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Explicam-me porque é que Soares terá (teria) mais votos que Alegre?

A atenta leitura dos jornais deste sábado confirmou as minhas piores expectativas: além do próprio, dos familiares e no núcleo duro de amigos que não poderiam nunca dizer-lhe não, o país não se mostra receptivo à candidatura de Mário Soares. (Que país ingrato!)

Não há MASP. Desconfio que não chegará a haver um MASP. Ninguém apareceu a bater palmas e a listar louvores. Até os analistas e opinion-makers com carreiras ligadas à actividade de engraxadores de Soares, que ainda os há, alimentam hoje o coro de dúvidas que se ouve com crescente estrondo (e, enquanto isso, os poucos mas bons amigos de Alegre vão surpreendentemente aumentando de... número!).

O afã e o zelo com que a meia dúzia (que ainda existe) de defensores da candidatura a tenta justificar com o argumento de que Soares é o único que pode fazer frente a Cavaco, diz bem do clima que se vive por ali. O argumento não resiste a dois minutos de análise. Como Paulo Gorjão no Bloguítica, acredito que se trata entre os "soaristas" de legitimar o atropelo a Manuel Alegre.

Cito: «O problema de Soares [...] é que a sua enorme notoriedade significa que a sua candidatura já não tem muito espaço de crescimento. Pelo contrário, Alegre teria terreno livre – à medida que a sua notoriedade aumentasse durante a campanha eleitoral – para fazer uma corrida de trás para a frente» (in O melhor candidato?)

O problema dos "soaristas" é que não conseguem explicar coerentemente onde e como vai Soares buscar mais votos que Alegre.

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Comments

Esta «polémica», de certo modo, algo me espanta. E espanta-me porque entendo de um curioso absurdo a forma como alguns a colocam: ao contrário. ««O problema de Soares [...] é que a sua enorme notoriedade significa que a sua candidatura já não tem muito espaço de crescimento.»» Tem toda a razão quem isto acima disse; mas não disse bem, porque disse mal a premissa: «O problema de Soares». A frase teria e terá todo o sentido verdadeiro da realidade se, doutro modo, assim for escrita: «O problema de Cavaco (...) é que a enorme notoriedade de Mário Soares significa que a sua candidatura já não tem muito espaço de crescimento». Já aqui disse, em anterior comentário neste blogue, que Mário Soares candidatar-se à Presidência da República significa como sendo toda a Democracia Portuguesa dos últimos 30 anos se candidatar à Presidência da República. É preciso bem pensar no que isto significa. Porque o que verdadeiramente, agora e no nosso tempo, significa esta candidatura de Mário Soares/Democracia Portuguesa é o erguer bem alto das bandeiras da Liberdade, Fraternidade, Igualdade. As grandes bandeiras da República Democrática, completamente abrangentes, contra a bandeira cavaquista da frieza tecnocrática. ««Soares [...] [...] a sua enorme notoriedade significa que a sua candidatura já não tem muito espaço de crescimento»». Tem toda a razão quem isto acima, deste modo, escreveu. Porque, precisamente, a candidatura de Mário Soares não precisa de mais espaço de crescimento. Mário Soares é o candidato natural da maioria da população portuguesa. Os votantes de Mário Soares já existem e são largamente maioritários. Aqui, sim, é que se jogam os Afectos e a República. Não é por acaso que a direita ficou apavorada quando foi anunciada a candidatura de Mário Soares. E a direita que ficou apavorada foi e é principalmente a direita liberalista/neo-liberalista; que, apesar de Cavaco Silva ser social-democrata, teria, pela frieza tecnocrática de Cavaco, em Cavaco o seu Presidente «ideal». O Presidente que serviria ou poderia servir completamente a sua estratégia de nihilificação completa do Estado Português. Nessa estratégia, o Estado Português seria pura e simplesmente substituído pelo Mercado Português. Ora, foi devido a isto (à estratégia neo-liberalista da direita, de que Cavaco seria para ela um instrumento, nihilificadora do Estado Português para o substituir pelo Mercado Português) que Mário Soares se sentiu na obrigação patriótica, democrática e republicana, de avançar para a Presidência da República, candidatando-se ao cargo. E, será que alguém acredita, verdadeiramente, que Mário Soares avançou para se candidatar de novo a Presidente da República para «atropelar» alguém?... Se Mário Soares acreditasse que Manuel Alegre seria capaz de vencer Cavaco Silva nas urnas, Mário Soares teria ficado quieto, e teria ele próprio manifestado claramente o seu apoio a Manuel Alegre. Esta é a pura verdade. O acto de Mário Soares foi e é um acto de grande coragem e de grande patriotismo. Para que Portugal não se transformasse nem se transforme num «simples» Mercado sem Estado. Abraço
Depois do troca-tintas do Sócrates ter andado aos paéis por causa das negas do Guterres, do Vitorino e do Gama, parece finalmente haver uma alternativa às múmias - leia-se Soares e Cavaco! Desta vez seria difícil - mesmo com sais de frutos - engolir o sapo do Soares! Viva a candidatura de Manuel Alegre!
Depois do troca-tintas do Sócrates ter andado aos paéis por causa das negas do Guterres, do Vitorino e do Gama, parece finalmente haver uma alternativa às múmias - leia-se Soares e Cavaco! Desta vez seria difícil - mesmo com sais de frutos - engolir o sapo do Soares! Viva a candidatura de Manuel Alegre!

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