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agosto 31, 2005
Os leitores têm sempre razão
Um gajo faz um post com oito palavras a gozar a irreverência de uma pôrra de ler e deitar fora como todas aquelas que todos os dias se publicam por aqui, na blogosfera, um postzito da treta com oito palavras, e ZÁS, a caixa de comentários torna-se num receptáculo de azedume, guerra, conselhos.
Dizem-me: «não percebo: quando leio os comentários por aí, são pessoas simpáticas, que deixam opiniões concretas, muitas vezes melhores que os posts -- e tu, que és quem és, tens comentários desses, sempre desagradáveis, para ti ou uns com os outros? Vão guerrear-se para os teus comentários?»
E eu a defender os meus leitores, está bem de ver, são quem me lê, e a explicar a quem me ouve que os contextos, e as guerras e o caralho, mas a verdade é esta mesmo, às vezes um gajo acha que está a ser injustiçado, mas os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, vou repetir 100 vezes (proibido o copy+past), os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão... a caixa de comentários continua aberta a qualquer guerra que queiram armar, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão, os leitores têm sempre razão...
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agosto 30, 2005
Estações diferentes
Isto uma pessoa segue um link e zás, fica zonza sem perceber o que se passa à sua volta. O blogue Estações diferentes é bem escrito e bem informado e formante, nas áreas que mais vezes aborda. Eu não conhecia o blogue -- apesar de estar a fazer dois anos. E, a avaliar pelas estatísticas, a grande maioria dos leitores de blogues também não. Aqui fica o meu contributo para corrigir as injustiças da blogosfera (porque nem só de technoratis e trackbacks vivem os links).
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agosto 29, 2005
Não duvidem
O António Albino Aiello tem sempre razão.
Posted by pTd at 06:56 PM | Comments (26) | TrackBack
Mais um bilhetinho na sala de aula
«The Internet is just a world passing around notes in a classroom. That's all it is. All those media companies say, "We're going to make a killing here." You won't because it's still only as good as the content.» ( Jon Stewart, The Daily Show, entrevistado pela Wired)
Posted by pTd at 05:10 PM | TrackBack
Re-focusing
«In the past, blogging has been seen as the territory of wannabe journalists or diarists, a hobby for the determined minority. But now, fuelled by the burgeoning digital photo market, where everyone wants to show off their photos, blogging is very much in the mainstream» (
Spencer Kelly - reporter BBC Click Online - link )
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agosto 26, 2005
1,2,3, no "ar"
Estou em experiências para podcasting. A emissão pode ser ouvida carregando no botão do play
ou puxando o ficheiro.
Para subscrever o podcasting experimental deste blogue, adiccione o seguinte endereço de feed, ou canal, ao seu podcast reader. Não espere grandes cometimentos: lá porque fiz rádio, tenho má voz e não tenho tempo para isto. É apenas um concept test: http://pauloquerido.net/podcast.xml.
( Candidatos a podcasters, contactem-me! )
Posted by pTd at 04:17 PM | Comments (7) | TrackBack
Ter razão não serve para nada
«Nenhum partido de esquerda perspectiva atacar os interesses materiais das classes dominantes. Todos eles concentram as suas propostas no plano das prestações sociais sem beliscar a organização social da produção e sem questionar a propriedade ou as relações de produção próprias do capitalismo.» ( Fernando Penim Redondo, in Dotecome )
«Os “empreendedores capitalistas” são unanimemente considerados os únicos capazes de promover o desenvolvimento económico, autênticos “salvadores da pátria”. A distinção tradicional, em que a direita defendia o status quo e a esquerda pretendia destruí-lo, passou à história.» ( idem )
A verdade não é um bem nos tempos que correm: só o politicamente correcto e o seu contrário. Ter razão não serve para nada; mas, quando se tem, isto não é razão para um homem deixar de a ter.
Posted by pTd at 04:14 PM | TrackBack
Ainda a discussão sobre audiências - mas lá fora
Bem sei que entre nós voltar a um tema com dias é considerado out, este é um meio de modismos ditados pelos líderes de opinião... Pior ainda que os jornais, que no dia seguinte já só servem para forrar caixotes, os posts (e seus conteúdos) duram horas. Mas eu sou mesmo assim e este é o meu blogue, não é o meu jornal.
Não é só na blogosfera que se fala no umbiguismo de alguns contra a vaga de fundo de todos os outros. Lá fora também. O tema é cíclico (ou por outra, McLuhan é que tinha razão, o meio é a mensagem). A ler se faz favor Blog Visitors Jump 31% in 2005 na Red Herring: «The blogging community has struggled in recent months with the idea of top blogs and how they should be determined. The Technorati 100, which also measures blogs by links, has been heavily criticized for being infrequently updated, including sites that are not blogs, and reinforcing the so-called "A-list" of bloggers rather than reflecting the changing demographics of blogs and their readers.»
Posted by pTd at 12:38 PM | Comments (1) | TrackBack
O quarto F
Segundo José Mário Silva. Completamente de acordo, grande malha.
Posted by pTd at 12:34 PM | TrackBack
60 milhões de cutelos
Reportagem sobre a Formosa (Taiwan) na SIC Notícias. Bombardearam-se mutuamente décadas a fio; para o fim, e por bizarra agenda planeada a dois, faziam-no em dias alternados e descansavam ao domingo. «Aqui plantamos bananas para comer; do lado de lá só têm as cascas das bananas» - era a propaganda da Formosa quando a guia formosense era miúda. Agora, pequenas fábricas desmontam os mísseis chineses e, com o aço, fazem belíssimas facas. Com a quantidade de mísseis despejados, só a matéria prima despejada como artefacto de guerra vai dar para 60 milhões de cutelos. Uma vida a fazer canivetes.
Taiwan vende facas à China. (Secção As Mais Edificantes e Maravilhosas Histórias da Economia Global)
Posted by pTd at 08:44 AM | TrackBack
agosto 25, 2005
Dolce vita
- Qual é o teu chocolate favorito?
- É o chuchar expresso.
- Ah.
( Dedicado ao Silva que adora o Esteves Pinto! )

Oiça este post no seu iPod/podcast reader
Posted by pTd at 07:36 PM | TrackBack
Dos panadinhos de seitan
- Onde foram almoçar?
- Ao vegetariano.
- Ah, que bom. Comeram o quê?
- Panadinhos de seitan.
- Seitan como naquele filme Solié de seitan, do Manoel de Oliveira?
Posted by pTd at 06:33 PM | TrackBack
O passeio na Av. da Liberdade
A direita regorgita os perdigotos dos canapés da celebração antecipada da futura vitória de Cavaco Silva nas presidenciais e os mais optimistas (e os mais pessimistas de esquerda e Vasco Pulido Valente, o que não é a mesma coisa) chegam a falar de um baile logo na primeira volta -- sobretudo, dizem, se houver vários candidatos à esquerda. Deliram.
Para ganhar, Cavaco só precisa que os seus "seguranças" consigam, quiçá sentando-se em cima dele, mantê-lo quieto e sobretudo amordaçado (o que fornece ao povo português e aos outros países uma tristemente divertida antevisão do que vai ser ter como presidente o cromo descolorido e repetido que ele é). A simpática cavaqueira merendística em que se tornou (e ameaça permanecer assim), a sua falange de apoio, ou "IACS", Indefectíveis Apoiantes de Cavaco Silva, comandada pelo sorridente Marcelo Rebelo de Sousa na RTP, goza imparavelmente Mário Soares, coisa que não parece sensata à esquerda.
A mim, dá-me pena: na segunda volta Soares será humilhado e com ele o Governo e o PS, a própria esquerda vai passar a semana seguinte a fugir do espelho, envergonhada. Haverá quem meta férias para não ouvir o permanente gozo vitorioso da direita que em 30 anos e quatro presidentes nunca meteu nenhum, nem mesmo enquanto o cargo foi militarizado. Aceite-se contudo a ironia da História: Soares personaliza a esquerda dos anos 70-80-90, logo o seu rosto ficará ligado ao desastre eleitoral desta década.
Felizmente há mais duas candidaturas à esquerda. Com a diluição do voto comunista e bloquista nos seus candidatos, com o que resta do aparelho soarista a votar Soares e o PS restante, que é muito, a dispersar-se pelas outras candidaturas de esquerda, Cavaco só nos melhores sonhos dele e de Rebelo de Sousa sairia vitorioso da primeira volta. Recorde-se que, mesmo penalizando os putativos, muito mediatizados e pouco provados erros de Sócrates a esquerda sociológica suplanta tradicionalmente a direita. O gene "maldito" da esquerda está, aliás, em progressão e não em recessão em Portugal onde, Cavaco amordaçado à parte, não se vislumbra pela direita ninguém com tomates (não figurativo) para emprenhar o eleitorado, tal como ficou cabalmente confirmado na banhada eleitoral de há seis meses.
O único "risco" à esquerda, e é favor notar as aspas, é o de Soares andar a mendigar aos outros partidos que o apoiem, desesperadamente. Como não estamos em 85, é admissível que Jerónimo faça o que os seus antecessores gostariam mas não tiveram oportunidade e grite ao PS (ainda por cima em exercício no Governo) um sonoro "vão-se lixar mais a vossa conversinha mole".
Em resumo: teremos uma primeira volta animada com Cavaco e (provavelmente) Soares a seguir em frente, para um cilindrar o outro.
Nota: assumo que a candidatura de Jerónimo de Sousa significa que alguém telefonou a Manuel Alegre e este indicou que não avançará.
Posted by pTd at 07:51 AM | Comments (1) | TrackBack
Querer não é poder (act.)
Quem ler o artigo de opinião de Vital Moreira no Público de ontem, terça-feira 23, intitulado O "quinto poder"? (disponibilizado na Aba da causa) e relativo aos blogues, não pode deixar de reflectir na diferença de tratamento, a um mesmo texto e autor, por duas figuras da política que são também ocupantes contínuos do espaço mediático português há mais de duas décadas (a outra é José Pacheco Pereira).
Posted by pTd at 06:27 AM | Comments (3) | TrackBack
agosto 24, 2005
Ainda não são as pessoas, filho
- Mãe, já me vieram perguntar sobre o Google Talk, que o Paulo instalou, anda tudo muito excitado!
- Foi o Mamede?
- Sim.
- Mas o Mamede também é geek. Ainda não são as pessoas, filho.
Posted by pTd at 11:36 PM | TrackBack
2 much about nothing?
As primeiras reacções ao Google Talk são de alguma desilusão. Confesso-me perplexo: esperavam o quê de uma primeira versão de um aplicativo que vem para um mercado maduro, onde há pesos-pesados a desenharem produtos para milhões de pessoas, há anos? Milagres?
O meu amigo Bordalix sintetiza o discurso geral (respigo daqui): «I downloaded the client, install it, and then... well... then nothing: there is no one to talk to, there are no smileys, emoticons or shaking windows, no sex appeal. Ok, I can see my gmail contacts there, but hey, they already have a IM (MSN, Yahoo or ICQ), 90% don't have a gmail account, and they don't understand a nut about Internet, they just use it. Finnaly, the voice quality is worst than others, like Skype and VoIP Buster, so, there is no reason at all for me to change to Google talk.».
Por mim, fiquei bastante satisfeito com um mensageiro simples e (ainda) sem o camião-TIR de paneleirices bells and whistles que torna os MSNs deste mundo em pesadelos profissionais e familiares. Questão de gosto, certo. Gostei de ver que, apesar do hype ter provavelente levado a uma avalancha incrível, o Talk esteve a tarde toda com níveis de serviço aceitáveis.
Em termos de VoIP têm muito para andar até se chegarem aos calcanhares do Skype. Certo. Mas, ei, é feito pela melhor equipa de nerds dos EUA, com o mais gordo porta-moedas do planeta e, above all, a melhor marca do sistema solar: Google. Ou muito me engano, ou em menos de um ano dois mercados, VoIP e Instant Messaging, terão novo líder.
Posted by pTd at 10:49 PM | Comments (3) | TrackBack
Hype? It's Google Talk!
Há anos que não via tanto hype. Os rumores têm vindo a crescer e hoje dominaram a "blogosphere" e os noticiários. O muito aguardado Google Talk até já tem link, embora no momento em que escrevo dê um 404 (não tá cá nada disso pá, tradução livre). Será em princípio http://talk.google.com/. Se for o que se espera, dentro de um ano o AIM, o Yahoo! Messenger e o Windows Messenger serão 2º, 3º e 4º da lista dos mais utilizados :)
[ link via Simplicidade.org ]
Posted by pTd at 01:12 AM | Comments (9) | TrackBack
agosto 23, 2005
Contributo para a discussão sobre estatísticas
Críticas aos sistemas de medição de visitas e leituras dos blogues, há para todos os gostos. Como contributo para a quente discussão que por aí vai -- e que surge recorrente -- aqui ficam três links para outros tantos sistemas de medição de um mesmo blogue, o meu.
Este contributo nada adianta sobre outros aspectos do blogging também alvo da curiosidade pública, como a importância de blogues (e de conjuntos de blogues), o(s) seu(s) papel(éis) na sociedade, e ptá ptá ptá. É apenas sobre formas de descobrir, medir e avaliar quem e o quê visita e lê os blogues.
Era bom que houvesse maior cuidado por parte dos bloggers a quem apeteça disparar sobre as "audiências", seja na eleição do objecto de crítica, seja no fornecimento de argumentos (não basta afirmar que "o pqstats é uma merda", é necessário fundamentar porquê), seja na apresentação de alternativas.
Como se pode observar (sugiro que abram três janelas, uma com cada link, basta carregar que cada um aparecerá em janela nova), os três dão leituras diferentes, como é de esperar. Como se pode avaliar comparando qualquer dia entre 10 e 22 de Agosto dos mesmos logs processados pelo webalizer, aqui, e pelo Awstats aqui. Ora, os mesmos dias podem ser vistos, em gráfico, no mapa do Sitemeter aqui.
No dia 19 terei tido (+-) 220 visitas segundo o Sitemeter, 604 segundo o Awstats ou 1038 pelo Webalizer, o mais "generoso" destes três?
É bom que o leitor (e o autor) médio (ou mesmo alto...) percebam que estes sistemas instantâneos e sem ponderação (ou com ponderação mecânica somente) não são de confiança quanto ao que gostávamos que eles medissem (as audiências dos nossos blogues). Desde o primeiro minuto porque não está definido -- e muito menos consensualmente aceite pela comunidade -- o que é a audiência de um blogue.
Recordo que noutros meios, como os jornais, a rádio e a televisão, há também dificuldades em estabelecer o que é um leitor, um ouvinte e um espectador. Mas pelo menos há plataformas consensuais estabelecidas e metodologias que são aceites por uma maioria alargada (nunca por todos, evidentemente).
Antes mesmo de irmos às metodologias de análise dos dados, há que perceber, para poder aferir, as diferentes formas de receber os dados. (Na verdade podíamos ir mais atrás, aos dados que se recolhem, mas é melhor deixar isso!).
Um sistema como o Sitemeter tem uma virtude: pode "medir" os mesmos dados de diversas proveniências e tratá-los da mesma forma, o que um sistema como o Webalizer não pode, pois só mede os alojados numa mesma máquina (melhor usarmos servidor, pois várias máquinas podem constituir um "único" servidor).
E tem um defeito: a informação recolhida não é recolhida em condições de igualdade. Os dados passam por seis a 18 ou mais hops intermédios, entre quem pede (ou "toca" a página) e quem recebe (a informação necessária a avaliar se é leitor ou não, se é o mesmo leitor de antes, etc). Devemos ainda levar em conta que o ambiente de rede é uma autêntica selva, e estou a ser benévolo. Entre proxies, caches, políticas diversas de aluguer dos endereços IP de ISP para ISP (exemplo no mesmo grupo, o Sapo aluga-os por poucas horas, a Netcabo aluga-os por dias, às vezes semanas) e a própria diversidade dos protocolos TCP/IP, bem como dos meios físicos (uma página do Blogspot, nos EUA, pode vir por satélite e as imagens nela contidas chegam pelo cabo submarino, e isto é mais que uma mera hipótese académico-teórica).
Estes sistemas terão de levar em conta muitos factores externos, nem todos eles conhecidos ou facilmente programáveis.
Sistemas como o Webalizer ou o Awstats, que está desde ontem em testes no meu blogue antes de o poder passar à plataforma weblog.com.pt, assentam nos ficheiros de registo, ou logs do próprio servidor que serviu as páginas do blogue. A recolha é assegurada em condições infinitamente melhores, no ambiente tranquilo e protegido dos discos rígidos.
Não há a mínima dúvida sobre a capacidade de estes sistemas residentes serem melhores na recolha. Uma vez chegados a consenso sobre o que é uma visita, uma página, um contacto, um leitor, e qual a metodologia indicada para processar os dados (quanto tempo dura uma visita, que tipos de ficheiros são "vistos" e quais servem apenas finalidades de design, por exemplo), o sistema ideal será o que processe logs locais e não pacotes enviados de um lado para o outro do mundo numa rede aberta.
Mas estes sistemas têm o grande defeito de só poderem medir (isto é: comparar) com alguma eficácia os resultados de blogues alojados no mesmo servidor. O mesmo sistema instalado noutra máquina pode produzir resultados díspares, dependendo da forma como foi instalado (levantando o problema de uma entidade aferidora). Assim, não servem (a não ser como indicadores, para observadores experientes ou que avaliem ponderadamente uma quantidade de dados significativa) para comparar as "audiências" na "blogosfera" (e, aviso à navegação, não foi nada disso que fiz no Expresso, nem mesmo ao escrever, cito perigosamente porque sem contexto, «Hoje, o blogue mais lido do espaço português será provavelmente o Hollywood, extrapolados os dados disponíveis sobre o acesso de leitores a esse e aos outros blogues de que são conhecidos registos públicos».)
No dia 19 terei tido (+-) 220 visitas segundo o Sitemeter, 604 segundo o Awstats ou 1038 pelo Webalizer, o mais "generoso" destes três?
Pessoalmente a questão não me interessa: os meus objectivos com este blogue passam por ter um bloco de apontamentos online com uma parte partilhada com família, amigos e algum transeunte, não tenho uma estratégia (talvez noutro blogue, um dia). Profissionalmente, sim: leio e informo-me o suficiente (espero) para poder avaliar os resultados e evitar as armadilhas óbvias. É como hobby que mais invisto na aquisição de conhecimento e ainda nos testes efectivos, instalando sistemas para aprofundar conhecimentos sobre eles, ao mesmo tempo que me divirto a aprender programação.
O tema não se esgota aqui, pelo contrário. Na melhor das hipóteses, este texto servirá de ponto de partida, nunca de chegada. Devem os bots dos motores de pesquisa ser considerados leitores? Não -- é a resposta óbvia e imediata. Mas cada link para um post rende leitores... E há as caches dos motores. E um feedreader, como deve ser tratado? É um mecanismo - mas pode originar a leitura do texto por olhos humanos e levar à consulta do blogue. Há mais duas dúzias de questões.
Uma nota final: o Awstats, que está em observação, assim à primeira vista é mais bem apresentadinho, arrumado e tal; também me parece de código mais moderno, na forma como "lê" os dados e nos parâmetros que permite ao instalador. Mas o melhor, de caras, é que tem muito mais informação útil ao blogger, como as referências e as palavras de pesquisa. Pela parte do weblog, tem outra vantagem: nunca consegui instalar no webstats o subsistema para identificar as redes de origem com vista à diferenciação das visitas por países, que no Awstats coloquei desde logo.
Em princípio o Awstats será disponibilizado no weblog.com.pt apenas para os blogues de subscrição e a pedido.
[ Update: Statistics are meaningless, de Rui Carmo, vai mais longe. Curto excerto para vos obrigar a ir ler: There seems to be a decrease in the signal-to-noise ratio regarding the ego trips in the Portuguese "blogosphere" (i.e., the noise is increasing), and almost everyone seems to be missing the point that whatever the stats counters you use, technically they're all meaningless, because all of them are fallible and (this is the bit that politicians really don't get), none of them have any real relationship to actual eyeballs (there's caching, browser variants, NAT, proxies, you name it)»
Posted by pTd at 08:05 PM | Comments (6) | TrackBack
Como falsificar fotografias e imagens digitais
Gostem ou não, imagens falsas estão por todo o lado e tornaram-se parte da cultura de hoje.
http://oemagazine.com/fromTheMagazine/jan05/photofakery.html
Posted by pTd at 07:17 PM | TrackBack
Entrevista de Gillmor ao Libé
Dan Gillmor, 54 ans, a quitté son journal pour développer à San Francisco un site Internet de journalisme citoyen et participatif, où le lecteur devient reporter. -> Libération.
Posted by pTd at 05:17 PM | TrackBack
Da mudança de regime
Descobriu que a sua vida sexual mudara de regime: passara do time sharing para a propriedade horizontal.
Posted by pTd at 03:56 PM | TrackBack
agosto 22, 2005
Isto hoje qualquer um faz dos media palhaços
É o que me soa escrever depois de ouvir a história do falso homem do piano. Isto um gajo toca as cinco primeiras notas do Frère Jacques, uma enfermeira surda dá a dica cá para fora e pronto, o mundo é convencido pelos media que o gajo é um mister do teclado. É tão fácil enganar os jornais. Bem, e os leitores, então, nem se fala...
Posted by pTd at 10:41 PM | TrackBack
agosto 21, 2005
Réplica ao Abrupto
Se a diatribe com que José Pacheco Pereira me recebeu neste soalheiro domingo no seu Abrupto fosse por mim lida até Novembro de 2004, eu ficaria intimidado e reagiria a quente, ou seja, como diz a minha mulher, à pTd. Veríamos um fogo de artifício de impropérios pelo meu lado (não do dele, evidentemente), o séquito dele viria a terreiro e mais uma vez seria eu contra a Internet em peso (como aconteceu duas vezes na década de 90). Uma lástima, devo confessar. Mas estamos em finais de Agosto de 2005 e não vou descer assim tanto. A verdadeira razão é porque não me apetece perder tempo, um bem precioso nesta altura, com um livro para finalizar.
1º: Infelizmente, a reportagem a que JPP alude não está disponível gratuitamente na rede – mas tentarei amanhã, segunda-feira, trazê-la para aqui. Porque não se percebe bem o que é posto em causa no Abrupto. Não são os "frágeis dados" – que são, aliás, os mesmíssimos dados que servem a JPP para garbosamente ostentar no Abrupto a sua posição sobranceira na blogosfera.
2º JPP escreveu que a minha "análise" no Expresso, «mais que uma verdadeira análise, é uma opinião pessoal (ou um desejo) para a qual se procuram frágeis dados de suporte».
Com a arrogância de um deus descido aos bits, JPP deixa o leitor na santa ignorância das razões de Querido (como ele me passou a tratar no Abrupto, perdi a cortesia do meu nome profissional) para "desejar" – e nem sequer avança sobre o que terei eu desejado. Deixa-me assim impossibilitado de responder.
Sempre posso esclarecer os leitores de que JPP não tem nada que eu possa desejar, à excepção provável da sua capacidade de leitura. Não tanto por ele: eu é que não sou pessoa de desejar o bem estar ou o mau estar alheio – e muito menos misturaria algo de pessoal com a minha actividade profissional (aqui no blogue é outra coisa, claro).
Mais adianto, sobre a reportagem, que me limitei (se é que o termo é bem empregue) a coligir os dados disponíveis para isso visitando as páginas de gráficos do Sitemeter relativas a uma quinzena de blogues. Fiquei nas mãos com o seguinte gráfico (clique nele para abrir versão maior):
A diatribe de JPP, que me trata como nunca o fizera, e a sequência com que ela surge na página inicial do Abrupto evidenciam que levou o assunto a peito, i.e., pessoalmente. Deveremos concluir que foi por eu ter publicado o gráfico que mostra que o seu blogue continua a ser o mais visitado de todos e tem hoje mais visitas que há um ano? Não… Se bem lhe conheço o tique da vaidade (aqui sim, admito estarmos perante uma opinião pessoal – embora não um desejo), o que o irritou solenemente foi o público do Expresso poder ver que hoje há mais blogues bastante lidos, que o Abrupto já não é o único, que a blogosfera cresceu para além dele.
Na hábil tentativa de denegrir a reportagem, JPP invoca em seguida as referências cruzadas (o Technorati) enquanto elemento fundamental para as "audiências". Ao longo do texto JPP mistura diversas vezes, espero que não deliberadamente, influência e audiências, tratando-as como se fossem uma e a mesma coisa.
JPP sustenta: «É tão evidente que este é um elemento crucial na análise de qualquer influência na blogosfera que parece absurdo pretender que blogues que nunca aparecem citados na blogosfera possam ser recordistas de audiência».
Eis um argumento disparatado. Equivale a escrever que "é absurdo pretender que o programa Quadratura do Círculo que nunca aparece citado nos tops de audimetria possa ser recordista de influência ", ou "é absurdo pretender que os Morangos com Açúcar que nunca aparecem citados na primeira página nem abrem telejornais possam ser recordistas de audiência".
Influência e audiências não são a mesma coisa. O Abrupto tem ambas.
A Quadratura do Círculo é um programa da SIC Notícias praticamente sem audiências e com basta influência no meio político. Do outro lado, a telenovela Morangos com Açúcar é campeã de audiências mas a sua influência no dia-a-dia do país é quase nula e na tomada de decisões políticas andará ao nível da influência do planeta Marte: incomensurável de ínfima…
A minha reportagem baseou-se em dados concretos de medição de audiência (maus, mas isso é de outro departamento) e não de influência. Convém frisar, aliás, que a reportagem apresenta mais adiante os blogues com capacidade de influência em determinada fase da evolução da blogosfera (o ano e meses de convulsões políticas, período que naturalmente coincide com o predomínio dos blogues sobre política ou escritos por intervenientes directos nela) como conquistadores de poderes fácticos junto da imprensa escrita e do meio político.
Por outras palavras, a reportagem não dizia mal do Abrupto nem dos blogues de política, antes pelo contrário. Lamento que leituras apressadas desvirtuem – mas it happens all the time, pal.
Tive o cuidado de não enveredar pelo aspecto da influência através do Technorati porque este sistema está também sujeito a deformações de perspectiva. Compreende-se que JPP invoque tantas vezes o Technorati, sobretudo quando levamos em conta que o Abrupto tem uma clara estratégia de afirmação de uma personalidade em determinado meio como reforço da sua capacidade de intervenção no espaço público, neste e noutros meios. Está à vontade para o fazer. Pode impressionar a papalvice que confunde browser com Internet Explorer. Mas eu não posso usar o Technorati como instrumento de medição de influência num determinado campo pela simples razão de que não é isso que o Technorati mede. O que o Technorati mede é a quantidade de hiperligações que cada endereço possui. O Technorati é "cego", entre outros factores, ao tempo: um link feito para saudar o Abrupto há dois anos permanece na contabilidade – ainda que o autor tenha morrido, deixado aquele blogue ou simplesmente deixado de ler o Abrupto.
Outra cegueira do Technorati que é fatal para quem queira sustentar uma análise com base naquele sistema: o factor-vaidade. O Technorati não nos esclarece sobre quantos dos links directos ao Abrupto resultam da moda (em 2003 e 2004, sobretudo, era de bom tom ligá-lo e os novatos faziam-no quase religiosamente, copiando a lista do Aviz – que sofreu do mesmo mal). Assim, o sistema das referências cruzadas tende para cristalizar e valorizar os mais antigos. Acresce que o Technorati também não nos esclarece sobre os reais motivos que levam algumas (quantas? Não sei mas desconfio que hoje menos que até há três meses, responderei eu) pessoas a ligar um post de JPP na esperança de lhe atrair o olhar ao respectivo blogue e obter a sinecura de uma citação que nesse dia fará disparar as modestas audiências. «Ena, o Abrupto citou-me! :)» - é uma (muito ouvida e lida) frase que cabe melhor num contexto Morangos com Açúcar do que num contexto Quadratura do Círculo.
(O problema aqui é que JPP sabe precisamente do que estou a falar, ele que gere com habilidade quem linka, quando linka e se/quando deixa de linkar. Que arme em inocente é lá com ele.)
O Technorati não mede tanto a influência, mas a celebridade na rede. O Abrupto é uma celebridade na rede portuguesa.
Mas o Abrupto é também um blogue influente. Mais: como deixei patente na reportagem, tem capacidade de aglutinar energias, como se viu recentemente no caso Ota. Isso sim, é ter influência. Obter um grande technorati só alimenta o fogo da vaidade.
Custa-me que JPP valorize o seu umbigo Technorati e diminua, por razões insondáveis, o valor das conclusões da reportagem – cujo objecto principal nem sequer era a influência, ou até mesmo as audiências ou "audiências aparentes", mas sim a inelutável deslocação de interesses de autores e leitores, patente tanto nos números como nos conteúdos e nas acções que vão hoje pontificando.
JPP não contesta verdadeiramente a reportagem: dá-lhe outro nome, o nome de opinião pessoal (ou desejo). Ao dar-lhe outro nome está apenas a depreciá-la. Não está a analisá-la e muito menos a contrapor-lhe factos. Pretende apenas desvalorizar, relativizar uma reportagem porque esta não lhe agradou. O que JPP apresenta como "factos" "contra" a minha "opinião" são outros factos, é outra conversa. Eu reportei alhos, ele fala de bugalhos.
O post de JPP não tem por isso qualquer valor como crítica.
Posted by pTd at 04:54 PM | Comments (19) | TrackBack
Don't take it personal
Escreve Paulo Gorjão (sobre um tema interessante, mas não é isso que aqui-agora quero relevar): «Porém, em vez de fazer referência ao Bloguítica, onde apareceram as primeiras declarações de Marvão Pereira que contradiziam parcialmente Manuel Pinho, os dois jornais optaram por ser «originais». Aparentemente não fica «bem» citar um blogue -- salvo se não se puder evitar.»
Não é os blogues que fica mal citar: é a concorrência. A prática descrita, pegar num assunto que a concorrência já pegou e apresentá-lo por outro ângulo dando a ideia de que a cacha é nossa, é muito comum. Tão comum que arrisco dizer que se tornou estrutural aos jornalistas. Nuns casos, é aceitável: muitas vezes quem primeiro dá a notícia não pode evidentemente cobrir todos os ângulos e abre campo ao assunto. Noutros, é menos aceitável.
Mas sempre vi as Redacções ignorarem-se olimpicamente umas às outras, excepto nos manifestos casos em que era impossível, ou era desejável, fazê-lo. Impossível porque o assunto é demasiado grande; desejável porque contribui para menosprezar o concorrente.
Logo, don't take it personal.
Posted by pTd at 02:17 PM | TrackBack
Blogs, Expresso e Paulo Querido: resposta a duas discordâncias
Pediu-me Jorge Vaz Nande que me pronunciasse sobre as duas dúvidas que teve ao ler o meu artigo deste sábado no Expresso. As dúvidas, ou discordâncias, dele podem ser lidas aqui. Seguem as respostas na entrada estendida, para não desfear aqui a página de entrada.
Primeiro, o que eu escrevi no lead foi, cito: «Já representaram a faixa intelectual do país. Com a cultura, o futebol e o sexo, os blogues popularizam-se».
Ao contrário do que sugere a leitura do post de Vaz Nande, o lead não realça portanto que os blogues tenham deixado de representar a faixa intelectual do país. Não há descontinuidade nem ela é sugerida no meu lead. A faixa intelectual continua representada. Acontece é que há agora mais "faixas" representadas, estando a blogosfera a popularizar-se.
Lamento desiludir Vaz Nande e quantos, como ele, gostavam que a blogosfera continuasse a dar ao público uma garbosa imagem da faixa intelectual do país, mas deram e já não dão. Dificilmente se podem considerar autor e leitores de blogues como o Gatas QB, campeão do último semestre tanto nos sitemeters como nos technoratis, como pessoas que têm «gosto quase exclusivo pelas coisas da inteligência».
Convém avisar que, ao contrário deles, considero este fenómeno como benigno para a blogosfera (agora mais perto da vida no mundo dos átomos) e até libertador para os intelectuais dos blogues. Não emiti opinião no Expresso porque não é esse o meu contrato para aquele espaço.
Segundo, reina a maior das confusões por aí. Vaz Nande começa por nos levar em sucessivos erros. Não fui eu a "pontuar" os blogues, limitei-me -- se é que a palavra é usável no contexto... -- a coligir e juntar, comparando, os dados do Sitemeter. É duplamente falsa a afirmação: «Paulo Querido, embora não o mencione, guia-se pelo seu Blogómetro». Duplamente porque:
a) não me guiei pelo Blogómetro. (Embora o pudesse ter feito porque os dados dele constantes são os dados reais recolhidos do Sitemeter e estão mais de dois anos deles registados. Não o fiz porque era mais simples para o efeito ver um por um os Sitemeters de cada blogue e registar os dados numa folha de cálculo.)
b) O Blogómetro não é meu. (Ou por outra, o Blogómetro é tão meu quanto o blogue A Peste é do Blogspot. Limito-me (se é que devo usar o termo) a dar-lhe guarida, conforme me comprometi perante a audiência do Primeiro Encontro Nacional de Weblogs que decorreu na Universidade do Minho vai fazer dois anos em Setembro. Escrevi todo o código que permite elaborar a lista e introduzi, para o arranque, uma centena de blogues (que fui buscar na altura, como toda a gente, à blogroll do Aviz, que era quase a blogroll oficial da blogosfera...). Desde então foram introduzidos pelos próprios autores mais de 700 novos blogues.)
Não comentarei o facto de o Blogómetro não ter mais que um valor indicativo porque não é preciso comentar a verdade. (Recordando en passant que o blogue Murcon, que para Vaz Nande é representativo, não entraria no top 20 do Blogómetro e nunca teria sido levado em consideração para o artigo do Expresso.)
Sobre a fiabilidade no Sitemeter, que é pouco superior a zero na minha opinião (tenho vindo a descrer nele ao longo dos tempos), há que destacar o seguinte: é a única ferramenta de que dispomos para comparar dados entre blogues e perante uma amostragem significativa no tempo (um ano) e na dimensão (12 blogues, sempre os mesmos) penso que podemos tirar conclusões gerais sobre tendências e posições relativas. Mais que isso, não arrisco.
Quanto ao Hollywood e à minha extrapolação, é claro que a posso explicar e fá-lo-ei de seguida, não sem antes fazer uma declaração: não caberia a seguinte explicação nas páginas do Expresso.
As estatísticas no sítio, como é o caso das estatísticas relativas aos blogues alojados no weblog (http://weblog.com.pt/estatisticas/), são mais fiáveis (não me responsabilizo por más leituras desta parte) que as estatísticas elaboradas remotamente. Blogues como o Afixe, o Terceiro Anel, o Xupacabras e o BdE(II) surgem com melhor sitemeter que o Hollywood, mas nas estatísticas internas este bate-os por muito; com alguma atenção a ambos os números ao longo do tempo e sobretudo ponderação na análise, é possível estabelecer, com razoável grau de certeza, que factores de distracção (desconhecidos, porque o Sitemeter nada revela sobre o seu sistema) impedem a correcta apreciação dos valores de alguns blogues, desvalorizando sistematicamente uns e valorizando sistematicamente outros.
(Não referi no Expresso, nem referirei aqui, o Troll Urbano, segundo da lista interna, porque só recentemente apareceu no topo da lista e ainda estou - precisamente! - a ponderar o seu súbito aumento.)
Posted by pTd at 12:00 AM | Comments (8) | TrackBack
agosto 20, 2005
Da felicidade palpável
Levaram os filhos ao centro comercial. Depois foram jantar. Trocaram um jantar romântico junto ao rio por um bife rápido porque havia trabalho para fazer e em breve, passada a tormenta dos prazos de edição, terão noites cálidas para a partilha de manjares.
O destino traiu-lhes os planos, como vem sendo hábito. Entre o café e a conta, uma conversa espontânea sobre a evolução das línguas ocupou o espaço e o tempo, deixando-os a namoriscar a vida, juntos.
Nas suas costas, ignorando a lua avermelhada a subir aos céus, o servidor de correio divertia-se enviando-lhes o correio amoroso da directoria de um para a directoria do outro. Muito acertadamente, como se comprova, as cartas falavam da felicidade palpável.
Posted by pTd at 10:39 PM | TrackBack
Enquanto isto
Enquanto isto, entre dois mergulhos com os netos na piscina da vivenda Mariani, Aníbal sorri para Maria, que já está a pensar no vestido para a tomada de posse.
Posted by pTd at 06:03 PM | Comments (4) | TrackBack
La différence entre
Soares arrisca-se a ter um resultado menos bom (estou a ser bondoso) que, sendo de quem é, só poderá ser lido como um embaraço para a esquerda, manchará o ocaso da sua carreira política (honra lhe seja: isso pouco o importa) e deixa o PS (e por arrasto o Governo) perante uma segunda-feira deprimente e um futuro a breve prazo muito, muito cinzento.
Uma derrota de Alegre, mesmo com números piores (e não há por agora sondagem ou estudo algum que diga que ele teria números piores), seria sempre encarada como um mal menor, os socialistas e outros "esquerdistas" podiam sempre resmungar entre dentes que «tínhamos um candidato fraco» e na segunda-feira seguinte todos voltaríamos ao trabalho, Cavaco incluído, esquecendo o assunto mais depressa que uma derrota do Sporting no campeonato.
Posted by pTd at 06:02 PM | TrackBack
Explicam-me porque é que Soares terá (teria) mais votos que Alegre?
A atenta leitura dos jornais deste sábado confirmou as minhas piores expectativas: além do próprio, dos familiares e no núcleo duro de amigos que não poderiam nunca dizer-lhe não, o país não se mostra receptivo à candidatura de Mário Soares. (Que país ingrato!)
Não há MASP. Desconfio que não chegará a haver um MASP. Ninguém apareceu a bater palmas e a listar louvores. Até os analistas e opinion-makers com carreiras ligadas à actividade de engraxadores de Soares, que ainda os há, alimentam hoje o coro de dúvidas que se ouve com crescente estrondo (e, enquanto isso, os poucos mas bons amigos de Alegre vão surpreendentemente aumentando de... número!).
O afã e o zelo com que a meia dúzia (que ainda existe) de defensores da candidatura a tenta justificar com o argumento de que Soares é o único que pode fazer frente a Cavaco, diz bem do clima que se vive por ali. O argumento não resiste a dois minutos de análise. Como Paulo Gorjão no Bloguítica, acredito que se trata entre os "soaristas" de legitimar o atropelo a Manuel Alegre.
Cito: «O problema de Soares [...] é que a sua enorme notoriedade significa que a sua candidatura já não tem muito espaço de crescimento. Pelo contrário, Alegre teria terreno livre – à medida que a sua notoriedade aumentasse durante a campanha eleitoral – para fazer uma corrida de trás para a frente» (in O melhor candidato?)
O problema dos "soaristas" é que não conseguem explicar coerentemente onde e como vai Soares buscar mais votos que Alegre.
Posted by pTd at 05:29 PM | Comments (4) | TrackBack
Do anedotário soarista
Dos jornais: «Apoios a Soares irão ser conhecidos a conta-gotas, explica fonte próxima do proto-candidato».
Resposta pronta: «A conta-gotas, claro, é à medida que os deixam sair das unidades de cuidados geriátricos».
Posted by pTd at 05:18 PM | Comments (1) | TrackBack
agosto 19, 2005
Ainda há soaristas vivos
Estávamos a discorrer sobre o nosso segundo tema favorito (ultimamente). Eu cumprindo religiosamente o meu papel de lhe moer o juízo com Alegre; ela continuando ritualisticamente a defender que só Soares tem hipóteses.
- Não vejo vaga alguma em torno de Soares - disse eu, continuando: - E era suposto. Já em torno de Alegre, enfim, não poderei falar em vaga de fundo mas vê-se alguma ondulação favorável, simpática.
Ela contrapôs rapidamente: - Duvidas que, quando for tempo, se formará a vaga de Soares? Ainda há soaristas vivos!
E fez-se um esclarecedor silêncio ;)
Posted by pTd at 02:54 PM | Comments (4) | TrackBack
Em resumo
Cavaco é um dado adquirido. Soares só provocou até agora consternação e dúvida. Alegre colhe simpatia e representa naturalidade.
Posted by pTd at 02:44 PM | TrackBack
agosto 18, 2005
Uma mulher
Aposto dobrado contra singelo como o candidato presidencial do PCP, a apresentar sexta-feira 19, será uma candidata.
Posted by pTd at 08:17 PM | Comments (3) | TrackBack
agosto 17, 2005
Os sintomas do engano
O leitor Duarte Bento, que muito estimo, comentou-me sobre Mário Soares. Vale a pena dissecar os argumentos que ele apresenta porque são ilustrativos do engano em que labora a minoria que acredita na eleição do "fundador do PS".
«Eu acredito que Mário Soares ganhará as eleições presidenciais por larga maioria. Soares terá o apoio total e unânime de toda a Esquerda Portuguesa; bem como terá também o apoio de uma larga franja Social-democrata; bem como terá também o apoio de um largo sector Democrata-cristão.»
Com efeito, é uma questão de crença. Que o eleitorado do PS vote nele pela recomendação partidária, percebe-se. Até os novos eleitores, os que há 20 anos (aquando do MASP I) nem eram nascidos ou não tinham cartão de eleitor. Agora estes novos eleitores que não pertençam ao PS (e, acredito, muitos dos que pertencem) que razão têm para votar Soares e não Cavaco, se for Cavaco?
Tirando a meia dúzia de tontos e tontas que são "contra" a "globalização", um dos temas que, absurda e inconcebivelmente, o "fundador do PS" abraçou como um pré-adolescente abraça a causa dos gatinhos abandonados no Verão, ninguem com menos de 50 anos se revê nas palavras, na pose, na atitude de Soares. Pelo contrário, desconfiará do homem que já foi Primeiro-Ministro e Presidente e tudo, e terá tendência para reter nos ouvidos os argumentos "contra" Soares. Evidentemente, não terão razão nenhuma.
Já Cavaco (se for Cavaco) se apresentará aos seus olhos como o mais novo e com um discurso que vai com l'air du temps, "liberal", e essas tretas económicas que hoje caem bem na papalvice geral das eleições. Apaziguador - onde Soares é rígido. Calmo - onde Soares se mostrará inevitavelmente frenético pois só no confronto directo tem a ganhar contra Cavaco, dada a sua habilidade.
Quanto à laranjada geral, podem não gostar de Cavaco (e se o elitista PSD, Graça Moura excluído, visivelmente não o grama, convém avisar que o laranjal não é só o PSD e que os laranjinhas deram sempre suporte a Cavaco), mas cresceram entre pais que odiavam Soares e vão querer vingar-se, no mínimo.
Já os "democratas-cristãos", caro Duarte Bento, quem são esses? E, admitindo a sua existência (e a existência neles de uma consciência política), porque carga de água votariam no laico e "esquerdalho" Soares?
«Por outro lado, acredito eu também que os únicos verdadeiros «anticorpos» que existem contra Mário Soares têm somente a ver com algo que ainda nunca foi referido: a descolonização. Existem «muitos» portugueses que culpam particularmente Mário Soares pela «má descolonização» realizada por Portugal.».
Não compro. Primeiro: nestas eleições não se trata de anticorpos, trata-se de apresentar razões para eleger um actor antigo da política que que regressar ao tacho (nisso estão no mesmo pé). Segundo, a "descolonização": já só sobram meia dúzia de portugueses eleitores capazes de se lembrar disso. Colónias, para a massa dos eleitores de hoje, são as águas das ditas.
Vamos ao terceiro engano:
«Esta capacidade de «nobelizar» os mais velhos tem sido somente, ao longo da História Humana, praticamente só apanágio dos países orientais como o Japão, o Tibete, a China, e a Índia (e outros do mesmo mundo cultural). Penso ser muito relevante este aspecto profundamente da esfera do Respeito Humano, algo humano muito valioso que nos falta na nossa cultura ocidental.».
Aqui convém dizer que concordo inteiramente com Duarte Bento: se fosse eu a decidir, e pela idade, antes Soares que Cavaco -- de longe. Mais vale um velho sábio a mandar -- de preferência com um jovem turco ao leme do barco. E isto não é só válido para a política, é válido para tudo na vida.
O problema é que eu e Duarte Bento fazemos parte da curtíssima minoria para a qual a juventude não é um valor, bem pelo contrário. Eu, e penso que Duarte Bento também e quiçá mais meia dúzia de portugueses com idade e pernas para votar, penso que a política (e outros dirigismos) é um território para os sapientes e que a carne fresca é qualificada para as nobres actividades de procriar e labutar. Eu, e aqui aparentemente sozinho, acho um disparate insano que a sociedade (e, nela, os detentores dos meios de produção, que é quem lucra com isto tudo) fabrique este mito da juventude atleta sexual -- que é a imagem do Homem que os audiovisuais transmitiram aos alienígenas que visitaram a Terra nos últimos 20 anos.
Mas eu sou um doido varrido e um maluco. E sobretudo -- e isto é que conta -- sou apenas UM. Não conto para o totobola eleitoral. Nesse o que conta são as massas. As hordas. E as hordas valorizam o novo em detrimento do velho. Soares não tem a mínima hipótese.
Por tudo isto e muito mais do género que aqui não cabe, penso que é fácil perceber os contornos do inevitável. Mário Soares anunciará ao país, dentro de uma ou duas semanas quando voltarmos todos dos figurativos banhos, que não se candidata. Arranjará uma desculpa qualquer brilhante, estou certo. Antes isso do que sofrer uma pesada humilhação eleitoral às mãos de (olha quem!) Cavaco Silva.
Posted by pTd at 05:56 PM | Comments (1) | TrackBack
agosto 16, 2005
Sobre A Capital e O Comércio do Porto
Agora já posso escrever uma nota breve sobre o fecho dos jornais A Capital e O Comércio do Porto. Já passou algum tempo. Uma nota inspirada pelo email de Rui Antunes publicado pelo Abrupto.
A Capital começou por ser um peso: era um dos três vespertinos com que diariamente alombava pelas Escadinhas do Duque abaixo nos meus tempos nada saudosos de paquete de A Nação, diário para onde entrei no dia em que fiz 18 anos (e onde publiquei, sob o impulso do João Alves da Costa, de A Bola, que ali fazia uma perninha na Cultura, os meus dois primeiros textos saídos em letra de imprensa em jornais de grande circulação).
Pouco depois era leitura obrigatória e não passaram muitos anos até ser a minha concorrência, quando entrei para o Diário Popular.
O Diário de Lisboa (com o qual se completa o trio de pesos das minhas esbaforidelas Bairro Alto abaixo) finou-se à minha vista, literalmente (as janelas do Popular davam para o Lisboa e os berros cá em cima do Acácio a protestar ouviam-se lá). O Diário Popular acabou por se finar, já eu tinha saído para o Expresso. Faltava A Capital. Aquele que parecia o irmão mais fraquito dos três, aparentemente sofria de raquitismo, volta e meia tinha constipações, foi o que mais tempo sobreviveu.
Sei o que é um jornal fechar, caro Rui. Sei o que é desaparecer um projecto que contém o nosso suor e o nosso sangue. Um abraço.
Posted by pTd at 06:29 PM | TrackBack
Quanto mais leio mais se confirma o meu receio
O receio de ver Soares achincalhado nas urnas. É certo que valem o que valem (tal como as sondagens), mas o tom geral dos comentários que vou lendo e ouvindo por aí cada vez que ele abre a boca vai reduzindo a minha margem para a dúvida.
Posted by pTd at 06:22 PM | Comments (1) | TrackBack
Prémio a consideração que ele tem por camaradas de armas e colegas de ofício
Segundo leio, Mário Soares justificou (no programa "Sociedade Aberta", da SIC-Notícias que só pensou voltar a candidatar-se devido ao «vazio de candidaturas» à esquerda. Manuel Alegre e Freitas do Amaral ganharam o superheróico dom da invisibilidade? morreram? São não-pessoas?
Não. Para o "fundador do PS" a disponibilidade de Manuel Alegre para se candidatar a Belém, revela «generosidade» e «coragem». Mas constatou que «faltaram-lhe esses apoios [no PS]». E decidiu heroicamente avançar para salvar a pátria da esquerda e evitar o «passeio na Avenida da Liberdade» de Cavaco Silva.
Ficamos conversados. Esclarecido já eu estava.
Posted by pTd at 05:57 PM | TrackBack
agosto 15, 2005
4 da record
Posted by pTd at 11:03 PM | TrackBack
Deserta
Descarreguei finalmente as imagens do P800. Aqui fica um aspecto da Ilha Deserta, ou da Barreta. Um pedaço de paraíso ainda não conspurcado pelo Homem (isto é, você, leitor). Ao lado, visível na foto, a Ilha do Farol -- essa sim, adequada às vossas visitas :P
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(carregue na imagem para versão maior)
Posted by pTd at 04:53 PM | Comments (1) | TrackBack
agosto 14, 2005
Motores da blogosfera engasgaram...
Artigo um pouco, mas só um pouco, controverso no Diário de Notícias de hoje, sobre a blogosfera. Intitula-se Blogues políticos deixam de ser motores da blogosfera nacional.
Sou fonte citada no artigo. Tudo bem, as minhas declarações estão reproduzidas com fidelidade. Só me espantei porque foram recolhidas... há um mês e uma semana. Nada a apontar, quem escolhe o timing é o jornal e não as fontes, como eu bem sei. Só falo nisto porque num mês MUITA COISA pode mudar na internet :)
De resto, estou de acordo no essencial com o que ressalta da leitura da reportagem (que não é, repito, não é um artigo de opinião de dois jornalistas!). Aliás, por acaso estou precisamente a escrever uma reportagem sobre o que mudou nas audiências da blogosfera nos últimos doze meses e a conclusão geral corrobora o título do DN.
Update: indelicado o texto de Paulo Gorjão no Bloguitica sobre a peça do DN, sobretudo no que diz respeito ao weblog. Veladamente, PG tenta acusar os autores de se atrelarem aos dados do weblog, dados por mim. PG não cita as minhas palavras, ou o sentido do seu texto seria MUITO diferente. Tudo aquilo para dizer que o weblog aloja uma minoria de blogues? Bah. É público. o Weblog é o único a dizer em tempo real quantos blogues, posts, comentários e trackbacks tem. É também o único a fornecer estatísticas de acesso. Mais transparência, não há em lado nenhum.
PG podia ter feito - ou fazer ainda - o mesmo que eu fiz (desconheço se a rapaziada do DN fez): pacientemente sacar os dados do Sitemeter e fazer comparações.
Aliás, PG nem sequer vê o seu próprio Sitemeter. Veja-o. Depois falamos.
NO EXPRESSO DE SÁBADO QUE VEM sairá uma reportagem minha sobre as mudanças na blogosfera. Nada tem a ver com a do DN. Aponta genericamente no mesmo sentido (diminuição da importância da blogosfera política - é um facto comprovável). Mas vai mais longe.
NOVO UPDATE EM 19 AGO 2005: Assunto esclarecido em privado com Paulo Gorjão. Mea culpa, li além do sentido - e, injusto, reagi em excesso.
Posted by pTd at 11:53 PM | Comments (4) | TrackBack
agosto 13, 2005
Um Verão diferente
Este foi (está a ser, é, ainda vai ser) um Verão diferente. Muito diferente.
Desde a juventude que não olhava as Perseides.
Ou pairava sobre a vegetação selvagem e salgada da ilha da Barreta (o ponto mais a Sul do Continente).
Que não passava em partilha pelo canal do cais Neves Pires (está menos assoreado mas à vela continua a ser difícil).
Ou ia comer um gelado Olá - símbolo de uma simplicidade sem classes - pela fresquinha da noite.
Ou vivia a paz iluminada entre o páteo andaluz dos lautos jantares e os refluxos da Ria.
Para mais, hoje deram-me a meia lua em ouro velho.
Há 25 anos que um Verão não valia a pena.
Posted by pTd at 01:40 AM | TrackBack
agosto 12, 2005
Se quereis saber
O amor na verdade faz toda a diferença.
Posted by pTd at 12:44 PM | Comments (1) | TrackBack
agosto 11, 2005
O paraíso existe (*)
Ementa do jantar de ontem:
entradas
- moxama de atum
- boqueirão com vinagre
pratos
- lulinhas fritas com ferrado
- arroz de lingueirão (versão B)
bebidas e café, total €43
Ementa do jantar de hoje:
entradas
- vista soberba sobre a Ria Formosa, pôr do Sol
- ostras abertas ao natural
- conquilhas frescas
prato
- arroz de lingueirão (versão A, experimentadas repetidamente ambas, esta é a que a Ana prefere)
bebidas e café, total €35
(* Não façam perguntas, não digo onde. Não vos quero cá)
Posted by pTd at 12:11 AM | Comments (3) | TrackBack
O meu preciosíssimo contributo para a Wikipedia
Acabo de dar o meu preciosíssimo contributo para a Wikipedia.
E qual foi?, pergunta em coro a plateia sequiosa. Emendei norte-americano por estado-unidense num artigo onde era óbvio que o autor se referia aos Estados Unidos da América a não ao continente norte-americano.
E qual é a diferença?, pergunta em coro a plateia desiludida. Olha, cara plateia, vai perguntar isso aos canadianos. E não te esqueças de tomar os comprimidos.
Posted by pTd at 12:05 AM | Comments (3) | TrackBack
agosto 07, 2005
O que está realmente em questão
Percebe-se porque preferem os mass media a candidatura de Mário Soares à de Manuel Alegre.
Percebe-se o capricho de Mário Soares em avançar.
É claro como a água o que pensa o Primeiro Ministro das utilitárias eleições presidenciais.
Entendem-se perfeitamente os sorrisinhos das hordes cavaqueiras perante tamanha oferta divina.
As próximas sondagens e estudos de mercado ditarão o óbvio. Dificilmente a esquerda poderia escolher um candidato mais macio para Cavaco. Basta-lhe dar linha a Soares, que se fartará de gesticular e enrolar este mundo e o outro, numa campanha eleitoral doentia, povoada dos fantasmas dos últimos 30 anos - o que levará a maioria do eleitorado ao enjoo total e consequente recusa do candidato responsável pelo abaixamento do nível. (Soares só conta com os votos dos soaristas empedernidos -- uma família cada vez menos numerosa, facto que ninguém ousou ainda revelar ao patriarca.)
É isto que está em questão. E é por ser isto que está em questão que Manuel Alegre ainda não se retirou, Soares acabará por, até Outubro, desistir e poupar-se ao vexame em perspectiva -- e as favas ainda não estão contadas à direita. Mas quase.
Posted by pTd at 11:13 PM
agosto 06, 2005
Desculpa, amor, mas discordo
«As pessoas até sabem porque dizes isso do Soares. Mas contra Manuel Alegre o Cavaco ganha folgado, enquanto contra Soares... não.»
Posted by pTd at 05:04 PM
A vingança serve-se fria
A 25 de Julho, quando Mário Soares abriu as hostilidades da sua campanha, realcei que a sua candidatura, cito, «provocou um cataclismo de proporções difíceis de avaliar».
Doze dias depois já estão avaliadas as proporções. Resumem-se ao tempo perdido a ler e a telever tanto lixo. Cavaco e esbirros estão descansados, de férias, a curtir e a rir que nem perdidos. Tudo indica que a esquerda vai perder a cabeça e a dignidade -- e, na noite eleitoral, com um pouco de sorte de campanha, o homem obterá um score que ridicularizará Soares.
É tempo do calor tórrido das palavras e aparições, a vingança serve-se fria, lá mais para o Inverno.
Posted by pTd at 04:55 PM
Mais vale uma na mão
Mais vale uma na mão que duas no soutien. Não me perguntem porquê, esta tirada anarca dos anos 70 foi a primeira frase a vir-me ao pensamento quando abri isto.
Posted by pTd at 04:42 PM
Descubra as diferenças
«Percebo-te. Mas entre o Soares e o Cavaco, eu votava no Soares. O Soares é de esquerda e o Cavaco de direita; o Soares representa a cultura, os olhos abertos para o mundo, enquanto o Cavaco é a plutocracia, o fechadismo.» - dizem-me aqui ao lado.
Eu não contradigo. Mas adianto: «o país mudou irreversivelmente. Apesar disso, continua mais perto culturalmente do que Cavaco simboliza, do que do simbolismo de Soares. E não me perguntes porquê, cresce em mim a sensação de que, a avançar, Soares sofrerá uma tremenda humilhação eleitoral. O país mudou muito...»
Taticamente, ela volta à Xis e eu ao manuscrito em preparação.
Posted by pTd at 04:33 PM | Comments (2)
Carta aberta ao Secretário-geral do Partido Socialista
Caro José Sócrates, vou ser breve.
É assim: se o PS insistir em secundar a peregrina ideia da candidatura de Mário Soares e deixar o louco do homem ir até às urnas, não me deixa outra alternativa senão a de tirar o pó de duas décadas ao cartão de eleitor e voltar a usá-lo como da última vez: engolindo um sapo.
Os tempos (e Portugal, já agora) mudaram bués desde 1986. Na altura havia um fantasma na sociedade portuguesa e milhares de eleitores elegeram Mário Soares contra o fantasma. O "presidente de todos os portugueses", como a si próprio se chamou na noite das eleições não deixando aos "portugueses" outra alternativa senão concordar, passou dois mandatos a chatear toda a gente, mas na altura o país precisava de um gajo que chateasse. Agora não precisa de um chato a fazer as vezes de presidente, precisa de alguém que colabore porque os tempos estão mesmo super-difíceis para quem tem de governar este barco de malucos a que insistem em chamar Portugal.
Eu não me conformo com o que Mário Soares fez ultimamente. Eu acho que a política portuguesa não está ameaçada como em 1986, pelo que não precisa de um "salvador". E certamente dispensa, nesta fase de delicadeza democrática, um homem que gosta mais do poder que todos nós de {auto-censurado}.
Eu não gosto nem um bocadinho do candidato rival, Cavaco Silva. Sou dos que não lhe perdoa ter feito tão pouco com tanto que teve (e que nunca ninguém teve, o que lhe vale o actual cartel). Será desagradável (mas ironicamente justo, devemos admitir) ver o país representado por um homem sem chama, desprovido de criatividade e aparentemente incapaz de exibir a paixão que pode mobilizar os cidadãos. Mas mais vale Cavaco que dar a Mário Soares mais uma hipótese de mandar no país como manda na casa dele, no clã dele, na corte dele, nos amigos dele e mandou no partido dele.
Por isso, caro José Sócrates, veja lá no que se mete, ao seu Governo e a Portugal. Ainda está a tempo: retire. Antes retirar agora, e arranjar um candidato (sugiro Manuel Alegre) que represente o seu partido dignamente (mesmo que para perder), do que insistir numa aspirina pontual que alivia a sua dor de cabeça actual mas não cura o cancro governativo ou a sida nacional, pelo contrário.
Um abraço
PS: a minha humilde opinião não contará para o seu Euromilhões, mas olhe que há mais gente, muita gente no país a pensar como eu. E, ao contrário de mim, a maior parte dela onde dói: à esquerda.
Posted by pTd at 04:00 PM | Comments (6)
agosto 04, 2005
Pelo menos agora vão dar por isso
Vejo nos telejornais. O impensável (bah... neste "país" tudo é pensável...) à nossa frente. A A1 coberta de fumo e lambida pelas labaredas.
Fechada a sua principal artéria, pelo menos agora as pessoas vão dar por o país estar a arder. Eu não sou bombeiro, não é essa a minha vocação, embora às vezes me apetecesse. Eu não posso fazer grande coisa. Talvez recordar. Recordar que nos últimos dois anos todos nós, na blogosfera, falámos no mesmo tom do mesmo horror que agora. Mais blogosfera houvesse nos anos anteriores, e estes registos viriam de mais detrás.
A 26 de Junho de 2004 escrevi aqui um texto onde dizia isto: Os responsáveis políticos de Portugal são Os Impunes. Ia recordar passagens do texto aqui publicado há praticamente um ano mas desisti. O melhor mesmo é relerem-no todo. Não tenho mais nada a acrescentar excepto esta nota: como se lerá, o texto podia ter sido escrito em qualquer ano do passado mas TAMBÉM do futuro.
O texto que se refere neste parágrafo foi publicado a 18 de Agosto de 2003. Escolho um período: Numa das aldeias que desapareceu do mapa, no distrito de Santarém, um habitante disse o mais importante e pungente que na minha opinião há para dizer sobre incêndios. Foi mais ou menos isto (transcrevo de cor a frase ouvida numa tarde de domingo na TSF): «há dez anos aconteceu o mesmo aqui. Que país é este?»
O futuro chegou hoje. Até sábado o calor é inimigo dos bombeiros e da propriedade pública e privada. E voltará a chegar no próximo ano. E no próximo e não em muitos mais além desse. Portugal já não será de facto um país. Ninguém lhe acudiu entretanto.
Posted by pTd at 08:07 PM | Comments (1)
E ninguém lhe oferece uma Playstation?
Helena Roseta escreveu um artigo de opinião no Público (link indisponível, reclamações por email para aquele jornal) intitulado Vale tudo?. Foi citado em tudo o que é lado, hoje. Eu também cito pois tenho algo a dizer. É que Manuel Alegre, Roseta e (desconfio) um grande conjunto de indivíduos isolados e calados (ainda a refazerem-se do choque da traição) não estão tão sozinhos quanto pensam.
Roseta diz que a candidatura de Mário Soares gerou «uma enorme perplexidade». Mais atrevidamente, sugere-se (e aqui Roseta não está sozinha) que o tema fracturou o Partido Socialista mais ou menos ao meio.
A confimar-se a candidatura de Soares, confirmar-se-á no mesmo instante a vocação de Mário Soares para sapo, um sapo gordo, velho e crescentemente enfatuado, e a vocação da esquerda portuguesa, socialistas incluídos, para a infantil doença de engolir sapos sem sequer esquartejar os bichos.
Mas -- e Soares avança mesmo?
Temo bem que sim. O homem tem uma relação doentia com o poder. Ele simplesmente adora ser o "rei", o centro das atenções, o manipulador, o bajulado. Independentemente das suas ideias (algumas das quais, como o seu primário anti-totalitarismo, foram úteis a Portugal nos anos excessivos da Revolução), Soares é um animal da política. O problema com Soares é o problema de qualquer animal: o que é bom para ele não é forçosamente bom para o meio em que habita, pense ele o que pensar.
A função de Soares vir a jogo é interpretada de duas formas. Uma: enquanto serviço prestado ao PS num momento difícil -- o que é para rir pois historicamente o PS existiu para servir Soares e não o contrário, sendo ilegítimo admitir que algo tenha mudado. Neste delírio interpretativo, a que aderiram alguns cronistas sem outra inspiração, o Governo é o grande beneficiado pois a candidatura de Soares "tapa" os problemas do executivo ao ocupar, com o estrondo que habitualmente caracteriza a forma de Mário Soares actuar em público, o espaço mediático. Uma (quase certa) derrota seria a derrota de Soares e não do partido nem do governo. E mesmo nas pobres autárquicas os resultados tornaram-se pouco menos que irrelevantes. Respira Sócrates de alívio.
Segunda forma: em vez de bocejar nos programas de televisão e arrastar-se pelas cadeiras da sua fundação, Soares vi uma oportunidade de regressar à arena de que tanto gosta.
Acredito nesta segunda via. Como ninguém na esquerda tem tomates para dizer não a Mário Soares, e como a política de vistas curtas que é hoje característica obrigatória dos governantes faz Sócrates optar pelo mal (para ele) menor do mínimo de mossa na sua imagem (que Soares lhe garante em qualquer cenário), Portugal enfrenta um problema inesperado e indesejado.
Cito Roseta: «há muita gente, de todas as gerações, que gostaria de intervir politicamente e não se revê no manobrismo partidário. Isto está a ficar demasiado afunilado».
E está. Pelo que faço uma sugestão e um apelo.
Sugiro que nos quotizemos para oferecer a Mário Soares uma Playstation e o "Political SimCity 3", a ver se desampara a loja aos portugueses. E apelo aos portugueses que ainda acham a dignidade um valor, para que opinem, exijam, demandem, argumentem, peçam a Alegre e a Cavaco que travem o combate da dignidade nas próximas presidenciais.
Posted by pTd at 04:30 PM | Comments (7)
agosto 02, 2005
O "país"
A maioria das respostas de leitores ao Entreguem as chaves em Bruxelas, um texto onde iniciei uma reflexão pessoal sobre a utilidade da ferramenta histórica chamada "país", foi de acinte. Os respondentes preferem acicatar espíritos em torno dos (seus) preconceitos -- que julgam transversais, de que o conceito de "patriotismo" é o mais avultado -- do que debater a minha reflexão: terá (ou não) chegado a hora de admitir a nova realidade da história do homem e, pragmaticamente ou nem por isso, deixar para trás o "país", essa entidade abstracta, de espírito, quantas vezes queimando as fronteiras físicas das nações naturais, que já deixou de ser necessária?
"O erro histórico de Portugal foi 1640", escrevi eu, e o anónimo leitor António (Antónios, como anónimos, há muitos) respondeu, se é que isto é resposta: «É fácil dar uma resposta sem conteúdo, mas com justiça, a essa afirmação, dizendo "ó caro amigo, tenha a primeira atitude patriótica da vida e emigre para Madrid".»
A invocação da pátria enquanto sustentáculo da razão é auto-demonstrativa, pelo que não gastarei bytes a urrar contra ela. Eu falei de países, não de pátrias. Lisboa é uma belíssima cidade, melhor de viver que Madrid, embora pior de trabalhar, mas disso a culpa não é da cidade nem dos seus habitantes: é na maior medida de quem desgovernou Portugal na última janela de oportunidade, estas três décadas que, perante os actuais candidatos à presidência, ameaçam perpetuar-se (poderes perpétuos, eis algo muito português...)
Posso defender (defendo!) línguas mas não (mais) esgrimirei teclados por uns riscos no mapa que já nada dividem pois nada há para dividir, à luz do que sabemos hoje. Se o "país" é uma questão burocrática, temos amanuenses q.b. em Bruxelas, por um lado, e por outro os amanuenses de cá, empertigados, são uns autênticos inúteis, como se comprova diariamente em qualquer ramo da actividade em que era legítimo esperar deles uma atitude.
Não quero destruir o "país" pela simples razão de que não vejo país algum, aqui (é, aliás, uma das razões para achar que está na hora de enfrentar o novo ciclo histórico em que a geografia deixou de ser um item). O que vejo quando olho para isso a que se chamava "país" é um organismo algo complexo, moribundo, num movimento incessante que visa exclusivamente evitar a sua própria auto-destruição.
Os anti-castelhanos que me desculpem, mas não encontro razões para outra coisa que não um iberismo assumido num contexto europeu, isto se preciso definir (e os ventos do Futuro dizem-me que preciso, ou ninguém me verá) onde estou eu na economia global.
Somos livres de viver o processo histórico para trás ou para a frente, num ou noutro sentido ou num terceiro. Cada um escolha o seu. Eu defino por onde quero ir, não sou homem de aceitar "ordens".
Posted by pTd at 04:50 PM | Comments (10)
Arbeit macht frei
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«Nelle tue miserie
riconoscerai
il significato
di un arbeit macht frei.
Tetra economia
quotidiana umiltà
ti spingono sempre
verso arbeit macht frei.
Consapevolezza
ogni volta di più
ti farà vedere
cos'è arbeit macht frei.»
Area, album Arbeit macht frei (il lavoro rende liberi) (1973)
Nota: estou comprador deste CD e/ou outros CDs dos Area. Aceitam-se os albuns em mp3.
Posted by pTd at 01:47 AM | Comments (1)