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Secção Um jantar em Nova Iorque

06 de agosto de 2005

Carta aberta ao Secretário-geral do Partido Socialista

Caro José Sócrates, vou ser breve. É assim: se o PS insistir em secundar a peregrina ideia da candidatura de Mário Soares e deixar o louco do homem ir até às urnas, não me deixa outra alternativa senão a de tirar o pó de duas décadas ao cartão de eleitor e voltar a usá-lo como da última vez: engolindo um sapo. ...

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02 de agosto de 2005

O "país"

A maioria das respostas de leitores ao Entreguem as chaves em Bruxelas, um texto onde iniciei uma reflexão pessoal sobre a utilidade da ferramenta histórica chamada "país", foi de acinte. Os respondentes preferem acicatar espíritos em torno dos (seus) preconceitos -- que julgam transversais, de que o conceito de "patriotismo" é o mais avultado -- do que debater a minha reflexão: terá (ou não) chegado a hora de admitir a nova realidade da história do homem e, pragmaticamente ou nem por isso, deixar para trás o "país", essa entidade abstracta, de espírito, quantas vezes queimando as fronteiras físicas das nações ...

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28 de julho de 2005

Entreguem as chaves em Bruxelas

O desiludido mas realista texto de psicotico intitulado A grande hipoteca trouxe-me à memória a minha própria desiludida mas realista opinião sobre Portugal. Sem prejuízo de voltar ao assunto, eis em traços gerais: O país não é mais viável. Honrem-se oito séculos de História, com algumas décadas de poderosa glória, tendo a humildade de reconhecer que chegou o fim. Feche-se o país, embrulhe-se a bandeira, entregue-se o poder político a Bruxelas e o económico a Espanha (uma mera formalidade administrativa pois que é onde eles já estão, afinal). ...

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01 de junho de 2005

Do que é fundamental

Foi uma semana de difícil escolha. Os noticiários estão prenhes de temas, cada um aparentemente mais importante, fundamental diria, que o anterior. ...

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24 de maio de 2005

A lata

Se afirmar que Cavaco Silva é um dos grandes responsáveis pelo Portugal que hoje temos, a frase será relativamente bem aceite. É quase inócua e consensual (e disso tira ele partido evidente para a sua proto-candidatura a Belém). Pelo menos enquanto essa lembrança significar mais estradas, desenvolvimento "estratégico" das vias de comunicação entre os principais centros urbanos e o interior, algum apaziguamento da política nacional que permitiu menos sobressaltos na entrada de facto na União Europeia, e um clima propício aos empresários. ...

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18 de maio de 2005

Todo o estádio a cantar: um texto sobre o défice

Por alturas de Maio este país em particular, outros países da União Europeia em geral e em modulações diferentes consoante o respectivo grau de civilidade, levanta um sorriso que não o habita no resto do ano. É o sorriso da esperança. O sorriso que ressuma da paixão. Ao futebol o país deve tal sorriso, tal injecção capital de alegria. Maio é o mês do estádio a cantar. ...

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11 de maio de 2005

A esperteza possível de Marques Mendes

Sempre atentos e vigilantes como é seu timbre, os ditos opinion-makers da Imprensa lisboeta têm nos últimos dias elogiado a acção do líder do PSD, Marques Mendes, na condução do processo das autárquicas. Mendes é apresentado por tais teclados como um herói não só do seu partido como da política nacional. Bem espremido o assunto, MM recusou a entrada nas listas de figuras populistas como Valentim Loureiro ou Isaltino Morais, que para mais estão ou estiveram a braços com a Justiça e seus comportamentos (no caso de Isaltino) terão ficado aquém do esperado num político, quiçá num cidadão! A ilustre ...

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04 de maio de 2005

Mais Estado, melhor Estado

É sem dúvida nenhuma a mais difícil posição de defender nestes liberais e democráticos tempos, em que se vilipendia o estado-mamute e se entronizam as maravilhas da iniciativa privada. Mas a dificuldade não deve servir de razão para fugirmos ao exercício da análise sobre a realidade, ou as realidades. Em Portugal, nas várias áreas da "actividade económica" onde se fez a vontade à populaça e se diminuiu o peso do Estado, os exemplos de falência são mais que muitos. Tomemos o ensino, como podíamos tomar a rede viária ou a Imprensa. ...

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27 de abril de 2005

Entre os intervalos da chuva

Fevereiro já lá vai, o "novo" Governo já não é novo senão entre aspas. Desde então o circus tem-nos sido proporcionado pelos sparring-partners eleitorais do Partido Socialista e outras vulgaridades sociais, a saber: ...

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20 de abril de 2005

O trampolim extraordinário

O Centro Democrático Social / Partido Popular já não é um partido. Tornou-se na última década numa rampa de lançamento de ambições pessoais. Não admira que esteja a passar uma crise de identidade e que, a escassas horas do seu congresso, andem ainda a suplicar a alguns militantes mais destacados o favor de se candidatarem à liderança. Num momento em que não há nenhum político ambicioso (mas com os mínimos políticos feitos, "lebres" como Miguel Matos Chaves não contam) que queira usar o trampolim do CDS para fazer carreira na política, terá de assumir funções burocráticas um qualquer dos seus ...

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13 de abril de 2005

A chave da mudança

«É nos empresários que está a chave da mudança». A frase é de António Borges. Um homem enigmático que se começa a revelar. Na sua estratégia de take-over ideológico de um partido de poder (como se lhe referiu João Cravinho em crónica num diário de segunda-feira), Borges tenta aliciar as hostes sensíveis às palavras liberalismo, capitalismo e economia de mercado e estende a mão, magnânimo, aos "empresários", uma espécie de raça super-atlética e financeira previdente, capaz de mudar o país (para melhor, subentende-se). Mas a frase é uma falácia. A mudança não esteve, não está e é pouco crível que ...

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06 de abril de 2005

A refundição da Direita

A copiosa, nunca vista derrota eleitoral de Fevereiro deixou a Direita em estado de choque. Nunca, como no último mês e meio, se havia escrito (e pensado?) em Portugal sobre a Direita. Não existirá tal coisa como uma refundação. Como observou Miguel Sousa Tavares, só se pode refundar o que já foi fundado. Quando muito, as Direitas podem refundir-se. Usem a palavra que usarem, a que melhor descreve o estado actual (e futuro) da Direita portuguesa é a palavra crise. Uma crise profunda e que, ao contrário das crises de Esquerda, não é fácil ruminar. A crise radica num desajuste ...

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04 de abril de 2005

O Papa insano

OK: corro o risco de ser mal interpretado. (Já a excomunhão não me assusta.) Mas terei de dizer uma coisinhas contra a corrente a propósito de Karol Wojtila, sagrado Papa da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR) sob o nick de João Paulo II, cuja morte foi anunciada por estes dias. Só recorrendo ao desejo de alienação das massas (eu, que não acredito no Espírito Santo) se pode explicar a febre que se apoderou das televisões, e das massas em transe, nestes últimos dias do espectáculo de beneficência em prol da minoria que domina a ICAR a partir da Santa Sé ...

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31 de março de 2005

Um jantar em Nova Iorque

Que raio de nome para uma secção! - dirá o leitor. Na verdade, num espaço de escrita-leitura como este -- sem a mínima pretensão a "jornal", "mass media" ou "fazedor de opinião" (o que a alguns soará estranho por ser da autoria de um jornalista) -- não se espera uma relação formal entre a designação dos vários compartimentos e o seu conteúdo. Um jantar em Nova Iorque, a minha última secção inaugurada a 30 de Março, resulta de uma aposta cujo prémio é, precisamente, um jantar em Nova Iorque - e daí o título. Simples. Explicada a designação, vamos ao ...

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30 de março de 2005

O meio é a mensagem

Leio uma reportagem do Diário de Notícias de ontem, intitulada "Revolução da blogosfera pode criar um novo poder". À parte a (dispensável e feia) vénia ao parceiro de grupo económico, o Sapo - único alojador nacional contactado, segundo o aparente critério de ser o maior em termos de número, embora existam três outros de menores dimensões mas de maior impacto no contexto a que o artigo aludirá sempre, que é o da importância dos blogues -, o conjunto de peças está equilibrado. A interrogação de fundo, percebe-se, é o impacto esperável do "novo" meio de comunicação. Sorrio e lembro-me do ...

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