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Da importância dos "analistas" (sim, incluindo os da blogosfera)

O Expresso destacou enormemente na sua primeira página um engraçado fait-divers sobre a relação dos portugueses com os dois candidatos presidenciais em perspectiva, sob a forma de uma sondagem. No mesmo sábado RTP, Público e Correio da Manhã publicavam sondagens dando a vitória nas presidenciais a Cavaco.

Nas páginas interiores do Expresso, sem direito sequer a uma linha na primeira página, a regular sondagem / barómetro da política portuguesa. À excepção de Marcelo Rebelo de Sousa na sua homilia dominical (agora a perder clientela para o ponto G da sociedade portuguesa), que lhe dedicou alguma (contrafeita) atenção, mais ninguém ligou.

O ingrato do povo obviamente não lê os blasfemos, danados, petas, glórias, semiramis, queijos e demais candidatos a arnaldos matos em tirocínio na blogosfera. O povo, essa bacocada incrível de parolos a que, infelizmente, temos de ir buscar votos para legitimar o regime da supremacia das (muito minoritárias) classes médias, parece não ligar nenhuma aos pachecos e xavieres e fernandes.

O povo, este estúpido, não percebeu as sábias mensagens dos analistas, "analistas" e outros escrevinhadores da lusa e pachorenta mediocridade: este governo não presta, não faz nada, está tudo cada vez pior, o país está a saque, a culpa das matas arderem é das férias do Primeiro Ministro, isto está tudo cada vez pior, um dia destes não temos país, isto não vai a lado nenhum, temos uma sociedade deprimida e ptá ptá ptá.

Não. Obviamente aturdido pelo ópio das telenovelas e do futebol com que as "elites" financeiras tão judiciosamente lhes alimentam os pobres mas honrados espíritos, o povo «» castigou o governo -- pasme-se!!! -- com uma queda de 5% em seis meses.

Com um ar preocupado, o único analista que mencionou o assunto esfalfou-se em repetir que o estado de graça ainda não acabou mas está já quase quase (seis meses depois?!? caramba!) -- para tentar justificar uma queda tão diminuta.

Há algo muito mal na política deste país e não me parece que esteja nos políticos do Governo. Eu é que tenho andando enganado.

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«Há algo muito mal na política deste país e não me parece que esteja nos políticos do Governo.» Concordo inteiramente, meu amigo. Estou «farto» de escrever textos postais no meu blogue, referindo esse facto. O que está mal na política deste país resume-se à presença duma «coisa» péstica que eu tenho chamado de «A Seita da Crise». Mas o Povo da Noruega já deu uma boa lição a esta Seita. A Alemanha está em recuperação económica. O SPD e os Verdes alemães ainda, muito provavelmente, vão ganhar as eleições que vão ocorrer no próximo Domingo. Na Polónia, os «magníficos heróis» da «revolução» laranjeta estão atolados numa ignóbil teia de profunda corrupção; tendo já levado a profundas divisões e separações adversárias dos antes juntos protagonistas da laranjada. Laranjada com muitos corantes e conservantes, naturalmente, muito prejudiciais à saúde individual e social. Na verdade, os liberalistas/neo-liberalistas retrógrados foram varridos do poder em Portugal (e estão a ser varridos do poder em outros países da Europa) mas nunca se conformaram (porque não são democratas) nem se conformam. E são extremamente agressivos na sua falácia. Portugal passou de um «país de poetas» para um país de economistas. E estes economistas formam uma autêntica torre de babel, são babélicos. Cada economista, cada grupo de economistas, corresponde a uma diferente e babélica perspectiva económica de ver a realidade. É como se os poetas fossem agora os economistas. Estes estão sempre a produzir uma cartilha economico-poética! Como há em Portugal, fruto de uma autêntica fábrica de produção contínua de economistas por todas as Faculdades existentes no país, uma quantidade astronómica de economistas, estes têm/precisam de justificar a sua existência. E vão produzindo, individualmente ou em grupo, cartilhas contínuas dos mais diversos e perfeitos disparates. Os economistas querem o poder. E querem ter o poder como um poder absoluto da sua «corporação». Chegou José Sócrates, que não está para os «aturar»; que tem projectos de obras a fazer, de obras muito importantes para a sociedade, e não está para ser travado pelo discurso falacioso e babélico da «corporação» dos economistas. E José Sócrates, nestes seis meses, já fez uma autêntica revolução social; que já está a dar os seus bons frutos, e, a médio prazo, transformará radicalmente este país de analfabetos e iliteratos num país moderno e desenvolvido à altura dos melhores países europeus. E isto, eu não o digo por ser partidário de José Sócrates; digo-o, porque é aquilo que vejo e observo. Logo no início da governação de José Sócrates escrevi no meu blogue um texto postal («post») que intitulei Filosofia Socrática Pombalina. É isto mesmo. José Sócrates é o correspondente ou paralelo democrático a o Marquês de Pombal. José Sócrates veio/foi para o Governo para ficar. Terá nova maioria absoluta nas próximas eleições legislativas, daqui a quatro anos. Foi/é isto que os de A Seita da Crise não perdoam, não se conformam. E, agressivamente, iniciaram o ataque com o tal manifesto aziago de mau-agoiro dos 13 economistas! Mas, nem sequer beliscaram José Sócrates. A prova disso é que José Sócrates acaba agora por fazer a grande revolução social, que toda a gente andava a pedir há muito, no Ensino em Portugal. Ora o Ensino, a Escola, é a base de tudo. Também foi aí que o Marquês de Pombal mais se notabilizou. Antes do Marquês de Pombal ter reformado no seu tempo o Ensino em Portugal, só se ensinava nas escolas portuguesas a Teologia e a Filologia clássicas - a Escolástica. Enquanto em toda a Europa já se ensinavam nas escolas a Biologia, a Química, a Física, a Matemática, e as Ciências Médicas modernas; em Portugal continuava a ensinar-se somente a Teologia e a Filologia clássicas! O Marquês de Pombal acabou com esse atraso medieval. Introduziu / fez introduzir nas escolas portuguesas o ensino de todas as ciências que já se ensinavam na Europa. Daqui o seu conflito com os Jesuítas; que eram quem dominava todo o ensino escolástico em Portugal, e assim queriam que ele continuasse, sem o ensino das ciências. O resultado deste conflito foi o que sabemos todos: o Marquês de Pombal mandou expulsar de Portugal todos os jesuítas, toda a Companhia de Jesus foi banida de Portugal. E as ciências passaram a ser ensinadas nas escolas portuguesas. E Mário Soares, a cada dia que passa, ganha mais apoios e mais intenções de voto. Tem todas as condições para vir a vencer as eleições presidenciais. Não admira a autêntica raiva agressiva dos liberalistas/neo-liberalistas da Seita da Crise. Estão a perder em toda a linha. Vão tentar sempre obstruir qualquer obra pública que o Governo queira fazer. Está-lhes na sua natureza de autênticos anarquistas de direita. Também as eleições autárquicas vão trazer muita «surpresa», a favor dos socialistas. Cá estaremos todos para ver. (Nota: eu, obvia e naturalmente, não tenho nada contra alguém ser economista; antes pelo contrário. Mas a situação actual, em geral quanto à «corporação» dos economistas e à sua apetência pelo controle total do poder, é aquela que referi acima. Mas naturalmente que apoio aqueles economistas, alguns, que, sem ser pelo poder, colocam o seu conhecimento ao serviço de Portugal e dos portugueses, colocam o seu conhecimento ao serviço da Causa Pública.) Abraço

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