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fevereiro 28, 2005

Isto não é nada bom sinal

A UMIC abriu concurso para preenchimento de vagas no seu quadro de pessoal. É inquestionável que a acção é legal; é questionável que a acção seja politicamente correcta uma vez que há um novo governo. Até aqui, eu sigo a conversa.

Já não sigo é a partir do momento em que vejo de onde provém a contestação. Não é sequer de gente ligada ao futuro Governo. É, sim, dos ressabiados da antiga mudança de governo, quando o PSD/CDS decidiu mandar para o lixo os desenvolvimentos em matéria de Sociedade de Informação e Conhecimento (SIC) levados a cabo pela equipa de Guterres. E dos boys candidatos a jobs na área.

Para mim é líquido que os ressabiados foram na altura, há três anos, injustiçados. Para mim é líquido que tal não lhes dá direito algum a reivindicações nesta altura.

Para mim é ponto assente, diversas vezes aqui divulgado, que o executivo de José Barroso se portou mal ao mudar radicalmente as coisas, destruindo trabalho competente já realizado. Para mim é ponto assente que tal não justifica que o governo de José Sócrates faça o mesmo.

Para mim é líquido que os dois governos de coligação defenderam e defendem uma coisa e fizeram outra. Defendem (agora apontando o dedo ao futuro "choque tecnológico" antes mesmo de o conhecermos) que a SIC deve ser deixada à sociedade civil, mas fizeram o contrário. Quem mais fez pela SIC em Portugal, desde sempre e incluindo os dois últimos governos, foi o Estado. No caso através da UMIC. Isto em dois governos que defendem a iniciativa privada no sector (e voltarei a este tema pois é uma monumental estupidez histórica defender tal coisa, demagogia da mais pura: a inovação nas tecnologias de ponta, em Portugal como na UE como nos Estados Unidos veio SEMPRE do Estado ou de muito perto dele e a iniciativa privada a única inovação que trouxe foi na forma de facturar com a inovação tecnológica promovida pelo Estado, sendo absolutamente contrária à ideia de introduzir posteriores inovações pela simples razão de que estas acarretariam menos lucros).

Concorde-se ou discorde-se da tendência política na chefia do executivo, a UMIC fez o seu papel: foi um pólo de inovação. Constante. Ver que já a querem destruir, na semana a seguir às eleições, não é bom sinal. Não é nada bom sinal.

PS: Perguntam-me: quem é que quer acabar com a UMIC? Ok: se houver mais reacções, eu faço os links. Afinal, está tudo publicado online com os nomes dos inquisidores.

Posted by pTd at 04:12 PM | Comments (8)

Ânsia

Estava a limpar pacientemente cada milímetro do aquário quando a Pope, pousando o portátil, retomou de chofre a discussão da semana:
- Você ficou realmente ciumento com aquela conversa que tive no MSN?
O Amigo respirou fundo, recitou interiormente "a vida é bela. Preciosa. E não a devemos desperdiçar" cumprindo o ritual aprendido na última sessão com o seu Mestre Zen, até que finalmente respondeu:
- Não. Apenas ansioso.

{ Love To Love You Baby, Donna Summer }

Posted by pTd at 09:29 AM | Comments (2)

fevereiro 27, 2005

Adoração

Largando o teclado por um momento, pensativa, virou-se para o Amigo:
- Você acredita no sobrenatural?
Tirando lenta e enjoadamente os olhos das páginas do Heidelberg que tentava ler há duas semanas, sem sucesso, o Amigo fitou a Pope por cima dos óculos de ler ao perto:
- Querida, você sabe que eu só adoro o seu corpo.
Insatisfeita quanto baste mas há muito resignada com as respostas enigmáticas do Amigo, a Pope voltou ao Google em busca de um quadro de Correggio para ilustrar o post.

{ "Are you in the mood" -> Young Django por Stephane Grappelli, Larry Coryell, Phillip Catherine e Niels-Henning Ørsted-Pedersen }

Posted by pTd at 09:29 AM | Comments (1)

fevereiro 26, 2005

Quebra de serviço do weblog.com.pt não foi, desta vez, da minha responsabilidade

Bem. Desta vez a quebra de serviço do weblog.com.pt, que durou 12 horas, não foi da responsabilidade nem da máquina, nem das pessoas que a mantêm, nem da empresa que a sustenta. Ainda não sei as origens da invisibilidade do servidor entre as 20:30 de sexta e as 8:30 de de sábado, sensivelmente, mas sei que a máquina esteve em cima com todos os serviços a correr normalmente. Fica aqui o registo. Com um grande suspiro de alívio, porque temi o pior quando estamos mesmo, mesminho perto da migração final para os novos servidores (lá para terça ou quarta). E com o pedido de desculpas que infelizmente já se tornou um hábito no último mês - mas desta vez sem que nós próprios saibamos por quem as estamos a pedir.

Posted by pTd at 09:55 AM | Comments (3)

Só gosto do que é importado

A Pope andava abespinhada desde que umas colegas lhe tinham dito que o Amigo andava nos chats com uns coiros do Porto. Quando o apanhou a jeito, estava ele a limpar a agulha do decrépito pick-up, disparou:
- Querido, tem ouvido MPP?
- Rica, eu oiço mp3 todos os dias. Que quer em concreto?
- Não se faça parvo, fofo - disse a Pope julgando que ele estava a lançar a bola para canto.
- Não a percebo, Pope, você anda muito estranha. Que música quer em mp3? Saco-lhe isso da Kazaa em três tempos, agora que temos o ADSL de 8 MB do Clix.
- Não é isso, querido. Eu perguntei se tem ouvido MPP. Música Popular
Portuguesa. Ultimamente vejo-o muito, digamos, versado em pronúncias do Norte...
O Amigo continuava sem perceber, mas o seu sexto sentido alertou-o de que algo andava no ar.
- Pope, você sabe que eu odeio essas parolices dos sotaques lá de xima...
Vencida, a Pope decidiu deixar cair a conversa. Voltaria noutra altura, a abordagem tinha sido manifestamente errada. Voltou as costas ao Amigo. Mas este subitamente lembrou-se de uma conversa semelhante há uns meses e decidiu cortar o mal pela raiz.
- Pope, você anda outra vez a dar ouvidos à Carla! Sabe que eu só gosto do que é importado... -- disse, evocando com carinho a ascendência dela, rodeando-lhe a cintura com o braço esquerdo e pespegando-lhe um chocho por baixo do ouvido.

{ GNR, in Que Importa?, album Rock in Rio }

Posted by pTd at 09:50 AM | Comments (3)

fevereiro 22, 2005

Free Mojtaba and Arash Day

Eu participo! Até à madrugada de dia 23, tudo o que (o vento lá fora)* mostra é o banner abaixo. Muda provisoriamente de nome. Vai sendo tempo de ajudar a pôr alguma ordem nisto da blogosfera.

Free Mojtaba and Arash Day

Posted by pTd at 12:01 AM | Comments (8)

fevereiro 21, 2005

O problema é outro

As velhas assustadiças que por aí proclamam a perigosidade do crescimento do BE e do não-afundamento do PCP não estão a ver a realidade. As teses do papão comunista, desculpem, mas na actual sociedade portuguesa não colam nem com cuspo nem com supercola 3. É coisa do passado. O problema do futuro Primeiro Ministro é outro.

O cenário saido da eleições de ontem é deveras curioso e suscita-me a maior das atenções. Nunca a esquerda dispôs de um cenário tão favorável à governação. Por um lado, penso que foi isso que os eleitores quiseram. A direita já dispôs de dois bons cenários e não falhou no primeiro (Cavaco fez, embora tivesse margem e dinheiros para fazer bem mais) mas estatelou-se ao comprido no segundo (o coitus interruptus de Barroso). Certo, então agora é a vez da esquerda ter a oportunidade que nunca lhe demos, parece ter pensado o colectivo do povo português.

Sócrates tem uma responsabilidade que Soares ou Guterres não tiveram. Sócrates está obrigado, como nunca, a mostrar serviço, a fazer um governo forte. Sócrates tem um cheque em branco de saldo bem maior do que a direita temia. Sócrates é a última esperança do país. Esse é o problema.

Para grandes males, grandes remédios. Sócrates dispõe também de uma amplitude muito boa para evitar qualquer "ameaça" proveniente da esquerda -- e esta, do PCP ao BE, sabe disso e se se esquecer está tramada. Sócrates pode (e deve...) ouvi-la e concertar-se com ela na medida do integrável na função governativa (há boas propostas nos terrenos sociais). E descartá-la violentamente quando não for integrável (caso da orientação económica).

Com a maioria absoluta, convém recordar ao povo para que este não se babe em frente às referidas velhas assustadiças, Sócrates tem o PCP e o BE bem controlados. O problema não virá da esquerda. O problema é outro.

O problema é fazer uma omelete governativa decente com tanto condimentos (o atípico cenário de distribuição de votos) mas poucos ovos. Sócrates pode até ter um plano. Precisa de pessoas que o executem.

Os directos eleitorais das massas aplaudentes são uma seca - mas ontem uma senhora de bandeira em riste no Rato sintetizou TUDO numa frase, algo como isto: «o povo está exausto e pobríssimo». Com os seus ares de "eu é que sei o que é bom para a economia", a direita desenvolve sempre os seus governos a favor das minorias da parte superior a pirâmide social. Digamos o que se nos aprouver, escolhamos estas ou outras palavras, à medida de cada um, não há forma de escamotear esta factualidade. Resultado invariável dos ciclos de direita: massas e massas de (des)empregados por conta de outrém com bolsas depauperadas e auto-estima mais baixa que barriga de jacaré. Para mim, que estou habituado a ver conjuntos e não sub-conjuntos, é no mínimo curioso que os pensadores da direita não consigam perceber isso.

Foi esse povo exausto e pobríssimo que virou o leme do país "à esquerda". É para um conjunto que se governa e não para sub-conjuntos. Como Marcelo Rebelo de Sousa tem razão ao dizer que é uma miragem tentar governar para todos, a democracia é feita de ciclos. Isto é tão simples, porque o complicam?

Posted by pTd at 01:16 PM | Comments (6)

Dos derrotados

Grande derrotado #1: coligação governamental PPD-PSD/CDS-PP. Há apenas três anos o povo deu-lhes carta de alforria para governarem. Em apenas três anos desiludiram de tal forma o eleitorado que este lhes respondeu com a mais copiosa derrota em eleições legislativas democráticas.

Grande derrotado #2: Pedro Santana Lopes. Há três responsáveis maiores pela derrota da direita e PSL é o mais visível deles. Juntamente com José Barroso, desbaratou o capital de votos e confiança de que o PPD/PSD historicamente dispunha. O PSD não merecia os dois últimos líderes que teve. Não penso sequer que seja o PSD um grande derrotado destas eleições. É nitidamente um problema de pessoas (e da forma como se comportam em funções governativas) e não de partidos ou orientações políticas. Com Barroso (apesar das suas fraquezas) e Ferreira Leite, nada disto tinha acontecido.

PSL é um problema para o partido. Espero que o PSD se recomponha. É verdade que tem demonstrado uma grande capacidade de auto-renovação. Mas desta vez as incógnitas são maiores e os tempos em que as grandes figuras faziam política já lá vão. (A propósito, ler este texto de Pedro Sales no Barnabé para aprofundar o tema: a regeneração desse grande partido fundamental à política portuguesa é tudo menos um dado adquirido, infelizmente - não escreveu Sales mas escrevo eu.)

Grande derrotado #3: Paulo Portas. Acima de tudo, as massas eleitoras (oh, a democracia é uma chatice!) não deixaram passar em claro a sua demarcação das responsabilidades governativas. Sempre achei que assentar a estratégia eleitoral numa de "não fui eu, foi aquele menino" era um disparate. Aparentemente, o eleitorado também não gosta de políticos irresponsáveis. Não lhe fica mal, convenhamos.

A direita sai derrotada às mãos do trio Barroso, Lopes & Portas. Queixem-se os seus segundos e terceiros, queixem-se acima de tudo os seus ex-ministros que quiseram e foram traídos. O povo vingou-os. Que a direita regenere as suas lideranças -- tendo aprendido a lição.

Adenda
Grande derrotado #4: Alberto João Jardim. Devido ao "cordão sanitário" que há tempos coloquei em torno deste nome, nem o referi inicialmente mas é imperioso abrir o cordão e apontar o dedo. O empate de 3-3 em deputados na Madeira só pode significar uma estrondosa derrota para o Grande Líder. O mais sonoro dos estrondos que ontem se ouviram à direita acabou por passar quase despercebido no meio da barulheira. É o princípio do fim de Alberto João Jardim. Já não era sem tempo. Obrigado, rapazes e raparigas do meu lindo Portugal.

Posted by pTd at 12:56 PM | Comments (1)

Dos perigosos extremistas

Paulo Portas e, infelizmente, alguns comentadeiros televisivos e até directores de jornais antigamente respeitados, não tiveram pejo em classificar de "perigoso para a democracia" o Bloco de Esquerda. O que levou a sardónica Paula, mãe da minha filha, que votou BE ajudando a eleger Fernando Rosas em Setúbal, a gozar com JMFernandes: ela, uma feroz trotskista a dinamitar a civilização?

Portas (Paulo) conseguiu mesmo passar o sermão ao povo: Portugal é o único país do mundo (disse ele) onde os extremistas da esquerda têm quase tantos votos como o distinto partido a que ele presidiu nos últimos sete anos.

Podia eu encolher os ombros e responder-lhe, como certamente fez todo o povo português (incluindo mesmo alguns dos 7,qq coisa que nele votaram), um inquiridor: e...?

Mas não. Sou mais palavroso, caro homónimo. O BE do seu irmão Miguel é, no seu extremismo de esquerda, tão perigoso para a democracia como o partido da extrema direita portuguesa. Um não é menos extremo do que o outro. Logo, um não é menos perigoso que o outro. Não se esqueça dos seus comprimidos -- e dispense uma lamela a Marcelo Rebelo de Sousa que, talvez dado o adiantado da hora, conseguiu também fazer passar o seu "receio" dos "trotskistas" condicionarem o Governo. É tão válido dizer isto como afirmar que os neo-nazis do CDS-PP condicionaram o PSD -- e tanto condicionaram que em 2001 lá lhe deram um chupa-chupa governativo. Porque carga de água levam agora a mal que o Portas (Miguel) também queira? Tenha dó. Olhe: uma temporada nas termas?

Posted by pTd at 01:05 AM | Comments (3)

Já não se pode confiar na criadagem

Acabo de ver Luís Delgado, na SIC, a despedir o sr. Lopes sem uma palavra de solidariedade ou apreço.

Posted by pTd at 12:51 AM | Comments (2)

fevereiro 20, 2005

Da Enciclopédia

O nosso amor é maior que a Enciclopédia Britânica, disse ele a páginas tantas.

Posted by pTd at 09:28 PM | Comments (4)

Lá tramámos Sócrates

Bem... os portugueses são tramados. Decidiram dar ao eng. José Sócrates a maior dor de cabeça da vida dele (so far): formar um governo à altura da votação maciça à esquerda, que NINGUÉM neste país se atreveu a predizer.

[ A meu ver cairam por terra algumas das grandes falácias que marcaram a comunicação social (ok, ok: os ditos opinion-makers que nela escrevem). Por exemplo: que a Comunicação Social é "de esquerda". Viu-se... Vá, toca lá a substituir algumas das luminárias que nos andaram a tentar convencer que o CDS-PP ia até ultrapassar os 10% que Paulo Portas colocou como meta por rapaziada com os miolos no sítio. ]

O pior está para vir. Quero ver como é que o PS vai fazer um governo sólido, para os quatro anos que aí vêm num novo ciclo político em que ninguém (excepto eventualmente Fernando Rosas) acreditava até às 20:00 desta segunda feira histórica. Acabo de reservar lugar no camarote :)

Posted by pTd at 09:09 PM | Comments (3)

É bom ver os amigos!

Caracoles, não sabia do meu amigo sulfurio há uma mão-cheia de anos e nesta bela segunda-feira vejo o mail e ele criou um blogue! Bem vindo, sulfurio! Espero que não tenhas mesmo mão (no caso, dedos) em ti e nos brindes com os belos nacos de prosa a que me habituaste nos tempos em que em vez de blogues escrevíamos em sites e homepages. Mas olha lá, passaste-te para o lado dos medricas? Quéquéisso de ter os comentários fechados? Ou andas ainda a apalpar os cantos à casa?

Posted by pTd at 03:46 PM | Comments (2)

Vitória!!!

Não, não se trata das eleições. A vitória é a minha sobre os spammers. A batalha durou mais de duas semanas, com uma média de 5.000 comentários e trackbacks enfiados diariamente no sistema pelos criminosos. Os filtros como o MT Blacklist fizeram uma parte, deixando visíveis cerca de um terço deles e eliminando dois terços. Mas o problema é que o MT Blacklist consome tantos ou mais recursos que as entradas dos comentários e trackbacks. O servidor chegou a ter várias negações de serviço nas piores alturas.

Os efeitos, toda a gente os sentiu. Além da lentidão do serviço ao longo de períodos destas duas semanas, muitas vezes não se conseguia comentar em nenhum blogue, noutras comentava-se nuns e noutros não. A explicação: durante os ataques a única maneira de evitar que o servidor se vergasse por completo, tornando os blogues inacessíves, era apagar temporariamente os ficheiros (cgi) que permitem comentar.

Nos últimos quatro dias o fluxo maldito diminuiu. Não cantei vitória antes do tempo, não fosse a acalmia dever-se aos próprios criminosos do spam e não às minhas acções preventivas. Hoje, porém, confirmei. A média diária de spam baixou para menos de 200 comentários por dia e os recursos do servidor mantiveram-se estáveis, mesmo nos picos de actividade (as horas de ponta normais da blogosfera: 16:00->18:00 e 22:00->01:00).

A acção não está completa, mas o pior já passou, não restam dúvidas. Bom prenúncio para a semana que vai entrar e na qual, se nada correr mal, ao actual servidor será finalmente dada a merecida reforma, sendo a função assegurada pelas duas máquinas da parceria com a Chip7 que já se encontram no datacenter da NFSI em Lisboa (em breve publico fotos). A arquitectura tecnológica do projecto, a cargo do Frederico, contempla um esquema em que cada máquina fará um serviço diferente: uma leva com as bases de dados, a outra com a geração dinâmica dos conteúdos (o busílis do MT...) - mas de forma a que qualquer delas assuma de imediato o serviço da outra no caso desta falhar. Ou seja, redundância de serviço, de forma a evitar apagões.

Aproveito para duas informações importantes: 1) a todas as subscrições será adicionado um mês suplementar gratuito, como compensação pelas últimas semanas de serviço deficiente; 2) com os novo servidores é feito um upgrade ao Movable Type, que passará para a versão 3.15.

Darei notícia do dia em que as máquinas entrarem ao serviço, uma vez que nesse dia, e durante o par de horas, no máximo, que demorar a troca, o sistema estará indisponível.

Posted by pTd at 12:51 PM | Comments (5)

fevereiro 18, 2005

Das falácias II: a campanha exemplar de Socrates

Ao contrário de praticamente todos os analistas e "analistas" políticos, penso que Sócrates fez uma campanha muito boa, quase sem erros. Começo por estes. Foram dois.

Um: relevar tanto o seu agradecimento a Guterres e respectivos ministros de má memória. Que fique claro: o erro consistiu em dar tanto relevo, não propriamente no gesto. A gratidão é um valor. Sócrates agradeceu-lhes -- e acho iso positivo, revela que o homem tem consideração pelo camaradas de luta, no caso num Governo difícil. Aos meus olho ganhou pontos. Podia era ter sido mais discreto.

Dois: Lúcia. Ajoelhar perante o pior caciquismo católico do país, o emanado de Paulo Portas e dos políticos beatos e não, como seria normal esperar, do aparelho da igreja, foi um erro imperdoável. Não conheço nenhum católico das bases que, por muito respeito que tenha (tido) pela defunta, ache bem parar o processo eleitoral por causa da morte de uma freira.

Vamos ao lado positivo. O pelotão dos analistas, com a camisola amarela a mudar de José Manuel Fernandes para Bettencourt Resendes para Miguel Sousa Tavares, critica a campanha por a) Sócrates não ter explicado o que irá fazer, a.1) caso ganhe com maioria absoluta, a.2) caso não ganhe com maioria absoluta, b) não ter feito promessas, c) não ter legitimidade para PM por ser desconhecido dos eleitores.

[ Foi por esta altura que fiquei praticamente convencido, a despeito das sondagens darem ainda tanta incerteza, que a maioria absoluta está quase no papo: as opiniões dos analistas são tiradas a papel químico da primeira maioria absoluta de Cavaco Silva, que nada explicou, nada prometeu e era desconhecido dos eleitores. Bom prenúncio, portanto. ]

Começo pelo ponto c), falácia #2. À notória excepção de Jorge Sampaio, que se candidatou a PR depois de ter feito obra (enfim...) na câmara mais visível do país, não recordo nenhum outro PM ou PR que fosse eleito com base em obra feita ou conhecimento dos eleitores (é nesse sentido do conhecimento pelas experiências anteriores que falam os analistas, não é de certeza pelo conhecimento mediático, pois dificilmente se arranjavam dois candidatos mais conhecidos dos púlpitos mediáticos que Sócrates e Lopes). Quem eram Guterres?, Cavaco?, sei lá, quem era o próprio Soares (para PM, para PR é outra loiça)? E Barroso? Ex-ministros mais ou menos visíveis, menos ou mais apagados. Sócrates também.

Outra falácia: não é por se explicar o que se vai fazer que se ganham eleições, é por se cativar o eleitorado e o convencer de que se está à altura da tarefa. Ou por se conseguir passar uma mensagem de renovação. Sem paixão consegue-se compreender: a história da democracia, na Europa mais que nos EUA, passa por aí, não passa por programas bem delineados e melhor explicados às massas ululantes.

Atalhando, que era capaz de passar a tarde a desmontar a argumentação dos analistas, à excepção de Vasco Pulido Valente (vénia profunda ao Grande Mestre Que Não Papa Grupos E Muito Menos Os Grupos Do Mediatismo Mais Bacoco Que É O Auto-convencimento Dos Analistas Camisola-Amarela). José Sócrates foi aos livros e seguiu a única estratégia de campanha eleitoral que já deu provas, neste país, de poder levar um partido à maioria absoluta. Abriu a cartilha de Cavaco Silva e inspirou-se. Até nos tiques de arrogância, de comando. Estes colhem: o eleitorado médio português (ainda) é sensível ao discurso com laivos de ditatorial. Talvez confunda tais laivos com "pulso firme" e com capacidade, não sei -- nem importa no caso. O caso é este: José Sócrates jogou as suas cartas muito bem, não indo atrás das elites da opinião mas sim movendo-se na teia psicológica das massas eleitoras. Perante isto, se o PS não ganhar com maioria absoluta, foda-se, como o meu chapéu.

Posted by pTd at 01:41 PM | Comments (10)

Das falácias I: viva Jerónimo!

O melhor da campanha eleitoral que José Manuel Fernandes diz que acabou quando o Público de hoje saiu para as ruas mas é mentira (falácia #1) pois só acaba logo à meia noite de hoje, sexta-feira, dia 18 de Fevereiro de 2005, dois dias antes das eleições, foi para mim a revelação Jerónimo de Sousa. Quando ele ascendeu ao cargo escrevi aqui que era o fim do PCP. Reconheço. Que fique em acta. O pTd errou: com Jerónimo de sousa, o PCP pode viver. É possível (conheço bem os inquilinos com direito a voto deste país) que não suba eleitoralmente. Mas agora tem um rosto humano, um homem, um político pragmático que olhará às necessidades do presente e não agirá movido pelo passado.

O PCP e os comunistas (e grande parte da esquerda não-PS) podem agradecer, com vénia, ao homem que, sozinho, carregou com o partido às costas nesta difícil batalha. Faz lembrar quando o Eusébio carregava o Benfica ou o Oliveira o Sporting.

Posted by pTd at 12:59 PM | Comments (2)

fevereiro 14, 2005

Do amor underground

Beijavam-se inevitavelmente em parques de estacionamento, passadeiras, largos e escadas. Afinal de contas viviam um amor underground - pensaram.

Posted by pTd at 11:06 PM | Comments (1)

Vejam lá, não se incomodem

Pelo caminho que isto começa a tomar, acho melhor deixar já o aviso: quando eu morrer ESTÃO PROIBIDOS de declarar luto nacional por minha causa. Vejam lá, não se incomodem.

Posted by pTd at 01:05 PM | Comments (9)

Nem é bom nem mau: é triste

Caro eng. Sócrates (e aparelho): passado o meu ímpeto inicial (caramba... ver a Irmã Lúcia equiparada, por força das circunstâncias da campanha que desmoraliza a Direita, a um Sá Carneiro, deixa qualquer um descolhoado) reflecti um pouco sobre as suas (vossas) motivações para se colarem às acções do Drs Portas e Lopes. Em termos de caça ao voto, e até mesmo em termos de imagem para os media, penso que o gesto é inócuo. Nem é bom nem é mau: é apenas triste.

Posted by pTd at 12:40 AM | Comments (4)

Por causa da Lúcia? Jasus, ao que isto chegou!

Pensei que era uma piada. Fui a correr ler. Não era piada. Deu na TSF. Dois partidos políticos suspenderam a campanha política e um outro partido suspendeu as acções festivas, prosseguindo embora com as acções "não-festivas", porque uma freira morreu. Uma freira acamada há anos, desaparecida de circulação, a que já ninguém - a começar pelos mais altos dirigentes dessas agremiações políticas - ligava pêvas. Uma freira que se distinguiu das outras pelas suas alucinações de há 80 anos morre e os políticos páram o que estão a fazer, benzem-se e desatam a correr para Lisboa, não vão as câmaras no funeral não os filmar?

«'O PS não está assim tão longe do PSD como se pensa. É nestas palhaçadas que se nota bem» - dizem aqui ao lado para o telefone. É a pura das verdades, penso eu. Venderem-se à putativa hipótese de ir buscar meia dúzia de votos, não mais do que isso, a velhinhas do Interior? Foda-se! (Irra! - para os leitores sensíveis.)

Pois. Acho que o erro está em mim. Diziam (e escreveram na Constituição e tudo) que isto era um Estado laico e eu pimba, engoli isco, anzol, cana de pesca e tudo. Vómito. Não é. É uma fantochada pegada. E foi neste preciso momento em que vi o PS nitidamente aos papéis com a perspectiva de meia dúzia de beatas das berças acharem que aquele engenheiro bem parecido é afinal o Diabo em forma de político se, vade ao rectro, não fingir muito cristãmente verter uma lagrimeta pelo estupor da velha, a partir deste preciso momento, dizia eu, acho que perderam a hipótese de se chegarem à sua primeira maioria absoluta. Quem treme assim não merece - pensará o povo, mesmo o povo cristão, que para a chata da Lúcia (não há pachorra!) já deu há muito tempo. Isto excepto, claro está, Paulo Portas, o príncipe da beataria.

Posted by pTd at 12:08 AM | Comments (7)

fevereiro 11, 2005

Da irrelevância estatística

Escrevi um comentário-resposta a MatosB, no atuleirus, e depois de reflectir achei que valia a pena a promoção a post. Fica abaixo, mas não deixem de ler o que o engatilhou aqui.

Um blogue é uma coisa simples. Poderosa? Eventualmente. Se o autor souber usar a palavra (ou a imagem) e tiver alguma coisa de novo / de especial / de interessante para dizer aos outros, pode ter um blogue (ou parte de um) poderoso.

Nisso o blogue é revolucionário: veio permitir a livre expressão individual em jeito de mass media a muitos mais milhões de indivíduos do que até aqui qualquer tecnologia (conjunto delas) fizera.

Mas só nisso. Não posso dar para os peditórios do e-cidadão e da e-cultura, enquanto novos paradigmas de civilização, pelo simples motivo de termos ainda tão pouca gente capaz de se expressar devidamente pelos blogues. Na mais simpática das hipóteses temos 0,1 por cento da população mundial a editorar blogues e talvez 0,5 por cento a lê-los. É o que se pode chamar uma minoria estatisticamente irrelevante. Logo, como acreditar nalguma "revolução" levada a cabo por tão mínima e irrelevante minoria?

Mesmo num país tecnologicamente avançado como os EUA as percentagens continuam a ser irrelevâncias estatísticas -- sobretudo se consideramos que não reflectem de todo as quotas sociais das várias populações que constituem os Estados Unidos.

Compreendo os excessos de entusiasmo dos catedráticos americanos (suponho, caro MatosB, que se referia a cidadãos dos EUA e não ao subcontinente da América do Norte como um todo). Mas penso que estamos muito longe da pretensão de "dar Internet" ao povo e obter com isso um povo "educado" e "participativo" e até "cultural", seja lá isso da cultura o que for.

As firewalls, caro MatosB, tem toda a razão: temos tantas firewalls ainda, e em coisas básicas como a água...

Os blogues serão um contra-poder de elite. A influência dos blogues na sociedade só se consegue medir na forma como a elite-leitora recebe a elite-editora. Tragam o microscópio!

Posted by pTd at 10:50 PM | Comments (9)

fevereiro 10, 2005

Os dias forrados a amor

«Se estiver a chover
Eu serei o teu chapéu de chuva.
Em nevando
Eu serei o teu
anorak
Revestido a pele.
Nos dias de nevoeiro
Sou os teus faróis amarelos.
Com muito sol
Tens-me por bronzeador,
Ou como óculos espelhados,
É-me igual.
Quando estiver muito frio
Amor,
Serei a tua lareira
»

Manuel Carreira

Posted by pTd at 12:54 PM | Comments (2)

fevereiro 06, 2005

Brutal!

É brutal! O ataque coordenado dos spammers ao weblog.com.pt foi desferido a partir sensivelmente das 22:25, levado a um DDoS, Distributed Denial of Service. A nossa rápida intervenção evitou o pior: o serviço pode ser restabelecido em menos de dez minutos.

O ataque é, desculpem lá, lindo do ponto de vista técnico (isto é o meu lado hacker, eheh). Foram QUATRO tentativas POR SEGUNDO de introduzir um trackback nalgum dos blogues alojados, conforme se pode observar na curta reprodução de alguns segundos de registo, mais abaixo. Os criminosos (o DDoS é crime em quase todos os países e a tentativa de spamming é enquadrável em diversas molduras penais) andaram a estudar a máquina durante algum tempo, recolhendo todos os endereços possíveis para meter trackbacks (da ordem da centena de milhar, diga-se de passagem). E são dos bons: cada ataque é desferido de um computador diferente e vem com uma "assinatura" no mínimo criativa, sendo simulados praticamente todos os browsers e bots existentes (cf. transcrição abaixo).

Estou a pensar apresentar queixa à Polícia Judiciária. Sei que eles pouco ou mesmo nada podem fazer -- mas é minha obrigação apresentar à sociedade esta espécie de case-study sobre um ataque de spam. Uma das razões que levaram ao actual estado da "arte" (70% cento do tráfego na Internet é puro desperdício - entre spam , vírus e demais lixarada electrónica) é as vítimas (como os ISP) preferirem o silêncio. Erro: agora fodem-se a pagar bem caro o lixo e a respectiva limpeza.

Volto a mergulhar no servidor. Segue cópia de alguns segundos do ataque.

217.219.163.9 - - [06/Feb/2005:22:44:18 +0000] "POST /privado/mt-tb.cgi/50092 HTTP/1.1" 403 429 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 5.5; Windows 98; Crazy Browser 1.x.x)"
194.152.213.198 - - [06/Feb/2005:22:44:18 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/73676 HTTP/1.1" 404 297 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 6.0; Windows NT 5.1; StumbleUpon.com 1.760; .NET CLR 1.1.4322)"
217.74.213.133 - - [06/Feb/2005:22:44:18 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/47409 HTTP/1.0" 404 297 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 6.0; Windows NT 5.1; Hotbar 3.0)"
203.197.169.19 - - [06/Feb/2005:22:44:18 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/3209 HTTP/1.1" 404 296 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; Lotus-Notes/5.0; Windows-NT)"
201.224.75.198 - - [06/Feb/2005:22:44:17 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/124631 HTTP/1.1" 404 298 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; Opera/3.0; Windows 4.10) 3.51 [en]"
81.72.129.41 - - [06/Feb/2005:22:44:17 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/93461 HTTP/1.0" 404 297 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 5.5; Windows 95; Transmission Segment; Hotbar 2.0)"
200.56.232.210 - - [06/Feb/2005:22:44:18 +0000] "POST /privado/mt-tb.cgi/45023 HTTP/1.1" 403 438 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; Opera/3.0; Windows 4.10) 3.51 [en]"
80.58.2.170 - - [06/Feb/2005:22:44:17 +0000] "POST /privado/mt-tb.cgi/16338 HTTP/1.0" 403 429 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 4.01; Mac_PowerPC)"
217.74.213.133 - - [06/Feb/2005:22:44:19 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/52939 HTTP/1.0" 404 297 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 5.0; Mac_PowerPC; AtHome021)"
217.74.213.133 - - [06/Feb/2005:22:44:19 +0000] "POST /privado/mt-tb.cgi/31604 HTTP/1.0" 403 429 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; Opera/3.0; Windows 4.10) 3.51 [en]"
217.74.213.133 - - [06/Feb/2005:22:44:19 +0000] "POST /privado/mt-tb.cgi/3907 HTTP/1.0" 403 435 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 5.5; Windows NT 5.0; AIRF)"
203.112.194.83 - - [06/Feb/2005:22:44:20 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/40140 HTTP/1.1" 404 297 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; Opera/3.0; Windows 4.10) 3.51 [en]"
66.237.84.20 - - [06/Feb/2005:22:44:20 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/74361 HTTP/1.0" 404 297 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 5.5; Windows 95; Transmission Segment; Hotbar 2.0)"
216.208.223.67 - - [06/Feb/2005:22:44:20 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/4151 HTTP/1.0" 404 296 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 6.0; Windows NT 5.1; iOpus-I-M)"
217.74.213.133 - - [06/Feb/2005:22:44:21 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/991 HTTP/1.0" 404 295 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 5.5; Windows 98; Crazy Browser 1.x.x)"
195.205.141.8 - - [06/Feb/2005:22:44:21 +0000] "POST /MT/mt-tb.cgi/74361 HTTP/1.1" 404 297 "-" "Mozilla/4.0 (compatible; MSIE 5.5; Windows 95; Transmission Segment; Hotbar 2.0)"

Posted by pTd at 10:47 PM | Comments (7)

Os factos! Dêem-nos os factos!

Ainda em dia de sugestões (e juro que nada tem a ver com o domingo de Carnaval, que é missa onde não me apanham), registo e faço eco da sugestão de Pacheco Pereira no Abrupto: fazer um fact checking do que disseram os dois candidatos a PM do país. Um dos seus leitores aceitou. Eram bom que mais aceitassem e contribuissem.

JPP já aludira ao fact checking durante a odisseia de comentar o debate no seu blogue. É um bom instrumento da vida democrática, um instrumento ao serviço do cidadão. Muito melhor que debitar opiniões avulsas e anedóticas sobre as marginalidades da campanha ( da política em geral). Dá algum trabalho, pois claro, e aí está porque os portugueses se mostram avessos à sua prática, preferindo os doces caminhos da opinião, que não dá trabalho nenhum.

Pelo meu lado, disponibilizo um blogue dedicado ao fact checking da política nacional. Chama-se (à falta / à espera de melhor nome) Verifiquemos os factos e está ainda em branco, aguardando submissões. Não terei tempo para gerir o blogue pelo que fica o convite a quem tenha disponibilidade e interesse (e isenção, já agora...). Deixe aqui nos comentários o seu e-mail.

Na to do list está para já encaixar o texto integral do debate Sócrates-Santana. As contribuições serão obviamente moderadas (daí a necessidade de o editor do blogue ser isento e independente).

Posted by pTd at 03:59 PM | Comments (1)

Intestino grosso (ou: o testa de ferro)

Sugestão para um dia destes: investigar o passado de Luís Delgado com o intuito de dar a perceber ao mundo (interessado) como é que um ex-jornalista sem história e "empresário" sem dinheiro se tornou em escassos anos num dos homens influentes da comunicação social de Portugal, começando por controlar (domando) a agência noticiosa estatal e estando agora a alcandorar-se ao controlo do maior grupo de media português -- naturalmente como testa de ferro, resta saber de quem.

Posted by pTd at 03:52 PM | Comments (3)

Quando se tem mau feitio, tem-se mau feitio...

«Não é só no teu blog.O estranho é que a falta de comentários parece ser selectivo. Muitos blogs têm os comentários activos...»

Apanhei isto por aí no weblog - e não pude deixar de sorrir. Os insondáveis desígnios da mente humana e essas coisas.

Nos picos da guerra ao spam tive de fazer algo radical: mudei de localização no disco três ficheiros, precisamente os três ficheiros que contém o código dos comentários. Um por cada instalação do MT: a antiga (2.66) e as duas novas, uma dos blogues grátis, outra dos assinantes. Esses ficheiros podem até ter nomes diferentes (mt-comments.cgi, comenta.cgi e outros conforme os blogues) mas são apenas três, o resto são atalhos para eles.

Como é fácil perceber, apagando aqueles três ficheiros NENHUM blogue ficou com os comentários em ordem. O que chegou a acontecer, em certos períodos. Como é normal, os blogues de assinantes tinham o ficheiro devolvido mais rapidamente -- explicando porque em certos períodos havia blogues com comentários e blogues sem comentários.

Apesar disto ser claro há sempre gente capaz de ver em todo o lado conspirações e desatar logo a lançar suspeitas públicas sem o mínimo de verificação prévia. Meu caro amigo anónimo autor dessas palavras: fique calmo que a Inquisição e a Censura são fantasmas de outros séculos. Se estiver mesmo mal, tome os comprimidos.

Posted by pTd at 12:35 PM | Comments (2)

fevereiro 05, 2005

Parabéns D. Vi!

Querida D. Vi, parabéns aqui do çinhor geral pelo seu (número omitido) aniversário hoje celebrado. Espero que a champanheta abunde aí em casa e brinde na companhia do seu Arnaldo e da menina Cèlinha, mailo Cócó. Apertados abraços meus e da Catarina e a Ana manda-lhe um beijo de ternura. E volte depressa que os seus leitores andam tristonhos, tadinhos! Nem que seja para uns posts assim mais telegráficos!

Posted by pTd at 07:59 PM | Comments (4)

As máquinas chegaram!

Fui esta manhã buscar as máquinas à Chip7, loja de Benfica. Mal cabiam no carrito, tão volumosas são as embalagens de cartão. Vieram atravessadas - mas vieram, é o que interessa. Dois belos servidores HP Proliant ML 350 (link), PVP perto dos 450 contos (€ 2.250) cada. Gosto particularmente dos discos: apesar de serem pequenos (72 GB é curto) são Ultrawide SCSI de 10.000 rpm.

Agora é só instalar e ligar. Pois ;)

Foi contratado um perito para a instalação do software, que será praticamente todo open source. As máquinas vão ser optimizadas o mais que for tecnicamente possível para:

1) rapidez (caches e outras técnicas maléficas nas configurações do Apache);

2) fiabilidade (se uma se agachar, a outra avança; para que nunca mais haja blackouts devidos a paragem do hardware, como foram quase todos os sofridos ao longo de ano e meio);

3) segurança (tudo o mais fechado possível, adeus PHP, pessoal que ainda use PHP no blogues fica já avisado que terá de passar tudo para HTML; só fica a porta 80 aberta);

4) potencial (é um recurso carote e tem de ser bem gerido, pois pode ter de aguentar três anos sem upgrade; o MT será instalado de raiz, fresh install, com tudo o que eu e o Frederico nos lembrarmos para precaver os ataques de spam).

Uma vez prontas as máquinas com dois selos de satisfação (meu e do Frederico), será a vez de substituir o excelso e magnífico servidor do weblog.com.pt que se tem aguentado como um herói, com o seu P4 a 1.8 e 1 GB de RAM e disquito IDE de 7.200 rpm, um verdadeiro funil...

Esta operação será também muito delicada: tentaremos fazê-la de forma a que o downtime dos blogues não ultrapasse os 15 minutos em leitura estática e a hora em conteúdo dinâmico, edição de posts e inserção de comentários. Penso que é fazível nas calmas. Tudo será preparado para esses timings serem cumpridos.

Quando será feita esta operação? Quando as novas máquinas forem dadas como prontas e houver disponibilidade no datacenter de Lisboa da NFSI. Em princípio, terça-feira próxima é uma boa data -- mas fica aqui sem garantia. Sintonizem-se em weblog.com.pt: a data definitiva, bem como algum procedimento que seja recomendado, será aí publicada com 8 a 12 horas de antecedência.

Posted by pTd at 07:21 PM | Comments (2)

fevereiro 04, 2005

Ah! Oh! Está quase! (versão em vernáculo)

Alguns leitores não puderam decifrar o meu post dando conta da boa notícia que é a entrega em breve das duas máquinas da Chip 7 para o weblog.com.pt. Pelo que decidi republicar o título desse post, cujo original está nos arquivos aqui, bem como a frase em calão que, sendo um ex-libris do meu avatar pTd, sendo um dos meus recursos de linguagem quando perante determinado tipo de assembleias e leitores (ai ai, se conhecessem o meu amigo Nuno!...), não cai bem a outros leitores meus. Por respeito para com esses, e a bem da versatilidade da Língua Portuguesa vernáculo incluído, faço aqui algumas traduções.

Original do título: Foda-se, tá quase!
Versão 1: Ah, está quase!
Versão 2: Oh, está quase!
Versão 3: Bem haja, está quase!

Original da segunda frase: Pá, deixa-te de merdas: YES! Foda-se! Tá quase!
Versão 1: Olha, deixa-te de comedimentos: SIM! Bravo! Está quase!
Versão 2: Ó, deixa-te de palavrinhas mansas: SIM! Bem! Está quase!
Versão 3: Rico, não seja tão comedido e diga isso alto e bom som: SIM! Viva! Oxalá!

O meu avatar já está avisado. Doravante, tomarei a precaução de fazer a tradução simultânea sempre que entender recorrer a calão e gíria.

Para os meus "outros" leitores, traduzo: foda-se, sempre que tiver de usar estas expressões fodidas e tal, por cada caralhada, pás, lá encavarei junto a puta da tradusseixon para não ferir susceptibilidades aos leitores mais sensíveis ao uso da língua.

Escolha a sua versão de assentimento:
Versão 1: foda-se, tá assente, caralho!
Versão 2: Apre, ficamos compreendidos!
Versão 3: Irra! É ponto assente!

Nota pós-escrita: aceitam-se mais versões. Não quero que falte nada aos leitores d'(o vento lá fora)*.

Segunda nota: «as variedades lingüísticas de qualquer natureza, numa seqüência que compreende a linguagem técnica, a gíria, o calão ou a mera linguagem descuidada, são extremamente importantes no processo de revigoramento e na modernização da própria língua», Volnyr Santos, Doutor em Letras e Professor de Língua Portuguesa e Literatura de Língua Portuguesa (link).

Terceira nota: «Acreditamos que as expressões idiomáticas e o calão são uma parte nobre e rica da língua Portuguesa. Ao mesmo tempo que inclui verdadeiros tesouros, este domínio é frágil e muitas vezes os termos têm um tempo de vida curto.» Projecto Natura em curso no Pólo de Braga da Linguateca (link)

Quarta nota: exemplo de pesquisa no Dicionário aberto de calão e expressões idiomáticas, da responsabilidade do projecto Natura (link), pelo muito popular verbo "foder". Repare-se na riqueza das expressões associadas, em particular as minhas favoritas ( quando não estou a escrever n'(o vento lá fora)*, claro está...) "monta-te num porco" e "dar uma ponteirada".

Resultados

vai-te foder
level -- calão carroceiro
sem -- ordem de não aborrecer e de se ir embora
isa -- interjeição
syn --
1. monta-te num porco
2. vai ver se estou lá fora!

foder
level -- calão carroceiro
sem -- causar prejuízos ou embaraços a alguém
syn --
1. quilhar
2. tramar
3. lixar
4. prejudicar

level -- calão carroceiro
sem -- copular
syn --
1. fazer* amor
2. pinar*
3. quilhar
4. copular
5. dar* uma ponteirada
6. fornicar
7. transar
8. pinocar

Posted by pTd at 12:03 PM | Comments (4)

48 horas alucinantes

O "debate" foi giro e tal, o clube de jornalistas ficou na maior, finalmente começamos a ter políticos capazes de passar mensagens civilizadas num frente-a-frente televisivo, mas deixemo-nos de paneleirices: o frente-a-frente não serviu para nenhum dos indecisos (quantos serão? um milhão de votos ainda sem dono?) firmar qualquer tipo de convicção.

Lá porque Sócrates ganhou, nada muda. Se ele tivesse perdido em TODA A LINHA, eventualmente podia alguma coisa mudar. Eventualmente... Mas não: ganhou destacado (não liguem aos televotos, é obra das gajas de PSL, de Caras!).

Uma coisa é certa, com tantos indecisos nesta altura do campeonato: as últimas 48 horas da campanha eleitoral vão ser alucinantes. Acho que é desta que vai haver merda da grossa (fina sempre houve) no período de reflexão.

Posted by pTd at 12:21 AM | Comments (6)

fevereiro 03, 2005

Inédito: reacções ao debate, sim, mas só com camisa de vénus

O anúncio foi feito discretamente:
«13:12 (JPP)
NOVIDADES
no Abrupto a partir da tarde e uma iniciativa inédita na blogosfera.
»

Fiquei curioso. Até às «18:04 (JPP)
META-DEBATE: O ABRUPTO EM DIRECTO DURANTE O DEBATE SANTANA - SÓCRATES
A partir das 20.30, ou até um pouco antes, o Abrupto iniciará uma série de comentários ao debate em tempo (quase) real.
»

Pensei: bem, de inédito tem pouco - isto para ser simpático. Processos eleitorais já foram seguidos online ainda não havia blogues. Transmissões televisivas de grandes acontecimentos nacionais e estrangeiros idem (e nem vou contar o que fiz e o que foi feito no tempo das BBS). E em Junho último, aquando do Europeu, vários autores, com destaque para o José Mário Silva no BdE, fizeram posts-comentário em tempo praticamente real aos jogos em que Portugal entrou (arquivo de Junho do BdE).

Não segui JPP inédito porque estive a trabalhar num dos futuros livros, erm, deixo esta novidade para depois, enquanto jantava inda catrapisquei a segunda parte do belíssimo debate. Mas claro que depois fui ver como paravam as modas.

Bem... Tratou-se de uma sequência de comentários ao debate moderados. Nem nisso (filtro humano) foi inédita. Que grande trabalheira teve JPP! Seguir a TV, seguir o correio e ir escrevendo e revendo, não é de facto tarefa fácil. Nisso dou-lhe os parabéns: acabou por resultar (ele tinha expresso a dúvida sobre se resultaria).

Não era mais fácil abrir a caixa de comentários? Era. Mas isso colidiria com a linha editorial do Abrupto. Assim, temos ali os comentários dos leitores do Abrupto devidamente filtrados pelo seu editor.

Melhor ou pior que uma sequência de comentários aberta? Haverá partidários das duas formas, com ou sem moderação. No que respeita à memória que fica, sejamos claros: não é por ali que saberemos como efectivamente correu o debate entre os dois candidatos. Uma sequência aberta, não-moderada, reflectiria com mais fidelidade as ocorrências. Mas, claro, também teria mais blixo (contracção de blogue com lixo).

Filtro por filtro, prefiro aplicar a minha própria camisa de vénus. Mas fica o registo da iniciativa do Abrupto e a réplica mal conseguida (eu não devia dizer isto... em parte a falha foi da minha maquinaria) no Barnabé. Onde - que fique em acta - a moderação aos comentários também é praticada.

Posted by pTd at 11:25 PM | Comments (1)

Obrigado Maria João!

Segundo os filhos da puta dos riapas, finalmente o pessoal do Sapo teve uma atitude que já se esperava há muito tempo: baniu-os do portal por violarem as regras. Eles falam em "censura". Cá para mim trata-se de repôr o bom nome do Sapo, que estava a permitir uma ilegalidade dando alojamento a indivíduos cuja conduta é ilegal, imprópria, indigna, imbecil e alarve. Obrigado Maria João!

Posted by pTd at 03:27 PM | Comments (1)

fevereiro 02, 2005

Foda-se, tá quase!

«From: [ ... ]<***********@chip7.pt>
To: "'Paulo Querido'"
Subject: RE: Controlo de banners
Date: Wed, 2 Feb 2005 18:19:20 -0000

Caro Paulo,
As máquinas estão prontas.
Cumprimentos,
*******
»

Há meses que não recebia uma notícia tão boa por mail, assim inesperadamente. É bom chegar a casa, ver o correio e ler isto. O weblog.com.pt vai finalmente sair da entropia em que caiu nos últimos dois meses - para meu desespero, porque não tenho podido mimar a clientela como gosto. Amanhã tratam-se as burocracias finais e a ver se no início da próxima semana se procede, com muita e necessária calma à delicada passagem dos conteúdos e parafernálias técnicas do "velho" servidor (tem um ano...) que já está esgotado. Terá de ser uma transição bem estudada.

Pá, deixa-te de merdas: YES! Foda-se! Tá quase!

Posted by pTd at 10:17 PM | Comments (4)

fevereiro 01, 2005

Spammers atiram weblog.com.pt ao tapete: medidas a tomar

Durante a tarde de hoje, dia 1 de Fevereiro, o servidor do weblog.com.pt foi alvo de um particular ataque de spamming. Que chegou a provocar durante alguns momentos, a espaços, um Distributed Denial of Service (negação de serviço distribuída). O que prefigura crime informático nos termos da lei portuguesa, bem como das leis da maioria dos países.

Infelizmente não é fácil processar spammers, que continuam a agir com a maior impunidade. Graças, em parte, à legislação adpotada pelos EUA e seguida também pela União Europeia, que foi no início demasiado branda - o que teve como consequência tornar virtualmente impossível nos dias de hoje a perseguição e combate pela via legal a essa actividade altamente lesiva para as empresas envolvidas em serviços Internet.

Para terem uma ideia: mais de 70% do tráfego de correio electrónico é constituído por lixo, sobretudo spam, e a modalidade de spam nos comentários dos blogues está a crescer assustadoramente; mais de um terço dos comentários inseridos nos blogues do weblog.com.pt nos últimos três dias são spam.Há um mês essa percentagem não chegava aos 10 por cento.

Se bem que sejam comentários indesejados, um incómodo para editores e leitores, o spam é ainda pior nos efeitos sobre o servidor. Sempre que um comentário é inserido o respectivo blogue é reconstruído parcialmente - implicando o consumo de vastos recursos do servidor.

As medidas antes adoptadas, como a MT Blacklist, já não resolvem o problema. Este filtro acaba por apenas funcionar alguns dias depois dos primeiros comentários de spam surgirem, pois apesar dos automatismos demora sempre algum tempo até que os endereços sejam incluídos na lista negra. Por outro lado o filtro tem pesados custos em termos de consumo de recursos e não é viável para aplicar a uma instalação Movable Type como esta.

O ataque de hoje foi seguido em tempo real com o objectivo de dominar melhor os padrões técnicos dos spammers e escolher as melhores medidas a tomar.

Uma forma de combater o spam é obrigar ao registo prévio. Porém, temos notado que a maioria dos leitores dos blogues da casa não aderiu ao registo no Typekey. Está em estudo um registo próprio do weblog.com.pt. No entanto, como a maioria dos editores que já migraram para o MT 3.1 preferiu importar os templates antigos, não pode tirar partido do registo. A tempo será elaborado um documento de apoio para a rectificação dos templates.

Mas o registo prévio não é solução. Aliás, não há UMA solução para a praga do spam. Só um conjunto de medidas o poderá evitar.

Entre outras medidas a adoptar a breve prazo está a utilização de um sistema rápido de confirmação "humana": o pedido de inserção de caracteres que são apresentados em formato de imagem. Será facultativo.

Outra, mais radical e profunda, é uma medida evasiva que consiste em mudar aleatoriamente a página, ou endereço, do formulário de comentários. É a mais eficaz - pois finta os sistemas técnicos dos spammers, que usam tipicamente os motores de pesquisa e as listas tipo Technorati para identificarem os endereços possíveis - mas envolve a iniciativa dos editores e está ainda a ser estudada de forma a minorar o esforço individual de cada.

Cabe ainda referir que continuamos a aguardar os dois novos servidores que vêm substituir o actual, que já não tem potência e capacidade para dar resposta a este género de picos artificiais. Hoje mesmo fomos informados de que as máquinas estão prontas mas falta-lhes ainda a memória, devido a uma ruptura de stock. Foi-nos prometido que até segunda-feira da próxima semana teremos as máquinas. Só com elas instaladas serão efectuadas medidas de fundo no sistema weblog.com.pt.

Até lá há uma medida que todos podem tomar, em especial os editores dos blogues mais sacrificados: fechem os comentários nos posts de arquivo (de há um mês para trás, por exemplo) que na realidade já ninguém comenta excepto os bots dos spammers. Como já devem ter reparado os spammers nunca vêm comentar posts recentes, digamos do último mês. Com isso estarão a evitar a vossa própria enxaqueca e a contribuir para a saúde geral do sistema.

Posted by pTd at 06:00 PM | Comments (7)