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outubro 30, 2004

Balbino Caldeira: alguma confusão

Tenho reparado nalguns blogues que citam o post A censura de António Balbino Caldeira em Do Portugal Profundo, uns com mel outros com fel -- dependendo do gosto pessoal de cada um relativamente ao autor.

Não é de estranhar que o visado fale em "censura": entraram-lhe pela casa adentro (com mandato) e levaram-lhe o PC. Eu também me indignava e reagia a quente com um post até mais violento que o dele. Mas já é de estranhar que se critique o homem ou se tente defender o blogger.

A notícia do dn.pt, assente na Lusa, é uma bela cagada. Diz no primeiro parágrafo que António Caldeira «era» autor de um blogue, o que dá a entender que deixou de o ser por causa da chamada ao tribunal. E encerra a dizer que «no entanto António Caldeira promete não encerrar o seu blog». O jornalista mostra-se admirado por Caldeira não fechar o blogue. Como se houvesse uma relação de causa-efeito entre ter um blogue e ser ouvido por um tribunal.

Balbino Caldeira não foi accionado pelo Ministério Público por ter um blogue mas sim por ter publicado documentos que putativamente violarão segredo de justiça. Publicar é tornar público. O meio não interessa para o caso.

Não está em causa direito algum. Balbino Caldeira é responsável pelo que torna ou não público. Todos nós somos. Usemos ou não um blogue.

Tivesse ele publicado o que publicou em fotocópias e distribuído na rua e queria ver se a blogosfera vinha defendê-lo. E se a Imprensa escrevia «no entanto promete continuar a escrever coisas e a divulgá-las por fotocópia». Dah :P

Posted by pTd at 02:08 AM | Comments (9)

outubro 29, 2004

972-9044-78-3

Fixem este número! Em Dezembro, num blogue perto de si...

Posted by pTd at 12:29 PM | Comments (13)

outubro 28, 2004

700

«Amor é pouco para descrever o que sinto, disse ela, e calou-se. Mas a verdade é que ele a deixava sem palavras. E isso era o que ela mais gostava nele.»

Esta é a 700ª do baú do Luís Ene. Ia em 707 na minha última contagem. Suspiro: já só falta menos de um terço para ele fechar a espantosa torneira de criatividade que é o mil e uma pequenas histórias

Posted by pTd at 11:00 AM | Comments (5)

outubro 27, 2004

Who da fuck cares?

A propósito da chamada de atenção de JPT sobre o Blogger e os blogues alojados no Blogspot, que foram menos lidos na semana passada, esclareci nos comentários do Ma-Schamba e publico aqui também, em versão aumentada, umas palavras sobre o assunto. Tão aumentada que tendes de abrir a continuação para ler pois não vou dar seca aos leitores que não se interessem. Mas sempre adianto: tem molho quanto baste, mete a PT e a Netcabo ao barulho e faz alguma luz sobre o elevado (foda-se!) preço da internet em Portugal e fica ainda a saber porque é que o weblog.com.pt continuou a ser visto pelos clientes da Netcabo e porque é que se fosse com o Sapo estavamos todos fritos. Pessoal, convém informar: para os finos dos "sapos" o weblog.com.pt é internacional, para os outros é nacional.

Os blogues do Blogspot estiveram durante alguns períodos da semana passada invisíveis a uma parte substancial dos clientes da Netcabo. Primeiro, os leitores acharam que era, outra vez, um problema do serviço do Blogger, que pertence como se sabe ao Google. Mas como uns viam e outros não depressa se descobriu que afinal era um problema de um fornecedor de acesso, ou ISP. Desta vez a Netcabo.

Já algumas vezes chamei a atenção para o facto de alguns dos "bloqueios" do Blogger serem atribuíveis não ao Blogger propriamente dito mas a ISP (fornecedores de acesso) portugueses cujas políticas de tráfego deixam muito a desejar, sob todos os aspectos. Tanto comercialmente como tecnicamente -- e estou à vontade para o dizer.

O que é responsabildade do Blogger, sim, são (ou eram, pois há meses que não tenho notícia de um caso) as episódicas malformações dos blogues noutras línguas que não o Inglês. Isso e os normais acidentes de percurso aqui e ali, que nenhum serviço na Internet está livre de os ter.

Não, a Netcabo não embirrou com os bloggers nem colocou o Blogspot de castigo ;) Durante largos períodos da semana passada não conseguia sequer ir ao Google... Houve um dia, penso que a passada sexta, 22, que o acesso era de todo impossível. Pelo menos na zona onde me encontrava (não é legítimo aferir que todos os clientes da Netcabo eram afectados). Tenho privilégios raros e bastou-me usar um deles para, passados 45 segundos de irritação, estar a ver o Google e o Blogger usando a Netcabo. O privilégio em questão chama-se VPN (Virtual Private Network) e só não a estendo liberalmente a toda a gente porque pago o tráfego do sol.querido.org (assim se chama há anos o servidor familiar) e os 600 Gigabytes mensais (assobio!) que o weblog.com.pt consome desaconselham que abra (mais) um recurso ;)

Com o conforto da VPN pude continuar a trabalhar. Como explico? Uma VPN é como andar nas autoestradas guiado por um mapa independente em Inglês em vez do oficial mapa em Português. O chão é o mesmo mas quem nos diz onde se vira para Beja não são os sinais e setas da Brisa, que é como se estivessem fundidos, mas sim outra codificação de caminhos. (Claro: também não se liga pêvas ao limite de velocidade imposto pelo senhor da portagem com as caralhadas dos proxies e similares, é pát-á-fundo e o que a máquina e a estrada permitirem).

[ Divagação: os técnicos vão dar pulos com a comparação, mas que se foda, não é a eles que 'tou a explicar a cena. Se algum comentar juro que não respondo. ]

Como se elucida com o pormenor do Google (e sei que havia mais sites inacessíveis) no caso vertente terá sido algum problema técnico pontual da rede Netcabo. Um router que se fina é quanto basta. Até uma placa de rede defeituosa podia ter gerado o problema. As máquinas às vezes avariam. E há máquinas que não se substituem assim tão depressa. Se uma placa arreia, por exemplo, pode demorar horas até se perceber que é da placa ;) e percebe-se depois de ter corrido a maquinaria toda a pontapé e nenhuma ter fraquejado e alguem diz eureka! e começa a olhar para os leds lá atrás.

Seja o que for que tenha acontecido, aconteceu numa das máquinas responsáveis pelas (ou por parte das) ligações internacionais da Netcabo.

Fechado o assunto Blogger/Netcabo, inspirados por ele vamos por aí adiante discorrer sobre isto dos caminhos para os sites. Ataco o tema porque se a ocorrência tivesse sucedido no Sapo em vez de na Netcabo o weblog.com.pt teria sofrido bastante. Ora vamos a isto.

Os preços do acesso em Portugal são mantidos altos por força da política do operador incumbente, que como todos sabem é controlado pelo Estado português e, menos saberão, regulado pela entidade reguladora do sector, a ANACOM. Os operadores mais talentosos conseguem margens apenas se recorrerem a acordos especiais, como é o caso do peering.

O peering é praticado em toda o mundo, Portugal incluído. Sinteticamente resume-se nisto: um ponto neutro onde se entrecruzam as redes dos diferentes operadores aderentes. Quem não conheça a arquitectura da Internet não pode avaliar a importância destes pontos neutros. Mas todos os internautas portugueses (e quase nenhum dos internautas americanos e europeus) sabem que o tráfego internacional lhes custa um preço diferente do tráfego nacional.

[ Divagação: esta diferenciação é incompreensível, alienígena mesmo, para os americanos. Quando lhes tentamos explicar ficam a olhar-nos com ar desconfiado... Se houve momentos em que tive vergonha de dizer que sou português, foram esses. Aquela coisa do Terceiro Mundo e tal... Nem queria acreditar. Tristeza. Fim de divagação. ]

Um caso prático e real. Comprovável pelos leitores. Basta efectuar um traceroute para averiguar se determinada ligação conta como tráfego nacional ou internacional. Assim, graças à política (ou à inércia? ainda não percebi, juro) da Portugal Telecom quando um terço dos leitores dos blogues alojados no weblog.com.pt os lê está a consumir tráfego internacional. Para os outros dois terços (grosso modo) o weblog.com.pt é tráfego nacional.

Aos clientes da rede Sapo (ADSL e dial-up) as páginas do weblog.com.pt e seus blogues passam por Londres (geralmente) antes de chegarem aos seus computadores. Entre o PC do cliente e o servidor as páginas passam por 13 a 15 pontos intermédios, saindo de Portugal geralmente ao quarto ponto (ou hop) pela NFSI, entrando em Londres (99% das vezes) nos servidores da Marconi dos quais são chutados para os servidores também da Marconi em Portugal para finalmente serem entregues ao Sapo e deste ao seu cliente.

Parece complicado, além de estúpido ou inútil. Eu sei. Mas é verdade. Demora mais tempo a ler do que a acontecer: tipicamente o intervalo de tempo entre o PC cliente e o weblog.com.pt é contado em décimos de segundo.

Já aos clientes da Netcabo as páginas são entregues depois de percorridos sete (7, sim) hops. Ao terceiro hop está na máquina de peering de saída da Netcabo, ao quarto entra na máquina de peering da NFSI (nosso honrado e muito prestimoso hospedeiro, batam-lhe palmas que é ele que sustenta os nossos 600 GB...) e o sétimo hop é o servidor do weblog.com.pt, 81.92.196.148 para os íntimos ;).

A questão não é tanto de velocidade. O ganho mede-se em centésimos de segundo e a olho nú é invisível. Claro, em uso intensivo ou em situações de congestionamento dos circuitos internacionais, ou das máquinas da Marconi em Londres, o caldo pode entornar para a casa dos décimos de segundo e aí fia mais fino.

A questão é económica. Londres é fixe para ir de férias, mas em podendo evitar tal desvio só para ir de Lisboa a Leiria... Ya, claro.

Os restantes operadores fazem (quase todos: confesso que não me actualizo há meses) o mesmo, e o que é sensato: trocam o tráfego no PIX (é como se chama o ponto neutro) evitando assim a voltinha dos tristes a meio continente que a PT tanto gosta de dar aos seus clientes por razões puramente comerciais -- e não, não é para os bits sacarem carimbos no passaporte em Madrid e Paris. Essa puta dessa voltinha fica cara. Desde logo ao operador. Que faz reflectir o preço nos seus clientes, está bem de ver. Se pode ser evitada... evita-se, não? É melhor para todos. Lógico. Irrefutavelmente lógico. Excepto para um ISP. Adivinharam: o incumbente.

Numa frase: quem quer peering com a PT é forçado a alugar circuitos pagos a peso de... não, nem é de ouro, é de PT :( E é para quem quer.

Verdade seja dita que quem não quer encolhe os ombros. Sobretudo quando é mais exportador de tráfego (caso da NFSI e do weblog.com.pt que só à sua conta exporta mensalmente +- 200 GB para o Sapo não importando sequer 1/15 avos disso, números por grosso) do que importador. Quem paga a conta final não é ele. É o cliente da PT. Que esta cobre aos seus clientes lo preço da sua própria arrogância comercial... pois é assunto entre ela e os seus clientes. Desde que as acções não caiam e os accionistas estejam contentes com as contas, who da fuck cares? Eu não. Só publico porque acho que é de bom tom informar melhor os meus leitores. Tenho a minha dignidade e sou dos que acredita que vivemos num país democrático e com liberdade de expressão garantida.

Por favor encaminhem as perguntas óbvias para a Portugal Telecom.

O que está escrito pode ser comprovado. Basta abrir uma janela de DOS (em XP: Start -> Run -> digitar cmd e premir o botão OK) e teclar: tracert weblog.com.pt ENTER. Surgirão no ecran preto os passos hops e respectivos tempos intermédios em milissegundos.

Se utilizadores de diferentes redes fizerem o mesmo e trocarem os resultados terão a confirmação prática, bem visível, disto.

Há cerca de dois anos cosegui influenciar as decisões de alto nível na Netcabo para, torneando a política interna do grupo PT, fazerem peering com o nosso excelso alojador, a NFSI. Na altura nem sonhava com blogues, é bom que se diga. Fi-lo enquanto consultor e porque era a pessoa que, conhecendo os dois interessados, podia estabelecer o necessário diálogo. Aconteceu também porque a Netcabo desejava cortar custos e de alguma forma demonstrar a sua própria habilidade comercial e técnica dentro do grupo, bem como obter alguma autonomia. O custo da banda internacional é elevado. MUITO mais elevado do que o do tráfego nacional.

A atitude sensata e inteligente e seguida em todo o mundo é a de fazer o máximo de peering com toda a gente. Se as contas pudessem ser feitas assim, um holandês (ou um português na Holanda) pagaria bastante menos para ler os *.weblog.com.pt do que o cliente do Sapo. A NFSI tem peering até com operadores de Espanha, UK e Holanda e sei lá eu mais quem. Em resultado disso o tráfego internacional sai-lhe mais barato. (Gostava de contar uma história interessante sobre o parasitismo do peeering alheio, a propósito disto, mas já vamos longos neste post, fica para a próxima. Digo apenas que aconselhei e aconselho veementemente a NFSI a manter garbosamente as rotas de/para a PT através do estrangeiro.)

Repito: por favor encaminhem as perguntas óbvias para a Portugal Telecom. Não respondo ao que não sei.

Aproveito para vos informar que o weblog.com.pt e a pauloquerido.com não dependem nem num único circuito, router, whatever da infraestrutura da PT. Nem um led, zero, nientes, rien. Se a PT desaparecesse num ápice o weblog.com.pt nem notaria e todos os restantes operadores -- desde que não fossem dependentes exclusivos da PT, claro -- continuariam a poder aceder-me(-nos) na boa. Perdão, rectifico: na maior.

Sendo franco e antes que os insultos chovam: para mim é um orgulho dizer isto. Não porque algo me mova contra a empresa, longe disso (já agora: tenho bons amigos na PT). Faz o que entende que lhe compete fazer. Se o faz bem ou mal, não sou eu o juiz: são os clientes e os accionistas. O orgulho está noutros lados. Na independência face ao operador incumbente. Na solução alheia a uma empresa da qual prefiro, se puder e o Estado me deixar, não ser cliente (direito que me assiste) ponto final parágrafo.

PS: há ano e meio sonhei ser operador. Pequenino. Um pacote ADSL como deve ser, tráfego LIMPO, sem divisões entre nacional e internacional, para 100 a 200 clientes/amigos que quisessem ter uma Internet hámaneirovski. Há uma única razão para não ter avançado. Chama-se política para o lacete local e noutra altura poderei explicar, ou outra pessoa o fará melhor que eu, o caralho do imbróglio em que a Anacom (ex-ICP) tem mantido o acesso de banda larga neste país com pesados custos directos para o bolso do consumidor e não menos pesados custos políticos (a fraca taxa de penetração da Internet que apresentamos à Europa) para sucessivos governos. Mas -- lá está -- a Anacom é o Governo, que por sua vez é a PT, que por sua vez é a Anacom. Percebem? Eu também não.

Posted by pTd at 03:37 AM | Comments (14)

outubro 26, 2004

O estalo

Blogar é um exercício interessante. Aqui um gajo, pá, esfalfa-se, pá, a parir uma ganda posta toda composta, pá, com a salada três-alfaces, as batatas cozidas no vapor certo, e um penacho de salsa a compor o prato, pá, e pumba, chegam os leitores à mesa e nem umzinho, pá, comenta o sabor da cena, tão a ver? É de ficar descorçoado: ali um texto todo cheio de graça sobre isto e aquilo e nada, ninguém acha piada, com sorte um ou dois dos indefectíveis leitores (obrigado senhoras e cavalheiros) lá deixam uma palavrita ao tristonho e suado cozinheiro das palavras.

Depois, pá, um gajo chega estafado do bule-bule, descasca assim um prato insípido, sem graça, autêntica comida de microondas da mais desenxabida, só a informar os queridos leitores de que está cansado, pá, e aproveita pa dizer porque é que está cansado e anunciar que no próximo mês se verão os resultados, de quê não diz, e PIMBA!, toma lá duma assentada dez comentários e um trequebeque que isto, pá, um gajo até fica aflito.

Vá lá um gajo, pá, domar cena tão malaica.

O bom do re21, que inspirou este texto e por isso lho dedico, deu-se ao trabalho de destacar no blogue dele o meu sensaborão desabafo, quase pedido de desculpa por andar arredio da escrita, em que dizia que estava a trabalhar para ter novidades em Novembro. Vejam lá como as coisas são.

E por ter ficado aflito com a reacção à desditosa posta, que não é meu prazer servir, aqui venho anunciar o "estalo". Que muito dumasnamente, serão dois.

O GRANDE estalo: o weblog.com.pt vai transbordar da panela da bitalhada.

O estalo mais pequeno: está ao lume uma caldeirada que, haja gás para a cozinhar até ao ponto!, deliciará palato aos consumidores das pobretanas revistas e suplementos de (argh) informática (vómito) que tão avidamente como em vão as compram na esperança de um dia nelas lerem coisa que preste.

O quê? Que foi? Ah, voltei a não dizer nada, é isso pá? Ah, pois, isto são as influências daquele genial sketch do R.A.P. ;)

Posted by pTd at 10:44 PM | Comments (19)

outubro 25, 2004

Cansado

Estou cansado. Muito trabalho. Demasiado trabalho. No weblog.com.pt, claro, mas sobretudo na minha loja online, novidades em Novembro - uma delas de estalo! Esta semana andarei longe dos blogues. Activo, só mesmo no apoio aos subscritores (já agora, pessoal, adiram aos serviços pagos, ok?). Portanto não estranhem que eu publique pouco por aqui. Vou agora comprar quelque chose para a janta e cigarros e volto a megulhar a cabeça no código, que os artigos para o Expresso do próximo sábado já estão prontos. Até mais ler.

Posted by pTd at 06:02 PM | Comments (11)

outubro 22, 2004

Carapaus de corrida

O Filipe Moura foi o único (obrigado pá!) a reagir à minha proposta de classificação de "esquerda jaquinzinhos" para substituir a nada adequada designação de "esquerda caviar" tão em voga nos blogues que se esforçam por estar na moda. O post dele no BdEII tem uma interessantíssima colecção de comentários sobre se devemos ou não comer os filhos dos animais, ou os animais não-adultos, conforme vos der mais jeito dizer.

A única maneira de me pronunciar sobre o assunto seria chamar a atenção para o impacto do consumo de rebentos de bambu e de rebentos de alface nas respectivas espécies. Mas achei melhor não entrar por aí, ainda acabávamos nos comentários a discutir o uso de larvas na pesca. O que era mau.

Mas não resisto a rejeitar a ideia geral do Filipe, expressa na frase: «Mesmo assim, à falta de argumentos científicos, jaquinzinhos é um prato de direita, pronto!»

Discordo. A direita prefere o sabor mais delicado das ovas de esturjão, de preferência da espécie beluga (Huso huso), que fornece os ovitos mais graúdos da família. Esse sim, é um prato de direita. Qualquer jantar de bloggers de direita que se preze abrirá com caviar do mar Cáspio, mar Negro ou do Adriático. Nada dessas merdas vindas de Olhão, Sesimbra ou Peniche (ui!).

A língua dos gajos de esquerda, seja a clássica esquerda dos subúrbios industriais (paradigma Almada / Barreiro), seja a moderna e dos centros urbanos (paradigma Centro Cultural de Belém / FNAC do Chiado), foi calejada desde tenra idade nos sabores da comida acessível. Já o palato da rapaziada da direita, seja a clássica direita dos subúrbios nobres (eixo Cascais / Sintra), seja a moderna direita dos centros urbanos (eixo Largo do Caldas / Lapa), evoluiu saboreando a comida inacessível.

É tudo uma questão de classes (sim, sei que não está na moda, mas que as há, há). E contra isto batatas. Logo, Filipe, jaquinzinhos é um prato de esquerdistas e está interdito (horror! porcaria! argh!) nas mesas direitistas. O jcd usou a palavra para intitular o seu blogue primeiro porque é algarvio e segundo porque é uma forma de gozar com a esquerda.

Posted by pTd at 07:54 PM | Comments (4)

outubro 21, 2004

O estado do ensino: leitura obrigatória

«Quarenta anos de permanente revolução nas escolas inglesas produziram a mais examinada mas menos educada geração da história moderna.» [Inês in Teacher]. Em meia dúzia (exacta) de parágrafos a minha querida irmã diz uma dúzia de verdades sobre o ensino. A reflectir.

Posted by pTd at 12:37 PM | Comments (4)

outubro 20, 2004

A felicidade é....

Topar os chico-espertos que criam blogues no weblog.com.pt com o único intuito de redireccionarem depois para os seus blogues alojados por aí. Significa isto que o weblog.com.pt é O portal onde TODOS querem estar listados. Por alguma razão deve ser ;)

Como é de esperar não nomeio tais engraçadinhos e muito menos lhes darei o prazer de um link. Nem apago os blogues, limito-me a tirar os redirecionamentos e a dar-lhes permissões zero. Assim fico com a certeza que não voltam a repetir a gracinha. Querem blogues, usem-nos.

Posted by pTd at 03:21 AM | Comments (7)

outubro 19, 2004

weblog.com.pt: 55.621 leitores diários

Os blogues do portal weblog.com.pt bateram ontem um novo recorde: em conjunto tiveram 55.621 leitores. Por um lado fico orgulhoso. Pela capacidade dos autores devidamente reconhecida pelo público. E, pessoalmente, por o sistema ter sido capaz de dar resposta. É que, meus amigos!, é obra! Para terem uma ideia, é uma média POR SEGUNDO de 9,3 hits, 2,6 páginas, 7,1 ficheiros e 336 KB. É bastante para um único servidor assente numa máquina bastante modesta, menos potente seguramente que a maioria dos computadores domésticos usados pelos editores e autores...

Agradado fico também pelo facto de ao recorde de visitas não corresponder um aumento de tráfego: foi menos 1 GB do que no dia 7, o anterior recorde, apesar de terem sido mais 5.100 leitores e mais 40.000 páginas. A explicação é simples: consegui que alguns editores (ok: foram só dois... e bastaram para fazer a diferença) optimizassem as suas páginas de entrada que estavam exageradamente pesadas. Recordo a propósito que blogues demasiado pesados demoram muito tempo a carregar e afastam leitores. E... quem é que vai ler os posts do fundo da página, afinal? Eu por exemplo não passo dos primeiros cinco ou seis posts. Pensem nisso.

Mas por outro lado fico apreensivo. Como alguns terão notado, na hora de ponta (entre as 16 e as 20 horas) o servidor borrou-se um bocado. Os comentários demoravam a entrar, os posts idem. O servidor está muito perto da saturação e se há dois meses que secretamente procuro uma solução, está na altura de partilhar convosco o problema. As subscrições têm aumentado e comprovam que existe um modelo de negócio (e confesso que tive dúvidas sobre a viabilidade durante o primeiro ano desta aventura). Porém, o respectivo rendimento não chega por enquanto para enfrentar o investimento necessário numa nova máquina. Até porque o contrato com a Six Apart (direitos do Movable Type) consome uma boa parte das receitas.

A partir deste momento é público: Procura-se um parceiro / sponsor / patrocinador ou mesmo um mecenas que contribua com um novo servidor. A troco evidentemente de espaço promocional no portal (os blogues não serão obrigados) e de ficarem associados a uma marca que representa cada vez mais prestígio e é sinónimo de bom serviço -- numa altura em que outros serviços de blogues encerram ou passam visíveis e notórias dificuldades.

Infelizmente o parceiro que eu pretendia -- uma das principais marcas de PCs e servidores do mundo -- não se mostrou interessado pois tem outras prioridades. Mas há outras marcas e empresas para quem um servidor de médio porte não é propriamente um rombo orçamental. Portanto, passem palavra os que tenham conhecimentos. A gerência agradece -- em nome da comunidade cada vez maior e mais feliz do weblog.com.pt.

Posted by pTd at 02:37 AM | Comments (15)

outubro 18, 2004

A esquerda jaquinzinhos

Contrariando alguma populaça que pela diáfana Internet refere os gajos do BdE como "a esquerda caviar", venho por este meio informar que eles são mais esquerda jaquinzinhos. O jantar de sábado, num histórico tasco mais pequeno que burguês, provou-o mais uma vez. E pelo que conheci dos Barnabés também são mais carapau alimado do que esturjão. Ele há uns gajos munta más línguas...

Posted by pTd at 09:25 PM | Comments (3)

outubro 17, 2004

Ódio

Às vezes fico a reflectir nisto. Vivo num país onde as duas principas figuras com um discurso feito de ódio têm reinados prolongados enquanto dirigentes. Pinto da Costa e Alberto João Jardim distinguem-se na sociedade portuguesa há duas décadas pelas suas palavras carregadas de maus sentimentos que provocam continuadas guerras entre os cidadãos e alimentam os mais vis comportamentos e pensamentos. Porém, quero admitir que ambos continuam a ser eleitos pelos seus eleitores por aquilo que fazem e não pelo que dizem. Sim, sou ingénuo. É vital ser ingénuo para não dar em doido neste país.

Posted by pTd at 10:03 PM | Comments (13)

outubro 16, 2004

Animem-se

Estive a pôr as leituras em dia com o Expresso deste sábado comprado sexta à noite num sítio de confiança, o Público de sexta e a Visão e a Sábado desta semana. Animem-se. Resta em Portugal um punhado de pessoas que genuinamente fazem o que lhes apetece, dizem o que lhes apetece, vestem o que lhes apetece, fazem silêncio quando lhes apetece, criticam quem lhes apetece. Sem serem comandadas pelas regras do politicamente correcto, do socialmente correcto e larachas afins. Nem pelas "regras" dos partidos ou associações a que paguem quotas. Ignorando a ditadura da opinião pública. Eu sou uma delas. Outra cinco que me lembro agora por causa das leituras. O "meu" (um dia explico as aspas) Ricardo Araújo Pereira. Ana Bola. José Castelo Branco. Marcelo Rebelo de Sousa. Belmiro de Azevedo. A lista não pára aqui. Animem-se: ainda há individualidade. Há país para além do Estado!

[ Post escrito em plenas mini-férias usando cinco minutos de Internet roubados para o efeito e aproveitando o sono da rapariga. Só volto oficialmente segunda-feira. ]

Posted by pTd at 04:09 AM | Comments (5)

outubro 14, 2004

Mini-férias

Caros leitores: este blogue não terá novos textos antes de segunda-feira dia 25 (próxima semana). Motivo: umas mini-férias do autor. Regressarei. Saúde.

Posted by pTd at 08:00 AM | Comments (7)

outubro 13, 2004

Erro na aplicação

imagem de uma janela de erro no servidor de blogues da Assembleia da República no blogue do deputado Carlos Rodrigues

Certamente habituado à Madeira, onde o estalinista líder abre a boca e a plebe é forçada a manter as orelhas abertas e a sorrir para o Grande Líder ou perde o emprego no dia seguinte, o deputado substituto de Alberto João Jardim na Assembleia da República (a de Portugal, não confundir com a futura república(?) da Madeira) Carlos Rodrigues chegou à blogosfera a rimbombar bazófia como se isto fosse o seu palanque pessoal. Três dias depois meteu a viola no saco e desfez-se em mil desculpas a todos os insultados e ofendidos. Imagino o puxão de orelhas que levou, ui!...

Há quem aceite as desculpas e quem ache que não chegam (por mim o harakiri é á única solução!). Com sorte podem ler no Correcto. Digo com sorte porque: a) o blogue mudou de nome não sei ao certo quantas vezes no período de 72 horas; b) o blogue mudou de endereço pelo menos uma vez no mesmo período; e c) como é apanágio dos troca-tintas, os arquivos desapareceram pelo que devo concluir que também o pedido de desculpa que acabo de ler pode desaparecer de um instante para o outro ou dar lugar a outra merda qualquer.

Falam disto que eu tenha lido: Monty, PG, José Magalhães e, com mais molho, Boss.

Não é má entrada na blogosfera, que acontece aos melhores e aos piores também. Nem um erro de casting. Trata-se efectivamente de um erro na aplicação.

Posted by pTd at 02:01 PM | Comments (3)

outubro 11, 2004

É no que dá

A confusão armada em torno da liberdade de expressão, do provedor do weblog.com.pt e etc dá coisas engraçadas. Ou tristes conforme o ponto de vista que o leitor prefira ;)

Transcrevo uma frase de um e-mail recebido há bocado: «Eu oiço falar no weblog.pt e no provedor mas não sei bem o q é (recordar q nada percebo de informática) - é um servidor? domínio.»

No mínimo é surreal.

Posted by pTd at 11:42 PM | Comments (11)

A (defesa da) liberdade de expressão

Na passada sexta feira os escritórios londrinos da Rackspace tiveram uma visita das autoridades que levaram discos rígidos do servidor de um cliente, a Indymedia -- Independent Media Center, rede de websites de informação independente que tem tido papel relevante na informação plural sobre vários temas menos tratados, quando não maltratados, nos media convencionais. Entre eles a gobalização. Foram-se 20 websites e a zona portuguesa da rede foi afectada. (Sobre o caso e a sua relação com outros, como o do blogue de Pombal -- seguir a partir daqui e ler a versão do bloger despedido aqui -- e do brasileiro Imprensa Marrom -- ver isto -- escrevo sábado que vem no Expresso.)

Na passada sexta feira abriu outro blogue português. Provavelmente vários, mas este é que interessa para o caso. Chama-se Os cães ladram e a caravana passa, nome copiado de outro blogue que por acaso já existe há um ano... e parabéns ao autor) e este, o novo, tem um endereço curioso, http://blogs.parlamento.pt/flama/.

O autor do novo blogue é um deputado. Fica como o quarto blogue aberto no sistema de blogues da Assembleia da República. O quarto... Enfim. O deputado José Magalhães recebeu-o com um texto digno de figurar nos anais da Assembleia, com a verve que lhe conhecemos. Não percam a sua leitura. Também o Bloguitica assinalou a nova entrada com o currículo de Carlos Rodrigues, o deputado que tem a nobre tarefa de representar Alberto João Jardim no odioso contenante de forma a ele não ter de pôr o pés nesse antro de comunistas e perigosos paladinos da democracia chamado Assembleia da República. Ambos explicam a origem do endereço.

Ok, já sei que esta entrada tem muitos links e há leitores que se cansam. O objectivo é assinalar o assunto e ficar com as ligações nos arquivos. Porque o assunto é importante. Na altura em que se discute e debate a liberdade de expressão e de Imprensa na Internet em geral e na blogosfera em particular, temos dois exemplos de sinal contrário. De um lado, problemas. Do outro, a liberdade exercida.

A liberdade de expressão é uma conquista das democracias do século passado. Uma conquista não totalmente terminada. Mas a liberdade de expressão implica um grau de responsabilidade que tem sido um tanto esquecido nesta primeira geração de bloggers entusiasmados com o brinquedo novo. A liberdade de expressão é um direito que implica naturalmente deveres e obrigações. Não sendo observadas podem conduzir a conflitos de direitos. Os conflitos podem acabar em tribunal.

Na ausência de uma cartilha do blogger, na ausência de uma entidade (um provedor, por exemplo) que auxilie a sociedade a focar melhor os aspectos colaterais da liberdade e da responsabilidade exercidas no mundo dos bits, caros vizinhos: é favor blogar com responsabilidade. Este texto refere-se à lei brasileira mas pode ajudar: Manual de sobrevivência na selva de bits: evitando as ações judiciais contra publicações na Internet.


PS: Entretanto esta tarde o dito cujo deputado discípulo e substituto de João Jardim emendou o nome do seu douto blogue. Intitula-se agora O Correcto. Pois.

Posted by pTd at 05:57 PM | Comments (7)

outubro 10, 2004

Espaço aberto para temas ligados aos professores e ao ensino

Abriu a Sala dos Professores. É um forum público sobre os temas ligados aos professores e ao ensino. Foi criado por uma professora com longo currículo, décadas de profissão e apetência pelos espaços digitais de diálogo e reflexão. Contou com o meu apoio -- e aproveito para relembrar que há mais instrumentos de comunicação para lá dos blogues e que... sim, também por cá se alojam foruns. E outra utensilagem digital. Os interessados mandem mail para aqui.

Posted by pTd at 10:26 PM | Comments (2)

outubro 09, 2004

Desisto

Uma vez sem exemplo: vou publicar um e-mail privado, que enviei ao Golfinho. É publicado porque ele me pediu. Por mim as coisas ficavam na esfera privada mas ele pediu-me que escrevesse no meu blogue a « retratar-me» e eu, como acho que deve ser útil para ele, e porque tem tido comoções violentas nos últimos dias e prezo a saúde dos subscritores do weblog.com.pt, faço-lhe a vontade (as melhoras, Zé). Ele acha que os meus leitores são bons e os dele não. Ok. É lá com ele. Eu não concordo. Os meus leitores são bacanos, sim, e eu gosto de ser lido por eles. Isso dos melhores e piores é uma escala de valores que me passa ao lado, lamento pessoal. Como ele se manifestou incomodado, tendo até reagido negativamente tanto aos meus tratos como à (imho justa) nomeação no weblog.com.pt do seu blogue para blogue da semana, decidi minorar-lhe o incómodo.

Que fique claro: DESISTO aqui e agora de tentar tratar o assunto Golfinho na boa. Errei. Falhei. Doravante, caguei de alto e de repuxo. Enquanto me vergasto furiosamente nas costas, slap slap, por ter sido tão estúpido, escrevo no quadro negro 20 vezes e torno isso público para que conste e fique em acta: não voltarei a tentar resolver pacifica e privadamente conflitos entre o Golfinho e outros autores do weblog.com.pt. Não voltarei a tentar resolver pacifica e privadamente conflitos entre o Golfinho e outros autores do weblog.com.pt. Não voltarei a tentar resolver pacifica e privadamente conflitos entre o Golfinho e outros autores do weblog.com.pt (as outras 17 omitidas, you got my point).

Eis o mail. Itálico, eu, negrito-itálico ele.

«Uma coisa é dizer: isso aí que tu escreveste é mentira. Outra coisa é chamar-te mentiroso. No primeiro caso trata-se de um ponto, uma frase, uma expressão. Um pessoa pode mentir pontualmente, seja deliberadamente seja por desconhecimento de causa, sem que isso a torne num mentiroso. No segundo caso, chamar mentiroso a alguém é afirmar que essa pessoa mente sempre, ou mente sistematicamente.

Eu não te chamei mentiroso.

Isto em primeiro lugar. Em segundo: o assunto em questão era o que tu afirmavas que eu tinha escrito. Foi isso que eu disse que era mentira. Era (e é) mentira que eu tivesse escrito o que tu afirmaste que eu tinha escrito.

O assunto da "mentira" não é o assunto Anacom. Aí eu disse que estavas enganado. Afinal quem estava enganado era eu -- e já o disse nos comentários. Queres que o diga num post, tudo bem, eu avio um post a explicar isso e isto da mentira também. no problemo.

e escreveres q eu tenho seguidores??? q é isso??? já pensaste agora em quem te lê em que me vai ler? nao vais escrever nada???

Ia dizer-te no outro mail, mas entretanto tive de ir à rua. Aqui vai:
tu tens leitores, cacete! Bués deles. Alguns deles não gostam de ti, ok. Mas tens outros que gostam, zé, percebe e aceita isso. E desses muitos seguiram o teu conselho e foram votar Não na votação do provedor. Depois do teu post o Não disparou. Até aí era minoritário, 24 horas depois do teu post era maioritário.

Tens seguidores sim senhor e é bom que assumas essa responsabilidade. O que se escreve nos blogues não é impune. Tem feedback. Umas vezes positivo, umas vezes negativo. Tás muito habituado ao feedback negativo do qual te queixas e com razão. Mas habitua-te também ao feedback positivo, caraças!

fala, escrevve, pensa antes de escrever, e depois reconhece os erros. errar é humano.

Errei no caso da Anacom. Já o escrevi nos comentários próprios do post em questão. Estou a reconhecê-lo perante ti, aqui em privado, no email. Que mais devo fazer??

Um abraço»

Na volta do email tinha esta frase: «sim, por acaso gostava q escrevesses um post onde escrevesses essas coisas. obrigado.

1 abraço.»

Não é por acaso mas de nada, pal. Faço-te a vontade. Fim de citação e assunto encerrado. Para sempre.

{ Contexto: Golfinho achou que a votação sobre um eventual provedor do weblog.com.pt era um disparate e o provedor seria um censor, um atentado à liberdade de opinião (?) e afirmou que eu tinha escrito certas coisas sobre a figura do provedor. É escusado pôr aqui links para as entradas do blogue dele onde dizia tal coisa: o blogue dele já foi apagado e reconstruído vezes suficientes para eu ter perdido a confiança nos arquivos dele. Respondi calmamente no meu blogue que não tinha escrito tal coisa, dizendo também que não entendia como é que um provedor podia ser um censor. No weblog.com.pt o blogue do Golfinho foi considerado blogue da semana. Porque, bem ou mal, ele chamava a atenção para o assunto. Em emails quis primeiro que retirássemos a nomeação. Quando lhe foi dito que sim, retirávamos porque ele tinha esse direito, explicando de caminho as razões da nomeação, ele respondeu que tudo bem, o caso estava ultrapassado. Em correspondência privada comigo disse o que acima se colou. E pediu que me retratasse. Nada mais justo. Retrato-me. Ele mentiu quando afirmou que eu tinha escrito algo que eu não escrevi, o que não faz dele um mentiroso. Eu enganei-me sobre a Anacom, que afinal tem poderes (anti-constitucionais, mas tem) para dirimir conflitos entre utentes da Internet, e já o tinha publicado, mas republiquei para lhe fazer a vontade. Não quero que lhe falte nada. }

Posted by pTd at 05:53 AM | Comments (12)

Garante de liberdade? Bah

Está encerrada no weblog.com.pt a votação sobre um eventual Provedor para a comunidade. Numa altura em que se discute apaixonadamente, e por todo o lado incluindo os media, a liberdade, a censura e o papel dos blogues no espaço da opinião pública, o não dos bloggers é sintomático e claro. Não querem um árbitro que forneça inspiração e medeie conflitos. Preferem o conflito. Pela minha parte, desisto da ideia, que considerava útil. Mas a comunidade pronunciou-se inequivocamente. Não são precisos mecanismos auto-reguladores na blogosfera. Assim seja. Fiquem bem.

Posted by pTd at 05:50 AM | Comments (3)

outubro 08, 2004

Belém ao fundo

Que me perdoem os vizinhos tão preocupados com a questão da, ui!, censura, mas acho a coisa um perfeito disparate. Censura há em Cuba, por exemplo. O que há em Portugal, como nos EUA e como em qualquer parte do mundo, é o normal (?) relacionamento entre poderes. Poderemos discutir isso, claro, mas noutro contexto. Recuso aliar as duas coisas: Marcelo fora da estação da Quinta e a problemática das relações entre poder político e poder mediático (que está nas mãos do poder económico, o que em si é uma perversidade, mas lá está, fica para outra altura).

O episódio da semana é Marcelo Rebelo de Sousa. É política. Pura. Nada de questões da comunicação social. Política. Cantigas à parte, há para mim duas coisas claras. A saber.

Uma: a avenida para Belém abriu-se repentinamente a MRS. Que publicamente (lá no seu canto dominical) disse e repetiu "nunca digas nunca", sobretudo em política. À direita a avenida estava a ser pavimentada para Cavaco Silva. Até MRS colocou polidamente algum macadame. Como compete a um general na reserva. Mas em três meses tudo mudou à direita. No PSD, quero eu dizer, pois que o PP pode manobrar maquiavelicamente a actual facção social-democrata no poder mas o PSD é muito maior que essa facção. É um partido de velhos guerreiros que, gostemos ou não dos princípios porque o fazem, lutam pela liberdade. A golpada que colocou PSL no governo só foi engolida a custo com a seguinte água das pedras: mais vale estar no poder que fora dele.

Ora, a argolada monumental do ministro dos Assuntos Parlamentares veio alterar tudo. MRS teve uma oportunidade e cavalgou a onda. Logo. A avenida abriu-se. Ele tem o país a seus pés. É inacreditável? Mas é verdade. Olhem à volta. Quatro anos e meio a pregar -- e eis a recompensa, Senhor Professor (vénia e vassalagem). Com a ajuda de um camarada, ops, colega de partido. Desastrada, é certo, mas ainda assim ajuda. MRS goza hoje da simpatia popular generalizada. Grande parte das bases e figuras do PSD está com ele: secundado pelo sábio e "nosso" JPP liderou a resistência aos arroubos dos impetuosos líderes Santana Lopes e José Manuel Barroso (perdeu o Durão na viagem para Bruxelas) e garantiu crítica aos excessos do poder. Nas oposições goza de prestígio pela mesma razão e por mais duas: já perdeu mais que ganhou batalhas políticas mas é um corredor da maratona e a malta gosta dos Carlos Lopes, uma; e outra porque é uma pessoa culta, plural e independente. Ou disso deu ares na televisão -- o que não sendo a mesma coisa tem o mesmo resultado.

Depois de quatro anos e meio a pregar, bastaram um ministro desbocado e 72 horas de febre pública para MRS passar da reserva do PSD para figura central da política portuguesa. Tiro-lhe o chapéu.

Não é dispiciendo analisar a esta luz a chamada a Belém por parte de Jorge Sampaio. Que além de contas para pagar a MRS (aquilo do conselho de Estado) tem outra coisa: como sucessor prefere-o seguramente a que Cavaco, que faria muito mais mossa a um futuro governo socialista do que o dialogante e liberal e centrão MRS.

Duas: o PSD continua a ocupar, cada vez mais, o espaço mediático. Não importa se é pela positiva ou não, importa é ocupar as câmaras. Enquanto estão lá não estão com o PS. É uma sábia utilização da lógica de preenchimento do horário nobre, que regula a actual forma de fazer política e "fez" líderes como Santana Lopes e José Sócrates. Durante meses a oposição ao PSD fez-se quase exclusivamente a partir do PSD. Envergonhados com o caso Casa Pia e ensarilhados nas suas próprias contradições, os políticos socialistas (do PS, lembram-se do PS? Aquele partido que ganhou as europeias de Junho?) desapareceram da televisão.

Há merda com um ministro? As redacções chamam Pacheco Pereira ou parecido para uma primeira reacção. E no domingo seguinte MRS lá está (estava) a comentar. É preciso encher as cadeiras de um debate? Louçã ou Rosas funcionam bem em televisão e dão o melhor troco aos Dias Loureiros e àqueles jovens engravatados do PP que querem parecer a todo o custo mais velhos do que são e usam aqueles fatos inenarráveis. Se se telefona para a sede do PS o melhor que se arranja ainda é o marido da Bárbara Guimarães, mas ocupado como anda com o filho tem outras prioridades (e faz bem).

Um marciano que aterrasse agora em Portugal não acreditaria que eu lhe dissesse que o PS é o segundo maior partido português e duvidaria que eu tivesse os cinco alqueires bem medidos se lhe contasse que ainda não há quatro meses venceram umas eleições.

O governo não controla os media (embora algumas das suas figuras mostrem tiques de que gostariam...). A "central de informação" pode cometer erros de análise e não ter controlo sobre os desbocados. Não há censura, deixem-se de idiotices, estão apenas a alinhar no jogo. O jogo da ocupação de espaço.

Do ponto de vista da oposição (e, como tal, do país democrático) é urgente que José Sócrates comece a trabalhar. Ele também sabe as regras do jogo.

Quanto ao futuro, a questão presidencial está arrumada. À esquerda ninguém tem um ás ou um rei sequer. Guterres será com boa vontade, valete. Isto é Sousa ou Silva. Desconfio que será Sousa. O coração do país já esqueceu Silva. Com um bocado de sorte, argoladas ministeriais deste calibre e beneficiando do desarranjo intestinal que as presidenciais causarão à direita, Sócrates pode ser Primeiro Ministro dentro de dois anos. Basta que o PSD não mude de liderança pois ganhará facilmente a um PSL desgastado. Mas convém que comece urgentemente a aparecer na televisão. Ou o país ainda se esquece dele.

Posted by pTd at 12:00 AM | Comments (5)

outubro 07, 2004

Marcelo e a dita censura

Que festim vai por aí na arena mediática com a demissão de Marcelo Rebelo de Sousa do cargo de comentarista dominical de um canal popularucho de televisão! Já li as coisas mais disparatadas e inverosímeis tanto em blogues (não espanta) como em jornais (ainda espanta menos).

Mas alguem acredita realmente que MRS se afastou em consequência de algum acto de censura?

Mas... houve algum acto de censura?!? Quer-se dizer. Um ministro mandou vir com umas larachas desgarradas, socorrendo-se de um quadro pretensamente legislativo e não-aplicável (o discutível direito de confronto, matéria absurdamente escorregadia), porque MRS comparou este governo ao último governo PS. Quer-se dizer, tanto um como outro usaram da liberdade de expressão para dizerem para quem os quis ouvir o que lhes apeteceu.

Sendo figura proeminente de um dos partidos mais importantes (numericamente) do país e que governa em coligação, MRS fez o que eu faria: aproveitou e bazou. Falou com o dono da estação e foi-se que tem mais que fazer. Para trás o que deixa? Um governo ainda mais entalado. Mas ele sai pela porta grande e inatacável.

Caramba, quase cinco anos de domingos estragados é bué de tempo! Aquela estação, caramba! Caramba, grande bofetada nalgumas figuras menores do partido!

Convém não esquecer que MRS não está morto para a política. Partidária e não partidária. Está na reserva. Teve uma oportunidade de ouro para capitalizar grande parte do descontentamento que grassa face ao actual governo, tanto dentro como fora do PSD. Aproveitou-a.

A populaça imediática, insana como manda a sapatilha, grita lobo! e até Cavaco Silva, caladinho há meses, mete o bedelho. Cavaco, meus: a figura do PSD e da direita para as próximas presidenciais! Cavaco, pensem bem. Porque carga de água Cavaco, que nunca por nunca (disse repetidamente ele) se incomodou com os jornais, que ajudou a liberalizar a comunicação social, vem a terreiro?

Ora, para a malta o ver na televisão. Com tanto protagonismo de MRS, mais vale pôr-se em bicos e pés -- ou desaparece da pantalha de vez.

Percebem?

A manipulação de massas não é um acto de censura. Tem outro nome e outra profundidade. Pode ter contornos de malvadez. Mas também há limites dentro dos quais é feita com "decência".

Cá para mim estamos perante um caso de manipulação da opinião pública. Nunca de um caso de censura. Não vi ninguém amordaçado. Não vi sequer essa coisa da "pressão" para "calar" uma "voz incómoda". Vi um ministro a gritar umas larachas inconsequentes. E na falta de assunto para as massas da elite (as outras massas estão bem fornecidas para a invernia com doses maciças de espreitanço aos pipis dos "famosos" na mesma estação de onde MRS zarpou a todo o vapor) quem não tem Quinta caça audiências com o que tem à mão.

PS: Luís Nazaré escreveu no Causa Nossa um artigo de leitura perigosa pois associa dois assuntos sem ponta de semelhança. O intervencionismo na Comunicação Social é uma coisa: considerar MRS vítima desse intervencionismo não passa de um golpe de aproveitamento. Não foram as "centrais de assessores" que protagonizaram o confronto com MRS: foi um ministro. O confronto ocorreu em pleno espaço público e não nos gabinetes.

MRS sai eventualmente ofendido. Não sai empurrado. Até MRS vir dizer que foi "convidado" (com ou sem aspas) a sair aceito a primeira versão que ouvi: a de que a iniciativa de conversar com Paes do Amaral foi dele.

Posted by pTd at 08:04 PM | Comments (16)

Golfinho e a censura

Golfinho, um dos mais polémicos (no sentido do homem, não do autor) bloggers cá do burgo, em pleno exercício do direito à liberdade de expressão escreveu que é preciso defender «aqui» a democracia e a liberdade, que considera ameaçadas. Para tanto exorta os seus leitores a votaram não à criação da figura de provedor do weblog.com.pt. O post dele tem o inspirado e sugestivo título Venha de lá a censura, nós aguentamos com tudo.

Como raio conseguem, Golfinho e seus seguidores, achar que um provedor é um censor é algo que me escapa por completo. Amigos leitores, a caixa de comentários é vossa, elucidem-me: como é que um provedor é um censor? Deverei eu, como leitor assíduo do Record e do Público, escrever cartas aos respectivos directores pedindo que acabem com os respectivos provedores, que não passam afinal de censores?

Na minha absoluta ignorância sobre os meandros da liberdade de expressão e da censura -- ignorância esta que, estarrecido, acabo de descobrir -- nem me atrevo a apelar ao voto no sim... Ainda fico mal visto...

Posted by pTd at 07:35 PM | Comments (5)

O provedor e o GolfinhU

Golfinho escreveu um texto notável sobre o Provedor do weblog.com.pt. Notável pela forma como é capaz de retorcer as palavras dos outros, quando não mesmo inventá-las. No primeiro caso (retorcer) a formulação da sondagem no weblog.com.pt, que tem cinco opções. No segundo caso (inventar), frases ou discursos que eu nunca tive.

No meu blogue e até hoje nunca escrevi sobre provedores de alguma forma ligados à Internet. A única menção ao termo é num artigo sobre a credibilidade das fontes (aqui) em que menciono o provedor do jornal diário Público.

No weblog.com.pt escrevi a 7 de Junho deste ano o seguinte:

«O weblog.com.pt não passa de (mais) uma plataforma de alojamento de conteúdos em Português (sem subsídios estatais, note-se, nem qualquer dependência de organismos públicos).

Eu não sou juiz. Eu não sou O Grande Educador Das Massas Malcriadas. Eu não sou árbitro nem provedor dos bloggers -- embora ande a pensar desde há algum tempo que essa figura deveria existir e tenciono um dia ter pelo menos o provedor do weblog.com.pt.» (link).

Num primeiro comentário a esse texto, comentário em que apelava a que eu desse segurança aos utentes do weblog.com.pt Golfinho deu desde logo a interpretação DELE: «Presumo que seja "ser" :) ». No lugar de "ter".

Nem lhe respondi na altura. Não cabe na minha cabeça, nem na cabeça de ninguém, que eu pudesse sr o provedor dos meus próprios clientes e utilizadores... Mas na cabeça dele a frase ficou e com ela a ideia, que agora volta à superfície da mente dele como se fosse verdade suprema: eu quero ser o provedor da blogosfera!... {risota geral}

Zé, pá, foste um bocado longe demais ;)

Agora as respostas.

«1. como é possível o weblog.com.pt propôr-se a ser o provedor de toda a blogosfera?»

O weblog.com.pt não se propôs a coisa alguma: fez uma sondagem para avaliar se a comunidade está interessada, nesta altura delicada da vida da blogosfera, em ter um provedor e se esse provedor deverá investigar casos exclusivamente dentro do weblog.com.pt ou se poderá receber, avaliar e pronunciar-se sobre casos de fora.

«2. um provedor para que blogosfera? a nacional? qual? hás tantos servidores!»

O termo blogosfera é aplicado comummente ao conjunto de blogues em Língua Portuguesa. Nalgumas situações também se aplica ao conjunto dos blogues, ponto. Os blogues de Língua Portuguesa são um sub-conjunto do conjunto blogues. No contexto a interpetação do termo só pode ser uma: refere-se aos blogues de Língua Portuguesa. O servidor onde residam é irrelevante.

«3. Para os newbies que andam aqui, o pTd, a propósito de uma antiga flame, escreveu um post em que expressamente referia que iria criar um provedor para o weblog.com.pt, e nesta altura o sr. AFIXE já cá estava!»

É mentira. Nunca escrevi tal coisa. Escrevi o que citei acima: há tempos que penso nisso e tenciono um dia criar o cargo, ou figura, do provedor do weblog.com.pt. De uma manifestação de intenções a «referir expressamente» vai um grande passo. Pelo menos na MINHA Língua.

«4. leiam-se as opiniões do pTd sobre a internet, os blogs assim como a internet nunca acabarão e nunca nunca o seu conteúdo poderá ser controlado por completo, isso é impossível, há tantos servidores por aí. A entrada de um provedor seria absurda e desnecessária quando o próprio pTd remete para a legislação nacional e da UE, e lá está expresso que em casos de conflito cabe à ANACOM dirimir esses conflitos. Já o fiz uma vez.»

Então dirigeste-te ao sítio errado. A ANACOM é um orgão regulador. Tem por objecto a regulação, supervisão e representação do sector das comunicações. Vai ler O que é a ANACOM. Se te quiseres queixar do teu fornecedor de Internet, telefonia ou CTT, tudo bem. Se te quiseres queixar do vizinho que te insultou, vão ouvir-te com compreensão (se estiver lá alguem bem disposto e sem nada que fazer) e that's all. Os conflitos são dirimidos na sede própria: os tribunais.

A função de um provedor não é equiparável à de juíz ou de tribunal.

Olha os media: existe (ainda... está para ser extinta) uma Alta Autoridade para a Comunicação Social e isso não substitui ou anula os cargos de provedor dos leitores que vários jornais, do Record ao Público passando pelo DN, criaram.

[Um parêntesis: a Telecom tem o seu próprio provedor do cliente. A isso foi levada pelas forças do mercado. Contudo esqueçam-no: nem o endereço oficial responde, nem ninguém se incomoda com isso. Da PT espera-se tudo excepto sensatez para com os clientes.]

Em resumo: ao contrário do que possam concluir o TEUS leitores, eu não considero nem absurda nem desnecessária a "entrada" de um provedor para a blogosfera e / ou para o weblog.com.pt. Pelo contrário: faz sentido, era bem vinda e pessoalmente considero-a necessária, razão pela qual lancei uma consulta ás massas no sentido de apurar se vale a pena mexer-me nersse sentido, no que à comunidade weblog.com.pt toca.

Por "mexer-me nesse sentido" deves ler -- aviso já para não me interpretares mal ;) -- fazer contactos com pessoas de reputação, conhecimento e independência capazes da função. Como é natural não divulgarei publicamente quais, se e quando tais contactos foram / forem feitos e muito menos os seus resultados. Acho desnecessário explicar porquê.

«5. mais um órgao ou titular burocrático a ser criado!»

Descansa: não pesa no Orçamento Geral do Estado, não cobrarei "impostos" nem "selos". Burocrático? Como e porquê?

«6. se o que aconteceu foi que o pTd mudou de opinião relativamente aquilo que escreveu, ou fui eu que intrepretei as suas afirmações de forma incorrecta peço desculpa, mas num post, e nas condiçoes gerais onde está expresso que as condições de utilização do weblog.com.pt estão sujeitas à legislação nacional e da UE, isso significa que a moderação destes casos cabe em 1º lugar, em pré-litígio, como já sucedeu comigo, à ANACOM. A ANACOM já é o Provedor da blogosfera!».

Não mudei uma vírgula na minha opinião sobre a matéria. Os últimos acontecimentos apenas me fizeram acelerar um processo que estava adormecido à espera de melhores dias. Chegaram.

As condições de utilização do weblog.com.pt nada têm a ver com a figura do provedor. Um provedor não actua em litígios. Avalia, aconselha e recomenda. Fornece orientações gerais e não leis.

O teu bonito post teve o condão de provocar um aumento dos "nãos" na votação. Conseguiste intoxicar os leitores com essa da censura. Caramba, ó Zé, onde é que um provedor contribui um nico que seja para a censura?? Explicas-me? Tens a certeza que sabes o que é censura?

Um abraço para ti e olha lá, isto não é uma flame: estou apenas a exercer civilizadamente o meu direito de resposta e a esclarecr os leitores até porque puseste nos meus dedos palavas que nunca escrevi. Escusas de reagir como o professor Marcelo!

Posted by pTd at 06:19 PM | Comments (26)

Já tá!

Prontos, caraças! Lá acabei a #$%$&$%& dos scripts do automatismo de criação de blogues no weblog.com.pt. Ainda tem uns bugzitos, mas daqueles que só se mudam com feedback dos utentes. Foi uma grande luta. Tive de desemburrar CGI, que era coisa em que mancava bués. Ainda manco, mas um coche menos. E de caminho afinei a caixa registadora... Espero que tilinte, fonix, a máquina dos blogues precisa ser substituída até final do ano...

Desculpem a linguagem, estou estoirado de um dia inteiro a parir código. E SIM, amigo cachucho, consegui fazer TUDO o que tinha na lista para ontem -- embora à custa de três horas e meia da madrugada de hoje!

Ah, claro, falta o link: rapaziada, podeis criar blogues, de preferência PAGOS, aqui -> http://weblog.com.pt/subscricao.php

Posted by pTd at 03:45 AM | Comments (9)

outubro 06, 2004

La différence entre

Há quem insista em confundir papéis. O blogger pTd é uma coisa. A pessoa Paulo Querido é outra. E o jornalista outra ainda. Como blogger o meu avatar pTd é por exemplo mais truculento e ácido e irritante e desbocado do que a pessoa por detrás dele.

pTd é mais que um nick: é uma construção e uma representação. O Paulo Querido não está SEMPRE na net mas tem cá um avatar omnipresente que preenche o espaço por ele. É um conjunto de bits e um intricado de tecnologias a que ao longo de uma década me habituei a chamar pTd (que por sua vez é uma abreviatura do meu primeiro e único nick, ptdarling).

O meu avatar "comunica" com os leitores mesmo quando eu estou a dormir. Recebe o correio. Publica a horas determinadas textos pré-preparados. Toma nota do que me vão dizendo nos comentários. Vasculha zonas em busca de informação para mim, pessoa e profissional, que coloca habilmente em bases de dados, fazendo sumários para meu conforto. E mais uma série de tarefas, nem todas elas de representação.

O pTd é capaz de armar flames e depois o Paulo Querido arma em bombeiro. É normal. Uma coisa é o confronto de identidades incorpóreas através das redes digitais. Outra, bem diferente, o confronto entre pessoas.

A todos nós aconteceu embirrar solenemente com uma identidade digital e, uma vez conhecida a pessoa presencialmente, descobrir agradavelmente que se está próximo dela. O vice-versa acontece com a mesma frequência, dita-me a experiência.

É por isso que gosto -- e na medida do possível acarinho e participo -- dos ajuntamentos de bloggers. Acho-os utilíssimos. Se trocarmos pontos de vista, concordantes ou discordantes, é o único objectivo da comunicação, então há uma deficiência na comunicação. A comunicação tem uma finalidade maior: quebrar barreiras entre pessoas.

Por isso entristece-me quando alguém faz um julgamento sobre o pTd que automaticamente coloca um muro entre esse alguém e a pessoa representada pelo avatar pTd. Que é manifestamente mais complexa, rica de sentimentos e inteligência do que o seu avatar.

Nem todas as pessoas se fazem representar na net por uma construção digital. Algumas são elas próprias, andando por cá intermitentemente. Outras usam "actores". Às vezes acabam a lamentar-se dos excessos comportamentais desses actores como se fossem elas próprias, num erróneo julgamento de que são "elas" que se expuseram.

Era um desabafo. Pronto, já desabafei.

Posted by pTd at 03:45 PM | Comments (1)

Lembranças

Hoje lembrar-me de: regar o bonsai, almoçar, tratar da migração dos blogues pendurados, almoçar, tirar a roupa da máquina e pô-la a secar, visitar a Mãe, almoçar, desbastar as 76 mensagens do inbox do weblog.com.pt, terminar os scripts de criação online de blogues, terminar os scripts de criação online de blogues e terminar os scripts de criação online de blogues.

Posted by pTd at 01:27 PM | Comments (3)

Ajudem-no a comer o sushi

O meu bom amigo e sócio (está para breve, está para breve, descansem que serão os primeiros a saber...) Luís Ene procura mulher - assunto sério. O assunto sério é culinária. A sério, não se riam: eu conheço-o e sei que fala verdade! Coitado, comeu um sushi sozinho e filosofou. «Se comer é bom, comer a dois é incomparável».

Subscrevo, amigo. E contribuo com este post-anúncio e... surprise! Oferecerei a botelha de saké que nenhum vinho poderá nunca substituir. Depois das reuniões do feriado até que mereces... ;)

Posted by pTd at 03:34 AM

outubro 05, 2004

O Favor

Tinha jurado a mim mesmo, que não aos leitores, não voltar a escrever sobre duas coisas: Jorge Sampaio e a política nacional. Mas não consigo resistir. Há uma semana -- melhor: desde que Sócrates venceu no PS -- desde que que este sombrio pensamento me assalta. É tempo de o espanejar, a ver de alguém mo contradiz e posso ficar descansado. Vendo as coisas hoje, Sampaio (para quem já se esqueceu: é o Presidente desta República) na realidade fez um grande favor ao PS. É verdade que Ferro Rodrigues acabara de "vencer" as europeias. Mas Ferro já não era o líder certo e as dúvidas sobre a capacidade de o PS fazer governo mergulhado daquela forma no escândalo Casa Pia eram mais que muitas. Mais valia deixar Santana Lopes enterrar-se e ao PSD durante dois anos, tempo suficiente para o metódico, retórico e gongórico Sócrates, a picareta falante em versão 2.0, fazer esquecer Ferro e as envolvências suburbanas que enfraqueciam o partido e caminhar, triunfalmente, para Primeiro Ministro.

Neste cenário que me persegue como um pesadelo terá Sampaio agido subordinado ao interesse do país? São as actuais dúvidas de um pobre acrata perdido entre os passarões da democracia.

Posted by pTd at 12:00 PM | Comments (6)

Libertem Lúcia!

Graças ao Barnabé descobri uma petição que de imediato fui subscrever. Liberdade para Lúcia de Jesus. É assim mesmo, Rui Tavares. Desde menino, quando lia aquelas histórias de 1917, que tenho pena da senhora, coitada.

Posted by pTd at 08:00 AM | Comments (2)

outubro 04, 2004

Arrábida: calados que nem ratos?

Não percebo. Juro. Estalou uma bronca todo tamanho em torno do ministro do Ambiente. É o governo pás!! Uma bronca no Governo! Isto a partir de um blogue, A Nobre casa de Guedes, que publica fotografias aéreas e mais documentação que alimenta o caso contra Nobre Guedes. À excepção de Vital Moreira no Causa Nossa (aqui) não li posts sobre o assunto nos blogues de política. SIC e Correio da Manhã e Expresso pegaram no escaldante assunto, os dois primeiros usando o blogue como primeira fonte, citada ou não, o terceiro lendo-o já com a sua própria investigação em curso.

Não percebo o silêncio do Barnabé, entretido com as eleições americanas e o karaoke na Indonésia. Do Blogue de Esquerda onde desculpo o José Mário porque está à espera do coelho mas não os demais. Do País Relativo, que fala de outras aldeias que não a da Piedade.

Nenhum dos blogues onde normalmente se faz oposição ao Governo e e exploram as minudências da coligação mencionou aquele que é o mais exemplar dos casos em que os internautas, exercendo a cidadania, usaram as ferramentas das novas tecnologias e publicando um blogue conseguiram que os media da pesada cercassem um ministro confrontando-o com as suas alegadas mentiras processuais.

Dá que pensar, foda-se.

...............................

Alguns blogues que mencionam o caso (deixem o rato por cima dos links para terem os títulos): Reciclemos!; arte de OPINAR; Congeminações; Zapping.

E, claro, José Magalhães tornou público no seu blogue República Digital o requerimento que apresentou à AR, Onde está o relatório sobre a Arrábida?

No próximo sábado publico na Única, Expresso, um texto sobre o caso na perspectiva de como um cidadão, ou pequeno grupo, sem meios consegue desencadear uma investigação de larga escala. Nesse dia publicarei aqui um entrevista aos autores (anónimos) do blogue A Nobre casa de Guedes.

Posted by pTd at 07:47 PM | Comments (8)

Ainda a liberdade de expressão e os insultos

Ainda sobre a liberdade de expressão e os insultos: as caixas de comentários são espaços de cada blogue, cabendo aos respectivos editores a soberania de os apagar ou deixar públicos, conforme desejem. É tão óbvio que me esqueci de o referir aqui. Muito insulto pode ser apagado e os danos limitados apenas gerindo os comentários. Que, recordo, podem ser fechados. Um por um. Em qualquer altura. Ou por defeito para todo o blogue. As possibilidades são vastas.

Posted by pTd at 06:00 PM | Comments (6)

Credibilidade e anonimato

Merece aturada leitura o texto do Provedor do Público Contar com Os Blogues. Joaquim Furtado parte de exemplos da blogosfera (e cita cuidadosamente os respectivos blogues), nomeadamente um em que informação foi reproduzida a partir de um blogue que não foi citado. A jornalista (Isabel Braga) afirmou que «nunca foi sua intenção "ocultar" [aspas de Joaquim Furtado] a origem das informações» e diz que citou o blogue numa segunda notícia porque «achei que era justo».

Isabel Braga interroga-se: «que é que se faz com uma informação lida num blogue? Não se sabendo quem são os seus autores, faz-se o mesmo que se faz com uma informação anónima, recebida pelo telefone, ouvida na mercearia, no metro, numa esquina: se se considerar relevante, investiga-se e se se verifica que é verdadeira publica-se. Foi o que eu fiz, investiguei, confirmei e publiquei"».

Joaquim Furtado parte para uma análise e conclui o que é natural: «a experiência é ainda escassa para encontrar, ou até para procurar, novos códigos. Os blogues não são todos iguais. Uns (assinados por nomes conhecidos da vida pública) serão mais credíveis, ou até responsabilizáveis, do que outros. Mas se ambos podem ser - porque, pelos vistos, são cada vez mais - fonte para os jornalistas, então não se vê que não sejam citados como tal, uma vez feito o trabalho de confirmação, indispensável para os blogues como para outras fontes.».

Estou de acordo, não vejo porque não hão-de ser citados como tal. É óbvio. Mas isto não é suficiente.

Além de verificar a veracidade do que lera no Do Portugal Profundo Isabel Braga podia (e em minha opinião deveria ter começado por aí) ter tentado comunicar com o(s) autor(es) da informação. O referido blogue não é um blogue anónimo. Tem assinatura e contacto por correio electrónico. Apesar disso Isabel Braga remeteu o blogue para a categoria da dica ouvida numa mercearia.

Agora vou discordar de Joaquim Furtado ou pelo menos discutir o significado que atribui ao termo "anónimo". A figura da "fonte anónima" sempre existiu nos Orgãos de Comunicação Social (OCS). Os blogues não inventaram o anonimato. Nem sequer a Internet. O que esta trouxe, e sobretudo desde que temos blogues, foi a rapidez de circulação da informação. Tipicamente uma fonte anónima é uma fonte que deseja permanecer no anonimato. Fornece informações nessa condição. É muitas vezes a única forma de publicar notícias, acreditem. No caso citado, a fonte não é anónima. Pode a jornalista não a ter considerado credível por a não reconhecer e, como nos casos de dicas anónimas enviadas por carta e fax ou telefonadas para uma Redacção, envidar esforços para confirmar a veracidade da informação.

Credível, podia não ser para a jornalista para quem a blogosfera equivale à mercearia, mas anónima é que a fonte não era. O blogue está identificado e o seu autor poderá até esconder-se num nome falso (não estou a afirmar que o faz, apenas coloco a hipótese) mas tem uma forma de contacto. Não é um fulano que mandou uma carta sem remetente para o jornal. Não é uma pessoa ouvida numa mecearia, cujo rasto se perde na esquina. Isabel Braga não mencionou nenhum esforço para contactar a fonte original da informação que, uma vez verificada por outros meios, publicou no seu jornal. A menos que à data da leitura do blogue o endereço de correio a.b.caldeira@sapo.pt não estivesse disponível -- o que Isabel Braga não disse.

Percebo o princípio da análise de Joaquim Furtado mas acho que é um mau princípio. Tirados os paninhos quentes, ele escreveu isto: ser um nome conhecido da vida pública fornece mais credibilidade e responsabilização do que não ser um nome conhecido da vida pública. Pode ainda deduzir-se da leitura que só deixa o anonimato quem ascende a figura pública.

É claro que os blogues não são todos iguais. Mas partir para o seu consumo escudado no princípio de que apenas os assinados por figuras públicas são crediveis e responsáveis é um erro -- além de uma rudeza de educação (para ficarmos na decência da linguagem) para com os respeitáveis cidadãos que editam os seus blogues e assinam muitos com nome completo e mais ainda com nicks igualmente respeitáveis e reconhecidos.

Um erro e uma marginalização com consequências graves de uma fatia significativa dos autores e blogues.

Agora outra coisa. Na blogosfera o anonimato é vulgarmente uma defesa do autor, que deseja publicar sem que isso signifique expôr a sua privacidade. [Nem todos nós procuramos os cinco minutos de fama.] O tom intimista dos blogues ajuda a essa escolha. Muitos, uma vez conhecidos os cantos à casa, acabam por assumir a identidade nos seus blogues. Outros, uma minoria, não.

O anonimato não significa cobardia -- embora alguns cobardes anónimos o usem para tentar insultar e denegrir terceiros.

O anonimato não significa irresponsabilidade ou inimputabilidade -- apesar de alguns cobardes anónimos o usarem irresponsavelmente.

O anonimato merece respeito -- sim, apesar de com isso termos de levar com as diatribes de alguns cobardes anónimos. Pensem nos outros, nos milhares de casos em que só em condições de anonimato puderam ser denunciados escândalos e tiranias e mortandades.

A credibilidade não tem uma relação directa com o anonimato ou a assinatura. A credibilidade é outra coisa. Um jornalista é um profissional treinado para reconhecer sinais de credibilidade numa informação prestada seja por quem for. Mesmo (sobretudo?) por um dirigente governamental. Com o tempo muitos bloggers e consumidores de informação na web adquirem esse treino em quantidades diferentes. Com o tempo aprendemos a separar as fontes mais credíveis das menos credíveis numa escala de valores que tem muito de pessoal, claro, mas também muito de consensual, partilhável pela comunidade.

Como a reputação, a credibilidade constrói-se. Na web como no resto. Há figuras públicas sem credibilidade, ou de baixa credibilidade. E há figuras anónimas (não públicas) de credibilidade comprovada. Por vezes ao longo de anos. Há milhares de bloggers credíveis e respeitados apesar de ninguém os conhecer em carne e osso ou de nome. Aqui Furtado observa bem: «a experiência [dos jornalistas] é ainda escassa para encontrar, ou até para procurar, novos códigos». Que lhes permitam reconhecer as fontes mais e menos credíveis da blogosfera. [Observação: o ónus da inexperiência deve recair sobre o jornalista e não sobre as eventuais fontes. Não foi o caso.]

A credibilidade constrói-se através da repetição, no tempo, de informações sérias e relevantes e de opiniões certeiras. Não se constrói com um feliz mas episódico tiro na mouche. E muito menos fornecendo regularmente informação falsa, deturpada ou inquinada (como é vezeiro na política e na economia, prosseguindo estratégias privadas).

A acabar: um nick, ou pseudónimo, tem o mesmo valor de um nome. É uma assinatura. Identifica aquela pessoa. Na Internet como na vida (quantos "jet-sets" são conhecidos pelos seus diminuitivos familiares? Quem sabe o verdadeira nome de Babá Pita?). José Pacheco Pereira é quase mais reconhecido na Internet (e pelos internautas nas conversas informais em ocasiões sociais) pelas iniciais JPP e até por Abrupto do que pelo seu nome -- esteja ou não ele ciente disso, esteja ou não ele disposto a conceder à assinatura JPP foros de nick oficial.

Quem acha que se refugia atrás de um nick, esqueça. Mais tarde ou mais cedo confronta-se com a reputação desse mesmo nick.

No início da vivência online dizia-se a propósito do anonimato que supostamente caracterizaria estas paragens: na Internet ninguém sabe que tu és um cão. Pouco tempo foi necessário para se perceber que, pelo contrário, os nossos passos digitais deixam rastos e marcas a vários níveis, o principal dos quais a esfera comum de diálogo, a comunidade. A frase pode então ser reformulada mantendo o seu humor inicial: na Internet todos sabem que tu és um cão.

Podem não te reconhecer na rua, mas aqui sabem quem tu és. Cão ou não.

Posted by pTd at 02:24 AM | Comments (20)

outubro 03, 2004

Vamos por partes

Monty fez uma análise sobre As Liberdades e a Blogosfera que merece reflexão. Já lhe disse que iria um dia destes responder -- porque concordo aqui e ali, discordo do tom geral apocalíptico. Mas não é agora que lhe respondo. Agora quero apenas pôr uns pontos nos ii porque nesse texto e respectivos comentários fui interpelado enquanto integrante da equipa do weblog.com.pt. Vamos por partes.

«Paulo Querido é um pouco avesso a impor limites e restrições». Pouco avesso é eufemismo.

1º Sou incompetente em matéria de julgamentos de eventuais delitos de opinião. Há instâncias competentes. Na Justiça. O aparelho judicial tem leis que balizam os comportamentos individuais. É essa a instância para dirimir casos de difamação, conteúdos ilícitos, e por aí fora.

2º A minha direcção do projecto weblog.com.pt é eminentemente técnica e de estratégia comercial / serviço público (sim, o projecto tem as duas vertentes, não necessariamente auto-exclusórias).

3º É favor ler as condições de utilização do weblog.com.pt (actualizadas na semana passada) ANTES de chamar a equipa a putativas intervenções fora das suas competências.

4º No weblog.com.pt todos os blogues são iguais em matéria de direitos e deveres legais. Os respectivos conteúdos são da responsabilidade dos seus autores. Como se recorda bem claro nas condições de utilização, a «definição de conteúdos ilegais não é feita pelo weblog.com.pt mas sim pela legislação em vigor em Portugal e na União Europeia».


«Em relação à Weblog eu percebo o Paulo Querido e a dificuldade do seu trabalho, acho que só deve fechar-se um blog num caso extremo » (Boss, nos comentários).

Thanks Boss ;)

2º No weblog.com.pt estão albergados blogues de todo o especto político, incluindo a extrema direita, ou direita nacionalista (não sou grande coisa a posicionar e apelidar ideários). Estão albergados blogues de todo o tipo, aliás. Uns mais bem educados, outros de linguagem desabrida, alguns com conteúdos a roçar os limites da decência. Quiçá, aqui e ali, alguns podem ter ultrapassado as fronteiras. Da mesma forma que quase todos os dias quase todos nós desrespeitamos regras (do trânsito viriam centenas de exemplos...) sem que por isso nos caiam as polícias em cima, também naquele espaço não existe um policiamento rigoroso que apure e puna todas as infracções. Acredito nas virtudes da auto-regulamentação.

3º A equipa do weblog.com.pt não é um árbitro de conflitos de opinião. A opinião é rigorosamente livre naquele espaço. Esta regra é de ouro. Quem não a aceitar tem o direito de mudar de alojamento, deixar de ler, etc. Não tem o direito de a tentar mudar.

4º A intervenção da equipa neste tipo de questões só poderá acontecer por:
a) ordem de tribunal;
b) circunstâncias especiais a isso obriguem antes de uma ordem judicial.

5º Por circunstâncias especiais entendam-se situações que ameaçem a integridade do projecto. Física e reputacional.

6º Apelos extraordinários de parte significativa e representante da comunidade serão analisados para eventual, mas não obrigatória, decisão.

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Agora entra o tom paternalista e estejam à vontade para me zurzir.

A ideia de que é possível acabar com os blogues é peregrina. Não é possível acabar com os blogues. Só um cataclismo natural (ou provocado pelo Homem) de proporções nunca vistas poderia acabar com a Internet e por conseguinte com os blogues tal como estes existem.

Acabar com a blogosfera por decisão política é uma ideia ridícula.

Era bom que os autores mais newbies, ou mais recentes utilizadores da Internet, percebessem mais rapidamente o que é uma flame e agissem em conformidade. Na comunidade digital a inflamação de discursos, opiniões e posições é rapidíssima. É facílima. Perdemos a cabeça por dá cá aquela palha. Cuidado. Bem vistas as coisas, não deve um indivíduo que se preze deixar que uma palha lhe tolha os movimentos e o raciocínio. Para não falar da sua reputação.

A reputação é a coisa mais importante que temos no universo online. É quase a única coisa que temos, bem vistas as coisas.

Recomendações aos mais inflamáveis: antes de responderem / atacarem o que quer que seja ou fazerem concursos de tamanho de pilinha respirem fundo / fumem um cigarro / batam uma / deêm uma curva ao parque mais próximo, ouçam os passarinhos chilrear e dêem uma moeda ao andrajoso pedinte do canto e só depois voltem para o computador e reflictam sobre se: a) querem mesmo responder / atacar, b) estão preparados para as consequências (do outro lado pode estar alguém tão inflamável como vós e vai haver merda, garantido), c) aguentam-se à bronca sem terem de chamar o mano mais velho, e d) terá o assunto assim tanta importância?

Um pouco de gelo não faz mal a ninguém. Antes pelo contrário. A blogosfera é uma dávida. Saibamos usá-la a nosso favor. Individual e colectivamente falando.

A finalizar não resisto a transcrever um comentário de Zecatelhado ao citado texto:

«Cá o Zecatelhado não percebe muito bem o que é isso do "excesso de liberdade"(???!!!). Cada um é livre de pensar e dizer o que lhe vai na alma, amigos. Se alguém se sentir muito ofendido recorra aos três meios mais comuns:
1. - Responder por escrito ao parceiro com quem abriu litígio
2. - Recurso aos Tribunais do Estado.
3 . - Em dado dia, hora e local, encontram-se os contendores e resolvem tudo à chapada.
».

Se queremos manter a liberdade conquistada (não falo em Portugal, falo da Humanidade) devemos estar preparados para aceitar as suas duas consequências: a responsabilidade e a irresponsabilidade. Sendo que para esta última estão legisladas regras suficientes.

Posted by pTd at 02:23 PM | Comments (12)

outubro 01, 2004

E tal e coiso

Nos meus vintes não havia a designação bipolar, isso é coisa nova, pelo que a minha médica me diagnosticou um bocado de tendência maníaco-depressiva e tal e coiso, nada de agreste mas que me habituasse aos alto e baixos do humor, e a verdade é que depois fui lendo umas cenas nas revistas (anos 80, quais net quais orgão sexual masculino!) e aprendendo a canalizar as fases altas para as fronteiras da criatividade e para o amor (ok: e o sexo) e nas fases baixas fecho-me na sala a ver filmes e a zapar pelos canais com vozes-off melodramáticas (montes de coisas tenho eu aprendido sobre História e Ciência à pála das depressões, fonix!) um dia inteiro ou até a moca passar, não vejo ninguém, não aturo ninguém e não despejo a neura em cima dos outros, coitados, como qualquer bom bipolar que se preze aprendi a tomar os meus "comprimidos" (real e figurativamente falando) e a viver feliz com o que tenho e o que sou -- e mais: a minha vida seria muito mais chata para mim (para algumas pessoas queridas talvez não, amor, admito) se eu fosse, como a maioria de vocês acha que é, uma pessoa assim toda equilibradinha e tal e coiso, dah, vocês gostam mesmo disso? :P gostava que tu, pá, percebesses que não és o único injustiçado do sistema solar (olha eu e os marcianos, caraças!) e ele há mais umbigos na Terra e como acho que tens um bocadinho de respeitinho por mim, que deve ser da idade e de eu conseguir consertar às vezes um bocado de código, e como me conheces não podes ousar pensar que te estou a insultar, provocar ou gozar, escrevi estas linhas para tu as leres: canaliza as tuas energias para onde elas merecem ser canalizadas, seja gajas, música, websites, profissão, família, ténis, you name it, e larga o que não te traz vantagem, um abraço amigo e olha: sinto mais os downs do caminho, claro, mas são menos e demoram menos tempo do que quando era assim como tu, todo virado para o eufórico.

(Música de fundo recomendada para este texto: My Way versão Sex Pistols com a guitarra de Sid Vicious a acentuar os berros de Johnny Rotten)

Posted by pTd at 03:30 AM | Comments (38)