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junho 30, 2005
Princípio, meio e fim
Dizem por aí as más e as boas línguas que o Barnabé vai acabar, ou acabou -- conforme a hora, o local e o ponto de vista (de) onde me estão a ler.
Não acredito. É obviamente bluff. Dou-lhes 15 horas para estarem, todos, a escrever por aí em qualquer sítio (olha, aqui o Mas certamente que sim(1) aceita dedos-de-teclado) e uns dias para que naquele sub-domínio surja outro projecto!
Mais a fundo, como tive oportunidade de dizer ao Daniel: faz-se um blogue por um punhado de razões, mas uma das melhores razões para fazer um blogue é ter um projecto para ele; ora, os projectos -- teimando em seguir os exemplos da vida ao seu redor... -- costumam ter princípio, meio e fim.
O Barnabé tinha um projecto. Uma ideia. As mudanças operadas no espaço social da esquerda portuguesa pelas últimas eleições legislativas esgotaram em grande medida o projecto com que o Barnabé fora criado. Era uma questão de tempo até os próprios barnabitas se aperceberem disso. Demorou mais tempo do que eu pensei.
Estas são as más notícias. Vamos às boas: os meritórios talentos revelados ou confirmados pelo blogue Barnabé continuarão a deleitar os seus leitores (entre os quais me incluo). Não é vergonha, embaraço e muito menos motivo de regozijo para os figadais inimigos finalizar um projecto como o Barnabé. Pelo contrário. É digno.
Um abraço a todos.
PS: a subscrição do Barnabé só termina em Novembro; recordo que a podem aproveitar para outro blogue - ou vários. Como é prática exclusiva da casa weblog.com.pt, não é o tempo do calendário que conta, mas o tempo de utilização.)
Posted by pTd at 11:12 PM | Comments (1)
Da arruaça
Há pessoas que não enganam. Presumo que os conhecem: são os natural-born troca-tintas. Gente capaz de intoxicar uma reunião, um grupo de gente, um amigo, 80 leitores. Indivíduos incapazes de se enxergarem. Com um ego maior que eles próprios, cegos às evidências, cegos aos laços e compromissos (embora colem ao peito a etiqueta de esquerdistas).
Eu conheci algumas pessoas assim, infelizmente. Mas como um azar nunca vem só, um dia até fui sócio de uma. A empresa era engraçada, as pessoas que a compunham estimulantes. Até ele, na verdade, era promissor, um jovem escritor com algum talento, duas ou três ideias boas e aparente vontade. Claro, nunca eu o tinha visto em acção. Depois vi-o em acção. A empresa fechou, com dois sócios a fugirem dela, indignados. A empresa não chegou sequer a iniciar actividade. Mal se organizou a estrutura este nosso "amigo", que no momento das escolhas fugira de um cargo de responsabilidade, passou a disparar contra os responsáveis com uma caçadeira de chumbo tão grosso que salpicou até quem, como eu, tinha um lugar marginal na estrutura e não estava entre ele e os seus alvos.
Empresa desfeita, bico calado, que isto uma pessoa gosta de ser discreta face aos seus falhanços. Ah, mas não o Jorge Candeias. Não, o Jorge Candeias não. Ele é mais do género de não conseguir ficar calado. Não aguenta. Não se aguentou. Ao fim de uns mesitos a esforçar-se por ser pessoa, acabou inevitavelmente por se chibar.
Como o Jorge Candeias é uma pessoa de fortes rancores, quando abriu a cloaca despejou-a sobre mim. Ainda bem: agora como noutra altura, sirvo eu de amortecedor. É um papel que cumpro com agrado.
Como o Jorge Candeias é um indivíduo sem carácter, explica à saciedade que há "coisas ditas em reuniões que não iriam ser abertas ao público". Nessa explicação, Jorge Candeias abre todo o seu jogo. Bem ao jeito dos cobardes que gritam "agarrem-me senão dou cabo dele" enquanto se refugiam nos braços dos amigos, o Jorge Candeias grita "cuidado" comigo que vou fazer aquilo que ele próprio começou por fazer. Ateia o fogo e depois acusa os bombeiros de usarem gasolina em vez de água.
Além de cobarde é irresponsável. Injuriou-me, eu estou aqui a injuriá-lo e por aqui me ficarei; uma vez basta. É fatal como o destino o Jorge Candeias redarguir no seu estilo de candidato a arruaceiro. Eu farei por me conter. Como diz um ex-amigo comum, ele é mais violento do que eu, mas eu sou mais inteligente do que ele. Ao que retorqui com veemência: olha que eu consigo ser mais violento do que ele, mas ele não é capaz de ser mais inteligente do que eu! E desligámos.
Posted by pTd at 11:15 AM | Comments (5)
junho 27, 2005
Post com dedicatória amorosa muito especial....
Dedico esta fotografia a todos os brancos racistas, xenófobos nacionalistas e ultras:

E já agora, para que não se fiquem a rir, à escarumbada juvenil que acha que é com demonstrações de força que ganha para as sopas, a descendência e a dignidade.
Posted by pTd at 12:28 AM | Comments (7)
junho 26, 2005
Vómito
Fiquei a vomitar. Segui links por causa dos temas do "arrastão" (devidamente entre aspas) e descendência e vomitei sobre o teclado. O assunto trouxe à superfície da blogosfera os blogues xenófobos, os retardados mentais e os apanhados do antigo regime que continuam a pedir a pele de descolonizadores e a reposição das benesses dos respectivos papás (desconfio que mesmo mortos) em solo africano (juro que ainda vi disto!). Argh. Estavam tão bem na clandestinidade masturbando-se mutuamente...
Depressa, acabemos com Portugal depressa. Estou enjoado deste nacionalismo doentio, praga que nos mantém reféns de Afonso Henriques. Abracemos a Europa. Antes que os boçais pretos e brancos que nos infestam as marginalidades irrompam delas para o mainstream e destruam o que resta da cultura portuguesa, com a cumplicidade cega dos media.
Posted by pTd at 01:16 PM | Comments (1)
junho 25, 2005
Em remodelação
Pois. Chegou a minha vez. Dois anos e três meses, 1018 posts, uff, é tempo. Mudanças. Começando pelo título. Fecho para obras uns dias. Não muitos ;)
Posted by pTd at 03:27 AM | Comments (4)
O primeiro beijo
- Estamos ainda a dar o primeiro beijo; interrompemos apenas para os necessários intervalos logísticos - disse. O outro abanou a cabeça em feliz sinal de concordância.
Posted by pTd at 03:15 AM | Comments (1)
junho 21, 2005
Há obras de arte que são verdadeiras fodas
Ou será que há fodas que são verdadeiras obras de arte? Catarina, fiquei confuso, socorro!
Posted by pTd at 08:31 AM | Comments (2)
junho 20, 2005
Caro Blogger! Procuras o reconhecimento e a glória? Vai preso e terás uma carreira à tua frente!
Pois. Leiam aqui.
Posted by pTd at 03:14 PM | Comments (1)
Orgulho
«Dos blogs que conheço, serão talvez três ou quatro dezenas aqueles cujos textos teriam qualidade suficiente para merecer edição. Destes, pelas suas características ou registo, menos de metade - creio - suportariam incólumes a passagem para livro. O Modus Vivendi é, sem dúvida, um deles» (Alexandre Andrade, umblogsobrekleist via Helena)
Pela parte que me toca, a de co-editor, fiquei agradado, é claro que fiquei agradado, com as palavras de Alexandre. Porque como editor fiz uma boa escolha. Estamos no bom caminho para apreciar (adivinhar?) que textos têm capacidade para resistir à passagem ao papel.
Obrigado, Alexandre, pelo apoio moral (isto falando por mim, claro).
Posted by pTd at 12:57 PM
junho 17, 2005
Problemas com o correio
O meu servidor de correio, que serve também o weblog.com.pt, sofreu problemas esta semana, com um downtime de 18 horas. Devido ao facto o fluxo normal de correspondência sofreu bastante. Por outro lado fiz algumas mudanças informáticas domésticas. Por estas duas razões tenho o correio atrasado. A seu tempo, no decurso da próxima semana, darei as devidas respostas. A todos, obrigado pela compreensão.
Posted by pTd at 04:00 PM
junho 13, 2005
Commercial proposal to Jay Abraham
Dear Jay Abraham:
I realized you are placing unwanted, unpayed commercials in some blogs in my blog platform. I delete every one of your spam-mercials, as soon as they arrive (DELETE FROM `mt_comment` WHERE `comment_url` LIKE '%business-wealth%', that's enough...).
So I think I should warn you: stop paying your "spammer" for the "job" of placing those spam-mercials, HE is NOT effective. You are wasting your bucks.
I suggest you think about paying US directly, instead. Now, THAT would make sense! And you commercials would be efectively read by some million people -- and the google-bots too.
I can hardly wait for your anwser, as I know, for reading one of your ten million crossed-websites, that YOUR GOAL IN LIFE is to help people make money. What a marvelous ideia!, that $39,95 "one-time registration" with "double-money-back-guarantee". Can I have one of those too?
Best regards, Jay!
PS: Esta é uma carta real, enviada a uma pessoa real, um "bem sucedido" "homem de negócios" americano. Que usa os espaços dos outros para promover os seus produtos SEM PAGAR. Não admira que os basbaques o vejam como um guru do marketing.
Está mal. A esta prática chama-se spam. É ilegal em muitos países (eu sei que ele se borrifa nisso, eu sei. Mas é ilegal à mesma). Claro que a carta irá para /dev/null quando chegar ao servidor dele. Mas a mensagem fica aqui, no ar. Dentro de horas, estará nos arquivos do Google e de outros motores de pesquisa. Quando alguem procurar pelo nome dele, poderá também aceder a esta informação sobre as práticas do sujeito. Ainda temos algum poder. O poder de nos auxiliarmos mutuamente contra os Jay Abraham deste mundo, que vivem de enganar o próximo. E há mais. Muitos mais.
Posted by pTd at 01:56 PM | Comments (3)
A política band aid
Tratar o assunto do "arrastão" com reforço da repressão, numa tentativa de (como ouvi na televisão a um dos irresponsáveis que gerem a Estado) "prevenir" para não ter de "remediar", é a mesma coisa que tratar um cancro com adesivo embebido em mercuro-cromo. O resto é latim.
Posted by pTd at 03:01 AM
Ainda o aniversário do weblog.com.pt
Palavras carinhosas, as de muitos leitores sobre os dois anos do weblog.com.pt. Na impossibilidade de responder a todos um por um, a todos juntos vos digo: gracias.
Não tenho tido tempo para escrever. Muito trabalho a editar as palavras dos outros. Gostava de um dia contar detalhes e pormenores destes dois anos riquíssimos de experiências com gente dentro. E também de grande, muito enriquecedora aprendizagem de Perl -- imaginem a importância do Inglês internacional para uma pessoa apreender a cultura mundial e terão uma ideia do que representa saber Perl para quem queira tirar partido do mundo cibernético.
Um dia.
Posted by pTd at 02:52 AM | Comments (1)
Muito obrigado
Lídia, Inês, Hermínio, Guida: muito obrigado.
Posted by pTd at 02:43 AM | Comments (3)
junho 10, 2005
Dois anos de weblog.com.pt
O weblog.com.pt completa dois anos de existência neste dia 10 de Junho. É muito mais tempo do que jamais imaginei. Tempo demais para aguentar um projecto assim. Olho para trás e não consigo perceber como aconteceu. Mas aconteceu. Graças a vocês. Obrigado.
Pretexto para embrião de um livro sobre blogues (o primeiro), começou por ser terapia ocupacional para sair de uma crise pessoal, passou a ser um alojamento para amigos. Cresceu. A terapia (ler: programar os perlscripts que têm isto de pé) funcionou além do previsto. Vieram amigos, conhecidos e desconhecidos que povoaram o weblog.com.pt. Fizeram uma comunidade. A comunidade prolongou-lhe a vida além do nosso suor.
A comunidade continua. O weblog.com.pt continua. Aqui ou noutro local, comigo ou com outras pessoas. Sinto-me feliz por estar na génese do weblog.com.pt.
Foi há dois anos. Dois loooongos anos que passaram num ápice. Obrigado a todos.
Posted by pTd at 01:16 AM | Comments (13)
junho 06, 2005
Estão todos convidados
A apresentação do Pagar para ver, o livro da Ana Roque que agrupa textos publicados no Modus vivendi, decorre nesta quarta-feira dia 8, a partir das 19:00, no espaço de café-bar do Teatro a Barraca, ali a Santos.
O livro será apresentado pelo José Mário Silva (BdE). Trechos da obra serão lidos por Changuito (Bar A Barraca e outras aventuras, online e off-line).
Ups, já me esquecia: o catering deixou-nos pendurados sem canapés, mas sempre se safou um Portozito ~_-
Posted by pTd at 02:13 PM | Comments (1)
junho 01, 2005
Do que é fundamental
Foi uma semana de difícil escolha. Os noticiários estão prenhes de temas, cada um aparentemente mais importante, fundamental diria, que o anterior.
A primeira escolha seria, necessariamente, a problemática do referendo à carta europeia. Vasco Pulido Valente, na sua crónica no Público, irritou supinamente. Do alto da sua sobranceria, que é a mesma sobranceria que eu admiro e me faz devorá-lo, é bom que fique claro, regurgitou que não há "debate" e que devia haver "debate" sobre a constituição Europeia. Numa "crónica" cheia de "aspas" (que gozadamente imito hoje) VPV desdenhou o intenso debate, o nunca antes visto debate sobre um mesmo tema, à excepção dos erros da arbitragem no futebol, que jamais vi no espaço público português. Os cronistas de jornais, e VPV, têm o péssimo hábito de se fecharem nas suas realidades. Poucos, raros, deixam o seu casulo, onde se lêem e relêem uns aos outros e se convencem que a opinião pública é a opinião dos cronistas publicados que com eles concordam, para averiguar o que sente e pensa e discute o povo real.
O povo real não é aquele que as despudoradas televisões mostram nos "directos", espetando a pretexto de um tema "quente" um microfone na cara de um incauto, quanto mais tonto parecer melhor para o efeito dramático que cada repórter se esfalfa por conseguir para a "sua" peça.
Se lhe espetarem, caro leitor, um microfone no meio da rua, com uma câmara apontada, e lhe perguntarem se leu o texto da Constituição, ou o que pensa dos políticos, o que acha que responde? Que figura acha que vai fazer? Tem a certeza que dá a sua melhor resposta, pressionado pelo olho de boi, pelo microfone segurado pela ansiosa, expectante, vagamente trocista e bem parecida repórter, pela vaidade dos seus 15 segundos de fama televisiva?
Além de exporem preversamente as fragilidades humanas como a vaidade o o medo do ridículo (que na televisão se confunde com o próprio ridículo), os "directos" de rua não significam rigorosamente nada senão a espuma humana desse mesmo momento. Na melhor das hipóteses, são enfeites.
Ma é nesses directos que, aparentemente, bebem o sentir da populaça os analistas e comentaristas publicados da nossa praça. (E também os políticos, já agora.) Auto-convencidos que de "eles" é que "discutem" e "debatem" a coisa pública e que o povo, na sua santa ignorância, não consegue ver além do penalti controverso e do Carnaval contínuo de Alberto João Jardim, vivem numa redoma opinativa que, a exemplo do que se passa com os políticos, os afasta irredutivelmente do povo.
Em última análise, o "não" dos franceses revela isso mesmo: a enorme distância de sentires entre governados e governantes -- incluído neste lote os "governantes" da "opinião pública". Há uma desconfiança, ia acrescentar recíproca, entre as massas e as elites. Historicamente sempre houve -- mas a Democracia era suposto diminuí-la ao longo dos tempos; tal não aconteceu. A despeito do que dizem os indicadores sobre o efeito benéfico da Democracia sobre a qualidade de vida em geral (a melhoria é evidente e comprovada estatisticamente), algo não mudou.
Se VPV e os cronistas dessem maior (alguma?) atenção ao novo espaço "de tertúlia de café" que a web em geral e os blogues em particular aumentaram e potenciaram, reflectindo sobre, emendariam certamente as suas mãozinhas.
Ontem vi um debate (uma chateza, por sinal) na SIC sobre a Constituição e adjacentes. Tenho a convicção de que um só blogue, o Sítio do não, fez bastante mais pelo "debate" e pelo esclarecimento geral do que todo o programa -- que por acaso até incluia o autor desse blogue. E não apenas debate e esclarecimento: também informação e conhecimento seguro. [ Podemos presumir que VPV entende, enfastiadamente, que quem não o ler (ou ler os livros que ele lê) não ficará esclarecido, muito menos informado e seguramente laborará nas trevas profundas sobre o assunto. ]
Gostava de ter instrumentos de medida de audiências e, mais que de meras audiências passivas, de participação efectiva, de demonstração de interesse. Suspeito que no último mês os debates televisivos e os espaços nos jornais sobre tal tema tiveram menos audiência que a audiência dos blogues que discutiram e debateram o assunto. Sem instrumentos, é a minha suspeita contra a "deles".
A audiência global da blogosfera em Portugal rivalizará hoje com a audiência dos jornais e revistas. E se em vez de falarmos da "televisão" assim por alto e nos focássemos em programas, porque cada programa não tem a audiência genérica da respectiva estação mas a sua própria, estou convicto que alguns blogues (teríamos de aplicar aqui a mesma medida) serão mais lidos que tais programas vistos. Repare o leitor que tenho o pudor de evitar enveredar pela análise da qualidade de um meio quente, como a blogosfera, em que cada um é simultaneamente emissor e receptor, contra a qualidade de um meio frio, ditatorial, como a televisão, onde há emissores falantes e receptores mudos.
Mas convicção e água benta, cada um toma a que quer.
O "não" francês, a que se seguirá por estes dias o holandês, representa antes de mais e sobretudo esse fosso entre quem dirige e quem é dirigido. Pessoalmente considero-me um cidadão da Europa e isso de "Portugal" nada me diz, descontada a língua e a história -- não acrescento "cultura" porque a minha é mais europeia e até americana do que portuguesa e não me movem instintos de protecção aos "artistas" do burgo. Sou partidário pouco convicto do "sim", todavia não vejo como um apocalipse a vitória do "não". Percebo muito bem quem vota "não". Percebo menos bem quem vota "sim". Porque poucos votarão "sim" pelas boas razões (que, bem entendido, são as minhas).
A semana teve outros temas de interesse imenso. O défice, pois claro, o défice. O "garganta funda" do Watergate. A reforma de Jardim. A seca. A mãe do bebé afogado em Chaves. O preço do tabaco! Scolari e a selecção com Figo. Sem esquecer o piano man, tema ao qual gostaria de voltar para tentar perceber porque é que nos importamos tanto com um drama distante e recusamos os dramas próximos, com os quais podíamos e devíamos ser solidários [ Solidariedade: um dos mais antigos valores humanos, caído em desgraça na Era Da Concorrência e hoje em desuso ]. Derramar uma mediática lágrima por alguém de quem nunca ouvimos falar e que perdeu a memória é uma atrocidade (bem humana) estimulada pelos noticiários.
Mas confesso-vos: nada disto me parece assim tão fundamental quando comparado com uma notícia daquelas que enchouriçam as secções light dos jornais (no caso, li no Público de hoje, página 50). Um casal britânico revela o segredo do seu casamento de 80 anos -- máximo com honra de Guiness, está bem de ver: um copo de uísque e outro de sherry e a palavra desculpa.
O casamento (ou união de facto, ou mera união) longo não é estratégico para a sobrevivência tout court da espécie, convenhamos. Basta que haja união para haver reprodução. Em certas alturas da nossa História foi mais necessário que noutras o bom relacionamento, ou a felicidade se quiserem, no seio familiar -- e as figuras paterna e materna são importantes enquanto referências.
Mas um casamento bem sucedido é fundamental para a espécie ao nivel simbólico. Está na base do querer humano. É um exemplo para uma espécie que, ao contrário das demais, evoluiu pelo exemplo (somos a única espécie que segue exemplos além de instintos). Alicerca a confiança no futuro. É um dado tranquilizador e potencia a criatividade (até pela negativa, no sentido de estimular aqueles que não têm essa tranquilidade e a buscam, ou buscam as alternativas possíveis, alguma forma de sucedâneo).
É por isto que, numa semana prenhe de notícias "importantes", esta me fez reflectir mais profundamente que qualquer outra e considerá-la como a fundamental, a que está além da espuma dos dias e da poeira das décadas. Há que relativizar as questões, sob pena de nos afundarmos na paranóia da existência diária e nos perdermos, exaustos, no remeximento psicanalítico de cada decisão pessoal ou colectiva.
Florence disse que «continuamos a amarmo-nos e isso é o mais importante» O segredo do casamento? «Nunca se deve ter medo de pedir desculpa». Por seu turno Percy, o marido, com a sabedoria que os seus seus 108 anos lhe conferem, acrescentou que o segredo se deve a duas palavras: «Sim, querida».
Posted by pTd at 08:59 PM | Comments (4)
Do que é fundamental (décimo e último episódio: sim, querida)
É por isto que, numa semana prenhe de notícias "importantes", esta me fez reflectir mais profundamente que qualquer outra e considerá-la como a fundamental, a que está além da espuma dos dias e da poeira das décadas. Há que relativizar as questões, sob pena de nos afundarmos na paranóia da existência diária e nos perdermos, exaustos, no remeximento psicanalítico de cada decisão pessoal ou colectiva.
Florence disse que «continuamos a amarmo-nos e isso é o mais importante». O segredo do casamento? «Nunca se deve ter medo de pedir desculpa». Por seu turno Percy, o marido, com a sabedoria que os seus seus 108 anos lhe conferem, acrescentou que o segredo se deve a duas palavras: «Sim, querida».
Posted by pTd at 06:44 PM | Comments (3)
Do que é fundamental (9º e penúltimo episódio: o peso do simbólico)
O casamento (ou união de facto, ou mera união) longo não é estratégico para a sobrevivência tout court da espécie, convenhamos. Basta que haja união para haver reprodução. Em certas alturas da nossa História foi mais necessário que noutras o bom relacionamento, ou a felicidade se quiserem, no seio familiar -- e as figuras paterna e materna são importantes enquanto referências.
Mas um casamento bem sucedido é fundamental para a espécie ao nivel simbólico. Está na base do querer humano. É um exemplo para uma espécie que, ao contrário das demais, evoluiu pelo exemplo (somos a única espécie que segue exemplos além de instintos). Alicerca a confiança no futuro. É um dado tranquilizador e potencia a criatividade (até pela negativa, no sentido de estimular aqueles que não têm essa tranquilidade e a buscam, ou buscam as alternativas possíveis, alguma forma de sucedâneo). [ Segue às 18:45 ]
Posted by pTd at 05:59 PM
Do que é fundamental (8º episódio: solidariedade, valor em desuso)
A semana teve outros temas de interesse imenso. O défice, pois claro, o défice. O "garganta funda" do Watergate. A reforma de Jardim. A seca. A mãe do bebé afogado em Chaves. O preço do tabaco! Scolari e a selecção com Figo. Sem esquecer o piano man, tema ao qual gostaria de voltar para tentar perceber porque é que nos importamos tanto com um drama distante e recusamos os dramas próximos, com os quais podíamos e devíamos ser solidários [ Solidariedade: um dos mais antigos valores humanos, caído em desgraça na Era Da Concorrência e hoje em desuso ]. Derramar uma mediática lágrima por alguém de quem nunca ouvimos falar e que perdeu a memória é uma atrocidade (bem humana) estimulada pelos noticiários.
Mas confesso-vos: nada disto me parece assim tão fundamental quando comparado com uma notícia daquelas que enchouriçam as secções light dos jornais (no caso, li no Público de hoje, página 50). Um casal britânico revela o segredo do seu casamento de 80 anos -- máximo com honra de Guiness, está bem de ver: um copo de uísque e outro de sherry e a palavra desculpa.
[ Segue às 18:00 ]
Posted by pTd at 05:29 PM | Comments (2)
Do que é fundamental (7º episódio: eu sou europeu, "Portugal" é o quê?)
O "não" francês, a que se seguirá por estes dias o holandês, representa antes de mais e sobretudo esse fosso entre quem dirige e quem é dirigido. Pessoalmente considero-me um cidadão da Europa e isso de "Portugal" nada me diz, descontada a língua e a história -- não acrescento "cultura" porque a minha é mais europeia e até americana do que portuguesa e não me movem instintos de protecção aos "artistas" do burgo. Sou partidário pouco convicto do "sim", todavia não vejo como um apocalipse a vitória do "não". Percebo muito bem quem vota "não".
Percebo menos bem quem vota "sim". Porque poucos votarão "sim" pelas boas razões (que, bem entendido, são as minhas). [ Segue às 17:45 ]
Posted by pTd at 04:59 PM | Comments (2)
Do que é fundamental (6º episódio: cada um toma a que quer)
Ontem vi um debate (uma chateza, por sinal) na SIC sobre a Constituição e adjacentes. Tenho a convicção de que um só blogue, o Sítio do não, fez bastante mais pelo "debate" e pelo esclarecimento geral do que todo o programa -- que por acaso até incluia o autor desse blogue. E não apenas debate e esclarecimento: também informação e conhecimento seguro. [ Podemos presumir que VPV entende, enfastiadamente, que quem não o ler (ou ler os livros que ele lê) não ficará esclarecido, muito menos informado e seguramente laborará nas trevas profundas sobre o assunto. ]
Gostava de ter instrumentos de medida de audiências e, mais que de meras audiências passivas, de participação efectiva, de demonstração de interesse. Suspeito que no último mês os debates televisivos e os espaços nos jornais sobre tal tema tiveram menos audiência que a audiência dos blogues que discutiram e debateram o assunto. Sem instrumentos, é a minha suspeita contra a "deles".
A audiência global da blogosfera em Portugal rivalizará hoje com a audiência dos jornais e revistas. E se em vez de falarmos da "televisão" assim por alto e nos focássemos em programas, porque cada programa não tem a audiência genérica da respectiva estação mas a sua própria, estou convicto que alguns blogues (teríamos de aplicar aqui a mesma medida) serão mais lidos que tais programas vistos. Repare o leitor que tenho o pudor de evitar enveredar pela análise da qualidade de um meio quente, como a blogosfera, em que cada um é simultaneamente emissor e receptor, contra a qualidade de um meio frio, ditatorial, como a televisão, onde há emissores falantes e receptores mudos.
Mas convicção e água benta, cada um toma a que quer. [ Segue às 17:00 ]
Posted by pTd at 04:29 PM | Comments (1)
Teste ao blogue Sim à Europa
Posted by pTd at 03:52 PM
Eu participo nos blogues pelo SIM
Ao fim de duas décadas fui buscar o meu cartão de eleitor. Quando me for dada a oportunidade de participar no referendo, votarei sim. Não voto há vinte anos. Agora votarei. Eu sou um cidadão europeu. Esta Constituição tem prós e contras. Termos uma única constituição europeia tem prós e contras. É para os debater, e nos informarmos, que existem diversos movimentos na blogosfera. Como este Sim à Europa.
Posted by pTd at 03:33 PM | Comments (1)
Do que é fundamental (4º episódio: a redoma da opinião publicada)
Além de exporem preversamente as fragilidades humanas como a vaidade o o medo do ridículo (que na televisão se confunde com o próprio ridículo), os "directos" de rua não significam rigorosamente nada senão a espuma humana desse mesmo momento. Na melhor das hipóteses, são enfeites.
Ma é nesses directos que, aparentemente, bebem o sentir da populaça os analistas e comentaristas publicados da nossa praça. (E também os políticos, já agora.) Auto-convencidos que de "eles" é que "discutem" e "debatem" a coisa pública e que o povo, na sua santa ignorância, não consegue ver além do penalti controverso e do Carnaval contínuo de Alberto João Jardim, vivem numa redoma opinativa que, a exemplo do que se passa com os políticos, os afasta irredutivelmente do povo.
[ segue às 15:45 ]
Posted by pTd at 02:45 PM
Do que é fundamental (3º episódio: quanto valem 15 segundos de fama?)
Se lhe espetarem, caro leitor, um microfone no meio da rua, com uma câmara apontada, e lhe perguntarem se leu o texto da Constituição, ou o que pensa dos políticos, o que acha que responde? Que figura acha que vai fazer? Tem a certeza que dá a sua melhor resposta, pressionado pelo olho de boi, pelo microfone segurado pela ansiosa, expectante, vagamente trocista e bem parecida repórter, pela vaidade dos seus 15 segundos de fama televisiva?
[ segue às 15:45 ]
Posted by pTd at 02:29 PM | Comments (1)
Do que é fundamental (2º episódio: os directos)
O povo real não é aquele que as despudoradas televisões mostram nos "directos", espetando a pretexto de um tema "quente" um microfone na cara de um incauto, quanto mais tonto parecer melhor para o efeito dramático que cada repórter se esfalfa por conseguir para a "sua" peça.
[ segue às 14:30 ]
Posted by pTd at 01:44 PM | Comments (1)
Do que é fundamental (1º episódio: Vasco Pulido Valente)
Foi uma semana de difícil escolha. Os noticiários estão prenhes de temas, cada um aparentemente mais importante, fundamental diria, que o anterior.
A primeira escolha seria, necessariamente, a problemática do referendo à carta europeia. Vasco Pulido Valente, na sua crónica no Público, irritou supinamente. Do alto da sua sobranceria, que é a mesma sobranceria que eu admiro e me faz devorá-lo, é bom que fique claro, regurgitou que não há "debate" e que devia haver "debate" sobre a constituição Europeia. Numa "crónica" cheia de "aspas" (que gozadamente imito hoje) VPV desdenhou o intenso debate, o nunca antes visto debate sobre um mesmo tema, à excepção dos erros da arbitragem no futebol, que jamais vi no espaço público português. Os cronistas de jornais, e VPV, têm o péssimo hábito de se fecharem nas suas realidades. Poucos, raros, deixam o seu casulo, onde se lêem e relêem uns aos outros e se convencem que a opinião pública é a opinião dos cronistas publicados que com eles concordam, para averiguar o que sente e pensa e discute o povo real. [ segue às 13:45 ]
Posted by pTd at 11:59 AM

