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Só há uma coisa que me faz espécie, confesso

Quando José Sócrates tomou conta disto há seis meses, parecia ter um fôlego suficiente para oito anos. O povo eleitor municiou-o com uma verdadeira carta branca para pôr na ordem os grupos de interesses, os verdadeiros donos do país. Ele e os seus ministros começaram a saga e, com os inevitáveis erros, até que não se têm portado mal. Muito pior fizeram dois dos três governos antecessores, é como eu avalio (a excepção foi Barroso por causa da acção de Ferreira Leite, que lhe salvou o coitus interruptus que foi o seu consulado).

Em seis meses a rapaziada, a malta, o povo, o pessoal -- em suma: os eleitores -- nem sequer tem ganido por aí além, está pronto para tudo e pia pouco ou nada. Os levantamentos de opinião, vulgo, sondagens, que valem o que valem mas são barómetros indispensáveis, confirmam que os governados estão numa relação normal com os governantes.

Então porque raio se nota tanto desconforto nos governantes? Só por causa da meia dúzia de analistas e "analistas" que vivem de escrever? Ninguém ganha a vida no bajulanço, isso era dantes. Agora ganha-se é a mandar vir. Um governo deve dar o desconto, caramba. Não se governa (só) para as estatisticamente irrelevantes minorias que escrevem nos jornais e nas sebentas electrónicas. Governa-se (para) o país.

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