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Carta aberta ao Secretário-geral do Partido Socialista

Caro José Sócrates, vou ser breve.

É assim: se o PS insistir em secundar a peregrina ideia da candidatura de Mário Soares e deixar o louco do homem ir até às urnas, não me deixa outra alternativa senão a de tirar o pó de duas décadas ao cartão de eleitor e voltar a usá-lo como da última vez: engolindo um sapo.


Os tempos (e Portugal, já agora) mudaram bués desde 1986. Na altura havia um fantasma na sociedade portuguesa e milhares de eleitores elegeram Mário Soares contra o fantasma. O "presidente de todos os portugueses", como a si próprio se chamou na noite das eleições não deixando aos "portugueses" outra alternativa senão concordar, passou dois mandatos a chatear toda a gente, mas na altura o país precisava de um gajo que chateasse. Agora não precisa de um chato a fazer as vezes de presidente, precisa de alguém que colabore porque os tempos estão mesmo super-difíceis para quem tem de governar este barco de malucos a que insistem em chamar Portugal.

Eu não me conformo com o que Mário Soares fez ultimamente. Eu acho que a política portuguesa não está ameaçada como em 1986, pelo que não precisa de um "salvador". E certamente dispensa, nesta fase de delicadeza democrática, um homem que gosta mais do poder que todos nós de {auto-censurado}.

Eu não gosto nem um bocadinho do candidato rival, Cavaco Silva. Sou dos que não lhe perdoa ter feito tão pouco com tanto que teve (e que nunca ninguém teve, o que lhe vale o actual cartel). Será desagradável (mas ironicamente justo, devemos admitir) ver o país representado por um homem sem chama, desprovido de criatividade e aparentemente incapaz de exibir a paixão que pode mobilizar os cidadãos. Mas mais vale Cavaco que dar a Mário Soares mais uma hipótese de mandar no país como manda na casa dele, no clã dele, na corte dele, nos amigos dele e mandou no partido dele.

Por isso, caro José Sócrates, veja lá no que se mete, ao seu Governo e a Portugal. Ainda está a tempo: retire. Antes retirar agora, e arranjar um candidato (sugiro Manuel Alegre) que represente o seu partido dignamente (mesmo que para perder), do que insistir numa aspirina pontual que alivia a sua dor de cabeça actual mas não cura o cancro governativo ou a sida nacional, pelo contrário.

Um abraço

PS: a minha humilde opinião não contará para o seu Euromilhões, mas olhe que há mais gente, muita gente no país a pensar como eu. E, ao contrário de mim, a maior parte dela onde dói: à esquerda.

Comments

Onde posso subscrever esta carta? É uma questão de Estado!
Caro senhor antes o Soares do que o homem do não tenho dúvidas e raramente me engano o sr. Anibal Silva. E não me fale em 20 anos Mario Soares há menos de dois Anos era deputado ao Parlamento Europeu, e está mais vivo e actuante do que muitos politicos, bem mais jovens mas incapazes de uma ideia ,de uma atitude ,têm como único principio não me comprometa. Já agora coloco-lhe uma questão, porque é que ninguem , nem á esquerda nem á direita , tirando Soares e Anibal quis avançar......
Caro a.pacheco, nunca aqui usei o argumento da idade. Quanto a ninguém querer avançar, é falso. À esquerda alguém avançou e à Direita alguém estava pronto a avançar se não houvesse Cavaco. Só contabilizo os sólidos (ok, falta um, que é agora ministro pela esquerda depois de ter sido ministro pela direita e que foi candidato pela direita e agora fez saber que sê-lo-ia novamente, pela esquerda). Tivemos portanto três proto-candidatos antes de Soares (que não era sequer mencionado) ter decidido vir dar novo empurrão na venda de alkaselzer.
Caro amigo Paulo Querido: Estás, como se costuma dizer, redondamente enganado. A última sondagem do Expresso até é a melhor resposta à tua carta aberta, o teu melhor contraditório. Com mais tempo (mais disponibilidade) aqui voltarei. Haverá algumas coisas que gostarei de dizer, contraditoriamente, sobre o assunto (verdadeiramente importante) desta carta aberta. Um abraço
Quando em 1986, Freitas do Amaral perdeu as eleições Presidenciais para Mário Soares, ninguém lhe augurava um grande futuro político. Poucos anos depois foi eleito Presidente da Assembleia Geral das Nações Unidas. Hoje é Ministro dos Negócios Estrangeiros de Portugal. Quando em 2000 António Guterres abandonou o Governo e o País em estado quase caótico, ninguém dava nada por ele. Pouco depois foi eleito Presidente da Internacional Socialista. Hoje é Alto Representante das Nações Unidas para os Refugiados. Quando em 2004 José Durão Barroso abandonou o País em situação caótica foi directamente para Presidente da Comissão Europeia. Que tacho procura e espera, José Sócrates? Será que estamos a ser vendidos, de acordo com as vontades políticas de alguns “parceiros” Europeus? Americanos? Árabes? Africanos? Asiáticos? Ou, outro qualquer?