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março 31, 2005
Um jantar em Nova Iorque
Que raio de nome para uma secção! - dirá o leitor. Na verdade, num espaço de escrita-leitura como este -- sem a mínima pretensão a "jornal", "mass media" ou "fazedor de opinião" (o que a alguns soará estranho por ser da autoria de um jornalista) -- não se espera uma relação formal entre a designação dos vários compartimentos e o seu conteúdo.
Um jantar em Nova Iorque, a minha última secção inaugurada a 30 de Março, resulta de uma aposta cujo prémio é, precisamente, um jantar em Nova Iorque - e daí o título.
Simples.
Explicada a designação, vamos ao conteúdo. Vários leitores d'(o vento lá fora)* me foram manifestando, no decurso dos dois anos de existência do blogue, a admiração deles pelas pretensas qualidades minhas na análise política, na vertente sociológica mais que na politiquice do dia a dia democrático. Eu, que comecei nos jornais pelo desporto e daí para cima fiz de tudo o que há para fazer numa Redacção excepto Política Internacional (sim: até dirigi um secção de Economia, justos céus!), não lhes dei crédito. A política não é, de todo, a minha praia - para mais quando vivo, vivemos, tempos intensos ao nível dos novos caminhos das tecnologias onde -- aí sim -- concentro as energias que vão sobrando da suor diário pelo curto pão.
Até ao dia em que me chateei. A sério que me chateei. Vai daí aceitei a aposta (cujo teor não é público em toda a sua extensão). Pelo que, durante um ano, tão religiosamente quanto possível às 8:58 de cada quarta feira, aqui publicarei um texto de reflexão, algo que saia fora do meu registo de repórter no Expresso e de diarista no blogue. Algo esforçado. À cronista verdadeiro...
O ritmo de um por semana pode, claro está, ser alterado para cima, isto é, se a minha verve estiver pelos ajustes poderei publicar mais. O de quarta-feira é o mínimo comprometido.
Claro que vou perder a aposta. Não é por se escrever semanalmente numa base séria que nos tornamos cronistas. Não é cronista quem quer, mas quem tem a arte.
Vou deliciosa e compenetradamente perder a aposta. Mas que importa quem paga o jantar em Nova Iorque? :D
Posted by pTd at 03:42 PM | Comments (2)
Ensaio entre portas
O último lançamento da loja.pauloquerido.com, este livro de poemas de Fernando Esteves Pinto (o principal blogue dele é o Escrita Ibérica). Ensaio entre portas (PVP: € 5,10) é uma edição de 1997 agora recuperada, numa altura em que Esteves Pinto prepara um novo livro, a editar pela leiturascom.net (pelo menos andamos atrás dele...)
Para Abril estão previstas três novas obras de originais, todas com a chancela da leiturascom.net / pauloquerido.com. Dois deles com textos (e imagens) de blogues belíssimos. Portanto, stay tunned!
Posted by pTd at 03:00 PM | Comments (1)
março 30, 2005
O meio é a mensagem
Leio uma reportagem do Diário de Notícias de ontem, intitulada "Revolução da blogosfera pode criar um novo poder". À parte a (dispensável e feia) vénia ao parceiro de grupo económico, o Sapo - único alojador nacional contactado, segundo o aparente critério de ser o maior em termos de número, embora existam três outros de menores dimensões mas de maior impacto no contexto a que o artigo aludirá sempre, que é o da importância dos blogues -, o conjunto de peças está equilibrado.
A interrogação de fundo, percebe-se, é o impacto esperável do "novo" meio de comunicação. Sorrio e lembro-me do meu encontro com Derrick de Kerkoeve. Como ensinou Marshall McLuhan, o meio é a mensagem.
É curioso verificar que - à parte o interesse prematuro pelo "fenómeno" da "moda" que caracterizou o grosso das peças jornalísticas nos primeiros três anos da blogosfera - os poderes, a começar pelos mediático e político, só se interessam pela blogosfera na medida em que esta poderá, ou não, vir a constituir uma ameaça ao seu domínio.
As opiniões corporativistas dos meus camaradas de ofício são politicamente correctas e obviamente esperáveis, bem como as dos professores de Jornalismo. Mas mais curiais são as opiniões que ressaltam do pré-olhar dos jornalistas autores da peça, que a enfocam numa perspectiva de "novo poder".
Há um nítido desejo de, seja por que forma fôr, controlar o output dos blogues. Erroneamente considerados como um todo. Acertadamente vistos como um novo poder.
No mesmo dia o atento MatosB colocava questões mais pertinentes. Os "weblogs jornalísticos" estão a cobro da revelação judicial das fontes? Ou só os jornalistas "encartados"? E mesmo se assim for entendido de forma positiva, quando a fonte revela informação obtida de forma ilícita, continua o jornalista a poder protegê-la? (in Atuleirus)
Não era bem isso, ou não era só isso que MatosB queria perguntar. Ia mais longe: «Mas para além da questão lançada (liberdade de expressão e protecção de fontes jornalísticas) que, pessoalmente, penso que cessa com o conhecimento pelo jornalista (de boa fé) de que a sua fonte divulgou informação obtida de forma ilícita, o que me pergunto é se os jornalistas estão alertados para o facto de poderem ser manipulados em guerras de informação comercial e contribuirem involuntariamente para campanhas... de desinformação» (idem).
Numa palavra? Não.
Aos jornais, o que os move não é informar de forma isenta, deontologicamente correcta, etc. Aos jornais o que os move é ganhar dinheiro. O que se consegue por duas vias: vender mais papel (ocupar mais espaço no éter radiofónico, encher o chouriço televisivo) e obter mais publicidade. A magistratura de influência (sobre as empresas, uma permanente espada) ajuda na segunda fonte de receitas.
Ao contrário do que se passava nos "bons velhos tempos", hoje a imprensa (sentido lato) é um campo de batalhas comerciais. Raros títulos escapam a esse devir. (Só me lembro da The Economist, assim do pé para a mão, isto nos títulos mainstream de maior tiragem/influência).
Hoje um jornalista é, na generalidade, um traficante de informações. Na especialidade de dar notícias "correctas" ou deontologicamente "puras" operam cada vez menos jornalistas.
Já toda a gente sabe que é assim - excepto alguns arautos da deontologia (por interesses vários, um dos quais desancar o livre negócio do jornalismo), desencantados da modernidade e velhinhas piedosas.
As questões judiciais interessam-me somente na medida em que deixam ao jornalista meios de dar as notícias. Se não deixam, então desinteresso-me: deixei de viver num Estado sério. Mas MatosB mostra saber da poda ao separar os "weblogs jornalísticos" dos outros. Até porque só poderão obter o putativo abrigo legal para o exercício de noticiar e informar os indivíduos que queiram ter uma carteira profissional, sejam bloggers ou não. Da mesma forma que nem todos os trabalhadores de um jornal são jornalistas, nem todos os bloggers poderão ser tomados como tal.
Anyway, MatosB apresenta razões para existir de facto uma equiparação de estatutos entre o jornalista e o blogger que a deseje (ao contrário do que indicia a leitura dos... jornais, como o DN de ontem, nem todos os bloggers querem fazer jornalismo). Para o proteger? Também, mas sobretudo para o responsabilizar. Para proteger os noticiados? Sim - é um direito que importa garantir. Mas acima de tudo para proteger o público dos excessos.
Um dos excessos ressalta uma vez mais de McLuhan. Sendo o meio a mensagem, então os escribas do meio julgam-se a si próprios a mensagem... Isto é: o poder do exercício do olhar, na palavra como na imagem, sobe facilmente à cabeça dos bloggers e neste espaço ainda sem balizas tendemos a olhar todos por igual, como se todos quisessem praticar a arte de separar o útil do acessório e todos fossem igualmente bons a fazê-lo. Os poderes cometem o mesmo erro e tratam a "blogosfera" como um todo - o que dará absoluta e rigorosa merda dentro em pouco tempo.
Já assistimos a isto. Video kill the radio star, enésima versão. O livro anda por cá há setecentos anos. A imprensa publica-se há 200 anos. A rádio por cá anda há 120 anos. A televisão será em breve centenária. Os blogues ainda nem definiram o seu sexo e já são estrelas. Todos os meios foram a mensagem, todos os meios são a mensagem.
De veículo primordial de cultura e informação, o livro sofreu várias transformações e hoje é pau para toda a obra, de vender autores a vender férias partilhadas a vender receitas exóticas a vender bem estar.
De guardiã da Verdade (e, por consanguinidade, da Democracia...), a Imprensa foi sofrendo várias transformaçães e hoje vende presidentes, preservativos, interesses e influências.
De nova esperança da Verdade, a Verdadeira e Suprema, a Rádio tornou-se com o tempo numa vendilhã de sabonetes, produtos financeiros, riso de opereta, e conforto espiritual para trabalhadores solitários e nocturnos.
De Esta-Sim-Mostrará-A-Verdade-Tal-Qual-Ela-É, a Televisão sofreu a erosão dos tempos e hoje vende, a custo, automóveis, guerras e distracção para PMI (Pequenos e Médios Intelectos).
Os blogues tornar-se-ão, com a passagem do tempo, numa coisa qualquer que por agora é desprezível antecipar (quer dizer: estou mais interessado em participar que em analizar).
Mas enquanto o temopo não passa, gozam merecidamente o seu instante de mensagem: como já o foram os livros, os jornais, a rádio e a televisão antes deles, são um perigo público para os poderes instituídos.
É bom que haja "perigos" destes para os poderes. É saudável para os regimes progressistas. Mantém os poderes sob um (pequeno, mas fundamental) controlo por parte dos apoderados.
Mas - por favor! - não me venham com tretas de "jornalismo". O jornalismo faz-se independentemente do meio. Faz-se no papel, no éter, na pantalha ou no monitor. Faz-se independentemente, ponto. O jornalismo faz-se com jornalistas. Sem jornalistas, nenhum meio é jornalístico: na melhor das hipóteses, entretém e distrai, talvez até cultive, helàs; na pior, compele, obriga, equivoca, esconde.
Não filtrada por técnicos, a opinião acaba por se tornar mero ruído.
Um dos problemas das democracias é, hoje, a notória escassez de jornalistas, intermediários do importante, separadores do acessório. Sem eles, o ruído sobrepõem-se à mensagem.
Acredito que com tanto barulho, os blogues acabarão por se finar muito depressa, mais depressa ainda do que a televisão - hoje mais um meio de influenciar decisões e subordinar escolhas do que o instrumento informativo ao serviço das populações, como era visto no seu tempo. E para azar do sistema democrático - mas isso são contas de outro rosário.
Posted by pTd at 08:58 AM | Comments (14)
março 29, 2005
Ainda as estradas e o código e os disparates e as bestas e isso
Respostas a comentários, que achei dignas de promoção a post editado.
Caro Fernando: como escreveu KC, o problema da alta sinistralidade reside no comportamento incivilizado (para não dizer troglodítico) do condutor português. Este novo código nada poderá alterar nos comportamentos porque, como refere, sem fiscalização continuará o típico condutor "tuga" a transgredir com a brutalidade do costume.
A minha peça (aqui) não está contra o agravamento da legislação, que considero bem vindo. Limito-me a predizer o óbvio: sozinha, a medida de nada serve excepto às autoridades, que vêm uma das suas acções - a colecta - facilitada. Mesmo a estas, as autoridades, o novo código não traz outros meios necessários para controlar a sinistralidade. Apenas e só a parte da colecta.
A falta de respeito dos condutores não se resolve SÓ indo-lhes ao bolso. Isso não os muda: num caso ou outro (os infelizes 1% que são apanhados) possivelmente, que não provavelmente, arrepiarão caminho. Mas por cada besta que é açaimada sairão das "escolas" de "condução" 30 encartadas bestas prontas a tomar-lhe o lugar na linha da frente da guerra que em cada minuto se trava nas estradas, ruas e becos de Portugal.
Não mencionei, por achar menor, as fraquezas evidentes do novo código: para quê, justos céus, agravar as multas em cima das passadeiras? No que toca ao estacionamento nas cidades (e não só em Lisboa; tive muito piores experiências em Faro, por exemplo), a multa é um exercício fútil e arbitrário por parte dos agentes da autoridade, que NADA resolve e pelo contrário agrava os problemas. Ao condutor, azarado porque foi multado e o carrito ao lado, que até estava a lixar a circulação muito mais que o dele, que só tinha a roda em cima do passeio mas toda a gente passava bem na via, esse não foi multado, só o dele, um abrorecimento além do dinheirito - isto se for trouxa ao ponto de pagar a multa; e à polícia, que acumula mais processos de quarta importância a atravancar as secretárias, impedindo o avanço dos processos de terceira, segunda e primeira importância.
Se você nunca assistiu ao triste espectáculo que é ver um carro ser colocado em cima do reboque e, atrás deste, formar-se uma fila porque está um sujeito na mira do lugarzito que vai vagar... olhe, eu já. Os polícias encolhem os ombros no cumprimento do seu cívico dever (remover o infractor) e esperam poder lá voltar para remover o segundo, entretanto passado à condição de infractor, isto se no caminho não tropeçarem num carro que seja mais fácil de remover, claro está.
Acha que os reboquistas, que trabalham à unidade, se dão ao trabalho de remover carros que estão a lixar o trânsito, mas em situação difícil para meter o reboque, quando ao lado está um condutor consciente que deixa a viatura o mais enfiada possível para que o trânsito flua mas, coitado, tem o carro mesmo à mão de semear...?
O caos citadino não se resolverá com medidas punitivas. Estas apenas aumentarão os problemas noutros lados. O ordenamento territorial foi e é gato-sapato dos lobis dos pedreiros. Enquanto subsistir esse estado de coisas o caos citadino é insolúvel.
(...)
Por mim falo: sou hoje um condutor não direi exemplar mas pelo menos preocupado e consciente. Ando mais devagar (embora possa dar 150 na autoestrada se for o caso e houver condições, mas sempre atento para levantar o pé da tábua ao menor sinal de trânsito). Ando sempre ultra-atento aos parceiros de estrada - um treino que me veio de ser motociclista, os motociclistas apanham com os erros todos dos automobilistas, todos, e aprende-se, pois é claro que se aprende.
Sobretudo tenho consciência que a minha vida, e as dos que forem comigo e vão nos outros automóveis, é demasiado preciosa para ser colocada desnecessariamente em risco com manobras arriscadas que, na maior parte dos casos, reflectem exclusivamente o excesso de testosterona. É o que mais vejo por aí: testosterona aos pulos, indomada.
Não fui sempre assim. Também fui vítima da guerra de nervos, e de sexos, que é conduzir nas estradas portuguesas. Aos poucos fui percebendo (muito graças a andar de moto). E modificando o meu comportamento. Deixei de buzinar aos ca(ra)melos que se desenfiam. Dou-lhes prontamente passagem: todos ganhamos, porque assim se contribui para a fluidez do trânsito e se baixam os níveis de irritação. Deixei de fazer tanta burrice, quando percebi que só as fazia porque ou estava a provocar, ou estava a ser provocado... Que disparate!
Mas é esse disparate que marca o minuto-a-minuto do trânsito urbano, e do trânsito não-urbano nos fins-de-semama. É um disparate colectivo que resulta de maus exemplos cívicos, da falta de escolas de condução dignas do nome, dos exemplos "de cima" (vidé a arrogância dos condutores "de excepção", trate-se do político com escolta ou da própria polícia em situações que ELES querem classificar de emergência), do mau estado das vias de "circulação" e do péssimo urbanismo que me geral caracteriza as cidades portuguesas.
Este é um tema inesgotável. E desinteressante: ninguém gosta de ser tratado por besta. Logo... Tudo como dantes - excepto que a polícia pode facturar melhor. Parabéns: pois que haja alguem contente.
Posted by pTd at 07:35 PM | Comments (6)
Glup
[ fungando ] Pá [ limpando o ranho ] ó Cat, [ FUNG ] isso é lá coisa de escrever? [ esfregando o nariz na manga esquerda ] Ia-me dando um trambique e tal, a ler essa carrada de elogios aqui à minha [ chuif chuif ] pessoa. Assim sem vaselina nem pré-aviso em carta registada?, isso faz-se?!?
O que me deixou babado foi teres cá chegado via blogue da minha filha. Não sabia disso ;)
En passant: aos simpáticos e simpáticas leitores e leitoras que por aqui (e por aí fora) deixaram palavras gentis sobre o aniversário de (o vento lá fora)*, sensibilizada a gerência agradece. E para Santa Cita vai o prémio pelo correcto ordinal de novecentas e dezasseis entradas (nonigentésima também estaria correcto). Afinal tenho uns leitores bué da cultos ;)
Posted by pTd at 01:40 AM | Comments (4)
março 27, 2005
916 and counting
Esta é a entrada número 916, não ponho ordinais porque ninguém os sabe ler alto, e (o vento lá fora)* faz hoje dois anos. Pronto. Chega de celebrações. Mas... bem, vocês merecem saber: na semana que entra começarei uma nova secção que é um desafio pessoal (a aposta é: um jantar em Nova Iorque em como não sou capaz). E em Abril publicarei um livro comemorativo que... não terá posts mas sim textos publicados na Imprensa, no Expresso quase exclusivamente. Porque estou à beira de outra triste efeméride: um milhar de textos publicados na Imprensa sobre as temáticas da sociedade da informação, Internet e afins. Isto um gajo vai pra velho e tal e é isto...
Posted by pTd at 01:09 PM | Comments (21)
março 26, 2005
Sobre o novo Código da Estrada
A leitura do novo "Código da Estrada" confirmou o que já suspeitava: estamos perante uma peça legisleira elaborada para proteger exclusivamente os interesses de grupo das autoridades envolvidas, em Portugal, na gestão exploração dos cidadãos condutores, e dela não cabe esperar que contribua, nem sequer infinitesimalmente, para a solução dos problemas que afectam os cidadãos condutores, o principal dos quais a sinistralidade.
O novo "Código da Estrada" é parte do problema e não parte da solução.
Espremida, a sua leitura revela duas únicas preocupações de quem a elaborou. Uma: apertar a malha em torno das condutas ilegais. Outra: melhorar os aspectos da colecta por parte das autoridades.
Sendo ambas louváveis esforços no sentido de clarificar o desempenho de uma parte dos afectados - a mais pequena, a que mexe com lucros em cash, a cuja existência nada acrescenta à segurança rodoviária -, o que naturalmente se aplaude, fica o sabor a vazio, a triste e desiludida antecipação de que nada mudará nas estradas portuguesas, seja do ponto de vista do condutor e passageiros, directos envolvidos (os que morrem, perdem familiares, ficam feridos), seja do ponto de vista da sociedade em geral (a que se horroriza ao jantar com o sangue - dos outros - na estrada, a que sustenta a rede viária e gostaria de ver outros resultados).
Agravar penalizações directamente (aumento das coimas, aumento dos "intervalos" sancionáveis) e indirectamente (pagamento compulsivo para quem for apanhado com a mão na massa) é um acto infrutífero e condenado ao insucesso - isto do ponto de vista de quem se preocupa com a sinistralidade, bem entendido, que não de quem se preocupa com a colecta.
Basta a memória para saber que o mero condicionamento do condutor por via legislativa não rendeu sequer uma fracção não-desprezível nos números crescentes da sinistralidade.
Como brilhantemente ilustrava um bartoon do Público desta semana, os portugueses não passaram cartão ao anterior Código da Estrada sendo de esperar que façam o mesmo a este.
Temos em Portugal um problema de (com a) autoridade. É uma questão cultural, profundamente enraizada. Não é autoridade quem quer ou se auto-decreta como tal; é autoridade quem, por força das suas acções bem sucedidas, conquista o respeito público. Todos sabemos isto mas ninguém o diz. É um tabú numa sociedade em défice democrático, ainda orfã do passado já não tão recente assim.
O novo "Código da Estrada" não passa de mais um conjunto de "leis" destinado a afirmar a autoridade à força, na (vã) tentativa de resolver um dos graves problemas sociais portugueses. Logo, está condenado ao fracasso. Os portugueses, na sua sabedoria simples, olharão para o "Código" como este merece ser olhado, pois é assim que se apresenta: mais bastão, mais músculo, nenhuma inteligência. (Nota: alguns aspectos da segurança passiva, dos cintos aos coletes aos telemóveis, são bem vindos pela Razão. Mas não chegam a ser inteligentes.)
Os condutores continuarão, com toda a legitimidade, a encarar a acção das autoridades como um jogo: a possibilidade de serem "apanhados" é na mesma ínfima. Lá porque o castigo se apresenta mais pesado, nada mudou. Ora, a sinistralidade não é um jogo. Mas a autoridade continua a achar que é. A massa anónima far-lhe-á a vontade: o que tem a perder? Ou a ganhar?
A sinistralidade só diminui quando a) a consciência dos condutores é elevada, b) os utensílios (viaturas e estradas) são adequados, c) o conjunto de regras para o sector for harmónico e adequado à realidade.
Ora, o novo "Código da Estrada" não responde a nada disto, nem sequer à alínea que lhe compete, uma vez que dificilmente o podemos considerar adequado à realidade, para não falar da harmonia (que geraria o consenso popular em torno da sua aceitação).
A consciência do condutor radica na formação. As soberbas escolas de condução portuguesas permanecem inimputáveis, assobiam para o ar - deixando todos os problemas que geram nas mãos do Estado e das autoridades, impávidas, inexplicavelmente impávidas perante isso. Rigorosamente nenhuma medida foi apresentada, hoje como no passado, para aumentar os índices de consciência do condutor (e não, não são classificáveis como tal as "campanhas" da prevenção rodoviária, cuja única finalidade visível é alimentar com os dinheiros públicos uma determinada cadeia intermediária privada; os resultados demonstram-no, não é uma mera questão de opinião).
A utensilagem à disposição do condutores apresenta desníveis incríveis. Viaturas excessivas, desadequadas das realidades social, económica e viária portuguesas; estradas (e urbanização em geral) decadentes que espelham o desinvestimento das autoridades (que, a julgar pelas aparências, só estão interessadas na colecta pois é aí que repetidamente investem, nos impostos como nas coimas).
Enquanto for assim qualquer código da estrada será (mais uma) parte do problema, nunca integrará o lote das soluções. Por si só, nada resolve a montante. Contentará apenas, e apenas durante um período de tempo relativamente curto, as minorias a montante: autoridades e seus representantes, e os homens dos negócios (dos veículos às licenças), estes claramente por omissão.
O demais é verbo de encher o olho ao pagode.
[ PS: Depois de reler esta peça encolho piedosamente os ombros e dou ao "Código da Estrada" um voto positivo: conversados que ficamos sobre os problemas das estradas portuguesas, ao menos as autoridades ficam a ganhar com ele. ]
Posted by pTd at 04:02 PM | Comments (4)
Foi aqui
Para as actas: foi aqui, aos dezanove de Março de dois mil e cinco pelas dezasseis horas (enfim, mais ou menos meia hora, que ninguém se lembrou de olhar o relógio).
{ Waterloo Bridge, Londres }
Posted by pTd at 03:59 PM | Comments (1)
março 25, 2005
O beijo de Rodin
Provando que uma emoção nunca vem só: 1-momento especial de magia pessoal no tabuleiro da Waterloo Bridge, 2-Almada descoberta por baixo da dita ponte, 3-olhos embargados perante Modigliani, 4-dou de chofre com isto
![]()
Recuei. Munta comoção na mesma tarde. Ganho confiança e entro na sala. As pernas traem-me. Sentamo-nos ao lado de O beijo. Uma das três versões feitas ainda o Mestre cinzelava. Nenhum de nós sabia que "aquilo" estava em Londres. Ignorantes! Os transeuntes passam. Uns conhecem. Uns não, mas sentem a força. Outros passam por ela como cães por vinha vindimada. Ignorantes...
Tanta coisa por causa de um pedaço de mármore - dirá o leitor. Condescendo. A história da emoção é a minha: há 25 anos que queria ver O beijo tal qual Auguste Rodin o esculpiu. Só isso. Só isso? Pois, tinha logo de me acontecer ao lado da Ana. ( clique no thumbnail para ver o instantâneo pessoal, tirado com o meu P800; já o link da Tate mostra uma foto decente )
Posted by pTd at 07:59 AM | Comments (2)
março 24, 2005
'tá a andar!
Acabo de vir dos CTT, onde fui despachar a primeira leva de encomendas de Mil e uma pequenas histórias, a última obra do Luís Ene, à venda (também) na minha loja. Aos amigos que já a compraram, a informação de que entre segunda e quarta da próxima a receberão. Aos outros: de que estão à espera? O desconto promocional só dura até final deste mês!
Hum... Ainda não é desta que revelo... Mas não resisto a picar os leitores. Que a água vos cresça na boca! Ontem acertei detalhes pelo telefone com o próximo autor e As { censurado! } já estão em produção. Vai ficar lindo, João! Capa toda negra, formato quase quadrado, miolo a cores, um luxo! Um luxo que o teu blogue merece.
E, querida, ops, nome censurado, para a semana começamos a pensar no teu. Para Maio, mês dos primeiros calores. Até lá, estão três na calha ;)
Posted by pTd at 04:31 PM
A água de Lorrain
Em questões de conhecimento de pintura, sou aquele "1" à direita de muitos algarismos depois da vírgula. Modestíssima, infinitesimal bagagem, portanto. A nossa cultural viagem a Londres terá servido para comer um ou dois desses algarismos, aproximando-me quase irrelevantemente da vírgula. Não poderei descrever o choque que foi, para mim, dar de caras, na Tate Modern, com um dos meus italianos favoritos (Amadeo Modigliani). E se o contexto é pintura nem vos vou falar do baque (tive de me sentar durante 20 minutos) perante O Beijo, de Rodin, peça de escultura que andava para cheirar há um quarto de século.
Descobrir um pintor especialíssimo é porém uma questão de gosto, que não tanto de cultura. Poderia a trip to London não ter tido outra função (teve, imensas) e a mera contemplação, na National Gallery, do quadro aqui reproduzido (Seaport with the Embarkation of the Queen of Sheba) seria suficiente para ter dado por bem empregue a viagem.
Um tratado de sensibilidade, a água nos quadros de Claude Lorrain. ( Clique no thumbnail para disfrutar, em nova janela, da imagem no esplendor possível num monitor )
Posted by pTd at 03:43 PM | Comments (1)
março 22, 2005
Mil e uma pequenas histórias
Na apresentação de Mil e uma pequenas histórias o escritor brasileiro Dennis D. refere: «(...) o verdadeiro prazer da leitura é justamente o de mergulhar no sonho ficcional, não forma inercial, passiva, e sim colorindo-o com os matizes da nossa própria palete mental. Eis por que considero admirável a arte de Luis Ene: sua literatura não é apenas competente, mas também lúdica e generosa.».
Quem nos conhece sabe que sou amigo íntimo do Luís, logo deveria ser suspeito enquanto seu entusiasta leitor - e agora editor, neste preciso instante incumbido da tarefa de lhe lançar a última obra de ficção publicada. Suspeito é, no entanto, algo que repudio ser. Sou, e ele sabe-o, seu admirador não por ser seu amigo. Um admirador por vezes demasiado crítico ;) nos calores das conversas/discussões, mas sempre rendido à qualidade global da escrita dele. Sublinho: a sua literatura não é apenas competente, mas também lúdica e generosa.
Mil e uma pequenas histórias é o primeiro livro publicado pela pauloquerido.com, Unipessoal, Lda. Com prazer e, devo dizer, orgulho. Por associar a aventura editorial em que agora me meto à obra de um amigo. Por tal obra ser um exercício de uma escrita particularmente adequada aos tempos que correm: contar uma história, esse nobre objectivo do escritor, usando apenas os 260 caracteres que cabem num SMS, é levar ao extremo a depuração de personagens, é sacudir o acessório, é fixar o essencial.
É uma (ap)arte.
Ele fez a parte dele: suou as palavras. Eu fiz a minha parte: coloquei-as em letra de forma numa embalagem (livro) adequada à leitura fora do espaço fixo do monitor. É a vez dos leitores se pronunciarem. O livro tem um extracto de 20 páginas em facsimile digital (formato PDF) que pode ser puxado para impressão a partir daqui. Está apresentado também no blogue do projecto leiturascom.net, onde pode ser conversado e discutido. Está à venda nalgumas livrarias, começando pela FNAC (para já, na loja do Forum Almada). E pode ser adquirido online com cartão de crédito, MBNet ou pagamento contra entrega postal.
Posted by pTd at 04:02 PM | Comments (7)
Mas antes, uma palavrinha do editor
Começo por uma confissão: apesar do meu evidente gosto, desde pequenino, pelas letras impressas, pelos tipos, pelo cheiro da tipografia, pelos papéis, pelos alfarrabistas, pelas bibliotecas, pelos livros, NUNCA me passou em momento algum pela cabeça que um dia viria a ser editor.
Mesmo quando publiquei pela primeira vez obra minha e alheia (há mais de duas décadas, coisas policopiadas e tal, esqueçamos essas aventuras!), ou mais recentemente, nos anos 90, fui publicado três vezes em duas distintas casas, NUNCA me passou pela cabeça que um dia viria eu a cumprir esse destino de trazer as palavras dos outros para o papel, os livros.
Mesmo quando, há precisamente dois anos, e antes dos blogues, eu e o meu então reencontrado amigo Luís Ene esboçámos o projecto leiturascom.net, ele não contemplava a edição tradicional em papel. O projecto (que agora, finalmente, começa a estender-se) visa(va) sobretudo a partilha dos gostos pelas leituras e escritas, a congregação de vontades, a união de espíritos e a reflexão sobre as letras e seus presentes e futuros, da actividade de as produzir à actividade de as desfrutar aos meios de difusão.
A ideia evoluiu já em 2004 para uma editora, mas o meu papel era meramente o de sócio pouco participativo no dia a dia editorial e nas escolhas e processos, apenas daria uma mãozinha nas extensões online. Acontece que, por razões que é melhor não virem ao caso, essa editora se extinguiu antes de publicar uma linha.
Questão filosófica número um: que fazer com as ideias?
Questão filosófica número dois: deitar fora o capital de conhecimento já adquirido e desistir quando metade da máquina já estava a rolar?
A escapatória mais curta para arrumar as questões filosóficas de vez (sou um gajo prático) era assumir eu a função de editor. Assumi. Ponto. Pronto. Mamã, sou editor.
A situação é a seguinte: já sujei um montão de papel com dois livros, estão na calha mais três, previstos para impressão até início de Abril e lançamento no mercado em meados desse primaveril mês. Se tudo correr minimamente, o ritmo pretendido é de duas obras por mês.
E que vou eu publicar, pergunta o leitor estupefacto?
Começo por onde há talento emergente. A blogosfera, sobretudo. Um dos dois livros já impressos e à venda - tanto online na loja.pauloquerido.com como nalgumas livarias, FNAC incluída - saiu directamente de um blogue. E dos três agora em gestação, dois também se alimentam de palavras e imagens testadas (com amplo sucesso) na blogosfera.
Cabe no entanto referir que sendo a blogosfera, de tão rica em talento, um campo privilegiado para recolher palavras dispersas e encorpá-las em formato (mais) perene e portátil, não é o único filão a explorar. Aliás, dos quatro autores publicados e a publicar, apenas um será estreante no mundo dos livros. Os outros têm obra publicada.
O Luís Ene começou por ganhar um concurso da Porto Editora e o seu primeiro romance, A justa medida saiu ainda em 2003.
A Ana Roque tem diversos livros publicados na área do Direito, em várias editoras, e concedeu-me o privilégio de lhe editar não só o seu último (e importante) título na área, como de a estrear no campo da ficção.
O terceiro autor sou eu próprio. Para comemorar uma série de acontecimentos históricos, decidi lançar uma compilação das minhas palavras sobre tecnologias de informação e tal, publicadas ao longo dos anos em diversos meios. ( Em breve darei mais detalhes. Assim e em síntese: está a sair o meu milésimo artigo em jornais, aqui o blogue vai fazer dois anos e mil posts. )
O único autor (até este preciso instante) estreante é o ... hum... ficamos por aqui ;) até porque são quase 16:00!
Posted by pTd at 03:47 PM | Comments (2)
Dois...
Posted by pTd at 01:59 PM | Comments (3)
Atenção!!!!!
Já só faltam três horas!
Posted by pTd at 12:59 PM | Comments (1)
Dentro de apenas 4 horas...
...será revelada à blogosfera, em estreia mundial...
Posted by pTd at 11:59 AM
Faltam 5!
Já só faltam, deixa ver, cinco horas!
Posted by pTd at 10:59 AM | Comments (1)
Hora zero menos 6
Faltam seis horas! Ehhehewh!
Posted by pTd at 09:59 AM
Hora zero menos 8
Ora bom dia! Pois é, viva! É terça feira, o sol brilha (que digo... ist é arriscado, 'tás a escrever usando a data futura, ainda te foOPS, queimas) e é um dia especial.
Porquê?
;) Voltem às 16:00, mais coisa menos pico.
Posted by pTd at 07:59 AM | Comments (1)
Hora zero menos 14
Hu? (estremunhado) Sim, faltam mais ou menos 14 horas. Já vai (regresso a Morfeu).
Posted by pTd at 01:59 AM | Comments (1)
março 21, 2005
Hora zero menos 16
Já chegámos. Regresso aos caracteres portugueses. É um descanso, as novas máquinas. Certinhas como um relógio suíço, estes quatro dias. Ah, gracias à la Chip 7 (nunca é demais relembrar quem nos deu a mão em momentos difíceis).
Limpas as 489 mensagens de spam e demais lixo, ficaram duas mensagens para responder. Uma delas tem a ver com... ops, não posso dizer, voltem cá às 16:00 mais coisa menos coisa ;)
No weblog havia algumas mensagens mais, uma delas de resposta urgente, está dada. Portanto está na hora de regressar à apaixonante leitura de How to own a continent. Até logo.
Posted by pTd at 11:42 PM
Ta-se bem em Londres
ppl, ta-se bem em Londres. Vou ali almocar ao peh do Nelson da estatua e depois regressar pela travessa das livrarias, que eh assim uma rua esguia, quase um beco, com duas ou tres livrariazitas piquenitas e tal, nada de parecido com as nossas dai. Familia: tah tudo bem, regressamos esta noite.
Posted by pTd at 11:41 AM | Comments (2)
março 17, 2005
AFK por uns dias
Caríssimos leitores, vou estar AFK (Away From Keyboard) até segunda-feira à noite, ou terça pela manhã. Os motivos são os melhores ;). Vou tentar ver o correio nalgum cibercafé ou quejando, para despacho das matérias de urgência.
Até lá, não se esqueçam de ver a loja e, claro, COMPRAR! Estão lá dois livros já à venda, mais estão a caminho. A Loja pauloquerido.com, aceitam-se VISA, Mastercard, MBNet e entrega contra reembolso (CTT). De que é que estáis á espera, hein? -->>
Posted by pTd at 10:09 PM
março 16, 2005
Tendes aqui um lojista ao vosso dispor
Bem, foi uma semana de superhiperultra intenso trabalho na loja, entrecortado apenas pelos afazeres do Expresso e do weblog.com.pt. Mas está finalizada a minha loja online, para já com dois produtos à venda. Podeis comprar, os métodos de pagamento foram testados e os produtos estão prontos para entrega. Agora, é encher as prateleiras. Ah, quase me esquecia ;) Há um piqueno brinde grátis muito adequado aos editores e leitores do weblog.com.pt.
Pois só falta o link. Está aqui. Comprem, menino[a]s, comprem!
Posted by pTd at 07:37 PM | Comments (6)
março 11, 2005
Três meses
Três meses. Parecem três anos. Mas não passam de três dias, afinal.
Posted by pTd at 10:11 AM | Comments (2)
Pausa para a genialidade: a blogosfera segue dentro de momentos
Confesso-me: eu vou pouco às Ruínas Circulares porque é sempre tão espantosa a viagem que me atira da cadeira abaixo. E fico chateado, é claro.
Aconteceu-me dar lá uma saltada agora e vi isto. Eu com metade da tua criatividade, João, era ministro, ou Nobel ou sei lá pá, uma cena assim. És o meu autor dos novos meios plásticos favorito, ponto final parágrafo.
Posted by pTd at 10:02 AM | Comments (2)
Colocar o futuro na agenda política
Aplaudo um texto de hoje no Barnabé, editado por Rui Tavares. Patentes sobre linguagens é uma boa tentativa de colocar na agenda política um dos temas mais importantes (o que há, é pouca gente para dar por isso) do mundo em que vivemos. Tavares faz ma chamada de atenção para a questão do open source e sobretudo o tema do patenteamento de software, citando uma entrevista (Público, aqui, atenção que é link volátil) a Manuel Castells, um dos mais esclarecidos (raros) pensadores europeus da Sociedade da Informação.
E aplaudo porque uma coisa é eu falar do assunto, pessoas do meio falarem do assunto e outra, muito diferente, um blogue como o Barnabé, que tem outro tipo de leitores, mencionar o assunto. Espero que sensibilize a opinião pública para um dos assuntos um dos mais importantes da agenda política, na medida em que condiciona o futuro da sociedade digital global em que vivemos.
Posted by pTd at 09:42 AM
Das paredes
Descobriu-se que ela tinha, afinal, uma sexualidade de osga: adorava ser encostada às paredes!
Posted by pTd at 09:41 AM
março 06, 2005
Tesão pura
Quando o Amigo meteu a chave à fechadura da porta de entrada a Pope levantou os olhos do Kant que andava a tentar, sem sucesso, ler pela 14ª vez; pelos vistos ainda não era este semestre que conseguiria acabar o ano na Faculdade.
- Quem ganhou, querido?
- Eles - atirou o Amigo em tom seco. - Eles - repetiu, cabisbaixo, dirigindo-se à cozinha e ao frigorífico. A Pope devolveu os olhos às páginas, novamente sem sucesso; estava confusa e o estado de espírito não era o melhor, contava com o ânimo do Amigo para se reencontrar, nunca tinha desejado tanto que a equipa dele tivesse ganho, ela que odiava o jogo e as consequentes ausências dele.
O Amigo voltou do frigorífico; também ele precisava de consolo e a Superbock apenas refrescava a garganta, não a alma. Despejou Soft, a gata, do sofá rasgado e sentou-se mansinho, inquirindo-a:
- E você, rica? Que está a ler?
- A Crítica da Razão Pura. Uma coisa do Kant, esqueça, nem eu atino, respondeu a Pope em murmúrio.
- Eu sou mais crítico da tesão pura! - disparatou o Amigo e, finalmente, o clima desanuviou.
Posted by pTd at 09:29 AM | Comments (3)
março 05, 2005
Da beatitude
- Felizes dos que encontram a outra metade de si; deles será o Reino das Terras - disse ele, tornando-a feliz outra vez.
{ original rasurado }
Posted by pTd at 05:58 PM
Da contrafacção
- Para quê comprar contrafacção se tenho o original? - disse ela. Ele não conseguiu ripostar.
Posted by pTd at 05:54 PM
Olha, estão a ficar crescidinhos
Ontem fomos ver Million dollar baby, de (e com) Clint Eastwood. Magnífico. Magnífico. Até podia eu estar a exagerar porque sou fã de Eastwood e de Morgan Freeman. Não estou.
Saio a pensar: pelos vistos, os membros da Academia estão a ficar crescidinhos. Depois de quase um século a premiar sobretudo as caixas registadoras de tanta pastilha elástica e basbaquice celulódica, desta vez deram as estatuetas a um filme digno da 7ª Arte. E dos prémios.
Posted by pTd at 04:26 PM | Comments (4)
Do Governo (ii)
O começo não foi nada mau. Pelo contrário. José Sócrates formou um Governo decente. Mas mais importantes que a composição do Governo, pois a governação depende de tantos outros factores além do nome e peso (político e/ou societário) dos ministros, são os sinais. Nada das fugas de informação regulares no PS, tudo feito como mandam as (boas) regras. Com sobriedade e sentido de Estado (coisa tão cara à direita...).
Cada coisa no seu tempo. Ao contrário do imediatamente anterior, que ainda não fora empossado e já era chacota nacional, o presente Governo entra em cena com o pé direito. Bons auspícios? Quero crer que sim.
Posted by pTd at 04:20 PM
Do Governo (i)
Estou a ficar demasiado institucional, um dia destes ainda me expulsam da Ordem dos Ácratas. Então não é que olho para o plantel de José Sócrates e conheço pessoalmente dois ministros?
Posted by pTd at 04:16 PM | Comments (2)
Desencontro
- Pope, sabe a que pasta vão parar os downloads do Kazaa?
O Amigo estava à toa; tinha acabado de puxar um clip preciosíssimo dos Doors e queria gravá-lo em CD para levar a um amigo, mas até aí só soubera reproduzir os ficheiros dentro do próprio Kazaa. Concentrada num post importante sobre a literatura realista americana do século XX, a Pope procurava no Google uma imagem de um impressionista italiano que sublinhasse o assunto.
- Fofa? - insistiu o Amigo.
- Espere só um minuto, querido, enquanto acabo este post - respondeu a Pope sem desviar os olhos do monitor do portátil nem por um segundo.
Desconsolado por ela nem se ter apercebido da pergunta por ter a atenção pousada noutro lugar, o Amigo voltou ao Kazaa e procurou uma canção antiga da Lene Lovich.
Posted by pTd at 09:29 AM
março 04, 2005
Blogue instantâneo!
«Até dá gosto!» - comenta a Ana aqui atrás, enquanto arruma os CDs. E dá mesmo, eu ainda nem tinha reparado. Dá (outra vez) gosto meter um post aqui. Até parece o weblog.com.pt de há ano e meio, quando ainda estava instalado na minha própria máquina (sol.querido.org), partilhando recursos com mais uma dezena de domínios e uma tonelada diária de correio electrónico. Mas eram uma centena, os blogues, nesses tempos. E tudo corria rápido.
Em Dezembro de 2003 começaram problemas de resposta. Em Fevereiro de 2004 coloquei uma máquina independente só para o weblog.com.pt. Durou menos de um ano, tal foi o crescimento. Afinal, o weblog.com.pt era símbolo de qualidade e quase dois milhares de bloggers quiseram experimentar. Dezembro de 2004 foi o mês da queda. Até inícios de Março a qualidade de serviço decaiu continuamente -- e lá se estava a ir a minha reputação... para gáudio daquela fracção de gente que não morre de amores por mim ;)
A migração para dois novos servidores foi difícil. Imaginem arquitectar uma plataforma com duas máquinas (graças à Chip 7, a quem tenho uma dívida de gratidão; o pagamento em banners e patrocínios é contratual, claro, falo de uma dívida de gratidão por se terem interessado pelo projecto; e graças a três amigos que contribuiram com algum dinheiro -- muito obrigado, rapazes), duas máquinas a servir os mesmos conteúdos. Imaginem passar os conteúdos estáticos (as páginas e imagens e etc), cerca de 10 Gigabytes, e dinâmicos (as bases de dados com toda a informação), mais 1 Gigabyte. Uma dor de cabeça.
Não resultou à primeira. Resultou à segunda. E esta tarde era o dia do grande teste de carga. Só vos digo: a plataforma pasou com distinção.
Foi uma semana levada da breca. Cheguei a desabafar aqui a minha fúria. Mas consegui chegar ao fim vitorioso. Graças a duas pessoas.
Uma é o Frederico, o "mágico" das maluquices tecnológicas que permitem a rapidez com que este post vai entrar no sistema e as manhas de balanceamento e de redundância, que permitem atirar uma máquina abaixo sem que o serviço seja afectado. Obrigado pá. Agora é afinações -- e não te esqueças de passar pela caixa no fim do mês!
A outra é a "minha" Ana. Ter alguém do nosso lado, permanentemente, é um regalo. Transmite força e confiança. Obrigado meu amor.
Posted by pTd at 04:48 PM | Comments (11)
Inclinações
Como sucedia todas as manhãs de domingo o Amigo trouxe-lhes o pequeno almoço à cama e a Pope, espreguiçando-se looooongamente, acariciou-lhe o baixo ventre cúmplice antes de perguntar:
- Querido, se não estivesse comigo vivia com outra?
Surpreendido (com a pergunta) o Amigo mal teve tempo de improvisar:
- Doçura, é tudo uma questão de oportunidade. Mas só há um acorde perfeito na vida e eu encontrei o meu consigo.
Posted by pTd at 09:29 AM | Comments (4)
Migração concluída
Boa noite. {bocejo} Está finalmente concluída {bocejo} a migração do weblog.com.pt. {uáááá....} A vitória é difícil mas é nossa e tal e coiso e desculpem vou {bocejo} dormir e amanhã logo vos conto como foi. Foi fodido. {bocejo} Mesmo. Ainda há umas questões menores a resolver, como os logs e sua conversão em estatísticas. Não contem com isso antes de segunda que vem {bocejo}. Ter duas máquinas a servirem o mesmo, à vez, sendo uma backup da o, implica algum exercício de imaginação, que esteve sobretudo a cargo do ninja Frederico. Se uma se apagar, ninguem notará, a outra toma conta da ocorrência. O pior é se é for a outra a apagar-se: o serviço fica no ar, mas com alguma limitação. We are working on it. Amanhã, que agora vou dormir. 12 horas.
Posted by pTd at 01:29 AM | Comments (3)
março 03, 2005
Nova quebra de serviço à qual fomos alheios :((
A maré de azar parece perseguir o weblog.com.pt. Esta tarde o serviço voltou a não estar acessível durante 20 minutos e não foi um problema do serviço em si, do servidor ou de qualquer aspecto com ele directamente relacionado... :( Algures no caminho para lá um router, as máquinas que direccionam o tráfego pela Internet, foi-se abaixo. Grande parte da rede onde se encontra o weblog.com.pt esteve "às escuras".
REPITO: SOMOS ALHEIOS À QUEBRA DE SERVIÇO DESTA TARDE, QUE SE DEVEU A PROBLEMAS DE REDE EXTERNOS AO WEBLOG.COM.PT.
Estas vicissitudes acabam por se somar ao actual assunto da migração, cuja primeira fase não correu a contento, esta madrugada. Mesmo com uma semi-directa até às 7 da manhã, quando finalmente caímos para o lado de cansados, não se conseguiu completar a migração. O problema esteve (está) no motor de base de dados.
As boas notícias, porque também as há: quando se resolver a questão da base de dados a migração será então possível em muito menos tempo, porque a esmagadora maioria dos conteúdos já está nos discos dos dois servidores novos.
Desabafo 1: eu sei que parece bruxedo... Mas não acredito nessas coisas e mantenho-me firme, apesar da falta de sono e do desalento :(
Desabafo 2: também sei que grassa entre os bloggers da casa alguma irritação; têm toda a razão, este serviço, que era reputado pela qualidade, tem vindo a decair e esta semana chegou a pontos inimagináveis. Agora imaginem a minha irritação e o meu desalento: é mais ou menos igual á soma dos vossos todos juntos - e mais o meu em cima :(
Mensagem de esperança: melhores dias virão em breve.
Agradecimento: aos que publicamente (e em privado) têm manifestado a sua solidariedade e compreensão. Grato.
Posted by pTd at 04:11 PM | Comments (4)
Roço
- Esteja quieto! - disparou à queima-roupa a Pope. Estavam sentados no sofá a ver A Quadratura do Círculo e o Amigo não parava de roçar languidamente o joelho na sua perna.
- Fofa, como tens paciência para aturar esses políticos?
Pope re-alinhou a almofada com a mão esquerda enquanto a direita fazia uma carícia na orelha do Amigo.
- Porque gosto de ouvir como o Pacheco Pereira coloca em discurso directo hoje o que publicou no blogue dele ontem e vai escrever no Público amanhã.
Desesperançoso, o Amigo coçou o nariz e retorquiu:
- Eu prefiro o Magalhães. É mais o meu género.
Ela riu-se, rendeu-se e desligando a televisão de chofre disse:
- Sim, é mais o género do meu trogloditazinho favorito.
O Amigo ia disparatar mas a Pope, com a conhecida determinação feminina, enroscou-se no colo dele desarmando-lhe as defesas.
Posted by pTd at 09:29 AM
março 02, 2005
Migração em curso - paragem de uma hora, provavelmente à meia noite
O weblog.com.pt vai migrar HOJE. Estamos agora mesmo nos preparativos finais. Daqui por algum tempo, talvez a partir da meia noite, os blogues estarão visíveis mas inacessíveis a editores e comentadores. Isto por um período máximo de uma hora. É imprescindível parar durante um período de tempo o servidor de base de dados para evitar que os posts e comentários que fossem colocados durante a migração não aparecessem depois na nova instalação. Novo aviso será colocado em (o vento lá fora)* e no weblog.com.pt mais em cima da hora certa. Mas vão passando palavra, porque nem toda a gente (eheheh...) lê alguma destas duas páginas.
Posted by pTd at 10:52 PM
Toumapassar!
O servidor do weblog.com.pt está mais que estoirado, já não aguenta sequer com o tráfego normal de comentários, é uma cena do caraças!, os ataques de spam estão cada vez piores embora não se vejam nos blogues porque tenho uma série de chantos a fintá-los, mas os chantos também consomem recursos e o Movable Type não foi concebido para escalar desta maneira, e há QUASE UM MÊS que tenho cá os novos maquinões e ainda não os conseguimos afinar para se balançarem/replicarem um ao outro, quando isso acontecer temos plataforma estável para mais um anito, com afinações, claro, entretanto há um Plano B para passar tudo já (esta noite?) para uma das máquinas, sempre é mais robusta e toumapassar com isto, e a rapaziada reclama com toda a razão e eu se há coisa com que me dou mal é quando estou a falhar compromissos, e pôrra só me apetece vender, passar isto de mãos, alguém está interessado?, ele há dias de manhã que um gajo à tarde não pode sair á noite... Irra!
Posted by pTd at 05:27 PM | Comments (12)
Saudade
Com a Pope fora para um jantar de blogues o Amigo passeava as suas dúvidas entre o micro-ondas, a SportTV e o desktop, onde o Kazaa puxava a passo de caracol o raríssimo "Ne me quitte pas" gravado às escondidas por Sting.
- Raios da mulher. Vou-lhe aos registos do MSN ou não? Sou um cobarde, sou um pulha.
Não que não confiasse nela. Amava e confiava. Mas no café os amigos faziam troça. Que ela o traía namoriscando nos chats e nos blogues, diziam.
- Não! Tá decidido, não toco no portátil!
Ela tinha direito à sua privacidade e não se duvida de uma mulher levado pela opinião alheia. Decisão tomada sentiu-se de novo um Homem com H grande. É que ela, além de complicada, era atenta aos pequenos detalhes. No momento em que o Sporting marcava o terceiro golo o micro-ondas fez piiiii e o bacalhau com migas ficou pronto. O Amigo tirou uma Heineken do frigorífico, tirou o volume à televisão, sentou-se à mesa, rodou o botão do telecomando e, com saudades das mãos dela, que tantas vezes brincavam nervosamente com aquele objecto, ligou o stéreo e acompanhou o refrão de Abrunhosa com o bacalhau, o Liedson e um brilho nos olhos.
Posted by pTd at 09:29 AM | Comments (3)
março 01, 2005
Vulcão
- Fogo!
Tirando as mãos do telecomando soergueu-se do sofá e, sem se voltar, olhou pelo espelho para o escritório de onde viera a interjeição de dor. O Amigo estava no desktop às voltas com o Kazaa, onde procurava líricas de Zappa.
- Assustou-se com alguma imagem pornográfica, querido? - disse a Pope em tom provocatório e com um piscar de olhos cúmplice à Soft, a gata alapada no puff; a discussão da semana ainda percorria o ambiente.
Lambendo o dedo queimado, o Amigo sopesou as palavras antes de responder; o ambiente andava tenso nos últimos dias e o que menos lhe apetecia era provocar involuntariamente nova erupção de histeria.
- Queimei-me com o isqueiro, fofa.
Posted by pTd at 09:29 AM | Comments (4)