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maio 29, 2005

Dobradinha, só com feijão branco!

Não é meu hábito aviar benfiquistas, porque fiz grandes amigos entre os seus jogadores e dirigentes quando jornalei pelo futebol, mas cá vai: foram castigados pela forma tosca como trataram este ano a vizinhança da Segunda Circular. Dobradinha, só com feijão branco (no Porto chamam-lhe tripas). Uma :P para vocês.

Posted by pTd at 07:56 PM | Comments (2)

maio 25, 2005

Estamos nas Feiras do Livro de Lisboa e Porto!

Os livros publicados pela pauloquerido.com e leiturascom.net estão já disponíveis na Feira do Livro de Lisboa e, na próxima semana, também estarão na Feira do Livro do Porto.

Em Lisboa podem dirigir-se ao pavilhão da Âncora Editora (clicando na imagem abaixo esta surge com maior detalhe),

ancora.jpg

que é o número 185 e fica logo à entrada da Feira, que este ano se processa pela parte de cima do Parque Eduardo VII. A entrada é a do lado do pavilhão Rosa Mota ou, para os consumistas, do lado do El Corte Ingles.

A "nossa" prateleira é esta, sobre o lado esquerdo do pavilhão, ao alto (clicando na imagem abaixo esta surge com maior detalhe):

prateleira.jpg.

Correcção: em Lisboa, ao lado do pavilhão Carlos Lopes, pois claro. Obrigado aos leitores que tiveram a gentileza de me apontar o erro.

Posted by pTd at 06:47 PM | Comments (4)

maio 24, 2005

A lata

Se afirmar que Cavaco Silva é um dos grandes responsáveis pelo Portugal que hoje temos, a frase será relativamente bem aceite. É quase inócua e consensual (e disso tira ele partido evidente para a sua proto-candidatura a Belém). Pelo menos enquanto essa lembrança significar mais estradas, desenvolvimento "estratégico" das vias de comunicação entre os principais centros urbanos e o interior, algum apaziguamento da política nacional que permitiu menos sobressaltos na entrada de facto na União Europeia, e um clima propício aos empresários.


Mas um estadista fica na História para o mal, como fica para o bem. Queira ou não, queiram ou não os seus defensores, Cavaco Silva abandonou (inaugurando com o abandono uma nova forma de sair da política que deixou infelizmente seguidores) o Governo deixando à nação os germes que, hoje, se transformaram num défice de 6,83% nas contas públicas. Mesmo com a distância temporal, não é dispiciendo invocar o contributo do ex-Primeiro Ministro para o actual estado de coisas. Sobretudo a partir do momento em que Cavaco abre a boca para fornecer a receita "infalível": reduzir o Estado e reformar a Administração Pública.

Apetece perguntar porque não tomou ele conta da ocorrência enquanto PM. Haveria outras coisas mais importantes? Não sabia disso, mas entretanto evoluiu (talvez por passar a ler jornais)?

Se proveniente de altos cargos na função pública e no sector privado, nenhum dos candidatos a grilo falante de José Sócrates deve merecer a nossa atenção. E ainda menos a atenção do Executivo. A existirem receitas infalíveis, não serão certamente as que estes putativos conselheiros dão agora, depois de terem tido a sua oportunidade de as porem em prática. É tão óbvio que até irrita.

Até este episódio eu estava convencido que as eleições presidenciais eram favas contadas para Cavaco. Mesmo que a esquerda apresentasse um bom candidato. Agora não estou tão certo. A memória do eleitor é curta, é uma verdade que conta em benefício de Cavaco. Mas pouco mais. Cada vez que abre a boca ou saca do teclado, diz algo de profundamente irritante, que logo evoca o Cavaco dos seus melhores tempos: um homem arrogante e auto-convencido, com limitações políticas, muita habilidade para números e desdenhoso das reformas de que o Estado necessita. É bom relembrar quem foi, enquanto governante, o homem que agora ambiciona voltar ao poder, para mais com indisfarçáveis tiques de presidencialista na pior acepção da palavra. Uma espécie de Soares, para pior. Tão pior que peço perdão pela comparação.

Por outro lado, à esquerda também esta semana o clima desanuviou-se. Com Guterres finalmente emprateleirado na ONU, pode o PS respirar e fazer pela vida. Esqueçam Vitorino: é suficientemente novo para ainda aspirar a ser PM, a presidência antes de tempo seria um erro. Esqueçam Constâncio: entre dois sisudos, o povo escolheria Cavaco de olhos fechados.

A vida chama-se Manuel Alegre. Alegre é o único candidato socialista que não irritaria os sectores mais à esquerda do partido e, por inerência, os partidos mais à esquerda do PS.

Ao contrário das legislativas, que em regra se conquistam ao centro, as presidenciais ganham-se sobretudo pela personalidade. Soares não precisou do centro, ocupado exaustivamente por Freitas. (Sampaio não conta, não tinha concorrente.) Alegre não precisa do centro, embora, claro, Sócrates pudesse dar uma mão para roubar a Cavaco alguns votos nessas águas. Apesar das naturais desconfianças, mesmo nas franjas do PSD e até do CDS há simpatias pela figura renovada de Manuel Alegre, que mais que um emblema da esquerda típica do pós-25 de Abril funciona como um símbolo de um homem com convicções, paixões e sentido de solidariedade social. Precisamente o que se quer de um presidente.

Alegre poderia beneficiar, até, das reticências com que alguns sectores liberais e neo-liberais recebem hoje Cavaco.

Com a esquerda por conta e um Cavaco representante da ingovernabilidade sustentada do país e da classe política que hoje faz uma coisa e amanhã diz o contrário, a vitória não será uma miragem para o PS com Manuel Alegre. Este, pelo menos, não tem a lata de aconselhar as "infalíveis" receitas para a crise que até uma candidata a miss será capaz de debitar (sendo certo que nunca as terá de tomar...). Este, ao menos, ousa pensar para a frente, pensar novo. Como se gosta de ter num presidente, já que não se pode ter num primeiro-ministro.

Não sendo seguidor de um nem de outro, sabendo que em política raramente o que parece é, estou hoje convicto de que afinal não é garantida a vitória de Cavaco Silva nas próximas presidenciais.

Posted by pTd at 08:21 PM | Comments (10)

maio 23, 2005

Nunca pensei ver Miguel Portas e Pacheco Pereira trocarem salamaleques desta forma, parecem duas velhinhas à conversa num lanche paroquial. Ah, esperem, reparemos melhor! É a constituição europeia a culpada.

Posted by pTd at 11:49 PM | Comments (1)

Parabéns e um queijo

Ao treinador e jogadores do Benfica, os meus parabéns pelo título de campeões nacionais conquistado com muito sangue e suor e pouco brilho. Aos adeptos, parabéns e :P desgostei bastante da atitute geral de torcerem pelo CSKA na final de Alvalade :P

Aos adeptos do FCPorto, um queijo bafiento. O vosso mau perder merecia pior, mas hoje acordei bondoso.

[ Pergunta 91: porque raio os confrontos de claques em final de época são sempre piores quando o FCPorto perde o título? ]

Posted by pTd at 08:41 PM | Comments (2)

Ando aqui a pensar no não...

Voltei, pois. Ando aqui a pensar no não, que não, que é melhor votar contra no referendo da Constituição Europeia. Mas ando a pensar. E os argumentos são muitos, claro, tanto do lado do não como do lado do sim. É uma chatisse, isto de votar preto ou branco quando há pelo menos 256 tons e cinzento. Voltarei.

Posted by pTd at 06:44 PM | Comments (5)

Ando aqui a pensar no sim...

Pois. Ando aqui a pensar no sim, que sim, que é melhor votar sim ao referendo da Constituição Europeia. Mas ando a pensar. E os argumentos são muitos, claro, tanto do lado do sim como do lado do não. É uma chatisse, isto de votar preto ou branco quando há pelo menos 256 tons e cinzento. Voltarei.

Posted by pTd at 05:36 PM | Comments (1)

maio 20, 2005

Está um espectáculo!

Só vos digo: o Pagar para ver ficou um espectáculo! Um livro que me honra editar. Um livro escrito com sofrimento e feito com amor. Como são todos os grandes livros.

Recebemo-los agora mesmo. Quem já encomendou, e recebeu um e-mail a avisar do pequeno atraso, fique tranquilo: vai receber o seu exemplar a meio da próxima semana, serão colocados nos CTT logo na manhã de segunda-feira.

Quem não encomendou... ainda vai a tempo de encomendar ao preço de lançamento. Está a ver a capa do livro? Basta clicar-lhe e seguir as instruções. Está lá também um excerto em formato PDF.

Posted by pTd at 07:35 PM | Comments (4)

maio 19, 2005

100nada, 2 anos a dar-lhe? É do caraças!

Acabo de perceber que o 100nada faz hoje dois anos. É do caraças! Parabéns, cat! { Mensagem privada: olha lá, rapariga, como estamos com "aquele" assunto? Já não é em Maio ;( Junho? }

Posted by pTd at 12:46 AM | Comments (4)

maio 18, 2005

Só perde uma final quem a joga

Essa é que é essa. E mais nada. A vida é bela.

Posted by pTd at 09:37 PM | Comments (2)

Eu NÃO assino a petição

Vai por aí grande algazarra por causa (ora ora, que novidade!) do sexo. Está meio mundo escandalizado com o programa de educação sexual nas escolas. Bem, confesso-me: pertenço ao outro meio mundo, que não se escandalizou com um programa honesto, com algumas falhas como é normal, mas correcto na essência da abordagem.

A avaliar pelo impacto nos verdadeiros destinatários, os alunos do secundário, penso que o programa é útil.

Podiam os adultos responsáveis, como se auto-pretendem os peticionistas, preocupar-se com o excesso de carga sexual presente hoje nos media mainstream, que vai da publicidade super-erotizada a produtos corriquentos como sabão às distorções da sensualidade para vender automóveis, e saiam-se melhor na fotografia de papás e mamãs conscientes.

O nosso ambiente urbano tornou-se num escaldante, vibrante apelo ao sexo, sexo, sexo. Vivemos num mundo que dá ao sexo um papel contranatura.

Acho muito desejável fornecer aos putos algumas defesas para contraporem ao artificialismo com que o "mundo adulto" trata hoje o sexo.

A masturbação e o homossexualismo estão do lado do naturalismo sexual. Lado do qual manifestamente não estão o paradigma de beleza emanado dos anúncios de shampô, os corpos de iogurte, ou a associação entre a cavalagem de um automóvel e a capacidade do respectivo dono sacar as mulas mais bem arranjadas (isto não sou eu a falar, vejam os anúncios).

Foda-se, EU NÃO ASSINO A PETIÇÃO. Sou contra ela. Logo, nem me darei ao trabalho de publicar o link: já me chegou por correio várias vezes, o que para mim é spam, e anda por aí mais publicitado do que eu desejaria.

[ Nota posterior: as exigências da petição têm contornos pidescos absolutamente inaceitáveis. Como esta: «exigem que sejam identificados os alunos que já foram expostos a este programa, e que o Ministério da Educação apresente um pedido formal de desculpas a cada um dos seus pais.» Eis uma excelente oportunidade para dizer: comprem um cérebro! ]

Posted by pTd at 03:10 PM | Comments (3)

Todo o estádio a cantar: um texto sobre o défice

Por alturas de Maio este país em particular, outros países da União Europeia em geral e em modulações diferentes consoante o respectivo grau de civilidade, levanta um sorriso que não o habita no resto do ano. É o sorriso da esperança. O sorriso que ressuma da paixão. Ao futebol o país deve tal sorriso, tal injecção capital de alegria.

Maio é o mês do estádio a cantar.

O campeonato interno só por si já é lenitivo, embora dure menos a fase de apaixonamento e consequentemente sejam menores os efeitos, no dia a dia do país, do reforço de adrenalina. A adrenalina que nos ajuda a suportar o patrão, o cônjuge, as criancinhas, o trânsito, o chato do vizinho. A adrenalina que nos alimenta a combustão do trabalho, intelectual ou braçal, fazendo-nos render mais. Mesmo que seja por dias, semanas ou em casos excepcionais, como a aventura colectiva do Europeu do ano passado, durante um mês inteiro.

Mas quando uma equipa "das nossas" chega ao cume dos torneios europeus, as doses são maiores e de melhor qualidade. É muito forte, felizmente, o impacto ao nível da psique colectiva e nos índices de autoestima (individual e sobretudo colectiva) de uma nossa tribo estar a disputar a liderança com as tribos de países que sabemos (mesmo que o não digamos, por politicamente incorrecto) serem melhores que o nosso. Terem economias melhores que a nossa. Empresas melhores que as nossas. Dirigentes mais sábios e espertos e dotados que os nossos. Sociedades mais ricas que a nossa. Gentes mais felizes que nós.

Quando "um dos nossos", como José Mourinho, triunfa lá fora é uma coisa boa (mimando o discurso de Artur Jorge). Mas é pouco. Nós sabemos, cá no interior, que somos bons, tão bons como os demais; temos é menos condições. Cá. Se nos derem condições, como a ele (e aos emigrantes em geral), também triunfamos. Mais ou menos consoante as aptidões de cada qual, mas isso é a lei da vida, que é uma lei superior à dos homens.

Agora, ser uma equipa "das nossas", um clube "dos nossos", é algo completamente diferente. O FC Porto é um pigmeu da Europa. Como o Sporting. Os triunfos recentes (e menos recentes) dos nossos clubes são uma excepção notória no panorama nacional. Em nenhum outro ramo de actividade foram e vão tão longe, de forma mais ou menos sistemática, agremiações com o carimbo português.

E no entanto tendemos a denegrir os nossos clubes. Em vez de lhes seguir os bons exemplos. O da gestão, nomeadamente -- pois é aí que eles se distinguem. Queiramos ou não, os nossos clubes são bem geridos. Melhor geridos, aliás, que praticamente toda a qualquer outra colectividade, agremiação, empresa, sociedade, partido, instituto.

A boa gestão só se mede por um lado. Nos resultados. São estes que fazem a diferença. Qualquer que seja a nossa perspectiva de encarar o mundo, sejamos capitalistas, socialistas, ácratas (como eu), liberais, you name it, é pela obtenção ou não de resultados que medimos o sucesso de qualquer empreitada.

Que importa ser um modelo de correcção se não se obtém resultados? A resposta é felizmente antiga: vitórias morais. Os nossos clubes fartaram-se das vitórias morais e nas duas últimas décadas conquisaram vitórias reais.

O que interessa cumprir as regras se não obtivermos resultados? Ficamos no coração da professora, eternamente grata, mas não temos o nome no quadro de honra.

Gerir bem é gerir de forma a obter resultados. [Nota: entre os resultados estão a imagem e a continuidade do projecto, está bem de ver; logo, qualquer acto que possa ser prejudicial à imagem e à continuidade é um acto de má gestão a médio e longo prazo, que são os prazos que geralmente nos interessam. Em síntese: os fins não justificam todos os meios. ]

Apesar de cotados em bolsa e obrigados a processos de gestão dita "empresarial", para os clubes de futebol os resultados não se medem em dinheiro. Os dividendos são outros. A produtividade é diferente da que se espera de uma empresa. Ou de um país. Um clube existe para fazer os seus sócios felizes. Um clube não existe para dar lucro no sentido em que hoje empregamos a palavra, referindo-nos a dinheiro. O lucro de um emblema e futebol é a sua sala de troféus, a glória das suas cores, o orgulho da sua massa associativa e simpatizantes. Um clube bem sucedido conquista adeptos ("mercado"?) e admiração fora do seu meio normal.

Um sócio ou adepto de um clube não quer saber, muito justamente, se as finanças do clube passam numa inspecção ou auditoria. Isso são pormenores. O que ele quer são resultados, sob a forma de conquistas. Nuns casos, vitórias em provas de nível mundial, noutros, a superação dos resultados do passado.

Um país não é um clube de futebol. Mas um país também não é uma empresa. Para o "sócio" de um país, ter os livros apresentáveis para os ficais e amanuenses é um objectivo muito, mas muito secundário. O objectivo da gestão de um país não é, ou não deve ser, conquistar a gratidão do mestre-escola. Deve ser, sim, entrar para os quadros de honra. Apresentar resultados!

Os resultados de um país medem-se não pela sua habilidade em ter as contas em dia, mas pela capacidade de empregar os recursos de forma a obter lucro. O lucro de um país é, em primeiro lugar, ter um povo feliz, orgulhoso de pertencer a esse país. Para tal convém ter uma economia produtiva. Um sistema social digno. Empresas competentes. Estado equilibrado. Trabalhadores motivados por salários decentes, para produzirem em superação constante.

Que interessa a um país cumprir regras sobre défices se não alcança os seus resultados?

O pior que pode acontecer a um clube de futebol é (um bocado a exemplo do que se passou com o FC Porto este ano) ficar muito abaixo dos objectivos sem que isso, ao menos, resulte em finanças equilibradas. Numa palava? Esbanjamento de recursos.

Similarmente, o pior que pode acontecer a um país é esbanjar os seus recursos.

O défice não seria preocupação se os recursos tivessem sido usados para alcançar os objectivos.

Não há forma de Portugal dar lucro -- isto é que devia ser a preocupação dominante, não a percentagem do défice.

Posted by pTd at 02:59 PM | Comments (1)

Da inutilidade dos blogues

Respondo zelosamente ao Altino Torres, em jeito de parabéns pelo food-i-do.

1 - Na tua opinião a blogosfera lusa tem impacto na sociedade portuguesa?
Não.

2 - Quem aconselharias a criar um blog e porquê?
A ninguém. Já há blogues demais, isto é uma seca. Trespasso o meu!

3 - Qual a tua opinião sobre os livros que nasceram dos blogs?
Depende dos livros. Os três que já publiquei, são os M Á I O R E S!, carago! E se mos comprasses?

4 - Qual a tua opinião sobre blogs pagos?
Embora seja blogger, confesso a minha dificuldade em emitir opinião sobre uma coisa que não existe. Desculpa, pá.

5 - No caso de já conheceres o Blog "Abrupto" qual a tua opinião sobre a carta à mãe que Pacheco Pereira lá colocou.
Não tenho opinião porque não li.

6 - Se o teu blog não fosse esse mesmo que blog gostarias de ter? Porquê?
Nenhum. Porque este é o meu.

7 - Alguma vez um blog te influenciou politicamente?
"All the time, pal" (um doce a quem descobrir de onde vem a quote).

8 - Que celebridade "blogosférica" gostarias de conhecer e porquê?
Hum, celebri-quem?!

9 - Qual a tua opinião sobre os blogs anónimos?
A melhor possível.

10 - Qual a tua opinião sobre os encontros de bloggers?
Depende do menu do almoço.

Posted by pTd at 12:03 AM | Comments (3)

maio 17, 2005

Da paixão

A paixão é uma estação do amor, como o Verão é uma estação do ano.

Posted by pTd at 09:40 PM | Comments (5)

maio 16, 2005

Pouco apetite

Pouco apetite para escrever aqui. Os dias correm depressa demais e os projectos rentabilizam devagar demais. Isto uma pessoa até perde a vontade de escrever. Enfim. Mais umas afinações no directório de blogues portugueses, aqui. Continua a venda de livros online na loja, com algumas novidades. Demasiado trabalho no weblog.com.pt. Até já.

Posted by pTd at 06:05 PM | Comments (2)

maio 14, 2005

Bolas

Bolas para as bolas. Duas bolas de plástico que fazem não-sei-o-quê entre a embraiagem e a caixa de velocidades do meu Corsa decidiram que era tempo de se quebrarem. Resultados: não pude ir a Évora à mesa redonda sobre blogues (link) organizada pelo Forum Social Português; e vou ter de esportular 150 euros, no mínimo, pela substituição da dupla peça completa, onde encaixam as ditas cujas bolas, agora com bolas incluídas, mas segundo me dizem já bolas de ferro (não partem; espero que não enferrujem depressa). É tramado, isto de por causa de duas pequenas bolas de plástico se ter de substituir uma peça inteira, com 40 centímetros de ponta a ponta, e diversos mecanismos intermediários. É tramado, isto das peças de substituição nos automóveis. É tramado, isto do mercado. Mas como se sabe, sem mercado não haveria vida ao cimo do planeta Terra.

Desculpa Rui Tavares.

Posted by pTd at 11:02 PM | Comments (2)

maio 13, 2005

A portugalidade

Hoje vi a portugalidade. Na ponte sobre o Tejo mais perto do mar, olhando para Oeste. As nuvens acasteladas sobre uma água azul marinho, brisa forte; a popa de um navio que desliza alto mar para fora. Para o futuro, rumo à promessa. Quem vê partir, sente-se protegido porque
lá de fora virá riqueza, pela certa. Instantes depois sente-se incerto: o mar é caprichoso, pode nem regressar quem se conjuga, ou regressar com um caixão em vez de especiarias no porão. Hoje continuamos iguais a ontem: virarmo-nos para Este nada alterou.

Posted by pTd at 08:44 PM | Comments (2)

Hoje irritei-me com: a mão invisível

A classificação de "gerações" da "bloguesfera" feita neste post por Manuel Pinheiro é não apenas um disparate como um dos textos mais falsos e deprimentes que tenho lido na, sobre a, blogosfera. Imaginem que alguem descreve uma floresta falando unicamente dos eucaliptos. É, não é?

Posted by pTd at 08:36 PM | Comments (3)

maio 11, 2005

Serviço de directório de blogues em versão beta

Está lançado um novo serviço de directório de blogues. Ainda em versão beta, já dispõe de algumas funcionalidades desejáveis como os frescos (com título e autor dos blogues actualizados nos últimos minutos)e uma listagem que se pretende exaustiva dos blogues portugueses.

Outros serviços previstos,
no curto prazo:
* pesquisa por palavra-chave nos blogues (uma maravilha uma vez que, ao contrário dos motores de busca que têm necessários delays, permitirá obter respostas com actualização de minutos);
* catalogação por categoria (dava jeito colaboradores para a classificação);
*recenseamento dos "mortos" ou inactivos;
no médio prazo:
* sistema de login para gestão dos blogues de cada autor;
* elementos estatísticos sobre a "produção" de cada blogue;
* geração automática de listas de blogues, para copiar+colar para as barras laterais;
* estatísticas de links para os blogues, quer as actuais (últimos dias), quer as históricas (technorati-style).

Hope you like it!

Posted by pTd at 08:29 PM | Comments (7)

A esperteza possível de Marques Mendes

Sempre atentos e vigilantes como é seu timbre, os ditos opinion-makers da Imprensa lisboeta têm nos últimos dias elogiado a acção do líder do PSD, Marques Mendes, na condução do processo das autárquicas. Mendes é apresentado por tais teclados como um herói não só do seu partido como da política nacional.

Bem espremido o assunto, MM recusou a entrada nas listas de figuras populistas como Valentim Loureiro ou Isaltino Morais, que para mais estão ou estiveram a braços com a Justiça e seus comportamentos (no caso de Isaltino) terão ficado aquém do esperado num político, quiçá num cidadão! A ilustre classe opinante, que como toda a gente -- à excepção de Pacheco Pereira -- sabe é na sua maioria de Direita, releva assim a coragem do líder do PSD e o seu inestimável contributo para a moralização da classe política aos olhos da populaça, uma verdadeira limpeza no aparelho. Ortodontias à parte, se ocorrer ao cidadão menos sensível às pequenas -- embora decerto significativas -- minundências dos dia-a-dias partidários pensar dois minutos seguidos no caso, a tese do heroísmo mendista não se aguenta nem 30 segundos. A tese ad hominem afigura-se, sim, como uma campanha (orquestrada ou não, opto pela última) de construção acelerada de uma imagem forte, de rigor e competência, que inculque nos cidadãos em geral a ideia da eficácia de Marques Mendes enquanto político moderno e preocupado com a dignificação da política portuguesa. Coisa que ele não é nem está. O que ele é e está, é um típico quadro do PSD que, perante um cenário de crise interna, está a robustecer a sua liderança pondo em sentido os tradicionais baronetes do partido.


Comecemos por aqui. Mesmo admitindo benevolamente que tamanho altruísmo tenha finalmente arribado, em jeito de epifania, à cabeça de um dos mais antigos políticos nacionais, que ocupou os mais diversos cargos partidários e governamentais sem nunca ter mostrado queda para homem das limpezas, as escolhas de MM não aquecem nem arrefecem por aí além em matéria de moralização. Ainda que pessoalmente possa rejubilar por ver Morais dançar, porque não nutro pelo homem grandes simpatias e acho que borrou a pintura por completo no caso "suiço" merecendo o "castigo", não vejo onde está a coragem para o afastar, nem vislumbro na situação uma "política de fundo" com o objectivo de dignificar o exercício de cargos políticos. É o mínimo dos mínimos que se pode pedir a um líder partidário e mal vai a política quando um político é elogiado por cumprir os mínimos olímpicos. A menos, claro, que haja uma estratégia no elogio.

Responda o leitor, depois de reflectir um instante, à pergunta da praxe: caso tivesse apanhado o Governo socialista de maioria absoluta a meio dos presumíveis quatro anos de mandato, em vez de no início, Mendes preocupar-se-ia com a deontologia dos seus ganhadores de eleições regionais?

Pois. Como fica demonstrado, o acto heróico e a coragem não passam da esperteza possível. Com a qual nos devemos congratular, ainda assim, pois há mérito em aproveitar cada circunstância a nosso favor -- e Mendes aproveitou para se impôr a alguns baronetes episodicamente na mó de baixo para reforçar a sua fraca imagem de líder.

Por outro lado, é duvidoso, eu diria improvável, que sejam rentáveis para o PSD e suas bases os afastamentos de Loureiro e Morais e o significado político do gesto. O argumento da "dignificação" só colhe nas cabeças exteriores ao partido. Dentro deste -- e excluindo as elites, que adoram mostrar-se preocupadas com os aspectos deontológicos e perorar-nos os ouvidos até à náusea com A Virtude -- só há um objectivo: vencer!; só há uma preocupação: voltar o mais depressa possível ao poder.

Mendes corre um risco em afrontar assim o aparelho. É certo que é um risco calculado e diminuído por força do momento (ou era agora, no início dos quatro anos de deserto, ou nunca era).

Ao contrário dos restantes partidos com lugar no Parlamento, o PSD é o que mais depende das "figuras", do seu prestígio e da admiração que suscitam nos putativos eleitores. No CDS, no PS, no PCP e até mesmo no BE vota-se tanto por convicção nos respectivos ideários como nas pessoas que o corporizam (ou não). Estes são partidos com cartilha ideológica de fundo, um mostruário de convicções capazes de conquistar ou repelir eleitores. Pode o mostruário ser apresentado mais dourado ou menos dourado conforme o líder do momento e o próprio momento, mas ele está lá. No PSD, não. No PSD vota-se menos por convicção, vota-se mais pelo prestígio do líder. O ideário social-democrata é já de si bastante vago para suscitar emoções e no PSD ainda por cima mal se dá por ele, o partido sempre desprezou a sua cartilha. O PSD discute pessoas e no PSD discutem-se as pessoas: fizeram bem ou mal, ganharam ou perderam. Nunca se discutem nem comparam os pormenores programáticos de vitórias e derrotas.

Historicamente o PSD deve quase tudo às figuras -- nacionais e regionais -- e quase nada aos seus programas.

Gostemos ou não das acções de Isaltino Morais, Valentim Loureiro, Isabel Damasceno ou João Jardim, são as suas figuras que ganham as eleições regionais e nas nacionais controlam os votos nas respectivas paróquias. Mais que máquinas ganhadoras, ao longo de décadas foram eles que cimentaram o peso do partido no eleitorado.

Mais que a lutar heroicamente pela dignificação dos cargos políticos no seu partido, matéria duvidosa, Marques Mendes está a aplanar o caminho interno para reduzir o impacto que previsíveis derrotas autárquicas pudessem vir a ter na sua liderança. Em suma, está a precaver-se para uma liderança que se prevê dificultada pela míngua de poder e de vitórias, o que no seu partido tem conduzido inevitavelmente à queda do líder. Mendes não quer ser outro Fernando Nogueira e muito menos outro Rebelo de Sousa.

Ao país em geral e aos comentaristas políticos em particular dará jeito ver a coisa pelo lado da dignificação. Ao eleitorado do PSD, porém, não dá jeito nenhum. Sem Loureiros, Morais e Jardins, acabam as alegrais locais que ainda iam afagando a alma. Do ponto de vista deles, o futuro do PSD continua negro apesar do "cavaleiro branco" que os comanda, segundo a Imprensa.

Posted by pTd at 08:58 AM | Comments (5)

maio 10, 2005

Noites maravilhosas e manhãs de esplendor

Citação para morada certa: «São noites maravilhosas as nossas, amor. Adoro quando, findo o código, me vou enroscar em ti e tu acordas e conversamos e rimos e acordamos a casa às gargalhadas às 3 da manhã. Mas são ainda melhores as esplendorosas manhãs em que os teus olhos se afundam nos meus e, juntos, programamos um novo dia feliz».

[ in Explicação do amor, de Manuel Carreira ]

Posted by pTd at 12:25 PM | Comments (2)

maio 09, 2005

Hoje irritei-me com: o Gato Fedorento (blogue)

Entendo que um blogue morra de morte natural (que é o cansaço ou o fastio do respectivo autor). Entendo que um blogue evolua (o autor fart-ase de escrever sempre o mesmo e muda). Entendo que um blogue encerre temporariamente para descanso do pessoal. Entendo que um blogue se funda com outro(s). É chato seguir um link para um blogue sem actualização há meses ou anos, mas entende-se que os autores mantenham os links mesmo nessas circunstâncias. Agora, irrita-me ir a um blogue e vê-lo transformado em placard publicitário.

Falo do Gato Fedorento. Os rapazes souberam usar o blogue para dar conta à sociedade do seu imenso talento. Óptimo, os blogues servem para isso, para espalhar talento que se ficasse à espera dos caça-talentos da Imprensa ou dos editores... bem podia esperar deitado. Isso não me irrita, pelo contrário, agradou-me. Irrita-me é que hoje eles usem o Gato exclusivamente para publicitar o programa televisivo. Se intercalassem a publicidade com algum conteúdo, ainda se tragava. Assim, mais valia terem a decência de calar o irritante miado do gato.

Posted by pTd at 02:08 PM | Comments (2)

maio 08, 2005

Hoje irritei-me com: a lerdice da Netcabo

Acabada a escrita do correio, carreguei em "enviar". Passados instnates recebo a seguinte notificação de erro: Can't send to". The server gives the reason:'550 5.7.1 213.22.108.90 has been block by SpamCop'..

Explicando. Estou a usar Netcabo. Sendo cliente e estando autenticado de diveras formas, uma das quais pelo endereço IP (no caso o 213.22.108.90) que é propriedade da Netcabo e só um cliente da Netcabo poderá usar, envio o meu correio, como de resto a Netcabo aconselha aos seus clientes, pela "estação de correios" da Netcabo, que é o servidor smtp.netcabo.pt. Aquela mensagem significa isto: a estação de correios da Netcabo não entrega correio oriundo dos seus próprios clientes autenticados!

Será louvável que usem o SpamCop. Não é de todo aceitável que não façam bypass às regras do SpamCop. Como o cliente que usou anteriormente aquele IP foi provavelmente vítima de um abuso ilegal por parte de criminosos que enviaram toneladas de spam pelo seu computador, eu, e os clientes a quem este IP foi alugado nos próximos tempos, não poderei mandar correio legítimo pela minha conta legítima na legítima Netcabo.

Sabem? Evitar isto é incluir uma linha de código algures. Uma linha basta. Uma linha que verifique se o IP do remetente está na lista negra da SpamCop e mande agir em conformidade. Uma linha.

Posted by pTd at 05:03 PM | Comments (5)

maio 07, 2005

A marca do tempo

O tempo tem a sua inexorável marca. A extraordinária diáspora da blogosfera portuguesa nos últimos dois anos deixou pelo caminho alguns dos históricos, hoje enovelados nas listas de referenciação entre zizis e zazás.

A evolução é curiosa: calculo que aqui n'(o vento lá fora)* restem menos de 10 por cento dos leitores dos primeiros tempos; não tem só a ver com o crescimento (de 800 visitantes diários em Maio de 2004 para 1800 este mês), há uma renovação de leitores, perceptível nos comentários, nomeadamente; calculo que mensalmente um décimo dos leitores deixa o blogue, que conquista outro tanto e um pouco mais, nessa constante renovação.

Outro dado curioso da evolução, senti-o hoje ao consultar as estatísticas. Há dois anos, e até há um ano, uma episódica menção no Abrupto valia umas centenas de visitantes a mais durante um ou dois dias; agora, vale umas dezenas.

A marca do tempo faz-se sentir também aqui.

A blogosfera escrita por portugueses tem tido, desde 2003, uma divergência evolucional face à congénere americana. O fulanismo, ou o umbiguismo, que de resto é característica bem portuguesa, levou a uma grande densidade opinativa e a uma rarefacção informativa. De saudar as notáveis excepções, como o blogue Hollywood, hoje líder de audiências. O que representa alguma coisa, mas não tanto quanto se poderia pensar: a percentagem de "falsos-leitores", isto é, todos aqueles -- humanos e bots -- que chegam a um blogue vindos de uma pesquisa nos motores, é neste caso maior. O Hollywood tem uma elevada percentagem desses não-leitores, sobretudo os de outras línguas, atraídos pelos nomes de estrelas cinematográficas (só 10% dos requests do Hollywood foram feitos directamente, contra, por exemplo, 46% no meu blogue).

Apesar disso, o Hollywood tem uma vantagem, recompensada pelos leitores: é um blogue eminentemente informativo, transpontando para Português noticiário (comentado por um autor sensível e eficaz) que de outra forma teria de ser lido em Inglês. Uma excepção numa blogosfera de cariz marcadamente fulanista.

Posted by pTd at 03:28 PM | Comments (7)

Mudanças (ou: a importância dos links à prova de futuro)

(o vento lá fora)* acabou de sofrer mais uma renovação tecnológica. A partir de hoje, os endereços deixaram de ter extensão. Não mais .php, .html etc. No entanto, manteve-se a retro-compatibilidade com os arquivos, para que nenhum link para cá possa falhar.

Truques de MT e do Apache. A ideia é ter um arquivo capaz de resistir ao tempo e respectiva erosão (ou future-proof permalinks). Assim, mesmo que amanhã mude de sistema, ou queira passar tudo para .php, .asp, .cgi, .shtml ou outra forma de servir as páginas, os permalinks manter-se-ão sempre funcionais e sem necessidade de reconstruir as entradas e páginas de arquivos mensais e por categorias.

A mudança dos endereços dos permalinks para algo mais interessante que arquivo/102247.html, como por exemplo /arquivo/2005/05/equador é simples e está ao alcance de qualquer blogger. Se houver interessados, é deixar comentário.

A mudança é particularmente útil para quem pretenda fazer a migração do MT 2.66 para o MT 3.16 (e futuras versões), podendo passar todos os seus arquivos, sem dor nem problemas, para uma nova construção de endereços permanentes, ou permalinks. Os posts antigos mantém-se nos respectivos endereços, mas passam a redireccionar automaticamente o leitor para os novos e mais amigáveis endereços.

Interessados?

Posted by pTd at 03:06 AM | Comments (9)

maio 06, 2005

Faltam 33!

ihihihihihi ;)

Posted by pTd at 06:14 PM

Ui!

Ontem foi um dia do caraças. Claro está, porque o Sporting ganhou aquele jogo sofridíssimo. Há muito tempo que não sofria a bom sofrer a assistir a um jogo de futebol. Parabéns rapazes (das duas equipas).

Comentário ao lado, quando o jogo acabou, de alguém que só remotamente tem conexão com a bola: «Eu já era do Sporting antes de ser do PS». Ui!

Depois do jogo descobri que tenho uma filha adolescente. Estou frito ;)

Posted by pTd at 06:02 PM

Hoje irritei-me com: o servilismo blogosférico

Hoje irritei-me com o servilismo blogosférico pretextualizado nos totalitários encómios ao putativo pai da lusa blogosfera, subordinados ao seu aniversário. O efeito JPP alavancou, de forma abrupta, a mediatização dos blogues em Portugal. Em finais de 2003 chamei a atenção para o esperável efeito perverso de tal mediatização feita à custa da entrada na rede de figuras públicas (logo mediáticas). Ano e meio depois a tendência tornou-se mainstream e a genuflexão de contornos feudais uma irritante realidade.

[ NOTA: abre-se hoje uma nova secção n'(o vento lá fora)* onde, numa base que se pretende mais ou menos diária, desabafarei as minhas irritações. ]

Posted by pTd at 12:43 PM | Comments (17)

maio 04, 2005

Novidades (3 de 3): remodelação

Para encaixar as muitas novidades da loja, as novas obras como o Pagar para ver (ver novidade dois) e futuras (ok, aqui vai: As Ruínas Circulares têm o seu livro quase pronto!) e ainda livros de terceiros, com a estreia de 50 Hacks para o Windows XP - O ABC do Hacker da editora Centro Atlântico, procedi a uma remodelação. Menos gráfica e mais de funcionalidade.

Além dos pagamentos por MBNet, cartões de crédito e contra entrega (apenas para Portugal, agora), foram adicionadas duas novas modalidades, para aqueles que não gostam de cartões: podem usar as transferências bancárias ou os cheques, não seja por isso que não compram livros!

Posted by pTd at 03:44 PM

Novidades (2 de 3): no prelo (act.)

No prelo: Pagar para ver, de Ana Roque. É o segundo livro com a chancela leiturascom.net e já se pode encomendar aqui (entregas a partir de 15 de Maio, o mais tardar). O diário possível de uma mulher que, desiludida com um amor, não desiste todavia de acreditar que a felicidade existe. Publicado primeiro em blogue e agora passado ao papel. Para um "miolo" de tão elevada qualidade, era preciso uma capa fantástica! Ei-la.

Actualização: dado o interesse despertado pela capa, entendo que devo mencionar a respectiva autoria: Pedro Roque (sim, tem o mesmo apelido da autora, pois é filho dela; é o que se chama um consórcio familiar ;)

Posted by pTd at 11:38 AM | Comments (4)

Novidades (1 de 3): concurso

Já está lançado o Concurso de micro-contos Mário-Henrique Leiria.




Recepção de originais durante o mês de Maio. Resultado do concurso divulgado em Junho e publicação de colectânea. Leia e divulgue! Mais informação neste link ou "clicando" na imagem.

Posted by pTd at 11:34 AM | Comments (1)

Mais Estado, melhor Estado

É sem dúvida nenhuma a mais difícil posição de defender nestes liberais e democráticos tempos, em que se vilipendia o estado-mamute e se entronizam as maravilhas da iniciativa privada. Mas a dificuldade não deve servir de razão para fugirmos ao exercício da análise sobre a realidade, ou as realidades.

Em Portugal, nas várias áreas da "actividade económica" onde se fez a vontade à populaça e se diminuiu o peso do Estado, os exemplos de falência são mais que muitos. Tomemos o ensino, como podíamos tomar a rede viária ou a Imprensa.

Sob o pretexto de que o sistema estava falido, sem dúvida alguma devido à irresponsabilidade do Estado para o gerir, abriu-se o ensino superior à "iniciativa privada". Efeitos: o ensino superior não só não melhorou como globalmente dá hoje piores resultados; a grande maioria das universidades privadas está tecnicamente falida, colocando a sociedade (representada pelo Estado) perante um dilema terrível: ou as deixa fechar pelo curso inexorável dos tempos, com alguns custos políticos (governo que o faça fica com esse ónus), ou as mantém artificialmente com os balões de oxigénio das notas de acesso mais baixas. Que permite às privadas continuar de portas abertas pagando a sociedade o preço de formar universitários de baixo nível; com uma agravante: toda a gente a querer entrar para as públicas, uma pressão que estas dificilmente aguentam e que anula por completo a ideia original de... privatizar as universidades.

Uma ou outra atitude tem aspectos negativos e positivos. Seja qual for a atitude que o Estado português tomar nos anos vindouros, o essencial permanece: a aventura privada no ensino deu péssimos resultados.

O alheamento do Estado abriu ainda campo à erosão da pedagogia e do bom senso, nomeadamente no que toca aos manuais escolares, antes parte integrante do processo educativo e hoje um "mercado", dominado a 100% pelos editores, com os ministérios tutelares da Educação em extrema dificuldade para travar uma escalada comercial que afecta sobremaneira as bolsas da grande maioria da população. Com efeitos colaterais sobre outros aspectos que importam à sociedade, como a composição dos futuros agregados familiares.

Em matéria de Comunicação Social as coisas não são melhores, embora pareçam (tornando muito difícil ver claro neste assunto). Hoje, globalmente, pratica-se pior jornalismo, no sentido em que a informação é mais comprometida e a notícia "presa" por malhas diferentes da censura (antes de Abril) ou dos controleiros políticos (imediatamente depois de Abril), mas nem por isso deixam de ser malhas de retenção da verdade.

Na saúde a prática dos privados é o que se vê. Está por provar que a gestão hospitalar privada seja a solução. Pela amostra, tornou-se parte do problema em vez de parte da solução. [ Sendo a razão muito simples, aliás: a saúde não é uma actividade lucrativa. ]

Podíamos continuar a desfiar exemplos de sectores onde o exigido "menos Estado" tornou as coisas piores. Não vale a pena.

Por outro lado o Estado é mau. Hoje em dia não é pessoa de bem. Cada vez que mudam as equipas mudam também os fluxos internos, conduzido a situações incomportáveis para os fornecedores: facturas presas durante ANOS à espera da assinatura do novo responsável, que muitas vezes não se sabe quem é e que, quando chega finalmente, começa por esmiuçar as relações do fornecedor com a equipa anterior. Conheço casos em que serviços prestados ao anterior executivo de Guterres tiveram os pagamentos adiados durante um ciclo governamental inteiro -- e não se tratava de questões de boys.
Ninguém gosta de trabalhar para o Estado; no entanto fá-lo devido à míngua de alternativas (a nossa economia privada é debilóide quanto baste, levando à anemia de largos sectores de produção).

É por o Estado se ter deixado chegar a este ponto de gordura paralisante que a sociedade passou a demandar a sua desestruturação, em benefício do sector privado. Mas agora temos um novo problema: o sector privado também foi incapaz de responder aos desafios como se desejava e impunha.

Como o resolver?

Enquanto não abrimos mão da propriedade de bens e de utensilagem produtiva -- sendo a propriedade a maior charneira entre liberais (antigos, verdadeiros) e anarquistas (e social-anarquistas e outros "utópicos") -- parece-me que a solução será, por uns tempos, mais Estado, melhor Estado. Uma fórmula conservadora, é certo, mas que pelo Norte da Europa produziu as sociedades mais equilibradas e ricas neste início de século. Não deve ser assim tão má fórmula.

Só com um Estado mais musculado e interventivo, no sentido mínimo de regulador feroz, será possível adiar o colapso do capitalismo e da economia de mercado. Mas para tal precisa o Estado de uma radical cura de emagrecimento, de cortar as banhas que o asfixiam e lhe abrandam os ritmos naturais quase ao ponto da paralisia. Ora, é aqui que a política torce o rabo. Vamos em Portugal continuar a viver tempos difíceis e de desorientação geral.

Posted by pTd at 08:58 AM | Comments (8)

maio 01, 2005

Pá, isto um gajo, pá, já nem um charro pode fumar e apanhar fruta nem se fala!

As notícias condoem-se do "realizador" português Ivo Ferreira porque, coitadinho, foi apanhado a fumar uma ganza num país bem conhecido pela sua atitude fechada, e de resto passada a legislação, quanto ao consumo de estupefacientes e demais substâncias. Ferreira, que teve a peregrina ideia de ir fumar charros para o Dubai, tem conseguido envolver a diplomacia portuguesa e, pior, o jornalismo português na sua causa. Está no seu direito de cidadão e tanto melhor para ele.

A mim faz-me espécie o comportamento dos seus concidadãos. Na Imprensa e nos blogues a "opinião pública" faz críticas ferozes e demandas impossíveis à diplomacia portuguesa que, segundo essa "opinião", terá de ter como prioridade absoluta defender os cidadãos portugueses quando estes violam as leis dos países que frequentam. Na mesma altura é revelado o drama, com anos, de portugueses vilipendiados por redes espanholas de escravatura agrícola. As reacções da "opinião pública" são quase nulas, ou tímidas. A mim faz-me espécie. Se fossem "realizadores" em vez de apanhadores de fruta, se tivessem sido presos por fumar ganzas em vez de explorados selvaticamente por privados, teriam melhor sorte.

Faz-me espécie uma sociedade que trata com enlevado carinho e comiseração um puto parvo que foi fumar ganzas para o Dubai e ignora, assobiando para o ar, o drama de dezenas de jovens e chefes de família que, sem trabalho em Portugal, são obrigados a aceitar trabalho em condições infra-humanas aqui ao lado, em Espanha.

Posted by pTd at 06:47 PM | Comments (14)