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dezembro 30, 2004
As mãos
As mãos. Uma na outra. Misturadas. (Con)fundidas. As mãos -- face visível do casal. Primeira ponte física estabelecida entre dois corpos, as mãos. Por cima do rio da compreensão, a ponte para a plenitude.
(Foto: ©Missy)
Posted by pTd at 10:20 PM | Comments (7)
dezembro 27, 2004
Irresponsabilidade ilimitada
( Post roubado ao balanço )
- És uma mulher limitada... - bazofiou ele.
- Sou uma verdadeira sociedade por quotas! - retrucou ela.
Riram-se os dois e voltaram para a cama.
Posted by pTd at 03:39 PM | Comments (5)
dezembro 25, 2004
How I wish, how I wish you were here
[ Post de fim de ano; este blogue encontra-se encerrado para balanço. Reabrimos em Janeiro. Dê lá por onde der. ]
So, so you think you can tell Heaven from Hell,
blue skies from pain.
Can you tell a green field from a cold steel rail? A smile from a veil?
Do you think you can tell?
And did they get you trade your heroes for ghosts?
Hot ashes for trees? Hot air for a cool breeze?
Cold comfort for change? And did you exchange
a walk on part in the war for a lead role in a cage?
How I wish, how I wish you were here.
We're just two lost souls swimming in a fish bowl,
year after year,
running over the same old ground. What have we found?
The same old fears,
wish you were here.
(Pink Floyd, Wish You Were Here)
Posted by pTd at 05:09 AM | Comments (6)
Euromilhões
Naquele dia cumpriu as rotinas habituais do mail ao acordar, do post matinal, do café antes de almoço, do almoço. Foi depois, porque estava farta da pobreza de uma vida inteira decidiu mudar alguma coisa naquele instante: em vez de continuar rotineiramente pelo passeio cruzou a rua a direito em escolha aleatória e entrou na porta à sua frente. Em boa hora fintou a sorte: era a porta da tabacaria e o boletim que preencheu acabou por ganhar o Euromilhões.
Posted by pTd at 03:58 AM | Comments (2)
dezembro 24, 2004
O operário do amor
O amor é uma construção, pensou ele, até o mais perfeito dos desenhos arquitectados na prancheta do destino acaba por revelar as suas imperfeições no momento em que, juntos, empilhamos os tijolos erguendo as paredes em cima de alicerces embutidos na rocha do passado. Guardou o pensamento a sete chaves, jogou-as fora a perder de vista e com afinco (e alterações de pormenor ao desenho) regressou ao estaleiro.
Posted by pTd at 07:01 PM | Comments (1)
dezembro 23, 2004
Post para a história da blogosfera
Quem perder a Exposição dos Coelhos Suicidas é rabeta. Como comentou a Catarina, «este post fica para a história da blogsfera». Alguém envie o link ao Andy Riley. João Pedro: o catálogo está garantido, foda-se!
Posted by pTd at 01:15 AM | Comments (10)
dezembro 22, 2004
Spam natalício
Devido às centenas de milhar de posts e e-mails a desejar bom natal que por estes dias entopem a blogosfera a a Internet, eu abstenho-me de tal trivialidade. Sou um gajo poupadinho. Sigam-me o exemplo e distraidamente DEIXEM CAIR os meus endereços de correio dos vossos actos de spam natalício.
Posted by pTd at 11:07 PM | Comments (6)
Já vi este filme
P. da C. foi recebido pelo seu GRANDE amigo A.J.J. Discursos elogiosos, palmadinhas nas costas e muito, muito show off. O que para mim é revelador de que afinal a operação Apito Dourado é séria. Já vi antes este filme de um gajo poderoso à rasca com a Justiça à perna procurar protecção junto dos amigos poderosos e dos holofotes públicos. Aquilo deve estar mesmo mau, nunca antes se vira P. da C. apelar assim.
Posted by pTd at 11:01 PM | Comments (2)
Do êxtase
Deixou-a no Centro e caminhou extasiado sobre as nuvens no regresso a casa. E das nuvens não soube sair ainda, apesar do acentuado arrefecimento nocturno.
Posted by pTd at 06:49 PM | Comments (1)
Mar
Só fica o mar por testemunha: os seus modos de vida mudaram naquelas horas de escuridão e de luz, horas imparáveis, horas refulgentes, horas roubadas ao Tempo, horas fundas, horas sôfregas, horas beijadas.
Posted by pTd at 06:44 PM
Da poupança
Eram poupados: tinham a lua de mel aos bocadinhos.
Posted by pTd at 02:22 AM | Comments (2)
Da prudência
Amavam-se mas eram prudentes: dormiam com separação de roupas.
Posted by pTd at 02:20 AM | Comments (1)
Da tesão.
Eram 23:45 e bebiam café após a exaustão dos corpos. Concluiram nesse instante que a tesão é um estado de alma.
Posted by pTd at 12:22 AM
Do orgasmo
(a luz e cor)
Eram intelectuais e amavam-se. Tiveram um orgasmo multimedia.
Posted by pTd at 12:20 AM
dezembro 21, 2004
Deliciosa intersecção
Tudo o que tu me dizes é lei - disse ela. Ele acenou grave e tolamente com a cabeça para o vazio do telemóvel. Pois se era verdade! E pela milionésima vez naquela semana agradeceu ao destino a deliciosa intersecção das suas vidas.
Posted by pTd at 12:29 AM | Comments (2)
dezembro 20, 2004
Ocupado com a felicidade
Estava aqui a dizer à minha irmã que queria blogar mas não sabia o quê, tenho pressa de ir dormir, era só deixar uma palavrinha aos queridos, pacientes leitores. E ela: «então publica isso mesmo!». Vai daí, aqui fica. Desculpem tão pouca palavra, mas estou um bocado ocupado com a felicidade :) Pronto,bloguei, já posso fechar o Compaq e ir dormir depressa, que amanhã é o primeiro dia do resto da nossa vida.
Posted by pTd at 02:49 AM
dezembro 19, 2004
Olhar (outro)
Almada, Agosto de 1992 (um ciclo que se completa de forma surpreeendente, mais inesperada não podia).
Posted by pTd at 12:19 AM | Comments (5)
Prémios
Prontes, vem o Natal e fim de ano desata tudo a dar prendas uns aos outros. Eu até que nem precisava: o "meu" pai Natal chegou a 26 de Novembro, estranhamente. Quer-se dizer, cheques, cash ;) e honestas propostas de trabalho são bem vindas e não contam como prendas, mas isso são outros quinhentos, como se diz agora.
Pois resta-me agradecer ao nikonman o Pelourinho d'Ouro que me atribuiu por 2004. Esta minha ligação alentejana muito se reforçou durante o ano, sobretudo nos últimos meses. Aceito o prémio enquanto símbolo disso mesmo: do reforço dos laços humanos possível pela via dos blogues e do que estes no trouxeram a todos e a mim em particular. É um bom símbolo... mesmo fálico e tudo, assenta muito bem! (risos). Um abraço, nikonman.
Posted by pTd at 12:01 AM | Comments (2)
dezembro 18, 2004
Olhar (3)
Em Sevilha, Janeiro de 2003.
Posted by pTd at 08:22 PM | Comments (2)
Olhar (2)
Serra da Estrela, Fevereiro 2003.
Posted by pTd at 08:09 PM | Comments (1)
Olhar (1)
Na Redacção algures em 1983.
Posted by pTd at 08:04 PM
Contratempos
Está quase no fim estoutro dia sem ti. Um dia de contratempos, um oceano, uma distância, um servidor de correio aos baldões, conversas telefónicas breves sem paz entrecortadas no meio da tua correria entre afazeres. Meu doce amor, a tua grande coragem, enfrentando os contratempos sustida pelas forças da dignidade e do inabalável querer, eleva-te e reforça a minha admiração pela mulher gentil e firme que tu és. Sim: é sempre possível admirar-te mais, amar-te mais -- não duvides, exceptuando a morte não há fronteiras. E tu sabes que o meu passado me confere autoridade para tranquilamente afirmar que se pode sempre ir mais longe: no amor como na vida os limites que traçamos, reconhecemos ou nos impõem não passam de ridicularias pulverizáveis no momento seguinte.
E nós já viemos de tão longe! E tão depressa: meras três semanas pelo terreno calendário. E cada minuto foi altius e fortius que o anterior.
Tu corajosa
Eu inabalável
Um resto de sábado feliz, meu amor. Já falta menos. Um beijo casto que as crianças estão a ler.
Posted by pTd at 05:55 PM | Comments (3)
dezembro 17, 2004
Olha amor
Roubo uns minutos ao trabalho para te escrever. Gostei do teu sorriso por causa da outra carta pública. Oceanos há muitos, cinco dos grandes, e países perigosos bastante mais. Nada disso interessa. Nem sequer a troça deste meu tom amoroso a descair para o lamecha: quando se sente o que nós sentimos é como o efeito de uma vacina, fica-se imune a certos desdéns.
Gosto de te escrever assim em público no meu blogue. É o meu blogue, é onde registo parte de mim -- e sendo tu parte tão importante não podias ficar de fora. Desde que cuidadosas na escrita, as cartas pessoais podem ser lidas por toda a gente, no problemo, e tenho gosto em partilhar o meu estado de alma com os meus leitores. Enfim, com alguns deles -- como os familiares (que sabem de nós vindo aqui ler-me e indo ao teu blogue também) e amigos cúmplices. Os outros, pois é passar por cima que têm mais para ler.
É bom descobrir que nos preenchemos mesmo a tantos milhares de quilómetros. Aquece-me ler os teus posts escritos à velocidade da luz num intervalo para o café. Como a distância, o tempo não consegue imiscuir-se entre nós dois. Subvertemos tanta cartilha, enganámos tanta lei da física -- e o melhor de tudo é que não fui eu nem tu a fazê-lo: simplesmente aconteceu vindo do fundo de nós, uma entidade inexistente até ao preciso momento em que uma parte indistinta de nós disse pela primeira vez «senta-te ao meu lado, temos muito que conversar». E o universo sumiu logo ali deixando-nos a respirar um ao outro, embora escutando vagamente as conversas alheias. Dois seres que se atraem inexoravelmente desprezando leis e costumes do Homem.
Olha amor, vou preparar o meu jantar -- e jantar sozinho com a televisão e recordar o nosso último jantar que foi tão surpreendente. Amanhã é menos um dia sem ti. Um beijo clássico.
Posted by pTd at 06:57 PM | Comments (3)
Barnabé, comentários, difamação, guerrilha
Pouco tempo, vamos por sínteses. Alguns Barnabés decidiram suspender as caixas de comentários. Estão no seu direito. Pessoalmente acho que é dar demasiada relevância ao assunto, mas não sou eu a levar com os insultos pelo que aceito a decisão deles.
Como fez notar o André Belo, não são os comentários a seiva da interactividade do Barnabé -- pelo que podem aqueles ser fechados sem perda de identidade ou função.
Muitos comentadeiros são atraídos pelas luzes da ribalta. Não tem rigorosamente nada para acrescentar, limitam-se a aparecer, quais emplastros dos blogues. É a vida. Ou os aceitamos piedosamente, ou não. Cada um faça como entender. Eu encolho os ombros a quem me chama filho da puta e daí para baixo. A maior parte das vezes nem reparo.
Quanto mais um blogue brilha, mais emplastros atrai. Viu-se com O Meu Pipi, vê-se com o Barnabé.
A difamação nos comentários não é pior nem melhor que noutro blogue.
A propósito de difamação, surgiu hoje o primeiro caso de pedido de informação por parte de um tribunal relativamente a um conteúdo do weblog.com.pt. Não vou revelar nada por agora, quero só adiantar que o conteúdo em causa não é um comentário mas sim um artigo ou post. O autor apagou-o da base de dados -- o que revela inocência... Os arquivos ficam na mesma online, é necessário outro esforço para os retirar do domínio público.
Vem este episódio reforçar a necessidade de editarmos com consciência. Um insulto é um insulto, uma difamação é uma difamação e somos rsponsáveis pelo que dizemos e escrevemos. Os blogues, mesmo que não identificados, não são anónimos. Um mínimo de investigação policial levará à descoberta da identidade em 99,999% dos casos. Há registos de actividade. Por lei os service providers são obrigados a manter os registos durante um período de tempo e a facultá-los ao poder judicial, cumpridos os requisitos. Como service provider de blogues, a pauloquerido.com cumprirá a lei.
Ainda um palavra para o relacionamento com os difamadores. Já o sugeri noutras ocasiões: combatam-nos com as mesmas armas. Se quereis realmente fazer alguma coisa (por mim ignorava olimpicamente o assunto) então organizai-vos em grupos de guerrilha e não dêem tréguas aos riapas deste mundo. É fácil desmontar as intenções deles e desarmá-los. É claro que se corre o risco de transformar a blogosfera num campo de batalha durante algum tempo. Coisa pouco elegante. Mas antes isso do que a impotência da lamúria pública.
Coloco os meus humildes conhecimentos à disposição da guerrilha, se e quando houver uma. Não serei eu a lançá-la nem a subscrevê-la, mas serei com muito gosto mercenário ao serviço de tal causa.
Posted by pTd at 02:55 PM | Comments (11)
Tranquilo amor
Notei uma pontinha de preocupação na tua voz ao telefone, amor. Descansa: está tudo bem comigo. O meu dia a dia segue o curso vulgar. Divido-me entre recuperar os atrasos no trabalho, a doce recordação dos nossos dias, palavras e corpos e a tranquila espera de ti. Apesar da distância de um oceano inteiro vejo-te a adormecer com um livro como se estivesses deitada ao meu lado. Que as aulas te corram bem. Tem cuidado por aí que esse país não é de confiança, apesar de tudo. Um beijo.
Posted by pTd at 02:12 PM | Comments (1)
A intriguista
Andei durante bastante tempo em busca de uma palavra que definisse em bom rigor, tanto quanto uma única palavra o pode fazer, a autora do blogue Bomba Inteligente, Carla Hilário de Almeida Quevedo. Não é fácil: a autora é uma pessoa de afectos complicados e relações com o mundo bastante disparatadas e eu de Freud tenho pouco e não gosto de psicologia de alcova e espelho. É muito arrabaldes para o meu género.
Hoje, ao ler umas coisas nos Putos (informação de que eu já dispunha, btw), no Contra a Corrente e no próprio blogue dela a propósito de vidrinhos (que já comentei aqui), veio-me naturalmente a palavra. O que me vale é que ando actualmente numa fase muito paz e amor e não me apetece nada deixar este bem estar. Nem por uma boa pega.
Posted by pTd at 01:34 PM | Comments (4)
Entrada rapidinha
Olá! Até logo.
Posted by pTd at 02:33 AM | Comments (4)
dezembro 15, 2004
Tudo mal
Isto está uma merda, é o que vos digo. A porcaria do ataque do hacker veio em muito, mesmo muito má altura. Aproveitei para limpar o servidor e colocá-lo mais seguro ainda mas -- foda-se Nuno! -- dá agora uma trabalheira dos diabos reconfigurar todos os serviços. Tenho para mais uma semana, tá visto :P
Posted by pTd at 07:58 PM | Comments (4)
dezembro 14, 2004
Bom dia, meu amor
Hoje estou sem correio cá do meu, como sabes. E não me apetece abrir o Gmail: não gosto de usar aquela conta para correio privado. Pelo que a nossa mensagem matinal segue assim, no blogue. Uma mensagem curta: tenho um dia comprido com a viagem a Leiria com passagem no Tagus Park, ainda de manhã. O servidor está todo pendurado, vai levar com um format em cima, assim género o que nós dois fizemos nestas duas semanas aos discos rígidos das nossas vidas, zap, apaga e instala tudo de novo, fresquinho. Por isso, minha querida, vou deitar-me bem cedinho, mal termine este post. Quero ter a cabeça em bom estado para despachar tudo depressa porque... tu sabes porque ;) E agora falha-me o dedo para discurso mais elaborado: tivemos o dia aziago que tivemos, tu já dormes e eu vou juntar-me a ti nos sonhos já que hoje não posso encostar o meu corpo ao teu.
Um bom dia de trabalho para ti, frutuoso e com boas novas. Um beijo discreto, que as crianças estão a ler. Até logo, meu amor.
Posted by pTd at 01:12 AM | Comments (3)
Correspondência atrasada
Aviso aos correspondentes: tenho o servidor de e-mail em renovação depois de um ataque malévolo, razão pela qual não tenho respondido ao correio desde domingo à noite. A situação deverá ficar restabelecida hoje, terça-feira, ao final do dia mas só quarta-feira a correspondência ficará em ordem, dado o volume de mensagens.
A todos agradeço a paciência e compreensão.
Posted by pTd at 01:08 AM | Comments (3)
Mercuro-cromo
Esfalfada da corrida desenfreada para fugir ao cárcere, parou na beira da estrada para recuperar o fôlego; das mãos pendiam-lhe, a balouçar, pedaços de arame farpado, a rede na qual se envolvera voluntariamente até as farpas lhe terem ferido a alma em múltiplas, inúmeras chagas, começando aí o calvário do qual fugia sem parar há muitos dias e muitas noites. Sacudiu o torso como um cão a sair da água e mais metal retorcido abandonou os seus pulsos, volatilizando-se antes de chegar ao chão. Deixou-se cair na tépida e reconfortante erva que ali havia e descansou, contemplando contente o céu infinito onde cada estrela lhe dizia "paz".
Subitamente foi acometida de espasmos horríveis que não compreendeu. Levantou-se procurando respostas. Não as encontrou até reparar nos pulsos pintados de vermelho-vivo. Então compreendeu que o aço de que se vira livre deixara para trás feridas às dezenas, pequenos e quase invisíveis rasgões; a comichão era tão-somente o efeito da erva verde no contacto com as feridas. Então deu as boas vindas à dor. Esta confirmava a sua libertação. Recomeçou a andar em frente, agora segura do caminho, em passo balbuciante mas já ritmado. Foi então que à sua frente se desenhou como que por magia um oásis de mercuro-cromo.
Posted by pTd at 12:48 AM
dezembro 13, 2004
Teia de afecto
(Post roubado ao tempo de Expresso) Vamos por partes. O afecto desinteressado existe? Acredito que sim. Como acredito que existe o amor desinteressado, quase filantrópico. A questão é outra. Está na gestão dos afectos. É fácil (é humano) embriagarmo-nos na tecitura da rede de afectos com que envolvemos o outro e, inebriados com o poder daí advindo, exercê-lo sobre o outro, bem ou mal intencionadamente. Vejo o caminho e a sua facilidade. Não enveredo por aí.
Pouca coisa deve haver no mundo pior que afectos telecomandados e amores manipulados. Ponto um.
Ponto dois, qual é o interesse de cercear os limites do outro? Não há vantagem, não há valor acrescentado, nem sequer há segurança.
Mais vale contratar com o risco uma avença permanente e tecer os afectos sem pressupostos outros que não a felicidade mútua da sua tecelagem.
Pelo menos eu sou assim. Ou se ama despojadamente ou se vai dar comida às galinhas.
Posted by pTd at 02:18 PM | Comments (2)
Tristeza
Deambulava pela casa perdida entre os objectos pessoais tornados alienígenas pelo momento. Não pensava mas a cada passo os pensamentos vinham ter com ela. Cada pormenor falhado doía-lhe uma dor feita gigante pelo presente. Cada assunto era assim resolvido e arrumado nas gavetas da memória relacional. Sempre que uma gaveta era fechada para sempre, resumido o seu conteúdo na ficha para a memória activa, invadia-a uma tristeza profunda, sem medida.
Posted by pTd at 02:13 AM | Comments (3)
dezembro 11, 2004
Movimento perpétuo
No instante em que penetrou nela ferveu no seu magma e abriu-se uma fenda irreparável na montanha. Presos na fenda, desde então que rebolam em fogo num movimento perpétuo entre a superfície das palavras e o âmago da vida.
Posted by pTd at 02:29 PM | Comments (3)
Elegância
«A verdadeira elegância é a manifestação de uma mente independente» (Isabella Rossellini).
Posted by pTd at 01:57 PM | Comments (2)
O plano
Começaram pé ante pé, sairam a correr. Tanto gargalharam juntos que a relação ficou séria. Queriam apenas foder, acabaram por fazer amor. Partiram um para o outro com baixa expectativa, chegaram um ao outro grandiosamente. Esperaram uma manhã nublada e o sol amanheceu-lhes brilhante. Para grande felicidade mútua nada lhes correu como tinham planeado.
Posted by pTd at 01:07 PM | Comments (1)
dezembro 10, 2004
Regresso
Era sexta-feira e prepararam tudo para a eventualidade de nunca mais regressarem. Assim, mesmo que regressassem teriam vivido aquele dia esplendorosamente, como os dias devem ser vividos sempre, e não apenas quando se ama.
Mas nunca mais encontraram o caminho de volta.
Posted by pTd at 02:15 PM | Comments (2)
Teoria da compensação
Eram dois rios. Engrossado revolto por emparedado em fragas agrestes, um. Tornado turbulento pelo sinuoso traçado, o segundo.
Corriam para o mar mas nenhum sabia.
Um dia antes do mar encontraram-se tornando-se afluentes um do outro. A paisagem aplanava naquele ponto, abrindo generoso espaço para o caudal de cada um -- e ainda sobrava margem. Uma benesse! Puderam as suas lamas assentar nos fundos e as duas águas purificar-se preparando a união arquitectada pela Natureza.
Agora com tempo e espaço perdiam a timidez e foram as águas casando e descobrindo, com embaraçante surpresa, que as suas cores convergiam afinal para um azul novo, desconhecido até então. Compensavam-se mutuamente e compensados podiam espraiar-se na preguiça final antes de se fundirem na totalidade à beira do Oceano.
Posted by pTd at 01:30 AM | Comments (1)
Sai um quatro!
Sai um quatro para a melhor aluna da classe!
Posted by pTd at 12:11 AM | Comments (2)
Não seja por isso
Sai um toblerone para a mesa do canto!
Posted by pTd at 12:00 AM | Comments (1)
dezembro 09, 2004
Óptimo
Então, que tal correu o teu dia? Bem ou nem por isso?
Negativo, negativo, correu óptimo!
Posted by pTd at 11:37 PM | Comments (2)
Certeza
Sendo certo que nascemos, vivemos e morremos ao longo da vida a certeza é um conceito escorregadio: aquilo que parece maravilhosamente certo hoje, o tempo transforma-o na desilusão de amanhã. Contudo há certezas. A certeza no pôr do sol. A certeza no amanhecer. A certeza nas qualidades humanas e sobretudo a certeza da falta delas, certo. Também há certezas íntimas inabaláveis. Ocorrem-nos com infeliz raridade. Daí, toma nota, devemos ter cuidado no empregar da palavra certeza. Emprega-a apenas pela certa e estarás seguro.
Posted by pTd at 06:31 PM
dezembro 08, 2004
O efeito catártico - ou da importância dos actos simbólicos
Que fique registado em acta: hoje procedeu-se à remoção da anilha de propriedade que me marcava o tornozelo direito. O simbólico acto foi com o x-acto perpetrado não menos simbolicamente pela pessoa certa. A cerimónia durou menos de dois minutos incluindo despir-vestir a peúga, atirar os despojos ao mar para derivarem costa abaixo e não-se-fala-mai-nisso.
Como lembra a minha irmã a outro propósito, «o amor é para se viver. Não para explicar.» Com o desamor passa-se o mesmo.
Posted by pTd at 11:57 PM
Os vidrões
Num mundo de cidadãos civilizados há recipientes próprios para depositar os lixos separados. Já no mundo de pessoas civilizadas não temos uns vidrões para depositar respeitosamente as fúteis criaturas que se afirmam adultas apesar de confundirem auto-estima com inchaço de ego e que usam a palavra convencidas de que ela não magoa, assim como um troglodita das cavernas manipula uma moca.
Posted by pTd at 11:20 PM | Comments (2)
Afinal
Treparam estonteados a imensa escada um para o outro até ao patamar em que o discurso perdeu a coerência. Nesse momento perceberam, apalermados com a surpresa, que afinal estavam simplesmente apaixonados.
Posted by pTd at 02:36 PM | Comments (3)
Pensamento do dia
Quando um homem diz não a mulher (se estiver mesmo interessada) aceita e até pode contemplar a nobreza da nega. Mas só um louco dirá não duas vezes seguidas.
Posted by pTd at 02:58 AM | Comments (1)
dezembro 07, 2004
Fechado para boas causas
Querido diário, hoje não escreverei. Vou ter um dia muito, muito cheio e comprido. De trabalho matinal, canseira doméstica, quilómetros vespertinos e amor à sobremesa. Espero que também de boas notícias nos intervalos. Um beijo, até amanhã.
Posted by pTd at 02:13 AM | Comments (1)
dezembro 06, 2004
O dia dos ex
Da-se! Hoje foi mesmo o dia dos ex-! Uma pessoa fica cansada de lhes explicar e de lhes não explicar os factos básicos da vida. Azar, temos pena, next!
Posted by pTd at 10:25 PM | Comments (3)
Parem as máquinas!!!!!
O Bordalix (aka Xon) abriu um blogue!!!
Posted by pTd at 03:26 PM | Comments (1)
Um problema chamado Sampaio
É do senso comum que a actual geração de políticos é pior (seja a palavra o que for) do que a anterior. Eu próprio tenho o péssimo hábito de absorver o pensamento comum e propagá-lo ANTES de reflectir com os meus botões. Quando o faço descubro amiúde que o senso comum stinks.
Talvez o possamos dizer ao nível de Grandes Figuras -- e mesmo aí com reticências: a política ela própria mudou deslocando-se para o (i)mediatismo, de um lado, e do outro a política caseira perdeu importância com o deslocamento das decisões para a União Europeia.
Não há hoje figuras como Mário Soares, Francisco Sá Carneiro, Álvaro Cunhal, Freitas do Amaral, Ramalho Eanes, Aníbal Cavaco Silva. Foram substituídos nas lideranças por figuras que não comovem corações, não despertam paixões (e ódios), não arrastam multidões. Eventualmente a actual geração será até mais competente a vários níveis; qualquer dos citados tinha alguns problemas de relacionamento com os media, para não mencionar os "dossiers".
Freitas do Amaral dava um livro. Hoje olhamos para ele como um homem que veio da direita para o centro-esquerda. Foi (é) acusado dos mais perigosos desvios de cartilha. Na realidade o discurso de Freitas pouco mudou, além de alguma modernização decorrente dos tempos e das modas. Quem mudou foi o partido onde se destacou. À altura de 1974 o CDS representava o centro-direita e tinha um discurso moderado. À direita dele existiam diversas organizações que -- essas sim -- representavam tanto os conversadores como os saudosistas do antigo regime como os ultras. O CDS ocupava na perfeição aquilo que hoje se designa por "centrão" político -- enquanto o PPD por seu turno começou por ser um partido claramente de esquerda moderada bebendo a cartilha da social-democracia. Da esquerda para a direita, o PPD era a primeira estação que não tinha o socialismo na cartilha (embora o usasse nos cartazes e nos discursos...).
Os partidos mudam. Freitas do Amaral manteve-se no mesmo sítio.
Mas Freitas não é um problema, chega aqui apenas como exemplo dos maus julgamentos "populares". O problema do país chaama-se Jorge Sampaio. Na esquerda à esquerda do PS, eventualmente até do PCP, debutou numa desinteressante zona de opinião política até esta ser engolida pelos socialistas. Atalho caminho até ao presente: da presidência sem história da CML Sampaio teve um primeiro mandato como PR sem sobressaltos num estilo mais perto do "corta-fitas" de má memória do que do guerrilheiro interventor que fora Soares. Até certo ponto isso valeu-lhe a paz. Do povo, cansado de guerra, e da classe política para quem os incomodativos são sempre um pauzinho na engrenagem da demagogia.
A braços com a crise do Verão, Sampaio deu uma de Grande Estadista: passou duas semanas a ouvir toda a gente, incluindo o periquito da dona Franquelina, antes de tomar uma decisão perigosíssima para o país a que presidia (preside). Tinha então sustentabilidade formal para antecipar eleições. Não o fez. Motivos apresentados: não perturbar a economia, não parar o país por quatro meses.
Agora, sem sustentabilidade formal para tomar a decisão, Sampaio manda o primeiro ministro para casa fazer o homework "como formar um governo e dirigi-lo", mergulha o país económico numa indefinição que poderá custar não quatro meses de paralisia mas um ano inteiro de tremenda confusão, deixa a direita baralhada e o PSD semi-aflito, condiciona o percurso pré-eleitoral das próximas presidenciais e autárquicas, atira José Sócrates e o PS para uma arena para a qual não estão minimamente preparados.
O país social fez as pazes com o presidente. Mas não há razões para isso. Sampaio deu-nos um presente envenenado. Como isto estava, talvez fosse melhor deixar Santana Lopes entregue aos bichos dos dois partidos da coligação. Partir a loiça nesta altura não adiantará nada, mesmo dentro do PSD: os barões que se opunham a Santana Lopes não terão tempo de afinar discursos e se organizarem para o combater internamente, apresentando uma alternativa. O ex-vice-presidente do partido tem o lugar assegurado (só espero que faça uma equipa boa, desta vez).
Ganhe ele as eleições e a turbulência entre os sociais democratas continuará a fazer mossa da governação com os custos evidentes para o país.
Ganhe o PS as eleições, constituirá necessariamente um governo fraco. Sobretudo se o fizer sem o Bloco de Esquerda. Sócrates pode dizer o que quiser (ou o que dele se espera) que a realidade não muda. O PS não se mostra preparado -- nem ao nível das figuras nem ao nível do discurso sem centelha que tem balbuciado discretamente nestes últimos meses, entregando a bandeja da oposição aos franco-atiradores do PSD e aos activistas do Bloco, verdadeiros martelos pneumáticos da nossa actual democracia.
Pessoalmente, acho que o PSD com Santana Lopes vai ganhar. Só não arrisco sobre o PP; parece-me à partida que desaparecerá, mas pode depender muito das respectivas campanhas. Santana Lopes é bom na TV e na retórica, Paulo Portas é um homem-elástico e um incansável feirante (o verdadeiro sucessor de Soares-pai na matéria). O PSD é um partido com uma sede de poder tal que consegue até calar a democracia interna com o fito de dominar o aparelho de estado -- a sua única razão de vida (esqueçam isso do "melhor para o país" e treta avulsa).
No entanto devo acrescentar que há uma variável que pode alterar esta minha expectativa-quase-certeza. Esta é a altura em que a massa cinzenta do país ainda não modelada aos aparelhos partidários pensa duas vezes no salto. Esta é a altura das oportunidades. Das apostas.
Se a massa cinzenta entender que o PSD de Santana Lopes é pouco sexy no que toca a distribuir cargos, mordomias, benesses (e também cargos, porque há pessoas que gostam de ser realmente úteis ao país sendo isso que as move nesta altura) e fizer fila no Largo ao Rato para prencher fichas de inscrição, então Sócrates terá hipóteses com um partido renovado ao nível dos pensadores. António Vitorino é uma pessoa competente e poderá, mesmo contra o relógio, arquitectar a teia de ministros, secretários de estado, conselheiros, etc capazes de vencer as eleições.
Fois a estes dilemas que um Jorge Sampaio sem estaleca conduziu o país. Hoje um parlamento rigorosamente destrambelhado, com uma legítima maioria sem poder nem rumo, aprovará por obrigação presidencial um OE elaborado por um governo que já não o é (veja-se que o Primeiro ministro nem lá foi de manhã... eu também não ia, fodei-vos, caralho!). Um OE bastardo para o futuro governo, seja ele qual for. Um ano de perturbações na função pública e no privado. Oito meses (e não os quatro que já teriam terminado se Sampaio tivesse sido homenzinho na altura certa) de confusão política. Cavaco, Guterres e Rebelo de Sousa adiados. Caciques autarcas a esfregar as mãos com as atenções todas noutros lados. Desnorte absoluto, com abertura à pilhagem, na distribuição dos fundos dos Quadros Comunitários.
E ainda há quem bata palmas. Em rigor, só mesmo os bloquistas as podem bater com legitimidade. Nós, o povo, nem por isso.
Pós-escrito necessário: esta pequena análise revela as minhas preocupações no imediato do país mas não os meus sentimentos profundos de prazo alargado. Admito que mais vale tarde do que nunca e oito meses perdidos e um ano de confusão podem ser melhores, a longo termo, que a governação desastrosa da equipa pobre e de líderes desgarrados que tivemos ultimamente. Mas isso só o tempo o dirá. Pssoalmente gosto da agitação eleitoral; é das raras alturas em que há debate político e social, ou seja, uma oportunidade de todos praticarmos a democracia em que dizemos que gostamos de viver. E as ideias são mais importantes que as bolsas. A longo prazo, são.
Posted by pTd at 02:11 PM | Comments (3)
Razões para ter cuidado com o blogging
O número de casos de bloggers despedidos por causa de o serem continua a subir. Nos EUA a questão começa a levantar interrogações e analistas preocupam-se em fornecer as primeiras respostas. Artigo imprescindível na Wired: Blogs May Be a Wealth Hazard.
Mais: o alojamento de blogues da MSN, ainda incipiente e duvidoso, levou um tiro no pé. A bOING bOING fez um interessante estudo das palavras proibidas nos endereços. Se quiser criar um blogue sobre "A pornografia e a lei" não o fará ali. A Microsoft esqueceu-se de comprar um cérebro. (Link via Von Freud)
Posted by pTd at 01:56 PM | Comments (1)
Frases (só) aparentemente enigmáticas
Os momentos só existem enquanto forem momentos. De igual modo um gesto só é gesto enquanto o é. De outra forma não se significam. Um contínuo e uma prática são coisas outras.
Posted by pTd at 01:34 AM | Comments (1)
O significado das palavras
Aos poucos as palavras ganham corpo. Ficam visíveis na medida em que conquistam significado. Em que prestam para algo que valha a pena. Aos poucos, um minuto de cada vez no vosso tempo (que não é o nosso), tudo vai ficando mais claro e inequívoco. Sempre que a confiança é consolidada o verbo conjuga-se e a consideração que as palavras merecem/despertam eleva-as à condição de mais 10% de preto. Um dia passarão os 90% e -- então sim -- a relação do autor com o leitor será preto no branco, poder-se-á dizer com elevado grau de certeza. (o vento lá fora)* será então um blogue adulto; até lá não passa de um blogue adolescente.
Posted by pTd at 01:07 AM | Comments (1)
Cumplicidades
Alguns bloggers levam(-se) muito a sério. Eu confesso: gosto de me rir com os blogues e em especial com o meu. Sem esta função lúdica nunca teria aguentado escrever 755 entradas (esta é a 756ª) ao longo destes 21 meses, ou aturar tanta madrugada a podar o código que hoje faz do weblog.com.pt um serviço decente. E -- meus amigos!... -- o que eu gargalhei ao longo da semana que passou com os comentários dos meus queridos leitores. Desde o «fantastico! qual é a cor que se segue??» ao impagável «Então pode-se escrever tudo o que se quiser que não se vê...O Paulo Querido é raaaaaaaaaaaboo!!! ;>» do meu amigo Aurora, ao brilhante (quando o blogue estava absolutamente equivalente entre fundo e letras, ou seja, tudo branco) «Um abraço (a ver se te capto as ideias por osmose)» do Francisco Nunes, li e chorei de riso. Numa altura em que tinha menos para escrever em público e muito escrevi em privado, pude ainda assim divertir-me e divertir. Belo. Obrigado aos cúmplices. Dos dois percursos.
Posted by pTd at 01:05 AM
dezembro 05, 2004
Este que é o brilho do sol
O Sol acordou mais brilhante
graças ao combustível do teu beijo
A planície dá-me hoje abrigo
estar aqui não passa
de uma das mil formas de estar do teu lado.
Posted by pTd at 10:29 AM | Comments (6)
dezembro 03, 2004
Não me tirem deste filme! (one week later)
Eu não sou do filme, apareço como actor convidado para saco de porrada e apanhar com as balas. Ou é desta que a realizadora me reserva a surpresa de um papel decente (que leve em conta o meu talento) e com um final à maneira, todo hollywoodesco e tal?
Posted by pTd at 12:19 AM | Comments (5)
dezembro 02, 2004
Realismo século XXI
pTd diz: a única coisa que devemos manter em baixo é a expectativa do que os outros nos dão.
B. diz: isso é verdade.
B. diz: mas no entanto não devemos ser tão pessimistas.
pTd diz: isto não é pessimismo: é realismo século XXI.
{ conversas à lareira do MSN }
Posted by pTd at 11:56 PM | Comments (1)
E as palavras ganham consistência
Dia 2. Com a entrada sobre o Casal Perfeito (link para efeito de arquivo) as palavras começaram a ganhar consistência. Ainda hesitantes. Só terça feira, dia 7, na melhor das hipóteses, se saberá como continuam a graduar.
Posted by pTd at 06:47 PM | Comments (1)
O Casal Perfeito
O Luís diz que sempre o fascinou a relação Sartre-Beauvoir, "picando" o Um Amor Feliz de Pandora.
Confesso que a mim não fascina pêvas. Ou não enquanto casal. Relação de amizade muito profunda construída a dois, sim. Chamar a isso amor... Tenho as minhas reservas.
Escreveu Simone: «le couple heureux qui se reconnaît dans l'amour, défie l'univers et le temps; il se suffit, il réalise l'absolu».
A teoria é bela. Mas quando passamos ao oh yeah baby, come, come, give it to me a teoria desfaz-se aos meus olhos porque eles dois não foram absolutos (mas a malta desculpa isso; e eles, perguntaram-lhes se desculpavam iso um ao outro, aos dois juntos? Cheiro a resposta, mas não digo nada).
Só concebo o amor enquanto relação de fidelidade sentimental estrita; no espaço de um casal há lugar para as duas pessoas evoluirem sozinhas mas não para manterem em paralelo relações, paixões e afins -- pelo menos não os tipos de amor carnal, (a)palpável, o amor dos sentidos, o amor da reciprocidade, o amor da cumplicidade. Claro que cada um pode -- e deve! -- ter os seus ídolos intelectuais, as suas admirações pessoais (e os seus ódios de estimação), amigos e amigas com quem desenvolvem relações de respeito e admiração. Natural, saudável, pretendido até, para combustível das noites longas do Casal. Há no entanto uma fronteira, um point of no return: ultrapassado esse (e cada um define o seu em função da gasolina com que se atestou para iniciar o Casal), o Casal desmorona-se. Podem continuar amigos; amores não, certamente. (Well... Perdoar é uma virtude -- quando possível e putativamente aplicável em situações de evidente erro e consequente arrependimento. Mas depende também do momento, das pessoas, da pessoa.)
Admito que o compromisso seja possível (como escreveu o Luís, há a imperfeição do homem e da mulher) e resulte em relações "admiráveis" como a de Sartre e Beauvoir (que, já agora pergunto, é admirada pelas pessoas estritamente ou pelas pessoas terem sido os escritores/pensadores com a importância que tiveram? Até que ponto a mediatização de um casal, ou de um dos seus membros, funciona como poderoso ímane a perturbar os campos magnéticos dos sentidos dos praticantes e da análise dos voyeurs?).
Mas a mim mais depressa me apanharam (sublinho o tempo verbal) numa relação imperfeita do que nessa nobreza do ai que casal tão bonito que nós somos, filha, deixa-me ir ali dar uma foda naquela gaja. Esta é a verdade dos meus factos da vida. Continuo a acreditar n'O, e a procurar O, Casal Perfeito: consideração, confiança, conjugação, carinho, carne -- e fidelidade sem palavras. Se o alcanço ou não em tempo útil de vida, a ver vamos. A espaços, sei que funcionou. Na verdade tudo isto é apenas uma questão de Tempo.
Posted by pTd at 06:20 PM | Comments (7)
Faro, pôr do Sol com sabor a sangue
Posted by pTd at 05:34 PM | Comments (2)
É mesmo assim
Caro(a) leitor/a: se está a ler este texto, parabéns. Sim: este blogue é um blogue normal, não duvide. Tem posts com palavras como os outros, imagens, hiperligações. É legível como os outros; o que há, é menos gente para dar por isso.
Simbolicamente este blogue tornou-se um livro em branco. Graças à maravilha do CSS, pode no entanto -- e em simultaneo com o espaço em branco disponível para receber um novo capítulo da vida do autor -- conter os arquivos de quase dois anos de bloganço. Como em qualquer livro em branco, aos poucos as palavras novas saídas de sentimentos brand new ganharão cor -- arrastando nela as palavras em arquivo que assim ganharão o seu lugar por direito próprio.
Um abraço especial a todos os leitores que no últimos cinco dias acompanharam, clementes, o parto desta renovação. Não foi fácil nem desse nem deste lado ;)
Posted by pTd at 12:30 PM | Comments (16)
Ou seja, não discutimos pôrra alguma
«Nas crises o que mais discutimos é a parte da economia que depende do estado, por singular coincidência a área da política onde os governos têm menos margem de manobra e o comando é de Bruxelas e da globalização. A parte da política onde o comando nacional é quase total e que é mais importante para nos arrancar da mediocridade – como por exemplo a educação e a formação profissional – nunca é discutida. Ouvimos economistas e empresários sobre a crise e nunca professores, estudantes ou operários.» ( "As nossas formas particulares de cegueira", JPP in Abrupto )
Posted by pTd at 12:29 PM | Comments (1)
Mudança de discurso (mete a terceira, caraças)
«Eu sei, meu amor, que provavelmente não serão estas as palavras mais românticas que se devem sussurrar aos ouvidos de uma mulher deslumbrante como tu, sobretudo quando estamos dentro dela a fremir espasmozinhos desdenhosos de prazer masculino. Contudo são estes os encadeamentos caóticos que se atropelam na minha cabeça. Não me perguntes porquê. Perdão, meu amor, perdão. Quando faço amor contigo, perco-me de felicidade. Quando, de olhos fechados, me venho dentro do teu corpo frágil de anémona, sinto que não é apenas o meu sémen que aglutinas, mas toda a estrutura do meu ser. Receio que qualquer dia, ao unirmos os nossos corpos, o teu sexo húmido me sugue numa aspiração de trompas e que fique para todo o sempre preso no teu interior. Se calhar, o facto de ter estado tanto tempo de cabeça para baixo não ajudou muito. Gostava de saber, meu amor, como é que fazes para te pregares assim ao tecto numa solene abertura de pernas. A tua imprevisibilidade é fascinante. Lá fui eu, numa procissão de fé, buscar uma mesa para poder beber em cima dela o líquido incolor que pingava dos lábios da tua vagina para o mosaico de tacos do soalho da sala.»
( João Pedro Costa in Ruínas Circulares )
Posted by pTd at 12:24 PM
Cinco breves longos dias
Peço a frase emprestada { citações, claro que as faço; este é um blogue delas! :D } para com este título notificar os meus futuros disto: foram cinco breves longos dias que valeram uma vida.
Pedindo outra frase emprestada: e disse!
Posted by pTd at 12:06 AM | Comments (10)
dezembro 01, 2004
Gosto da tua solidão
À volta dos livros e das palavras. É como entrar no sonho, entrar na tua sala e ver-te assim. Solitário: jóia com uma só pedra engastada.
Posted by pTd at 06:34 PM
Prémio LOL
«Óióai estas rosas são um espanto
óióai são tão queridas, tão exóticas
óióai mas se olhares mais de um minuto
óióai vais parar à multiópticas!»
Zecatelhado in Sem palavras. Mijei-me a rir! Obrigado homem!
Posted by pTd at 02:20 AM | Comments (4)
Duodécimos
Eu queria aviar um post sobre a política mas gastei o tempo a amenizar a factura de oftalmologista dos meus leitores. Segue em curtas.
Contentes com razões especiais: Barnabé, Abrupto, Causa Nossa, Marcelo Rebelo de Sousa e Jorge Sampaio.
Contentes sem razões especiais: generalidade dos portugueses, incluindo os partidos da coligação (à excepção provável, não provada, de Pedro Santana Lopes).
Economia. Paralisa por seis meses. Paralisar é bom. Um carro paralisado não está em queda pela ravina. Entra o Orçamento em duodécimos, avisam os economistas, e eu digo, so what?
Sociedade. Respira de alívio e fuma a ganza da paz com o presidente.
Presidente. Fuma a ganza da paz com o ppl e reforma-se mais cedo com a consciência aliviada.
PSL. Ganha o partido por uma inapelável razão: não há lá mais ninguém. Vá lá, tem uma oportunidade de arranjar ministros decentes e trocar de gel.
Paulo Portas. Tem a oportunidade de se demarcar do PSD indo gritar prós comícios "não fui eu!, não fui eu!". Talvez sobreviva.
Marcelo Rebelo de Sousa. Ri, mas pouco.
Cavaco Silva. Ri mais que MRS, mas não muito. Pelas mesmas razões de MRS: as presidenciais. A marcação homem-a-homem vai intensificar-se.
José Pacheco Pereira. Ri-se à brava, "eu não dizia!, hein?! eu não dizia!...". Continua no passivo do partido, a blogar em grande e vai tentar publicar o Abrupto em livro, seguindo o Barnabé e mais uns na calha. Se não arranjar editor maior, caro JPP, fale comigo: já sou publisher e estou interessado.
José Sócrates. Vai afinar a garganta para os comícios e comprar um sobretudo Armani verde escuro. Vai uma aposta?
Daniel Oliveira. Preparem-se para doses maciças de ego no Barnabé.
Bloco de Esquerda. Vai crescer nas próximas eleições.
PS. Hum? No pasa nada.
PCP. Hã? Quem?
E finalmente eu. Usando a expressão dos analistas de bolsa, fecho em alta ligeira.
Posted by pTd at 01:53 AM | Comments (2)