« dezembro 2004 | Main | fevereiro 2005 »
janeiro 31, 2005
Da diversão
Tenho pouco tempo para escrever aqui, reduzo-me ao mínimo dos posts de historietas curtas -- escritas à velocidade dos sentidos e espelhando-os com a necessária liberdade poética -- e sigo com dificuldade a blogosfera. Aguardo que venham as duas máquinas para se poder relançar o weblog.com.pt, que vive dias de menos fulgor. Até lá... sorrio um sorriso cúmplice aos meus leitores: vou-me distraindo pontual e apressadamente com alguns comentários e mails mais ingénuos acerca de lugares e "lugares" aqui descritos. Obrigado pelas solidariedades.
Na próxima semana, se tudo correr by the plan, este blogue levará uma volta. Tal como o weblog.com.pt. Stick around.
Posted by pTd at 05:24 PM | Comments (1)
Da experiência
Reconheço que há uma grande diferença entre informação e experiência. Prefiro sem dúvida alguma esta última.
( thanks to John Perry Barlow )
Posted by pTd at 04:29 PM
Trópico de Câncer
«Eu vivia no Pólo Norte e achava a temperatura quente. E depois aterrei no Equador» - disse-lhe ela buscando uma alegoria que notificasse a mudança a que nas coisas do amor fora sujeita. Ele sorriu. E tomaram a decisão: quando se mudassem iriam viver para o Trópico de Câncer.
Posted by pTd at 12:50 AM
janeiro 30, 2005
A exacta proporção crescente
Foi descoberta algures perto da catedral de Salamanca a exacta proporção crescente - uma medida de relação.
Posted by pTd at 11:26 AM
janeiro 26, 2005
26 de Novembro de 2004
Redacção
O dia 26 de Novembro de 2004 era uma sexta-feira. Eu lembro-me bem porque esse dia mudou a minha vida. Acordei em Montemor e vim a Lisboa. Havia assim uma cena num hotel onde vinha o Loïc Le Meur, que é um francês que trabalha para a Movable Type. Lá vim eu para falar com ele e foi óptimo porque tirámos fotografias juntos e demos as mãos num passou bem depois de termos acertado umas coisas sobre o weblog.com.pt.
Depois almocei um frango, ali num centro comercial ao lado das Picoas e depois fui comprar uns CDs de disco-sound a uma loja muito boa que há noutro centro comercial mais acima, desculpem não me lembrar do nome.
Depois do almoço e dos CDs voltei de carro para Montemor, feliz da vida, a ouvir a Gloria Gaynor e outras coisas assim antigas, que servem para nos animar. Levava o som no estalo! Tinha tido um jantar com a minha sobrinha Guida e umas amigas dela e falámos de disco-sound e até cantámos algumas canções das mais populares, foi por causa disso que comprei o CD. No caminho fartei-me de cantar a plenos pulmões aquelas canções muito giras dos anos 80.
Mas, o melhor de tudo ainda estava para vir. É que nesse dia fazia anos a Helena, que é assim a namorada de um amigo meu que não digo o nome porque ele está doente e não tem blogado. A Helena deu um jantar e foi por isso que eu fui a Montemor. À mesa conheci uma data de gente interessante, entre elas a Ana, começámos a conversar e três dias depois fomos à FNAC beber um café, ficámos namorados duas semanas depois e desde então nunca mais nos separámos.
E pronto, foi assim o meu dia 26 de Novembro de 2004, faz hoje dois meses, que foi um dia muito importante na minha vida e tudo.
Posted by pTd at 07:28 PM | Comments (7)
Nova tábua dos elementos
No início era a Água. O mar nos olhos verdes. Seguiu-se-lhe o Fogo. O vulcão, força telúrica à superfície da pele. Refrescaram-se com o Ar. A respiração comum, boca-a-boca. A Terra fechou-lhes o ciclo, inexorável, porto de abrigo, regresso, calmaria, segurança. Adubo.
Posted by pTd at 01:47 AM | Comments (1)
janeiro 25, 2005
Da indestrutibilidade
Primeiro conversaram. Depois gargalharam forte, juntos e abraçados no sol poente. Como a areia que endurece quando repetidamente fustigada pela intempérie, com o assédio dos dias a relação encorpava-se, a caminho da indestrutibilidade.
Posted by pTd at 07:09 PM
janeiro 24, 2005
Da respiração
Bocas vizinhas antes do beijo, respiravam-se sofregamente e o ar de pulmão para pulmão era forte. Tão forte que constituia alimento para o dia todo. Foi assim que descobriu, atónito, essa nova lei que contraria em absoluto o empirismo oriental expresso nos kamasutras de bolso. Entre eles a invenção do amor não se compadecia com cartilhas.
Posted by pTd at 08:19 PM
janeiro 23, 2005
Pffff
Vem rotulado de novo. É o GuiaDN. Novo. Folheio. Chego, naturalmente curioso, à secção Internet. O blogue do dia: Abrupto. Na Net: Google. Novo. Sim senhor. Gostei. Novo. Diria mesmo: radical. Pfff. Há coisas que nunca mudam.
[ Nota mental: não voltar a folhear o GuiaDN. ]
Posted by pTd at 01:11 AM | Comments (7)
janeiro 21, 2005
Continuidade ou mudança
Sócrates não é de modas. Anda meio mundo preocupado com os putativos erros da campanha socialista, como o discurso vago e de fuga ao compromisso do futuro primeiro-ministro. Outro meio mundo acha que ele devia ir a debate com o tal de senhor Lopes (não é o Lopes da tabacaria, atenção). E outro meio ainda afirma, convicto, que o PS está a ser brando.
Eu hesitava, de cabeça concordante com os três meios mundos, até há pouco. Instado pelos jornalistas (que expressão esta!...) a descascar no programa apresentado pelo PSD horas antes, isto num intervalo da redacção do programa do PS, Sócrates disse simplesmente: «é o programa da continuidade, o PS apresentará amanhã o programa da mudança». Deixei de hesitar face ao homem e percebi duas coisas.
Primeira: continuidade versus mudança é o sound-byte de Sócrates para as próximas semanas. É excelente (estamos a falar de real politik, não de debates entre a demagogia de figurantes eleitorais). Reduz à essência o que conta das ideias programáticas - por si só um conjunto de itens que se ordenam tão limpamente no Word destinados a) a imprimir em caro papel couché para as senhoras se abanarem nos comícios à porta-fechada, acabando a poluir o chão dos pavilhões; b) entreter os jornalistas de fracos recursos nesta altura da campanha eleitoral, que espetam o dedo no ar reivindicando os programas partidários para poderem dizer mal deles enchouriçando espaço mediático; c) nos telejornais de terceira ordem as terceiras figuras dos partidos chamarem-se mutuamente mentirosos e descortinarem mutuamente as contradições e os copianços vice-versa; e d) entalarem os primeiro-ministros mais ou menos por alturas da metade do mandato com perguntas cretinas sobre promessas não cumpridas.
Segunda: dá ainda trabalho até lá, mas 'tá no papo. Refiro-me à maioria absoluta do PS na noite do próximo dia 20.
Posted by pTd at 11:16 PM | Comments (4)
Da traição
O Barnabé e a blogosfera gostaram muito, e andam a trocar posts sobre isso. Ver a propósito Choque de titãs, por Rui Tavares. Que ficou muito emocionado por assistir. Para o Rui, estas duas figuras são, da actualidade, as únicas comparáveis a, pasmo, Mário Soares e Álvaro Cunhal e recordou a propósito o célebre debate Soares-Cunhal.
Não vi o debate. Francamente, acho fútil. Do meu ponto de vista nem Portas tem uma única ideia útil para o país nem Louçã consegue fugir dos lugares-comuns que ando a ouvir à "esquerda alternativa" desde há 25 anos. A sério, duas décadas e meia. O discurso-bloco só se tornou "bem" nos últimos dez anos mas andava eu de crachá contra a energia nuclear ao peito e já se desfiava este rosário.
E Portas (o Paulo, nada de confusões com o mano) vive para trair (como o PSD já sabia e voltou a saber por estes dias) e se não fosse a traição nem político tinha chegado a ser -- era bom que a memória das pessoas funcionasse de vez em quando pelo menos.
Admito que a traição como princípio possa levar um político a ministro. Não admito que um político cujo principal princípio existencial é a traição possa ser elevado e quase dignificado, como fez o Rui.
Posted by pTd at 10:56 PM | Comments (5)
Da eternidade
Amar (só) faz sentido quando se ama sem prazo, quando se ama a perder de vista, para a eternidade. Só sei amar de uma maneira: sem medida.
Posted by pTd at 12:11 AM | Comments (1)
janeiro 20, 2005
Cóf cóf
Cóf cof! É só cóf cóf um post rapidinho cóf para informar os leitores cóf cóf cóf ahhhhh de que estou cóf cheio de tosse há três dias cóf cóf cóf que não faço outra coisa excepto cóf tossir cóf. Puta de semana cóf nunca mais acaba cóf e cóf cóf a próxima ainda é cóf pior que esta! Cóf cóf cóf cóf cóf.........
Posted by pTd at 11:57 PM | Comments (5)
janeiro 18, 2005
La différence entre
Sim, eu também vivia na ilusão de que José Sócrates e Pedro Santana Lopes eram duas faces da mesma moeda, sendo a moeda a nova geração de políticos e as faces os dois partidos do centro diferentes na nuance. Confesso que tal atitude foi em muito influenciada pelo repetido confronto televisivo entre ambos (onde de resto gostava mais do tom grave de Sócrates e menos da leviandade de Lopes, mas menos do jeito seco de Sócrates e mais da frescura de Lopes).
Todavia contudo porém, seis meses a ver Lopes desgovernar como ninguém, desperdiçando a oportunidade de ouro que lhe caiu imerecidamente dos céus, e a escuta mais atenta (e até presencial, na sessão das Novas Fronteiras onde estivemos juntos, ele e eu) do discurso de Sócrates fizeram-me arrepiar caminho. Acreditem em mim: há uma diferença entre ambos. Uma grande diferença.
É aliás injusto para Sócrates este tipo de comparação. Na mesma medida em que é lisonjeiro para Lopes ver-se confundido com uma pessoa de outra, digamos, extracção. Um tem obra feita, discutível ou não. O outro desbaratinou uma atrás da outra as oportunidades de a fazer. Um tem cérebro. O outro, suporte de brilhantina. Um pode um dia tornar-se estadista por via das eleições. O outro é um reconhecido estradista das eleições.
É também injusto para Sócrates herdar o país na situação calamitosa em que Lopes lho deixa. Mas aí ele está por sua conta e risco: acredita que pode dar a volta por cima e candidata-se à tarefa. Eu admito que tenho dúvidas. Mas um merece-me o benefício das ditas enquanto o outro já o esbanjou.
Posted by pTd at 07:40 PM | Comments (4)
janeiro 16, 2005
As melhoras
«Para muitos eleitores a questão parece colocar-se assim: voto no PSD, que deu cabo de um governo, ou voto no PS, que deu cabo de um país?» (António Pinto Leite, Expresso, 14 Janeiro).
Quando leio merdas como esta primeiro dão-me vómitos. Depois vem a irritação contra a demagogia de alguns comentadeiros - que se torna maior quando são comentadeiros pelos quais até nutria antes alguma simpatia. Mais tarde sobrevem a piedade - e é com essa que acabo por titular este post. Coitado, ó António Pinto Leite. Não o fazia tão afectado pela doença. Olhe, vá tomando os comprimidos, são os meus votos.
Formulando a questão na mesma base, seria mais assim: voto no PSD, que nos últimos 30 anos destruiu paulatinamente as aspirações de duas gerações de portugueses, ou voto no PS, cujo último primeiro ministro cometeu o erro de fugir com o rabo à seringa deixando os seus ministros a meio da função com ele entalado, perdoe-se-me a expressão?
Ou assim, numa visão mais míope, isto é, à centrão: voto no PSD, que nos últimos três anos cometeu a proeza de aniquilar o capital de confiança (não vamos agora discutir se real ou ficcionado) que o país depositava nele dadas as provas prestadas no passado, deixando as finanças em estado muito pior do que as encontrou (com a prestimosa ajuda do PP que agora consegue, foda-se que é preciso um descaramento do caralho, vir dizer que não é nada com ele)? Ou voto no PS, cuja melhor figura do seu último período de governo passou a chefe no lugar do chefe fujão?
( Não invento nada. Façam o trabalho de casa. Vejam as contas públicas. Depois falamos. )
APL, tenhamos piedade da sua condição, consegue ainda chamar «problemazinhos, [...] alguns fruto de pouco [!] profissionalismo» ao actual estado do PSD. Partido que, segundo ele, «apesar de melhores ideias, de mais capacidade de acção [?!?] e de melhores provas dadas terá muita dificuldade em atrair o voto destes eleitores». Os mesmos eleitores que já foram apelidados pelo mesmo comentadeiro de "inteligentes", porque são eles quem "decide" ao centro quem merece governar e quem deve ser penalizado, isto ao centro, de quatro em quatro anos, como se fosse uma fatalidade imutável a bicefalia partidária governamental no país.
Descansemos, irmões! As reviravoltas de circo do governo e a palhaçada indescritível em que o PSD caiu, do qual fogem pelo silêncio as figuras que prestigiaram o maior partido português e o que governou Portugal o dobro do tempo de qualquer outro, não passam afinal de «problemazinhos». Não ter um líder capaz, nem se vislumbrar quem possa evitar o afundamento do partido pela actual crise de credibilidade e pelo crescimento do CDS-PP, é um «problemazinho».
Exultemos, companheiros! Um líder «corajoso» e sem um único amigo, dentro ou fora do partido, que elencou para o governo as figuras próximas que não lhe deram a nega, num arremedo de conjunto que nem chega a poder ser apresentado como equipa, é capaz de apresentar «melhores ideias» e sem dúvida exibir «mais capacidade de acção».
Como parto do princípio que APL não viveu em Marte nos últimos cinco anos, o que o poderia desculpar de tamanha miopia, daqui lhe envio os votos de rápidas melhoras. Espero vê-lo regressar, um dia, à análise lúcida da realidade.
Posted by pTd at 12:30 AM | Comments (6)
janeiro 15, 2005
Fins
( para a Ana, depois de saído o comboio da primeira estação )
A paixão devora-se(-nos)? O amor sente-se, acaricia-se, alimenta-se. A paixão é um meio, está no meio (quando está, quando há) durante uma fracção de tempo de tamanho variável. O amor foi princípio e é presente e justifico-o também como um fim, finalidade existencial.
Posted by pTd at 02:27 PM | Comments (5)
janeiro 13, 2005
Tudo em excesso
Vive "tudo em excesso. A moderação é para os padres" (Lazarus Long)
Posted by pTd at 12:55 PM | Comments (7)
Parem as máquinas! Última hora!
Em última análise, o amor não é um iogurte!
Posted by pTd at 12:54 PM | Comments (2)
Temos de viver com aquilo que temos
Ao longo da vida temos dúvidas. É necessário aprender a viver com elas. Sob pena de adquirir uma esquizofrenia impeditiva da fruição da felicidade.
Carpe diem. Cavalgar um dia depois do outro. Ya, é uma frase bonita, é uma atitude boa para as alturas de depressão. Ajuda-nos a ultrapassar crises emocionais, por exemplo. E a sobreviver às primeiras nuvens que escurecem o horizonte do amor novo. Mas não me serve como filosofia de vida. Gosto de pensar a pelo menos uma semana de distância :) E no amor, uma eternidade, nunca menos!
Viver cada momento como se fosse o único é cansativo mas dá-nos adrenalina à brava. Sim. Pessoalmente prefiro misturar um pouco de gelo sob a forma de zen. É como os cockrings: prolongam o prazer.
Posted by pTd at 12:45 PM | Comments (2)
Da tensão
Acordaram dentro um do outro, praticamente. Apesar disso, ao pequeno almoço havia no ar uma tensão tensa, estranha neles. Uma manhã, vários sms, aulas e reboots depois, trocaram um olhar por e-mail. E fez-se luz - ou melhor, fez-se lusco-fusco: era a disposição comandatória do nevoeiro, os olhos reflectiam o céu cinzento.
Posted by pTd at 12:22 PM
janeiro 12, 2005
A carta fora do baralho
Mo ahahahahahaihih ra aahahahahahahah!!!! muahahahah!!!!!! is Sar bahahahahahaha!!!! LOL ROTFL!!!!!!! muahahahahaha! bahahahahaha men eheheheheheheheh to, bahahahahahaha! Não bahahahahaha!!!! dá ihihihihihihih para bahahahahahahahahahaha acre ui! bahahahahah!!!! ditar!!!
{ limpando as lágrimas de riso }
Como é possível? Nunca pensei que o homem que tanto se enterrou desde que foi a ministro ainda conseguisse dar um fora tão descomunal como o de hoje. Acho que é um caso médico. De todo. Ficou sem insulina, ou algo assim -- é a única explicação que me escorre. Bahahahahahahaha!!!! Ihihihihihihihihihih!! Muahahahahaha!
Bem, deixem-me puxar o lustro aos galões. A 26 de Junho, ainda Sampaio andava a ouvir os periquitos das vizinhas, escrevi aqui: «o mais provável cenário: Pedro Santana Lopes Primeiro ministro. Meus, pensem lá um bocadinho: vai ser bués da giro! A malta vai divertir-se pra caramba! Com PSL no Governo a política nacional vai deixar de ser cinzenta e passar a ser a cores! [...] Um autêntico filme cómico! Comprem quilos de pipocas e litros de coca cola que isto vai prometer ser de arromba! E cerveja e uísque em barda, que as festas vão-se suceder! (Não esqueçam o Guronsan.) Deixem lá isso do futuro do país pós-PSL... O último a sair apaga as luzes e deixa as chaves debaixo do tapete do então Presidente Cavaco.»
Bem... pelos vistos não me enganei muito. Visto daqui-agora, só posso mesmo dizer uma coisa: conseguiram superar por alto as minhas piores expectativas. Nem eu me atrevi a ir tão longe. Percebe-se: PSL contou com Mora ahahahahahahaha!!!!!! is Sar bahagagagagagagag mento, uma carta bahahahah fora ihihihihihihi do meu muahahahaha baralho na altura, LOL!
Posted by pTd at 12:27 AM | Comments (5)
janeiro 10, 2005
Onde quer ir hoje? - mas primeiro obtenha permissão da Microsoft
Não subestimem a Microsoft. Pelo caminho que as coisas tomam, e também na Europa onde a empresa vai metendo paulatinamente cada vez mais decisores políticos na mesma algibeira do porta-moedas, em breve poderemos viver num mundo Where do you want to go today? - but get permission from Microsoft first. Não percam, se fazem favor, o artigo de Bill Thompson na BBC online: Copying, content and communism.
Posted by pTd at 12:31 PM | Comments (3)
janeiro 09, 2005
Nova entrada
Eu devia escrever um post todo xpto e tal sobre a Sociedade da Informação e Conhecimento e coiso e assim para enviar às Novas Fronteiras e publicar aqui em estreia para os meus leitores, a minha rapariga até já me pôs à vontade dando-me tempo do nosso, mas queridos leitores e querida amada, hoje não tenho inspiração para uma Nova entrada.
Posted by pTd at 11:10 PM | Comments (6)
janeiro 08, 2005
Que PSD para os próximos anos?
Pacheco Pereira já tinha chamado a atenção para um aspecto que está a passar ao lado da análise política actual -- condicionada que está pelas eleições a curtíssimo prazo, com a decorrente correria. O que é o PSD sem nenhum dos seus líderes anteriores a Santana Lopes? - perguntou no Abrupto.
Há pouco, ao responder a um comentário do amigo Raul, ocorreu-me com maior clareza o seguinte: a crise do PSD é muito mais profunda do que damos conta à superfície dos dias eleitorais.
A minha resposta aqui promovida a post: Amigo Raul: o trauma não é só meu e não é só do governo-fantoche que tem reinado. Mas a verdade é que nem foi isso que me levou a repensar a minha atitude perante o voto. Foi mais ver que o actual PPD/PSD está rigorosamente feito em cacos e não me apetece nada que consigam enredar uma vez mais o povo nas mentiras habituais e voltem ao Poder sustentados na mais pura demagogia e... em nada mais que isso.
Por outro lado o actual PS tem uma coisa boa (aos meus olhos): frescura. Isso dita a minha escolha pontual.
Mas acima de tudo considero estarmos perante uma oportunidade única de tentar revitalizar as estruturas governativas e até as partidárias, com o PS à míngua de cabeças e o PPD/PSD à beira de uma revolução / renovação interna muito profunda, uma autêntica cisão geracional (de efeitos ainda difíceis de prever).
Escrito isto ao sabor do teclado, parei para reflectir. Por razões várias nenhuma das figuras que celebrizou o PPD/PSD nos últimos 30 anos tem condições objectivas para agarrar o partido. Marcelo, só por cima do cadáver dele -- tanto foi o mal que o partido lhe fez. Só poderia almejar vingar-se das bases fazendo-se eleger PR por elas :) Cavaco não comprou nenhum carro novo, logo não irá fazer a rodagem até ao congresso extraordinário que inevitavelmente virá perdidas as eleições de Fevereiro. Ambos disputam em surdina a presidência, com larga vantagem (neste momento) para Cavaco. Dias Loureiro, tem mais que fazer -- e não estou a vê-lo deixar o estatuto senatorial que já conquistou. Ferreira Leite, depois da traição do Verão nem que beijassem o chão que ela pisa e acho muito bem, ex-vizinha!
Mas com Lopes o PPD/PSD não tem futuro outro senão alinhavar-se, sabujo, às teias conspiratórias do PP. Nem com o poderoso afrodisíaco do Poder consegue manter o partido unido -- como se viu nos últimos meses, como se vislumbra no triste espectáculo da pré-campanha.
Lopes só pode significar cisão no centro do espectro, ocupado pela maioria do PPD/PSD, com reforço do extremo e desvio dos social-democratas de raiz para as franjas à direita dos socialistas. Depois dele, o dilúvio? Não estou a ver o partido render-se aos encantos da sua ala intelectual, personificada em JPP. Nem a atirar-se aos pés de algum dos traídos, pedindo perdão (não faz o género). Marques Mendes, sussuram-me aqui, com um olhar esperançado. Pisco o olho e sorrio...
Que resta então ao maior partido da direita e mais influente na vida portuguesa nas últimas três décadas? Com que PSD poderemos contar para os próximos anos para uma oposição eficaz ao governo PS em preparação?
Eis uma bela duma incógnita. Rapaziada: pensem nisso no fim de semana e digam qualquer coisinha.
Posted by pTd at 12:19 AM | Comments (5)
janeiro 07, 2005
Morte aos Velhos do Restelo (Manifesto anti-Lopes versão 2.0)
Morra Dantas, morra, PIM! Morram os Velhadas do Restelo que comentaram o meu Manifesto anti-Lopes em tom depreciativo!
Morram quantos insistem em desperdiçar esta oportunidade única de intervir na vida política activa do país!
Morte a quantos acham que os partidos são todos iguais e que isso é justificação para continuarem sentados na poltrona quais treinadores de bancada!
Os velhadas cheiram mal da boca!
O PS de Sócrates precisa de gente fresca! O BE de Louçã precisa de força! Os aparelhos partidários da esquerda estão à míngua de massa cinzenta - e que dizem a isso os Velhos do Restelo? Nada, estão cegos e gordos e fedorentos!
Morram, PIM!
O PPD/PSD está em convulsão e vai renovar-se nos próximos tempos e que acham as velhinhas do comentário? Nada! Estão bêbadas de tanto chá de urtigas!
Morram, PIM!
Um gajo tem de acreditar que há uma altura na vida para saltar do caralho do sofá e meter-se pela televisão a dentro!
Em vez de falar para o aparelho, insultando quantos nele aparecem, vão falar para a rua, para a Assembleia, para a empresa, para o caralho que vos foda -- desde que façam alguma coisa de útil pela política e se deixem de vilipendiar os esforços alheios!
Morram, suas sanguessugas! PIM!!
Esta é uma oportunidade ÚNICA de renovar a vida política (e a partidária), mas os caralhos dos burgueses das caixas de comentários disso nada sabem, infelizes! Cegos! Morram, suas sanguessugas! PIM!!
Posted by pTd at 04:38 PM | Comments (8)
Em sessões contínuas
Este fim de semana no cinema Olympia o Grandioso Clássico "Encontros Escaldantes da Gueixa com o Intelectual De Esquerda - III". Em sessões contínuas.
Posted by pTd at 11:48 AM | Comments (2)
janeiro 06, 2005
Manifesto anti-Lopes
Queridos irmãos, nunca antes me meti nestas andanças políticas e longe de mim – até hoje! – fornecer a alguém razões para votar em determinado partido. Um acrata empedernido como eu acha que todos (e cada um de nós) sabem o que pensar e o que fazer nas alturas difíceis.
Mas não aguento mais. Decidi publicar um manifesto político. No caso um manifesto anti-Lopes, já vos explico porquê. Sirva este manifesto para alertar as consciências que não o tenham sido ainda pelas trapalhadas inacreditáveis dos políticos em exercício de Poder (sim, meto no mesmo avião para a Sibéria o nosso inefável PR). Alertar, dizia, para a grave situação em que a classe política em debandada nos últimos anos deixou o País mergulhado.
Lido o manifesto, cada qual vote no que desejar desde que não seja nos partidos que andaram a brincar aos governos na última legislatura – eu cá aviso já: não só tenciono votar pela primeira vez nos últimos 20 anos, como informo que votarei no Partido Socialista e fica desde este terceiro parágrafo o eng. Sócrates a contar não apenas com os meus voto e empenho mas também, se for útil e necessário, com (alguma) força do meu trabalho para pôr o país nos eixos – tarefa que alguém terá de cumprir mais tarde ou mais cedo, e eu quando chegam estas alturas de deitar as mãos às vassouras e varrer o lixo que intoxica e deprime uma sociedade inteira, não me faço rogado!
O problema de Portugal, queridos irmãos, não somos nós, lúmpen proletariado, não sois vós, blogoriato pequeno-burguês, estudantes avulsos, pequenos e médios patrões e respectivos pequenos e médios funcionários – nem mesmo o gajo que desviou os fundos estruturais destinados à educação dos trabalhadores da sua empresa para comprar um T-2 para a amásia no Cacém de Baixo. Lá por a empresa ir alegremente para o fundo que tem o país a ver com isso?, o problema é do gajo e da amásia, coitada, uma casa, mesmo que de três assoalhadas e os alumínios da marquise anodizados e tudo, no Cacém de Baixo, olhe querida, troque de macho que a esse falta bestunto.
Bestunto! Queridos leitores, o problema de Portugal é bestunto! Temos uma classe dirigente com escassez de neurónio. A culpa em grande parte é nossa, nossa da sociedade, do país. Não podes ter uma nata maravilhosa a partir de um leite magro – diz-me a minha deliciosa mulher enquanto penteia as deliciosas melenas negras. Como de costume, tem razão. Sendo nós um país atrasado e pobre, é natural que a nossa elite seja uma elite pobre e atrasada. Seguem o raciocínio?
Então sigam isto: como se não bastasse termos massa cinzenta rarefeita no governo, tornou-se moda os donos dos raros neurónios que ainda habitam Portugal fugirem dos cargos. Ele é por causa dos baixos salários, ele é por causa do incómodo da exposição mediática, dizem, eu a primeira engulo a segunda só com muito alcaselça, mas prontos.
Falta de bestunto - esse é o problema número um. Resolve-se com o eng. Sócrates? – estou a ouvir as gargalhadas lá ao fundo. Bem, seguro seguro é que não se resolve DE CERTEZA com o dr. Lopes e o bando de madraços alapados ao poder em que o antes ilustre e distinto PPD/PSD se veio a tornar ao longo dos últimos 30 anos. Fora o PPD/PSD o partido dos Cavacos e Balsemões e eu ficava a assistir. Mas não é – e decido vir à liça. Sei que os meus neurónios não são da mais fina estampa, mas olho para a direita e não vejo por lá melhor que os meus. Logo, aqui me ofereço para a lide pública, se alguém pela esquerda me achar conveniente. E com esta declaração de princípio e disponibilidade quero mais dar um exemplo do que arranjar uma tarefa para mim, que sou e gostaria de continuar preguiçoso, bolas, e de manter o estatuto de perigoso independente que conquistei ao longo de um quarto de século sem cair em tentações. O exemplo é este: ó bom povo que me lês, troca a confortável posição de adepto de sofá, que disparata sobre tudo o que mexe, e atira-te à coisa pública. Ser político só é mau quando não se sabe sê-lo, não se tem ideias, não se tem imaginação, não se tem capacidade de entrega, abnegação. Ser político pode ser nobre, sim. Quando se tem competência e sobretudo não nos queremos demitir do nosso devir. Ora, numa altura em que o país TANTO precisa de liderança é necessário que as cabeças competentes venham a terreiro, se atrevam, espetem o dedo no ar, reivindiquem o que é delas por nascimento e educação: a oportunidade de contribuírem para a res publica.
Se José Sócrates estiver rodeado por um mar de massa cinzenta empenhado, novo, fresco, tirar Portugal da merda afigura-se-me possível. Entendo que o actual PS sozinho terá muitas dificuldades em fazê-lo: é como um núcleo de matéria não expandida, falta-lhe massa. A massa somos todos nós, todos os que têm algo para dar e não se revêem na direita, no que a direita tem feito ou apenas, como é o meu caso, acham que é tempo de a direita levar um cartão vermelho por péssimo comportamento e anti-jogo e ficar de fora nos próximos dois jogos.
Podemos e devemos melhorar a política, podemos e devemos devolver-lhe a dignidade perdida na última década graças mais aos desertores do que aos deserdados.
O problema número dois, isto na minha humilde perspectiva de camelo que andou duas décadas a olhar para a política de fora, é o baile mandado com que a rapaziada da direita consegue trazer o povoléu enganado e esquecido há um ror de tempo. Aí, meus irmãos, a culpa é sobretudo nossa – vai sendo tempo de nos confessarmos e pagar pelo pecado da melhor forma: lembrar quem realmente mandou no país nos 30 anos que já lá vão sobre Abril de 74, lembrar quem realmente conduziu Portugal ao actual estado de coisas, lembrar quem esteve ao leme do governo, da economia do Estado, das empresas do sector público e também do privado. Lembrar que se o país está na merda em que está, a responsabilidade é de quem o trouxe até ao esgoto. E quem nos trouxe até aqui, quem foi, quem foi?
Lembrar em suma, queridos leitores, que o PPD/PSD tem a incrível habilidade de se iludir a si próprio e ao país e em cada eleição apresentar-se como o salvador contra as oposições “culpadas”, quando, é facto, esteve sentado nas cadeiras do poder durante 19 anos, 15 dos quais SEM COLIGAÇÃO, sozinho, rei e senhor, isto desde o fim do PREC em 1976. 19 anos contra 11 do PS, coitado, que apesar disso leva sempre na corneta como o mau da fita.
E primeiros ministros? Mário Soares e António Guterres alinharam pelo PS enquanto pelo PSD tivemos Sá Carneiro, Francisco Balsemão, Cavaco Silva (uma década! A melhor em termos de qualidade de bestuntos, admito, ou a menos má se preferirem), Durão Barroso e Pedro Santana Lopes, o novo Dantas.
Apesar desta contabilidade, que é facilmente verificável, o PPD/PSD consegue sempre dar um ar de santinho que até mete dó, arrastando as velhinhas para o voto. Apesar de ser o principal responsável pelo estado de depressão a que o país chegou, o PSD consegue sempre apresentar-se às eleições como o único capataz competente na quinta. E nós, o povo, engolimos e aplaudimos. Desconheço como tem sido possível as oposições deixarem passar em claro este pequeno detalhe, que na minha opinião é fundamental para compreender a política portuguesa do século XXI e o estado a que ela chegou, arrastando um povo inteiro para os arrabaldes da Europa (o meu amor escreveria “a periferia da União”… tão querida).
Eu tenho ficado calado – mas agora não posso, ou rebento. É que ESTE PPD/PSD é o pior PPD/PSD de sempre. Sá Carneiro às voltas no túmulo, Balsemão impávido, Cavaco à beira de uma úlcera partidária e todos os barões de peso do partido calados ou a armar guerras ao seu palhaço de Lux, ao seu Dantas, este partido deixou de ser partido: é um espectáculo de circo.
Eu prefiro que o país seja governado por políticos, mesmo que novatos e tal, do que por malabaristas e coristas.
Por tudo isto, irmãos, redigi este manifesto e as mais palavras que, estou certo, hão-de vir nas próximas semanas. Que cada um que me leu respire fundo e medite no que leu. Que aja como a sua consciência ditar. A minha dita isto: votar PS e colocar-me humildemente ao serviço do próximo governo para ajudar, se o meu contributo puder ser útil, no que toca à Sociedade da Informação, que tem sido a minha praia nos últimos 15 anos, acho que aprendi umas coisitas. Lá porque não tenciono – em circunstância alguma! – perder a minha independência, tenho porém o dever de alertar os meus leitores e de agir como entendo que devo agir.
Posted by pTd at 03:01 PM | Comments (38)
Manifesto político - teaser 4
Aí, meus irmãos, a culpa é sobretudo nossa – vai sendo tempo de nos confessarmos e pagar pelo pecado da melhor forma: lembrar quem realmente mandou no país nos 30 anos que já lá vão sobre Abril de 74, lembrar quem realmente conduziu Portugal ao actual estado de coisas, lembrar quem esteve ao leme do governo, da economia do Estado, das empresas do sector público e também do privado. Lembrar que se o país está na merda em que está, a responsabilidade é de quem o trouxe até ao esgoto. E quem nos trouxe até aqui, quem foi, quem foi?
Posted by pTd at 12:29 PM | Comments (1)
Manifesto político - teaser 3
Temos uma classe dirigente com escassez de neurónio. A culpa em grande parte é nossa, nossa da sociedade, do país. «Não podes ter uma nata maravilhosa a partir de um leite magro» –- diz-me a minha deliciosa mulher enquanto penteia as deliciosas melenas negras. Como de costume, tem razão. Sendo nós um país atrasado e pobre, é natural que a nossa elite seja uma elite pobre e atrasada.
Posted by pTd at 10:29 AM | Comments (1)
Manifesto político - teaser 2
Não aguento mais. Decidi publicar um manifesto político. Sirva este manifesto para alertar as consciências que não o tenham sido ainda pelas trapalhadas inacreditáveis dos políticos em exercício de Poder (sim, meto no mesmo avião para a Sibéria o nosso inefável PR). Alertar, dizia, para a grave situação em que a classe política em debandada nos últimos anos deixou o País mergulhado.
Posted by pTd at 08:29 AM | Comments (1)
Manifesto político - teaser 1
O problema de Portugal, queridos irmãos, não somos nós, lúmpen proletariado, não sois vós, blogoriato pequeno-burguês, estudantes avulsos, pequenos e médios patrões e respectivos pequenos e médios funcionários – nem mesmo o gajo que desviou os fundos estruturais destinados à educação dos trabalhadores da sua empresa para comprar um T-2 para a amásia no Cacém de Baixo.
Posted by pTd at 12:34 AM | Comments (2)
janeiro 03, 2005
Blogue do ano 2004
Já toda a gente deu o prémio de blogue do ano a toda a gente. Falto eu, desculpem, estive de vacanças.
E o prémio de blogue do ano vai paraaaaaaaaa... As ruínas circulares.
O blogger do ano é sem dúvida João Pedro Costa (e vão dois, pá, desculpa o mau jeito).
Posted by pTd at 10:09 PM | Comments (10)
Última hora!
Meus, vou beber uma Superbock ao jantar! Não bebia cerveja há tanto tempo que já me esqueci da última vez!
Posted by pTd at 09:31 PM | Comments (1)
We are back!
Depois de umas (curtas...) férias aproveitando este período de menor exigência da douta (vénia) clientela do weblog.com.pt, retomo a actividade a pleno vapor, tuuut-tuuuuuu. O correio acumulado será despachado entre hoje e amanhã, dia 4, seguindo as duas ordens naturais: assinantes | data de entrada. Um pouco mais de paciência, ok? As férias foram óptimas, revigorantes mesmo, muito sexo (YES!) e leituras e conversas e tardes na praia da Costa de Caparica (pois... que pensavam, que eu tinha guito para ir a Varadero, não?), obrigado pelos votos queridos clientes e leitores em geral. Deram também para encontrar um novo lar para mim, agora a dois passos da minha querida filha e no epicentro blogueiro do país e arredores. As mudanças estão em curso mas não ocuparão tempo de trabalho.
O vento na carola (tenho uma irmã sarcástica nos rebaptizanços...) vai voltar ao ritmo do costume, isto é, absolutamente errático, cinco posts num dia e zero noutro, tanto faz.
Count me in, gentes.
Posted by pTd at 08:47 PM | Comments (5)
Do desejo e da tranquilidade
Conduzia absorto entre as luzes do tráfego. O negrume novo da noite despontante era retardado, numa luta precária, pelos candeeiros da Ponte entre as duas margens, a errada -- onde fora levar Cristina no dia da retoma das aulas -- e a certa, a Sul, a deles. Em cada hectómetro de macadame Manuel deixava para trás os pensamentos antigos, substituídos com vantagem pelas vibrações de novo amor.
«Que fizeste tu para mereceres ser amado?»
A pergunta antiga voltou como um fantasma. Manuel não sabia a resposta. Sabia simplesmente que a pergunta era descabida; o amor não é um julgamento - prévio ou posterior - nem um prémio por bom comportamento.
«Essa visão judaico-cristã do amor como prémio de bondade é o azar da tua vida, foi por ela que não soubeste amar-me. É a tua traição pessoal. É a tua garantia para a infelicidade que insistes em fazer o teu lar.»
Esta resposta malévola, não a disse na altura certa à pessoa certa. Como era (mau) hábito nele, só lhe vinham as respostas muito tempo depois - quando era demasiado tarde. Fez o que podia com o pensamento: olhou uma clareira remota no horizonte, entre duas nuvens que filtravam o último suspiro dourado, embrulhou-o numa derradeira embalagem de tristeza e -- sem atar a fita -- arremessou o pacote pela clareira, para cair do outro lado do oceano.
Ana é uma mulher mais dada ao espírito ruminante, circular, que à amplitude da natureza pelo que não saberia o caminho para o outro lado do oceano.
À sua frente o trânsito melhorou e a sua disposição seguiu o verde do semáforo. Ou teria sido vice-versa, a luz mudou vergada ao seu estado de espírito? Não ficou registo da verdade do momento porque, desembaraçado de tal minudência ocupacional, Manuel fitava já o novo destino à sua frente, à medida que os metros eram engolidos e ficava mais próximo da margem certa.
Quando virou para Almada piscou o olho ao cruzamento. Escreveu na memória o sms a enviar a Cristina para lhe alegrar a saída da aula de mestrado. Dizia o seguinte (devidamente traduzido para Português): na ausência de ti, o desejo que me queima é inversamente proporcional à tranquilidade que me preenche a espera, meu amor.
Posted by pTd at 07:45 PM | Comments (1)
janeiro 02, 2005
Da ponderação
Decidiram viver juntos mas resolveram dar um tempo; afinal o dia seguinte era domingo e estava tudo fechado.
Posted by pTd at 01:06 AM | Comments (4)
Contra ventos e marés
«Se tu e eu fôssemos um barco, um veleiro, se os nossos corpos se fundissem num único objecto com essa natureza, que parte seria eu dele?». A pergunta saiu direita ao olhos dele, passeou-lhe nos dedos metidos no cabelo, ficou suspensa numa interrogação inaudível.
«Se eu fosse um barco contigo, tu serias a quilha» - respondeu e os olhos dela pronto humedeceram. «Foi o que pensei que responderias quando antecipei perguntar-te», disse comovida antes de perguntar «e que parte achas que eu direi que tu serias?».
«Eu sou a vela. Eu levo-te. Tu dás o equilíbrio, eu a força motriz».
«Claro» - sussurrou ela antes dos seus lábios desembocarem na boca dele.
Reconhecidos, nessa noite dormiram muito abraçados.
Posted by pTd at 12:19 AM
janeiro 01, 2005
Manifesto anti-Lopes versão alfa
«Não podes ter uma nata suculenta a partir de um leite magro» - disse ela enquanto arrumava a roupa, depois de ler dois parágrafos sobre a falta de elites dirigentes no rascunho do Manifesto anti-Lopes que ele redigia. Conscienciosamente ele incluiu a frase no Manifesto em versão alfa.
Posted by pTd at 10:30 PM | Comments (1)