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Sobre A Capital e O Comércio do Porto

Agora já posso escrever uma nota breve sobre o fecho dos jornais A Capital e O Comércio do Porto. Já passou algum tempo. Uma nota inspirada pelo email de Rui Antunes publicado pelo Abrupto.

A Capital começou por ser um peso: era um dos três vespertinos com que diariamente alombava pelas Escadinhas do Duque abaixo nos meus tempos nada saudosos de paquete de A Nação, diário para onde entrei no dia em que fiz 18 anos (e onde publiquei, sob o impulso do João Alves da Costa, de A Bola, que ali fazia uma perninha na Cultura, os meus dois primeiros textos saídos em letra de imprensa em jornais de grande circulação).

Pouco depois era leitura obrigatória e não passaram muitos anos até ser a minha concorrência, quando entrei para o Diário Popular.

O Diário de Lisboa (com o qual se completa o trio de pesos das minhas esbaforidelas Bairro Alto abaixo) finou-se à minha vista, literalmente (as janelas do Popular davam para o Lisboa e os berros cá em cima do Acácio a protestar ouviam-se lá). O Diário Popular acabou por se finar, já eu tinha saído para o Expresso. Faltava A Capital. Aquele que parecia o irmão mais fraquito dos três, aparentemente sofria de raquitismo, volta e meia tinha constipações, foi o que mais tempo sobreviveu.

Sei o que é um jornal fechar, caro Rui. Sei o que é desaparecer um projecto que contém o nosso suor e o nosso sangue. Um abraço.

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