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Microsoft-friendly, vá que não vá, mas subserviência fica mal

«Em conferência de imprensa, António Gavinho, responsável pelo projecto Continente Online, salientou que "um dos objectivos era que o cliente fechasse a compra com maior rapidez, daí a necessidade de introdução de uma nova plataforma ou de um upgrade”. A opção recaiu sobre a gigante de software “por estar ligada ao Internet Explorer", acrescentou o responsável.» (in tek.sapo).

É o que se chama uma má desculpa. Além de uma opção errada a olhos vistos. O Internet Explorer fechou 2004 com uma fatia de mercado superior a 90%. Em Abril deste ano era já inferior a 85% (perdeu +5% em quatro meses, depois de anos de estabilidade). Esses são os números internacionais. Está em queda livre, não restam dúvidas. E acelerada. Se serve de indicador: em 1 Terabyte de tráfego, 1,5 milhões de unique visitors e 5 milhões de páginas lidas em Setembro no conjunto dos blogues do weblog.com.pt, a percentagem do Internet Explorer baixou a menos de 3/4, precisamente 74.67%.

Ainda é a grande maioria? Sim. A ponto de justificar "opções" deste tipo quando se sabe da realidade dos browsers? Qualquer decisor dirá que não -- mesmo um com menos cérebro. E pode até comprar a plataforma à Microsoft, não está sequer em discussão que possa ser o mais indicado, mas -- por favor! -- não será subserviente ainda por cima. Fica mal no retrato.

Note-se que embora Portugal seja um país Microsoft-friendly (to say the least), o principal, de longe portal português é um bastião de open source e grande parte (a parte menos engravatada) do Grupo PT também o é.

Da administração pública aos bancos, nota-se um esforço crescente por dotar os serviços de interoperabilidade efectiva. Infelizmente, esta teve de ser provocada pelo barulho dos consumidores, com a amplificação dos defensores dos direitos fundamentais, de um lado, e dos entusiastas do open source do outro. Quando não, continuavam a ir na cantiga do bandido e a obrigar o cidadão a usar o que uma empresa privada ditava que fosse usado (nalguns serviços públicos penso que continua em vigor a obrigatoriedade de utilizar o IE).

Não foi o caso do Continente. Tudo bem: não me perdem como cliente, é verdade, mas também não me ganham.

[ Nota: com o homebanking fiz as minhas opções em 2002: troquei aquele que me obrigava a usar o IE pelo que me dava 95% do serviço em qualquer browser. ]

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