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setembro 30, 2004
Larguem os browsers barrascos, melhorem a vossa navegação!
Já instalei o Firefox versão 1.0 (preview release) há dias e vou-me maravilhando com as suas funcionalidades. Está verdadeiramente A MILHAS da concorrência e se falarmos do Internet Explorer, então, não é a milhas: é a ANOS-LUZ.
Acabo de descobrir outra boa. Tem um mini-leitor de RSS/Atom, que atira para as Bookmarks as últimas actualizações dos blogues. Uma ferramenta espectacular! "Descobre" se um blogue tem feed (seja weblog.com.pt/MT, seja blogger/outros sistemas), alerta-nos e possibilita a subscrição com um clique.
Francamente, recomendo a todos os meus leitores (e em particular aos leitores regulares de blogues) que o instalem e usem. É fácil. Mesmo os plugins já são amigáveis de instalar. Tem compatibilidade com o Acrobat Reader. Faz um caching muito mais eficiente. Corre rápido. A gestão de bloqueios de pop-ups é uma maravilha, eu não sei o que é um pop-up há meses! E tutti i tutti, larguem esse atraso de vida chamado IE.
Página do Firefox | link directo ao download para Windows.
Posted by pTd at 05:57 PM | Comments (11)
O seu a seu dono
Ok, o outro homem que afinal havia chama-se Luís Andrade ;)
Graças à dica do Pedro F. fica aqui a hiperligação à nota da ATX, empresa que, espero, passe ao estatuto de Divindade Suprema da Informática depois de resolver um conjunto de equações que vários engenheiros de rato afirmaram por aí ser impossível de resolver (prontes, pás, não afinem, é uma piada, tá?)
Também a rapaziada da Casa dos Bits deu a que presumo ser a primeira notícia que menciona o nome do chefe da banda que colocou os professores através do Algoritmo Cuja Incessante Busca Por Parte Da Compta E Duma Catrefada De Doutores & Engenheiros Não Daria Resultado Algum.
Enquanto pai, irmão e tio de gente prejudicada pela Compta, os meus agradecimentos públicos a Luís Andrade e à ATX.
Posted by pTd at 01:03 AM | Comments (13)
setembro 29, 2004
Afinal havia outro
Afinal "O Grande Problema Informaticamente Insolúvel Da Colocação Dos Professores Pelo Software Da Compta, Empresa Que Venceu O Concurso Público e É Chefiada Por Antigos Ministros," acabou por se resolver. Em menos tempo do que o prometido pela ministra da Educação. E, ao contrário do que foi afirmado, não foi propriamente um trabalho manual ao género de pobres desgraçados do terceiro mundo a aviar sapatilhas de marca a um euro por dia: segundo conversas entre fontes muito próximas do Governo, dentro do Governo e dentro do Ministério da Educação escutadas esta manhã pel'(o vento lá fora)*, afinal havia outro informático competente. Que pegou no trabalho da Compta e em horas resolveu os gatos e pô-lo a vomitar as listas. Fixe. Para a próxima contratem-no logo que poupam uma data de escarcéu inútil e a minha Catarina não passa três semanas a chatear-se de morte com a repetitiva MTV.
o Grande Problema Desta Manhã, entre as fontes ouvidas à socapa, era saber o nome do dito cujo consultor. Não vá o diabo tecê-las e ser preciso um bombeiro da bitalhada. Eu ouvi o nome. Mas não digo.
Posted by pTd at 06:10 PM | Comments (9)
setembro 28, 2004
Contrata-se mão de obra
Contrata-se mão de obra para fazer em menos de uma semana listagens que os nossos programas não tiram em três meses. Paga-se bem, à tarefa. Contactar Compta ou Ministério da Educação.
Posted by pTd at 09:36 PM | Comments (6)
setembro 25, 2004
Agradecimento à boa vizinhança
Caro e abençoado vizinho no Jardim da Parada, Campo de Ourique: se me está a ler não se preocupe, só lhe peço emprestado um raminho de conectividade para editar o meu blogue e puxar o correio, nada de mais, um parzito de megas não lhe fazem falta. Mas olhe que há por aí quem use e abuse, portanto feche a torneira que no seu Linksys é até muito fácil. Deixe: há mais dois vizinhos seus nas mesmas circunstâncias, de modo que quando voltar aqui posso sempre usar as redes deles. Aliás, vou rodando à vez pelas três redes escancaradas para distribuir os megas pelas aldeias... É que, sabe, o pacote ZZT! que a minha amiga tem é uma porcaria completa, a lentidão é comparável à de um modem 56 Kbps, o troço de rede parece mais um caminho de cabras e ainda por cima cada hora de tráfego custa um balúrdio, enquanto o seu pacote é porreiraço, 640 KB sempre a abrir 24 horas por dia.
Posted by pTd at 12:00 PM | Comments (4)
setembro 24, 2004
Proxies arrasam blogues
Ao longo da semana recebi vários e-mails de utentes do weblog.com.pt relativos à não-edição de posts. O sistema esteve bastante estável durante este tempo e aproveito para informar que me desloquei na quinta-feira ao datacenter para, in loco e com o apoio do incansável pessoal da NFSI, detectar e corrigir os pequenos bugs que afundaram o sistema duas vezes há semanas.
Infelizmente, o problema não é do weblog.com.pt. É dos proxies "transparentes" de alguns ISP. Esta semana o Sapo ADSL foi o pior, mas tanto quanto sei é um problema cíclico que afecta todos os sistemas nacionais de proxy. Mais explicações (nada técnicas, pelo contrário, em linguagem simplificada) e comentários podem ser encontradas aqui.
Digo "infelizmente" porque se fosse um problema do weblog.com.pt tinha sido resolvido, desse por onde desse, em tempo útil.
A mim o que me apetecia era disponibilizar para toda a gente uma VPN como a que tenho nos computadores onde trabalho. Por exemplo, agora estou em Lisboa em casa de uma amiga e acabei de configurar a VPN porque a ligação Netcabo do pobre vizinho que deixou o wireless todo escancarado está um bocado a dar pró lenta... Com a VPN não há cá proxies a arrasar o pessoal. Mas tal não é possível, desculpem.
Posted by pTd at 11:43 PM | Comments (1)
Prime time
Hoje é dia 24. O assunto "colocação dos professores" tem 72 horas. Ainda nem a semana acabou. Mas já está nos arquivos: os bloggers desunham-se agora a cascar em Cardona, Caixa Geral de Depósitos e reforma de Amaral.
O que parecia a grande virtude dos blogues, o seu distanciamento da lógica do imediatismo que trai os noticiários televisivos e da lógica da manchete que desfaz aos poucos a reputação dos diários, em prol da análise mais profunda, era afinal uma armadilha. Ninguém resiste ao prime time. Todos queremos é a manchete. Dar nas vistas. Ter leitores.
Posted by pTd at 04:15 PM | Comments (10)
Traduzindo a Compta...
Vamos lá espremer e traduzir o comunicado da Compta, a empresa dirigida por ex-ministros do PSD, em situação financeira difícil, e que ganhou a corrida (concurso? dizem que sim, dizem que não, ninguém responde oficialmente) para a feitura do software encarregue de distribuir os professores pelas escolas.
«1. carecem de fundamento sério os comentários públicos que imputam responsabilidade à COMPTA no que respeita a eventuais desconformidades do software para apoio ao procedimento do concurso para selecção e recrutamento do pessoal docente da educação pré-escolar básica e secundária;».
Malta: andamos todos a brincar aos cóbois e não devíamos, aquilo é coisa de gente séria.
«2. a COMPTA repudia o tratamento que ao assunto tem sido dado por alguns sectores, designadamente através de comentários imponderados que criam a ideia, errónea, de que os problemas surgidos com as listas de colocação de docentes se deveram exclusivamente a razões de ordem técnica;»
OK. Ficamos esclarecidos: os problemas não foram exclusivamente de ordem técnica, o que necessariamente implica duas coisas. a) houve problemas de ordem técnica; b) houve problemas de outra natureza (será política?).
«3. cumpre, ainda, deixar claro que o presente esclarecimento não tem um carácter mais exaustivo — que porventura dissiparia dúvidas acerca da responsabilidade da ocorrência — em face do dever de confidencialidade a que se encontra vinculada a COMPTA, no âmbito do contrato celebrado com a Direcção Geral dos Recursos Humanos da Educação, precedido de concurso publico»
Normal... É normal o Estado manter cláusulas de confidencialidade em contratos públicos. Normal e desejável. Pois. Resta saber se: a confidencialidade é, como é algumas vezes, destinada a evitar que a empresa contratada venha a público dizer coisas que o contratante preferia que não dissesse; ou... não, não me vou deitar a adivinhar o que se pode esconder numa cláusula de confidencialidade assinada por um representante da coisa pública com uma empresa privada dirigida por colegas seus de partido.
«4. a COMPTA, pugnando pelos princípios da verdade e da transparência, manifesta-se, desde já, totalmente disponível para colaborar em qualquer inquérito, em sede própria, de forma a que, com celeridade, rigor, isenção e a necessária profundidade, se apurem responsabilidade pelo sucedido.».
Quando falam em "inquérito, em sede própria" está tudo dito, não é? Lamento pessoal: os media, blogosfera incluída, não são "sedes próprias" para fazer inquéritos à conduta de empresas contratadas pelo representante da coisa pública. Metamos o rabinho entre as pernas e toca a disparar noutros alvos, que aqueles já se barricaram.
[ Ainda ninguém aceitou a minha aposta: uma imperial em como a ministra vai c'os porcos, mais mês menos mês, não haverá inquérito algum e a Compta continuará numa nice a concorrer a concursos do Estado. ]
Posted by pTd at 12:31 PM | Comments (10)
Tiques corporativistas
Nos últimos dias as reacções à barracada do não-começo do ano lectivo têm sido as mais variadas. Com gáudio notei que já parece existir uma classe informática digna do nome. Até tem tiques corporativistas e tudo!
Perante as chamadas de atenção para as eventuais burrices de programação que possam ter estado na origem da não-colocação de professores, os informáticos dividiram-se nitidamente em dois grupos. Um grupo mais pequeno corroborou que esses erros podem ter existido clamando assim contra a empresa que os cometeu; o outro veio explicar à saciedade que não senhor, não pode ter sido defeito de programação, simplesmente há problemas que a informática não resolve.
Independentemente da razão assitir a uns ou outros -- o que não é ainda apurável pelo simples motivo de que não sabemos o que esteve na origem da ausência de listas paridas por computador --, fica o registo: os engenheiros informáticos já reagem corporativamente!
Posted by pTd at 12:03 PM | Comments (4)
setembro 22, 2004
O Bicudo Problema Informático das Listas de Colocação de Professores
speculare diz com algumas irritação nesta entrada no papel de parede: «Como estudioso de informática posso garantir uma coisa: fazer uma lista ordenada tendo em conta diversos critérios, mesmo considerando 100.000 registos, está ao alcance da computação moderna. Estaria ao alcance da computação de há 10 (ou até 20) anos atrás. [...] Não existe optimização, inteligência artificial, nem necessita de poeira do Sol para funcionar. Só condições e comparações».
Não resisto a dar os meus two cents, até porque acabei de efectuar uma limpeza às bases de dados do weblog.com.pt. Falo do pouco que sei, pessoalmente; qualquer programador (e muito estudante do secundário) tem uma experiência incomparavelmente superior e histórias bem mais sumarentas para contar.
A começar pela quantidade diária de acessos ao servidor do Ministério da Educação onde as listas deviam ser publicadas e acedidas, tão grande que é capaz de subjugar a capacidade da maquinaria adstrita ao serviço, os números que impressionam a Imprensa não impressionam ninguém no meio. São vulgares. Preparar um servidor para aguentar meio milhão de acessos diários (e o do ME teve muito menos) é rotina por aqui. Os problemas de banda, processamento ou rede, estão identificados e as respectivas soluções ao alcance do vulgar cidadão que saiba usar o Google e esteja disposta a perder, digamos, uma hora (um informático avançado na famosa óptica do utilizador perderia dois a três minutos). Suponho que a própria ministra conseguiria, só com o Google como recurso, identificar os problemas e documentar as soluções se se dispusesse a isso. Num dia ou dois, no máximo.
As duas bases de dados do weblog.com.pt têm cada uma 19 tabelas. 38 no total. Apaguei há pouco mais de 14.000 registos nas limpezas. Somam neste intante 620.200 registos uma e 160.268 a segunda. 378.9 MB a primeira, 73.0 MB a segunda. Totais: 780.468 registos e 452,9 MB. As tabelas contém todos os posts, comentários, templates, pings, informação sobre autores e blogues, e ainda todo o registo de actividade, bem como dados do Blogómetro e do Technorati.
Nas últimas 3 horas, 39 minutos e 40 segundos o motor das bases de dados (MySQL, open source, gratuito, eficaz) chupou com 725.333 queries ("perguntas" a que deu "respostas"), o que dá 198.118 por hora, 3.301 por minuto, 55,03 por segundo.
Deixando o motor dinâmico, vamos ao servidor de páginas (Apache, open source, gratuito, eficaz). Em Setembro teve uma média diária de 639.376 hits servindo 471.755 ficheiros de 171.550 páginas por dia a 40.874 visitantes. Isto a média em cada 24 horas. Nos 22 dias já contabilizados no mês os 858.361 visitantes diferentes leram 3,6 milhões de páginas e receberam 9,9 milhões de ficheiros num total de 473.113.879 KB de tráfego.
Está excluído do número o tráfego gerado pelo correio (as notificações dos blogues, formulários, etc pois o e-mail assenta noutra máquina que não esta).
Em funções desde Março, o actual servidor do weblog.com.pt ainda não foi vítima de ataques de segurança. (O anterior servidor foi hackado uma vez, em Agosto do ano passado.)
A máquina? Um modestíssimo Intel(R) Pentium(R) 4 com o CPU a 2.66GHz, memória RAM de não menos modesto 1 GB e disco IDE de 80 GB. A precisar de reforma até final deste ano pois começa a dar sinais de fraqueza (leia-se: mais de cinco segundos a responder a exaustivas pesquisas aos 445.000 registos relativos a entradas e comentários dos + ou -1.000 blogues da casa) nos picos de utilização. Calculo que esteja a 80% da sua capacidade nos períodos de ponta, ou picos.
Escusado será dizer que, à excepção do Movable Type, todo o software que sustenta o weblog.com.pt foi escrito por um candidato a amador da programação (eu próprio) com ferramentas open source, gratuitas e eficazes como Perl e PHP.
Não estou a sugerir, maldito seja eu!, que a maquinaria do Ministério da Educação seja obrigada a correr em cima de ferramentas deste tipo, nem que estas são melhores que outras. Ná. Admito até, embora gostasse de ver para realmente crer, que os problemas de introdução, selecção e pesquisa dos registos de 100.000 professores seja um pouco mais complexo do que os meus escassos 1.000 blogues com menos de um milhão de registos.
O ponto é: se um candidato a aprendiz de técnico de informática como eu, que tenho menos de quatro anos de Linux, Perl e PHP, foi capaz de -- em regime de part-time -- fazer esta omoleta e de dar conta do recado durante 15 meses (o serviço esteve em baixo nesse período menos de 72 horas, ou 3 dias, somando o total de tempos downtime, parte deles devidos à minha inexperiência), como é possível que o ME, com os seus infindáveis recursos, não consiga ordenar uma lista de colocação de professores?
Para não mencionar os milhões distribuídos pelas empresas profissionais do software, recordo que entre os recursos do ME estão centenas de professores e alunos universitários com bagagem e experiência em queries de base de dados e coisas bem mais difíceis e complexas do que ordenar e tornar pesquisável uma merda duma lista com 100.000 ou um milhão de registos, numa pôrra duma maquineta capaz de levar com 250.000 consultas em 24 horas (meras 5 a 6 vezes mais que o weblog.com.pt).
[Às vezes pergunto-me: seria possível o weblog.com.pt correr em cima de software proprietário? Quantas máquinas seriam necessárias só para vomitar as páginas? Quanto gastaria em licenças? Quantos técnicos programadores tinham de dar ao dedo no rato? Sei que tenho alguns leitores capazes de fazer as contas. A caixa de comentários é toda vossa...]
Posted by pTd at 06:18 PM | Comments (28)
Se *eles* soubessem ler...
... leriam em tempo real os efeitos das suas decisões sobre a opinião pública. Uma manhã, esta, a de dia 22 (menos de 12 horas depois do duplo discurso ministerial sobre A Grande Barracada Do Ano Lectivo), passada a ler blogues, sites de discussão e noticiários online é muito, mesmo muito educativa. Se *eles* lessem saberiam gerir melhor a rés pública. Infelizmente *eles* não sabem ler blogues. Talvez quando os editores-leitores de blogues se multiplicarem por dez passem a ser respeitados em vez de ignorados. A opinião pública cumpre o seu papel a tempo e horas na blogsfera: critica, louva, opina, informa. Quem manda não cumpre o seu papel nem a tempo nem a horas. Ocorreu-me agora... E se me oferecesse como consultor do Governo para o meio internet? :D
Ideia ridicula: apesar de ter currículo (nada importante) não tenho perfil (pouco importante) nem factor C (muito importante, decisivo).
Posted by pTd at 01:20 PM | Comments (3)
Economia privada my ass
Espero que a Compta seja punida exemplarmente e o Estado, enquanto meu representante na defesa dos direitos da minha filha em idade escolar, a processe e obtenha uma indemnização choruda. Mas -- não me perguntem porquê -- SEI que tal não sucederá. E suspeito que a Compta provavelmente ainda se fará pagar pelas horas extraordinárias dos últimos três meses e pela segunda versão do software que deu esta barracada toda e prejudicou centenas de milhar de professores, alunos e famílias e a imagem de alguns ministros -- sem perder de vista futuros concursos públicos para o software do Estado. Economia privada my ass. Suspeitas reforçadas depois da leitura deste post de Luís Nazaré, que conhece tudo o que mexe nas Tecnologias de Informação na última década pelo menos.
(Deixo tambén o link da Compta para os arquivos: estrategicamente ou não, a página da empresa está branca.)
Follow-up noticioso:
O mercado pelo menos reagiu. Mas só depois da ministra sacar da colocação manual dos professores, uma decisão aviltante para um programa informático... As acções da Compta desvalorizaram quase 4% para uma queda de quase 11 % este ano (fonte: Jornal de Negócios online).
Descobri que não estou sozinho: segundo a mesma fonte «foram já vários os responsáveis e entidades a pedirem ao Governo que processe a Compta, exigindo à empresa uma indemnização pelos danos causados». Apesar disso mantenho a aposta com quem a quiser fazer: sai uma imperial em como a Compta nunca será processada pelo Estado e manter-se-á na disputa dos concursos públicos (ganhou este a 15 outras empresas, algumas bastanta boas nestas soluções).
Update 1:
Não percam este e este artigos de Tiago Azavedo Fernandes. O primeiro é uma análise curta do presente que nos ilumina sobre o verdadeiro lugar da incompetência. O segundo é uma história (documentada) hilariante sobre a utilização de recursos informáticos no ME. Pessoalmente só posso adicionar que discordo das opções do Estado no que respeita às escolhas dos servidores de informação pública na web. Saem sempre mais caras porque exigem recursos muito superiores ao que o serviço simplesmente exige e dão muito mais problemas de segurança. (Link via BdE, onde de resto o tema da colocação dos professores também está bem documentado desde... Junho.)
Update 2:
Neste post do Barnabé escreve-se: «Couto dos Santos e Rui Machete, administrador e Presidente da Assembleia-Geral da empresa Compta, responsável pelo programa informático de colocação de professores. São também militantes do PSD, ex-ministros e amigos de quem os escolheu sem concurso público.». Não por acaso, a respectiva caixa de comentários tem a melhor discussão pública sobre as responsabilidades técnica e política do fracasso em curso. Leiam, leiam.
No Gildot (onde se junta a comunidade de especialistas em TIC) o tema é mais técnico mas não deixa de ser recomendável. Alguns dos envolvidos trabalham ou trabalharam na informática do ME. «O meu Director de Curso, juntamente com outros professores da Faculdade, fizeram uma sessão de auditoria ao Software e o comentário dele foi inequívoco: "Inacreditável!". Segundo ele, não havia ponta por onde se lhe pegue e, obviamente, tratava-se de factor C (cunha) em acção. Vou tentar aprofundar detalhes técnicos, visto que estou agora em aula com ele em Engenharia de Software :-) » (link da discussão).
Posted by pTd at 12:11 PM | Comments (6)
Os optimistas
Morais Sarmento disse ontem, assim em jeito de prémio de consolação, que 60 e tal por cento das escolas tinham aberto e exprimiu o desejo de que as restantes abrissem nos próximos dias para que «a abertura do ano lectivo decorresse normalmente». Disse isto com aquele ar superior de enfado com que -- aprende-se nas escolas da demagogia política -- se devem tratar em público os assuntos privados do Estado. A arraia miúda tranquiliza-se: o homem é que sabe, os jornalistas são uma cambada de inventores de histórias. Julga ele.
O optimismo enquanto atitude está correcto e é até bem vindo de um dirigente. Passa uma mensagem positiva para os dirigidos. Mas receio bem que os optimistas que têm desgovernado este país nos últimos cinco anos já não são levados a sério por nenhum dos seus dirigidos.
Uma alta funcionária pública abriu-me a manhã com a verdadeira mensagem que -- suponho -- circula no funcionalismo público, motor eleitoral e estandarte económico do país. «Nunca na minha vida estive tão desmotivada nem vi as pessoas tão desmotivadas». Referindo-se em concreto à palhaçada da abertura do ano lectivo adiantou: «Desde que me lembro nunca vi nada assim». Nem eu. No meu tempo as férias de Verão duravam três para quatro meses, sem dúvida pouco pedagógico, mas no dia 7 de Outubro os professores e as carteiras lá esperavam por nós na sala de aula.
Na realidade o que ela tinha para me dizer era outra coisa, isto foram os desabafos. A factura que passei ao seu organismo ainda não se encontra a pagamento. Uma factura vencida a 31 de Janeiro de 2003 -- vai fazer dois anos em breve. Como tem sido hábito ao longo destes 20 meses, não há sequer uma previsão para a regularização da dívida.
Como o meu contrato não decorreu conforme o que tínhamos planeado, tendo por isso sido rescindido a meio por acordo entre as partes, cheguei a pensar que era uma espécie de birra e castigo pessoal. Nada. Como a minha existem dezenas de micro, pequenas e médias empresas com facturas por pagar naquele organismo do Estado. Empresas que já pagaram o IVA e o IRC de 2003. Outra não. As que não pagaram acabarão por pagar com juros. Os juros que nunca verei daqueles preciosos 1.000 euros, ridículos 1.000 euros que um organismo do Estado me deve há 20 meses.
Esse organismo vem do tempo do governo do PS. Quando tomou o poder o PSD fez o normal, acabou com uma série de organismos do PS substituindo-os pelos seus próprios. As contas com os novos fornecedores estão em dia (como é sabido, "em dia" significa para o Estado português um atraso não superior a seis meses, como somos apologeticamente avisados quando negociamos um contrato, como se isso fosse uma coisa normal em economia aberta). Presumo portanto que os fornecedores do Estado são encarados como clientelas políticas e como tal devidamente punidas. É assim que me sinto, mais à dúzia de empresas que, como eu, estão há dois anos para receber do Estado: um mero cliente partidário a cumprir um castigo e não o prestador de serviços isento que celebrou um contrato depois de escolhido (entre três) pela sua capacidade para executar a tarefa.
[É desnecessário avisar que não voto PS, como os meus leitores sabem nem sequer voto, e ao longo dos anos de profissão pouco trabalhei na política e não fiz amigos (mas fiz alguns "inimigos"... no PS soarista!). Excepção a José Magalhães, mas é forçado dizer que foi a política que nos juntou: foi a causa das novas tecnologias que nos juntou nos inícios de 90, éramos ambos (e continuamos) entusiastas.]
O optimismo de ministros como o citado Sarmento ou o inefável Bagão Félix a mim não me tranquiliza. Prefiro o ar grave e cansado da ministra Maria do Carmo Seabra, ao menos não engana ninguém. Dá a cara (mesmo não tendo responsabilidade directa no sucedido é ela a responsável política pelo fracasso). Fez o que tinha a fazer (talvez tarde demais, mas ainda não temos os dados todos para analisar). Acabará por se demitir ou ser demitida. Mas ao menos cumpre com as suas responsabilidades, é por elas julgada e não engana ninguém.
Voltando à desilusão que grassa dentro do aparelho de Estado: é de temer o pior, sobretudo depois do discurso patético de Félix sobre o orçamento para 2005 que deixou os funcionários públicos e os trabalhadores do privado à beira de uma depressão. Meio milhão de trabalhadores públicos trabalham sem o mínimo de motivação, sustentados apenas no seu orgulho pessoal (profissional deve ser pouco na esmagadora maioria dos casos, para não dizer nenhum). Outros dois milhões, pelo menos, trabalha no sector privado impulsionado apenas pela questão da sobrevivência das respectivas famílias. Entalados entre a elite esbanjadora e o crescente lumpen esfomeado, os trabalhadores das classes médias vivem uma letargia sem fim. Refugiam-se na telenovela, nas telenovelas. Já nem o consumismo os entusiasma: endividaram-se no tempo das socialistas vacas gordas e agora viva o velho quando se pode comprar um telemóvel. Triste destino o de um povo reduzido a um estado de sobrevivência!
É natural que os optimistas -- a começar pelos ministros e a acabar nos barões da economia -- sejam optimistas. Têm ordenados decentes que dão para viver e as suas curtas vistas não alcançam o país para lá dos vidros fumados de carros e gabinetes. Eu cá não estou nada optimista. Nas ruas o cheiro é o mesmo dos tempos pré-buzinão. A não-abertura do ano lectivo ainda não foi a gota de água que fez transbordar o copo. Desconfio que foi por um triz. Se eu fosse Santana Lopes estava bem preocupado: não há mais corda para puxar.
Posted by pTd at 11:01 AM | Comments (3)
setembro 21, 2004
Ainda o jantar do Tadechuva
Notável o trabalho da Maria que está a fazer no seu blogue uma recolha do que foi escrito sobre o mais célebre jantar de que há memória na blogosfera portuguesa, o do Tadechuva. É muito trabalho mesmo. Honra lhe seja feita um dia.
Já o OrCa chamou a minha atenção para o que considera um dado novo: a exposição através de fotos «a rodos quase sem registo de protestos». Não sendo uma novidade absoluta (há vários bloggers nada anónimos bem pelo contrário), é ainda assim um facto a ter em conta. A ideia de que o anonimato é um pilar dos blogues é que é deformada: é um direito (privacidade e liberdade de expressão não lhe são alheios) e não um dever ou uma característica transversal. Estou em trânsito e não tenho forma de aprofundar o tema, mas prometo fazê-lo dentro de uma semana.
Posted by pTd at 08:03 PM | Comments (3)
setembro 20, 2004
Concurso para a renovação gráfica do weblog.com.pt
Em 15 meses o weblog.com.pt teve dois aspectos gráficos, ambos pobres. Nenhum dos membros da equipa se dá lá muito bem com cores, tipos e sua representação técnica em HTML e CSS, pelo que a caminho da (urgente) segunda renovação gráfica se optou por entregá-la a quem saiba da poda. Para tal decidimos lançar um concurso aberto a todas as pessoas, com prémio em dinheiro (pequeno..) e em serviços. Interessado? Consulte o regulamento.
Posted by pTd at 05:02 PM | Comments (2)
Crónica social do jantar
Há quem blogue para ter leitores. Quem blogue para escrever o que lhe vai na alma. Quem o faça por exercício de escrita. Quem tenha um projecto editorial e quem simplesmente descreva o seu dia a dia. Quem use o blogue para agit-prop. Os que escrevem nos blogues porque não aparecem nas colunas sociais e têm pena. Quem blogue para manter um registo do seu arquivo pessoal. Quem tenha pretensões e quem não tenha. Enfim, bloga-se por uma miríade de razões. O Zecatelhado bloga por algumas destas também. Mas sobretudo para fazer e/ou manter amizades. Não espanta portanto que o seu jantar tenha sido o sucesso que foi. E deu para descobrir várias coisas sobre as pessoas por detrás dos blogues. Aqui se conta o que nunca se contou antes sobre elas.
O Zecatelhado é um bacano, ponto final parágrafo. Só tem um defeito: Não bebe alcool. Mas parece que não precisa: é bem disposto por natureza.
O OrCa é melhor poeta que o Zecatelhado. Embora um pouco teatral demais a ler o seu poema, mas tem boa voz e boa figura (e um t-shirt fixe).
Ficou sentado em frente à lique, uma das últimas estrelas a mudar-se para o weblog.com.pt. O nome do blogue da lique só pode resultar de algum temor relacionado com a menopausa: a verdade é que aquela mulher ainda não entrou nos 50, isso posso eu garantir! Gostava de ter conversado mais com ela para desfazer a dúvida. Primeira aproximação: 46 anos.
O Luís estava um bocado a dar para o sorumbático mas disfarçou bem. E o Borba animou-o menos do que o costume.
Sempre alentejano da melhor cêpa, como o Borba, o Francisco sentou-se ao lado do Luís e passou o jantar a dizer as suas mordacidades habituais. Tem uma inteligência rápida. Nem sempre percebo as piadas dele, é um facto, mas o defeito deve ser dos meus ouvidos. Eis um caso gritante de um blogger que merecia mais destaque do que aquele que lhe dão.
Quem deu bem no Borba foi o Golfinhu. Também, pudera... Ficasse sentado em frente à Roxy e também precisaria dessa coragem suplementar. O "miúdo" (bahahah!) esteve bem, com humor, socializou e tal e, inspirado pela divina musa (já vamos à divinal Roxy), até escreveu um poema. Um bocado Jim Morrison -- o que o chateou porque ele gosta é dos U2.
A Roxy... Meus amigos! Como descrever? Bem: não é a miúda de 18, 20 anos bem vividos que a leitura do blogue sugere. Não. Terá mais uma meia dúzia deles. No máximo uns 28. Correcção: uns lindos 28. Um bom pedaço de mau caminho, como diria a Vitriólica no seu antigamente. O mais novo dos presentes, o bem disposto Francisco, ficou cheio de ciúmes do Golfinhu; ela parecia firmemente decidida a comê-lo, com Borba ou sem Borba! Espero que nos conte, no seu jeito de cronista depravada, como acabou a noite nas Docas (ou depois delas).
Noutro andamento, a maria é menos vistosa mas não menos interessante. Tal como com a lique tive pena de ter falado tão pouco com elas. Espero que haja mais jantares.
E en passant uma nota destinada aos arquivos da blogosfera: diz-se que a blogosfera é um sítio com mais homens que mulheres. Talvez seja. Mas que tem mulheres lindas, tem. Basta olhar para as fotos do jantar para perceber que "eles", a começar pela barriga do Zecatelhado e a acabar no meu proeminente nariz, são ao contrário delas uns feiosos.
Outro borrachinho, a Jacky (não tenho linques; ela tem uma mão-cheia de blogues) veio do Porto e estava cheia de andamento pró pós-jantar... Ainda tentou convencer-nos, a mim, ao Luís e à Vitriolica, a "irmos pá night mas eu tinha outros planos... e era eu que conduzia (fiquem descansados: não bebi nem uma imperial; cumpri uma promessa).
A Vitriolica em boa hora apareceu, apesar de não estar inscrita. Foi um verdadeiro comeback à blogosfera depois de meses de ausência. Em boa hora. Ficou sentada em frente ao MG, que é assim uma espécie de afilhado dela, e ao lado da maria. Deixou o segundo prato a meio, como é hábito dela: fala, fala, fala, fala e até se esquece de mastigar. Deve ser por isso que é tão magrinha.
Duas notas finais prós anais da blogosfera. Primeira: a média de idades dos presente no encontro indicia que os bloggers são mais, hu, "antigos" do que geralmente se pensa mas não é verdade; há chavalada a dar com um pau, mas a chavalada é mais dada, especialmente num sábado à noite, a curtições que a repastos. Os, hu, "antigos" é que gostam destes prazeres sociais à volta da boa comida e bebida. E têm esta necessidade de se verem fisicamente, coisa que os chavalos não têm: já levam a sua conta de jantares do irc e tal.
Segunda: provou-se mais uma vez que os bloggers são de todas as classes sociais e tiragens educativas e políticas e modas. Do cripto-fascista ao comuna empedernido. Da tia da Linha ao proleta. Embora o jeans+tshirt predomine, com a variante jeans+camisa.para.fora, também os havia de fato e gravata e de vestido aprumado. Isto embora tenha notado uma tendência para as classes médias.
E pronto. Se me lembrar de mais coisas depois aviso. Um abraço.
Posted by pTd at 05:00 PM | Comments (21)
O Jantar
O Zecatelhado promoveu o mais importante ajuntamento social relacionado com blogues de que há memória em Portugal. Tive a felicidade de partilhar esses momentos bem como os dois pratos (melhor a carne que o bacalhau) mas não o vinho, aviso já.
Já toda a gente ou quase escreveu sobre o magnífico evento. A mim, que restará? Hum... que tal crónica social (ler: má língua)? Não percam hoje pelas 17:05, neste mesmo blogue, o who's who e who's dating who, as roupas, as olheiras, as bebedeiras, TUDO o que sempre quiseram ler sobre os 50 comensais e nunca ninguém se atrevera a escrever!
Resta-me acrescentar da minha parte: António, foi mesmo um grande prazer conhecer-te ao vivo; mereces o sucesso. E muito, muito obrigado pela associação do weblog.com.pt, através do
e pelo subtítulo do acontecimento, porque a amizade é o maior valor do mundo. É.
Posted by pTd at 01:51 PM | Comments (3)
setembro 18, 2004
O Luís, o blogging, JPP, a Microsoft e eu
Ontem recomendei algumas leituras, entre elas o artigo de José Pacheco Pereira no Público de sexta-feira intitulado Media-esfera, Blogosfera e Atmosfera. Referia no meu texto que a «belíssima análise» era «desgraçada» por uma referência final a um produto-fantasma da Microsoft, o MyLifeBits. A palavra desgraçada era obviamente caricatural e desajustada, pelo que fiz uma emenda nos comentários a essa entrada: Levemente desastrosa.
Muitas vezes não encontro logo o termo certo. Acho que nos acontece a todos. Talvez não. A mim acontece. Sem dúvida por deformação profissional estou habituado a não perder tempo demais à procura do termo certo, o termo que eu queria realmente aplicar. Experimentem trabalhar num jornal diário em que o texto devia SEMPRE estar pronto ONTEM porque a edição está sempre atrasada (num semanário não se foge tanto a esa regra como se podia pensar: basta referir que estou a escrever os meus artigos para o Expresso com oito dias de antecedência porque a Única fecha muito mais cedo que as outras pasrtes do jornal). Perceberão porque me habituei a escrever o termo que estiver mais à mão correndo o risco de não ser o que eu queria realmente empregar.
Em termos de jornal não tem consequências de maior. Ou por outra, ter até têm: os leitores vão-se queixando do mau Português da Imprensa. Mas os jornalistas não são infalíveis super-homens da palavra. Tão pouco os revisores e copy desks. E o tempo manda mais que as regras.
Agora em termos de blogues é uma chatisse. Dou demasiadas vezes azo a más interpretações e tresleituras. A tresleitura é um dos piores vícios da blogosfera. Por um lado o imediatismo do meio leva os leitores a treslerem. A urgência. Há tanto para ler e tão pouco tempo. Por isso lemos apressadamente -- e quando comentamos o que lemos muitas vezes, vezes demais, estamos a comentar o inexistente. Por outro lado os escribas apressados (como eu) levam no toutiço dos escribas cuidadosos (como o Luís) por terem sido descuidados na escolha dos termos ou não terem feito o trabalho de casa convenientemente, fundamentando mal o que escrevem.
Não vou discutir se um blogger tem ou não de fundamentar sempre, com links, citações e referências, os seus posts. Basicamente acho que a maior parte das vezes não tem, pode até ser contraproducente além de limitativo da sua inspiração. Mas muitas outras vezes tem. Ou deve.
Voltemos à vitela tépida. O levemente desastrosa significava que eu achei que a referência final no texto de JPP era má para o próprio texto. Enquanto leitor li o artigo com o meu entusiasmo sempre em crescendo e o parágrafo final foi uma decepção, um balde de água fria. Claro que outros leitores terão tido dissemelhantes experiências de leitura do mesmo texto.
Porque era má?
Porque a considerei desajustada (outros leitores poderão considerar ajustada) e como tal traía (na minha experiência de leitura) um artigo até então muito bom. Desde logo porque os esforços da Microsoft no domínio dos blogues nunca passaram da cepa torta. Há dois ou três anos que a empresa tenta conquistar algum terreno no campo da edição de blogues e coleccionado derrotas. Legitimará isto o meu cepticismo perante a menção do projecto MyLifeBits?
Só por si não. Há o benefício da dúvida. Afinal a Microsoft tem também uma colecção de sucessos na carteira, pelo que se pode sempre esperar que consiga inverter uma situação de mercado com um golpe de rins (ler: boa e frutuosa investigação).
Mas: 1) a análise de JPP é profunda e praticamente toda ela factual terminando com um parágrafo baseado na sua esperança (convicção ?) pessoal; passa do discurso "análise-do-presente" para o discurso "perpectivas-pró-futuro", coisa que abre sempre uns alçapões na lógica desse mesmo discurso; 2) o MyLifeBits é um projecto de investigação com dois anos de pesquisa (notícia) e uma maqueta mostrada em 2002 pelo investigador, Gordon Bell; só por boa vontade se pode, como JPP sonhou, transpor o futuro-qualquer-que-ele-seja da ferramenta blogue para tal projecto.
O projecto MyLifeBits, bem como qualquer outro do género que surja ou venha a surgir (JPP deu-o como mero exemplo?) visa manter um registo de toda a actividade individual, dos artigos escritos, CD ouvidos, sms enviados e recebidos, chamadas telefónicas, e por aí fora. Tudo o que fazemos em bits arquiváveis, publicáveis e pesquisáveis. Mais que uma visão, é um sonho. A sua credibilidade como projecto roça o nulo. A sua ligação ao mundo bem mais prosaico da publicação digital aqui e agora é igualmente uma miragem. As questões que levanta em campos que vão da capacidade de armazenamento à de processamento, dos aspectos legais à privacidade, para citar apenas a ponta do icebergue, dão uma ideia do que dele podemos esperar -- enquanto de alguma forma putativos "sucessores" dos blogues (notícia recente da ZDNet).
Em resumo, e na minha humilde opinião, o MyLifeBits poderá (se alguma vez passar da maqueta, bem entendido) ser uma ferramenta de arquivo individual quando um disco rígido vulgar tiver o décuplo da capacidade moderna e o CPU caseiro 1000 vezes mais capacidade e forem resolvidos os problemas de software que a catalogação de ficheiros coloca -- e recordo a propósito que a função de pesquisa refinada prevista para o futuro substituto do XP, nome de código Longhorn, foi retirada do sistema operativo a lançar em meados ou finais de 2006 e não tem data de lançamento; acreditem, não é fácil.
Ferramenta de arquivo individual. Ok. Sempre disse que o meu blogue era o meu arquivo pessoal acessível em qualquer lugar. Mas não é e nunca será o meu arquivo íntimo. É público e portanto incorpora apenas aquilo que de público existe no meu arquivo pessoal...
A relação entre os blogues e o MyLifeBits andará pela relação entre o primeiro invertebrado e o ser humano actual.
Posted by pTd at 03:30 PM | Comments (9)
setembro 17, 2004
2,75 euros e ainda desampara o sotão
Sabem os meus leitores de há mais tempo que não sou dado a campanhas, solidariedades e afins. Estendo mais depressa o link a um amigo ou até um desconhecido e a dezena semanal de pedincha-mails segue toda o mesmo destino: abate sem piedade.
Mas esta tocou-me e daí passo palavra. Não tanto por ser Timor. Mas pelas simplicidade e humildade do apelo. Pelo que está em questão (Falar-se ou não Português, regar ou deixar secar os laços emocionais que temos com Timor). Pela humildade da professora, que diz o que quer e nos dá uma forma fácil mas nobre de ajudar. Não é uma campanha oficial pelo que não corremos o risco de ser banhados pelo Estado ou seus lacaios e intermediários (os bancos alimentares e as contas de solidariedade... jasus). Não tem organizações por detrás, pelo que não há dúvidas nem lugar a elas. É só uma professora que pede livros e manuais escolares em Português. Dá uma morada. Um pacote de 2 Kg (uns quatro livros) custa 2,75 € e se a gaja dos CTT pedir mais ou desatar a refilar peçam para falar com a chefe sobre a tarifa especial para Timor. É entre cada um de nós e a professora Ana Medeiros. Façam um favor aos vossos sotãos e estantes enfiadas em marquises e aos professores e alunos de Timor. Eu apanhei o elo da cadeia num dos meus blogues favoritos (sou um saudosista daquela vista).
Posted by pTd at 04:33 PM | Comments (1)
Leituras para o fim de semana
Não percam o belíssimo artigo de José Pacheco Pereira no Público de quinta-feira. Ah, sim: é sobre blogues. Uma análise profunda. Desgraçada por uma referência final a um produto fantasma da empresa-mãe da esmagadora maioria dos problemas de segurança informática que afectam hoje centenas de milhões de almas. Mas compreenda-se o entusiasmo dele. Está aqui (via Ene Coisas). Ler em paralelo, até porque confirma JPP com os seus próprios exemplos práticos de copianço dos media, A blogoesfera segundo Pacheco, de Fred (oi pá! cumé, tudo em cima?) no Castelo.
Não percam o demolidor post da Catarina sobre inflação intitulado Manuela, volta que tás perdoada!. Por favor não percam. Meditem nele. Ah, e se alguem conhece Bagão Félix ou um dos caramelos que lhe escreve os discursos, mande-lhe o link. Se ele(s) julga(m) que toda a gente engole o seu isco sobre o orçamento está deveras enganado. Ser demagógico é fácil, ser ministro não. Escrever discursos para fracos de espírito é fácil, elaborar o orçamento do Estado não. Governar para os poderosos é fácil, governar para o país real não.
Não percam a notícia da BBC onde se descreve a abertura do ano lectivo em Portugal, e transcrevo naco delicioso: «Because of the mix up at the education ministry, nearly 50% of the 120,000 teachers employed by the state don't even know in which part of the country they'll be working». O que nos leva a pensar: estamos fodidos se os governantes ou seus assessores lerem isto, imaginem, lá vai o orçamento de 2005 ter de contemplar verbas para assessores de imagem INTERNACIONAIS (link via Teacher).
E descansem. E não liguem quando lerem por aí que a blogosfera está outra vez em debate. A blogosfera está é outra vez meio parva (isto são fases), sem posts daqueles de arrebatar e com o nível geral dos comentários a roçar a indigência. Portanto, façam um fim de semana com pouco de monitor e muito de ar livre -- é o que vos deseja este que... ainda tem pela frente 10 horitas de trabalho a afinar o weblog.com.pt.
Posted by pTd at 03:27 PM | Comments (9)
setembro 16, 2004
Dias com 36 horas
Alguem tem pa vender, trocar, alugar? Precisam-se por aqui. Sofre o blogue: esta semana nada de posting...
Posted by pTd at 11:48 PM | Comments (2)
setembro 11, 2004
Definitivamente, escolha acertada Senhor Presidente!
Ando tão inspirado pela Santa que até penso em deixar o ateísmo e converter-me. E isto tudo graças à Divina Inspiração do Senhor Presidente da CMF que em Boa Hora Escolheu A Figura Da Santa Maria para símbolo de Faro - Capital Nacional da Cultura 2005. Acabo de descobrir a justificação para Tão Sábia Escolha: de acordo com o Santo Google, Santa Maria bate inapelavelmente José Vitorino em popularidade. 3.630.000 contra 5.050.
Posted by pTd at 12:50 PM | Comments (2)
Fiquei em pele de galinha
Isto um gajo lê os dois posts do aniversariante Barnabé, o do Daniel e o do Rui, e comove-se e até acha que a desprezível fracção (0,5%) da população portuguesa que faz e lê blogues conta pró campeonato nacional do que quer que seja. Bem hajam, Barnabés e todos os outros, por me fazerem sentir parte de alguma coisa nobre. Viva a inteligência e a amizade, Rui.
Posted by pTd at 05:46 AM
A morte quando vem é para todos
Hoje é dia 11 de Setembro. Antecipo um dia inteiro a levar com os aviões a enfiarem-se nas torres, foda-se. Puta que pariu as televisões. Aproveito a data e relembro os finados de +- 15.000 pessoas em atentados terroristas e genocídios desde que as torres (que os afadigados media e os babujantes blogues celebram) foram abaixo -- em várias partes do mundo, de Madrid à Ossétia do Norte passando por Israel, Palestina, Iraque, África and so on. A morte quando vem é para todos. É fodido que só se lembrem de alguns.
Posted by pTd at 05:33 AM | Comments (3)
setembro 10, 2004
Daniel, ficaste muito bem na foto
Parabéns ao Barnabé. Um ano de blogue é muito trabalho. Da minha parte obrigado pelos belos momentos de leitura que me proporcionaram. E pela agitação de opiniões e debate. Vocês enriqueceram a comunidade do weblog.com.pt e, acho eu, a blogosfera em geral. E, Daniel, o teu post de comemoração é um tratado.
Junto-me ao R'n'V no brinde:

Posted by pTd at 08:04 PM | Comments (2)
O nosso modesto contributo para o Grandioso Evento Faro 2005!
Graças à Grande Inspiração do Líder Espiritual de Faro - Capital Nacional da Cultura 2005, Dr. José Vitorino, às brilhantes propostas (uma e outra) do Luis Ene e à minha, habilidosa (no Photoshop) mão amiga fez-me chegar uma maqueta final de logotipo para o evento. Acrescentei o lettering na fonte que achei que melhor rima com corridinho, sapateira congelada e cerveja morna et voilá. Dado estarmos a menos de quatro meses do início do ano, espero que seja aprovado rapidamente em sessão de Câmara. Até porque é de borla, caros amigos, é de borla! Como devem ser as coisas culturais, ou as pobres (ihihihih) autarquias não lhes poderão chegar, é de borla!
O Luis fez "um breve historial" do evento -- breve porque teve obviamente de omitir a tremenda quantidade de sugestões, propostas, ideias e pensamentos do Dr. José Vitorino e do Comissário do evento, António Lamas (o Google sabe quem é) -- que podeis ler aqui e ainda recuperou da poeira da História Preciosas Declarações da Ministra da Cultura que traçam o Verdadeiro Guia sobre o evento, ler aqui.
E não, também não cobrarei nada à CMF pela profusão de links aqui concentrados sobre o evento e que tornam este blogue, até ver, numa espécie de site não-oficial de Faro Capital Nacional da Cultura. Até porque, como sublinhou o Esclarecido, «continuaremos a trabalhar intensamente, acreditando numa grande Capital Nacional da Cultura polarizada em Faro.» EU ACREDITO! Eu já estou a suar, seguindo o Superior Exemplo! E você?
Posted by pTd at 07:25 PM | Comments (4)
Pois
«A menos de seis meses do prometido início do programa, a futura responsável pelo Teatro Municipal, Graça Cunha, mantém reservas quanto à actividade prevista para aquele espaço: “Ainda não existem linhas de programação definidas para o teatro. Temos algumas coisas pensadas mas como ainda não está nada decidido não podemos levantar a ponta do véu.” Só lá mais para o fim do ano , segundo Graça Cunha, é que se poderá falar sobre os conteúdos agendados para 2005 na principal sala que acolherá o evento. “Só depois de reunir com o comissário António Lamas terei mais pormenores”, acrescentou.
CIDADE PREPARADA
José Vitorino considera que deverão ser criadas condições para que os agentes culturais e a juventude sejam ouvidos e tenham uma participação activa nos eventos. O autarca garante que o comissário António Lamas tem igual entendimento.
“A cidade está preparada para receber bem qualquer grande evento”, refere o autarca, destacando o “esforço” feito pela autarquia desde 2003: “A Câmara tem feito uma aposta forte na recuperação do património e na requalificação da cidade”, refere. De qualquer modo, adiantou, “há ainda mais algum património que se deve aproveitar para recuperar, sobretudo tendo em vista criar mais espaços para os agentes culturais poderem desenvolver as suas actividades”.» (in Correio da Manhã, 2 de Setembro de 2004)
«Mais de dois meses depois de Durão Barroso ter anunciado que Faro será a Capital Nacional da Cultura em 2005, e a quatro meses da abertura da iniciativa, a programação do evento – a cargo de António Lamas – é ainda uma incógnita. » (idem)
Pois. Eu estava enganado, há casamento e respectiva consumação. Desculpem, sim?
Posted by pTd at 04:40 PM
Dão-se alvíssaras
«A grande incógnita para que os agentes culturais algarvios esperam resposta é, agora, a concretização dos conteúdos. Questionados, ainda em fins de Outubro de 2003, sobre os sucessivos atrasos e retrocessos no processo, vários agentes garantiram à Lusa, nessa altura, que o tempo já era escasso para que houvesse uma programação cultural de qualidade a partir de Janeiro de 2005. Os próximos passos serão, por aí, decisivos.» (in Jornal de Notícias, lamento, data omitida na fonte mas parece que foi em 31 de Maio de 2004, não garanto, perguntem ao JN)
Recordo que salvo erro e omissão estamos em meados de Setembro de 2004. Da programação cultural a partir de Janeiro de 2005, com ou sem qualidade, dão-se alvíssaras a quem souber do paradeiro.
Posted by pTd at 12:19 PM
Stª Maria ou José Vitorino?
Dever (Expresso) cumprido, fui beber uns copitos. Aproveitei estar perante algumas das "forças culturais" e "vivas" da cidade e lancei o tema ao balcão: Faro - Capital da Cultura 2005. Resposta: «Faro quê?». Lá expliquei o meu ponto de vista. Explicaram-se. Expliquei-me. Olhámo-nos mutuamente e encolhemos os ombros, incomodados. Dois minutos depois estávamos a falar de gajas, gajos, futebol e essas merdas mundanas. Conclusão, ou falei com as pessoas erradas (não me cheira...) ou a coisa está pior do que eu pensava: nem se pode falar de divórcio entre as forças culturais da cidade o a organização do evento porque não houve casamento ou união de facto. As simples as that. Não se passa nada. O país que se prepare para um fiasco (oh, nada de novo no reino de Portugal).
Até a Rita regressou a Lisboa porque afinal não há guito para o projecto teatral que ela, boa actriz profissional lisboeta, companheira do [músico popular português famoso, nome omitido], aceitou vir fazer com entusiasmo a Loulé recusando propostas de trabalho na capital, soube há instantes da boca da [omitido ] que tem um dos sorrisos mais belos que pude ver nos meus 44 anos de vida. Isto nem o teatro vai salvar Faro Capital da Cultura 2005, pelos vistos. Vã esperança a minha.
A única discussão na "sociedade civil" sobre Faro - capital nacional da cultura em 2005 resume-se nesta altura a isto: qual das imagens votas para logotipo do evento, o de Stª Maria proposto (brilhantemente) pelo Luís Ene e publicada à esquerda com link para um post no blogue dele, ou à direita o perfil do inigualável presidente da Câmara e único e máximo responsável pelo evento em si e (aparentemente, não ponho a mãos no fogo) pela não consumação do casamento entre as "forças culturais" da cidade e o próprio evento?
A MINHA decisão foi instantânea, bastou olhar as duas imagens. Concordo com o Dr. (sei que não interessa nada mas tem dr, sei porque foi aluno do meu irmão) José Vitorino (ver aqui): Stª Maria acuda a Faro - capital nacional da cultura 2005. E a tua?
Posted by pTd at 04:35 AM | Comments (1)
setembro 09, 2004
A cultura de Faro (ou Stª Maria nos acuda)
A quatro meses do evento Faro Capital da Cultura 2005 a leitura das declarações do respectivo comissário (cujo nome não retive sem dúvida por se tratar de figura que dispensa apresentações) à Actual do Expresso de sábado passado, bem como da ministra da Cultura, do ministro do Turismo e do presidente da Câmara (todos em exercício) a um ou dois jornais nacionais, confirmou as minhas melhores expectativas. À excepção provável, que ainda não provada, de apresentação pública de algumas peças de teatro no futuro (fala-se para abertura em Abril) Teatro Municipal, a autarquia farense vai dar o que pensa ser a sua melhor expressão cultural: desfiles carnavalescos em Loulé a abrir, corridinhos em coretos com som fanhoso ao longo do ano e festivais de marisco congelado regados a cerveja morna na época estival. Com a indispensável colaboração dos universitários a servir de stewarts aos turistas. A recibo verde e pagamento em 2006 -- com sorte. Quem não ficar satisfeito pode sempre visitar as ruínas romanas de Milreu (o promontório de Sagres fica muito longe).
Posted by pTd at 06:51 PM | Comments (9)
Caramba!
| pTd may explode without warning |
| M EXPLOSIVE |
From Go-Quiz.com
Posted by pTd at 06:45 PM
setembro 08, 2004
Sobre a edição electrónica
Vital Moreira dedicou no Causa Nossa umas linhas a uma questão que aqui coloquei em Agosto a propósito do blogue Aba da Causa, um «blogue subsidiário do Causa Nossa, onde os autores deste coligem os seus textos publicados na imprensa»: e se a moda de publicar na net fora das edições electrónicas dos jornais pegar?.
A resposta de VM é a esperada e está correcta. Apenas quero aprofundar.
Há uma diferença entre colaboradores da Imprensa, ou cronistas -- como é o caso de VM e de tantos outros -- e jornalistas, estejam no quadro de um orgão de Comunicação Social (OCS) ou sejam simples colaboradores com avença ou à peça (o meu caso no Expresso). Tipicamente não existe um contrato escrito e com clauseado diverso entre o colaborador cronista, geralmente um especialista nalguma matéria. Os direitos de autor pertencem ao cronista que se limita a cedê-los para um caso específico. Exemplo prático: as crónicas de VM são as crónicas de VM e ele faz delas o que muito bem entende, cedendo os direitos de reprodução na Imprensa ao jornal Público a troco de alguma recompensa (em regra um pagamento, mas nem sempre; desconheço o acordo entre VM e o Público; eu por vezes cedo artigos para revistas a custo zero e admito que haja muito mais casos).
Há aqui uma discussão secundária que é: tem o Público o direito de reproduzir também na edição electrónica os textos de Vital Moreira? Mas concentremo-nos no essencial.
Já um jornalista contratado tem um estatuto diferente: o seu empregador retém os direitos de reprodução para todos os formatos, pelo que ele tecnicamente não pode -- sem a autorização expressa do empregador -- copiá-los para o seu blogue. Eu comecei a publicar alguns textos na minha página pessoal em 1996, muito antes destas questões se colocarem, e fui o primeiro no Expresso a chamar a atenção para as mudanças em curso. A Direcção e eu chegámos por essa altura a um entendimento que me permitiu republicar peças jornalísticas no formato digital (no mu site) e também em livro. Na prática mantive os meus direitos de autor num acordo tácito em que me coibo de republicar uma matéria num meio concorrente do Expresso (mais que isso, por iniciativa pessoal não o republicaria em MAIS NENHUM OCS). Coibi-me também de exigir o pagamento à parte da publicação dos meus artigos no formato digital. [Há casos de autores, como Bruce Sterling, que publicam em papel mas retém o copyright para o formato digital.]
Porém a partir dessa altura os contratos de trabalho do Expresso mudaram. A partir de 1998, se não estou em erro, os colaboradores (jornalistas) do Expresso passaram a ceder explicitamente os direitos de autor para o formato digital, bem como os jornalistas do quadro. Outros OCS seguiram a tendência nos anos seguintes e até o contrato de trabalho dos jornalistas mudou: desconheço o parlapié jurídico mas sei que na prática os textos de um jornalista são pertença não dele mas da entidade empregadora (julgo que os repórteres fotográficos têm um estatuto especial, provavelmente os cameramen/women também).
Como em tudo, as regras do bom senso imperam aqui. Enquanto não houver um caso em que o trabalho de um jornalista ou colaborador-cronista tiver mais impacto, tanto na repercussão junto do público como eventualmente em retribuição comercial (muito mais distante, mas ainda assim possível e como tal teorizável), na web (na blogosfera se quiserem) do que no próprio OCS, as entidades empregadoras não se darão ao trabalho de incomodar ninguém. Ficava-lhes mal. Mas -- e no dia em que acontecer uma situação dessas, como será? O Causa Nossa, por exemplo, está com uma média de leitores acima dos 1.000 diários -- número bastante conservador uma vez que o sitemeter falha mais de metade dos hits. Conquistados em menos de um ano. Se este este ritmo de crescimento se mantivesse (o que penso não sucederá...) dentro de dois anos a audiência desse blogue andaria perto da audiência do Público.
[ Outra questão (ainda) abstracta. A audiência de um jornal é estimada globalmente, pelo menos os números que são tornados públicos. É erróneo e absurdo inferir que num jornal com 150.000 leitores diários uma crónica semanal tenha esses mesmos leitores. Quantos leitores terá Vital Moreira no Público e quantos terá no blogue? :) A minha própria experiência no Expresso e nos meus site e blogue fornece pistas surpreendentes, mas fica para outra altura. ]
Em resumo: um colaborador como VM pode manter registos independentes do OCS que lhe publica os textos, situação comum à maioria esmagadora dos cronistas e colaboradores especializados. Um jornalista não pode. Pelo que a minha questão inicial será pertinente um dia. Quando, não sei. Até porque a legislação dos direitos de autor está totalmente ultrapassada, anquilosada. Foi escrita ao longo do século XX para resolver problemas de um mundo comunicacional em que já não vivemos mais.
Posted by pTd at 04:10 PM | Comments (2)
Upgrade para MT 3.11 e novidadezitas
Já estou em MT 3.11. Esta nota está a ser escrita às 5:30 mas só foi publicada às 15:10 (se tudo correu bem: eu vou dormir entretanto...) graças a uma nova funcionalidade da plataforma que permite a publicação em data futura.
Finalmente o Movable Type passou a ter sub-categorias. Ainda não usei mas irei fazê-lo. É útil à brava.
Aproveitei e de passagem traduzi mais uns bocadinhos dos menus de edição, que estão agora perto de 100% em Português (a ver se me lembro de mandar o respectivo pt.pm para a Movable Type...). O manual é um caso perdido: não me aventuro a tanto! Também corrigi alguns erros nos templates que aliás em breve serão publicados no weblog.com.pt para que os utilizadores de Movable Type tenham templates portugueses "oficiais" -- sejam do weblog.com.pt ou não.
Ah, todos os blogues de subscrição do weblog.com.pt que estavam já com o MT 3.0 tiveram o upgrade automático.
Agora vou dormir.
Posted by pTd at 03:10 PM | Comments (7)
setembro 06, 2004
Contra a puta da indiferença
É a segunda vez que penduro uma imagem a abrir o blogue. Usei a ideia do Ânimo, que eu saiba o blogo-pioneiro da memória das vítimas de Beslan, Ossétia do Norte, Rússia, Europa. Contra a anestesia do terror dou as mãos à catarina do 100nada e ao Rui do Adufe.pt.
As crianças e os adultos de Beslan também são gente. Humanos. Topam?
Posted by pTd at 07:18 PM | Comments (10)
Com a Ossétia no sapato
O 11/9 (9/11 para os americanos) teve sites especiais. Movimentos entre blogues. Cordões humanos. Fitas e faixas a colorir cabeças de páginas e a enfeitar lapelas. O 11/3 teve sites especiais. Blogues dedicados à causa. Faixas e fitas a encimar páginas numa manifestação de solidariedade. Procissões, velas e vigílias. Num e noutro nomeam-se os culpados, procuram-se a todo o custo os perpretadores insultando de caminho uma maioria inocente.
Os deserdados da Ossétia do Norte tiveram críticas a Putin e às forças policiais russas, são "culpados" de viverem num local do continente europeu que centenas de milhões não saberiam apontar num mapa, as televisões russas cometeram o bárbaro acto de não dar ao seu povo imagens do banho de sangue e as autoridades escamoteam os números da "tragédia". Sim, foi apenas uma tragédia. Bem menor do que os dois furacões que varreram a Florida.
Em Nova Iorque e em Madrid houve vítimas do terrorismo internacional com o rosto de Osama bin Laden. Em Beslan houve apenas um bando de pobres coitados que morreu porque as forças policiais estavam mal coordenadas. Mereciam. Bah: não passam de pobres russos de quinta categoria. Ainda se fosse uma escola da bela e cosmopolita Moscovo...
Posted by pTd at 04:24 PM | Comments (5)
300=5.000
Cá para mim, 300 ou 5.000 é o mesmo. Quando se fala de vítimas de um atentado terrorista, é o mesmo. Deve ser só para mim. Ou a diferença entre a escola de Beslan e o World Trade Center está no maior monte de aço, tijolos e vidro? PUÁ!
Nova Iorque teve o mundo a sofrer por ela, solidário. O drama das famílias foi seguido com a lágrima ao canto do olho meses a fio, devidamente embalado pelas televisões. Madrid assistiu a dose semelhante. Mas Beslan passou ao lado das emoções gerais. Apesar de a terem lá morrido centenas de crianças. Nem o facto de serem crianças amoleceu os queridos e tão bem manipulados coraçõezinhos ocidentais.
Há uma escala humana, afinal. É mensurável a partir das reacções comunitárias ao drama da morte pela via da guerra e do terror. Se um novaiorquino vale 1, um madrileno vale 0,8. Um israelita vale 0,7 e um palestiano 0,6. Um soldado americano vale 0,5. Um cidadão iraquiano vale 0,4. Uma criança ossetiana vale 0,3. Quase no fundo da escala, até ver, um osstiano adulto, homem ou mulher, na plena posse da sua maturidade vale 0,2, praticamente o mesmo que os soldados europeus, e No fundo estão os soldados de outras nacionalidades que morrem nas várias guerra em curso em todo o Mundo. Omiti os africanos, como é evidente. Menos de uma dezena de africanos mortos nem conta no totobola da lágrima. Um povo inteiro vale, quando muito, um protesto dos grupos mais atentos aos direitos humanos. Na mesma escala, algo como 0,09.
A sociedade ocidental continua -- toda ela, da esquerda à direita, embora por motivos diferentes -- a olhar para a guerra e o terrorismo de forma diferente consoante o tipo de vítimas. Enoja-me.
Nova Iorque, Iraque, Palestina/Israel, Madrid, Rússia, Ossétia do Norte. Judeus, árabes, cristãos, ortodoxos, ateus. Para cada peso uma medida, para cada confronto uma resposta moralista. A hipocrisia está mais enraizada na nossa doente cultura do que eu supunha.
Posted by pTd at 01:58 PM | Comments (9)
Finalmente posso inscrever-me nalguma coisa!
Faço parte de várias minorias e de algumas maiorias também, como qualquer cidadão. Porém, nunca até ontem senti vontade de me inscrever nalguma associação/partido/organização que defendesse causas que eu considere socialmente defensáveis. Pessoalmente, entenda-se.
Até ontem. Porque ontem li uma notícia no Público que me fez sentir vontade de participar. No sábado foi decidida a criação da União Ateísta Portuguesa (UAP).
250.000 portugueses -- uma minoria de um quarto de milhão, ou 2,5 % da população -- declararam-se sem religião no último censo (2001). Uma minoria vítima das maiorias religiosas, com a igreja de Roma à cabeça. Como recordou Luís Mateus da Associação República e Laicidade em Portugal «os ateus ou ateístas são discriminados, são cidadãos de terceira».
Não pensem contudo que é apenas mais uma causa de minorias. O que está em jogo é o próprio Estado e o seu concubinato adúltero com a Santa Sé. Não é de admirar que os cristãos encolham os ombros perante um Estado submisso à igreja católica. Não é de admirar que as religiões minoritárias, do Hinduísmo ao Islão, não façam barulho, evoluindo nos intervalos da Cruzada católica que desde 1500 continua em curso no país, embora agora sem bandeira hasteada nos navios.
Haja alguem com coragem. Ateus, ateístas e agnósticos nada têm a perder em enfrentar social e politicamente os poderes religiosos. Afinal, não representamos um perigo no sentido em que qualquer religião o é por definição. Não querem os ateístas impôr um código religioso ou não-religioso a ninguém. Não travam guerras "santas" nem batalhas contra os "cães infiéis". Não matam, não pilham, não queimam nem sacrificam em nome de um deus ou de uma catrefada deles.
Apenas defendem a justiça social TAMBÉM para os não-crentes e querem ajudar o Estado a tornar-se menos dependente dos grupos de pressão católicos. Estou nessa. Quero ajudar como puder. Já enviei mail para onde pude mas como não confio nem em sites no Geocities nem em correios do Yahoo, se algum dos meus leitores souber onde me inscrevo, avise.
Posted by pTd at 01:56 PM | Comments (4)
setembro 01, 2004
Um sincero obrigado ao governo
Eu avisei no domingo. A atitude do Governo sobre o barco da associação Women on Waves só podia ter uma leitura: o empenho de Lopes e Portas em voltar a discutir o aborto em Portugal. Nos últimos quatro dias não se tem feito outra coisa e pelo que se vê, ouve e lê, temos tema para durar.
Da minha parte quero agradecer sinceramente ao governo ter reaberto o debate sobre o tema -- e recordo que Lopes e Portas o fizeram com evidente prejuízo político e partidário!
Posted by pTd at 03:13 PM | Comments (9)