa feita à imagem e semelhança de Carlos Queiroz: bonitos discursos, entradas promissoras -- e tudo acaba em mijarete]
Posted by pTd at 09:01 PM | Comments (9)
Ora bem, isto é futebol!
Intervalo do Espanha-Rússia, jogado aqui ao lado, no Estádio do Algarve, o tal que foi feito para três jogos de futebol e depois será votado ao abandono. Bem: depois do jogo naturalmente emocionante porque era Portugal, mas pobre em termos técnico-táticos, isto sim, é futebol. Bem jogado. Inteligente. Estão empatados a zero e deviam estar empatados a uma ou duas bolas. Volto para o sofá.
Posted by pTd at 08:41 PM
Os vizinhos que me desculpem...
... mas vou pró sofá torcer por um empate entre a sua Espanha e a Rússia. Por motivos óbvios que espero que compreendam ;) Não tivessem os gregos feito história e eu preferiria que a Espanha ganhasse.
Posted by pTd at 08:11 PM | Comments (1)
Bem, primeira bebedeira é para esquecer...
(Lá vou ter de afogar as mágoas da derrota...) Portugal não jogou mal. A equipa foi surpreendida pelo risco do seleccionador alemão da Grécia, tomou-se de nervosismo e é tudo.
Scolari fez tudo bem. Não previu (era difícil acreditar no discurso dos gregos...) uma Grécia ousada. Mas escalou a melhor equipa para o primeiro jogo. Ele tinha de meter Rui Costa para o deixar queimar-se sozinho perante os colegas, os media e o país inteiro. Um gajo tem de assumir o que vale. Rui Costa que assuma: já não está à altura.
Agora, aposto em como no segundo jogo Deco é titular e o esclerosado ancião Rui Costa fica no lugar dele (o banco). Dois pontas de lança na área, Nuno Gomes e Pauleta. Depois, das duas uma: ou Deco ao meio, Figo e Cristiano Ronaldo a trocarem-se nas alas e Maniche como médio recuperador e vaivém; ou Deco como vaivém, Figo ao meio e Ronaldo e Simão a revezarem-se nas alas e o quarteto defensivo subido no terreno para ocupar o meio campo, com os laterais mais concentrados no trabalho defensivo.
Mandam os livros seguir a primeira, que tem menos risco. Eu como não sou seleccionador escolhia a segunda, risco total, ataque total, sufocar o adversário e obrigá-lo a cometer erros. A velocidade somada de Ronaldo e Simão, aliada à excelente mobilidade dos dois pontas de lança, é suficiente para deixar qualquer defensiva do mundo à beira de um ataque de nervos. E, naturalmente, inibir-lhe o pensamento ofensivo.
Mas o seleccionador é Luis Filipe Scolari.
Posted by pTd at 07:47 PM | Comments (1)
Da inutilidade e outros contos
Quem ler a entrada abaixo (As bandeiras para efeitos de arquivo) percebe depressa porque é que eu não voto há duas décadas. Acho o meu voto um desperdício do meu tempo. Cada um fala por si e não temos de estar todos de acordo, ok?
Confesso: embora remotamente e num período de insónias, em que um gajo chega a alucinar, ponderei a hipótese de ir votar nestas europeias. A minha irmã, que vota à esquerda, naturalmente cumpre o seu papel e aqui e ali, como quem não quer a coisa, larga a sua tentativa de influência para me fazer ir votar. Ela acha que eu também voto à esquerda.
Ora, um dos meus problemas -- e que me fez não ir votar desta vez -- é: em quem vou votar?
Fora de questão votar PPD-PSD ou PS, ponto final parágrafo e não perderei tempo a explicar porquê. Gosto da truculência de Odete Santos, mas até que ponto é útil ter em Bruxelas um deputado deste PCP velho, cego, paralítico, sem causas, a caminho da extinção? Naturalmente, podia votar Bloco. Sim. Quer dizer: parece que sim. Ao contrário de quase todos os bloquistas e simpatizantes, gostei do cartaz do padeiro. Acredito até que ter um, dois ou três deputados do BE lá pelas europas era bom para nós. No mínimo ficamos um bocado melhor informados sobre as manigâncias de escala europeia, pois os deputados dos outros partidos já estão demasiado metidos no sistema para virem fazer denúncias...
O problema é que a gente vota em pessoas, né? E o meu ex-camarada de redacção Miguel Portas desiludiu-me um tanto um dia destes, no skatepark do Parque das Nações, onde festejava o aniversário dum dos seus rebentos. Gosto do Miguel-pessoa, gosto do Miguel-político -- mas lá está, a gente vota em pessoas e depois daquele breve episódio (provavelmente sem significado, até) eu não poderia entregar o meu voto ao Miguel.
Ao irmão dele? Bahahahahahahah! Ihihihihihihihihi! Ahaahahhahahaha!
Desculpem o ataque de riso. Por uma questão de rigor tinha de colocar a hipótese de votar no CDS-PP (afinal é um dos partidos existentes e com alguma expressão, pese embora a sua vacuidade). Paulo Portas não é um político. É um actor da política. Descubram as diferenças.
Restam o PND e o MPT. Tem pessoas de bom trato, como um dos bloggers que mais respeito, o nosso amigo João Carvalho Fernandes do Fumaças. Ultimamente tenho reparado que a diferença entre um acrata e um liberal social é pequena (embora irredutível, é pequena). E o exercício em causa -- as eleições europeias são as únicas eleições que contam verdadeiramente -- é suficientemente importante para, por um dia, ultrapassar essa diferença.
Mas JCF é ilegível. E sobre Manuel Monteiro restam-me algumas dúvidas. Já o vi demasiado extremista à direita e tem tiques xenófobos que me provocam uma urticária desmedida.
Portanto, ainda não é desta que volto a exercer o meu direito de ser mais um inútil no meio da turba eleitoral. E agora interrompo porque já acabou a palhaçada das cerimónias, hinos e quejandos e a bola vai começar a rolar. E eu gosto de ver futebol e não perco a estreia da selecção, até logo ou até amanhã, mais provavelmente até amanhã porque já combinei com um amigo de há 30 anos um jantar: ou festejamos a vitória com uma bebedeira histórica, ou lá teremos de afogar a mágoa numa bebedeira histórica. É a sina de português ;)
Posted by pTd at 05:08 PM | Comments (7)
As bandeiras
Sim, eu sei, é foleiro à brava ver as bandeiras espetadas por tudo quanto é sítio, taxis incluídos. Haverá maior desprestígio para o símbolo nacional do que ver-se pendurado na corda da roupa por duas molas velhas ou a sair da janela dum tacse a cair de pôdre?
E no entanto o simbolismo do gesto ultrapassa as considerações estético-filosóficas que cada um de nós pode fazer.
O país está deprimido? Ok. Resposta de um português: cria-se uma comissão, contrata-se uns marketóides e damos uma palmadinha nas costas do povo. Resposta de um brasileiro: está convocado para o Euro, jogue com esta tática, meta uma bandeira à janela!
É escusado dizer qual das respostas está certa.
O que o professor Marcelo (e outros opinaristas do género) esquecem é que não é propriamente a auto-estima dos portugueses que anda na merda: é a sua carteira e o reconhecimento da sua competência.
O português é um povo historicamente enrrabado pelas elites. Passámos dos senhores feudais à monarquia, da monarquia ao fascismo, em que a riqueza estava concentrada em cinco famílias e do fascismo a uma democracia capitalista em que a riqueza se "distribuiu" de cinco famílias para uns 50 "grupos económicos".
Dito de outra forma: por toda a Europa, mais depressa ou mais devagar, desde o fim do feudalismo as classes médias tomaram parte substancial das riquezas pátrias e instalaram-se nos centros de decisão. Toda? Não. Num cantinho da península Ibérica um povo continua a não ter a almofada das classes médias para encostar a cabeça. Aqui o produto do trabalho de 95% do povo continua a ficar nas mãos de 0,1%. Enrrabados sem vaselina.
É isto que esquecem o professor e demais opinaristas preocupados. Aliás, percebe-se porquê: eles são a classe média nacional. Praticamente a única que temos. Ora, a classe média é por definição míope: vê pouco além do seu umbigo. A classe média pode dar-se ao luxo de ir ao psiquiatra dizer que tem a auto-estima em baixo. O lúmpen bebe mais uma mine ou vai ao SBSR encher a alma da música (ou barulho) que gosta e lá repõe os níveis e tem uma boa imagem de si. O que lhe falta é um patrão decente, que lhe diga que ele é bom trabalhador, que se preocupe com ele, que o trate como uma pessoa, o incentive e, já agora, pá, um aumentozito era bem vindo caraças, que eu ando de Fiat Uno e tu tens três BMW e um Mercedes na garagem, né? E falta ter uma classe média (médicos, políticos, professores, profissionais liberais) com poder, com pujança, que torne possível o sonho de crescer, de subir na escala social, que motive e reforce.
[Porque essa de alimentar tais sonhos à custa da parolice das revistas sociais não funciona, meus amigos: a maltosa sabe que aquilo é tudo fancaria, os nomes do jet set sairam directamente dos cabeleireiros da Amadora e da Cruz de Pau. Dali não vem estímulo algum a alma nenhuma e muito menos conforto.]
É assim que interpreto esta coisa da bandeira. Não tem nada a ver com nacionalismos. Alguém falou directamente ao coração do povo. E o povo respondeu. Retribuindo com a sua natural generosidade.
[PS Aliás, não é por acaso que foi Scolari o autor deste súbito dar de mãos entre o povo português. Ele é brasileiro. Lá também não há classes médias e a disparidade entre os muito, muito ricos e os pobres é ainda pior do que em Portugal.]
Posted by pTd at 04:27 PM | Comments (9)
junho 10, 2004
Dia de Camões, de Portugal e das Comunidades Lusófonas e do weblog.com.pt ;)
Faz hoje um ano era feriado (claro...) e vim do Meco cedo, pelas 7:30. Tomei o pequeno almoço ali perto da minha xafarica de então, nas costas do Monumental. Pela manhã fora ultimei os preparativos para abrir o weblog.com.pt aos familiares e amigos. Na véspera tinha terminado, com sucesso, a passagem dos cinco blogues que já tinha alojados no meu servidor, mas noutro sistema editorial e noutros endereços.
(imagem maior em nova janela, 775 px de largura, 150 Kb de peso.)Por antiguidade: o mil mais uma, depois passado a Ene coisas, o huuuuu.... o vento lá fora, hoje (o vento lá fora)*, o tudo vale a pena e o blog do miguel (ambos finados), e no bosque ocidental que se mantém aqui ( disponível uma imagem da primeira versão).
O projecto nasceu por causa do livro que estava a preparar com o Luís e... como terapia ocupacional numa fase amarga da vida (esta é inédita, nunca tinha dito em público). A ideia era chegar a fim do ano com uns 30 a 40 blogues entre família, amigos e conhecidos. Mas o destino tinha ideias diferentes das minhas e 365 dias depois é o que se vê: 2.000 blogues criados, 1.041 ainda em registo, cerca de 500 com actividade, quase 100.000 entradas, o dobro de comentários. Uff.
Para comemorar decentemente a efeméride gostava de apresentar novidades. Mas ainda estão em lume brando.
Fica uma lembrança. Um print screen do rosto do weblog.com.pt 15 dias depois, já com onze blogues criados. Ora vejam-no AQUI (nova janela, 775 px de largura, 150 Kb de peso).
E outra: uma imagem da primeira versão d'(o vento lá fora)* que descobri hoje.
(imagem maior em nova janela, 790 px de largura, 116 Kb de peso.)
Posted by pTd at 04:03 AM | Comments (13)
F
Felicidade é erguer-te acima dos corpos dançantes e ficar a ver os teus olhos a brilharem perante o espectáculo do palco SBSR com os Linkin Park.
Posted by pTd at 02:58 AM
junho 09, 2004
Lamento
Lamento a morte prematura de Sousa Franco. Um dos raros políticos que ainda se podia admirar em Portugal. Pela sua coragem e frontalidade. Pelos seus defeitos humanos. Pela sua vontade e capacidade. Não quero saber das influências da sua morte nas eleições europeias e no futuro do seu partido. Nem de comparações com Sá Carneiro. Quero apenas deixar o meu lamento público e a minha solidariedade à família.
Posted by pTd at 04:13 PM | Comments (4)
junho 08, 2004
T
Há muitas maneiras de recordar alguem. Há muitas maneiras de gostar de alguem. E não somos todos iguais. E o carinho - não pertence a categoria alguma, é ele próprio uma. As mãos.
Posted by pTd at 12:53 AM | Comments (1)
junho 06, 2004
I
O tempo passa e o telemóvel não recebe nenhum sms teu. O acordar de hoje devia ter sido mais ténue nas recordações mas não foi. Ficaste cá dentro.
Posted by pTd at 04:56 PM | Comments (6)
junho 05, 2004
R
As minhas mãos acordaram e perguntaram-me pelas tuas. Foi difícil explicar-lhes que dos intensos momentos da noite passada que passaram acasaladas com as tuas só ficou a recordação, surpreendentemente doce. Nem te podemos, as minhas mãos e eu, escrever um sms a agradecer a existência da tua beleza.
Posted by pTd at 04:43 PM | Comments (3)
C
Vejo mal pela lente direita. Mas não quero limpá-la do suor do teu rosto que a engordurou ocasionalmente ontem, antes do nosso maravilhoso passeio à cidade velha.
Posted by pTd at 04:33 PM
junho 04, 2004
O melhor cocktail de drogas do Mundo
Como hoje é a sexta feira dos anos 80 na Ovelha Negra fui a correr ali à farmácia comprar Guronsan. Eheh, duvido muito que alguém se tenha dado ao trabalho de ler o folheto que vem lá dentro da embalagem. Mas recomendo a leitura. É obrigatória. Da próxima vez que procurar ansiosamente pelo tubinho milagroso, uma vez tomada a sua dose perca quatro minutos a ler.
O Guronsan é o melhor cocktail de drogas jamais produzido pela indústria farmacêutica (o Viagra rivaliza mas tem efeitos secundários).
O único efeito secundário conhecido é a insónia (graças a _____!). Razão pela qual o folheto recomenda que se tome antes das 16 horas... De resto, absolutamente nenhuma contra-indicação para adolescentes e adultos em idade de embriaguez. Não deve ser administrado a lactentes (basicamente porque não se percebe porque raio havia um lactente de precisar de tomar Guronsan e não pelo seu conteúdo) e se uma mamã em amamentação o tomar o crianço ou crianços não receberá via leitinho nem o cheiro do medicamento. E também se recomenda atenção às idades terminais mais uma vez por causa das insónias e, devido às quantidades astronómicas de sódio que o Guronsan contém, convém verificar o estado hiponatrémico do "doente" em causa. Mais uma vez, repito, trata-se de "tomar atenção" -- coisa que fica bem a um folheto de medicamento informar-nos...
Quanto à posologia, a dose recomendada é de dois comprimidos, um de manhã e outro à tarde. Mas toda a gente sabe que os melhores efeitos se obtém tomando um valente Guronsan quando se chega a casa / banco de jardim / tenda / banco do carro / sofá do amigo / whatever em adiantado estado de tabagismo e/ou alcoolismo. Ou seja, é a última coisa que fazemos antes de nos apagarmos para o Mundo. Dessa forma o Dia Seguinte será menos penoso e outro Guronsan ao acordar tem o melhor efeito possível.
Quanto a esta noite: a sexta-feira dos anos 80 é a melhor noite do mês na Ovelha Negra. É aliás o único dia do mês em que se pode alimentar a remota esperança de um engate. Muiiiiito remota, mas ainda assim a possibilidade existe. Nos outros 29 dias a Ovelha Negra é rigorosamente um discreto bar onde se está à conversa e se admiram (já vos tinha dito?) as mais interessantes mulheres do Algarve e arredores. E alguns homens também.
Posted by pTd at 04:24 PM | Comments (2)
A mosca: as provas
O prometido é devido. Quem duvidava da competência desta brilhante equipa pode começar a comer os chapéus das apostas (excepto o Estagiário Brasileiro, O, PhD, que foi declarado MIA, [Missed In Action seus analfas!] a meio da noite devido à taxa de alcolémia que apresentava e avariou o aparelho. Sem recuperação possível). Eis um Emocionante Close-Up da Mosca Do Mictório fotografada e emitida em directo e ao vivo da Ovelha Negra para o meu moblog via MMS (não confundir com um umbigo e mais além, a câmara do P800 não é famosa):
Fotografia integral da famosa Mosca, idem idem aspas aspas que tenho de ir ali checar a torrada que tá ao lume:

Posted by pTd at 05:27 AM | Comments (6)
junho 03, 2004
A mosca: levantada a Pista Vitoriana, novo trabalho de campo esta noite produzirá mais resultados sensacionais!
A descoberta da «Pista Vitoriana» teve como consequência imediata a reabertura das investigações, que dado o carácter urgente levou a que fossem agendadas para o mais breve possível. Isto é, logo à noite mal abra a porta da Ovelha Negra (Rua Capitão-Mor nº 7 em Faro, horário: 23:00-04:00) .
Prometem-se revelações inolvidáveis de factos e provas, a saber: fotografias da Mosca sita no mictório do WC (Homens) da Ovelha Negra tiradas a intervalos, bem como da zonas circudantes de forma a provar a tese em curso (ler principais conclusões aqui).
Posted by pTd at 07:33 PM | Comments (2)
O efeito da mosca: novas revelações surpreendentes!
Novas pistas contribuintes para a tese em curso doutamente intitulada «A Genialidade Do Designer Autor Anónimo Da Sublime Ideia De Pintar Uma Mosca No Fundo Do Mictório Que Equipa Os WC Masculinos Dos Bares E Outros Equipamentos Públicos Que Projectam Um Elevado Consumo De Bebidas Com (Muito) Alcool» (Querido, P. Prof-Doutor da Ordem Da Superbock Gelada Entremeada Com Shots De Absolut, Ene, L. Prof-Assistente, idem, e Brasileiro, O Estagiário ibidem, aguarda publicação nas Melhores Revistas Científicas Com Direito A Tachos Do Governo E Tudo). As Principais Conclusões podem ser consultadas aqui ou mais abaixo nas Entradas Relacionadas.
Imagens da Famosa Mosca Dos Mictórios googladas por Ene, L são consultáveis em segunda-mão aqui.
Corroborando a tese do investigador estagiário Brasileiro, O, que durante um ano (enfim, mais ou menos, ele não se lembra) aprofundou a temática visitando com regularidade e Elevado Espírito de Missão os bares da Red Light de Amsterdão, o designer autor anónimo terá sido um zeloso arquitecto da indústria de sanitas holandesa -- cf. Fly UI, por Maddog: «I have seen one of the finest instances of user interface design ever, and I saw it in the men's room at Schipol airport in Amsterdam» e parágrafos seguintes.
A aturada investigação desse Distinto Investigador Científico da Universidade de Toronto levou-o à «Importante Pista Vitoriana». Ainda não está cientificamente comprovada (falta a assinatura do presidente da Junta da Mosca, que SOU EU) mas, baseando-se nos Inestimáveis Contributos dos Correspondentes Rupert Goodwins e Jez, suspeita-se que os introdutores da Tecnologia Vitoriana Dos Toilets já usavam pontos de mira nos pee wholes. Nomeadamente sob a forma de reproduções dos alvos do tiro com arco.
Continua no entanto por estabelecer se se pode efectivamente falar com segurança de um link entre os dois modelos. Poderá o alvo ser o antepassado da mosca? O Elo Perdido? A Arqueologia Do Urinol é um mosaico fragmentado onde se torna muito difícil confirmar a evolução das espécies devido aos enormes saltos temporais entre as descobertas. Isto excluindo os efeitos da bezana sobre os investigadores que trabalham no terreno e que dificultam a datação das provas.
Ainda sujeito a avaliação antes da plena integração na Redacção Final da supracitada Tese (que, devido à sua dimensão e profundidade, se espera venha a constituir uma verdadeira Tesão no campo das Ciências do Urinol) está outro contributo do nosso Distinto Colega canadiano. Que tenta responder à «Intrigante Questão da Escolha Do Melhor Local Para Pintar A Mosca». Transcreve-se:
«A discussion about the question why the fly is on the left and not in the middle:
* Men are mostly righthanded, so they hold their little fella slightly aimed to the left. [ed: Really? Wouldn't the pull be more to the right?]
* Pure physics: if the fly were in the middle, all the splatter would come back; now it splashes to the side».
Esperam-se mais contributos para esta Importantíssima Dúvida que mantém suspensas duas indústrias (a dos Urinóis e a Hoteleira) e atormenta os Bededores Frequentes.
Posted by pTd at 07:13 PM
O efeito da mosca
Estou a preparar uma tese de doutouramento. O tema é: «A Genialidade Do Designer Autor Anónimo Da Sublime Ideia De Pintar Uma Mosca No Fundo Do Mictório Que Equipa Os WC Masculinos Dos Bares E Outros Equipamentos Públicos Que Projectam Um Elevado Consumo De Bebidas Com (Muito) Alcool».
Principais conclusões do meu aprofundado estudo, para o qual percorri 1.743 bares, discotecas, restaurantes, tabernas e demais estabelecimentos onde um gajo se pode embebedar e eu fi-lo (foram analisados somente os mictórios masculinos):
1) As salas equipadas com sanitários COM MOSCA são em 97% dos casos mais limpas que as salas equipadas com sanitários SEM MOSCA. Em 43,2 % das amostras apresentavam por volta das 4 da manhã um aspecto praticamente imaculado.
2) Como é sabido, ao mijar o bêbado (masculino) tem tendência a armar-se em equipamento de rega por aspersão; contudo a mosca parece contrariar essa necessidade (o estudo não tergiversou pelos meandros labirínticos da psicologia da bebedeira mas deixa o caminho aberto a sociólogos e estudantes de psicologia). Poder fixar um ponto negro no alvo mictório tem um poder extraordinário sobre a psique alcoolizada. O bêbado (qualquer grau mas com uma relação proporcional relativa ao grau de alcolémia no sangue) substitui o fetiche da rega por aspersão pelo sanguinário desejo de queimar a puta da mosca com o seu jacto -- o que o leva a concentrar todos os seus esforços num jacto perfeito, fino, manipulável (mesmo sem mira telescópica) como se de uma arma se tratasse, de forma a abater a mosca e empurrá-la canos abaixo.
3) O facto de não se tratar de uma mosca real mas sim de uma mosca pintada tem um efeito curioso (e de grande importância para os donos dos equipamentos hoteleiros em causa): transtornado por não conseguir alcançar o seu objectivo de aniquilar o arreliador insecto voador que está no sítio errado à hora errada, o bêbado sofre um imediato efeito de ganho de lucidez. Volta ao bar menos bêbado e pede mais um ou dois copos da bebida da sua preferência (quando não opta por uma mais forte e cara) de forma a reconquistar forças (e jacto) para voltar à sala do duelo com a mosca. Repetidamente.
4) A sociedade civil em geral e os donos dos equipamentos hoteleiros em particular deviam envidar os maiores esforços no sentido de apurar quem foi o autor da ideia de pintar a mosca no fundo dos mictórios (masculinos). Não só esse tipo de genialidade merece as mesmas honrarias dos arquitectos de estádios de futebol, catedrais, bairros suburbanos e dos engenheiros de pontes, como não se deve excluir de todo a possibilidade de lhe erigir uma estátua nas praças centrais (ou no mínimo à entrada das zonas de bares) das principais cidades consumidoras de vários tipos de bebidas alcoólicas (e da cerveja em particular).
5) Agradecidas, as funcionárias de limpeza e até as empresas do ramo deveriam cobrir o autor da ideia dos maiores encómios pela poupança em tempo e detergentes que uma simples mosca (pintada) lhe proporciona.
6 e final) Todos nós, bebedores profissionais e amadores, temos uma profunda dívida de gratidão para com O Genial Autor Da Ideia De Pintar A Mosca Nos Mictórios. Graças a ela (e ao autor, claro está) pisamos muito menos urina fétida e podemos levar uma gaja ao WC (seja para que efeitos práticos for, de fumar um charro a bater um côro a dar uma rapidinha ou a partilhar uns traços de coca) exibindo um profundo orgulho no seu asseio (coisa que elas não podem fazer: ao invés dos homens a rega por aspersão é, nelas, uma coisa natural e inelutável).
Posted by pTd at 05:53 PM | Comments (2)
Não, não fui...
A pedido de várias famílias cá vai o que faltou aqui:
Já foste marcado esta noite? é o título da publicidade do WC da Ovelha Negra. Em baixo as palavras Pede um desejo intercalam conforme o ângulo de visão (é uma pub 3D) com o nome da vinhaça que, uma vez pedida ao balcão quando sairmos porta fora, nos levará com absoluta certeza e garantia ao objecto do desejo... isto se não tivermos sido marcados. Sei lá eu o que ia na cabeça do publicitário responsável por semelhante cena.
Não, não fui marcado esta noite. Nem pedi um desejo e muito menos bebi aquela merda (como sabes, Luís, em matéria de alcool sou rigorosamente fiel na minha bigamia). Mas pastoreei mais duas ovelhas interessantes...
Posted by pTd at 04:49 AM | Comments (2)
Ainda a tesão dos blogues
O João Craveiro identificou-se (e bem) com algo que escrevi no texto anterior (E depois da tesão de mijo?), escrevendo um post curto e exemplar sobre Visitas. Agradecendo e devolvendo a vénia, a leitura do texto dele e uma conversa há pouco com o meu amigo Luís deixaram-me algo mais a dizer sobre o tema.
Números redondos: 30 % dos blogs são nado-mortos, ou seja, são criados e não têm actividade alguma, ou eventualmente têm apenas uma entrada de teste. Outro terço (alguns estudos apontam para 40%) morre em seis meses. Só pouco mais de um terço sobrevive e dura.
Mas os números dizem-nos pouco. Enganam. É necessário tentar explicá-los ou percebê-los em vez de olharmos para eles bovinamente, aaahhhhhh.
A experiência no weblog.com.pt, onde ajudei a dar à luz exactamente 1.909 blogs, ensinou-me que muita gente cria o seu primeiro blog com entusiasmo mas sem projecto nem motivação. É o fenómeno do "é moda, é fácil, é barato, também quero!". Esse tipo de wannabe-bloggers mal se confronta com o editor zás, varrem-se-lhe as ideias e assustam-se e não chegam sequer ao primeiro post. O síndroma da página em branco.
Mas esses são poucos. O mais comum é o primeiro blog ser um exercício mal feito, mal planeado (se é que foi planeado...). E pronto, o autor larga-o e parte para outra. (O primeiro beijo, o primeiro namoro, a primeira redacção na Primária...) A grande maioria dos blogs que não duram seis meses insere-se nesta categoria. Ou seja: perdeu-se um blog mas não se perdeu um blogger, que mal acaba aquele primeiro exercício de autor abre de imediato um segundo blog já com um projecto, uma ideia, um fio condutor. Mas disto não falam os números.
Há escassas semanas participei num encontro de blogs regionais em Ourém onde deparei com outro exemplo de blog finito no tempo e no espaço, que também os há, como de resto me tem vindo a avisar o Luís. É aquele blog feito com um propósito (no caso recordar pormenores do passado recente da vila de Ourém) e quando o propósito se esgota, que fazer? Continuar o blog só porque sim? Em nome de quê? Corajosamente, o autor colocou as suas dúvidas à assistência. Também há blogs assim, com prazo de validade fixado à partida. Que depois vão constar nas "estatísticas" como blogs abandonados -- o que é um erro. Não foram abandonados nem "morreram" por falta de interesse, motivação ou leitura. Esgotaram o seu assunto e tornaram-se arquivo, ponto final.
Chamei a atenção (e registei com agrado que fui bem acolhido) para a importância da persistência, o ingrediente fundamental para manter um blog para lá do período inicial de embriagado entusiasmo. Os autores com experiência anterior da manutenção de espaços comunicacionais pela escrita (jornalistas, escritores, poetas, ensaístas, etc) já chegaram prevenidos pelo que é mais raro vermos desistências entre eles. Depois, é com mágoa que vemos partir autores excepcionais, como o João L. Nogueira (SocioBlogue, Metablogue). Porque se exauriu o João? Penso que foi uma questão de esgotamento. Ele investiu muito, demais, até à perfeição, nos meses iniciais e depois caiu no vazio. Para a nossa infelicidade pois tinha um blog exemplar e admirável (e admirado um pouco por toda a blogsfera).
Posted by pTd at 12:01 AM | Comments (4)
junho 02, 2004
E depois da tesão de mijo?
Graças ao BdE leio uma notícia do New York Times, "For Some, the Blogging Never Stops". Comentei no BdE mas decido promover o comentário a entrada.
Katie Hafner e Tim Gnatek falharam nalguns pontos. Nomeadamente, "the realization that no one is reading sets in. A few blogs have thousands of readers, but never have so many people written so much to be read by so few. By Jupiter Research's estimate, only 4 percent of online users read blogs".
Há uma diferença crucial entre escrever para a gaveta (o que faziam provavelmente milhares de actuais bloggers antes de o serem) e escrever para 20 leitores diários. Tenho um amigo que mantém o seu blog desde 2002, é lido por 20/30 amigos e está muito satisfeito com isso. Note-se que este meu amigo já foi director de uma publicação online com uma audiência diária de 15.000 leitores. O que o faz feliz por agora escrever para muito menos?
4 por cento de utilizadores é bastante. Sendo mais conservador que a ANACOM relativamente ao número de utilizadores da internet em Portugal, 4 por cento corresponderá a algo como 40 a 60 mil leitores - mais do que a circulação de centenas de publicações em papel e mais do que as audiências de dezenas de emissoras de rádio e mais do que muitos programas de televisão...
Ora, na realidade não acredito que o número de leitores de blogues em Portugal seja tão elevado. Não havendo (ainda) nenhum tipo de estudo, estimativa ou whetever sobre o assunto baseio-me no instinto e na experiência de quem anda nisto das nets há 15 anos para estimar a audiência global dos blogues portugueses nuns 15.000 a 20.000 leitores diferenciados.
Mas a questão das audiências é falaciosa. Não havendo comparação entre as experiências proporcionadas aos leitores/consumidores pelos blogs e pelos media, também não devemos comparar as suas audiências. O entusiasmo e a proximidade dos leitores de blogs com os blogs que lêem (e com que interagem) vale quanto, quando comparada com a trivialidade e desdém que tantas vezes emprestamos ao consumo dos produtos televisivos?
Destaco esta frase: "Perhaps a chronically small audience is a blessing. For it seems that the more popular a blog becomes, the more some bloggers feel the need to post". É verdade - mas não devia: um autor deve publicar seguindo o seu ritmo e sem fazer grandes concessões ao público.
O BdE e o Barnabé, entre outros, não escreveriam mais sobre futebol se seguissem os desejos da maioria do seus doutos leitores... o que era uma perda para a minoria que gosta de os ler sobre futebol e para eles próprios. Já agora, uma curiosidade: ao contrário dos leitores desses dois blogues, aqui n'(o vento lá fora) nunca tive sugestões, reclamações ou orientações para escrever ou deixar de escrever sobre este ou aquele tema. Algo que ainda não sei explicar, mas tem certamente uma explicação!
Vá lá, o artigo foca um aspecto importante: a persistência é o ingrediente fundamental para manter um blog para lá da tesão de mijo inicial :)
Porque blogo eu? Porque insisto, há ano e pico, em publicar quase diariamente no meu blog para ser lido por 500 a 1.000 almas -- quando tenho um espaço semanal há um ror de anos no Expresso onde putativamente sou lido por cem vezes mais gente?!
Porque são coisas diferentes, em primeiro lugar. Aqui eu opino, discorro, mando vir, insulto, chamo a atenção, intervenho; no Expresso faço jornalismo.
Ano e pico depois, este blogue está com 2.000.000 de caracteres, entre entradas e comentários. O equivalente grosso modo a 10 livros. Os números não dizem nada sobre o gozo, o prazer, a necessidade de comunicar e, acima de tudo, a felicidade de manter -- num local acessível esteja eu onde estiver -- uma parte da minha memória. O que é fundamental para o desmemoriado que eu sou.
(NOTA: decidi centralizar os comentários a este texto no BdE, para não haver dispersão.)
Posted by pTd at 05:35 PM
O mê amigue o Brasileire é que tem razão
O mê amigue o Brasileire (é triste: vinte e tal anos depois não sei como ele se chama realmente) tinha razão. É pena é eu não me lembrar já da frase dele, compreendam-me: em cinco minutos a pé da Capitão Mor nº 7 até casa um gajo lembra-se e ri de tanta merda que se esquece de pintelhos como esse... Mas tinha razão sinsora. O Brasileiro tem razão. Em cada frase que diz (ou quase mais ou menos... tirando aquela do bar de alterne, passo).
E no WC há uma frase publicitária que gravou a noite. Não me lembro, não me lembro... Deixa, não devia ser importante. Qualquer coisa sobre eu já ter sido marcado esta noite e era um anúncio a um vinho horroroso, daquelas pomadas que só mesmo um amaricano (ou um portuga troglodita) é capaz de gostar.
Não interessa. Nada. Aliás, nada interessa nem amanhã ser noite de Lua cheia, é apenas mais uma noite de Lua cheia em que o meu corpo não tem a companhia do teu, como tantas dos últimos dez anos, noite boa para surrealizar por aí, como fizeste mais vezes -- oh!, muitas mais! -- do que que ficaste comigo e fizemos o amor mais belo de que há memória. Nada interessa nem mesmo beber a fingir que se esquece, é treta só se recorda ainda mais. Oh, as histórias que podiam contar as garrafas assim todas catitas e brilhantes alinhadas na parada vagamente militar das paredes dos bares dignos.
(Post na lembrança do mê amigue Fernande Caetane, móce, aparece aí na Ovelha Negra na próxima sexta, débe!, vai ser do baril às 01:15 com uma rodada de shots programada para o bar INTEIRO!, nem que venhas de Alfa [já abriu cá pra Faro], levo-te a Lisboa no sábado de Corsa com ar condicionado e tudo, pôrra! E olha, vi o tê mane uma noite destas na rua de Sto António, tá gorde que nem um texugue!)
Posted by pTd at 04:23 AM | Comments (1)
junho 01, 2004
I'm busy
Os dias (e noites) têm sido curtos. Sem tempo nem inspiração para blogar. Quer-se dizer: escrever. Porque não paro de blogar de outras formas. Já iniciei a demanda de futuros substitutos do Movable Type e passei os últimos dias a apalpar as tendências de futuro nos blogs americanos.
O WordPress é um grande candidato, sobretudo depois de ter migrado facilmente e com taxa de sucesso de 100% TODO O MEU BLOG para aquela plataforma, incluindo comentários, trackbacks e até a manutenção do arquivo anterior para não quebrar links já feitos. Desculpem não dar o endereço dessa cópia d'(o vento lá fora), mas entretanto avacalhei aquilo tudo no fine tunning :D
Mas há mais candidatos. E é até bem provável que o weblog.com.pt não se fique por uma única plataforma, dando a opção de escolha entre diversas aos utilizadores. Uma delas será certamente o Easy Moblog, na vertente dos moblogs (moblog.com.pt, o "mano" do weblog.com.pt) Mas... tcharan... É capaz de haver surpresas, hoje recebi um e-mail interessante e aguardo um telefonema de França :)
O que é já um dado adquirido é que o projecto do weblog.com.pt sofrerá remodelações profundas durante o Verão. Vamos com calma, OK? Os blogues que já lá moram gratuitamente têm o seu espaço assegurado (ainda que possam vir ou não, depende, a ser convidados a mudarem de sistema editorial). E o espaço gratuito voltará a ser aberto, é uma questão de tempo e organização minha (continua a ser um projecto solitário).
No entanto as opções de serviços pagos serão privilegiadas na oferta. E em alternativa haverá formas de ajudar o projecto sem gastar um cêntimo.
